
Biodiversidade e os direitos da natureza
Entrevista com Mika Peck
Por Susan Thomson
O trabalho de Mika Peck é dedicado à conservação ambiental por meio de pesquisa científica e ações de conservação de base. Seu foco científico está no desenvolvimento de novas ferramentas para monitorar o estado de diversos ecossistemas, desde florestas tropicais e recifes até florestas de algas marinhas no Reino Unido. A ciência é integrada a abordagens comunitárias para explorar oportunidades de meios de subsistência sustentáveis em hotspots de biodiversidade na América do Sul, Sudeste Asiático e Reino Unido. Em 2022, Peck fundou a organização sem fins lucrativos Ecoforensic CIC, com o intuito de apoiar comunidades, áreas protegidas e territórios indígenas na coleta de informações para proteger ecossistemas sob a legislação emergente de Direitos da Natureza.
Com a firme convicção de que os biólogos da conservação devem ser avaliados por seu impacto na proteção da biodiversidade, além de seu conhecimento acadêmico, ele estabeleceu a Reserva Tesoro Escondido no noroeste do Equador. A reserva foi criada para resgatar um dos vinte primatas mais ameaçados de extinção: o macaco-aranha-de-cabeça-marrom. Usando uma abordagem científica que envolve as comunidades locais, conhecida como modelo paraecologista (paraecologist model), a reserva agora protege a última população saudável da espécie. Essa abordagem também foi aplicada a uma reserva comunitária nas montanhas equatorianas, gerando uma renda sustentável para a comunidade da Reserva Florestal Nublada de Santa Lúcia por meio de pesquisa e educação.
Em Papua-Nova Guiné, Mika trabalha com a Comunidade Wanang e o Centro de Pesquisa Bintang, buscando meios de subsistência alternativos à exploração madeireira e observando as interações entre a saúde humana e as atividades de conservação. O modelo paraecologista está atualmente sendo investigado também como uma ferramenta para permitir que as comunidades locais gerenciem de forma sustentável os recifes de corais em Papua Ocidental, na Indonésia. Mais perto de sua base no Reino Unido, Mika lidera o monitoramento biológico do Projeto de Restauração de Algas Marinhas de Sussex, que visa restaurar o ambiente marinho costeiro após a proibição dos arrastões em 2021.
Mika foi entrevistado como parte da residência artística de Susan Thomson com o Instituto Mesa em 2022, que contou com o apoio internacional do Programa Plural do British Council. Durante a residência, Susan realizou o curta-metragem Tybyra e o Arlequim. Trechos da entrevista de Mika aparecem em seu filme e foram publicados na íntegra aqui, especialmente para a Revista Mesa. A rica entrevista aborda tópicos como os direitos da natureza, paraecologia, ecoforense e a história do sapo-arlequim que interrompeu uma operação de mineração no Equador.
Somos imensamente gratos a Mika Peck e Susan Thomson pelo tempo dedicado e pela entrevista atenciosa. Agradecimentos especiais a Rodolfo Rizzo, da Maçã Verde Filmes, pela edição, e ao British Council, pelo apoio fundamental.
Para saber mais sobre Mika Peck e acessar os links de seus projetos:
https://profiles.sussex.ac.uk/p76093-mika-peck


