Nº7 Corpo chão coração
Olho seco. Série de podcast por Jorge Menna Barreto. Episódio 3. Projeto gráfico: Joe Buggilla

Olho Seco_episódio 3

Jorge Menna Barreto

A série de podcast Olho Seco é uma jornada sonora e sensível que conecta nossos olhos ao planeta em tempos de crise climática. Em três episódios, o artista e pesquisador Jorge Menna Barreto, por meio da ciência, da literatura e das artes visuais, nos convida a escutar de olhos fechados e a repensar nossa visão sobre o mundo. Da síndrome do olho seco à aridificação dos ecossistemas, da poesia de João Cabral de Melo Neto a obras de artistas visuais que exploram o invisível, a série revela como o “seco” pode ser um modo de ver, sentir e responder à emergência socioambiental. Entre lágrimas, chuvas, memórias, versos e imagens não-retinianas, Olho Seco propõe reidratar a percepção e reaprender a olhar — com a visão, a escuta, a memória e a imaginação — para quiçá revigorar nossa capacidade de resposta à atual crise ambiental.

Episódio 3:

No terceiro e último episódio de Olho Seco, nossa investigação sobre o olhar e a aridez se volta às artes visuais, guiada pela obra do artista Antonio Dias, em diálogo com as palavras de João Cabral de Melo Neto. Acompanhados da voz da poeta Sophia Faustino, mergulhamos no universo seco e cortante de Dias, em especial na obra Keep dry my eyes (1968), desdobrada nas reflexões de Iole de Freitas, que compartilha sua experiência próxima com o artista, e da curadora Érica Burini, que recentemente pesquisou sua produção. Exploramos como a aridez se manifesta como método, linguagem e tema, aproximando-se da noção de imagem não-retiniana evocada pela crítica de arte conceitual. Ao mesmo tempo, Cris Freire nos conduz por sua trajetória no Museu de Arte Contemporânea da USP até sua atual dedicação à agroecologia no Sítio Jatobá, mostrando como atenção e cuidado são eixos que atravessam tanto a arte quanto a natureza. O episódio também se abre para o olhar da artista Letícia Ramos, que investiga modos de ver o invisível por meio da ciência popular e de dispositivos ópticos inventados, e para a curadoria de Júlia Rebouças, que nos convida a pensar palavras como “sertão” enquanto imagens insurgentes e abertas a múltiplos futuros. Entre cortes, retiradas e desertos, este episódio pergunta como a arte pode ser uma aliada para repensarmos o colapso ambiental, ao propor novas formas de ver, sentir e comover.

Acesse o podcast aqui: [link do 3º episódio]

O roteiro pode ser acessado aqui: [PDF 3º episódio]

Ficha técnica

Olho seco é uma criação de Jorge Menna Barreto, com apoio do Instituto Mesa. O apoio financeiro é da Universidade de Califórnia, Santa Cruz, nos Estados Unidos.

A coordenação é de Karina Sérgio Gomes.
Sophia Faustino é nossa auxiliar de pesquisa.
Karina, Sophia e Jorge assinam o roteiro deste episódio.
A paisagem sonora, a mixagem de som e a montagem são de Bruno Bonaventure para Sound
Design.
O projeto gráfico é de Joe Buggilla.
Revisão e checagem são de Gabriela Erbetta.

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A prática de Jorge Menna Barreto investiga o site-specificity como uma relação em constante transformação entre arte, ecologia e linguagem. Seu trabalho parte da escuta profunda de materiais, histórias e paisagens, criando colaborações com diferentes saberes e comunidades. Jorge é professor no departamento de Arte da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, onde dá aula no mestrado de Arte Ambiental e Prática Social. É colaborador no programa de pós-graduação em Artes na Uerj. Para mais informações: @jmennabarreto e https://jorggemennabarreto.com/

Karina Sérgio Gomes é jornalista, mestre em Artes Visuais e doutoranda em Arte e Educação pelo Instituto de Artes da Unesp. Atuou em curadorias no Ateliê 397, no MAM-SP e no CCSP. Como jornalista, colaborou com veículos como Rádio Novelo Apresenta, Folha de S.Paulo, Metrópoles, Estadão. Em 2025, ganhou a Bolsa IAC de Formação em Pesquisa. Atualmente, escreve críticas de arte para o site NeoFeed e pesquisa arte brasileira para a Enciclopédia Itaú Cultural.

Sophia Faustino é poeta, professora e pesquisadora, formada em Letras pela FFLCH-USP e mestre em História da Arte pelo PGEHA-USP. É autora de Alavenca Esfinge (2019) e Nunca me esqueço que venho dos trópicos (2022). Integra o coletivo feminista de intervenção nas artes Vozes Agudas e o grupo de pesquisa em Gênero, Arte, Artefatos e Imagens (GAAI-USP). Atualmente, trabalha como assistente de curadoria e de pesquisa em projetos culturais.