{"id":3796,"date":"2025-09-16T18:40:36","date_gmt":"2025-09-16T21:40:36","guid":{"rendered":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/?page_id=3796"},"modified":"2025-10-15T14:31:18","modified_gmt":"2025-10-15T17:31:18","slug":"ana-luiza-nobre","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/ana-luiza-nobre\/","title":{"rendered":"Ana Luiza Nobre"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"799\" height=\"450\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/CHAO_8_16-9_Camila_Freitas.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4093\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/CHAO_8_16-9_Camila_Freitas.jpg 799w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/CHAO_8_16-9_Camila_Freitas-300x169.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/CHAO_8_16-9_Camila_Freitas-768x433.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 799px) 100vw, 799px\" \/><figcaption>Camila Freitas dir. <em>Ch\u00e3o<\/em>, 2021. Frame.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h2>Projetar agachado<\/h2>\n\n\n\n<h4>Ana Luiza Nobre<\/h4>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-left\"><p>The farmer or engineer who cuts into the land can either cultivate it or devastate it.<strong><sup>1<\/sup><\/strong><br><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Robert Smithson<\/p>\n\n\n\n<p>Um homem fatigado se abaixa para tirar os sapatos e encontra-se imprevistamente com a mem\u00f3ria e a dor da morte de sua av\u00f3. A imagem proustiana \u00e9 o ponto de partida para a reflex\u00e3o do fil\u00f3sofo Georges Didi-Huberman sobre o \u201cpensar debru\u00e7ado\u201d<strong><sup>2<\/sup><\/strong>, atividade mental relacionada a uma esp\u00e9cie de saber t\u00e1til derivado de um movimento de aproxima\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s coisas. Tal movimento n\u00e3o se confunde com o sentido benjaminiano da proximidade como imers\u00e3o, associada ao mundo moderno e suas tecnologias de reprodu\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica \u2014 e, como tal, por uma esp\u00e9cie de percep\u00e7\u00e3o distra\u00edda (proporcionada pelo cinema), e n\u00e3o mais atenta (nos moldes da tradi\u00e7\u00e3o da pintura). Para Didi-Huberman, a elimina\u00e7\u00e3o do ponto de vista recuado n\u00e3o significa a perda de dist\u00e2ncia cr\u00edtica, como em Benjamin, mas a possibilidade de acessar dimens\u00f5es profundas da mente a partir de uma experi\u00eancia corporal em que o distanciamento pr\u00f3prio da vis\u00e3o \u00e9 substitu\u00eddo pela intimidade do tato. \u201cDebru\u00e7ar-se para ver e pensar melhor\u201d, escreve ele, como se o mero encurvamento do corpo em dire\u00e7\u00e3o ao ch\u00e3o oferecesse, por si s\u00f3, a possibilidade de deslocar o pensamento \u2014 enquanto <em>olhar sobre<\/em> o mundo \u2014 na medida em que o desprende de um ponto de vista fixado em posi\u00e7\u00e3o dominante e hierarquicamente superior, com suas pretens\u00f5es de totalidade e estabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Distintamente da \u201cvis\u00e3o sobrepujante\u201d de um sujeito afastado em rela\u00e7\u00e3o ao mundo e instalado em plano elevado, aquilo que Didi-Huberman chama de \u201cvis\u00e3o abrangente\u201d, implicaria, assim, uma sapi\u00eancia corp\u00f3rea; um corpo sens\u00edvel e mundano, o qual, ao dobrar-se sobre si mesmo e abandonar, ainda que por um \u00e1timo, a independ\u00eancia e a altivez associadas \u00e0 postura ereta, faria<em> \u201c<\/em>o que est\u00e1 embaixo subir at\u00e9 n\u00f3s\u201d. De modo que o gesto humilde e trivial de se inclinar em dire\u00e7\u00e3o ao ch\u00e3o \u00e9 interpretado como um <em>acontecimento<\/em>: abertura para uma esp\u00e9cie de saber que emerge inversamente ao saber puro e imaculado da vis\u00e3o sobrepujante, a partir de afetos inesperados e encontros imprevistos entre diferentes modula\u00e7\u00f5es temporais, espaciais, perceptivas e existenciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Deixar o que est\u00e1 embaixo \u201csubir at\u00e9 n\u00f3s, em dire\u00e7\u00e3o ao nosso olhar e pensamento\u201d. Em termos arquitet\u00f4nicos, o problema armado pelo fil\u00f3sofo franc\u00eas aponta para a possibilidade de pensar a rela\u00e7\u00e3o indissol\u00favel entre a arquitetura e o ch\u00e3o em correspond\u00eancia com um conjunto de quest\u00f5es \u00e9ticas, te\u00f3ricas e pol\u00edticas agu\u00e7adas em consequ\u00eancia da radicalidade da crise ambiental, urbana e pol\u00edtica que vivemos hoje. Essas quest\u00f5es demandam simultaneamente uma reorienta\u00e7\u00e3o das nossas visadas e pr\u00e1ticas cotidianas, a amplia\u00e7\u00e3o das nossas capacidades sens\u00edveis e o desconfinamento da nossa imagina\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria, projetual e urbana.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9, afinal, apenas \u00e0 vigil\u00e2ncia, \u00e0 domina\u00e7\u00e3o e\/ou ao bombardeamento que tem servido a vis\u00e3o a\u00e9rea, como lembra Didi-Huberman. O pr\u00f3prio \u00e2mbito do projeto se definiu fundamentalmente em arquitetura sob a perspectiva do olho alado albertiano, emblema do homem universal renascentista. Basta pensar no plano de Sforzinda, cidade ideal concebida por Filarete no s\u00e9culo XV. Ou, mais adiante, na <em>Ville Radieuse<\/em> de Le Corbusier (1924\u20131935). E, claro, \u00e9 tamb\u00e9m a perspectiva a\u00e9rea exacerbada e descorporificada que garante o sucesso do Google Maps e do Google Earth, ferramentas de visualiza\u00e7\u00e3o digital do planeta disponibilizadas gratuitamente na web a partir do in\u00edcio deste s\u00e9culo e usadas hoje de maneira indiscriminada por estudantes e profissionais da arquitetura como se espelhassem fidedignamente (e at\u00e9 substitu\u00edssem) um real insuspeito em que o projeto ir\u00e1 se instalar, e, quem sabe, se materializar.<\/p>\n\n\n\n<p>Em contraste, o \u201cpensar debru\u00e7ado\u201d corresponderia a um reencontro do projeto com uma dimens\u00e3o palp\u00e1vel do mundo, como consequ\u00eancia do abandono de uma visada de topo e de uma orienta\u00e7\u00e3o espacial objetiv\u00e1vel, ancorada em formas de conhecimento cient\u00edficas e coordenadas mensur\u00e1veis (por meio de sistemas geogr\u00e1ficos e\/ou geom\u00e9tricos), e sua substitui\u00e7\u00e3o pelo horizonte vacilante de um corpo que se debru\u00e7a.&nbsp; Um reencontro que pode tamb\u00e9m ser entendido, nos termos de Bruno Latour, como um \u201caterramento\/aterrissagem\u201d. Isto \u00e9, como movimento que se configura em contraponto aos processos de moderniza\u00e7\u00e3o\/globaliza\u00e7\u00e3o estabelecidos em oposi\u00e7\u00e3o a tudo que \u00e9 local, enraizado, vinculado a um ch\u00e3o\/solo. Aterrar-se \u00e9 cultivar uma pol\u00edtica do Terrestre, motivada pelo desejo de regenerar um plano comum arruinado pela l\u00f3gica destrutiva do petrocapitalismo \u2014 ancorada em grande parte na arquitetura, sem d\u00favida \u2014, e passa por responder com quem queremos estar\/compartilhar\/viver\/nos conectar neste momento vertiginoso em que \u201co solo desaba sob os p\u00e9s de todo mundo ao mesmo tempo\u201d<strong><sup>3<\/sup><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa ideia pode ser estendida para quem se agacha, fica de c\u00f3coras. Quem se agacha v\u00ea\/pensa diferente. E \u00e9 na posi\u00e7\u00e3o agachada que muitas culturas tradicionais encontram conforto, divertimento, realizam tarefas cotidianas e cerimoniais. Em v\u00e1rios povos ind\u00edgenas, \u00e9 de c\u00f3coras que a mulher prepara comida, faz o fogo, esculpe a cer\u00e2mica, tem filhos e at\u00e9 varre<strong><sup>4<\/sup><\/strong>. \u00c9 tamb\u00e9m de c\u00f3coras que os homens espreitam a ca\u00e7a, participam de reuni\u00f5es, exercem o xamanismo, descansam e aguardam o in\u00edcio de lutas como o huka-huka<strong><sup>5<\/sup><\/strong>. O agachamento provoca remodela\u00e7\u00f5es \u00f3sseas, faz com que o corpo se reorganize e se coloque numa outra rela\u00e7\u00e3o ps\u00edquica-sensorial-motora com tudo ao seu redor, experimentando a exist\u00eancia num compasso mais lento, de modo mais org\u00e2nico, sem os imperativos da for\u00e7a vertical nem a pressa do corpo ereto, numa rela\u00e7\u00e3o mais tel\u00farica com a vida. Na brincadeira e na dor<strong><sup>6<\/sup><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 muito a aprender com esse corpo que recusa a altivez da postura ereta e se entrega \u00e0 gravidade. Inclusive em termos arquitet\u00f4nicos. A pergunta seria como pensar\/projetar debru\u00e7ado\/agachado\/de c\u00f3coras?O que passa por considerar tanto o impacto que obras arquitet\u00f4nicas, urban\u00edsticas e paisag\u00edsticas t\u00eam ou podem ter sobre a qualidade do solo quanto por alinhar-se a perspectivas anticoloniais que lutam pela repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de povos silenciados e submetidos a deslocamentos compuls\u00f3rios, remo\u00e7\u00f5es for\u00e7adas e dispers\u00e3o. Essa pergunta, portanto, convida-nos a operar por meio de abordagens e procedimentos cr\u00edticos que reivindicam a ressignifica\u00e7\u00e3o do ch\u00e3o como pol\u00edtica de reterritorializa\u00e7\u00e3o e reapropria\u00e7\u00e3o de terras convertidas em propriedade, riqueza e soberania, na busca de restitu\u00ed-las a corpos que foram dela desgarrados \u00e0 for\u00e7a pela viol\u00eancia colonial, revertendo um hist\u00f3rico de expropria\u00e7\u00e3o radical cujos efeitos biopol\u00edticos e necropol\u00edticos assumiu contornos bem tang\u00edveis no Brasil com a pol\u00edtica de exterm\u00ednio escancarada pelo governo Bolsonaro (2019\u20132022). Um terr\u00edvel exemplo foi o recente esquema de desvio de vacinas contra Covid destinadas aos povos ind\u00edgenas para garimpeiros, em troca de ouro<strong><sup>7<\/sup><\/strong>. Dentro desse quadro, debru\u00e7ar-se\/agachar-se significa, antes de tudo, reafirmar a dimens\u00e3o memorial e indicial do ch\u00e3o como modo de resistir a uma pol\u00edtica sistem\u00e1tica de apagamento. Buscar vest\u00edgios de aldeamentos ancestrais mortificados pela viol\u00eancia do Estado e das l\u00f3gicas extrativistas, mape\u00e1-los, torn\u00e1-los vis\u00edveis e referi-los como base legal em processos jur\u00eddicos que exigem o reconhecimento de terras espoliadas atrav\u00e9s de pilhagens e viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos, como faz Paulo Tavares<strong><sup>8<\/sup><\/strong>. Debru\u00e7ar-se\/agachar-se, ent\u00e3o, como um movimento de repara\u00e7\u00e3o. Sendo o <em>reparar<\/em>, aqui, tomado na sua tripla acep\u00e7\u00e3o: como notar, detectar, reconhecer marcas e refer\u00eancias; retratar-se, ressarcir, compensar, mitigar ou amenizar injusti\u00e7as cometidas contra comunidades ou grupos sociais; e, por fim, estar atento, cuidar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, o pensar de c\u00f3coras pode ser entendido como um \u201cprojetar com o p\u00e9 no ch\u00e3o\u201d. Isto \u00e9, um projetar mais plenamente consciente do momento presente e em equil\u00edbrio com a energia tel\u00farica que emana do centro da Terra. Um projetar de quem tem os p\u00e9s nus, caminha \u00e0 vontade sobre a terra batida e se identifica com o que \u00e9 despojado de posses e ornamentos (sentido, ali\u00e1s, que est\u00e1 na origem da express\u00e3o \u201carquitetura ch\u00e3\u201d, cunhada pelo historiador norte-americano George Kubler para se referir \u00e0 sobriedade que caracteriza um conjunto de obras \u2014 em sua maior parte vern\u00e1culas \u2014 constru\u00eddas em Portugal entre os s\u00e9culos XVI e XVII, na contram\u00e3o dos excessos ornamentais da arquitetura manuelina).<\/p>\n\n\n\n<p>Projetar debru\u00e7ado, projetar agachado, com o p\u00e9 no ch\u00e3o, descal\u00e7o. O que se prop\u00f5e, de todo modo, \u00e9 um pensar-fazer arquitetura ligado a um cuidado com o ch\u00e3o, atento \u00e0s infinitas possibilidades de conex\u00e3o que nele se enra\u00edzam e dele brotam. Pensemos na imagem ancestral de p\u00e9s descal\u00e7os amassando a terra para produzir tijolos: o que pode ser mais pr\u00f3ximo de uma \u201cvis\u00e3o abrangente\u201d em arquitetura que um tal modo de pensar-fazer comprometido \u00e9tica e politicamente com aquilo que, por excel\u00eancia, <em>nos comuna<\/em> \u2014 i.e., o plano no qual estamos todos, humanos e n\u00e3o humanos, implicados; a dimens\u00e3o amea\u00e7ada, mas plena de sentidos concretos\/afetivos\/hist\u00f3ricos\/simb\u00f3licos\/culturais \u2014 e \u00e9 imprescind\u00edvel ao pr\u00f3prio sentido de orienta\u00e7\u00e3o humana, tornando poss\u00edvel a habitabilidade do planeta Terra? E ao mesmo tempo, com a cria\u00e7\u00e3o de um mundo comum, heterog\u00eaneo e n\u00e3o totaliz\u00e1vel (ou seja, sempre aberto a arranjos e rearranjos, composi\u00e7\u00f5es e recomposi\u00e7\u00f5es)?<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 certo que n\u00e3o seria preciso escavar a hist\u00f3ria da arquitetura para encontrar projetos e obras que mostram uma rela\u00e7\u00e3o forte com o ch\u00e3o, em diferentes escalas e contextos geopol\u00edticos e hist\u00f3rico-culturais. Poderiam ser inclu\u00eddas a\u00ed, por exemplo, tanto a Villa Adriana, em Tivoli, quanto a Piscina das Mar\u00e9s, em Le\u00e7a da Palmeira, de \u00c1lvaro Siza; tanto a Bas\u00edlica de San Clemente, em Roma, quanto a Sede do Partido Comunista Franc\u00eas, em Paris, de Oscar Niemeyer; o Robin Hood Gardens, de Alison e Peter Smithson, em Londres, ou o Lugar de la Memoria, de Barclay &amp; Crousse, em Lima, Peru. Bem como in\u00fameras obras vern\u00e1culas, como os arranha-c\u00e9us de adobe em Shibam, no I\u00eamen, e as malocas ind\u00edgenas erguidas sobre terra batida na regi\u00e3o amaz\u00f4nica. Do ponto de vista da rela\u00e7\u00e3o com o ch\u00e3o, essas obras mostram uma pluralidade de abordagens que se traduz nas \u201clinhas de agarramento\u201d de Siza<sup><strong>9<\/strong><\/sup>, nas <em>ground notations<\/em> dos Smithsons<strong><sup>10<\/sup><\/strong> e na materialidade dos edif\u00edcios de Shibam. Todas elas se definem, por\u00e9m, por procedimentos bastante distintos da eleva\u00e7\u00e3o da edifica\u00e7\u00e3o por meio de pilotis e avessos a alguns dos temas fundantes da arquitetura moderna; nomeadamente, o universalismo, a <em>t\u00e1bula rasa<\/em> e o objeto aut\u00f4nomo, a ser lido gestalticamente como figura sobre um fundo indistinto. Mas como a arquitetura \u2014 historicamente obcecada pelas alturas e consagrada ao excepcionalismo humano e urbano \u2014 pode <em>fazer o ch\u00e3o subir at\u00e9 n\u00f3s?<\/em> Em que medida o aproximar-se do ch\u00e3o pode contribuir para abrir novas abordagens arquitet\u00f4nicas nesse momento em que a habitabilidade do planeta se v\u00ea amea\u00e7ada, e a pr\u00f3pria arquitetura encontra-se numa crise profunda e sem precedentes? Que pensamentos, projetos e pr\u00e1ticas arquitet\u00f4nicas-urban\u00edsticas-paisag\u00edsticas podem contribuir para regenerar, fortalecer e mesmo fertilizar o ch\u00e3o, e assim tamb\u00e9m nos ajudar a superar uma vis\u00e3o sobrepujante e antropoc\u00eantrica de arquitetura que se mostra cada dia mais insustent\u00e1vel?<\/p>\n\n\n\n<p>Certamente n\u00e3o se trata apenas de instalar \u201ctetos verdes\u201d sobre os edif\u00edcios, sistemas de efici\u00eancia energ\u00e9tica, re\u00faso de \u00e1gua ou acessibilidade para portadores de necessidades especiais \u2014 tomados como moeda de troca dentro do rentoso mercado global dos \u201cselos de sustentabilidade\u201d. Basta tomar como exemplo o projeto de Santiago Calatrava para o Museu do Amanh\u00e3, celebrado como primeiro museu brasileiro a obter o selo ouro da certifica\u00e7\u00e3o LEED (<em>Leadership in Energy and Environmental Design<\/em>, um dos mais alardeados selos de constru\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel do mundo), a despeito de ser uma midi\u00e1tica e custosa estrutura de concreto instalada sobre as \u00e1guas podres da Ba\u00eda de Guanabara \u2014 cart\u00e3o postal do Rio de Janeiro e patrim\u00f4nio da humanidade pela ONU, cuja despolui\u00e7\u00e3o, alardeada como uma das principais metas ol\u00edmpicas dos jogos de 2016, nunca se cumpriu<strong><sup>11<\/sup><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Tampouco basta elevar a edifica\u00e7\u00e3o do ch\u00e3o, como faz o escrit\u00f3rio Andrade Morettin no novo campus do Instituto de Matem\u00e1tica Pura e Aplicada \/IMPA no Rio de Janeiro, que avan\u00e7a quase 10 mil m\u00b2 sobre o pouco que ainda resta da Mata Alt\u00e2ntica<strong><sup>12<\/sup><\/strong>. Ainda que esse mesmo projeto tenha sido destacado por seu suposto \u201cimpacto m\u00ednimo\u201d<sup><strong>13<\/strong><\/sup> numa das mais concorridas premia\u00e7\u00f5es internacionais de constru\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel (o Lafarge Holcim Awards, criado, ironicamente, por um dos maiores fabricantes mundiais de cimento, ou seja, por uma ind\u00fastria que encabe\u00e7a um dos ciclos de produ\u00e7\u00e3o mais danosos ao meio ambiente e estima-se que hoje responde, direta ou indiretamente, pela emiss\u00e3o da metade de todo o CO2 gerado por atividades humanas no planeta<strong><sup>14<\/sup><\/strong>).<\/p>\n\n\n\n<p>Sem d\u00favida, s\u00e3o outros os par\u00e2metros projetuais que orientam o tipo de abordagem que interessa aqui. Sua condi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica \u00e9 um \u201cpisar leve\u201d, de quem se move com suavidade, e sobretudo com cuidado, no planeta, num caminhar atento ao impacto das suas pr\u00f3prias pegadas e orientado n\u00e3o pelo \u00edmpeto de domina\u00e7\u00e3o, mas pela inten\u00e7\u00e3o de constru\u00e7\u00e3o\/reconstru\u00e7\u00e3o\/amplia\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios, comunidades simbi\u00f3ticas e rela\u00e7\u00f5es de afinidade e solidariedade. No \u00e2mbito projetual, isso constitui hoje um dos grandes desafios da arquitetura, o qual pode se traduzir por meio de diferentes estrat\u00e9gias operativas e envolver as mais variadas t\u00e9cnicas, mas certamente n\u00e3o se restringe aos pr\u00e9-requisitos fomentados pelo oportunismo dos assim chamados \u201cgreen buildings\u201d, nem pode ser medido numericamente segundo a l\u00f3gica competitiva do ranking das certifica\u00e7\u00f5es e selos de sustentabilidade. Cabe mais pensar em projetos sens\u00edveis ao toque entre o edif\u00edcio e o ch\u00e3o, e \u00e0s condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas do meio em que se situam e que manifestam um pensamento topogr\u00e1fico, evitando massivos movimentos de terra e altera\u00e7\u00f5es no len\u00e7ol fre\u00e1tico; que preocupam-se em construir paisagens e territ\u00f3rios, n\u00e3o objetos e imagens; op\u00f5em-se \u00e0 impermeabiliza\u00e7\u00e3o e \u00e0 pavimenta\u00e7\u00e3o extensiva, garantindo a permeabilidade e a porosidade do solo; combatem a desertifica\u00e7\u00e3o, contamina\u00e7\u00e3o e mortifica\u00e7\u00e3o do solo com a cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os livres e abertos \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o; valorizam a gest\u00e3o das cotas e o desenho ao r\u00e9s do ch\u00e3o, na escala do p\u00e9; imp\u00f5em limites ao desenho, considerando a espera como possibilidade e o n\u00e3o-fazer como estrat\u00e9gia ecopol\u00edtica; contrariam a l\u00f3gica da propriedade e do cercamento, buscando fomentar pr\u00e1ticas instituintes do comum; comprometem-se com a substitui\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis por fontes alternativas de energia; privilegiam materiais locais e reutiliz\u00e1veis e zelam pela redu\u00e7\u00e3o de res\u00edduos; e, por fim, apoiam-se em sistemas de produ\u00e7\u00e3o pautados pela equidade social e pela preserva\u00e7\u00e3o do ecossistema, em seus m\u00faltiplos componentes (socioculturais, econ\u00f4micos, t\u00e9cnicos e ecol\u00f3gicos).<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, poder\u00edamos dizer, projetos que <em>cuidam do ch\u00e3o<\/em>,assumindo mesmo a imprecis\u00e3o e a pluralidade de sentidos que o termo re\u00fane; que associam tecnologia avan\u00e7ada a p\u00e9 descal\u00e7o<strong><sup>15<\/sup><\/strong>, e n\u00e3o \u00e0 ret\u00f3rica do <em>high tech<\/em>; e que operam por pr\u00e1ticas situadas, enredadas, terrestres. Ou ainda, seguindo Luiz Rufino,que procuram<em> vibrar no tom do ch\u00e3o<sup><strong>16<\/strong><\/sup><\/em>,isto \u00e9, que o reconhecem, escutam e dignificam como dimens\u00e3o primordial da exist\u00eancia esse lugar onde m\u00faltiplos seres, corpos, for\u00e7as, escritas, l\u00e9xicos, l\u00f3gicas e pot\u00eancias se cruzam. Express\u00e3o ao mesmo tempo das rela\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia da di\u00e1spora negro-africana e de saberes ancestrais que seguem driblando o regime homogeneizador do colonialismo.<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>Modos de se debru\u00e7ar\/agachar<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Curiosamente, ainda que a arquitetura seja um agente decisivo tanto na constru\u00e7\u00e3o quanto na destrui\u00e7\u00e3o do ch\u00e3o, o campo arquitet\u00f4nico parece ainda pouco mobilizado para al\u00e9m de um conjunto de projetos e reflex\u00f5es em torno desse t\u00f3pico que tem se configurado basicamente em torno de algumas vertentes, dentro das quais distinguimos tr\u00eas (n\u00e3o contrapostas, mas em v\u00e1rios sentidos distintas): a reivindica\u00e7\u00e3o <em>lefebvriana<\/em> do direito \u00e0 cidade, que tende a associar o ch\u00e3o (<em>r\u00e9s-do-ch\u00e3o<\/em>) a espa\u00e7o p\u00fablico (<em>res-publica<\/em>); a revaloriza\u00e7\u00e3o da plataforma como suporte f\u00edsico arquet\u00edpico de car\u00e1ter pol\u00edtico, cuja cota elevada redefine rela\u00e7\u00f5es socioespaciais, segundo a genealogia delineada por Jorn Utzon; e a revis\u00e3o do conceito de paisagem, que p\u00f5e \u00eanfase em formas geomorfol\u00f3gicas resultantes da manipula\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o da superf\u00edcie do solo (garantidas, em grande parte, pela explora\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas digitais). A primeira, identificada com a libera\u00e7\u00e3o do t\u00e9rreo, tem no MASP \u2013 Museu de Arte de S\u00e3o Paulo &nbsp;(1961\u20121968), de Lina Bo Bardi, um marco emblem\u00e1tico tanto do ponto de vista t\u00e9cnico-arquitet\u00f4nico quanto pol\u00edtico-simb\u00f3lico<strong><sup>17<\/sup><\/strong>. A segunda \u00e9 identificada com a rede de playgrounds implantada por Aldo van Eyck, em Amsterdam (1947\u20131978), e, mais recentemente, com projetos como a Robson Square, em Vancouver (Arthur Erickson e Cornelia Oberlander, 1984), em que diferentes usos e rela\u00e7\u00f5es se organizam e s\u00e3o ativadas atrav\u00e9s de um sistema de degraus e diferen\u00e7as de n\u00edveis<sup><strong>18<\/strong><\/sup>. J\u00e1 a segunda, dentro da qual se sobressai em anos recentes o Porto internacional de Yokohama, do Foreign Office Architects (1995\u20122002) \u2014 e, antes dele, poder\u00edamos dizer, o Pavilh\u00e3o do Brasil em Osaka, de Paulo Mendes da Rocha (1970) \u2014, tende \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de topografias artificiais e arquiteturas geom\u00f3rficas, com apoio crescente do computador na modelagem de superf\u00edcies topol\u00f3gicas complexas que dissolvem a distin\u00e7\u00e3o entre figura e fundo e o car\u00e1ter objetual que caracteriza boa parte da arquitetura moderna<strong><sup>19<\/sup><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A formula\u00e7\u00e3o esbo\u00e7ada aqui indica, no entanto, que h\u00e1 muitos outros modos de projetar tendo em vista a rela\u00e7\u00e3o entre a arquitetura e o ch\u00e3o para os quais talvez estejamos ainda menos atentos, e nos quais se reconhece uma esp\u00e9cie de agachamento. Um bom exemplo s\u00e3o os fog\u00f5es (\u201cchula\u201d) concebidos por Yasmeen Lari para permitir que as mulheres paquistanesas sigam cozinhando de c\u00f3coras e ao ar livre, de acordo com suas tradi\u00e7\u00f5es ancestrais, por\u00e9m instaladas em plano elevado e, portanto, em condi\u00e7\u00f5es mais higi\u00eanicas e seguras de preparo, evitando uma s\u00e9rie de doen\u00e7as decorrentes da contamina\u00e7\u00e3o dos alimentos pelo contato direto com o ch\u00e3o. O projeto fez surgir milhares de estruturas de terra espalhadas pelo Paquist\u00e3o, alimentadas por combust\u00edveis naturais (res\u00edduos org\u00e2nicos, galhos ou serragem), constru\u00eddas e decoradas pelas pr\u00f3prias mulheres que as usam, ap\u00f3s receber treinamento em t\u00e9cnicas construtivas seculares. A mesma arquiteta vem se dedicando a v\u00e1rias outras iniciativas que associam cuidado com o ch\u00e3o \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o ambiental, baixo custo e engajamento comunit\u00e1rio em situa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas, dentro do que ela chama de \u201cArquitetura social de p\u00e9s descal\u00e7os\u201d (<em>Barefoot Social Architecture<\/em>\/BASA). \u00c9 bastante significativo, ali\u00e1s, como isso envolve uma autocr\u00edtica da sua pr\u00f3pria trajet\u00f3ria, marcada por projetos de edif\u00edcios de grande escala e fins lucrativos, com materiais industriais, altamente poluentes e muitas vezes importados, at\u00e9 que um terremoto devastador transformasse radicalmente sua abordagem de arquitetura: \u201cDescobri que andar sem sapatos nos ajuda a ter uma vida leve no planeta e a usar os recursos terrestres de maneira criteriosa\u201d<sup><strong>20<\/strong><\/sup> , diz Lari.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/pakistan-chulah-cookstove-yasmeen-lari-eco-cooking-extra_dezeen_hero1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4096\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/pakistan-chulah-cookstove-yasmeen-lari-eco-cooking-extra_dezeen_hero1.jpg 800w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/pakistan-chulah-cookstove-yasmeen-lari-eco-cooking-extra_dezeen_hero1-300x169.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/pakistan-chulah-cookstove-yasmeen-lari-eco-cooking-extra_dezeen_hero1-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>Yasmeen Lari. \u201cChulas\u201d (Fog\u00f5es ao ar livre). Foto publicada em dezeen, 5 de novembro de 2021 (\u201cEarthen stove by Yasmeen Lari lets women in rural Pakistan cook in eco-friendly way\u201d<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Outro caminho \u00e9 apontado pelo escrit\u00f3rio mineiro Vazio nas \u201cpalafitas de concreto\u201d do bairro de Buritis, em Belo Horizonte. Uma arquitetura ef\u00eamera, que converteu em espa\u00e7o apropri\u00e1vel coletivamente a estrutura residual resultante da esquizofr\u00eanica desconex\u00e3o entre arquitetura e topografia que caracteriza o bairro da cidade, erguido pelo mercado imobili\u00e1rio nos anos 1990. Basicamente, tratou-se de ativar o ch\u00e3o por meio da inser\u00e7\u00e3o, entre os pilares e vigas de concreto sob os edif\u00edcios, de um percurso piranesiano de passarelas, rampas e escadas, associado a um projeto paisag\u00edstico de recupera\u00e7\u00e3o ambiental, por meio da disposi\u00e7\u00e3o de caixas de madeira com capim e o recobrimento da encosta com tela de fibra de coco, num gigantesco manto de onde a vida come\u00e7ou a brotar.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"alignnormal\"><div id=\"metaslider-id-4103\" style=\"width: 100%; margin: 0 auto;\" class=\"ml-slider-3-20-3 metaslider metaslider-flex metaslider-4103 ml-slider\">\n    <div id=\"metaslider_container_4103\">\n        <div id=\"metaslider_4103\">\n            <ul aria-live=\"polite\" class=\"slides\">\n                <li style=\"display: block; width: 100%;\" class=\"slide-4127 ms-image\"><img width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-1_Bairro-Buritis-3.jpg\" class=\"slider-4103 slide-4127\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"Fig 1_Bairro Buritis 3\" style=\"margin: 0 auto; width: 88.380952380952%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-1_Bairro-Buritis-3.jpg 800w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-1_Bairro-Buritis-3-300x225.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-1_Bairro-Buritis-3-768x576.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-1_Bairro-Buritis-3-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\">Projeto de Carlos M. Teixeira e Louise Ganz, Amn\u00e9sias Topogr\u00e1ficas II, Belo Horizonte, 2004\u20132005. Fotos: CMT. Cortesia Estudio Vazio.<\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-4128 ms-image\"><img width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-2_IMG_20170413_105211197-ok.jpg\" class=\"slider-4103 slide-4128\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"Fig 2_IMG_20170413_105211197 ok\" style=\"margin: 0 auto; width: 88.380952380952%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-2_IMG_20170413_105211197-ok.jpg 800w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-2_IMG_20170413_105211197-ok-300x225.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-2_IMG_20170413_105211197-ok-768x576.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-2_IMG_20170413_105211197-ok-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\">Projeto de Carlos M. Teixeira e Louise Ganz, Amn\u00e9sias Topogr\u00e1ficas II, Belo Horizonte, 2004\u20132005. Fotos: CMT. Cortesia Estudio Vazio.<\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-4129 ms-image\"><img width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-3_vazio-sa_at-ii-paisagismo_foto_08_carlos-teixeira.jpg\" class=\"slider-4103 slide-4129\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"Fig 3_vazio-sa_at-ii-paisagismo_foto_08_carlos-teixeira\" style=\"margin: 0 auto; width: 88.380952380952%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-3_vazio-sa_at-ii-paisagismo_foto_08_carlos-teixeira.jpg 800w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-3_vazio-sa_at-ii-paisagismo_foto_08_carlos-teixeira-300x225.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-3_vazio-sa_at-ii-paisagismo_foto_08_carlos-teixeira-768x576.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-3_vazio-sa_at-ii-paisagismo_foto_08_carlos-teixeira-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\">Projeto de Carlos M. Teixeira e Louise Ganz, Amn\u00e9sias Topogr\u00e1ficas II, Belo Horizonte, 2004\u20132005. Fotos: CMT. Cortesia Estudio Vazio.<\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-4130 ms-image\"><img width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-5_vazio-sa_at-ii-paisagismo_foto_07_carlos-teixeira.jpg\" class=\"slider-4103 slide-4130\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"Fig 5_vazio-sa_at-ii-paisagismo_foto_07_carlos-teixeira\" style=\"margin: 0 auto; width: 88.380952380952%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-5_vazio-sa_at-ii-paisagismo_foto_07_carlos-teixeira.jpg 800w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-5_vazio-sa_at-ii-paisagismo_foto_07_carlos-teixeira-300x225.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-5_vazio-sa_at-ii-paisagismo_foto_07_carlos-teixeira-768x576.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-5_vazio-sa_at-ii-paisagismo_foto_07_carlos-teixeira-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\">Projeto de Carlos M. Teixeira e Louise Ganz, Amn\u00e9sias Topogr\u00e1ficas II, Belo Horizonte, 2004\u20132005. Fotos: CMT. Cortesia Estudio Vazio.<\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-4126 ms-image\"><img width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-6_vazio-sa_at-ii-paisagismo_foto_09_carlos-teixeira.jpg\" class=\"slider-4103 slide-4126\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"Fig 6_vazio-sa_at-ii-paisagismo_foto_09_carlos-teixeira\" style=\"margin: 0 auto; width: 88.380952380952%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-6_vazio-sa_at-ii-paisagismo_foto_09_carlos-teixeira.jpg 800w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-6_vazio-sa_at-ii-paisagismo_foto_09_carlos-teixeira-300x225.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-6_vazio-sa_at-ii-paisagismo_foto_09_carlos-teixeira-768x576.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Fig-6_vazio-sa_at-ii-paisagismo_foto_09_carlos-teixeira-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\">Projeto de Carlos M. Teixeira e Louise Ganz, Amn\u00e9sias Topogr\u00e1ficas II, Belo Horizonte, 2004\u20132005. Fotos: CMT. Cortesia Estudio Vazio.<\/div><\/div><\/li>\n            <\/ul>\n        <\/div>\n        \n    <\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p>Poder\u00edamos lembrar tamb\u00e9m do Pavilh\u00e3o Humanidade, de Carla Jua\u00e7aba, para a Rio + 20, que se inscreve numa vertente que corresponde \u00e0 opera\u00e7\u00e3o de eleva\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 \u00fanico ao \u201cpisar no ch\u00e3o\u201d de modo t\u00e3o radical (com sete mil apoios que usam uma estrutura preexistente e deixam o solo intacto, embora o pavilh\u00e3o pese 500 toneladas, inclua um audit\u00f3rio para 500 pessoas e tenha recebido mais de 100 mil pessoas em duas semanas de dura\u00e7\u00e3o). Desse modo, o Pavilh\u00e3o realiza uma suspens\u00e3o menos aparentada com o MASP que com a arquitetura de uma sentinela do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra): sem funda\u00e7\u00e3o, sem qualquer tipo de terraplenagem, e pronta para partir a qualquer momento, por meio de uma rela\u00e7\u00e3o com o ch\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 da ordem da for\u00e7a nem do dom\u00ednio, mas da reciprocidade. Aquela reciprocidade intr\u00ednseca ao toque, da a\u00e7\u00e3o m\u00fatua entre tocante e tocado.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"alignnormal\"><div id=\"metaslider-id-4138\" style=\"width: 100%; margin: 0 auto;\" class=\"ml-slider-3-20-3 metaslider metaslider-flex metaslider-4138 ml-slider\">\n    <div id=\"metaslider_container_4138\">\n        <div id=\"metaslider_4138\">\n            <ul aria-live=\"polite\" class=\"slides\">\n                <li style=\"display: block; width: 100%;\" class=\"slide-4143 ms-image\"><img width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Thais.Aquino_foto.livro_.apoio_1.jpg\" class=\"slider-4138 slide-4143\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"Tha\u00eds.Aquino_foto.livro.apoio_1\" style=\"margin: 0 auto; width: 88.380952380952%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Thais.Aquino_foto.livro_.apoio_1.jpg 800w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Thais.Aquino_foto.livro_.apoio_1-300x225.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Thais.Aquino_foto.livro_.apoio_1-768x576.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Thais.Aquino_foto.livro_.apoio_1-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\">Carla Jua\u00e7aba. Pavilh\u00e3o Humanidade, Rio + 20. Foto: Thais Aquino<\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-4144 ms-image\"><img width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Thais.Aquino_foto.livro_.apoio_2.jpg\" class=\"slider-4138 slide-4144\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"Tha\u00eds.Aquino_foto.livro.apoio_2]\" style=\"margin: 0 auto; width: 88.380952380952%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Thais.Aquino_foto.livro_.apoio_2.jpg 800w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Thais.Aquino_foto.livro_.apoio_2-300x225.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Thais.Aquino_foto.livro_.apoio_2-768x576.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Thais.Aquino_foto.livro_.apoio_2-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\">Carla Jua\u00e7aba. Pavilh\u00e3o Humanidade, Rio + 20. Foto: Thais Aquino<\/div><\/div><\/li>\n            <\/ul>\n        <\/div>\n        \n    <\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p>S\u00e3o arquiteturas que, de algum modo, respondem ao chamado de Ailton Krenak para \u201cpisar suavemente sobre o ch\u00e3o\u201d<strong><sup>21<\/sup><\/strong>, e talvez apontem para a possibilidade de pensar uma <em>gaiarquitetura<\/em>, i.e., uma arquitetura orientada geopoliticamente que se preocupa com seu impacto sobre o planeta (sua \u201cpegada\u201d), sem cair na ret\u00f3rica da sustentabilidade e do capitalismo verde. Uma arquitetura que contraria a ordem da \u201cpavimenta\u00e7\u00e3o expansiva\u201d do planeta e o desenraizamento dos processos de moderniza\u00e7\u00e3o\/globaliza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de projetos que se vinculam ao ch\u00e3o e buscam cultiv\u00e1-lo, ativ\u00e1-lo, fertiliz\u00e1-lo, fortalec\u00ea-lo e regener\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"316\" height=\"562\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Broto-de-tucuma.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4147\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Broto-de-tucuma.jpg 316w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/Broto-de-tucuma-169x300.jpg 169w\" sizes=\"(max-width: 316px) 100vw, 316px\" \/><figcaption>O pequeno Takw\u00e3j&nbsp;projeta uma futura capoeira com os p\u00e9s e as m\u00e3os no ch\u00e3o, na altura de um broto de tucum\u00e3zeiro (Aldeia Kasingary, Terra Ind\u00edgena Zo&#8217;\u00e9).&nbsp;Foto: Leonardo Viana Braga\/Iep\u00e9 (<em>In:<\/em> BRAGA, Leonardo. <em>Eremi\u2019u rupa<\/em>: Abrindo ro\u00e7as, 2021, p. 156).<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Uma esp\u00e9cie de pensar-fazer debru\u00e7ado-agachado encontramos tamb\u00e9m no trabalho realizado pelo artista e ativista ind\u00edgena Denilson Baniwa na Pinacoteca de S\u00e3o Paulo<strong><sup>22<\/sup><\/strong> \u2014 uma das principais institui\u00e7\u00f5es museogr\u00e1ficas do pa\u00eds, abrigada pela arquitetura autoral e internacionalmente celebrada de Paulo Mendes da Rocha. O trabalho consistiu no plantio de um pequeno jardim de flores, ervas medicinais e pimenteiras nas frestas das pedras que pavimentam o acesso principal e estacionamento da Pinacoteca, e s\u00f3 foi mantido por algumas semanas gra\u00e7as a uma rede de pessoas que se revezaram, voluntariamente, para molhar e cuidar das plantas. A semeadura foi realizada no auge da pandemia, exatos dois anos ap\u00f3s o inc\u00eandio do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, ter consumido um acervo composto por pe\u00e7as de centenas de povos ind\u00edgenas. Abriu-se, assim, um di\u00e1logo cr\u00edtico entre mundos: o mundo invis\u00edvel e metaf\u00edsico dos povos Baniwa e o mundo concreto e vis\u00edvel da cidade; o mundo ind\u00edgena e o das institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o ind\u00edgenas; a efemeridade do jardim e a pretens\u00e3o \u00e0 eternidade da arquitetura.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"alignnormal\"><div id=\"metaslider-id-4137\" style=\"width: 100%; margin: 0 auto;\" class=\"ml-slider-3-20-3 metaslider metaslider-flex metaslider-4137 ml-slider\">\n    <div id=\"metaslider_container_4137\">\n        <div id=\"metaslider_4137\">\n            <ul aria-live=\"polite\" class=\"slides\">\n                <li style=\"display: block; width: 100%;\" class=\"slide-4158 ms-image\"><img width=\"1000\" height=\"667\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/26DE1.jpg\" class=\"slider-4137 slide-4158\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"31 10 2020 Abertura Vechoa: N\u00f3s sabemos\" style=\"margin: 0 auto; width: 99.378881987578%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/26DE1.jpg 1000w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/26DE1-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/26DE1-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\">Denilson Baniwa. Interven\u00e7\u00e3o. <em>Nada que \u00e9 dourado permanece,<\/em> 2020. Foto: Pinacoteca de S\u00e3o Paulo \u2013 Levi Fanan. Cortesia: Denilson Baniwa<\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-4159 ms-image\"><img width=\"1000\" height=\"667\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/27DE1.jpg\" class=\"slider-4137 slide-4159\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"31 10 2020 Abertura Vechoa: N\u00f3s sabemos\" style=\"margin: 0 auto; width: 99.378881987578%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/27DE1.jpg 1000w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/27DE1-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/27DE1-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\">Denilson Baniwa. Interven\u00e7\u00e3o. <em>Nada que \u00e9 dourado permanece,<\/em> 2020. Foto: Pinacoteca de S\u00e3o Paulo \u2013 Levi Fanan. Cortesia: Denilson Baniwa<\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-4157 ms-image\"><img width=\"1000\" height=\"667\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/28PA1.jpg\" class=\"slider-4137 slide-4157\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"31 10 2020 Abertura Vechoa: N\u00f3s sabemos\" style=\"margin: 0 auto; width: 99.378881987578%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/28PA1.jpg 1000w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/28PA1-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/09\/28PA1-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\">Denilson Baniwa. Interven\u00e7\u00e3o. <em>Nada que \u00e9 dourado permanece,<\/em> 2020. Foto: Pinacoteca de S\u00e3o Paulo \u2013 Levi Fanan. Cortesia: Denilson Baniwa<\/div><\/div><\/li>\n            <\/ul>\n        <\/div>\n        \n    <\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p>O trabalho se definiu, assim, como uma provoca\u00e7\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es estatais que definem, por exclus\u00e3o, o que \u00e9 arte, cultura, patrim\u00f4nio. E, ao mesmo tempo, p\u00f4s em quest\u00e3o uma arquitetura fortemente autoral e can\u00f4nica, como que revertendo o pacto f\u00e1ustico de um projeto modernizador que levou o personagem goethiano a esburacar violentamente o ch\u00e3o no af\u00e3 de construir mais e mais edif\u00edcios e cidades. O que fica desse jardim \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o de arquitetura: porque a tecnologia avan\u00e7ada a\u00ed certamente n\u00e3o \u00e9 a do v\u00e3o, do concreto, do a\u00e7o, do excepcionalismo humano, mas a do p\u00e9 descal\u00e7o e do corpo agachado<em>. <\/em>E isso basta para nos lembrar como os nossos menores gestos podem ser decisivos: para a constru\u00e7\u00e3o, a destrui\u00e7\u00e3o ou a regenera\u00e7\u00e3o do ch\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cProjetar agachado\u201d foi originalmente publicado no livro <\/em>Sentidos de ch\u00e3o<em> org. Ana Luiza Nobre e Caio Calafate. Rio de Janeiro: Rio Books, 2022 e atualizado para esta publica\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">***<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Ana Luiza Nobre<\/em><\/strong> \u00e9 arquiteta, historiadora e professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Rio e coautora do Atlas do Ch\u00e3o (<a href=\"http:\/\/atlasdochao.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">atlasdochao.org<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><sup><strong>1<\/strong><\/sup> \u201cUm engenheiro ou um fazendeiro que faz um corte na terra pode tanto cultiv\u00e1-la quanto devast\u00e1-la.\u201d Smithson, Robert. \u201cFrederick Law Olmstead and the dialectical landscape\u201d. <em>In<\/em>: FLAM, Jack (org). <em>Robert Smithson. The Collected Writings.<\/em> Berkeley: University of California Press, 1996, p. 157-171, p. 164. (Tradu\u00e7\u00e3o livre da autora)<\/p>\n\n\n\n<p><sup><strong>2<\/strong><\/sup> DID-HUBERMAN, Georges. <em>Pensar debru\u00e7ado<\/em>. Lisboa: KKYM, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p><sup><strong>3 <\/strong><\/sup>LATOUR, Bruno. <em>Onde aterrar? <\/em>Como se orientar politicamente no Antropoceno. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020, p. 17.<\/p>\n\n\n\n<p><sup><strong>4<\/strong><\/sup> Como mostra o filme <em>As mulheres das c\u00f3coras<\/em>, realizado na aldeia Assurin\u00ed do Xingu, por Graziela Rodrigues e Regina P. M\u00fcller. Dispon\u00edvel em: <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=SinFo62gNDE\" target=\"_blank\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=SinFo62gNDE<\/a>. Acesso em: 12 out. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p><sup><strong>5<\/strong><\/sup> ALVIM, Marilia Carvalho de Mello; UCH\u00d4A, Dorath Pinto. \u201cEfeitos do h\u00e1bito de c\u00f3coras no t\u00e1lus e na t\u00edbia de ind\u00edgenas pr\u00e9-hist\u00f3ricos e de um grupo atual do Brasil\u201d. <em>Rev. do Museu de Arqueologia e Etnologia<\/em>, S\u00e3o Paulo, v. 3, p. 35-53, 1993. Dispon\u00edvel em: <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.revistas.usp.br\/revmae\/article\/view\/109159\" target=\"_blank\">https:\/\/www.revistas.usp.br\/revmae\/article\/view\/109159<\/a>. Acesso em: 12 out. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p><sup><strong>6<\/strong><\/sup>  Ver, por um lado, o belo estudo dos brinquedos e brincadeiras infantis com terra de Gandhy Piorski (PIORSKI, Gandy. <em>Brinquedos do ch\u00e3o: <\/em>a natureza, o imagin\u00e1rio e o brincar<em>.<\/em> S\u00e3o Paulo: Peir\u00f3polis, 2016). E, por outro, a cerim\u00f4nia f\u00fanebre conduzida por Davi Kopenawa e outras xam\u00e3s yanomami em 2015, em que mais de duas mil amostras de sangue coletadas sem consentimento na d\u00e9cada de 1960 por pesquisadores da Universidade da Pennsylvania e usadas em laborat\u00f3rios norte-americanos para pesquisas gen\u00e9ticas, foram abertas uma a uma e derramadas num buraco na terra (Dispon\u00edvel em: &nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.survivalbrasil.org\/ultimas-noticias\/10739\" target=\"_blank\">https:\/\/www.survivalbrasil.org\/ultimas-noticias\/10739<\/a>. Acesso em: 12 out. 2021).<\/p>\n\n\n\n<p><sup><strong>7<\/strong><\/sup> Conforme apurado pela Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito\/CPI da Covid, instalada em abril de 2021. Ver: \u201cDocumento na CPI da Covid aponta troca de vacinas contra Covid por ouro em terras ind\u00edgenas\u201d. Folha de S\u00e3o Paulo, 07 jun. 2021. Dispon\u00edvel em: <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2021\/06\/documento-na-cpi-da-covid-aponta-troca-de-vacinas-por-ouro-em-terras-indigenas.shtml\" target=\"_blank\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2021\/06\/documento-na-cpi-da-covid-aponta-troca-de-vacinas-por-ouro-em-terras-indigenas.shtml<\/a>. Acesso em: 09 jun. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p><sup><strong>8<\/strong><\/sup> Ver, em especial, a expropria\u00e7\u00e3o de terras do povo Xavante pelo governo militar brasileiro na d\u00e9cada de 1960, a fim de fomentar um modelo de desenvolvimento econ\u00f4mico comprometido com grandes empreendimentos agropecu\u00e1rios e obras de infraestrutura. <em>In<\/em>: TAVARES, Paulo. <em>Mem\u00f3ria da Terra. <\/em>Bras\u00edlia: Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p><sup><strong>9<\/strong><\/sup> Express\u00e3o usada pelo arquiteto \u00c1lvaro Siza em refer\u00eancia ao seu processo projetual na Piscina das Mar\u00e9s no document\u00e1rio <em>\u00c1lvaro Siza, Obras e Projetos<\/em>, dirigido por Lu\u00eds Ferreira Alves e V\u00edtor Bilhete, em 2001.<\/p>\n\n\n\n<p><sup><strong>10<\/strong><\/sup> Para um estudo aprofundado das estrat\u00e9gias de enraizamento dos Smithsons em contraposi\u00e7\u00e3o ao car\u00e1ter objetual predominante na arquitetura modernista, ver: CASINO, David. \u201cT\u00e1ticas de configura\u00e7\u00e3o do plano do ch\u00e3o: Alison &amp; Peter Smithson\u201d. <em>In<\/em>: NOBRE, Ana Luiza; CALAFATE, Caio. <em>Sentidos do ch\u00e3o<\/em>. Rio de Janeiro: Comum, 2022. p. 91-108. Dispon\u00edvel em: atlasdochao.org\/mat\u00e9ria. Acesso em: 23 abr. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p><sup><strong>11<\/strong><\/sup> Estima-se que a Ba\u00eda de Guanabara receba 18 mil litros de esgoto n\u00e3o tratado por segundo, e 90 toneladas di\u00e1rias de lixo. Sua despolui\u00e7\u00e3o, prometida como um dos principais legados ol\u00edmpicos, foi decisiva na candidatura do Rio de Janeiro como sede dos Jogos, ap\u00f3s o fracasso de sucessivos programas visando sua recupera\u00e7\u00e3o socioambiental. A promessa n\u00e3o se cumpriu, por\u00e9m, e durante os Jogos Rio 2016 foram adotadas apenas medidas paliativas, como ecobarreiras instaladas na foz dos rios. Ver: ALENCAR, Emanuel. <em>Ba\u00eda de Guanabara. <\/em>Descaso e resist\u00eancia<em>.<\/em> Rio de Janeiro: M\u00f3rula, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><sup>12<\/sup><\/strong> Segundo dados da Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica, a \u00e1rea coberta pela floresta equivale hoje a 12,4% de sua vegeta\u00e7\u00e3o original, tendo o desmatamento mais que dobrado no Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul e ultrapassado 400% em S\u00e3o Paulo e Esp\u00edrito Santo entre 2019 e 2020. Ver: Atlas da Mata Atl\u00e2ntica. Dispon\u00edvel em: <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/mapas.sosma.org.br\/\" target=\"_blank\">http:\/\/mapas.sosma.org.br\/<\/a>. Acesso em: 17 out. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><sup><strong>13<\/strong><\/sup> Ver: <a href=\"https:\/\/www.lafargeholcim.com.br\/onde-operamos\">https:\/\/www.lafargeholcim.com.br\/onde-operamos<\/a>. O impacto da obra, no entanto, tem sido questionado por entidades ambientais e provocou um abaixo-assinado assinado por 2387 pessoas at\u00e9 17 de outubro de 2021. Dispon\u00edvel em: <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/secure.avaaz.org\/community_petitions\/po\/ministerio_publico_prefeitura_do_rio_de_janeiro_im_nao_ao_impa_na_barao\/\" target=\"_blank\">\/ministerio_publico_prefeitura_do_rio_de_janeiro_im_nao_ao_impa_na_barao\/<\/a>. Acesso em: 17 out. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p><sup><strong>14<\/strong><\/sup> Cf. CAN\u00c7ADO, Wellington. Desconstru\u00e7\u00e3o civil. <em>Piseagrama<\/em>, Belo Horizonte, n. 10, p. 106.<\/p>\n\n\n\n<p><sup><strong>15<\/strong><\/sup> Conforme apontado por Renata Marquez em banca de doutoramento de Gabriel Teixeira Ramos, \u201cMapas-movimentos: narrativas de deslocamentos urbanos por meio de (outros) funcionamentos de sistemas cartogr\u00e1ficos\u201d, Instituto de Arquitetura e Urbanismo, USP, 25 jun. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p><sup><strong>16<\/strong><\/sup> Express\u00e3o usada por Luiz Rufino ao tratar das encruzilhadas no Ciclo de Encontros \u201cSentidos do ch\u00e3o\u201d, DAU\/PUC-Rio, 06 maio 2021.<\/p>\n\n\n\n<p><sup><strong>17<\/strong><\/sup> Ver: NOBRE, Ana Luiza. \u201cGround as Project\u201d. <em>In<\/em>: LEPIK, Andres; TALESNIK, Daniel. <em>Access for all<\/em>. S\u00e3o Paulo&#8217;s architectural infrastructures<em>.<\/em> Zurique, Sui\u00e7a: Park Books, 2019, p. 90-93.<\/p>\n\n\n\n<p><sup><strong>18<\/strong><\/sup> Ver: AURELI, Pier Vittorio; TATTARA, Martino. \u201cPlatforms: Architecture and the use of ground\u201d (Dispon\u00edvel em: <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.e-flux.com\/architecture\/conditions\/287876\/platforms-architecture-and-the-use-of-the-ground\/\" target=\"_blank\">https:\/\/www.e-flux.com\/architecture\/conditions\/287876\/platforms-architecture-and-the-use-of-the-ground\/<\/a>) e palestra de Pier Vittorio Aureli sobre o tema na Escola Polit\u00e9cnica Federal de Lausanne, em 16 set. 2020 (Dispon\u00edvel em: <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/planlibre.ch\/platforms-architecture-and-the-use-of-the-ground-pier-vittorio-aureli-16-09-2020\/\" target=\"_blank\">https:\/\/planlibre.ch\/platforms-architecture-and-the-use-of-the-ground-pier-vittorio-aureli-16-09-2020\/<\/a>. Acesso em: 17 out. 2021)<\/p>\n\n\n\n<p><sup><strong>19<\/strong><\/sup> Ver: ALLEN, Stan, MAQUADE, Marc (ed). <em>Landform Building.<\/em> Architecture&#8217;s New Terrain<em>.<\/em> Baden: Lars M\u00fcller Publishers, 2011; PERRAULT, Dominique. <em>Groundscapes<\/em>. Other topographies. Orleans: Hyx, 2016. E a edi\u00e7\u00e3o especial da revista <em>Quaderns <\/em>220, \u201cDel Suelo\u201d, com textos de Alejandro Zaera-Polo, Manuel Gausa e outros.<\/p>\n\n\n\n<p><sup><strong>20<\/strong><\/sup> Palestra de Yasmeen Lari no TEDx Talk, em 15 out. 2020 (Dispon\u00edvel em: <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=NAWdvYgHMXs\" target=\"_blank\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=NAWdvYgHMXs<\/a>). Ver tamb\u00e9m 100 Day Studio, organizada pela The Architecture Foundation em 06 ago. 2021 (Dispon\u00edvel em: <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=0JZKiJQais0\" target=\"_blank\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=0JZKiJQais0<\/a>. Acesso em: 12 out. 2021)<\/p>\n\n\n\n<p><sup><strong>21<\/strong><\/sup> \u201cO tempo para respeitar a Terra acabou\u201d. Entrevista de Ailton Krenak a Keila Bis, em 15 maio 2020. Dispon\u00edvel em: <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/yam.com.vc\/sabedoria\/775794\/ailton-krenak-o-tempo-para-respeitar-a-terra-acabou\" target=\"_blank\">https:\/\/yam.com.vc\/sabedoria\/775794\/ailton-krenak-o-tempo-para-respeitar-a-terra-acabou<\/a>. Acesso em: 06 set. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p><sup><strong>22<\/strong><\/sup> \u201cHilo\u201d, parte do trabalho intitulado \u201cNada do que \u00e9 dourado permanece\u201d, foi realizado no contexto da exposi\u00e7\u00e3o coletiva \u201cV\u00e9xoa: n\u00f3s sabemos\u201d, apresentada na Pinacoteca de S\u00e3o Paulo, com curadoria de Naine Terena, entre outubro de 2020 e mar\u00e7o de 2021.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Projetar agachado Ana Luiza Nobre The farmer or engineer who cuts into the land can either cultivate it or devastate it.1 Robert Smithson Um homem fatigado se abaixa para tirar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3796"}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3796"}],"version-history":[{"count":64,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3796\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6331,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3796\/revisions\/6331"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/7\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3796"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}