Nº7 Corpo chão coração
Encontro experimental do espiral. Companhia de Mystérios e Novidades, 18 de dezembro de 2024. Foto: Jessica Gogan

Ser gigante, ser inteira, ser presente: Coleta de vozes da Companhia de Mystérios e Novidades

“O que representa a Companhia para vocês? Que palavras vão caracterizar as guinadas de ressignificações mútuas?”

Sonho, aperfeiçoamento, magia, o outro lado da cortina, em companhia, encanto, ataque…

Os editores da Revista Mesa se juntaram aos diretores, performers e colaboradores da Companhia de Mystérios e Novidades em sua sede na Gamboa. Nesses encontros, buscaram palavras/memórias-chave para caracterizar os múltiplos sentidos dos cortejos e espetáculos realizados pela Companhia ao longo dos 43 anos de sua trajetória.

A Companhia de Mystérios e Novidades aposta na arte pública engajada e na potência da memória dos saberes ancestrais e tradições populares em defesa da região portuária do Rio de Janeiro, que se encontra ameaçada por uma crescente gentrificação. Sediada nessa região da cidade, antigo porto do tráfico de escravizados, a Companhia desenvolve seus cortejos e performances de rua como forma de ativismo, em diálogo com as tradições populares e o calendário cultural da cidade, reunindo organizações comunitárias e instituições culturais, assim como líderes espirituais de diferentes linhas religiosas, pesquisadores, artistas, educadores e ativistas LGBTQIAP+, antirracistas e ambientalistas.

Como parte deste estudo de caso, realizamos uma roda de conversa e um encontro experimental, propondo o ativar de narratividades-memórias, caminhando e fabulando no percurso espiralar de uma série de triângulos áureos desenhados no chão do espaço de ensaios da Companhia.  O material aqui, baseado em transcrições destes encontros, é revisado e editado em colaboração com os participantes.

Conversamos sobre o estado de suspensão, não somente dos performers nas pernas de pau — seres gigantes cantando do alto e incorporando santos ou orixás —, mas também como acontecimento de rua que suspende o tempo do cotidiano em uma nuvem de (en)canto, dança, teatro, tradição e alegria, em suma, em estado coletivo de suspensão. O cortejo se transforma em uma presença urbana delirante e “uma revolução da sensibilidade”¹ é incorporada, como diz o crítico Mário Pedrosa, abraçada também pelos espectadores/andarilhos.

É uma possibilidade de respiração social encantatória. Uma espécie de pulmão terapêutico para a cidade. Respirando juntos, realizam-se sonhos diurnos ancestrais.

Rafael Rodriguez. Trajeto espiral: Triângulos sublimes, 2024. Vídeo realizado no encontro experimental, 18 de dezembro de 2024, Companhia de Mystérios e Novidades.

Mila Costa
Meu nome é Mila Costa e minha palavra para a Companhia é sonho.

Cheguei aqui com um sonho de infância e vi uma oportunidade muito maior do que a que se passava pela minha cabeça. Eu não tinha a menor noção do que era, de que aqui já estabeleceria a estruturação, a concretização do meu sonho.

E foi o primeiro passo que foi dado aqui. E foi um passo gigante, foi um passo nas pernas de pau. E a partir desse caminhar dentro da Companhia, eu fui encontrando outras e outras oportunidades dentro do fazer artístico, que eram tudo o que eu almejava, o que eu sonhava como uma criança, como uma brincadeira; que era utópico ao ver da maioria das pessoas ao meu redor, mas que eu acreditava com muita verdade, ao mesmo tempo que eu não tinha muita noção do tamanho que era essa realização. E hoje eu me sinto realizada porque a partir de ter estado aqui, eu fui a outros lugares, mas a Companhia de Mystérios continua sendo o meu eixo, é sempre para onde eu volto. E não importa os caminhos que eu faça, eu sei que eu posso estar aqui… posso estar em outros lugares, vivendo a arte, sendo arte, e sendo uma arte gigante sobre pernas de pau, que é o que eu mais me apaixonei e amo. Gigante, mas, também, um certo paradoxo diante da dimensão que a gente toma da perna de pau: estamos enormes, mas a gente tem que tomar cuidado com o micro. E a perna de pau é meio que proporciona, tornando a gente proporcional ao que a gente tá falando. Porque o que levamos pra rua é muito grande.

É o amor da minha vida fazer teatro, fazer teatro de rua e fazer teatro nas pernas de pau.

Carlos Santos
Eu me chamo Carlos Santos e a minha palavra é aperfeiçoamento.

Quando eu entrei na Companhia foi por um convite de uma amiga para aperfeiçoar a arte da perna de pau, algo que seria uma coisa para melhorar aquilo que eu já tinha. E, no decorrer desse tempo, eu não só aperfeiçoei, mas aprendi algo muito maior.

O teatro de rua, lidar com o público, cada personagem que eu fazia, cada espetáculo que eu fazia, de formas diferentes, eram grandes novidades para mim. Então, assim, eu aprendi muito mais em acreditar em mim mesmo do que apenas aprender um ofício, digamos assim… do que aperfeiçoar um ofício. Porque eu acreditei em coisas que eu poderia fazer que eu não imaginava. Então, isso me fez crescer mais. Me fez aprender não só como artista, mas também como pessoa. E me fez ser gigante. Não só na perna de pau, mas sim no meu ser, no meu eu, no acreditar no meu eu e no ser cada vez mais, entender quem sou eu nesse mundo, quem sou eu nesse lugar. E assim, aqui pra mim é uma grande, eu digo que é uma grande história, é uma grande escola pra mim de aprendizado, de coisas que eu sempre falo que eu tô sempre na busca do meu eu. E aqui é onde eu encontrei um eu mais aperfeiçoado a cada dia e, cada dia mais, eu aprendo um pouquinho. Então, assim, é maravilhoso. E é isso.

E que é muito engraçado, porque observando Mila andando meio hipnotizada na linha do espiral, muito bonito, fico pensando que, hoje em dia, uma das coisas que a própria Companhia me trouxe — porque antigamente eu era meio bicho do mato, sabe? — é andar de cabeça erguida e ver as coisas acontecendo, vendo, acreditando, como falei, no meu próprio eu, de entender as coisas e encarar de frente. Isso é, pra mim, uma novidade. Quando começamos, a gente começa muito andando assim, querendo olhar pro chão pra ver onde a gente pisa. E aí, com o passar do tempo, a Lígia [Veiga, diretora artística] fala muito pra gente isso, a perna é a extensão da perna de vocês. É só uma extensão. E acabamos acostumando, que às vezes é engraçado que assim, digo mais por mim, quando eu tô lá em cima, eu me sinto uma outra pessoa. Diferente. E aí, quando eu desço, a sensação é tão estranha, porque parece que tudo muda. Parece que eu tô em outro lugar, outro ambiente, porque a gente fica tão acostumado com aquela visão lá de cima. Como trabalhamos em grupos grandes, muitas pernas unidas, eu não tenho a sensação de que eu estou numa perna de pau alta, eu tenho a sensação de que eu tô aqui, antes de vocês, como se eu estivesse aqui, na mesma altura, no mesmo patamar, sabe? E aí, quando a gente acha estranho, a gente olha e fala assim: “Nossa, visão diferente, parece que a gente tá em outro lugar”. É uma outra visão, né? É divertida e a gente vê que as pessoas que estão embaixo olham a gente de uma forma tão bacana. A gente transforma as coisas sem mesmo saber que está transformando. E você nunca vai saber, é um mistério.

Lelena Anhaia_ Maria Helena Anhaia Mello
Meu nome é Lelena e a palavra pra mim é magia.

Eu fui ver um amigo meu dançar e aí o espetáculo chamava Saúde e o outro Missão Impossível. E aí, pra mim, foi essa missão impossível e essa saúde que me chamaram a atenção. A missão impossível de ter saúde no mundo, e de ser feliz, e de viajar, de poder ser sensível, de poder acreditar no amor, eu vi tudo isso naquele espetáculo.

E aí, depois de quatro anos, eu encontrei a pessoa que fazia esse espetáculo e vi que ela era um druida. E quis chegar perto desse druida e acabei entrando nessa brincadeira de perna de pau. Adorei, porque eu gostava daquela sensação de estar na perna de pau.

E eu gostava de tocar tambor. E aí tinham duas mulheres negras que tocavam tambor pra caramba, eu aprendi várias batidas, me aproximei dessa linguagem, aí me aproximei das cordas, me aproximei dos anjos, das nuvens, das pessoas, da maravilha que é estar em contato com as pessoas que estão na rua, de você ampliar a sua sensibilidade, ir para fora e voltar para dentro. E daí você vai… Eu, pelo menos, fui procurando entender o que dentro de mim estava vazio, estava desconectado. Porque quanto mais você expande, mais você percebe a sua desconexão.

E aí eu fui vivendo várias coisas na minha vida em relação à música. E aí trabalho, dança, instrumento, show, palco, essa coisa meio falsa do palco, assim… toda produzida, toda arrumadinha pra dar certo. E na rua? Dá certo se você estiver dentro de você. Se não estiver dentro de você, não tem como. Então, é por isso que eu não saio de perto da Companhia, porque aqui eu tenho que ser inteira. E eu tenho que evoluir. Não dá para parar. Eu não posso parar. Então, já não ando de perna de pau e já não trabalho com teatro exatamente, mas eu evoluo na Companhia na música, que é a minha vida. É isso.

Aqui precisa ser inteira. Precisa ser inteira.

Rafael Rodrigues
Rafael Rodrigues, minha palavra é marcar.

O primeiro espetáculo da companhia que eu vi foi Ciclopes. Eu vi inteirinho. Lá em Ouro Preto, tinha muito fogo, muito fogo. O pessoal alucinado, assim. E aquilo, na época, me tocou e eu não sabia que tinha me tocado. A ficha caiu agora ali. E eu fiquei refletindo muito sobre o que me prende aqui, o que que me deixa aqui. Tem um pouco a ver com esta coisa da gente pode ser quem a gente é. Eu não consigo fazer nada sozinho, é um problema que eu tenho — ou poderia ser visto com um problema. Aqui não é assim, aqui a gente faz coisa de galera, de muita gente, e isso me comove, isso mexe comigo.

Naquele vídeo do espetáculo Belo Amor, da Yemanjá, você vê que tá todo mundo ali naquela maré, ali tá todo mundo. Você olha pra cara, tanto na perna quanto no chão, tá todo mundo assim… suspensão total, né? Mar, Yemanjá… Você vê que tá todo mundo flutuando ali. Foi emocionante ter feito… essa última agora, foi muito incrível, porque parecia que estava todo mundo virado.

Eu sou uma pessoa que gosta de desenhar, gosta de pintar, gosta de escrever, gosta de dançar, gosta de fazer teatro. E aqui eu consigo brincar um pouco com tudo isso, de ser brincante, de entregar as coisas, de voltar a ser criança. Que eu fico lembrando, quando eu era criança, eu acreditava naquelas coisas e eu lembro quando eu comecei a esquecer que eu brincava, que me vinha assim: “Ah, eu tô brincando”. E quando eu vim pra cá em 2014, eu vi que eu fui encontrando pelos caminhos que a Lígia traz, que a Companhia traz, eu fui encontrando esse jeito de como acreditar, como voltar a acreditar de brincar de ser criança, assim, voltar a acreditar na brincadeira, de embarcar, de acreditar, de fazer. Como é que faz? Como é que faz acontecer?

E tá sendo gostoso até pisar nisso aqui [na linha espiral feita com sal grosso], porque isso aqui me traz a minha infância. O sal, o brincar de desenhar no chão. E é um pouco o que a gente pode ser aqui, de voltar a ser criança… se desmarcar tudo pra voltar a marcar, pra ficar marcado assim, né? A gente vai marcando, a gente reencontra coisas e tira, coloca, tira e coloca, reencontra e vai marcando, vai deixando aquilo e as coisas que vão encontrando na gente.

Marília Felippe
Meu nome é Marília Felippe. E minha… uma espécie de palavra vai ser medo.

Medo do amor. E… um pouco… tonteira. Vertigem. Céu. Voltas, muitas voltas.

Muitas voltas, muitas voltas. Muitas, muitas, muitas, muitas voltas.

Muito regado, muito… lastro… muitas Marias… uma saída de um ponto para o outro e agora esse outro ponto volta. Parece enigmático, mas nem é. Ou é?

Uma coisa sem tempo. Uma coisa fora do tempo.

Uma paixão. O envolvimento… Está acelerando muito, muito, muito, muito, muito, muito.

Lígia Veiga
Meu nome é Lígia Veiga. Tô entrando e saindo. A palavra… A palavra é… em companhia.

Em companhia. Descobrindo junto, porque essa é a grande maravilha. Mistérios descobertos a cada momento, juntos, em pleno estado de suspensão, lembranças no tempo, do corpo sábio, encontros que revelem, expressão, quando o tempo corria… lembrei meu pai que falava “o que existe sempre permanecerá”. Ele falava do amor que ele sentia com a minha mãe.

Lembrei do caminho, das viagens, dos encontros, da maravilha que é fazer da vida uma obra de arte. Estou em estado de suspensão… é assim que eu descobri o que eu tenho que fazer.

Como é que eu vou fazer? O que eu preciso fazer? Como é que eu vou crescer? Como é que eu vou ficar sábia? Como é que eu vou ficar sábia? Comece com o sol, o resto lentamente. Lentamente acontecerá.  É uma coisa de estado de suspensão. É um estado de presença.

Elan Barreto
Meu nome é Elan Barreto e minha palavra é pelos de punta. É uma palavra em espanhol que eu gosto muito. Arrepiado.

O primeiro contato com a Companhia foi com o espetáculo Uirapuru, no Museu da República, em 2015, no Festival Mimo. Me tocou de uma forma muito profunda e fiquei encantado com todo o elenco e músicos. E aquilo me despertou e pensei: “Vou ter que falar com Lígia no final”. Aí conversamos e ela falou: “Fique atento, porque abrimos inscrições todo o ano”.

E então, abriu para fazer parte do abre-alas do bloco Escravos da Mauá (1992–2020)². E aí verifiquei os dias. Porque minha vida fica dividida, parte na Ilha Grande e parte no Rio. Há 19 anos leciono em escolas públicas dos municípios do Rio de Janeiro e Angra dos Reis, na disciplina de ciências. Eu fiquei muito feliz que os dias batiam justamente para aqueles que eu podia. Eu falei: “Caramba! Justamente!”. E, no primeiro dia, eu pensei: “Será que vou conseguir?”. Porque eu tinha pouco tempo na perna, apenas dois meses. E aquelas pessoas com muita habilidade e destreza. Aí eu vim para a primeira aula e fiquei encantado com os maravilhosos Sara, Verônica, Dico e demais participantes.

Ao final, eu perguntei: “E, aí, Lígia? Estou apto?”. Só tinha dois ou três meses de perna de pau. Tinha aqueles saltos para trás, saltos para frente. Cada aula, cada encontro era uma surpresa muito boa, uma superação. E conhecendo também aqui o espaço. Esse espaço encantado. Uma encantaria. Eu fui descobrindo as encantarias e mistérios daqui. Aí eu fui ficando, ficando, como colaborador. E estou até hoje.

Quando eu entrei aqui pela primeira vez fiquei muito emocionado e me impactou muito. Cada detalhe da casa, desta sede maravilhosa, me chamou muita atenção. Fiquei com os pelos de punta, né? Pelos de punta. É uma palavra em espanhol que eu gosto muito. Arrepiado.

Minha primeira apresentação foi na Escravos. Foi como uma preparação. A saída do Escravos da Mauá era uma semana antes do Carnaval. Demorava horas pra sair, um sol para cada um. Horas para ensaiar. Era uma ralação, né? Mas a estreia foi linda.

Mas como Lígia fala: “Você tem que estar presente, montar o seu cavalo”. E esse estado de presença é muito importante. A presença naquele momento, quer dizer, em todos os momentos, mas “principalmente agora” como cantamos antes de sair nos cortejos e espetáculos! A representação de entidades/divindades exige um respeito muito grande por parte de quem representa, como também do espectador.

Encontro experimental do espiral. Companhia de Mystérios e Novidades, 18 de dezembro de 2024. Foto: Jessica Gogan

Yuri Ramundo
Sou Yuri Ramundo. Minha palavra é pesquisa.

Eu acho que eu sou o caçula das pernas de pau. O caçula contemporâneo. Eu cheguei por aqui através das oficinas de dança nas alturas. Eu aprendi a aula de perna de pau nos blocos de carnaval. E fiz parte de um núcleo que tinha uma preocupação com a perna de pau para que fosse mais do que bonita e chamasse a atenção, que tivesse alguma coisa conceitual envolvida.

E aí, de ouvido, eu conheci a Companhia de Mystérios. E falei: “Vou lá conhecer, vou lá fazer uma aula, conhecer o espaço, conhecer as pessoas”. Estou até agora conhecendo, na verdade. Um grupo veio junto com essa mesma inquietação… de que a perna de pau dos blocos de carnaval fosse algo mais do que um monte de gente que sobe, fica gostosa e tenta abrir espaço.

E aí a Companhia acabou me encontrando e eu encontrando a Companhia também. E aí aqui também foi virando um espaço contínuo de pesquisa. Eu acho que o meu desejo de permanecer tem a ver um pouco com essa possibilidade de permanência. Acho que aqui é um trabalho feito em colaboração. A gente se encontra o ano todo, estamos sempre juntos, nos vemos com frequência. Então, acho que, para mim, foi talvez um dos poucos espaços que eu consegui continuar nas pesquisas. E é uma pesquisa que não tem fim. Temos várias apresentações e trabalhos, não temos um ponto de chegada, tipo, vamos ensaiar para fazer isso aqui e depois acabou. Então tem uma semente que é sempre plantada e cresce, morre, nasce de novo.

Eu acho que a primeira vez que eu saí em cortejo foi em uma festa junina em Ditirambo de São João? E acho que a primeira vez que eu contribuí mesmo, assim, como parte da Companhia, não foi nem na perna, foi no chão. Fui marinheiro lá no Jardim Botânico. No Parque Lage. E todos falaram um pouco de encantaria. Eu tenho uma experiência muito particular aqui que, talvez há uns dois anos, na festa da Ibejada, eu propus fazer um erê. Eu queria fazer um erê. E aí eu vim com uma perninha de pau de 30 centímetros, assim, eu era o mais baixo de todos e eu fiz um erê, assim. E eu estava realmente ali, eu fui um cavalo, assim. Eu era o próprio erê, assim.

Foi muito intensa a experiência, eu caí, mas não caí, assim, eu lembro que eu ficava brincando de pular a cerca da praça com as crianças, no chão, assim, e levantava querendo brincar, querendo brincar. E eu cheguei em casa, depois que terminou, eu ardia em febre, tipo 43 graus de febre, ardia em febre, assim, loucamente, uma febre que eu não sei de onde veio. No dia seguinte eu acordei e estava tudo em febre. Recebi mesmo. Foi aqui na praça, numa Ibejada de São Cosme e Damião. São Cosme e Damião, a gente foi na Encantaria de Terra e Mar [performance da Companhia].

Tem professores e performers aqui, mas talvez seja interessante notar que faço uma profissão improvável. Eu sou médico anestesista. Eu trabalho no serviço público. Então, para mim, eu acho que aqui foi tão importante. Foi quando eu me virei para pesquisar arte. E aí, concomitantemente com a minha entrada, foi quando eu entrei na Escola de Belas Artes também da UFRJ. E aí fiz figurino lá e aqui também a gente tem essa importância grande do figurino. Então é uma fonte inesgotável. Mas ainda trabalho como anestesista!

Para mim a Companhia é um realismo mágico. É uma encantaria mesmo.

Ana Paula
Meu nome é Ana Paula. Minha palavra-expressão é: o outro lado da cortina.

De formação, sou licenciada em dança e psicomotricista. Mas vivo da arte. Já tenho 22 anos, vou fazer 23 anos. Passei por algumas companhias e, nessas passagens, tive o prazer de estar em cena com a Companhia de Mystérios e Novidades no trabalho Os Prazeres do Heitor, que foi uma fusão, um salto dos prazeres. E, a partir daquele momento, eu conheci uma companhia com pernas de pau.

Ainda sou pedestre, não tenho coragem de pisar na perna de pau. Tem sido, para mim, uma grande vertente estar na Companhia. Até falei aqui, e vai ser uma tecla que vou bater de volta, que é essa vivência em comum, num grupo… essa integração, a troca. Então, por isso, a Companhia está me trazendo de volta para um período que eu estive lá atrás, devido ao tempo trabalhando solo em produção e outras coisas, sem essa vivência em grupo. Tenho muitas referências à Companhia por poucas vezes que tenho tido contato, mas são referências e experiências que me fazem acreditar que posso ultrapassar essa cortina.

Todos nós temos uma cortina, eu acredito, que é o “eu” e a “minha realidade”. O meu eu é muito introspectivo, a minha realidade é solta. E, por muitas vezes, eu fico quieta, calada, quase não falo. Justamente me resguardando desse outro lado da cortina. E aqui não. A Companhia está me permitindo de novo ultrapassar essa cortina, através do corpo, através da vivência. Ter essa experiência, para mim, está sendo muito rico e, acredite, para mim está sendo um prazer vir até aqui, estar nessa vivência.

Eu costumo dizer que o que eu sinto, o que eu penso, o que eu falo, só meu corpo expressa. Porque é exatamente isso. Geralmente, eu tenho perspectiva, mas quando eu quero uma comunicação, quando eu quero alguma coisa, é através da dança. Através da minha dança que veio de outras pessoas, que veio do Rubens Barbot, que veio da Valéria Monã, que veio um pouco da Mayra Matar, que vieram de outros mestres e que criou sua própria linguagem. A minha pessoa, embora não seja uma dançarina exposta, ela se comunica através do movimento, através da dança. E eu acho que me comunico muito melhor quando eu danço do que quando eu falo.

Então, ultrapassar essas cortinas é muito difícil. É prazeroso quando você se encontra num lugar onde você pode ultrapassar a cortina. Onde não existe essa cortina. Que é o outro lado, né? Eu vejo a Companhia como o outro lado da cortina.

Cristina Basilio Thomas (Bolinha)
Sou Cristina, mas todos me chamam Bolinha. Minha palavra é inteireza.

A primeira vez que eu vi a Companhia também foi no Museu da República, num evento do TEAR, homenageando Manoel de Barros.

Foi uma alegria ver aquilo. Eu escutei o barulho dos tambores tocando e, quando olhei para trás, vi as meninas entrando com aquelas saias gigantes dos brincantes. Parecia que as pessoas vinham flutuando. E, naquele momento, vendo aquelas saias no ar, aqueles tambores, fiquei louca! Era uma alegria só, contagiante!

Eu aprendi a andar nas pernas de pau com o Horácio Storani, um palhaço incrível. Depois fiz uma oficina de danças culminantes com Conceição Carlos e Tainá Mecun, e elas trouxeram a gente aqui para participar da Procissão de Todos os Santos. Eu só tinha usado a perna em aula, oficina. A primeira vez que eu fui para a rua foi na procissão da Companhia.

Entrar nessa casa foi um impacto. É tudo encantaria. O triciclo da Lígia, os estandartes, todas essas coisas, todo mundo se maquiando… eu nem precisava subir na perna. As pessoas foram muito gentis comigo, sabiam que era minha primeira vez. Recebi ajuda para sair da casa, para chegar na praça. E aquele cortejo! Nossa, que emoção! Foi um batismo e tanto! 

Aí eu nunca mais saí daqui. Todos os dias que venho para cá é um dia fora do tempo. Fazer as oficinas de dança nas alturas com Lígia e Marília, essas mestras incríveis, é um luxo! Um presente.

Aqui, nesse grupo, nessa relação, nessa família, sinto uma inteireza.  É muito bom. Parece que todo mundo fala a minha língua. E, ao mesmo tempo, não é uma coisa estática, porque a gente está sempre em transformação, sempre tem um movimento novo, um cheiro novo, um som… é um lugar para ampliar todos os sentidos.

Então, é onde eu me encontro. É demais a experiência aqui dentro dessa casa. Se eu não pudesse mais vir aqui, nem sei o que seria de mim [risos].

Tem uma plenitude. É incrível, você está na perna, mas isso não te separa das pessoas, aproxima… é uma conexão imensa com todo mundo que está na rua. É um encantamento. É poético aquilo. É uma encantaria mesmo!

Iazana Guizzo
Sou Iazana Guizzo. A minha palavra é encanto.

Eu lembro do primeiro dia que eu encontrei a Companhia na Praça Tiradentes e vi uma espécie de Fellini brasileiro na perna de pau e esqueci o que eu fui fazer. Parei. Depois, cosmicamente, fui pegar livros de uma amiga e, de novo, cruzei com a Companhia. Isso na mesma semana. E aí começou. Até eu ver os figurinos dos Orixás, de Carlinhos [Carlos Veiga]. Eu não era macumbeira na época. Eu senti que ali tinha um mundo para habitar, um mundo bem naqueles figurinos, como se pudesse nascer uma arquitetura desse encontro. Eu senti isso muito claramente. Essa possibilidade de fazer coisas com a natureza, muito crua, porque tudo é natureza. E aí começou todo esse processo, que tem a ver com esse encanto, com esse trabalho, com o percurso, com o aprendizado, até que eu começo a me aproximar mais da Companhia na pandemia, e aí nasce o Floresta Cidade [projeto de extensão, ensino e pesquisa da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ]. Nasce bem nesse ponto aqui, uma guinada. E começa uma outra coisa, começa a possibilidade de praticar um outro tipo de urbanismo, de perceber a cidade a partir das energias, da composição com a floresta. Não de uma maneira falada ou formal… não sei explicar isso. É uma coisa diferente do que a universidade e a maior parte dos profissionais praticam, mas presente nas ruas do Rio de Janeiro.

É como se fosse uma outra camada, entrasse uma outra camada na composição da cidade. Seria a possibilidade de pensar uma cidade a partir do fazer encantado dela. Que não é somente participação, juntando as pessoas e conversando sobre questões práticas, mas é todo um modo de vida que vai afirmando uma cidade não ocidental, uma política e uma poética de habitar um mundo singular. Um mundo de onde você nunca sai o mesmo porque tem metamorfose.

E isso tem a ver com uma luta diária de bater na porta da prefeitura. Que eu aprendo, e que é bem difícil, é um trabalho difícil, assim, de manter a coisa em pé, é bem difícil. Eu que estou tentando manter uma coisa em pé, aprendo com esse espaço. Muito. E percebo a dificuldade, sabe? É muito difícil. Conseguir dinheiro no Brasil para praticar o encanto é muito difícil. Estou aqui nessa dificuldade.

Mas, além disso, tem acontecido uma coisa interessante comigo quando participo dos cortejos. No início eu era meio como público, um tipo de público engraçadinho. Depois eu achei que passei a ser um personagem floresta, mas percebo hoje que era muito desencarnado, vou chamar assim. Estava ali junto, cantando as músicas, mas ainda um tanto fora. E, de repente, esse ano aconteceu uma coisa importante, que foi eu de fato me sentir floresta… que eu confundo um pouco com as experiências do terreiro. É como se tivesse um espírito de floresta em mim. E aí eu entendi uma outra coisa, bem rapidamente, que o cortejo, ele vai instaurando uma outra energia na cidade. Não que eu não entendesse antes, não que não soubesse disso de alguma maneira, mas vivenciar faz atingir outra compreensão. O cortejo, ele de fato disputa a cidade, ele fura o asfalto, ele faz com que a floresta consiga emergir do chão, do passado, do futuro pelos nossos próprios corpos. A floresta fura o asfalto porque nós somos terra. Ela fura porque o cortejo atua em diversas dimensões temporais; sinto que não sabemos quase nada sobre a potência de agir de um cortejo nesse planeta. Vai muito além do que se pode ver ou da sua duração. Não é uma imagem, não é uma ideia, não é apenas naquele momento. É um acontecimento. É mais próximo, talvez, do que a gente fala que é um ebó no terreiro. Provocar uma energia prática com alguns poucos elementos, intenções e pessoas a ponto de mudar o curso das coisas. É mesmo. O cortejo atua no invisível da matéria para mudar o visível. Um ebó, uma macumba, uma disputa com o ocidente dentro da metrópole complexa.

E isso pode ser um caminho para construir uma casa, um corpo, uma paisagem, uma cidade. Me sinto parte dessa casa de Mystérios. Me sinto parte desse mundo. Desse mundo encantado que também é duro em alguns momentos, né? Cultivar uma cidade encantada exige insistência.

Estou me sentindo energizada por uma força agora. Precisando sustentar para não desabar. Isso me toca profundamente. Habitar é uma coisa muito importante pra mim. Estou descobrindo dentro e fora dos cortejos e em companhia uma maneira de habitar.

Cesar Oiticica Filho
Sou Cesinha Oiticica e minha primeira palavra é ataque.

Ataque.

Cinema, filme, como projeto de fazer um filme de revolução. E vi, pela primeira vez, sem saber o que era, na rua. Na rua, as pernas de pau. E aí, depois, no projeto do filme Ataque. Quem me trouxe foi o dramaturgo Francisco Carlos, e aí foi puro encantamento, porque estava montando um projeto com ele para dar à produção também uma coisa nova, um jeito de não ser essa coisa engessada do cinema industrial, de fazer uma coisa que fosse política na própria produção. Então vem o nome do projeto, que tem tudo a ver, porque estava no roteiro muito com Zé Celso, Teatro Oficina, aí a gente monta o projeto que é teatro em movimento.

E aí, isso aqui na Companhia é o teatro em movimento, na rua é Delirium Ambulatorium. E aí, o Delirium Ambulatorium, ele realmente encontra os múltiplos sentidos dessas palavras/conceitos em diálogo com a obra do Hélio [Oiticica]. Mais do que a obra, o pensamento de criação. Criar enquanto anda, enquanto se relaciona com a cidade. E aí veio um corte. Pandemia, distopia e morte. Francisco morreu. No meio da pandemia. E aí esse projeto parou. O teatro, o movimento… como parou tudo, né? Mas aí com a morte dele, foi muito forte. Muito triste. Saí, fui… enterrar, né? Fui enterrado ou não fui enterrado? Queimar e segurar a onda da minha mãe.

A volta da vida e o reencontro. O reencontro com esse encantamento. E com o centro, com a obra, com a rua. E o encontro com o amor. Encontro com uma nova fase da vida, nasceu um outro projeto da própria Companhia também ser um filme, um novo desenho de produção também para esse filme, para esse projeto de revolução, mas acho que a revolução é o que já acontece aqui. O filme, que é uma ficção, é como se fosse também uma profecia. A gente conseguiu vencer! Venceu o fascismo, vencemos a pandemia. Em outro momento de alegria, de reconexão com a rua, de retomada desse projeto, que ainda não saiu totalmente do papel, mas eu faço filme assim como quem faz mesmo a vida. Filmar várias vezes a mesma coisa. Isso aconteceu na Oficina e acontece aqui. O teatro está cada vez mais perto, até dentro de mim, dentro desse caminho, desse filme.

Tudo se mistura. Então, acho que o que a gente está fazendo aqui junto, juntando a arte, o ativismo, o urbanismo, a rua, já é fazer a revolução.

Agora. É isso. Mas é bem difícil fazer um filme de revolução. É difícil arrumar um patrocínio. Então, o interessante é que pega o filme também e tem essa ideia de meio impulsionar a realidade. Isso aconteceu algumas vezes no próprio roteiro desse filme. Aconteceu um monte de coisa parecida depois. Fiquei até com medo de escrever depois disso. Quero contratar um roteirista pro resto.

Mas é perceber que é no aqui e agora que a gente faz a revolução. É no fazer que você já tá fazendo a revolução. Não precisa você querer instigar as pessoas a fazerem, mas é para você realmente revolucionar desde a produção até esses encontros com essas companhias, porque a ideia era, no meio do governo, do desgoverno, não dava para escrever esse filme, arrumar patrocínio e fazer tudo, então era meio que driblar a coisa e fazer um projeto de teatro, que era teatro de movimento, que também foi meio profético. E o Francisco sabia muito, porque ele veio de Manaus e tal. Então entender os processos como processos, que já são revolucionários, eu acho que também tem muito a ver com o que acontece aqui.

Então tem esses encontros. Eu tenho tentado muito com a cabeça refletir sobre essa revolução da sensibilidade, que é um texto do Mário Pedrosa, de 1957. Até uma descrença nas revoluções armadas, uma descrença cética em relação à Revolução Francesa. Em todas essas revoluções… no final, os regimes de poder voltam com toda a força, se estabilizam com toda a força.

Guilherme Vergara
Então, meu nome é Guilherme e para eu entrar nesse giro espiral eu ofereço essa frase que vem da Marilia Felippe, da Companhia de Mystérios e Novidades: agora eu posso ser quem eu sou.

Quem eu sou? Sou um caminhante, um caminho que sai da Praça Mauá e chega na Praça da Harmonia. Caminhando nesta cidade, entre duas praças, encontro uma nuvem de encantados. Quem são essas pessoas no meio do dia de uma cidade de pedra e chão de asfalto? Essas pessoas flutuantes, quem são? Quem são vocês? Carregando a bandeira da paz, com suspensões, com conchas, cantando, sorrindo, e o resto da cidade com caras duras, perplexas, que se transformam por contágio, passam a acompanhar também este cortejo-delírio poético urbano. Assim, encontrei uma matriz de encantadores urbanos. Agora eu sei. Agora eu sei, agora eu sei que eu não estou sozinho no que eu sou.

É essa revolução, a revolução da sensibilidade de Pedrosa [como Cesinha enfatizou], esta revolução do corpo-chão-coração que acredito. E cada vez mais acelerado, porque você está vendo o mundo inteiro criar revoluções fabulantes. O mundo inteiro está se formando em grupos de resistência como esse, formando redes de comunidades para compensar o fracasso de um sistema opressor capitalista de individualidades tristes. A revolução do coração e da alegria é urgente.

Talvez possamos ver todas as falas-espiralares caminhando, tal como Lígia, como leituras do Oráculo da vida. Um prólogo para esta revolução. Porque entrando na espiral andando de costas, Ligia encarnou essa recuperação de um estado intuitivo de transporte a tempos remotos. É como se ela estivesse caminhando pelo fio espiral de sua missão de irradiar essas forças, o que hoje em dia todo mundo repete como forças ancestrais, forças de tempos remotos. Não é à toa que a bandeira da paz, a bandeira de todos os tempos, foi entregue à Companhia, para estar lembrando do futuro não ainda consciente. A performance espiralar da Lígia, andando de costas, resgata tempos remotos encontrando chaves que revelam esses caminhos e destinos imantados de tantas vidas em transformações. O que existe como devires sempre permanecerá. Viagens e encontros tecem as curvas da vida dedicada à origem e ao destino da arte. Que chave!


De lá pra cá [andando na espiral], eu descobri o chão. Eu descobri (agora eu sei) que do chão-Terra sobe uma força pro coração. E quando a gente caminha e dança, a Terra se junta em giro. Pode-se tentar desobedecer a uma volta aqui ou lá; mesmo assim, caminhar juntando passos, corpos, chãos e corações. Circular e dançar andam juntos. Acredito que a revolução da sensibilidade é inacabada e infinita como uma espiral. Acredito na revolução do amor. Acredito na revolução de todas as artes. Agora eu sei. Agora eu sei que é inseparável: onde há dança, espiritualidade, corpo e coração, a espiral infinita da vida está seguindo seu giro cósmico. 

E quanto mais eu sou, eu encontro “nós somos”. Cito Marília: “Posso ser quem eu sou!”. Acrescento que, ao escutar a todos nesta caminhada espiralar, agora para todxs vale:  Agora eu sei que posso ser quem eu sou. Agora sabemos. Gratidão.

Jessica Gogan
Sou a Jessica Gogan. Minha palavra é acorpar, ou melhor, acuerpar, em espanhol: conceito/palavra da ativista feminista da Guatemala Lorena Cabnal.

Chegando na praça parece que tem um ensaio teatral: pessoas andando, ensaiando movimentos, tocando as músicas, todo mundo esperando alguma coisa acontecer.

Tá tudo colorido, animado, mas não parece que tem muita gente. Então você fica pensando: “Poxa, será que isso vai acontecer? Será que vai ter gente? Será?”. E, de repente, a magia começa com uma concha, som profundo do mar, chamando pessoas, marcando a saída, e o pequeno grupo começa a espiralar e caminhar. E aí se inicia uma espécie de energia diferenciada, sensível e alegre. E, em menos de 100 metros, aparece, do nada, um monte de gente, como nuvem. Das vinte ou trinta pessoas, agora tem mais de trezentas. Esse “acorpamento” é tão incrível. Esta energia de revoluções outras, de sensibilidade, de comunidade, de solidariedade, de sonhos e magia. E tem que ter fé, começar, e as pessoas vão chegar.

Gratidão poder acompanhar.

  • Espirais na parede, 18 de dezembro de 2024, Companhia de Mystérios e Novidades. Fotos: Jessica Gogan

***

Ana Paula Dias
Atriz, bailarina, produtora teatral e psicomotricista, traz em sua bagagem vasta experiência com o corpo e a arte na linguagem de expressão corporal na dança. Atua como produtora cultural no complexo de Santa Teresa, também contribui junto a Companhia dos Prazeres, dirigida por Lucas Weglisnky, com quem atuou em projetos culturais de âmbito nacional, além de ter integrado as obras dirigidas por André Luís Câmara e a Companhia Rubens Barbot de Teatro e Dança, onde atualmente está em processo criativo do espetáculo solo Além do tempo, com suas próprias composições coreográficas, e inspirado na trajetória artística de Rubens Barbot.

Carlos Santos
Artista circense formado pelo projeto Talentos da vez (2007), foi professor no Lumini Espaço ART (2010–2018) e integrante da Companhia de dança CODA KD (2017–2018). Desde 2010, participa dos eventos da Grande Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades e, desde 2023, é oficialmente integrante do elenco.

Cesar Oiticica Filho
Artista, cineasta e curador, formado em jornalismo, realizou o filme Hélio Oiticica, ganhador do Prêmio Caligari e Fipresci na Berlinale, do Festival do Rio e FILAF em Perpignan, França. Curador com Fernando Cocchiarale da exposição Museu é o Mundo (Prêmio ABCA/2010). Curador do Projeto HO [Hélio Oiticica] desde 1997, e diretor artístico do Centro Municipal Hélio Oiticica desde 2021. Criou, com Evandro Salles, a Parada 7 em 2022. Participou da Bienal de Havana (2015) e da Bienal of Moving Image (2014). Publicou livros sobre Hélio Oiticica e Mário Pedrosa. Suas mais recentes exposições são: Espaços Quânticos e Intervenção Quântica (2024/2025).

Cristina Thomas (Bolinha)
Nasceu em 1964 numa família numerosa e amorosa. Tem seis irmãs amigas, com as quais cresceu na beira da praia entre brincadeiras, música, poesia e muitas aventuras. Mãe do Pedro, um surfista apaixonado pela natureza, e avó de duas meninas incríveis que adoram ouvir histórias.

É arte-educadora, especialista em literatura infanto-juvenil, contadora de histórias, pernalta, brincante e professora/mediadora de leitura há 40 anos em bibliotecas escolares na cidade de Niterói.

Adora nadar no mar, aprender coisas novas, dançar, viajar, estar rodeada de crianças (de todas as idades) e ama poesia!

Iazana Guizzo
Arquiteta e urbanista. Coordenadora do projeto de extensão, ensino e pesquisa Floresta Cidade da FAU–UFRJ, onde também é professora. É doutora em urbanismo, mestre em psicologia e formada em balé contemporâneo. A regeneração das cidades diante da urgência climática, a participação comunitária, a vida interespecífica e as cosmopercepções afroameríndias são temas de seu interesse. Atua no campo da arquitetura, urbanismo e arte e colabora com a Companhia de Mystérios e Novidades desde 2020.

Lelena Anhaia_ Maria Helena Anhaia Mello
Musicista desde 1987, trabalhou com as bandas Luni, Scowa e a Máfia, com as cantoras Rita Bennedito, Ceumar e Vange Leonel. Faz parte das Orquídeas do Brasil de Itamar Assumpção, trabalhando com Anelis Assumpção. Atualmente toca com Macalé, o grupo Banda Mirim, a Companhia de Mystérios e Novidades, o Circo Branco e com a cantora Natascha Falcão.

Lígia Veiga
Atriz, musicista, dançarina, integrou o grupo carioca Coringa Grupo de Dança e atuou no teatro de rua italiano Teatro Pirata, na década de oitenta. Criadora e diretora da Grande Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades (1981), desde 2007 sediada na região portuária do Rio de Janeiro. A Companhia dialoga com o território através de seus espetáculos, festivais, oficinas, fóruns, cortejos e atividades do seu calendário anual. Criou o Projeto Gigantes pela própria Natureza, orquestra itinerante sobre pernas de pau, constituído por oficinas práticas e teóricas que inaugurou as atividades educativas da Casa de Mystérios e da Praça da Harmonia.

Marília Felippe
Artista cênica da dança-teatro, educadora corporal formada em educação física pela UFMG, em terapia psicocorporal pela Fundação Rio Abierto – escola de desenvolvimento humano (Ar) e em dança por Graciela Figueroa. Dirigiu durante 12 anos (1988 a 2000) o Coringa Rio Aberto, representante então da Fundação Rio Abierto (“para el desarollo armónico del hombre” www.rio abierto.ar). É instrutora docente do mesmo sistema que tem como propósito contribuir para o desenvolvimento humano através de técnicas psicocorporais onde o movimento da energia vital é o pilar e ponto de partida para o desenvolvimento do trabalho. Há 25 anos integra a Grande Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades, coletivo teatral que se inscreve como Ópera Popular (www.ciademysterios.com), e coordena as atividades da Casa de Mystérios, equipamento cultural localizado na zona portuária do Rio.

Milla Costa_ Camilla Almeida da Costa
Atriz formada pela Oficina Escola Nossa Senhora do Teatro (2016) e pela UNESA, onde cursou licenciatura em teatro (2018). Atua há 17 anos com a Grande Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades. Como atriz, atuou também com a Companhia Atores de Oliveira (2016), a Faz Assim Produções (2017) e a Companhia Monkinoa (2021). Foi professora de Teatro na Oficina Escola Nossa Senhora do Teatro (2017–2018) e no Instituto Entre o Céu e a Favela (2022–2024).

Rafael RodriguesArte-educador, ator e brincante na Grande Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades desde o ano de 2014. Apresenta-se nos cortejos e espetáculos do calendário cultural da Companhia.

Yuri Ramundo
Yuri Ramundo tem 35 anos e é artista da cena carioca. Performa junto à Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades há dois anos. Atua também como figurinista e diretor de arte com passagens pelo teatro, ópera e carnaval. Cultiva, ainda, a medicina como ocupação paralela.


1 PEDROSA, Mário. Arte e revolução. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 de abril de 1957.

2 Para saber mais, acesse: https://www.escravosdamaua.com.br/. Acesso em: jun. 2025.