{"id":4605,"date":"2025-09-27T14:41:18","date_gmt":"2025-09-27T17:41:18","guid":{"rendered":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/?post_type=portfolio&#038;p=4605"},"modified":"2025-10-15T12:45:35","modified_gmt":"2025-10-15T15:45:35","slug":"roda-de-conversa","status":"publish","type":"portfolio","link":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/portfolio\/roda-de-conversa\/","title":{"rendered":"Roda de Conversa"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1000\" height=\"750\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Imagem-Capa_20241208_171027.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5091\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Imagem-Capa_20241208_171027.jpg 1000w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Imagem-Capa_20241208_171027-300x225.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Imagem-Capa_20241208_171027-768x576.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Imagem-Capa_20241208_171027-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption>Roda de conversa \u201cEscola sem paredes: Artes, ci\u00eancias, espiritualidades em hist\u00f3rias vivas\u201d, Casa de Myst\u00e9rios e Novidades, 8 de dezembro de 2024. Foto: Jessica Gogan<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h2>Escola sem paredes: Artes, ci\u00eancias, espiritualidades em hist\u00f3rias vivas<\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h4><strong>Anna Dantes, Fabio Scarano, Guilherme Vergara, Iazana Guizzo, L\u00edgia Veiga, M\u00e3e Sara, Marcia Brand\u00e3o, Sandra Benites<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto as artes, as ci\u00eancias e as espiritualidades estiverem compartimentalizadas e emparedadas em muros de exclus\u00e3o social, trincheiras de preconceitos de g\u00eanero e racialidade e, ainda, contaminadas pela pandemia de exterm\u00ednios da diversidade de cren\u00e7as, saberes e sabores da vida, permaneceremos sob dom\u00ednio da cultura capitalista da viol\u00eancia e do ecoc\u00eddio local e planet\u00e1rio. Na contram\u00e3o desses muros de viol\u00eancia est\u00e1 a Bandeira da Paz, ao redor da qual um grupo se reuniu num domingo, em dezembro de 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>A Bandeira da Paz, s\u00edmbolo associado ao Pacto da Paz (1935), tamb\u00e9m \u00e9 conhecida como Bandeira da M\u00e3e do Mundo. Essa bandeira foi criada e promulgada por um casal russo \u2014 Nicholas Roerich (1874\u20121947), artista, fil\u00f3sofo, escritor, arque\u00f3logo e advogado, e Helena Roerich (1879\u20121955), esp\u00edrito militante, escritora e ativista do movimento de mulheres \u2014 como parte de uma vis\u00e3o planet\u00e1ria de uma \u00c9tica Viva, do ativismo pela paz e da unidade pan-humana espiritual. Abra\u00e7ando a conectividade e a pluralidade das artes, ci\u00eancias e espiritualidades, a Bandeira se lan\u00e7a no \u201cch\u00e3o-corpo-cora\u00e7\u00e3o\u201d desse encontro como chamada para um labor t\u00eaxtil de escutas de diferentes vozes e um pensar sobre educa\u00e7\u00e3o a partir de pr\u00e1ticas de exist\u00eancia, hist\u00f3rias, ritos, momentos encantados e dif\u00edceis.<\/p>\n\n\n\n<p>Na conversa, foram apresentadas diferentes formas de ensinar que apostam na experi\u00eancia, na liberdade e na vida: as escolas sem paredes. Mesmo que pelas frestas de um mundo hostil, essas escolas sem paredes insistem em provocar corpos a desabrochar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 <strong>Guilherme Vergara<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A roda aconteceu no dia 8 de dezembro de 2024 na Casa de Myst\u00e9rios e Novidades, e foi transcrita, editada e revisada com os participantes no primeiro semestre de 2025. A fotografia \u00e9 de Jessica Gogan.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">***<\/p>\n\n\n\n<p><strong>L\u00edgia Veiga<\/strong>[<em>diretora art\u00edstica da Companhia de Myst\u00e9rios e Novidades<\/em> <em>tocando a concha<\/em>]<br>Pessoal, a gente vai iniciar a nossa roda de conversa.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa roda \u00e9 muito importante. \u00c9 uma alegria imensa ter voc\u00eas todos aqui, ter essas rodas de conversa e estar com pessoas aqui do cora\u00e7\u00e3o desta casa. Eu queria come\u00e7ar com uma pequena coisa que eu acabei de receber, um presente muito especial: o <em>Rub\u00e1iy\u00e1t<\/em>, que s\u00e3o poemas do Omar Khayy\u00e1m. Eu estava, assim, muito chateada que estava gripada na cama esses dias, e minha amiga me deu isso aqui e eu abri nessa p\u00e1gina. Olhem como tem a ver com a gente aqui hoje:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p><em>Senta-te e bebe, que ser\u00e1s mais feliz que Mahmud.<br>Escuta as melodias que exalam as harpas dos amantes: s\u00e3o os verdadeiros salmos de David.<br>N\u00e3o mergulhes no passado, n\u00e3o sondes o futuro.<br>Que o teu pensamento n\u00e3o v\u00e1 al\u00e9m do momento presente: eis o segredo da paz!<strong><sup>1<\/sup><\/strong><\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Tem tudo a ver com a gente agora, n\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p>[<em>Pessoas batendo palmas<\/em>]<\/p>\n\n\n\n<p>Eu pe\u00e7o desculpas a voc\u00eas, mas, como eu t\u00f4 muito gripada, eu vou ficar de fora, ouvindo voc\u00eas. E a condu\u00e7\u00e3o agora vai ser por Iazana [Guizzo] e [Guilherme] Vergara.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Guilherme Vergara<\/strong> <br>Boa tarde a todos. Primeiramente eu quero agradecer \u00e0 L\u00edgia, \u00e0 Mar\u00edlia e \u00e0 casa que acolhe esse movimento t\u00e3o imantado. E com esse \u00edm\u00e3 estamos reunindo pessoas que s\u00e3o tamb\u00e9m imantadas para essa roda de conversa: Iazana Guizzo, Fabio Scarano, Anna Dantes, Sandra Benites, M\u00e3e Sara e Marcia Brand\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O que nos re\u00fane hoje envolve tamb\u00e9m essa Bandeira da Paz aqui no ch\u00e3o como outro \u00edm\u00e3 para orientar nossa conversa. Esse s\u00edmbolo neol\u00edtico, esse s\u00edmbolo ancestral que, por tr\u00e1s dele, tem tamb\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o que talvez seja parte de um destino, um devir, uma miss\u00e3o desse planeta.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1000\" height=\"750\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/10\/Fig-1_20241208_175956.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5577\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/10\/Fig-1_20241208_175956.jpg 1000w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/10\/Fig-1_20241208_175956-300x225.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/10\/Fig-1_20241208_175956-768x576.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/10\/Fig-1_20241208_175956-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption>Bandeira da Paz no ch\u00e3o durante a roda.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00c9 a unidade plural das artes, ci\u00eancias e espiritualidades que pode tamb\u00e9m ser chamada de uma escola sem paredes. Que escola \u00e9 essa sem paredes que a gente est\u00e1 lidando? S\u00e3o oito pessoas muito especiais que v\u00e3o rodar essa fala hoje, cada uma trazendo um peda\u00e7o de vida onde essa brecha se abre, uma centelha para pensar essa possibilidade de s\u00edntese da pluralidade das artes, ci\u00eancias e espiritualidades.<\/p>\n\n\n\n<p>No ano passado, realizamos uma conversa aqui e tivemos uma refer\u00eancia rar\u00edssima, a apresenta\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da Helena Roerich, feminista, ativista e espiritualista que era parceira do artista russo Nicholas Roerich. Juntos, eles mobilizaram diferentes lideran\u00e7as mundiais pelo Pacto e Bandeira da Paz nos anos 1930. Nesse encontro eu li um pequeno texto da Helena Roerich. Pouca gente a conhece, mas \u00e9 t\u00e3o importante trazer para os dias de hoje essa \u00c9tica Viva que se irradia por tr\u00e1s do s\u00edmbolo da Bandeira da Paz, j\u00e1 que se fala tanto do futuro ancestral. N\u00f3s precisamos conhecer v\u00e1rios ancestrais e v\u00e1rios futuros.<\/p>\n\n\n\n<p>E, para a nossa escola sem paredes hoje, eu s\u00f3 vou ler esse trechozinho aqui \u2014 que espero que inspire a rodada de conversas \u2014 do livro <em>Cora\u00e7\u00e3o<\/em> (1932), da s\u00e9rie \u00c9tica Viva Agni Yoga, e passo a palavra para Iazana.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>1. <em>Ver com os olhos do cora\u00e7\u00e3o. Escutar os ru\u00eddos do mundo com os ouvidos do cora\u00e7\u00e3o. Perscrutar o futuro com a compreens\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o. Recordar as acumula\u00e7\u00f5es do passado atrav\u00e9s do cora\u00e7\u00e3o. Assim deve-se percorrer impetuosamente o caminho da ascens\u00e3o. A criatividade abrange o potencial ardente e se satura com o sagrado fogo do cora\u00e7\u00e3o. Portanto, no caminho para a Hierarquia, no caminho para o Grande Servi\u00e7o, no caminho para a Comunh\u00e3o, com C mai\u00fasculo, a s\u00edntese \u00e9 o \u00fanico caminho luminoso do cora\u00e7\u00e3o. Como podem os raios irradiar se a chama n\u00e3o est\u00e1 acesa no cora\u00e7\u00e3o? \u00c9 precisamente a propriedade do \u00edm\u00e3 que \u00e9 inerente ao cora\u00e7\u00e3o<strong><sup>2<\/sup><\/strong>.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-2_20241208_170116_obs-ampliar-e-cortar-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5029\" width=\"384\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-2_20241208_170116_obs-ampliar-e-cortar-768x1024.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-2_20241208_170116_obs-ampliar-e-cortar-225x300.jpg 225w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-2_20241208_170116_obs-ampliar-e-cortar.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><figcaption>Guilherme Vergara com seu caderno e livro de <em>Cora\u00e7\u00e3o<\/em> na mesa com a concha de L\u00edgia Veiga.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Eu sempre fa\u00e7o uma refer\u00eancia \u00e0 a\u00e7\u00e3o da L\u00edgia Veiga como cora\u00e7\u00e3o imantado, como tantos cora\u00e7\u00f5es aqui presentes. As pessoas que t\u00eam cora\u00e7\u00e3o aceso s\u00e3o vibr\u00e1teis e s\u00e3o pessoas de atra\u00e7\u00e3o imantada.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p><em>A criatividade superior est\u00e1 impregnada desta grande lei da atra\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o. Portanto, cada coroamento, cada uni\u00e3o, cada unifica\u00e7\u00e3o c\u00f3smica realiza-se por meio da chama do cora\u00e7\u00e3o. De que modo podemos assentar a base dos grandes degraus? Na verdade, apenas pelo cora\u00e7\u00e3o. Assim, os arcos da consci\u00eancia s\u00e3o fundidos pela chama do cora\u00e7\u00e3o<strong><sup>3<\/sup><\/strong>.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, espero que essa escola sem paredes seja um deslocamento desses s\u00e9culos dominados pelo intelecto para uma reconfigura\u00e7\u00e3o dos sentidos das artes-ci\u00eancias-espiritualidades por uma educa\u00e7\u00e3o pelo cora\u00e7\u00e3o imantado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Iazana Guizzo<\/strong>\n<br>\nTamb\u00e9m agrade\u00e7o pelas pessoas que est\u00e3o aqui nesse dia de domingo, futebol, ver\u00e3o, praia e calor. A gente est\u00e1 aqui para encontrar uns aos outros. E eu me lembro que, no ano passado, fal\u00e1vamos de como era bom conviver. As pessoas reunidas aqui j\u00e1 se conhecem e v\u00eam conversando nos \u00faltimos tempos. Este n\u00e3o \u00e9 aquele encontro em que voc\u00ea fala r\u00e1pido e vai embora. Todos n\u00f3s temos carinho pelas pessoas que ir\u00e3o falar, elas est\u00e3o fazendo trabalhos importantes, um cooperando com o outro, ouvindo um ao outro, tentando manter a alian\u00e7a, aberto ao afeto provocado, praticando conviv\u00eancia para al\u00e9m de um encontro r\u00e1pido numa mesa de palestra. Ent\u00e3o, esta \u00e9 uma oportunidade de a gente ir tecendo e firmando os la\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-3-a_20241208_162506-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5034\" width=\"384\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-3-a_20241208_162506-768x1024.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-3-a_20241208_162506-225x300.jpg 225w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-3-a_20241208_162506.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><figcaption>Lazana Guizzo apresentando a proposta da roda.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-3-b_20241208_170042-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5032\" width=\"384\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-3-b_20241208_170042-768x1024.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-3-b_20241208_170042-225x300.jpg 225w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-3-b_20241208_170042.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><figcaption>Lazana Guizzo apresentando a proposta da roda.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, eu queria dizer isso, que n\u00e3o come\u00e7a nem termina nesta roda, e a ideia \u00e9 que se amplie e que se troque e se fortale\u00e7a essa rede de cora\u00e7\u00f5es, como diz Vergara. A ideia \u00e9 que cada um fale sobre pr\u00e1ticas que j\u00e1 est\u00e3o acontecendo e o que podemos aprender com a experi\u00eancia do outro. Propomos uma fala muito r\u00e1pida, de oito minutos. Eu fiquei de guardi\u00e3 do tempo. Ent\u00e3o, eu vou fazer essa tarefa tocando um marac\u00e1, abrindo, como eu aprendi com os povos origin\u00e1rios, e a pessoa fala. Quando der seis minutos, eu vou s\u00f3 fazer isso [tocando suavemente no marac\u00e1], para a pessoa saber que faltam dois minutos e, quando fechar os oito minutos combinados, eu vou tocar duas vezes, para afirmar que os oito minutos acabaram.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>L\u00edgia<\/strong><br>Acho bom falar tamb\u00e9m que esses oito minutos t\u00eam a ver com o infinito. Porque acho que as conversas v\u00e3o se entrela\u00e7ar. A gente est\u00e1 em roda, n\u00e3o faremos uma fala, faremos um bordado c\u00f3smico aqui entre n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Iazana<\/strong><br>H\u00e1 bastante gente para falar. Os corpos t\u00eam limite, \u00e9 mais um norte do que uma coisa dura. Para a gente lembrar do coletivo, lembrar do tempo, porque \u00e9 infinito o que a gente tem para trocar. Ent\u00e3o, acho que \u00e9 mais nesse sentido. N\u00e3o \u00e9 uma dureza, mas uma orienta\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Guilherme<\/strong><br>A gente poderia fazer essa rodada por ordem alfab\u00e9tica de nome? Ou de sobrenome?<\/p>\n\n\n\n<p>[<em>riso geral<\/em>]<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Iazana<\/strong><br>Outra vez a gente fez uma coisa bem louca. Tinha sido um sorteio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Anna Dantes<\/strong>\n<br>\nMas talvez agora seja poss\u00edvel convidar algu\u00e9m para come\u00e7ar. M\u00e3e Sara, gostaria de iniciar a roda?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>M\u00e3e Sara<\/strong>\n<br>\nGente, mas vai demorar dois minutos. Porque a maioria daqui conhece a minha hist\u00f3ria. Para mim, \u00e9 mais f\u00e1cil perguntas. Eu tenho essa dificuldade de falar, de fazer palestra mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Guilherme<\/strong><br>Tenho uma pergunta: voc\u00ea tem uma percep\u00e7\u00e3o ou possibilidade dessa percep\u00e7\u00e3o de onde se d\u00e1 essa conflu\u00eancia com arte, ci\u00eancia e espiritualidade e como essa pode se desdobrar?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>M\u00e3e Sara<\/strong>\n<br>\nEst\u00e1 tudo junto e misturado. N\u00e3o tem como!<\/p>\n\n\n\n<p>Bom, o pessoal me chamou de M\u00e3e Sara. Eu virei m\u00e3e de todo mundo. Eu sou dirigente de uma casa de umbanda aqui na Sacadura Cabral, coladinho na Pedra do Sal.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1000\" height=\"750\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-4_Mae-Sara_20241208_163451.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5036\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-4_Mae-Sara_20241208_163451.jpg 1000w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-4_Mae-Sara_20241208_163451-300x225.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-4_Mae-Sara_20241208_163451-768x576.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-4_Mae-Sara_20241208_163451-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption>M\u00e3e Sara<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Eu sempre tive muita dificuldade de falar em p\u00fablico. Mas, como voc\u00ea perguntou sobre arte, ci\u00eancia e espiritualidade, vou dizer que, para mim, est\u00e1 tudo junto e misturado. At\u00e9 porque eu n\u00e3o falo de religi\u00e3o. Eu falo sempre de espiritualidade, que s\u00e3o coisas bem diferentes. Eu tenho dificuldade de falar, inclusive, porque cria muita pol\u00eamica. Nossa casa \u00e9 muito aberta. Estamos ali para estudar, para entender. Eu me coloco mais como \u201cexperienciadora\u201d do que dirigente, porque eu estou experienciando as coisas que acontecem, os movimentos que acontecem dentro do interior de n\u00f3s. Muita coisa eu tamb\u00e9m n\u00e3o sei o que \u00e9 e eu fico falando: \u201cO que est\u00e1 acontecendo aqui?\u201d. Vamos aprender juntos, vamos procurar, vamos saber juntos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, \u00e9 mais uma escola. Eu digo que \u00e9 mais uma escola inici\u00e1tica para todos aprenderem juntos. E vem trazendo a espiritualidade e vem trazendo a ci\u00eancia junto \u00e0 arte. Eu acabei de virar produtora cultural, assim mesmo, como uma necessidade espiritual. Foi puxando as coisas. A partir do que eu ia conhecendo e evidenciando, eu ia tendo essa necessidade de mostrar quem somos, porque somos.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu sou virginiana, sou c\u00e9tica. Eu vivo um paradoxo muito doido, porque eu n\u00e3o acredito em religi\u00e3o, n\u00e3o acredito de verdade. Eu falo que religi\u00e3o \u00e9 um encontro social para pessoas da mesma cultura, do mesmo idioma, falar de Deus. \u00c9 ali que a gente vai chegar na espiritualidade. Foi a partir desse entendimento que comecei a estudar, pesquisar, buscar. Nada me explicava o que eram essas incorpora\u00e7\u00f5es dos esp\u00edritos desencarnados, nada explicava aqueles fen\u00f4menos, at\u00e9 que eu fui entender na f\u00edsica qu\u00e2ntica, na metaf\u00edsica, que a\u00ed, caramba, tem fundamento. Mas nem todo mundo tem acesso a essas informa\u00e7\u00f5es. Mas as pessoas que v\u00e3o ao terreiro precisam ser atendidas, ser orientadas. Ent\u00e3o, \u00e9 por aqui que n\u00f3s vamos, \u00e9 pela religi\u00e3o que n\u00f3s vamos. N\u00e3o tem como a gente chegar pela fala da ci\u00eancia, de f\u00edsica qu\u00e2ntica e metaf\u00edsica. Ent\u00e3o, vamos chegar por aqui, por esse caminho da espiritualidade, que puxa a arte, que puxa ci\u00eancia. Como \u00e9 que o povo no dia a dia acessa isso? Ent\u00e3o, a gente \u00e9 uma agricultura livre de hist\u00f3rias. E vamos contando, porque est\u00e1 tudo escondido.<\/p>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m conta a hist\u00f3ria da nossa ancestralidade. A gente n\u00e3o sabe e ficamos, os negros, ficamos um pouco, n\u00e3o, ficamos muito, sem identidade. Onde a gente busca as nossas refer\u00eancias? E, a partir da\u00ed, vem a arte mostrar de uma outra forma que n\u00e3o seja acad\u00eamica. Agora, estou muito feliz, porque a ci\u00eancia e a academia querem mostrar isso, querem falar disso. Quanto tempo demorou para isso acontecer? Agora \u00e9 o momento. Ent\u00e3o, o que eu puder, com toda a dificuldade que eu tenho, o que eu puder contribuir para isso, porque, para mim, foi muito dif\u00edcil eu entender, encontrar minha identidade. Foi muito dif\u00edcil. E \u00e9 sofrimento, gente. \u00c9 sofrimento. A gente n\u00e3o sabe muito bem de onde vem, o que significam as coisas que se apresentam para a gente, tanto a escola quanto as religi\u00f5es. A gente v\u00ea que n\u00e3o combina muito. Caramba, n\u00e3o encaixa.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-5_Mae-Sara_20241208_173614-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5038\" width=\"384\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-5_Mae-Sara_20241208_173614-768x1024.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-5_Mae-Sara_20241208_173614-225x300.jpg 225w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-5_Mae-Sara_20241208_173614.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><figcaption>M\u00e3e Sara<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Mas a\u00ed \u00e9 isso. Eu fico muito feliz porque n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, a gente n\u00e3o tem identidade e n\u00e3o sabe da nossa hist\u00f3ria at\u00e9 para se colocar no mundo atual. Precisamos saber de onde n\u00f3s viemos. De onde que eu vim? Ent\u00e3o, de verdade, eu estou muito feliz com esse movimento de a gente encontrar a nossa ancestralidade mesmo, a nossa hist\u00f3ria. Olha, come\u00e7ar por mim foi \u00f3timo!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Guilherme<\/strong><br>Muito obrigado, M\u00e3e Sara. Hoje temos tanta fragmenta\u00e7\u00e3o. A gente se divide muito mais que se une por n\u00e3o saber de onde viemos. A\u00ed eu proponho que o Fabio Scarano puxe e continue este bordado c\u00f3smico de falas, como L\u00edgia mencionou, porque M\u00e3e Sara j\u00e1 puxou como um centro de estudos espiritualistas e espirituais como tudo puxa para a f\u00edsica qu\u00e2ntica. A\u00ed, temos aqui o Fabio Scarano para continuar essa viagem intuitiva. Muito obrigado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fabio Scarano<\/strong>\n<br>\n\u00c9 uma honra, um prazer sempre estar aqui. Uma del\u00edcia estar nessa casa. Eu sou Fabio Scarano. A minha forma\u00e7\u00e3o \u00e9 em bot\u00e2nica, principalmente. Eu trabalhei com as plantas muito tempo da minha vida e numa \u00f3tica cient\u00edfica. O meu caso aqui tem muita coisa que se parece com a sua narrativa. Eu sou de uma fam\u00edlia italiana. A minha bisav\u00f3 nasceu no dia de S\u00e3o Francisco de Assis. Meu av\u00f4 se chamava Francisco e eu tamb\u00e9m nasci no dia de S\u00e3o Francisco de Assis. Ent\u00e3o, isso foi muito forte na minha forma\u00e7\u00e3o. Essa forma\u00e7\u00e3o religiosa, cat\u00f3lica, com o olhar franciscano. Mas eu, jovem inquieto, queria ter certeza das coisas e fui pelo caminho da ci\u00eancia. Mal sabia eu que o of\u00edcio do cientista \u00e9 lidar com a incerteza.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1000\" height=\"750\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-6_Fabio-Scarano_20241208_164127.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5040\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-6_Fabio-Scarano_20241208_164127.jpg 1000w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-6_Fabio-Scarano_20241208_164127-300x225.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-6_Fabio-Scarano_20241208_164127-768x576.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-6_Fabio-Scarano_20241208_164127-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption>Fabio Scarano<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da base religiosa e da forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, eu tinha uma liga\u00e7\u00e3o grande com a arte, especialmente o cinema, que sempre me fascinou. Talvez pelos rigores do estabelecimento cient\u00edfico, por muito tempo eu achava que existiam tr\u00eas Fabios que n\u00e3o deveriam se misturar: o Fabio cientista, o F\u00e1bio que tinha uma espiritualidade e o F\u00e1bio que gostava de arte. E eu n\u00e3o misturava, ou tentava n\u00e3o misturar esses Fabios, que eu julgava ser importante para a minha pr\u00e1tica na ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando eu trabalhava com as plantas, uma das esp\u00e9cies tinha uma forma de vida pouco usual. Ela funcionava mais \u00e0 noite do que de dia. Logo, eu passava muito tempo \u00e0 noite com essas plantas. Estar \u00e0 noite em meio \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o, muitas vezes s\u00f3, faz a gente pensar, sentir e perceber coisas pouco evidentes no nosso cotidiano urbano. Da\u00ed eu percebi que a ci\u00eancia&#8230; o Blaise Pascal falava isso&#8230; a ci\u00eancia consegue explicar, no m\u00e1ximo, 10% das coisas. Os outros 90% est\u00e3o no campo do mist\u00e9rio, do sagrado, e a ci\u00eancia n\u00e3o consegue explicar. Por volta dessa \u00e9poca que eu vim a encontrar a Anna Dantes aqui, que \u00e9 uma pessoa importante para fazer com que esses tr\u00eas Fabios se encontrassem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um fen\u00f4meno relativamente recente, deve ter uns dez, quinze anos para c\u00e1. Eu sempre agrade\u00e7o \u00e0 Anna por essa chance que eu tive. Isso tamb\u00e9m veio muito da possibilidade de trabalhar com diferentes povos ind\u00edgenas e dialogar com diferentes colegas do mundo da arte. E \u00e9 um processo que, hoje, me traz para o Museu do Amanh\u00e3. Estou atuando l\u00e1 h\u00e1 dois anos, agora, como curador. O tema do futuro me interessa por conta do meu trabalho com as plantas tamb\u00e9m. Uma coisa que eu notava nas plantas, como elas n\u00e3o se movem, \u00e9 que elas s\u00e3o atentas. O fato de n\u00e3o se deslocar d\u00e1 uma capacidade de aten\u00e7\u00e3o [ampliada] e essa aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem muito a ver com a mem\u00f3ria. Embora a aten\u00e7\u00e3o esteja relacionada com o presente, ela ativa a nossa mem\u00f3ria que est\u00e1 mais conectada com o passado. Tudo que \u00e9 vivo tem aten\u00e7\u00e3o e tem mem\u00f3ria. E possui tamb\u00e9m uma terceira capacidade, que \u00e9 a antecipa\u00e7\u00e3o. A antecipa\u00e7\u00e3o \u00e9 como a aten\u00e7\u00e3o e a mem\u00f3ria interagem para criar imagens sobre o futuro. J\u00e1 que o futuro n\u00e3o existe, ele existe s\u00f3 na imagina\u00e7\u00e3o, a aten\u00e7\u00e3o e a mem\u00f3ria s\u00e3o fundamentais para a gente antecipar bem. No ser humano, hoje, a impress\u00e3o que eu tenho \u00e9 que a gente tem baixa aten\u00e7\u00e3o, muito pouca mem\u00f3ria do mundo e, portanto, antecipamos muito mal. A ci\u00eancia andou muito nesse sentido. Eu trabalhei, no passado, com mudan\u00e7a clim\u00e1tica e com proje\u00e7\u00e3o de cen\u00e1rios futuros, e posso dizer que, hoje, as proje\u00e7\u00f5es cient\u00edficas est\u00e3o cada vez melhores. Mas n\u00e3o adianta muita coisa. Estamos falando de mudan\u00e7a clim\u00e1tica h\u00e1 40 anos e a sociedade planet\u00e1ria quebra o recorde de emiss\u00e3o de gases estufa todo ano. Ent\u00e3o, tem um desacoplamento entre a gente entender e agir que, para mim, tem a ver com a falta de sentir.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 como se a gente visse esses fen\u00f4menos todos pela televis\u00e3o, numa tela. E achamos que n\u00e3o vai acontecer, ao menos n\u00e3o com a gente, at\u00e9 que acontece. Creio que a ci\u00eancia precisa da arte e da espiritualidade, bem como a arte e a espiritualidade precisam da ci\u00eancia. Eu creio que o di\u00e1logo entre essas diferentes formas de interpreta\u00e7\u00e3o da realidade ir\u00e1 melhorar a nossa capacidade antecipat\u00f3ria. Porque tanto a arte como a espiritualidade, seja ela religiosa ou n\u00e3o, nos permite sentir, talvez mais imediatamente do que a ci\u00eancia nos faz. Uma das belezas da ci\u00eancia \u00e9 que ela \u00e9 livre de dogma. \u00c0 luz do m\u00e9todo cient\u00edfico, do teste, tudo pode acontecer. Por\u00e9m, o ser humano n\u00e3o \u00e9 livre de dogma. Ent\u00e3o, a suposta objetividade e imparcialidade que a ci\u00eancia teria em decorr\u00eancia do m\u00e9todo, n\u00f3s humanos n\u00e3o temos. Ent\u00e3o, ela encontra um claro limite. Ela \u00e9 s\u00f3 uma forma de interpreta\u00e7\u00e3o da realidade. \u00c9 uma forma de interpreta\u00e7\u00e3o da realidade que, gra\u00e7as \u00e0 maneira como foi e muitas vezes ainda \u00e9 usada, se confunde com o progresso. Ent\u00e3o, ela eventualmente apaga mem\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-7_Fabio-Scarano_20241208_164610-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5042\" width=\"384\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-7_Fabio-Scarano_20241208_164610-768x1024.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-7_Fabio-Scarano_20241208_164610-225x300.jpg 225w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-7_Fabio-Scarano_20241208_164610.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><figcaption>Fabio Scarano<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, n\u00f3s somos uma sociedade, a sociedade moderna, que n\u00e3o tem aten\u00e7\u00e3o por conta dessa velocidade tanto da vida como das comunica\u00e7\u00f5es que nos invadem. Nossa aten\u00e7\u00e3o \u00e9 baixa e n\u00f3s n\u00e3o temos a mem\u00f3ria do mundo. Por conta de um monte de mem\u00f3rias que foram apagadas, humanas, n\u00e3o humanas&#8230; Eu fico me lembrando da minha rela\u00e7\u00e3o com a minha av\u00f3. Minha av\u00f3 tratava a gente com plantas. Eu me lembro de umas tr\u00eas, quatro plantas, mas n\u00e3o me lembro de todas. Meu pai, tamb\u00e9m, s\u00f3 se lembra de uma ou outra. N\u00e3o passou muito tempo de l\u00e1 pra c\u00e1, sabe? Ent\u00e3o, dentro de uma faixa estreita de anos, a gente perde a mem\u00f3ria. O que dir\u00e1 tantas mem\u00f3rias de tantos povos que foram apagadas ao longo da hist\u00f3ria? Mas eu tenho para mim que, ainda que a gente n\u00e3o se lembre, essas mem\u00f3rias est\u00e3o em algum lugar. E temos que procurar ampliar o nosso campo de mem\u00f3ria, assim como voltar a ter aten\u00e7\u00e3o ao mundo. E essa aten\u00e7\u00e3o, eu acho que a gente recobra muito em contato com o pr\u00f3ximo, com a natureza, estando aqui, abra\u00e7ando. Isso te p\u00f5e na terra, te aterra, n\u00e3o \u00e9? E, com mem\u00f3ria e aten\u00e7\u00e3o, vamos antecipar melhor. Imaginar futuros desej\u00e1veis nos leva a agir, que n\u00e3o \u00e9 esperar. Esperan\u00e7ar, como Paulo Freire dizia: voc\u00ea antecipa e age. Isso que eu imagino, as plantas me ajudaram muito, e a minha querida Anna tamb\u00e9m, nesse longo processo de juntar os tr\u00eas Fabios.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Anna Dantes<\/strong>\n<br>\n\u00c9 um presente iniciar a fala sobre as escolas sem paredes come\u00e7ando pela espiritualidade. Realmente n\u00e3o existe parede para a espiritualidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>M\u00e3e Sara<\/strong>\n<br>\nE \u00e9 verdade. Verdade absoluta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Anna<\/strong>\n<br>\nT\u00e1 lindo, n\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>M\u00e3e Sara<\/strong>\n<br>\n\u00c9 que eu fiquei emocionada com o que Fabio falou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Anna<\/strong>\n<br>\nUma conversa com pontua\u00e7\u00f5es muito interessantes!<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, para quem n\u00e3o me conhece, meu nome \u00e9 Anna Dantes. Dantes n\u00e3o \u00e9 meu sobrenome verdadeiro. Eu comecei a trabalhar com mem\u00f3ria aos 19 anos a partir de uma livraria de livros usados. Foi a medida do meu poss\u00edvel de come\u00e7ar a minha vida. E o nome da minha livraria era Dantes. Aos poucos eu fui identificada com esse nome. E todo o meu trabalho era muito ligado \u00e0 mem\u00f3ria a partir do mundo dos livros e das plantas. Das plantas come\u00e7ando desde a minha av\u00f3, que falava com as plantas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1000\" height=\"750\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-8_Anna-Dantes_20241208_164811.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5044\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-8_Anna-Dantes_20241208_164811.jpg 1000w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-8_Anna-Dantes_20241208_164811-300x225.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-8_Anna-Dantes_20241208_164811-768x576.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-8_Anna-Dantes_20241208_164811-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption>Anna Dantes<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>E a\u00ed s\u00e3o muitas coisas que a gente pode chamar de m\u00e1gicas ou mist\u00e9rios que foram a minha maior escola de vida, j\u00e1 que, depois do ensino m\u00e9dio, eu n\u00e3o fui \u00e0 universidade. Fiquei muito agoniada com a quest\u00e3o da universidade, da academia. Fiquei gr\u00e1vida muito cedo e a vida me levou para essa rela\u00e7\u00e3o de escutas, de palavras, de leituras, de entendimento do mundo a partir dessas leituras que eu ia fazendo dentro da minha livraria. Me tornei editora, trabalhei muitos anos com o povo ind\u00edgena que \u00e9 o povo Huni Kuin. Isso foi em 2011. E, desde 2018, a gente tem um projeto chamado Selvagem \u2013 Ciclo de Estudos Sobre a Vida, que \u00e9 um projeto, que \u00e9 uma escola sem paredes, que liga arte, espiritualidade e ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rodas de conversa, em ciclos de estudos, em cadernos, quem quiser pode acessar esse material absolutamente dispon\u00edvel, gratuito e que conta com uma rede colaborativa muito forte. Temos uma comunidade que trabalha com tradu\u00e7\u00e3o, com prepara\u00e7\u00e3o de texto, um grupo grande de educa\u00e7\u00e3o que est\u00e1 levando esses conte\u00fados que nunca chegaram \u00e0s escolas, que s\u00e3o conte\u00fados de mem\u00f3rias ancestrais, de outras l\u00ednguas, textos em Guarani, que v\u00e3o sendo traduzidos por esses grupos e s\u00e3o [parte dos] ciclos. Enfim, \u00e9 um universo ali como se fosse uma universidade, mas uma pluriversidade, e que a pessoa pode entrar por um assunto, como os seres invis\u00edveis, e chegar a outro assunto, que seja a regenera\u00e7\u00e3o de Gaia, e ali ela vai tamb\u00e9m ter um ciclo sobre sonhos. Esse ano a gente publicou esse ciclo sobre o sol, sobre v\u00e1rias narrativas do sol.<\/p>\n\n\n\n<p>E, dito isso, me colocando aqui dentro dessa escola sem paredes, dessa pr\u00e1tica de escola sem paredes, porque n\u00e3o existe um lugar de Selvagem, o Selvagem ocupa lugares, ele coloca as suas bandeiras, assim como aqui. E ele acontece, pode ser no MAM [Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro], no Teatro do Jardim Bot\u00e2nico, pode ser online, pode ser numa sala de universidade, num jardim, com crian\u00e7as, com pessoas de todas as idades, com gente acad\u00eamica, com gente n\u00e3o acad\u00eamica, enfim. Ele \u00e9 muito vers\u00e1til, muito pl\u00e1stico, tem uma for\u00e7a de adapta\u00e7\u00e3o aos modelos e contextos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, dito isso, acho que eu gostaria de falar um pouco sobre esse analfabetismo da espiritualidade, que eu acho que cada vez mais \u2014 isso para mim \u2014 \u00e9 uma grande lacuna que essa sociedade adoecida vive. Muitas pessoas acabam se medicando e nunca consideram a possibilidade de que elas tenham alguma quest\u00e3o que possam trabalhar espiritualmente. Essa sociedade, muitas vezes, tem uma quest\u00e3o de desconforto em rela\u00e7\u00e3o a como o g\u00eanero \u00e9 aceito, e ela, muitas vezes, n\u00e3o se pergunta o quanto ela \u00e9&#8230; ela pode ser on\u00e7a, ela pode ser borboleta, um dia ela pode ser homem. Eu acho que, por exemplo, em rela\u00e7\u00e3o ao time de futebol Botafogo, eu fui muito mais menino do que menina, porque meu pai n\u00e3o tinha filho homem e eu fui o menino que ia com a camisa do Botafogo para o Maracan\u00e3 com ele e ficava ali com a bandeira. Ent\u00e3o, assim, eu fui um moleque pra caramba em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 minha inf\u00e2ncia. Eu acho que somos mais trans do que imaginamos. Tudo est\u00e1 atravessando tudo, o tempo inteiro. A gente est\u00e1 sendo atravessado, nossas c\u00e9lulas nem s\u00e3o s\u00f3 humanas, 52% das nossas c\u00e9lulas s\u00e3o de outros seres que est\u00e3o aqui e que podem estar com vontade de beber uma cerveja agora. N\u00e3o sou aquele eu que eu acho que sou, eu sou uma composi\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, o Selvagem \u00e9 muito sobre essa possibilidade, e considerando essa quest\u00e3o de fato de que existe e \u00e9 urgente essa outra escuta de mundo. Uma escuta que se faz, muitas vezes, no sil\u00eancio, uma escuta que se faz com o que a gente chama de intui\u00e7\u00e3o. Como a gente vai agir, o que a gente vai escolher. Isso \u00e9 quase uma pol\u00edtica de rela\u00e7\u00f5es o tempo inteiro.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-9-a_Anna-Dantes_20241208_164820-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5048\" width=\"384\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-9-a_Anna-Dantes_20241208_164820-768x1024.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-9-a_Anna-Dantes_20241208_164820-225x300.jpg 225w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-9-a_Anna-Dantes_20241208_164820.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><figcaption>Anna Dantes<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-9-b_Anna-Dantes_20241208_164838-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5046\" width=\"384\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-9-b_Anna-Dantes_20241208_164838-768x1024.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-9-b_Anna-Dantes_20241208_164838-225x300.jpg 225w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-9-b_Anna-Dantes_20241208_164838.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><figcaption>Anna Dantes<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Outra quest\u00e3o \u00e9 a quest\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o, voc\u00ea trabalhar a sua prote\u00e7\u00e3o, conhecer quais s\u00e3o as suas armas de prote\u00e7\u00e3o, voc\u00ea entender se voc\u00ea tem permiss\u00e3o para fazer determinadas coisas. Isso \u00e9 algo que o Selvagem \u00e9 muito respeitoso. A gente s\u00f3 faz alguma coisa, a gente s\u00f3 adentra se aquilo ali conquista essa permiss\u00e3o. E essa permiss\u00e3o, \u00e0s vezes, ela \u00e9 dolorosa, ela n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, porque ela envolve outro tipo de di\u00e1logo que nem sempre \u00e9 com humanos, dentro de algo que \u00e9 pouqu\u00edssimo dito na nossa vida. Eu acho que \u00e9 pouqu\u00edssimo trazido isso: isso n\u00e3o est\u00e1 nas escolas, isso n\u00e3o est\u00e1 nas rela\u00e7\u00f5es das fam\u00edlias, isso n\u00e3o \u00e9 dito. Eu acho que o Selvagem tenta criar um campo de uma escola sem paredes para que essa escuta do invis\u00edvel possa fazer cada vez mais parte e contar mais com a nossa confian\u00e7a, porque eu acho que a confian\u00e7a nisso \u00e9 fundamental, a confian\u00e7a na biosfera. Muitas vezes, a gente est\u00e1 em algum trabalho e as pessoas s\u00f3 est\u00e3o falando: \u201c\u00c9 importante fazer isso, \u00e9 importante a mem\u00f3ria\u201d. At\u00e9 que ponto voc\u00ea est\u00e1 exercendo isso? Voc\u00ea est\u00e1 vivendo isso? Voc\u00ea est\u00e1 confiando que existe uma conex\u00e3o entre tudo e que as decis\u00f5es come\u00e7am a se arranjar? E voc\u00ea consegue ler isso?<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, acho que \u00e9 uma alfabetiza\u00e7\u00e3o, algo que precisa estar mais em circula\u00e7\u00e3o, at\u00e9 porque a gente est\u00e1 num momento muito perigoso do mundo, e que talvez seja essa mudan\u00e7a de consci\u00eancia que vai ter que acelerar. Ela j\u00e1 est\u00e1 acelerada, s\u00f3 que de um jeito muito louco. Ent\u00e3o, acho que s\u00e3o quest\u00f5es que eu gostaria de trazer para essa escola sem paredes.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu adoraria falar tamb\u00e9m, sabe, uma outra coisa que vai acabar se tocando, segura um minuto a\u00ed [<em>falando para Iazana que estava sinalizando o final dos oito minutos com o marac\u00e1<\/em>], que \u00e9 uma coisa muito louca que eu fico pensando muito, que \u00e9 o <em>game<\/em>. Eu acho que essa hist\u00f3ria toda da minera\u00e7\u00e3o, desses esp\u00edritos que ficaram guardados na terra em camadas muito profundas e que v\u00e3o abrindo, eles s\u00e3o animados e eles est\u00e3o na nossa m\u00e3o. Eles est\u00e3o pautando muita coisa, eles est\u00e3o no digital hoje em dia. E eu acho que a quest\u00e3o do celular e do computador e dos <em>games<\/em> e desse mundo que est\u00e1 animado e que tem uma ag\u00eancia sobre n\u00f3s e que tem um dom\u00ednio sobre n\u00f3s, ele \u00e9 espiritual tamb\u00e9m. Ent\u00e3o, a leitura do que \u00e9 espiritual tamb\u00e9m n\u00e3o cabe s\u00f3 em determinadas [categorias]. Eu acho que \u00e9 important\u00edssima a doutrina porque eu acho que \u00e9 para voc\u00ea lidar com essa fun\u00e7\u00e3o. Se voc\u00ea n\u00e3o tiver uma m\u00e3e, sabe, algu\u00e9m que chega ali e fala, que consiga mediar essa leitura, \u00e9 muito mais arriscado. Mas, ao mesmo tempo, \u00e9 muito ampla essa fun\u00e7\u00e3o e esse tr\u00e2nsito de informa\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas. Ent\u00e3o, \u00e9 isso, para come\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Iazana<\/strong><br>Ent\u00e3o, a coisa que pensei em trazer para compartilhar \u00e9 justamente o corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>O tempo do corpo, da experi\u00eancia, de uma metamorfose de si agenciada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e de quanto isso \u00e9 cada vez mais avesso a um mundo conectado ao celular e \u00e0s escolas que afirmam suas paredes.<\/p>\n\n\n\n<p>Gostaria de falar do corpo junto \u00e0 experi\u00eancia do Floresta Cidade [projeto de extens\u00e3o, ensino e pesquisa da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo \u2013 FAU UFRJ] que eu coordeno e que tem, hoje, 40 estudantes, fora os das disciplinas regulares.<\/p>\n\n\n\n<p>Acredito que praticamos uma escola de desconstru\u00e7\u00e3o de paredes. A educa\u00e7\u00e3o tem paredes, a universidade tem muitas paredes, de v\u00e1rios tipos, e a pr\u00e1tica do Floresta Cidade \u00e9 desconstruir essas paredes para criar rela\u00e7\u00f5es diretas com a vida.&nbsp; Esse gesto de tirar paredes, tirar coisas que sejam, talvez, excessivas em nossos espa\u00e7os educacionais, n\u00e3o est\u00e1 apenas nas atividades de extens\u00e3o junto aos territ\u00f3rios parceiros, mas tamb\u00e9m na pr\u00f3pria sala de aula das disciplinas Floresta dentro da FAU.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando estamos em disciplinas regulares na FAU, fazemos uso de uma sala, ainda literalmente com paredes, mas ao menos sem pranchetas e cadeiras. Uma sala vazia para entrar somente com o pr\u00f3prio corpo e sem sapatos. \u00c9 para deixar o resto de fora, inclusive o celular. Ent\u00e3o, esse gesto de uma sala de aula apenas com um piso de madeira e um incenso aceso, algo que seria mais poss\u00edvel de encontrar no curso de dan\u00e7a da UFRJ, \u00e9 um gesto estranho na arquitetura. E s\u00f3 esse gesto, s\u00f3 essa imagem, gera uma confus\u00e3o dentro da faculdade. J\u00e1 mudaram quatro vezes a sala do Floresta de lugar e todo novo semestre eu sinto a amea\u00e7a de perder a possibilidade da sala vazia. Isso em um edif\u00edcio enorme que, a meu ver, pode ter at\u00e9 mesmo um erro de escala, apesar da excel\u00eancia do arquiteto que o desenhou e da boa vontade de alguns colegas de tentar resolver o problema da exist\u00eancia da sala vazia na arquitetura.<\/p>\n\n\n\n<p>O edif\u00edcio da FAU\u2012UFRJ, o JMM, foi constru\u00eddo numa perspectiva de arquitetura moderna que tem coisas bonitas e fortes, mas que est\u00e1 circunscrita num tempo que n\u00e3o nos cabe mais, no meu ponto de vista. Claro que diversas coisas ainda cabem, tudo \u00e9 m\u00faltiplo, mas essa arquitetura aponta limites claros aos problemas atuais, como o uso excessivo de concreto, a produ\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os grandes demais, a aposta no Estado como produtor de igualdade social atrav\u00e9s de equipamentos p\u00fablicos e habita\u00e7\u00e3o social, apenas para citar alguns. O gesto da sala vazia gera um desconforto, talvez porque evidencie a exist\u00eancia de modos de ensinar n\u00e3o convencionais dentro da universidade. Isso n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de sustentar como professora, e o ponto mais sens\u00edvel desse gesto n\u00e3o convencional \u00e9 justamente o corpo. Ativar o corpo, ativar o sentir, acender um incenso, permear a sala com tecnologias ancestrais, levar diferentes plantas, ervas, entusiasmos, desafios, outras cosmologias e fazer a ponte do projetar com o que o Fabio trouxe hoje, a espiritualidade (ou a virtualidade n\u00e3o religiosa), entre outras coisas que causam estranhamento ao modo hegem\u00f4nico de pensar a concep\u00e7\u00e3o de ambientes constru\u00eddos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1000\" height=\"750\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-10_Iazana-Gizzo_20241208_165720.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5050\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-10_Iazana-Gizzo_20241208_165720.jpg 1000w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-10_Iazana-Gizzo_20241208_165720-300x225.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-10_Iazana-Gizzo_20241208_165720-768x576.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-10_Iazana-Gizzo_20241208_165720-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption>Lazana Guizzo<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Tudo isso \u00e9 visto como algo talvez n\u00e3o benquisto, como uma amea\u00e7a ao que vem sendo feito h\u00e1 anos. Mas por que \u00e9 t\u00e3o problem\u00e1tico? Fico pensando que, de um lado, pode ser a defesa de um territ\u00f3rio conhecido como arquitetura, mesmo que as bases do mundo estejam em franca mudan\u00e7a com a urg\u00eancia clim\u00e1tica. Por outro lado, talvez seja o pr\u00f3prio sintoma da aus\u00eancia do corpo na educa\u00e7\u00e3o que se agrava nos \u00faltimos anos. Ao que parece, cada vez mais os corpos est\u00e3o indispon\u00edveis ao tempo da experi\u00eancia e do encontro com o que \u00e9 diferente. \u00c9 percept\u00edvel em toda a universidade, inclusive nos estudantes, cada vez mais acelerados, sem tempo e divididos entre o celular e a sala. Tudo isso, todas essas paredes parecem ser avessas \u00e0 experi\u00eancia capaz de transformar, aquela que conecta ao sentir e cria disponibilidade \u00e0 rela\u00e7\u00e3o com o outro, seja humano ou n\u00e3o, e, por consequ\u00eancia, \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o de si.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, tem uma luta ali, ao trabalhar o corpo em uma sala vazia na FAU. Tem uma afirma\u00e7\u00e3o do conhecer com a vida, do corpo como parte da Terra, da conex\u00e3o com o sentir e com o presente, que muitas vezes s\u00e3o encontradas em lugares \u201cditos espirituais\u201d, como pr\u00e1ticas de medita\u00e7\u00e3o, por exemplo. O corpo na universidade de arquitetura normalmente n\u00e3o anda descal\u00e7o, n\u00e3o senta ou deita no ch\u00e3o, n\u00e3o procura escutar o cora\u00e7\u00e3o, apesar de ainda ter aulas de desenho \u00e0 m\u00e3o, o que eu entendo como uma resist\u00eancia na faculdade. Enfim, eu aprendo com a dan\u00e7a, o teatro, a yoga, os Tupinamb\u00e1, os Baniwa, o Candombl\u00e9, o samba a sentir, a viver a experi\u00eancia de sentir com o corpo, com o cora\u00e7\u00e3o, de ouvir os sinais que a natureza emite o tempo todo, de entender que o territ\u00f3rio est\u00e1 todo vivo e pode, por vezes quer, se comunicar conosco.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, sentir a vida que pulsa em um espa\u00e7o, o jogo das coisas que acontecem em um terreno de projeto, perceber como isso tudo toca o seu pr\u00f3prio corpo \u00e9 um exerc\u00edcio t\u00e3o precioso para quem pretende fazer um projeto de arquitetura em um mundo em colapso. Esse exerc\u00edcio pode ser fundamental para a regenera\u00e7\u00e3o do habitar humano na Terra e pode, ainda, contribuir para recuperar uma arquitetura po\u00e9tica, muitas vezes esquecida em detrimento das fun\u00e7\u00f5es e dos modelos ou, ainda, uma arquitetura capaz de atuar em um habitar humano mais conectado com os ecossistemas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas me parece que \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil o corpo entrar no tempo da experi\u00eancia. \u00c9 isso que eu queria trazer como uma quest\u00e3o. Quebrar as paredes n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sair da universidade, com projetos de extens\u00e3o, pesquisa, a\u00e7\u00f5es, mas \u00e9 sair para outros tempos, mundos, experi\u00eancias. Quebrar paredes, tirar mesas e paredes da sala de aula, fazer uma viv\u00eancia em territ\u00f3rio Tupinamb\u00e1 \u00e9 buscar uma muta\u00e7\u00e3o, uma metamorfose de si. E isso \u00e9 muito atacado sempre porque coloca em quest\u00e3o o que vem sendo feito. Eu posso falar de reflorestar a cidade, mas como eu falo disso? Com dados e artigos? Quando eu cubro o corpo dos estudantes com folhas, quando sa\u00edmos na rua com a cara pintada com argila e Parangolestas junto da Companhia [de Myst\u00e9rios e Novidades], quando falo de espiritualidade ligada aos espa\u00e7os tradicionais, ent\u00e3o isso \u00e9 um lugar pass\u00edvel de ser questionado como n\u00e3o arquitetura. Mas, ao meu ver, \u00e9 justamente essa ruptura da parede o dispositivo que faz com que a gente incorpore outros tempos e acesse a experi\u00eancia de conex\u00e3o com a Terra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Queria ouvir de voc\u00eas, n\u00e9? A minha fala \u00e9 uma pergunta. Como voc\u00eas sentem a diferen\u00e7a do tempo? Como podemos trabalhar com essa nova gera\u00e7\u00e3o? Que outros dispositivos a gente pode ter? Como que a gente seduz, sobretudo essa gera\u00e7\u00e3o altamente ligada \u00e0 tecnologia, ao celular? Como desaceleramos essa galera? Porque eu acho que a gente aqui veio de uma outra cultura. Porque mesmo tendo momentos em que a gente vicia no celular, acho que todo mundo j\u00e1 viveu essa experi\u00eancia de estar viciado no celular, mas voc\u00ea desconecta um pouco e d\u00e1 uma \u201cdesviciada\u201d. Mas a sensa\u00e7\u00e3o que eu tenho com os meus alunos \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 mais esse fora da tela.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o tempo inteiro uma conex\u00e3o com esses esp\u00edritos do fundo da Terra, n\u00e9? Como disse Anna Dantes. \u00c9 muito presente essa experi\u00eancia. E isso tem a ver com a pol\u00edtica atual. Vou fechando a minha fala aqui. Me parece que essa onda do fascismo, essa onda da extrema-direita, que encaixa t\u00e3o bem com a tecnologia, que encaixa t\u00e3o bem com palavras de ordem, com a rapidez das redes sociais, ela est\u00e1 favor\u00e1vel a isso. Enquanto as pr\u00e1ticas que a gente chama de esquerda, para facilitar o discurso, exigem a experi\u00eancia, o coletivo, a presen\u00e7a de outros mundos. S\u00f3 que a gente est\u00e1 perdendo a linguagem. Na disputa, a gente est\u00e1 perdendo a linguagem. Ent\u00e3o, me pergunto: como agora, como \u00e9 que a gente aprende se n\u00e3o h\u00e1 tempo para experienciar, sentir, metamorfosear? S\u00e3o paredes virtuais, talvez ainda mais duras que as de tijolos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Marcia Brand\u00e3o<\/strong>\n<br>\nEu tinha preparado uma fala, mas todas essas falas mudaram completamente o que eu quero falar.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu vou me apresentar. Sou Marcia Brand\u00e3o. Sou da ci\u00eancia, das artes e do mundo espiritual, desde crian\u00e7a. Os anjos sempre foram uma perspectiva para mim, tamb\u00e9m eu tinha esqueletos, eu decorava os ossos do corpo humano, e era naturalista, olhando os bichos. Vim para o Rio de Janeiro fazer faculdade, mas h\u00e1 25 anos eu fa\u00e7o museus de ci\u00eancia, fabrico brinquedos cient\u00edficos \u2014 inclusive com o Museu do Amanh\u00e3 \u2014, que s\u00e3o interfaces de comunica\u00e7\u00e3o de temas variados das ci\u00eancias. O primeiro que a gente fez foi o Museu da Vida, em 1999, construindo brinquedos de f\u00edsica e de biologia.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1000\" height=\"750\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-11_Marcia-Brandao_20241208_171241.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5053\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-11_Marcia-Brandao_20241208_171241.jpg 1000w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-11_Marcia-Brandao_20241208_171241-300x225.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-11_Marcia-Brandao_20241208_171241-768x576.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-11_Marcia-Brandao_20241208_171241-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption>Marcia Brand\u00e3o<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista espiritual, para mim, a natureza \u00e9 o divino. Se voc\u00ea for ver a descri\u00e7\u00e3o do para\u00edso, \u00e9 absolutamente o que a Terra sempre foi? Na verdade, n\u00f3s \u00e9ramos coletivos e fomos separados. Por isso que as redes sociais fisgam todo mundo. A gente quer ser coletivo, a gente quer estar junto. Se pensarmos nisso ao longo da hist\u00f3ria da humanidade, sempre estivemos em coletivos. E n\u00f3s somos interdependentes com a natureza tamb\u00e9m. E a gente se separou disso quando o capital passou a ser o foco. A gente fala e tem ideias, mas elas n\u00e3o viram atitudes. Quando eu fui ao Chile, eu aprendi a n\u00e3o descartar o pl\u00e1stico e a fazer tijolos. E como eu moro dentro de uma reserva, que virou reserva depois que eu fui morar, reserva da Siribeira, eu n\u00e3o descarto o pl\u00e1stico nem as bandejinhas. Mas eu vejo as pessoas serem socialistas, escolhendo o lado luminoso da for\u00e7a, se prezando muito em rela\u00e7\u00e3o ao pl\u00e1stico no oceano, mas n\u00e3o sendo capazes de levar uma garrafa de \u00e1gua limpa pro morador de rua. Dificilmente o discurso vira uma pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o a gente separou o discurso da a\u00e7\u00e3o, esse corpo que foi sendo separado primeiro pra ficar dentro de uma caixa. Beb\u00eas no d\u00e9cimo andar, nunca o p\u00e9 no ch\u00e3o, nunca uma vida em contato com a maravilha que \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o. Do ponto de vista humano, n\u00f3s somos territorialistas, ego\u00edstas, estamos sempre defendendo o nosso. E, agora, com Plut\u00e3o entrando em Aqu\u00e1rio, [seremos ainda mais desafiados]. Sou da matem\u00e1tica, o que me interessa na astrologia \u00e9 o desenho [dos mapas]. Plut\u00e3o d\u00e1 uma volta ao redor do Sol em 248 anos [e lida com a cria\u00e7\u00e3o-destrui\u00e7\u00e3o-renova\u00e7\u00e3o]. Ele entrou e saiu de Aqu\u00e1rio [e agora est\u00e1 entrando de novo]. O que \u00e9 Aqu\u00e1rio? \u00c9 o coletivo, \u00e9 o conjunto das consci\u00eancias despertas. Esotericamente, [em Aqu\u00e1rio] nem existe avatar. O programa de Aqu\u00e1rio \u00e9 que todo mundo tem que fazer junto. Pronto, temos um problema. Nem associa\u00e7\u00e3o de moradores d\u00e1 certo. As pessoas brigam por coisas que n\u00e3o t\u00eam a menor import\u00e2ncia. Plut\u00e3o em Aqu\u00e1rio esteve na Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. Ent\u00e3o, s\u00e3o coletivos potentes, mas tamb\u00e9m disruptivos e dist\u00f3picos.<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos dizer que at\u00e9 as bact\u00e9rias prosperam por sua uni\u00e3o. Formigas, cupim, por exemplo. Voltarmos a estar juntos, de fato, pode ser potente. Mas a quest\u00e3o de Aqu\u00e1rio \u00e9 assim, voc\u00ea tem que ser voto vencido e n\u00e3o criar dissid\u00eancia. Tem que fazer ades\u00e3o na hora. Voc\u00ea vai ter que se afirmar diante dos outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu estudo cabala africana, porque a origem da cabala \u00e9 de 6 mil anos antes de Cristo. A cabala judaica, mesmo a hebraica, \u00e9 do s\u00e9culo XII, s\u00e9culo XI. Diz que o cora\u00e7\u00e3o tem que estar quente e a cabe\u00e7a fresca. Voc\u00ea tem que trocar esse calor. Ent\u00e3o voc\u00ea tem que esquentar, e o \u00f3rg\u00e3o da sabedoria para os africanos ancestrais \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o. Nenhuma crise deve morar na mente. Tudo tem que ir para o centro, at\u00e9 o quarto chakra. \u00c9 quando voc\u00ea vira guru, quando voc\u00ea chega no quarto chakra, que \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o. E a nossa crise \u00e9 de indiferen\u00e7a, porque Aqu\u00e1rio tamb\u00e9m \u00e9 a indiferen\u00e7a, para o bem e para o mal. Ent\u00e3o, assim, estamos numa crise, na verdade, de retorno \u00e0 percep\u00e7\u00e3o do afeto libert\u00e1rio, onde voc\u00ea liberta o outro do seu julgamento, deixa o outro ser errado em paz. Mas sua opini\u00e3o n\u00e3o tem a menor import\u00e2ncia diante de uma crise de algu\u00e9m, porque na crise voc\u00ea est\u00e1 s\u00f3. Os amigos s\u00e3o assist\u00eancia t\u00e9cnica, s\u00e3o apoio. Mas voc\u00ea est\u00e1 s\u00f3 com a sua ang\u00fastia e a hist\u00f3ria n\u00e3o d\u00e1 a menor bola para a nossa ang\u00fastia. Ent\u00e3o hoje a gente tem um mundo em crise, n\u00f3s temos 20 anos pela frente [regidos por Aqu\u00e1rio] para que a gente se re\u00fana em grupos, que a gente se conecte, que a gente aprenda isso, a aceitar com alegria as diferen\u00e7as, a diversidade. Porque a natureza \u00e9 biodiversa sim. As bact\u00e9rias v\u00e3o mudando. Elas s\u00e3o o pixel da exist\u00eancia. Elas se transformam o tempo inteiro. Ent\u00e3o \u00e9 essa capacidade adaptativa que a gente precisa para deixar de reclamar. Se voc\u00ea quiser reclamar, voc\u00ea brinca. Porque \u00e9 tudo muito errado. Vamos muito mal como hist\u00f3rico.<\/p>\n\n\n\n<p>Fiz [uma interface para] o Museu da Quinta da Boa Vista [para explicar] a escala da geologia. O humano \u00e9 uma crian\u00e7a de tr\u00eas anos. Para a geologia, o humano acabou de chegar. Entendeu? \u00c9 agressivo, morde o coleguinha na creche. Bate com o carrinho, estraga o brinquedo. \u00c9 o \u201ceu\u201d que s\u00f3 [quer] receber. N\u00e3o quer doar. Est\u00e1 no n\u00e3o. Tudo \u00e9 n\u00e3o. Ent\u00e3o voc\u00ea n\u00e3o tem nenhuma paci\u00eancia com ningu\u00e9m porque a gente n\u00e3o amadureceu e n\u00e3o se acalmou para estar um pouco mais habilitado. Est\u00e1 em autotransforma\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 o outro mudar, \u00e9 voc\u00ea. Se ningu\u00e9m descartasse o pl\u00e1stico mole, n\u00e3o ia precisar da prefeitura. A ideia \u00e9 essa. Ent\u00e3o estamos muito longe disso. Ainda estamos armados. \u00c9 um neg\u00f3cio l\u00e1 do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, do s\u00e9culo XIX.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-12-a_Marcia-Brandao_20241208_170615-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5058\" width=\"384\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-12-a_Marcia-Brandao_20241208_170615-768x1024.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-12-a_Marcia-Brandao_20241208_170615-225x300.jpg 225w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-12-a_Marcia-Brandao_20241208_170615.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><figcaption>Marcia Brand\u00e3o<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-12-b_Marcia-Brandao_20241208_170545-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5056\" width=\"384\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-12-b_Marcia-Brandao_20241208_170545-768x1024.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-12-b_Marcia-Brandao_20241208_170545-225x300.jpg 225w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-12-b_Marcia-Brandao_20241208_170545.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><figcaption>Marcia Brand\u00e3o<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o assim, mas a gente \u00e9 sal da terra. A gente \u00e9 velinha, luzinha na escurid\u00e3o. E a gente pode ser nanopol\u00edtica. Sabe? Acolhendo seu vizinho. Apoiando as pessoas \u00e0 sua volta. Porque a pessoa est\u00e1 ao alcance do seu amor. E para isso precisa do autoamor, que \u00e9 um autocuidado. E voc\u00ea faz mudan\u00e7as em voc\u00ea. Porque a gente \u00e9 um projeto humano cheio de <em>bug<\/em>. Cheio de coisas para ajustar. Se voc\u00ea n\u00e3o admite isso, quer ser o certo, acabou isso. Isso n\u00e3o existe mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o acho que era essa a reflex\u00e3o. Nem falei mais de Plut\u00e3o e Aqu\u00e1rio!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sandra Benites<\/strong>\n<br>\nBoa tarde. Meu nome \u00e9 Sandra Benites. Sou do povo Guarani. Eu sou professora, antrop\u00f3loga e curadora. Hoje tamb\u00e9m sou diretora das artes visuais na Funarte. E j\u00e1 fiz um monte de coisas. Hoje eu s\u00f3 queria trazer uma mem\u00f3ria e falar um pouco desse lugar da academia.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu vou trazer a minha experi\u00eancia como educadora, acad\u00eamica e ind\u00edgena. Que \u00e9 outro lugar que n\u00f3s ind\u00edgenas carregamos quando estamos nesse lugar de academia, que a gente enfrenta, que nos \u00e9 imposto. Embora a gente entre pra academia para buscar ci\u00eancia, ou seja, conhecimento \u2014 que na verdade n\u00e3o \u00e9 a gente buscar o conhecimento, mas para somar aquilo, que est\u00e1 em, eu diria, algumas lacunas, para poder dialogar com o outro. Eu acho que \u00e9 isso a ideia. E a\u00ed, a partir disso, eu quero trazer bem r\u00e1pido a experi\u00eancia com meu filho.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1000\" height=\"750\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-13_Sandra-Benites_20241208_171600.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5061\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-13_Sandra-Benites_20241208_171600.jpg 1000w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-13_Sandra-Benites_20241208_171600-300x225.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-13_Sandra-Benites_20241208_171600-768x576.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-13_Sandra-Benites_20241208_171600-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption>Sandra Benites<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Meu filho \u00e9 engenheiro ambiental. Ele est\u00e1 fazendo curso agora. Ainda est\u00e1 no processo de forma\u00e7\u00e3o na Universidade Federal de S\u00e3o Catarina. E a\u00ed, o que que acontece? Quando ele entrou, ele entrou como gestor de partida e a\u00ed, um ano depois, ele me ligou e falou que ia desistir. E a\u00ed perguntei: \u201cPor que?\u201d. Ele me ligou frustrado, deprimido, porque perdeu totalmente a confian\u00e7a que tinha por ele, porque a pr\u00f3pria universidade diz que ele n\u00e3o tem. Como? Na \u00e9poca que entrou, ele tinha 18 anos, um adolescente. N\u00f3s sabemos como nesse tempo \u00e9 fr\u00e1gil. Qualquer coisa diminui a gente. E n\u00f3s somos ind\u00edgenas tamb\u00e9m, entendeu? De outro lugar. E a\u00ed eu lembro que ele falou pra mim que se ele estudasse na escola particular, ele poderia acompanhar os colegas que s\u00e3o hiperg\u00eanios pelo c\u00e1lculo de f\u00edsica e qu\u00edmica. Na cabe\u00e7a dele, ele acha que n\u00e3o tem essa compet\u00eancia. E a\u00ed eu fiquei pensando sobre isso. Falei pra ele que podia trancar a faculdade, \u201cfazer o que voc\u00ea quiser fazer\u201d. A \u00fanica coisa que eu falei pra ele \u00e9 pra ele acompanhar o movimento ind\u00edgena.<\/p>\n\n\n\n<p>E ele fez isso. Eu acho que na maioria das vezes n\u00f3s, m\u00e3es, n\u00e3o fazemos isso. Porque a gente quer empurrar os filhos. A gente coloca uma press\u00e3o nessa pessoa, que \u00e9 o resultado da nossa sociedade colonial. Isso tem a ver com racismo estrutural. A\u00ed eu vi que ele ficou muito triste, muito deprimido, como se n\u00e3o tivesse compet\u00eancia para nada. E a\u00ed eu falei pra ele que a culpa n\u00e3o \u00e9 dele. Na verdade, a universidade n\u00e3o tem nenhuma compet\u00eancia para receber v\u00e1rios conhecimentos. Por isso, ele se sentiu exclu\u00eddo, porque de fato \u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>E a\u00ed eu queria trazer para gente, para nossa pesquisa, essa quest\u00e3o de exclus\u00e3o. Na \u00e9poca chamei ele, a\u00ed eu expliquei, contei a hist\u00f3ria. Eu falei que o nosso conhecimento Guarani, isso \u00e9, a popula\u00e7\u00e3o de modo geral que tem esse conhecimento, essa ci\u00eancia que dialoga com o elemento da natureza, que todos n\u00f3s temos, entendemos que isso envolve pedir permiss\u00e3o pra entrar na \u00e1gua, pedir permiss\u00e3o pra entrar pros esp\u00edritos das \u00e1rvores, dos rios, dos animais, para fazer colheita, para plantar tamb\u00e9m, a gente faz um ritual coletivo e a gente pede permiss\u00e3o pros esp\u00edritos. Ent\u00e3o, isso \u00e9 um processo de produzir conhecimento e de preservar aquilo que faz parte da nossa exist\u00eancia tamb\u00e9m, porque a \u00e1rvore, a \u00e1gua, tudo isso faz parte da nossa exist\u00eancia. E a\u00ed, eu contei essa hist\u00f3ria e falei, n\u00e3o que ele n\u00e3o saiba, ele sabe sim, ele escutava isso, porque isso \u00e9 a base. E a\u00ed, muitas das vezes, quando a gente fica perdido, precisamos voltar ali para que a gente se fortale\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>E como essa pessoa vulner\u00e1vel vai se sentir valorizada diante de um conhecimento que muitas das vezes n\u00e3o \u00e9 nem sequer falado numa universidade? Isso \u00e9 muito comum nas universidades. Eu falo isso porque eu tamb\u00e9m fa\u00e7o parte disso. Ent\u00e3o, quando a gente fala sobre n\u00f3s, mulheres guarani, por exemplo, quando a gente est\u00e1 menstruada, a gente se resguarda, n\u00e3o vamos pra universidade, n\u00e3o vamos correr doidamente pra entregar o trabalho, nesse dia descansamos. A gente se resguarda para cuidar do nosso esp\u00edrito, do nosso corpo, da sa\u00fade da mulher \u2014 sa\u00fade f\u00edsica, mental, e de cora\u00e7\u00e3o. Agora, nem se quer falar quando se trata de mulher na universidade. Se voc\u00ea est\u00e1 menstruada, est\u00e1 doida, ou qualquer coisa. Voc\u00ea tem que estar l\u00e1. Ent\u00e3o, eu acho que falando dessas experi\u00eancias eu queria trazer, na verdade, para gente pensar que na pr\u00e1tica tamb\u00e9m requer territ\u00f3rio. Como \u00e9 que voc\u00ea vai garantir esse conhecimento pr\u00e1tico para outras gera\u00e7\u00f5es que muitas vezes n\u00e3o t\u00eam mais nada?<\/p>\n\n\n\n<p>E outra coisa, falando de tudo isso, recentemente fui pra Itabira, Minas Gerais, para falar sobre arte, experi\u00eancia, e a\u00ed eu lembro que um rapaz, um professor, ele falou assim que l\u00e1 a cidade incentiva muito \u2014 muitos engenheiros, inclusive \u2014 trabalhar na minera\u00e7\u00e3o, com a ideia de ganhar muito dinheiro. Ent\u00e3o, como \u00e9 que isso deve ser na cabe\u00e7a desse jovem, que com a ideia de ganhar muito dinheiro, de ser bem-sucedido, sem pensar? Ent\u00e3o, isso \u00e9 uma coisa, \u00e9 uma responsabilidade muito grande, e eu acredito que pra gente minimizar isso, eu acho que \u00e9 importante come\u00e7ar l\u00e1 em cima, que \u00e9 a universidade.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-14-a_Sandra-Benites_20241208_171611-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5065\" width=\"384\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-14-a_Sandra-Benites_20241208_171611-768x1024.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-14-a_Sandra-Benites_20241208_171611-225x300.jpg 225w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-14-a_Sandra-Benites_20241208_171611.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><figcaption>Sandra Benites<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-14-b_Sandra-Benites_20241208_175905-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5063\" width=\"384\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-14-b_Sandra-Benites_20241208_175905-768x1024.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-14-b_Sandra-Benites_20241208_175905-225x300.jpg 225w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-14-b_Sandra-Benites_20241208_175905.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><figcaption>Sandra Benites<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Eu acho que \u00e9 importante ali pensar e discutir sobre isso. Ent\u00e3o, eu n\u00e3o estou dizendo que os professores n\u00e3o podem ensinar qu\u00edmica e f\u00edsica, eu estou falando que a forma de pensar e de fazer c\u00e1lculos de f\u00edsica e qu\u00edmica \u00e9 diversa. Cada um tem uma outra metodologia de fazer, mas a gente est\u00e1 falando da mesma coisa, \u00e9 de preservar isso, de preservar aquilo. Ent\u00e3o, \u00e9 isso que a gente precisa. Sem isso, n\u00e3o vamos conseguir continuar, cada vez mais a gente vai tirando o pensamento desses indiv\u00edduos e um dia vai ficar sem c\u00e9rebro. Parece que estamos indo por esse caminho. Eu acho que o nosso c\u00e9rebro \u00e9 totalmente fervido, muita das vezes, nessa l\u00f3gica que est\u00e1 sendo exposta pra gente. Ent\u00e3o, eu acho que \u00e9 isso. Muito obrigada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Guilherme<\/strong><br>Muito obrigado, Sandra. Na rodada aqui, agora seria a L\u00edgia a falar, mas como est\u00e1 gripada e prefere hoje s\u00f3 escutar, eu vou falar por oito minutos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-15_Guilherme-Vergara_20241208_174816-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5067\" width=\"384\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-15_Guilherme-Vergara_20241208_174816-768x1024.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-15_Guilherme-Vergara_20241208_174816-225x300.jpg 225w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-15_Guilherme-Vergara_20241208_174816.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><figcaption>Guilherme Vergara<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Primeiramente, eu gostaria de falar que esse s\u00edmbolo da Bandeira da Paz, ele \u00e9 ancestral. Mas o que \u00e9 um s\u00edmbolo? N\u00f3s, no nosso aprendizado acad\u00eamico, formalista, conceitual, temos dificuldade em abordar e retomar o sentido de s\u00edmbolo (ou simb\u00f3lico) como pot\u00eancia de algo como dispositivo-instrumento de transfer\u00eancia, transporte, ve\u00edculo para o imanente e para o transcendente. O s\u00edmbolo \u00e9 a materializa\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, \u00e9 o que provoca transfer\u00eancia, transporte para o desconhecido, o intang\u00edvel. Esse s\u00edmbolo, ent\u00e3o, foi encontrado pelo Nicholas Roerich nas suas expedi\u00e7\u00f5es. Mas \u00e9 interessante como sua presen\u00e7a desfraldada na Bandeira desafia nossas pr\u00f3prias acomoda\u00e7\u00f5es positivistas. O quanto isso pode ser um s\u00edmbolo ancestral da origem e devir da Terra? Um s\u00edmbolo de pot\u00eancia do futuro da Terra amea\u00e7ada pela cultura da viol\u00eancia e autodestrui\u00e7\u00e3o da humanidade. Assim, este s\u00edmbolo tamb\u00e9m \u00e9 reconhecido como o da M\u00e3e do Mundo e sua pot\u00eancia regenerante que ainda n\u00e3o est\u00e1 manifestada. Um s\u00edmbolo tamb\u00e9m desafiante que exp\u00f5e o nosso pr\u00f3prio diagn\u00f3stico da doen\u00e7a planet\u00e1ria da fragmenta\u00e7\u00e3o e a intui\u00e7\u00e3o \u2014 ancestral \u2014 para um devir da cultura de s\u00edntese.<\/p>\n\n\n\n<p>A gente acaba de ouvir a Sandra sobre a fragmenta\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea tem artes fragmentadas, a fragmenta\u00e7\u00e3o das ci\u00eancias, as ci\u00eancias fragmentadas e as religi\u00f5es que querem controlar todas as formas de espiritualidade e transcend\u00eancia. E das institui\u00e7\u00f5es de arte que querem controlar todas as formas est\u00e9ticas de express\u00e3o. E, assim, da ci\u00eancia como produ\u00e7\u00e3o de pensamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, eu come\u00e7aria retomando um pouco a mem\u00f3ria deste s\u00edmbolo da Bandeira da Paz ou do Pacto da Paz que ele representa. Essa bandeira \u00e9 vinculada a um movimento transcultural do casal Helena Roerich e Nicholas Roerich. Tamb\u00e9m conhecida como <em>Pax Cultura<\/em>, a Bandeira era parte de uma ponte entre Ocidente e Oriente, ou, como tamb\u00e9m \u00e9 conhecida, Cruz Vermelha da Arte e Cultura. Atravessando per\u00edodos de guerras e conflitos, a fam\u00edlia Roerich, com seus dois filhos, o cientista George Roerich e o artista Svetoslav Roerich, dedicou suas vidas a uma utopia espiritual, com expedi\u00e7\u00f5es \u00e0 \u00c1sia Central, que culminaram no Pacto da Paz assinado em 1935, com especial apoio dos pa\u00edses da Uni\u00e3o Pan-Americana, assinado na Casa Branca. Os Roerichs dedicaram mais de tr\u00eas d\u00e9cadas (desde os anos 20) \u00e0 defesa da unidade e paz atrav\u00e9s da diversidade das artes-ci\u00eancias-religi\u00f5es, expressando uma \u00c9tica Viva entre Ocidente e Oriente. Em 1923, os Roerichs realizaram a primeira expedi\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00c1sia Central, explorando hist\u00f3ria, arqueologia, etnografia, hist\u00f3ria da filosofia, arte e religi\u00e3o. Em 1928, fundaram o <em>Institute of Himalayan Studies \u201cUrusvati\u201d<\/em> (que significa \u201cLuz de Estrela de Manh\u00e3\u201d em s\u00e2nscrito).&nbsp; Helena e Nicholas Roerich elaboraram os fundamentos da Bandeira\/Pacto da Paz a partir de [uma] cultura de s\u00edntese \u2014 a unidade e diversidade das artes, ci\u00eancias e espiritualidades. Eles encontraram o s\u00edmbolo desses tr\u00eas c\u00edrculos unidos na Mong\u00f3lia e em v\u00e1rios outros lugares, culturas e \u00e9pocas, mas adotados por diferentes sentidos. Esses tr\u00eas c\u00edrculos remetem \u00e0 unidade tripartida, que nos faz pensar na supera\u00e7\u00e3o da era da fragmenta\u00e7\u00e3o, apontando para uma nova era que seria da intui\u00e7\u00e3o como s\u00edntese. O c\u00edrculo externo foi o artista Nicholas Roerich que o colocou [e concebeu].<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o cabe aqui um discurso sobre a cultura de s\u00edntese, mas a experi\u00eancia dessa rodada j\u00e1 \u00e9 uma chamada para todos n\u00f3s pensarmos na s\u00edntese atrav\u00e9s da escuta das v\u00e1rias falas que aconteceram at\u00e9 agora. Como \u00e9 que a gente pode provocar esses exerc\u00edcios circulares de s\u00edntese? Como criar possibilidades para laborat\u00f3rios de s\u00edntese? Como M\u00e3e Sara [disse], como \u00e9 que a gente d\u00e1 esse salto qu\u00e2ntico? Fiquei muito interessado em pensar as m\u00faltiplas dimens\u00f5es do que \u00e9 o qu\u00e2ntico, tais como a materializa\u00e7\u00e3o entre a experi\u00eancia da forma sens\u00edvel dos s\u00edmbolos circulares, as intui\u00e7\u00f5es compartilhadas aqui, e a Bandeira desfraldada aqui, agindo como transporte para um devir regenerante emergente\/urgente. Mas esse s\u00edmbolo antecipat\u00f3rio habita este planeta h\u00e1 mil\u00eanios. Ent\u00e3o, retomando o sentido simb\u00f3lico da Bandeira como instrumento de s\u00edntese propaga uma \u201cpsicovida\u201d antecipat\u00f3ria compartilhada. Estamos aqui reunidos na espessura palp\u00e1vel de interfluxos n\u00e3o ainda conscientes. E o que o Fabio fala v\u00e1rias vezes: n\u00f3s estamos aprisionados num sistema de diagn\u00f3stico de explica\u00e7\u00e3o, mas precisamos dos acontecimentos <em>poi\u00e9ticos<\/em> da sensibilidade expandida da s\u00edntese \u2014 artes-ci\u00eancias-espiritualidades.<\/p>\n\n\n\n<p>A s\u00edntese \u00e9 tamb\u00e9m uma aceita\u00e7\u00e3o, como a M\u00e1rcia falou aqui. Como se acolhe aquilo que n\u00e3o \u00e9 voc\u00ea, o n\u00e3o ainda consciente, os outros modos de saber? Como \u00e9 que voc\u00ea acolhe o imprevisto? Ent\u00e3o, essa roda em torno da Bandeira forma uma escultura social com v\u00e1rias circularidades como um convite para o pensar-sentir qu\u00e2ntico. Pensar uma escola da virada da sensibilidade sem paredes. Se reunir aqui em roda, ao redor desse s\u00edmbolo, tamb\u00e9m pode ser visto como uma experi\u00eancia de uma escola transtemporal sem paredes entre passado-presente-futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>E para ancorar esse s\u00edmbolo nas minhas experi\u00eancias. Trabalhei no Museu de Arte Contempor\u00e2nea de Niter\u00f3i como diretor de educa\u00e7\u00e3o e depois como diretor geral. L\u00e1 se materializava a forma e o verbo circular para um museu redondo sem paredes. Pode-se dizer, sem d\u00favida, que ali existe uma utopia antecipat\u00f3ria \u2014 um museu sem paredes [que n\u00e3o se separa da] natureza, a partir da intui\u00e7\u00e3o do Oscar Niemeyer, da desobedi\u00eancia dele, envidra\u00e7ando todas as varandas. Neste museu sem paredes j\u00e1 [se] antecipava essa cultura [da] s\u00edntese, essa uni\u00e3o das artes, ci\u00eancias e espiritualidades, onde tamb\u00e9m Niemeyer acrescentou uma rampa espiral, uma rampa espiral como quem diz: \u201cCaminha, olha e pensa redondo, dentro e fora do corpo-museu-mundo giram juntos\u201d. Ali tem uma intui\u00e7\u00e3o antecipat\u00f3ria para um devir museu-escola sem paredes como lugar guardi\u00e3o da natureza. Querida Bia Jabor, querido Ivan Henriques, artistas-educadores na \u00e9poca comigo, aqui hoje, tamb\u00e9m foram parceiros naquela jornada onde a intui\u00e7\u00e3o encarnava os rituais da rampa como antecipa\u00e7\u00f5es de uma era regenerante da arte como oferenda entre c\u00e9u-terra. Estava latente ali uma escola sem paredes. Estava latente ali um laborat\u00f3rio de futuros. Ande em espiral, seja humanista e depois seja completamente uma part\u00edcula no oceano c\u00f3smico.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa experi\u00eancia com o corpo [em] que voc\u00ea sobe a rampa como um ritual de rever\u00eancia [\u00e9] o acolhimento da consci\u00eancia de ser corpo-mundo. Pensar redondo, olhar e ser esf\u00e9rico traduzem a experi\u00eancia de s\u00edntese com a Ba\u00eda de Guanabara.&nbsp; A imensid\u00e3o infinita de ser e se sentir min\u00fasculo no oceano c\u00f3smico.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o eu convido a todos a refletirem: Como \u00e9 que \u00e9 pensar em c\u00edrculos, pensar redondo? Como escutar e receber alguma coisa do outro? Cada um capturou alguma coisa? Essa capacidade de escutar e fazer da sua pr\u00f3pria s\u00edntese uma partilha de resson\u00e2ncias e simbioses, que \u00e9 o objetivo desse encontro sem paredes. Ent\u00e3o, em cada instante dessa experi\u00eancia qu\u00e2ntica, olhamos com as esferas de nossos olhos para essas tr\u00eas esferas neol\u00edticas e ancestrais da Bandeira da Paz como fun\u00e7\u00e3o ut\u00f3pica da arte \u2014 ser transporte antecipat\u00f3rio de futuros n\u00e3o ainda conscientes. A retomada da dimens\u00e3o antecipat\u00f3ria de uma utopia espiritual das artes como ci\u00eancia de gerar encontros inauguradores de futuros.<\/p>\n\n\n\n<p>Acabou meus oito minutos. Ent\u00e3o \u00e9 uma provoca\u00e7\u00e3o pra gente agora poder abrir a roda para outras falas, para quem quiser complementar suas falas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>M\u00e3e Sara<\/strong>\n<br>\nSim, quero s\u00f3 complementar essa escuta do invis\u00edvel que Anna trouxe. O que acontece? A gente aprendeu a usar s\u00f3 os cinco sentidos. N\u00e3o aprendemos a enxergar as artes. Isso que a gente chama de invis\u00edvel. Precisamos trabalhar para enxergar al\u00e9m do concreto. Usar um sexto sentido, que \u00e9 o sentido da percep\u00e7\u00e3o e \u00e9 o maior sentido que a gente tem. S\u00f3 que a gente n\u00e3o desenvolve. E a\u00ed acabamos n\u00e3o conseguindo enxergar al\u00e9m. Ent\u00e3o, primeiro, precisamos aprender a usar esse sexto sentido, o sentido da percep\u00e7\u00e3o, para poder enxergar isso que a gente acha que \u00e9 invis\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-16_Mae-Sara_20241208_173400-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5069\" width=\"500\" height=\"667\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-16_Mae-Sara_20241208_173400-768x1024.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-16_Mae-Sara_20241208_173400-225x300.jpg 225w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-16_Mae-Sara_20241208_173400.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption>M\u00e3e Sara<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>E tem uma outra coisa que eu queria falar. Eu ia dar uma ideia de voltar l\u00e1 atr\u00e1s e aprender com os ind\u00edgenas, porque eles j\u00e1 estavam aqui. Eles sabem como viver nessa terra muito bem. O meu caboclo diz assim: \u201cL\u00e1, o nosso sistema pol\u00edtico-administrativo \u00e9 disciplina sem comando, para que cada um aprenda a ter consci\u00eancia do lugar, do limite\u201d. Ent\u00e3o, eu acho que isso tem muito a ver com o sistema educacional. Acho que o sistema de educa\u00e7\u00e3o, em vez de ensinar a disputa, a competi\u00e7\u00e3o, deve ensinar isso. Gente, eu falo muito sobre essa quest\u00e3o da espiritualidade, porque eu aprendo muito com eles. Eu aprendo muito. A minha Pombagira, uma vez, perguntou para algu\u00e9m: \u201cQuem foi o primeiro homem que viveu nessa terra?\u201d. Algu\u00e9m respondeu: \u201cL\u00e1 de Neandertal\u201d. Ela continuou: \u201cSabe por que eles n\u00e3o conseguiram sobreviver na terra? Porque eles eram individualistas. S\u00f3 conseguiram sobreviver porque eles aprenderam a viver no coletivo\u201d. A gente se individualizando de novo, n\u00e3o vamos sobreviver. N\u00e3o somos separados da natureza, inclusive das \u00e1rvores. Eu tive uma experi\u00eancia de conex\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o com essa \u00e1rvore. Ela n\u00e3o falava, n\u00e3o tinha uma voz, mas ela se comunicava comigo e eu conseguia me comunicar com ela. E ela fez uma cura impressionante comigo. Estava doente, uma depress\u00e3o. Eu cheguei l\u00e1, sentei ali, comecei minhas ora\u00e7\u00f5es, minha medita\u00e7\u00e3o e daqui a pouco eu senti essa troca.<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos abrir o cora\u00e7\u00e3o para essa comunica\u00e7\u00e3o com a natureza. Se a gente n\u00e3o abrir essa comunica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o vamos enxergar, n\u00e3o vamos sentir, vamos achar que \u00e9 sempre invis\u00edvel, mas n\u00e3o \u00e9 invis\u00edvel, s\u00f3 precisamos aprender a enxergar. Eu acho que \u00e9 isso. O povo que nasceu nessa terra, que estava nessa terra, eles sabem como fazer. Eles est\u00e3o tentando vir para a academia para poder sobreviver, mas \u00e9 a academia que vai sobreviver se for l\u00e1. A floresta me curou, n\u00e3o precisei de mais nada, s\u00f3 estar l\u00e1. Gente, \u00e9 isso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Joelson Gusson (P\u00fablico)<\/strong>\n<br>\nMeu nome \u00e9 Joelson Gusson. Lendo uma revista cient\u00edfica recentemente, algo me chamou muita aten\u00e7\u00e3o, que \u00e9 essa quest\u00e3o das telas. N\u00e3o saber como as pessoas v\u00e3o sair dessas telas, como se estivessem abduzidas. Isso j\u00e1 est\u00e1 sistematizado pelos sistemas mundiais de sa\u00fade como doen\u00e7as mesmo, como s\u00edndromes. E tem a\u00ed a s\u00edndrome da depend\u00eancia de tela, que \u00e9 a pessoa que n\u00e3o consegue ficar mais fora da tela. E a outra s\u00edndrome que me impressionou muito se chama \u201cnomofobia\u201d, que \u00e9 o pavor de ficar sem o celular. \u00c9 o pavor de o celular descarregar, \u00e9 o pavor de perder o celular. A gente sente esse pavor.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-17_Joelson-Gusson_20241208_173841-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5071\" width=\"500\" height=\"667\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-17_Joelson-Gusson_20241208_173841-768x1024.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-17_Joelson-Gusson_20241208_173841-225x300.jpg 225w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-17_Joelson-Gusson_20241208_173841.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption>Joelson Gusson<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Para alguns, \u00e9 um pavor de voc\u00ea n\u00e3o conseguir mais viver sem aquele acoplamento. Eu estudo bastante essa coisa dos acoplamentos ao corpo, enquanto extens\u00f5es, enquanto pr\u00f3teses. No meu pensar, todos os acoplamentos s\u00e3o pr\u00f3teses: a roupa, a tintura do cabelo, o carro, o sapato, os \u00f3culos. Enfim, n\u00f3s estamos com esse novo acoplamento que vem l\u00e1 do fundo, como Anna disse, do fundo dos esp\u00edritos profundos. Estou levantando isso porque eu quero dividir essa leitura. Eu n\u00e3o fa\u00e7o a menor ideia de como isso vai [se] resolver e como isso vai chegar em alguma coisa. Mas achei importante compartilhar essa rela\u00e7\u00e3o com as telas, como lugar de doen\u00e7a mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cesar Oiticica Filho<\/strong>\n<br>\nSou Cesinha Oiticica. Queria aproveitar que a gente est\u00e1 com a presen\u00e7a aqui da Jennifer Tupinamb\u00e1 que deu um presente lindo pra gente esse ano na Parada 7. Mais do que a vinda dos Tupinamb\u00e1s desde a Bahia, eles j\u00e1 estavam vindo, mas eles anteciparam a vinda para estar conosco na Parada 7&#8230; quase n\u00e3o conseguem chegar.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-18-a_Cesinha-Oiticica_20241208_174222-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5075\" width=\"384\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-18-a_Cesinha-Oiticica_20241208_174222-768x1024.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-18-a_Cesinha-Oiticica_20241208_174222-225x300.jpg 225w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-18-a_Cesinha-Oiticica_20241208_174222.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><figcaption>Cesinha Oiticica<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-18-b_Jennifer-Tupinamba_20241208_174106-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5073\" width=\"384\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-18-b_Jennifer-Tupinamba_20241208_174106-768x1024.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-18-b_Jennifer-Tupinamba_20241208_174106-225x300.jpg 225w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-18-b_Jennifer-Tupinamba_20241208_174106.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><figcaption>Jennifer Tupinamb\u00e1<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Para ser bem r\u00e1pido, foi uma emo\u00e7\u00e3o ver os Tupinamb\u00e1s brotarem da terra, saindo de dentro do metr\u00f4 da esta\u00e7\u00e3o Carioca no centro do Rio. Tudo deu errado porque os motoristas n\u00e3o podiam traz\u00ea-los pro centro porque eles j\u00e1 tinham viajado 24 horas dirigindo. [Precisaram pegar o metr\u00f4]. Eles sa\u00edram de dentro da terra e retomaram simbolicamente o Rio de Janeiro, incorporando uma das faixas na Parada 7 que era \u201cRio-Terra-Tupinamb\u00e1\u201d. Foi emocionante. Mas, para mim, o mais simb\u00f3lico e que dialoga com essas perguntas aqui, foi o final mesmo, quando eles, para al\u00e9m do discurso da ci\u00eancia e da espiritualidade \u2014 mas com tudo isso junto \u2014, fazem essa esp\u00e9cie de espiral humana nesses corpos se juntando e formando uma esp\u00e9cie de cobra, um organismo realmente vivo, um animal ancestral do seu povo e outros, porque eles j\u00e1 s\u00e3o o povo que teve o primeiro contato, ent\u00e3o est\u00e3o totalmente atravessados por todas as etnias que comp\u00f5em o Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso pra mim \u00e9 um exemplo muito vivo e visual. Atrav\u00e9s do corpo de tudo isso que a gente precisa fazer para virar essa chave para mudar. Como a M\u00e3e Sara falou: a resposta j\u00e1 t\u00e1 ali, eles j\u00e1 s\u00e3o um exemplo, eles j\u00e1 s\u00e3o o norte, eles j\u00e1 s\u00e3o esse corpo coletivo que a gente precisa abra\u00e7ar para realmente virar. Precisamos aprender com eles e realmente voltar a ser isso. Talvez, seja s\u00f3 nesse momento que a gente possa fazer essa mudan\u00e7a que t\u00e1 chegando. \u00c9 isso. Obrigado, Jennifer.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Marcia Brand\u00e3o<\/strong>\n<br>\nAlgo que podemos falar em rela\u00e7\u00e3o a tudo isso: um tempo atr\u00e1s juntamos doze pessoas e compramos uma terra na Amaz\u00f4nia. Cento e setenta mil metros quadrados. H\u00e1 quantos anos? Vinte anos atr\u00e1s?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>L\u00edgia<\/strong>\n<br>\n23 anos atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Marcia<\/strong><br>Eu nunca fui l\u00e1, mas L\u00edgia, que \u00e9 andeja, foi v\u00e1rias vezes, e agora a gente passou para um grupo fazer uma escola ind\u00edgena sem paredes nesse lugar. Passamos a terra para eles.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>L\u00edgia<\/strong>\n<br>\nA pr\u00f3pria Anna me ajudou nessa fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Anna <\/strong>\n<br>\nE Fran Baniwa, n\u00e9? Porque dentro desse coletivo que \u00e9 o Selvagem a gente apoia o fortalecimento de cinco projetos que a gente chama de Escolas Vivas. Quem \u00e9 a coordenadora desse movimento \u00e9 a Cristine Taku\u00e1 e as cinco escolas s\u00e3o: tr\u00eas na Amaz\u00f4nia; uma em Manaus, que \u00e9 um centro de medicina Tukano; a aldeia da Fran Baniwa, que fica no Alto Rio Negro; e os Huni Kuin, l\u00e1 no Rio Jord\u00e3o no Acre. [As outras Escolas s\u00e3o] os Maxakali, em Minas, e os Guarani, da aldeia Rio Silveira no litoral sul de S\u00e3o Paulo. Ent\u00e3o, a Fran foi l\u00e1 com a L\u00edgia [para a Amaz\u00f4nia] e juntas elas pensaram e sonharam essa possibilidade de criar um tipo de campus avan\u00e7ado da Escola Viva Baniwa nessa terra.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Marcia<\/strong><br>A\u00ed tem uma coisa que fala tamb\u00e9m do pensamento cabal ancestral que \u00e9 que o futuro \u00e9 o que constr\u00f3i o presente, porque uma coisa tem que acontecer, coisas acontecem agora, um pouco como profecias, n\u00e9? Condi\u00e7\u00f5es de coisas que vir\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1000\" height=\"750\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-19_Criancas-lendo_20241208_171410.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5077\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-19_Criancas-lendo_20241208_171410.jpg 1000w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-19_Criancas-lendo_20241208_171410-300x225.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-19_Criancas-lendo_20241208_171410-768x576.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-19_Criancas-lendo_20241208_171410-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption>Crian\u00e7as lendo na rede durante a roda<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Anna<\/strong>\n<br>\nAcho que, al\u00e9m de profecias, tamb\u00e9m s\u00e3o formas de leitura. A gente tende a ler as coisas de uma forma linear, podemos ler em v\u00e1rios outros sentidos o que est\u00e1 acontecendo, ent\u00e3o isso pode ter come\u00e7ado no futuro alguma coisa. E tamb\u00e9m ler nos sentidos que v\u00e3o para dentro. Uma vez eu fui com a Sandra no MAR (Museu de Arte do Rio) para conversar sobre Escolas Vivas. N\u00e3o sei se voc\u00ea lembra, Sandra. Voc\u00ea falou muito sobre a menstrua\u00e7\u00e3o, o territ\u00f3rio, o feminismo, o que \u00e9 a mulher, e [o que se permite como mulher]. A menstrua\u00e7\u00e3o \u00e9 um territ\u00f3rio. \u00c9 um lugar para onde ela volta, ent\u00e3o a\u00ed o sentido de tempo at\u00e9 pode ser algo para dentro. Isso inverte e muda totalmente nossa ideia de vida. Sandra falava que os meninos precisam do territ\u00f3rio f\u00edsico para entender quem eles s\u00e3o. A mulher, ela entende isso no recolhimento, mas, muitas vezes, o menino, perdendo o territ\u00f3rio, ele perde essa possibilidade de transi\u00e7\u00e3o, de rito de transi\u00e7\u00e3o. Ele n\u00e3o vai encontrar isso andando mais livremente pela terra se ele \u00e9 um ca\u00e7ador, se ele \u00e9 um artes\u00e3o, se ele \u00e9 um plantador, e ela falou nesse momento que a mulher, guarani, ela vai a essas marchas por um territ\u00f3rio para que os homens tenham esse territ\u00f3rio para que os filhos delas possam descobrir quem s\u00e3o. Eu n\u00e3o sei se era isso, mas me lembro que me chamaram para escrever um texto sobre o que eu tinha que falar e eu escrevi sobre o que eu tinha escutado de voc\u00ea. Eu achei isso muito incr\u00edvel, muito boa essa no\u00e7\u00e3o tanto de feminismo pelo outro, n\u00e3o s\u00f3 pelo seu g\u00eanero, [mas tamb\u00e9m] pelos seus filhos e o tempo de voc\u00ea criar o territ\u00f3rio dentro de voc\u00ea. Ent\u00e3o, acho [que] essa Bandeira, nesse cerne, ela \u00e9 uma camada de algo que \u00e9 um cerne onde as coisas est\u00e3o fluindo por dentro. A gente olha e mede isso medicinalmente, mas talvez isso seja algo que est\u00e1 por dentro. A\u00ed eu me lembrei de sua fala, Sandra, sobre a menstrua\u00e7\u00e3o. Colocando algumas ideias nessa roda.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sandra<\/strong>\n<br>\n\u00c9 por isso que \u00e9 muito complexa a discuss\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o. Existe uma educa\u00e7\u00e3o guarani e ela vem desse processo. Tem o ritual dos meninos, o ritual das meninas&#8230; e ela continua associada com os rios, com as \u00e1rvores, com os animais. Tudo est\u00e1 associado. Ent\u00e3o, se a gente n\u00e3o tem essa possibilidade mais, essa rela\u00e7\u00e3o com o territ\u00f3rio e a natureza, acabamos sendo adoecidos. Hoje existe, principalmente no meu povo Guarani, no Mato Grosso do Sul&#8230; voc\u00eas viram que a viol\u00eancia est\u00e1 cada vez mais aumentando \u00e0 frente dessas batalhas. E o Mato Grosso do Sul \u00e9 o lugar que tem o \u00edndice mais alto de suic\u00eddios, e a grande maioria s\u00e3o os meninos. No nosso entendimento cosmol\u00f3gico, n\u00f3s somos terra, o nosso corpo feminino \u00e9 terra, por isso que a gente chama terra-m\u00e3e. A\u00ed, para a gente fortalecer os meninos, digamos assim, eles tem um outro processo de educa\u00e7\u00e3o que, na verdade, \u00e9 uma soma, n\u00e3o \u00e9 uma coisa \u00e0 parte, mas tamb\u00e9m se equilibra tanto nossos filhos que a gente chama para eles se equilibrarem, porque de fato, hoje, n\u00e3o s\u00f3 na sociedade Guarani, mas na sociedade de modo geral, os homens est\u00e3o muito violentos. Ent\u00e3o, os homens violentos t\u00eam a ver com esse n\u00e3o lugar, n\u00e3o ter esse lugar. Ent\u00e3o, esse n\u00e3o lugar de fato \u00e9 frustrado \u2014 eles ficam mais violentos e assim tem mais viol\u00eancia para a gente.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1000\" height=\"750\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-20_Sandra-Benites_20241208_175648.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5079\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-20_Sandra-Benites_20241208_175648.jpg 1000w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-20_Sandra-Benites_20241208_175648-300x225.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-20_Sandra-Benites_20241208_175648-768x576.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-20_Sandra-Benites_20241208_175648-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption>Sandra Benites<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Por exemplo, associamos a dignidade dos homens para a gente com o que \u00e9<em> tat\u00e1<\/em>. <em>Tat\u00e1 <\/em>quer dizer fogo, mas fogo n\u00e3o \u00e9 de uma forma ruim, \u00e9 de uma forma que pode aquecer e alimentar. Mas tamb\u00e9m pode, se for excesso, se tornar violento. Ent\u00e3o, por isso que para a gente <em>tat\u00e1<\/em>, o fogo para a gente, [pode tamb\u00e9m] significar doen\u00e7a, f\u00faria, raiva. Minha av\u00f3 contava a hist\u00f3ria que para n\u00f3s, guarani, j\u00e1 existiu o fim do mundo, agora n\u00f3s estamos no segundo mundo. O fim do primeiro mundo foi a \u00e1gua que subiu, o fim do segundo mundo fala que pode ser que o <em>tat\u00e1<\/em> tome conta da terra. A\u00ed, usando essa met\u00e1fora, eu vejo que \u00e9 isso, de fato, que a viol\u00eancia toma conta, toma conta da gente e de n\u00f3s, mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00ed eu quero chegar a essa quest\u00e3o da universidade e exclus\u00e3o. Quando voc\u00ea n\u00e3o discute o escopo de m\u00e3es numa universidade, quando voc\u00ea exclui essas m\u00e3es, quando voc\u00ea exclui essas mulheres que est\u00e3o menstruadas, que est\u00e3o no per\u00edodo de enlouquecedor, voc\u00ea est\u00e1 gerando pessoas violentas porque o nosso esp\u00edrito n\u00e3o est\u00e1 bem. Eu escrevo minha tese sobre isso, trazendo esse lugar para o dia a dia. Recentemente, por exemplo, eu moro aqui no Rio, eu estava num domingo no \u00f4nibus, a\u00ed parou e tinha uma m\u00e3e com duas crian\u00e7as indo para a praia. O menino, acho que deve ter uns cinco anos, estava carregando a cadeira para a m\u00e3e e a m\u00e3e estava com o beb\u00ea no colo, a\u00ed o \u00f4nibus parou e abriu [a porta] de tr\u00e1s para eles, e a\u00ed o menino tentou subir. Ent\u00e3o, o \u00f4nibus estava cheio de pessoas com pressa olhando para a m\u00e3e, ningu\u00e9m sequer se movimentou, s\u00f3 queriam que ela resolvesse com o filho e pronto. A\u00ed o menino tentou subir e ele caiu. Quando caiu, a m\u00e3e olhou para todo mundo. Todos j\u00e1 olhando para seus p\u00e9s, a\u00ed empurrou o menino no \u00f4nibus e ele come\u00e7ou a chorar e ela falou para n\u00e3o chorar e ele ficou assim olhando, segurando, reprimindo o choro, enquanto ela subiu com outro beb\u00ea e a\u00ed vai. Ent\u00e3o, eu observo muito isso, como n\u00f3s somos terra, a gente segura toda a onda, todo o peso. \u00c9 importante entender que isso leva nossos filhos a serem frustrados, muitas das vezes violentos.<\/p>\n\n\n\n<p>E a\u00ed como ser\u00e1 essa crian\u00e7a adulta depois que n\u00e3o tem lugar de choro? Isso para mim \u00e9 chocante e a\u00ed eu lembro da minha av\u00f3 falando: \u201cSe voc\u00eas n\u00e3o cuidarem bem das mulheres, das m\u00e3es, o povo vai tomar conta\u201d. E est\u00e1 tomando conta da gente. Por isso, eu acho que a escola sem paredes acontece na rua, acontece na vida do dia a dia de n\u00f3s, se algu\u00e9m ajuda ou n\u00e3o ajuda e a\u00ed a gente vai levando isso para o mundo porque n\u00f3s somos o mundo. Esse mundo est\u00e1 balan\u00e7ado n\u00e3o \u00e9 de uma forma positiva; est\u00e1 balan\u00e7ado de uma forma muito violenta. Eu entro em crise na hora de escrever, eu penso nas mulheres e \u00e0s vezes eu choro, eu fico triste, eu fico deprimida tamb\u00e9m porque \u00e9 isso que a gente passa no dia a dia. Isso precisa ser discutido nas escolas sem paredes.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra coisa importante \u00e9 a mem\u00f3ria. \u00c9 muito importante a mem\u00f3ria ancestral, essa mem\u00f3ria que eu chamo de \u201cacordar a mem\u00f3ria\u201d, acordar a mem\u00f3ria e chacoalhar de novo aquela mem\u00f3ria que \u00e9 importante para n\u00f3s, mesmo sendo doloroso. Por exemplo, a minha av\u00f3, ela contava hist\u00f3rias horr\u00edveis, [mas] ela n\u00e3o queria contar hist\u00f3rias como as que elas sofreram na invas\u00e3o colonial, o que aconteceu com elas. Isso tamb\u00e9m \u00e9 outro ponto que o Brasil nega isso, nega total a viol\u00eancia de n\u00f3s mulheres sofrendo, da nossa cultura. Mulheres sofrendo e tantos sofrendo ainda, eu acho isso uma coisa muito pesada. E como \u00e9 que vamos resolver?<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 para finalizar, recentemente fui na Pinacoteca do Cear\u00e1 para falar sobre mem\u00f3ria e arte e a\u00ed me perguntaram se eu tenho alguma esperan\u00e7a, porque a grande maioria, inclusive na universidade, j\u00e1 est\u00e1 frustrada, cansada e desesperan\u00e7osa, pelo menos aqueles que pensam. A\u00ed eu falei assim: \u201cSe a gente for pensar muito no futuro, vamos adoecer e ficar frustrados sem movimento nenhum\u201d. Eu acredito que o que me fortalece enquanto pessoa, enquanto mulher, \u00e9 esse movimento, essa nossa roda de conversa, de troca, de partilhar nossa experi\u00eancia, de chorar junto, trocar nossas dores, trazer a escuta e o di\u00e1logo. Isso nos toca no cora\u00e7\u00e3o. Para gente tamb\u00e9m tem sentimentos [ligados] ao est\u00f4mago, por isso que para n\u00f3s guarani, por exemplo, quando a gente fala porque que a crian\u00e7a assustada tem dor de barriga, porque que crian\u00e7a quando leva susto, ou n\u00f3s mesmo, adultos, quando a gente est\u00e1 muito nervoso, assustado, d\u00f3i no est\u00f4mago. Por isso que nosso sentimento est\u00e1 respons\u00e1vel pelo todo de susto, de raiva, de todas as coisas que a gente faz. Ent\u00e3o, eu acredito que por isso que falamos que, quando escutamos, temos que conversar com o ouvido para lidar com o sentimento, e eu acho que essa roda de conversa faz isso, escutar o sentimento, conhecemos melhor o outro. Eu acho que precisamos buscar esse lugar pra gente se unir, e n\u00e3o s\u00f3 a gente, mas tamb\u00e9m outras pessoas. Acho que isso \u00e9 uma responsabilidade, e tamb\u00e9m o que d\u00e1 motiva\u00e7\u00e3o pra gente continuar lutando pela for\u00e7a. Ent\u00e3o, eu acho que \u00e9 isso, obrigada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lucimara Rett (P\u00fablico)<\/strong>\n<br>\nMeu nome \u00e9 Lucimara Rett. Eu passei agora uma semana com o pessoal que veio do Rio Grande do Sul para um evento que se chama Campus Antropoceno. Tivemos debates muito interessantes ali na Escola Superior de Design. Eu venho pensando h\u00e1 bastante tempo nessa reconex\u00e3o que a gente precisa fazer entre natureza\/cultura. Vejo que a chave que a gente tem \u00e9 o retorno ao feminino. Quando eu falo de feminino, falo n\u00e3o somente de g\u00eanero, mas da energia feminina, de respeito \u00e0 M\u00e3e Natureza, Gaia, Pachamama, como a gente quer chamar o reconhecimento dos saberes ancestrais origin\u00e1rios e tradicionais. A nossa liga\u00e7\u00e3o com o tempo, eu estudo bastante; esse s\u00edmbolo [da Bandeira da Paz] diz muito pra mim porque ele foi utilizado como sistema de contagem de tempo chamado sincron\u00e1rio das treze luas, que eu estudei por muito tempo. Isso foi uma apropria\u00e7\u00e3o que uma pessoa que se chama Jos\u00e9 Arguelles fez de uma contagem de tempo dos Maias, do calend\u00e1rio maia original. Os Maias tinham essa vis\u00e3o do tempo, eles tinham muitos calend\u00e1rios e o calend\u00e1rio <em>Tzolk\u2019in<\/em> \u00e9 um calend\u00e1rio baseado no corpo humano.<\/p>\n\n\n\n<p>Refletindo um pouco sobre qualquer uma dessas modalidades de contagem de tempo natural, eu acho que a gente tem uma chave, uma pista, na nossa rela\u00e7\u00e3o com o tempo. A gente tem o melhor rel\u00f3gio do mundo que \u00e9 o sol junto com as estrelas junto com os planetas. [Devemos aprender] a olhar para essa contagem de tempo natural, porque a gente vive num calend\u00e1rio artificial que tem menos de 500 anos imposto por um papa, Papa Greg\u00f3rio. Vivemos com meses irregulares com dias, meses de 30, 31, 29, com a hora do rel\u00f3gio que n\u00e3o respeita os nossos ciclos circadianos. A gente dorme com a luz azul do celular, muito mais tarde do que deveria, acorda muito mais cedo do que deveria ou muito mais tarde do que deveria. Ent\u00e3o eu acho que biologicamente estamos sendo afastados da natureza pelo tempo, pela nossa gest\u00e3o do tempo, pelo calend\u00e1rio e pelo rel\u00f3gio. Ent\u00e3o, queria trazer essa reflex\u00e3o desses estudos que eu fiz.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1000\" height=\"750\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-21_Publico-geral_20241208_164559.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5081\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-21_Publico-geral_20241208_164559.jpg 1000w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-21_Publico-geral_20241208_164559-300x225.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-21_Publico-geral_20241208_164559-768x576.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-21_Publico-geral_20241208_164559-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption>Participantes da Roda<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>E, s\u00f3 pra complementar, uma outra coisa que eu gostaria de falar [\u00e9 que] eu tamb\u00e9m sou da academia. Eu fa\u00e7o parte de um programa que se chama EICOS (Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Psicossociologia de Comunidades e Ecologia) da UFRJ, e uma vez eu perguntei pra Cristina o que a Anna trouxe aqui: como \u00e9 que a universidade poderia se preparar para receber essas pessoas que est\u00e3o chegando com essa outra forma\u00e7\u00e3o das escolas vivas? A universidade n\u00e3o est\u00e1 preparada, tem alguns lampejos aqui, do trabalho do Vergara, por exemplo, do trabalho do Scarano l\u00e1 no EICOS. Que temos procurado pesquisar <em>com<\/em> e n\u00e3o <em>sobre<\/em> j\u00e1 \u00e9 um avan\u00e7o, mas n\u00e3o \u00e9 o suficiente. Eu acho que temos que ter o protagonismo dessas pessoas na academia. Tamb\u00e9m, ent\u00e3o, eu deixo mais uma pergunta: como a gente faz isso num sistema que hoje \u00e9 disciplinar? Como lidar com a sociedade do controle? O que a gente faz com a sociedade disciplinar e a coloniza\u00e7\u00e3o na academia? Acho que Fabio e Guilherme trazem inspira\u00e7\u00f5es, mas a gente precisa de mais gente fazendo isso. Me coloco \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, obrigada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Guilherme<\/strong><br>Acho que um dos desafios dessa ideia das escolas sem paredes \u00e9 [muitas vezes] cada um no seu microcosmos pensar. Como eu estou na universidade, no departamento de artes, reconhe\u00e7o uma defasagem tremenda entre a velocidade de mudan\u00e7a e o que de fato est\u00e1 sendo transformado, por exemplo, as pol\u00edticas afirmativas est\u00e3o mudando radicalmente o corpo discente, mas ainda n\u00e3o mudaram o corpo docente. Ent\u00e3o, pra mim, \u00e9 muito importante a gente fazer uma luta, porque essa mudan\u00e7a vai dar na educa\u00e7\u00e3o fundamental, onde a gente pode ter uma forma\u00e7\u00e3o com o p\u00e9 no ch\u00e3o, uma forma\u00e7\u00e3o com o cora\u00e7\u00e3o, um sentido de arte expandido com a reconfigura\u00e7\u00e3o das ci\u00eancias e espiritualidades. A universidade est\u00e1 devagar nisso, n\u00f3s precisamos lutar, exatamente, Lucimara, a gente precisa lutar para transformar e abrir espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sandra falou aqui sobre escutar, sobre escutar com o corpo e com responsabilidade. No \u00faltimo livro da Isabelle Stengers, ela tamb\u00e9m faz uma pergunta trazendo a Gaia e um manifesto de desacelera\u00e7\u00e3o: \u201cUma outra ci\u00eancia \u00e9 poss\u00edvel?\u201d. A\u00ed eu fico provocando: uma outra arte \u00e9 poss\u00edvel?&nbsp; Uma outra universidade \u00e9 poss\u00edvel? Como \u00e9 que a gente faz para romper as paredes? \u00c9 um desafio para quem est\u00e1 na universidade porque existe toda a estrutura de concursos p\u00fablicos e vagas delimitadas pelas pol\u00edticas governamentais. Tem um movimento muito forte que est\u00e1 ocorrendo com o antrop\u00f3logo\/m\u00e9dico Jo\u00e3o Paulo Tukano e outros povos ind\u00edgenas lutando pelo reconhecimento da medicina ind\u00edgena. Enquanto isso, a gente tem uma produ\u00e7\u00e3o de arte ind\u00edgena j\u00e1 entrando nas galerias e museus de arte contempor\u00e2nea, mas o desafio \u00e9 tamb\u00e9m transformar nossos modos de escutar, aprender e engajar com a arte. Eu somo minhas palavras \u00e0s da Sandra, que precisamos das [revolu\u00e7\u00f5es] no sentido de cuidado, de roda, de escuta, de transformar a ci\u00eancia em ch\u00e3o, territ\u00f3rio e cora\u00e7\u00e3o, e as artes em ch\u00e3o, encontro, territ\u00f3rio e cora\u00e7\u00e3o. Dentro desses estudos da Helena Roerich desses tr\u00eas c\u00edrculos, ela fala, a partir de seu mestre, da condu\u00e7\u00e3o de s\u00edntese da \u00c9tica Viva e do materialismo espiritual. Uma outra formula\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica, a mat\u00e9ria, \u00e9 part\u00edcula vibr\u00e1til, mas tamb\u00e9m parte do realismo c\u00f3smico. Esse n\u00e3o pode ser visto como separado do c\u00f3smico. Por que n\u00f3s nos achamos separados do c\u00f3smico? Ent\u00e3o essas separa\u00e7\u00f5es s\u00e3o ilus\u00f5es, s\u00e3o bolhas que a gente precisa romper. S\u00e3o paredes.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-22-a_publico-geral_20241208_174836-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5085\" width=\"384\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-22-a_publico-geral_20241208_174836-768x1024.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-22-a_publico-geral_20241208_174836-225x300.jpg 225w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-22-a_publico-geral_20241208_174836.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><figcaption>Participantes da Roda<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-22-b_-publico-geral_20241208_174844-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5083\" width=\"384\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-22-b_-publico-geral_20241208_174844-768x1024.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-22-b_-publico-geral_20241208_174844-225x300.jpg 225w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-22-b_-publico-geral_20241208_174844.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><figcaption>Participantes da Roda<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Aline Monteiro (Public)<\/strong> <br>Meu nome \u00e9 Aline Monteiro, eu sou professora da faculdade de educa\u00e7\u00e3o da UFRJ. \u00c9 a primeira vez que eu venho, fiquei muito feliz com as trocas, com a escuta, procurarei v\u00e1rios de voc\u00eas, me esperam daqui a um outro momento, mas eu preciso sair e s\u00f3 n\u00e3o queria sair sem me desculpar e explicar. Boa conversa para voc\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Guilherme<\/strong><br>Voc\u00ea est\u00e1 levando um peda\u00e7o do infinito.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Aline<\/strong><br>Uma fra\u00e7\u00e3o do infinito. Cuidarei bem dele.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Candice de Moraes (Public)<\/strong>\n<br>\nBoa tarde, meu nome \u00e9 Candice Abreu de Moraes. Muito obrigada pelas palavras lan\u00e7adas aqui, desejo para todos n\u00f3s que temos percep\u00e7\u00e3o de campo sens\u00edvel, for\u00e7a e serenidade para a gente manter a nossa sa\u00fade mental, espiritual e f\u00edsica.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu queria fazer uma pergunta. Eu tenho escutado as pessoas falarem que a gente precisa se reconectar com a natureza, e a\u00ed eu queria saber, da gente que est\u00e1 aqui, se \u00e9 poss\u00edvel se reconectar com a natureza. Porque se voc\u00ea pensar que \u00e9 poss\u00edvel voc\u00ea se reconectar com a natureza, voc\u00ea est\u00e1 pensando que voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 parte da natureza que existe, [mas] alguma coisa que est\u00e1 fora, est\u00e1 em algum outro lugar, que n\u00e3o \u00e9 o nosso corpo. A\u00ed a gente tem que ir l\u00e1 [aonde for] e se conectar. Ent\u00e3o, eu queria trazer essa quest\u00e3o porque eu penso que n\u00f3s somos natureza e que tudo aqui \u00e9 natureza: as obras arquitet\u00f4nicas, as obras do campo simb\u00f3lico tamb\u00e9m s\u00e3o parte dessa natureza. A\u00ed, dentro disso, eu venho pensando nessa conex\u00e3o que a gente pode ter com esses acess\u00f3rios, esses acoplamentos, que Joelson levantou, como se a gente necessitasse desses outros itens que a gente vem acoplando ao nosso corpo e \u00e0 nossa exist\u00eancia para existir. Na verdade, a nossa exist\u00eancia est\u00e1 para antes de qualquer acoplamento, de qualquer coisa que a gente possa adquirir, ela n\u00e3o \u00e9 compr\u00e1vel. E as coisas que s\u00e3o da exist\u00eancia, elas n\u00e3o est\u00e3o nesse campo de que voc\u00ea pode adquirir, comprar e acumular. \u00c9 num outro lugar que acontece, n\u00e3o nesse lugar que est\u00e1 sendo simulado por um sistema j\u00e1 h\u00e1 bastante tempo, como se a gente tivesse que ter, que acumular, para poder existir. Na verdade, na minha maneira de ver, a nossa exist\u00eancia \u00e9 anterior, desse outro tempo n\u00e3o explicado pela raz\u00e3o, mas desse campo simb\u00f3lico, desse campo da viv\u00eancia, da simplicidade que a pr\u00f3pria natureza tem. Ent\u00e3o, quando a gente fala da arte, que outra arte \u00e9 poss\u00edvel, eu me lembro do Nego Bispo dizendo que na natureza os p\u00e1ssaros cantam, e a\u00ed eu me lembro da Angel Vianna dizendo que todos os corpos bailam como nuvens que se movimentam, e eu me lembro da gente como natureza e penso que, a nossa arte, ela j\u00e1 \u00e9 dada tamb\u00e9m, a gente j\u00e1 produz ela naturalmente, o nosso pr\u00f3prio estar \u00e9 isso. Obrigada pela roda e a oportunidade de falar.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-23_publico-geral_20241208_161937.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5087\" width=\"500\" height=\"667\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-23_publico-geral_20241208_161937.jpg 1000w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-23_publico-geral_20241208_161937-225x300.jpg 225w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-23_publico-geral_20241208_161937-768x1024.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption>Participantes da Roda<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Guilherme<\/strong>\n<br>\nSe estamos tanto falando de reconectar tamb\u00e9m \u00e9 porque estamos num est\u00e1gio de desconex\u00e3o, de fragmenta\u00e7\u00e3o e de separa\u00e7\u00e3o. Reconhecer isso \u00e9 importante. Li um trecho [de um texto] hoje de manh\u00e3 que falava assim: v\u00e1rias ra\u00e7as passaram por esse planeta, muitas s\u00f3 deixaram desperd\u00edcio. Foi interessante ler isso. E agora estamos sendo provocados pela reconex\u00e3o com um futuro ancestral, um futuro que n\u00e3o deixa desperd\u00edcio. Como n\u00e3o se tornar parte das ra\u00e7as que deixaram desperd\u00edcio? Quando vemos os oceanos de pl\u00e1stico, estamos em uma sociedade de consumo e desperd\u00edcio. Ent\u00e3o essa virada de chave \u00e9 uma pergunta tamb\u00e9m: que futuro a gente quer ser?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Carla Albuquerque<\/strong>\n<br>\nSou Carla Albuquerque.&nbsp; Sou da Unirio, tamb\u00e9m sou do EICOS da UFRJ. Muitas vezes eu quis compartilhar v\u00e1rias sensa\u00e7\u00f5es, pensamentos, sentimentos, mas, agora, vem uma coisa mais forte que \u00e9 pensar que n\u00e3o existem pessoas eleitas, iluminadas, que v\u00e3o se salvar. Eu acho que a quest\u00e3o \u00e9 coletiva mesmo e, talvez, a gente tenha um privil\u00e9gio, uma oportunidade maior [de poder estar] aqui agora nesse momento. Ent\u00e3o, eu penso assim que o nosso desafio \u00e9 coletivo, o nosso desafio n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de um grupo de seres intelectuais, de pessoas sens\u00edveis, eu acho que o desafio \u00e9 com todo mundo, \u00e9 um pouco o que eu queria compartilhar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cristina Basilio Thomas (Public)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eu queria citar um poema de Roseana Murray, vou tentar lembrar:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p><em>Olha o mar.<br>O horizonte levemente pousado na \u00e1gua. Onde c\u00e9u e mar se encontram: territ\u00f3rio de sonhos.<br>Onde eu termina e o outro come\u00e7a: territ\u00f3rio de sonhos.<br>A diferen\u00e7a \u00e9 o que pode nos emocionar, mudar nossos gestos, nosso olhar sobre as coisas.<br>Em muitas civiliza\u00e7\u00f5es o diferente era aniquilado.<br>Povos inteiros eram e ainda s\u00e3o aniquilados. A hist\u00f3ria nos fala o tempo todo dessa destrui\u00e7\u00e3o.<br>Ouvir a diferen\u00e7a \u00e9 alargar o territ\u00f3rio do sonho.<br>Abrir a porta que d\u00e1 para o outro e aceit\u00e1-lo no que ele tem de diverso \u00e9 a \u00fanica ponte poss\u00edvel para a conviv\u00eancia humana.<br>Que o outro seja o espelho que me enriquece.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>[<em>pessoas batendo palmas<\/em>]<\/p>\n\n\n\n<p>Porque eu fui ouvindo todo mundo e esse poema me veio assim, s\u00f3 que eu sou muito t\u00edmida, mas eu n\u00e3o aguentei.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Iazana<\/strong><br>Aproveitar essa beleza para trazer uma outra escola sem paredes, que \u00e9 a escola Angel Vianna, em homenagem \u00e0 partida da Angel, que se foi. Sexta-feira a gente esteve na missa de s\u00e9timo dia. Tive a oportunidade de me formar no curso t\u00e9cnico l\u00e1, que foi uma grande revolu\u00e7\u00e3o, e eu queria compartilhar uma imagem que uma colega falou uma vez que a gente estava l\u00e1 que era assim: ela tinha a sensa\u00e7\u00e3o [de] que, antes de ela entrar na Angel, que o corpo dela era cheio de esparadrapos, como se estivesse cheio de esparadrapos, e o trabalho na Angel, que a gente estava vivendo, era ir tirando os esparadrapos. A\u00ed eu queria trazer essa imagem para homenagear a Angel. Queria agradecer \u00e0 Angel publicamente e dizer que essas pontes, onde a gente pode abrigar os sonhos nessas escolas que cruzam o nosso caminho, elas v\u00e3o possibilitar que esses caminhos aconte\u00e7am. A\u00ed eu fiquei pensando que essa coisa que eu mesma trouxe de pergunta de como a tecnologia est\u00e1 afastando o tempo da experi\u00eancia \u00e9 s\u00f3 mais uma camada do esparadrapo e que \u00e9 esse o trabalho que a gente t\u00e1 fazendo j\u00e1, de v\u00e1rias maneiras pela arte, pelo resgate origin\u00e1rio, pelo pr\u00f3prio pensamento disruptivo que vai, sempre deu o caminho. Tamb\u00e9m queria lembrar da imagem que a Companhia postou no Instagram sobre a Angel que \u00e9 [de uma filmagem de] todo mundo na C\u00e2mara dos Vereadores. Grande homenagem \u00e0 Angel, \u00e0 cidad\u00e3 carioca. Ent\u00e3o, naquele lugar que \u00e9 super da parede, as pessoas que estavam l\u00e1, todas juntas, levantavam os bra\u00e7os e dan\u00e7avam, ocupando aquele lugar com um total outro sentido.<strong><sup>4<\/sup><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Guilherme<\/strong><br>Muito bonito. Acho que a gente tem que encaminhar para o encerramento circular. Algu\u00e9m quer mais alguma palavra?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Shirley Britto (P\u00fablico) <\/strong>\n<br>\nObrigada. Eu sou Shirley Britto e eu fa\u00e7o parte de um grupo de teatro chamado Teatro de An\u00f4nimo, aqui do Rio de Janeiro, que agora vai completar 39 anos. Eu s\u00f3 queria agradecer a essa roda, o tanto que eu aprendi hoje, o tanto que me reconectei. Eu acho que eu tamb\u00e9m concordo com voc\u00ea que a gente faz parte da natureza. Mas o tanto que eu tive a certeza do que eu fa\u00e7o, do que eu amo \u2014 eu amo as pessoas, o ser humano, os animais, a natureza, e assim [sei] que eu estou no caminho certo, [mas] ao mesmo tempo [fico preocupada com] esse mundo doido tentando levar a gente para o ego\u00edsmo e para a individualidade. Mas tenho muita esperan\u00e7a, porque essa roda aqui existe e eu acho que vai existir muito mais, porque a gente vai multiplicar isso aqui. Eu s\u00f3 quero agradecer. Obrigada, obrigada.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1000\" height=\"750\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-24_Publico-geral-com-bandeira_20241208_172913.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5089\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-24_Publico-geral-com-bandeira_20241208_172913.jpg 1000w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-24_Publico-geral-com-bandeira_20241208_172913-300x225.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-24_Publico-geral-com-bandeira_20241208_172913-768x576.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-24_Publico-geral-com-bandeira_20241208_172913-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption>Participantes da Roda<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Anna<\/strong><br>Eu ia falar de fechamento tamb\u00e9m, que eu quero muito agradecer. \u00c9 sempre muito especial estar aqui nessa casa, onde o mist\u00e9rio faz parte e a Companhia e o mist\u00e9rio \u00e9 uma casa s\u00f3. Eu achei bonito hoje sendo o dia 8 e os oito minutos de fala e tamb\u00e9m \u00e9 muito especial falar sobre essas escolas sem paredes e lembrar que hoje \u00e9 o dia da Rainha da Floresta Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o. No sincretismo, ent\u00e3o, a floresta est\u00e1 em festa porque a luz dessa grande for\u00e7a est\u00e1 sendo celebrada, e a\u00ed a gente est\u00e1 aqui em roda, nesse lugar do Floresta Cidade, acho muito auspicioso tudo, mas \u00e9 assim, deixar meu agradecimento para a Rainha da Floresta que \u00e9 a grande professora.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>L\u00edgia<\/strong><br>De verdade eu queria come\u00e7ar essa roda hoje cantando para Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o, mas como estou muito gripada achava que n\u00e3o conseguiria, mas voc\u00eas podem cantar comigo? Me ajudem?<\/p>\n\n\n\n<p>[<em>L\u00edgia e o p\u00fablico cantam<\/em>]<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p><em>Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o vem saudar o povo nesse sal\u00e3o<br>Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o vem saudar o povo nesse sal\u00e3o<br>Sarav\u00e1, sarav\u00e1 \u00e9 de Aruanda \u00e9 de Umbanda \u00e9 sarav\u00e1<br>Sarav\u00e1, sarav\u00e1 \u00e9 de Aruanda \u00e9 de Umbanda \u00e9 sarav\u00e1<br>Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o vem saudar o povo nesse sal\u00e3o<br>Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o vem saudar o povo nesse sal\u00e3o<br>Sarav\u00e1, sarav\u00e1 \u00e9 de Aruanda \u00e9 de Umbanda \u00e9 sarav\u00e1<br>Sarav\u00e1, sarav\u00e1 \u00e9 de Aruanda \u00e9 de Umbanda \u00e9 sarav\u00e1<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Saudar tamb\u00e9m nossos mestres, nossas mestras. Angel Vianna, por exemplo, a gente tem passado por fortes momentos da travessia dela, colocamos muita energia na sexta-feira na missa de s\u00e9timo dia. Eu preciso que a gente fa\u00e7a uma nova roda pra gente poder contar tamb\u00e9m da escola sem paredes [da Companhia] que a gente criou h\u00e1 muitos anos, quando eu tive um encontro com uma pessoa que me ensinou a trabalhar com uma escola sem paredes. Mas depois a gente vai falar sobre isso e contar a hist\u00f3ria dessa figura maravilhosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas vou encerrar agora convidando voc\u00eas para o pr\u00f3ximo domingo, dia 15 de dezembro, onde vamos fazer uma homenagem \u00e0 Angel aqui na Pra\u00e7a da Harmonia como parte do espet\u00e1culo <em>O Auto do Belo Amor<\/em>,e convido voc\u00eas todos para estarem aqui com a gente. Tamb\u00e9m, depois do espet\u00e1culo, vai ter um choro no coreto. O choro \u00e9 da Casa do Choro da Luciana Rabello, ent\u00e3o vai ser bem especial essa finaliza\u00e7\u00e3o. Isso faz parte do fechamento do ano da casa, n\u00e3o quer dizer que a gente est\u00e1 fechado, s\u00f3 quer dizer que a gente est\u00e1 abrindo para um novo ciclo e convido a voc\u00eas pra chegarem aqui na nossa escola sem paredes. Obrigada pela presen\u00e7a, obrigada por cada um, por cada fala, s\u00f3 agradecimento.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"563\" height=\"750\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/20241208_164013.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5098\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/20241208_164013.jpg 563w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/20241208_164013-225x300.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 563px) 100vw, 563px\" \/><figcaption>Trezinha (gata da Companhia) e a Bandeira da Paz<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">***<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Anna Dantes<\/em><\/strong>\n<br>\nDirige a editora Dantes e trabalha com a extens\u00e3o da experi\u00eancia de edi\u00e7\u00e3o para outros formatos \u2013 laborat\u00f3rios, oficinas, revistas, curadorias, exposi\u00e7\u00f5es, cole\u00e7\u00f5es de moda, ciclos de estudo e filmes. Desde 1994, cria, realiza e colabora com projetos de transmiss\u00e3o de conhecimento e mem\u00f3ria. H\u00e1 oito anos realiza, junto ao povo Huni Kuin, no Acre, o projeto Una Shubu Hiwea, Livro Escola Viva, que contou com parceiros como Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro e Ita\u00fa Cultural. Tem diversos livros publicados, entre eles <em>Una Isi Kayawa<\/em>, ganhador do Pr\u00eamio Jabuti em Ci\u00eancia da Natureza. Atualmente, dedica-se tamb\u00e9m ao Selvagem, ciclo de estudos sobre a vida, rodas de conversas e edi\u00e7\u00e3o de livros que tratam das correspond\u00eancias entre conhecimentos cient\u00edficos, art\u00edsticos e tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Fabio Scarano<\/em><\/strong>\n<br>\nFabio Rubio Scarano \u00e9 curador do Museu do Amanh\u00e3, titular da C\u00e1tedra Unesco de Alfabetiza\u00e7\u00e3o em Futuros, e professor titular de Ecologia da UFRJ. Engenheiro Florestal e Ph.D. em Ecologia, Fabio atuou nos pain\u00e9is da ONU para o clima (IPCC) e biodiversidade (IPBES) e foi dirigente no Jardim Bot\u00e2nico do Rio, na Conserva\u00e7\u00e3o Internacional e na Funda\u00e7\u00e3o Brasileira para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel. Recebeu dois Pr\u00eamios Jabuti de Literatura na \u00e1rea de Ci\u00eancias Naturais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Iazana Guizzo<\/em><\/strong>\n<br>\nArquiteta e urbanista. Coordenadora do projeto de extens\u00e3o, ensino e pesquisa <em>Floresta Cidade <\/em>da FAU UFRJ, onde tamb\u00e9m \u00e9 professora. \u00c9 doutora em urbanismo, mestre em psicologia e formada em bal\u00e9 contempor\u00e2neo. A regenera\u00e7\u00e3o das cidades diante da urg\u00eancia clim\u00e1tica, a participa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, a vida interespec\u00edfica e as cosmopercep\u00e7\u00f5es afro-amer\u00edndias s\u00e3o temas de seu interesse. Atua no campo da arquitetura, urbanismo e arte e colabora com a Companhia de Myst\u00e9rios e Novidades desde 2020.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>L\u00edgia Veiga<\/em><\/strong>\n<br>\nAtriz, musicista, dan\u00e7arina, integrou o grupo carioca Coringa Grupo de Dan\u00e7a e atuou no teatro de rua italiano Teatro Pirata, na d\u00e9cada de oitenta. Criadora e diretora da Grande Companhia Brasileira de Myst\u00e9rios e Novidades (1981), desde 2007 sediada na regi\u00e3o portu\u00e1ria do Rio de Janeiro. A Companhia dialoga com o territ\u00f3rio atrav\u00e9s de seus espet\u00e1culos, festivais, oficinas, f\u00f3runs, cortejos e atividades do seu calend\u00e1rio anual. Criou o Projeto Gigantes pela pr\u00f3pria Natureza \u2013, orquestra itinerante sobre pernas de pau, constitu\u00eddo por oficinas pr\u00e1ticas e te\u00f3ricas que inaugurou as atividades educativas da Casa de Myst\u00e9rios e da Pra\u00e7a da Harmonia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Luiz Guilherme Vergara<\/em><\/strong>\n<br>\nLuiz Guilherme Vergara \u00e9 professor associado do departamento de arte e membro do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Estudos Contempor\u00e2neos das Artes da Universidade Federal Fluminense (UFF). Foi coordenador do curso de gradua\u00e7\u00e3o em artes (2019- 2024) e diretor do Museu de Arte Contempor\u00e2nea (MAC) de Niter\u00f3i entre 2005\u20132008 e 2013\u20132016. Coordena o grupo de pesquisa (CNPq) <em>y<\/em>nterfluxes contempor\u00e2neos: Arte Comunidade e Natureza.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>M\u00e3e Sara<\/em><\/strong>\n<br>\nL\u00edder espiritual da Uni\u00e3o Umbandista de Luz, Caridade e Amor, no bairro da Sa\u00fade, no centro do Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Marcia Brand\u00e3o Alves<\/em><\/strong>\n<br>\nS\u00f3cia-fundadora da MBA Cultural (1999), empresa pioneira no Brasil na implanta\u00e7\u00e3o de Museus de Ci\u00eancia de quarta gera\u00e7\u00e3o, multissensoriais, interativos, com \u00eanfase na acessibilidade, contemplando as m\u00faltiplas intelig\u00eancias (H. Gardner). Respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o, conceitua\u00e7\u00e3o, pesquisa tem\u00e1tica e desenvolvimento de projetos executivos. Atua na produ\u00e7\u00e3o, execu\u00e7\u00e3o e instala\u00e7\u00e3o de exposi\u00e7\u00f5es de longa e curta dura\u00e7\u00e3o, na gest\u00e3o de projetos, bem como no desenvolvimento de tecnologias de exibi\u00e7\u00e3o, multim\u00eddias, jogos, anima\u00e7\u00f5es, v\u00eddeos e trilhas sonoras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Sandra Benites<\/em><\/strong>\n<br>\n\u00e9 Diretora de Artes Visuais da FUNARTE (2023). Educadora, pesquisadora e curadora. Descendente do povo Guarani Nhandewa. Mestre em Antropologia Social pelo Museu Nacional (UFRJ) e doutora no mesmo programa. Sua pesquisa e atua\u00e7\u00e3o vem focando nas particularidades das artes e vidas das comunidades ind\u00edgenas apontando para mudan\u00e7as contra-coloniais nas institucionalidades, museus e exposi\u00e7\u00f5es, com os cuidados e particularidades de diferentes povos, etnias e culturas. Foi curadora da exposi\u00e7\u00e3o &#8220;Dja guata Por\u00e3 | Rio De Janeiro Ind\u00edgena&#8221; no Museu de Arte do Rio de Janeiro (2017). Comp\u00f4s a equipe curatorial do Museu das Culturas Ind\u00edgenas, inaugurado em SP em 2022.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong><sup>1<\/sup><\/strong> KHAYY\u00c1M, Omar. <em>Rub\u00e1iy\u00e1t<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o: Octavio Tarquinio de Sousa. 10. ed. Rio de Janeiro: Editora Jos\u00e9 Olympio, 1952.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><sup>2<\/sup><\/strong> ROERICH, Helena. <em>Cora\u00e7\u00e3o: Signos de Agni Ioga<\/em> (1932). 6. ed. Tradu\u00e7\u00e3o coordenada por Dr. J. Treiga. New York\/Niter\u00f3i: Agni Yoga Society\/ Funda\u00e7\u00e3o Cultural Avatar, 2017. p. 9.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><sup>3<\/sup><\/strong> <em>Ibid.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><sup>4<\/sup><\/strong> Ver: Instagram da Companhia de Myst\u00e9rios e Novidades (@ciademysterios). Dispon\u00edvel em: <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DDFEh6ROOFG\/?locale=ar-en&amp;hl=en\" target=\"_blank\">https:\/\/www.instagram.com\/p\/DDFEh6ROOFG\/?locale=ar-en&amp;hl=en<\/a>. Acesso: jul. 2025.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escola sem paredes: Artes, ci\u00eancias, espiritualidades em hist\u00f3rias vivas Anna Dantes, Fabio Scarano, Guilherme Vergara, Iazana Guizzo, L\u00edgia Veiga, M\u00e3e Sara, Marcia Brand\u00e3o, Sandra Benites Enquanto as artes, as ci\u00eancias [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":[],"portfolio-tags":[],"portfolio-category":[146],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/4605"}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-json\/wp\/v2\/types\/portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4605"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4605"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio-tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio-tags?post=4605"},{"taxonomy":"portfolio-category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio-category?post=4605"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}