Nº7 Corpo chão coração
Olho seco. Série de podcast por Jorge Menna Barreto. Episódio 2. Projeto gráfico: Joe Buggilla

Olho Seco_episódio 2

Jorge Menna Barreto

A série de podcast Olho Seco é uma jornada sonora e sensível que conecta nossos olhos ao planeta em tempos de crise climática. Em três episódios, o artista e pesquisador Jorge Menna Barreto, por meio da ciência, da literatura e das artes visuais, nos convida a escutar de olhos fechados e a repensar nossa visão sobre o mundo. Da síndrome do olho seco à aridificação dos ecossistemas, da poesia de João Cabral de Melo Neto a obras de artistas visuais que exploram o invisível, a série revela como o “seco” pode ser um modo de ver, sentir e responder à emergência socioambiental. Entre lágrimas, chuvas, memórias, versos e imagens não-retinianas, Olho Seco propõe reidratar a percepção e reaprender a olhar — com a visão, a escuta, a memória e a imaginação — para quiçá revigorar nossa capacidade de resposta à atual crise ambiental.

Episódio 2:

No segundo episódio do podcast Olho Seco, seguimos o convite feito na estreia: escutar de olhos fechados, deixando que as palavras, vozes e sons abram espaço para imagens internas e para um mergulho sensorial. Neste capítulo, Jorge Menna Barreto nos conduz a uma investigação poética e crítica sobre a seca e a crise climática a partir da obra de João Cabral de Melo Neto, poeta moderno que transformou a aridez em linguagem e estilo. Com leituras de Sophia Faustino, reflexões do professor Ari Vidal e diálogos com o escritor e crítico Cristhiano Aguiar, revisitamos os versos minerais de Cabral, seus encontros entre tema e forma, e sua recusa ao lirismo fácil, para compreender como o “seco” se desdobra em rigor e clareza. Entre memórias de viagem, caminhadas gravadas na Califórnia, análises de poemas como “O engenheiro”, “A educação pela pedra” e “O cão sem plumas”, e, ainda, a contribuição da escritora Ana Rüsche sobre literatura, ficção especulativa e utopias, este episódio propõe uma escuta atenta ao poder da palavra em tempos de aridificação e crise socioambiental. Como nos ensina Cabral, mais do que aceitar o seco resignadamente, é preciso empregá-lo como forma de ver e, sobretudo, de responder ao mundo.

Acesse o podcast aqui: [link do 2º episódio]

O roteiro pode ser acessado aqui: [PDF 2º episódio]

Ficha técnica

Olho seco é uma criação de Jorge Menna Barreto, com apoio do Instituto Mesa. O apoio financeiro é da Universidade de Califórnia, Santa Cruz, nos Estados Unidos.

A coordenação é de Karina Sérgio Gomes.
Sophia Faustino é nossa auxiliar de pesquisa.
Karina, Sophia e Jorge assinam o roteiro deste episódio.
A paisagem sonora, a mixagem de som e a montagem são de Bruno Bonaventure para Sound
Design.
O projeto gráfico é de Joe Buggilla.
Revisão e checagem são de Gabriela Erbetta.

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A prática de Jorge Menna Barreto investiga o site-specificity como uma relação em constante transformação entre arte, ecologia e linguagem. Seu trabalho parte da escuta profunda de materiais, histórias e paisagens, criando colaborações com diferentes saberes e comunidades. Jorge é professor no departamento de Arte da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, onde dá aula no mestrado de Arte Ambiental e Prática Social. É colaborador no programa de pós-graduação em Artes na Uerj. Para mais informações: @jmennabarreto e https://jorggemennabarreto.com/

Karina Sérgio Gomes é jornalista, mestre em Artes Visuais e doutoranda em Arte e Educação pelo Instituto de Artes da Unesp. Atuou em curadorias no Ateliê 397, no MAM-SP e no CCSP. Como jornalista, colaborou com veículos como Rádio Novelo Apresenta, Folha de S.Paulo, Metrópoles, Estadão. Em 2025, ganhou a Bolsa IAC de Formação em Pesquisa. Atualmente, escreve críticas de arte para o site NeoFeed e pesquisa arte brasileira para a Enciclopédia Itaú Cultural.

Sophia Faustino é poeta, professora e pesquisadora, formada em Letras pela FFLCH-USP e mestre em História da Arte pelo PGEHA-USP. É autora de Alavenca Esfinge (2019) e Nunca me esqueço que venho dos trópicos (2022). Integra o coletivo feminista de intervenção nas artes Vozes Agudas e o grupo de pesquisa em Gênero, Arte, Artefatos e Imagens (GAAI-USP). Atualmente, trabalha como assistente de curadoria e de pesquisa em projetos culturais.