{"id":780,"date":"2021-03-29T14:07:29","date_gmt":"2021-03-29T17:07:29","guid":{"rendered":"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/?post_type=portfolio&#038;p=780"},"modified":"2021-04-08T22:29:39","modified_gmt":"2021-04-09T01:29:39","slug":"gabriela-bandeira","status":"publish","type":"portfolio","link":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/portfolio\/gabriela-bandeira\/","title":{"rendered":"Aten\u00e7\u00e3o \u00e0s redes de si"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_capa_CAIS-DO-PORTO.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"596\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_capa_CAIS-DO-PORTO.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-781\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_capa_CAIS-DO-PORTO.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_capa_CAIS-DO-PORTO-300x149.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_capa_CAIS-DO-PORTO-1024x509.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_capa_CAIS-DO-PORTO-768x381.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption>Cais do porto na col\u00f4nia de pescadores Z8 em Gradim e BR 101, 2020. Foto: Hugo Sentinelli.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2>Aten\u00e7\u00e3o \u00e0s redes de si<\/h2>\n\n\n\n<h4>Gabi Bandeira<\/h4>\n\n\n\n<p>Ser artista em um mundo que atravessa v\u00e1rios colapsos, como o sentido na esfera ambiental, me tenciona repensar o meu lugar no mundo e como essa realidade influencia a minha contribui\u00e7\u00e3o \u00e9tica e est\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>De forma que vale conferir a minha localiza\u00e7\u00e3o de fala. Sou filha de pescador, nascida e criada em uma regi\u00e3o urbana pesqueira, em S\u00e3o Gon\u00e7alo, que sofre com os legados da industrializa\u00e7\u00e3o, em um munic\u00edpio \u00e0s margens da Ba\u00eda de Guanabara, no Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Como agente do sens\u00edvel, uma das perguntas que me rege \u00e9: Como fabricar ideias que nos fa\u00e7am agir?<\/p>\n\n\n\n<p>Visto que compartilharei o processo de desenvolvimento do curta \u201cEntornos: Vozes de Gradim\u201d, um dos trabalhos que viriam a mudar todo meu olhar e possibilidades para novos futuros e horizontes de experimenta\u00e7\u00e3o, tendo como conven\u00e7\u00f5es o agenciamento<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>[&#8230;] \u2018pr\u00e1tica\u2019 significa que consideremos a realidade, o pensamento, o conhecimento (e tamb\u00e9m a a\u00e7\u00e3o) enquanto eles ainda est\u00e3o se produzindo.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">David Lapoujade<sup>1<\/sup><\/p>\n\n\n\n<h3>Espelhamentos: Rua<br>S\u00e1bado, 11 de Abril do ano de 2015<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-1-PESC-COLON.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"800\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-1-PESC-COLON.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-783\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-1-PESC-COLON.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-1-PESC-COLON-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-1-PESC-COLON-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-1-PESC-COLON-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption>Pescadores no cais de Gradim, 2015. Foto: Gabi Bandeira.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>S\u00e3o Gon\u00e7alo, reflexos entre entre o eu o outro&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Eu me encontrava cursando a gradua\u00e7\u00e3o em Artes, pela Universidade Federal Fluminense e, junto com colegas da disciplina Oficina de Document\u00e1rio I, decidimos realizar um curta metragem, que posteriormente nomeamos de <em>Entornos: Vozes de Gradim<\/em>. Sobre a vida e exist\u00eancia de pescadores artesanais na Ba\u00eda de Guanabara, homens que sofrem com o estrangulamento de sua profiss\u00e3o, por parte da&nbsp; forte polui\u00e7\u00e3o e amea\u00e7ados pela industrializa\u00e7\u00e3o, como grandes companhias petrol\u00edferas e estaleiros clandestinos.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, t\u00ednhamos como foco a Col\u00f4nia Zona 8 (s\u00e3o 32 zonas ao redor da Ba\u00eda de Guanabara<sup>2<\/sup>), localizada no bairro Gradim, no munic\u00edpio de S\u00e3o Gon\u00e7alo. Col\u00f4nia em que fui criada e onde meu pai, tamb\u00e9m pescador artesanal, trabalha.<\/p>\n\n\n\n<p>O encontro estava marcado para acontecer ao alvorecer, \u00e0s 5 da manh\u00e3. Em uma opera\u00e7\u00e3o de ampla ajuda, conseguimos juntar os equipamentos que t\u00ednhamos e os ve\u00edculos que nos locomoveram at\u00e9 o cais do Porto do Gradim, em meio \u00e0 Favela do Gato, comunidade que se criou no entorno.<\/p>\n\n\n\n<p>Descemos a rodovia BR 101, atravessamos por debaixo de um viaduto, e logo viramos \u00e0 direita em uma rua de terra. Era barro vermelho, o cheiro de terra molhada naquele in\u00edcio de manh\u00e3 era forte, havia chovido na noite anterior, mas o c\u00e9u come\u00e7ava a se abrir, as previs\u00f5es meteorol\u00f3gicas afirmavam: faria sol.<\/p>\n\n\n\n<p>Sa\u00edmos dos carros, nos reunimos com o chefe da associa\u00e7\u00e3o, Paulo \u201cda Balan\u00e7a\u201d, e, junto com meu pai, Jorge \u201cPirulito\u201d, eles, os cicerones, foram logo nos apresentando o lugar e nos dando permiss\u00e3o, pois aquele era um campo sagrado para eles, o sagrado do dia a dia. Onde os homens do mar atracavam seus CA\u00cdCOS.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>CA\u00cdCOS: t\u00e1buas de salva\u00e7\u00e3o, utilizadas para moverem-se na imensid\u00e3o e para atravessarem o visgo. Sua anatomia era feita para cortar o flu\u00eddo e ditar o norte, encontrando um equil\u00edbrio. \u00c0s vezes \u00e9 morada das armadilhas, em outras, s\u00e3o os motores que geram energia para as muitas outras vidas invis\u00edveis.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-2-CAICO-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"2560\" height=\"1559\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-2-CAICO-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-785\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-2-CAICO-scaled.jpg 2560w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-2-CAICO-300x183.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-2-CAICO-1024x624.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-2-CAICO-768x468.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-2-CAICO-1536x936.jpg 1536w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-2-CAICO-2048x1247.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/a><figcaption>Gabriela Bandeira. <em>Ca\u00edcos<\/em>, desenho, 2020.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Nos dividimos\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Meu corpo \u00e9 atravessado por uma avalanche de sentidos, linhas e formas, cheiros e gestos&#8230; at\u00e9 que o som dos carros da BR 101 me assinala que aquele n\u00e3o era um mundo que conhec\u00edamos, mas sim uma cavidade no espa\u00e7o, lugar onde o tempo parecia correr mais lento e anacr\u00f4nico. O desejo de controle era latente, mas naquele instante sabia que minha aten\u00e7\u00e3o deveria tamb\u00e9m ser processo.<sup>3<\/sup> Pois quando se controla n\u00e3o h\u00e1 escuta. A aten\u00e7\u00e3o iria se atualizar na conex\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Corpo e mente tentando ainda aterrissar no lugar. Volta&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>No cais funcionava um mercado de peixe local, eram caixas e caixas sendo retiradas dos ca\u00edcos, lotadas de pescados variados, trazendo a surpresa de uma ba\u00eda que era desconhecida por muitos, um lugar que ainda gerava vidas e exalava fertilidade. Acompanh\u00e1vamos todo o processo e tent\u00e1vamos capturar em sentido amplo, as informa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o v\u00edamos, mas que sent\u00edamos, a desconfian\u00e7a nos olhos, para ver com o corpo. Aquele mundo era movimento, vincula\u00e7\u00e3o e deslocamento, em um laborat\u00f3rio do fazer, inventamos o processo que se fazia experi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Nossas decis\u00f5es tamb\u00e9m influenciavam as dire\u00e7\u00f5es de olhares alheios \u00e0s c\u00e2meras que eram as protagonistas desses olhares. Nossos movimentos para as capturas tamb\u00e9m eram sentidos, est\u00e1vamos sendo mudados por aquela viv\u00eancia na mesma medida em que ela interrompia o fluxo do lugar e gerava mudan\u00e7as que come\u00e7avam com algumas quest\u00f5es: \u201cTirou foto de mim?\u201d, \u201cPorque eu?\u201d, \u201cIsso \u00e9 um trabalho de faculdade?&#8221;, \u201cVoc\u00eas s\u00e3o de onde?\u201d, \u201cPosso ver sua foto?\u201d . Al\u00ed o in\u00edcio de v\u00ednculo e ambiente pr\u00f3prio para conversas foi criado. Nos fazendo nos questionar tamb\u00e9m sobre: \u201cQual o sentido dos v\u00ednculos?\u201d, \u201cO que \u00e9ramos enquanto pesquisadores?\u201d. \u00c9ramos um monte de vetores, um agenciamento coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Peixes\u2026 \u201cTainhas\u201d, serviam para um bom churrasco na grelha, por ser muito ran\u00e7osa, como dizemos no local. Sendo gordurosa, n\u00e3o servia para ser frita. J\u00e1 os \u201cCarapicus\u201d, \u201cPeixes Espadas\u201d, \u201cPargos\u201d, \u201cAnchovas\u201d , \u201cRobalos\u201d, \u201cPescadinhas\u201d, \u201cPampos\u201d, \u201cChereretes\u201d, \u201cCocorocas\u201d, \u201cMama Reis\u201d, \u201cCorvinas\u201d, \u201cPalombetas\u201d, \u201cTrilhas\u201d, \u201cPeixes Porcos\u201d, \u201cBagres\u201d, entre tantos outros, podiam ser assados, fritos, cozidos ou grelhados. Nesse momento, come\u00e7amos a ouvir as hist\u00f3rias sobre as pescas e as receitas para os pescados, em uma escola de cozinha ao ar livre, onde pudemos ver a diferen\u00e7a entre escamas, tamanhos e cores. J\u00e1 os gostos e os pratos, eram imagin\u00e1rios, mas se faziam presentes e se materializavam com as riquezas de detalhes contidos nas vozes dos pescadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, observamos as v\u00e1rias exist\u00eancias que coexistiam naquele lugar: atravessadores (compradores de profiss\u00e3o e negociantes), maqueiros (munidos de um tipo de carrinho retiravam os pescados dos barcos, para serem pesados), limpadores de peixe, pescadores, o pr\u00f3prio chefe da associa\u00e7\u00e3o, que era o respons\u00e1vel por pesar as caixas e organizar os pre\u00e7os do dia e os compradores locais.<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo assim, todos juntos em um pequeno espa\u00e7o que borbulhava em um amanhecer, abaixo da BR 101, local chamado por muitos de \u201cbra\u00e7o de mar\u201d, lugar sem muita corrente, estav\u00e1mos em mar\u00e9 vazante. O fundo em alguns pontos era vis\u00edvel, em uma mistura de v\u00e1rias camadas de \u00f3leo e lama.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele dia algo tentava se desprender desse fundo de visgo, talvez nossas mentes, em uma vontade de compreender as hist\u00f3rias existentes naquele ambiente e o que dos problemas tanto sociais quanto ambientais que observamos se relaciona com essas hist\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<h3>Escrever atravessa <br>Em algum tempo presente, 2020<\/h3>\n\n\n\n<p>Escrever atrav\u00e9s, escrever o que atravessa. O desejo de enxergar o tra\u00e7o e a linha como possibilidades para se repensar o meu modo de ser e aprender. Ressignificar a palavra.<\/p>\n\n\n\n<p>E tamb\u00e9m o mundo, que se constr\u00f3i n\u00e3o s\u00f3 por significados, mas tamb\u00e9m por significantes.<\/p>\n\n\n\n<p>A trama das linhas que ousam saltar das cenas contidas nas imagens das mem\u00f3rias, trazendo for\u00e7a para a forma que nasce desse emaranhado.<\/p>\n\n\n\n<h3>Espelhamentos: Morada<br>Quarta-feira,&nbsp; 01 de Julho, do ano de 2015<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-3-RUA-PARANAVAI.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"800\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-3-RUA-PARANAVAI.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-787\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-3-RUA-PARANAVAI.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-3-RUA-PARANAVAI-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-3-RUA-PARANAVAI-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-3-RUA-PARANAVAI-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption>Grava\u00e7\u00e3o na Rua Paranava\u00ed, 2015. Foto: Gabi Bandeira.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Paramos o carro no final da rua Paranava\u00ed, localizada no bairro Boa Vista. Em seguida, avistamos os ca\u00edcos atracados em um poss\u00edvel afluente do rio Imboa\u00e7u (com sua nascente no distrito de Sete Pontes, ele passa por diversos bairros, drenando uma parte dos bairros Neves e Centro). Viemos a descobrir depois, por um dos moradores que o nome da rua que estivemos significava \u201censeada do grande rio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Fomos recebidos com um caf\u00e9 fresquinho, organizamos os equipamentos, testamos a luz, microfone, e o papo come\u00e7ou. Nesse encontro a conversa j\u00e1 foi mais planejada, sab\u00edamos que ir\u00edamos entrevistar os pescadores artesanais Ant\u00f4nio Carlos de Brito Maria (Bicudo) e Mauro C\u00e9sar Nascimento da Silva (Pez\u00e3o), ambos profissionais com mais de 30 anos de profiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>As perguntas iniciais eram sobre a rela\u00e7\u00e3o institu\u00edda por eles entre a proximidade do porto e casa, sua import\u00e2ncia e quais eram as dificuldades enfrentadas perante os assoreamentos dos c\u00f3rregos e rios da regi\u00e3o. Eles nos responderam que utilizavam os c\u00f3rregos para chegarem at\u00e9 o mar, por isso a relev\u00e2ncia de morarem perto deles e poderem ter a seguran\u00e7a de atracar suas embarca\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas a suas casas, onde poderiam facilmente sair para trabalhar, como quem pega o \u00f4nibus nas grandes metr\u00f3poles. Outro aspecto a ser abordado, \u00e9 que conheciam bem a regi\u00e3o, sabiam onde tinha \u201ccalado\u201d (profundidade para navega\u00e7\u00e3o), onde os c\u00f3rregos tinham desaparecido, por secarem ou pela pr\u00f3pria polui\u00e7\u00e3o \u2013 esses homens n\u00e3o det\u00eam s\u00f3 as b\u00fassolas do mar, mas tamb\u00e9m da terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse instante suas mem\u00f3rias se perdiam em meios \u00e0s hist\u00f3rias relembradas, de dificuldades cada vez mais enfrentadas por eles para utilizarem esse sistema natural criado pelos rios. Ao longo dos anos tiveram de se adaptar aos novos fluxos impostos pela urbaniza\u00e7\u00e3o desenfreada e ao descaso das autoridades p\u00fablicas, que n\u00e3o investem em um programa de saneamento b\u00e1sico eficaz. N\u00e3o \u00e9 por acaso, pois em S\u00e3o Gon\u00e7alo uma parcela dos domic\u00edlios da cidade n\u00e3o possui acesso \u00e0 rede geral de esgoto, despejando seus dejetos em natura nos c\u00f3rregos, e consequentemente na Ba\u00eda de Guanabara.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os relatos, ao mesmo tempo que eram contados, nos eram comprovados: \u201cOlha aqui! Neste instante voc\u00eas v\u00e3o ver sair desse cano aqui, direto para o rio.\u201d Como est\u00e1vamos na margem do c\u00f3rrego, percebemos quando as descargas eram usadas nas casas, e eles completavam: \u201cIsso dificulta cada vez mais o nosso trabalho, vivemos em um ambiente insalubre. Nossos barcos e redes s\u00e3o danificados pelo esgoto e pelos materiais descartados clandestinamente nos rios que viraram dep\u00f3sito de lixo. J\u00e1 achamos at\u00e9 seringa aqui! Olhem a nossa rede.\u201d E come\u00e7avam a remendar, os panos \u00e0 nossa frente\u2026<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>REDE, artimanha de ca\u00e7a composta por tr\u00eas tipos de panos, a peneira onde a \u00e1gua escapa para s\u00f3 restar o alimento.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Munidos pela AGULHA&#8230;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>AGULHA extra\u00edda do tronco de laranjeira e transformada em varinha, que cria e recria, ata e desata o n\u00f3. Guiada pela fala das m\u00e3os, que tem sua l\u00edngua em forma de movimentos e gestos, onde tran\u00e7a e une as panagens, \u00e0s cordas, chumbos e b\u00f3ias. Afinal, para resistir ao imenso \u00e9 preciso ter uma fra\u00e7\u00e3o de leveza e assim poder submergir para respirar.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-large\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-4-REDE.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"724\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-4-REDE-724x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-789\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-4-REDE-724x1024.jpg 724w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-4-REDE-212x300.jpg 212w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-4-REDE-768x1086.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-4-REDE.jpg 905w\" sizes=\"(max-width: 724px) 100vw, 724px\" \/><\/a><figcaption>Gabriela Bandeira. <em>Rede<\/em>, desenhos, 2020.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-large\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-5-AGULHA.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"724\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-5-AGULHA-724x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-791\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-5-AGULHA-724x1024.jpg 724w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-5-AGULHA-212x300.jpg 212w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-5-AGULHA-768x1086.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-5-AGULHA.jpg 905w\" sizes=\"(max-width: 724px) 100vw, 724px\" \/><\/a><figcaption>Gabriela Bandeira. <em>Agulha,<\/em> desenhos, 2020.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo que denunciavam um descaso, enalteciam suas pr\u00e1ticas que eram passadas de pai para filho, nos contaram como aprenderam a remendar redes, com que idade, e lembraram de quando eram crian\u00e7as e utilizavam a natureza como quintal para brincar e ao mesmo tempo j\u00e1 seguiam os passos dos seus antepassados. Naquele instante, surgiu a pergunta sobre se eles desejavam que seus filhos e netos tivessem o mesmo of\u00edcio, eles responderam que n\u00e3o: \u201cA vida do mar \u00e9 muito dura, em \u00e9poca de sardinha trabalhamos a noite e de madrugada, temos de SAFAR de uma a uma, para no final o pre\u00e7o do pescado s\u00f3 valer centavos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>SAFAR, coreografia que desvencilha, o livrar as pequenas bocas da armadilha em forma de malha. Conduzido pelas m\u00e3os que vir\u00e3o m\u00e1quinas e brigam com o tempo. Uma a uma e um a um. Sardinhas e Bicudas.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-6-SAFAR.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1279\" height=\"905\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-6-SAFAR.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-793\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-6-SAFAR.jpg 1279w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-6-SAFAR-300x212.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-6-SAFAR-1024x725.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-6-SAFAR-768x543.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1279px) 100vw, 1279px\" \/><\/a><figcaption>Gabriela Bandeira. <em>Safar<\/em>, desenho, 2020.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Portanto, compreendemos essa experi\u00eancia como um momento de acolhimento, em que recebemos as falas e relatos desses homens, deixando-os falar, para depois fazermos nossas pondera\u00e7\u00f5es. Nesse jogo nos surpreendemos v\u00e1rias vezes, o que evidenciou que t\u00ednhamos retardado o controle. Al\u00e9m disso, percebemos a import\u00e2ncia do \u201cfalar de dentro\u201d, ou seja, conferir visibilidade a esses homens ressaltou a magnitude dessas comunidades cai\u00e7aras. Denominam-se cai\u00e7aras os habitantes tradicionais do litoral brasileiro, formados a partir da miscigena\u00e7\u00e3o entre \u00edndios, brancos e negros e que tem em sua cultura a pesca artesanal, a agricultura, a ca\u00e7a, o extrativismo vegetal, o artesanato e, mais recentemente, o ecoturismo como pr\u00e1ticas de subexist\u00eancia.<sup>4<\/sup> Como detentores de saberes genu\u00ednos e como agentes em prol do meio ambiente c\u00f3smico, sist\u00eamico e em cadeia, pois n\u00e3o s\u00f3 conhecem seus mares e terras, entendem as for\u00e7as que regem a degrada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3>Pesca de mem\u00f3rias<br>Em algum tempo presente, 2020<\/h3>\n\n\n\n<p>Estar em um territ\u00f3rio conhecido \u00e9 uma vantagem e desvantagem. Pela ambiguidade de estar dentro do meu olhar local, se faz necess\u00e1rio desligar-se dos saberes dados, para abrir a possibilidade dos saberes ainda a serem descobertos. A \u201cisca\u201d que me conecta \u00e0s experi\u00eancias ainda a serem vividas, encontradas na possibilidade do compartilhamento de universos. Universos embutidos na paisagem que det\u00e9m o dom\u00ednio de nos afogar.<\/p>\n\n\n\n<h3>Espelhamentos: Rancho<br>Quarta-feira,&nbsp; 01 de Julho, do ano de 2015<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-7-RUA-PROF-MAR-JOQ.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"791\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-7-RUA-PROF-MAR-JOQ.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-795\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-7-RUA-PROF-MAR-JOQ.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-7-RUA-PROF-MAR-JOQ-300x198.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-7-RUA-PROF-MAR-JOQ-1024x675.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-7-RUA-PROF-MAR-JOQ-768x506.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption>Sobrevoo na Rua Professora Maria Joaquina, 2020. Foto: Gabi Bandeira.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o encontro realizado na rua Paranava\u00ed, cortamos o bairro do Boa Vista at\u00e9 chegarmos na Rua Professora Maria Joaquina. Est\u00e1vamos na Praia das Pedrinhas, regi\u00e3o igualmente dividida pela BR 101, onde nos reunimos com o pescador artesanal, Jefferson Figueiredo da Silva (Jeffinho). Ele tamb\u00e9m exerce a profiss\u00e3o h\u00e1 mais de 20 anos, sempre de forma sazonal, tendo experi\u00eancias com outros tipos de trabalhos vinculados \u00e0 vida no mar, em estaleiros, embarcado em traineiras (pesca de arrasto, embarca\u00e7\u00f5es maiores do que os ca\u00edcos, n\u00e3o sendo vinculado \u00e0 pesca artesanal) e em pescas \u201cfora da barra\u201d (em alto mar, fora da Ba\u00eda de Guanabara).<\/p>\n\n\n\n<p>O lugar em que realizamos as filmagens \u00e9 comumente chamado pelos pescadores de RANCHO, onde a terra se reinventa, onde se redescobre meios de coexistir juntos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>RANCHO: Lugar em que o pronome possessivo quase se extingue, o que \u00e9 meu \u00e9 seu, \u00e9 nosso. Descanso de naus, remos, redes e motores. S\u00edtio onde tra\u00e7am-se planos, a\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m \u00e9 enfermaria, regeneram-se corpos e cascos.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-large\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-8-RANCHO.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"724\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-8-RANCHO-724x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-797\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-8-RANCHO-724x1024.jpg 724w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-8-RANCHO-212x300.jpg 212w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-8-RANCHO-768x1086.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-8-RANCHO.jpg 905w\" sizes=\"(max-width: 724px) 100vw, 724px\" \/><\/a><figcaption>Gabriela Bandeira, <em>Rancho<\/em>, desenho, 2020.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Volta&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Esse terreno compartilhado por alguns pescadores da regi\u00e3o me \u00e9 muito pr\u00f3ximo, pertence ao meu pai, Jorge da Cunha Pinheiro (Pirulito), que hoje \u00e9 um dos propriet\u00e1rios mais antigos da praia e que tamb\u00e9m se juntou a n\u00f3s para a entrevista. Naquele lugar de ch\u00e3o de terra batida, de frente para o mar e colado ao MANGUE, no limite entre o doce e o sal, entre a terra e o ch\u00e3o fluido.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>MANGUE Onde a anatomia de corpos a\u00e9reos rege os seres super desenvolvidos, onde andar sempre para os lados em pequenos passos, para entender o per\u00edmetro movedi\u00e7o, constitui a coreografia do lugar. Onde h\u00e1 na terra buracos, feitos por oper\u00e1rios de patas, buracos que tamb\u00e9m s\u00e3o bocas, que exalam o h\u00e1lito de maresia.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-large\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-9-MANGUE.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"724\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-9-MANGUE-724x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-799\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-9-MANGUE-724x1024.jpg 724w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-9-MANGUE-212x300.jpg 212w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-9-MANGUE-768x1086.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-9-MANGUE.jpg 905w\" sizes=\"(max-width: 724px) 100vw, 724px\" \/><\/a><figcaption>Gabriela Bandeira, <em>Mangue<\/em>, desenho, 2020.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Volta\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo tinha barulho, o canto dos grilos e sapos, dos motores dos barcos, o som dos bares, dos cachorros e gatos, o som do mangue e da areia sendo levada pelo vento. Ligamos as c\u00e2meras, mais um som.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7amos as perguntas para o Jeferson: Como voc\u00ea come\u00e7ou a pescar? Ele nos respondeu que o seu pai era pescador de caranguejo e siri, vendia a carne j\u00e1 \u201cdebulhada\u201d, para completar a renda, al\u00e9m de pescar de anzol como lazer. Nisso, acabou ensinando os filhos. Jeferson chegou a trabalhar com meu pai quando tinha em torno de vinte anos, o que acabou ligando os dois. O que une ambos nesse encontro.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre: \u201cVoc\u00ea lembra disso Jefinho?\u201d, \u201cLembra Pirulito, dos desastres de \u00f3leo na Ba\u00eda, no in\u00edcio dos anos 2000?\u201d Da\u00ed partimos&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez que come\u00e7aram a lembrar dos desastres, que hoje, neste ano de 2020, fazem 20 anos do ocorrido. Jefferson lembra e explica com detalhes as etapas do desastre. Como ocorreu e quando. A impunidade \u2013 pois at\u00e9 hoje ele e muitos n\u00e3o receberam sequer uma indeniza\u00e7\u00e3o pelas perdas e danos. Nada foi mais o mesmo. Na sua fala, a dor de saber que peixes foram extintos. A ba\u00eda, que antes j\u00e1 sofria, entra em colapso. Colapso&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Recorda-se do material qu\u00edmico utilizado para maquiar e decantar o \u00f3leo para o fundo na \u00e9poca do desastre, e que apresenta uma aparente melhora na Ba\u00eda de Guanabara, mas tamb\u00e9m, at\u00e9 hoje, depois de uma chuva ou com o passar de uma rede de arrast\u00e3o no fundo, como o solo \u00e9 ent\u00e3o remexido e virado, trazendo \u00e0 superf\u00edcie a marca do \u00f3leo, viscoso e grudento. \u00d3leo que sufoca, mata lentamente e assorea. Ele e meu pai contam sobre objetos como a POITA&#8230;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>POITA, agarra, prende e n\u00e3o solta\u2026 Fixada ao solo em dia de vazante, em que encontramos o firme no fluido. Porto, port\u00e1til. O ponto nas linhas cont\u00ednuas e infinitas.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-large\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-10-POITA.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"724\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-10-POITA-724x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-801\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-10-POITA-724x1024.jpg 724w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-10-POITA-212x300.jpg 212w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-10-POITA-768x1086.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-10-POITA.jpg 905w\" sizes=\"(max-width: 724px) 100vw, 724px\" \/><\/a><figcaption>Gabriela Bandeira, <em>Poita<\/em>, desenho, 2020.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Mas tamb\u00e9m como o REMO&#8230;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>REMO, a uni\u00e3o entre corpo e objeto que cria alavanca, move o imenso e ganha propuls\u00e3o. Mover, o n\u00e3o ser est\u00e1tico na imensid\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-11-REMO.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1279\" height=\"905\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-11-REMO.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-803\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-11-REMO.jpg 1279w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-11-REMO-300x212.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-11-REMO-1024x725.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-11-REMO-768x543.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1279px) 100vw, 1279px\" \/><\/a><figcaption>Gabriela Bandeira, <em>Remo<\/em>, desenho, 2020.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Volta\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Refletem sobre como esses materiais at\u00e9 hoje acham o visgo e como esse visco assombra o seus futuros e (r)exist\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto, as&nbsp; \u201cpalavras-conceitos\u201d se instauram como camadas na paisagem, condicionando a exercitar o \u201colhar composto\u201d, que usa tamb\u00e9m os outros sentidos, como o olfato, audi\u00e7\u00e3o e tato, para ver. Fazendo libertar o po\u00e9tico nesse cotidiano aparentemente duro. Al\u00e9m de revelarem o meu pluralismo do fazer art\u00edstico, onde a palavra j\u00e1 n\u00e3o basta, \u00e9 preciso uni-la ao desenho que tamb\u00e9m \u00e9 texto.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, a cl\u00ednica do fazer me mostrou e desvelou o car\u00e1ter performativo dessa experi\u00eancia,<sup>5<\/sup> que demandou aten\u00e7\u00e3o \u00e0 escuta, ao movimento de sentir o corpo no ambiente, ou seja, observando como esse corpo reagia a esse mesmo espa\u00e7o, acolhendo as falas, que traziam emo\u00e7\u00f5es e descontentamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, foi poss\u00edvel a compreens\u00e3o de n\u00f3s mesmos como testemunhas daquela realidade que se impusera, trazendo com essa localiza\u00e7\u00e3o a responsabilidade de como ir\u00edamos contar aquela hist\u00f3ria, como ir\u00edamos dividi-la ao transform\u00e1-la em uma forma sens\u00edvel, que deveria exprimir e tentar potencializar os&nbsp; tensionamentos, com o intuito de despertar novos olhares e quem sabe a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, gostaria de ressaltar que esta \u201cexperi\u00eancia pura\u201d (primeira, geradora de um fluxo de consci\u00eancia) teve seu embri\u00e3o dentro da sala de aula, logo, enfatizo a import\u00e2ncia das Universidades P\u00fablicas Brasileiras, como gatilhos de transbordamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, vale enaltecer tamb\u00e9m o pensar pedag\u00f3gico que acolhe as hist\u00f3rias e viv\u00eancias dos alunos. O que contribui para uma perspectiva decolonial, que subverte o lugar do docente e do discente, misturando estes limites impostos e enriquecendo o debate em sala, em um movimento que visa aproximar a universidade e o mundo externo, al\u00e9m de fazer com que os alunos olhem para si antes de pensar em uma refer\u00eancia j\u00e1 existente no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo assim, podem ser fazedores e escritores dos seus pr\u00f3prios universos, caminhos e futuros.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-large\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-12-PROGRAMA-DE-ACOES-REGEN.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-12-PROGRAMA-DE-ACOES-REGEN-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-805\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-12-PROGRAMA-DE-ACOES-REGEN-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-12-PROGRAMA-DE-ACOES-REGEN-300x300.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-12-PROGRAMA-DE-ACOES-REGEN-150x150.jpg 150w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-12-PROGRAMA-DE-ACOES-REGEN-768x768.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Gabi_fig-12-PROGRAMA-DE-ACOES-REGEN.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>aGradim: Programa de a\u00e7\u00f5es regenerantes. 2020. Foto: Gabi Bandeira.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3>Em algum tempo presente, 2020<br>Consequ\u00eancias pr\u00e1ticas&#8230;<\/h3>\n\n\n\n<p>Atrav\u00e9s deste trabalho, que, no ano de 2020, completa cinco anos de ocorrido, me encontro propondo outro agenciamento, no Cais do Gradim, mas tamb\u00e9m no seu entorno, como a Praia das Pedrinhas e outros, regi\u00f5es de viv\u00eancia cai\u00e7ara no munic\u00edpio de S\u00e3o Gon\u00e7alo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para homenagear o trabalho desenvolvido com o curta, e, al\u00e9m disso, para fazer presente o sentido de desdobramento entre as a\u00e7\u00f5es, batizei o trabalho de \u201caGradim\u201d \u2013 que em um jogo de palavras tanto significa um pequeno agrado (presente), como tamb\u00e9m traz consigo o nome do lugar \u2013, no qual convido seis artistas a participarem de um programa de a\u00e7\u00f5es a serem realizadas por eles neste territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo o processo para feitura das propostas de a\u00e7\u00f5es se d\u00e1 por uma investiga\u00e7\u00e3o territorial, ou seja, os artistas s\u00e3o convidados a conhecer os locais, realidades e exist\u00eancias que vivenciam esse espa\u00e7o, como pescadores e artes\u00e3os (rendeiros, serralheiros, marceneiros, mestres em geral que sustentam a cadeia desta profiss\u00e3o). Observando a necessidade de conferir visibilidade \u00e0 comunidade cai\u00e7ara nessa localidade e tencionar suas lutas e reivindica\u00e7\u00f5es, mas sempre tendo o olhar do sens\u00edvel como ferramenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, essas viv\u00eancias s\u00e3o traduzidas pelos artistas em novas a\u00e7\u00f5es a serem oferecidas a comunidade dessas regi\u00f5es, em um ato de pensar o fazer social da arte.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, dessa vez, al\u00e9m de enfrentar o colapso ambiental, h\u00e1 o colapso na sa\u00fade, com o surgimento da pandemia de COVID-19, trazendo o desafio de ressignificar uma est\u00e9tica relacional pautada na presen\u00e7a f\u00edsica e no contato.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 de se considerar que, em um primeiro momento, n\u00e3o conseguia enxergar formas de futuros para que este processo se realizasse, mas, atrav\u00e9s de muita escuta, em um trabalho de entrevistas virtuais com a comunidade e com os pr\u00f3prios artistas, durante o momento inicial da pandemia (entre os meses de abril e junho de 2020), compreendi a necessidade de nos &#8220;agarrarmos \u00e0 vida\u201d, de enxergar o que nos fazia pulsar, que \u00e9 o fazer art\u00edstico, e assim recobrar a respira\u00e7\u00e3o que nos faltava.<\/p>\n\n\n\n<p>Comecei a realizar encontros entre comunidade, pesquisadores, agentes locais dessa regi\u00e3o cai\u00e7ara e os artistas para melhor \u201cescutar\u201d o lugar, e para nos preparar para as atividades f\u00edsicas que ocorrer\u00e3o no in\u00edcio de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, atrav\u00e9s dessas experi\u00eancias e desdobramentos, fica mais percept\u00edvel n\u00e3o s\u00f3 que o agenciamento \u00e9 uma conven\u00e7\u00e3o inerente ao meu trabalho, pois se conecta com a forma do meu ser, com a comunica\u00e7\u00e3o (oralidade), a possibilidade de partilhar, planejar (criar) e desenvolver junto, refletindo em coletivo o \u201ccomo\u201d e a maneira de manifesta\u00e7\u00e3o do sens\u00edvel; mas tamb\u00e9m a import\u00e2ncia das a\u00e7\u00f5es continuadas, que tanto colaboram para que possamos compreender as mudan\u00e7as ou n\u00e3o das a\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, como tamb\u00e9m da nossa responsabilidade para com estes territ\u00f3rios, mesmo quando os deixamos.<\/p>\n\n\n\n<h3>Agradecimentos<\/h3>\n\n\n\n<p>Agradecimentos aos entrevistados, Ant\u00f4nio Carlos de Brito Maria (Bicudo), Mauro C\u00e9sar Nascimento da Silva (Pez\u00e3o), Jeferson Figueiredo da Silva (Jefinho), Jorge da Cunha Pinheiro (Pirulito) e Paulo Fernandes Caldas da Silva (Paulo da Balan\u00e7a, ex presidente da col\u00f4nia de pescadores do Gradim, j\u00e1 falecido). Aos professores, Miguel Freire (Dept. do Curso de Estudo de M\u00eddias da UFF) e Luiz Guilherme Vergara (Dept. do Curso de Artes da UFF). Aos moradores da Praia das Pedrinhas, aos rendeiros e artes\u00e3os, aos moradores da col\u00f4nia Cicero Gueiroz, em Gradim, todos em S\u00e3o Gon\u00e7alo. Aos colegas de classe e jornada, Felipe Dal Belo, Marina Silva E Rodrigo Freitas, que ajudaram a construir essa narrativa contada atrav\u00e9s do curta\/document\u00e1rio <em>Entornos: Vozes de Gradim<\/em>, produzido entre 2015 e 2016. Aos companheiros de a\u00e7\u00f5es regenerantes, Amanda Erthal, Anderson \u00c1reas, Carlos Gabriel, Kenya Campos, Mariana Queiroz e a Ver\u00f4 Messo. \u00c0 minha fam\u00edlia, em especial a minha m\u00e3e Nara da Silva Bandeira.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Entornos  Vozes de Gradim  1080p\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/521227559?dnt=1&amp;app_id=122963\" width=\"500\" height=\"281\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; fullscreen; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption>Gabriela Bandeira e Rodrigo Freitas (diretores). <em>Entornos: Vozes de Gradim<\/em>, 2016.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">***<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Gabi Bandeira<\/em><\/strong> <br>Artista propositora de agenciamentos coletivos e pesquisadora. Mestranda em Estudos Contempor\u00e2neos das Artes pela Universidade Federal Fluminense. Sua pesquisa perpassa atrav\u00e9s da investiga\u00e7\u00e3o de conven\u00e7\u00f5es desenvolvidas no estado inventivo, atrav\u00e9s dos agenciamentos que prop\u00f5e.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><sup>1<\/sup> LAPOUJADE, <em>David. William James, a constru\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia<\/em>. S\u00e3o Paulo: n 1 Edi\u00e7\u00f5es, 2017, p 11.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>2<\/sup> Informa\u00e7\u00e3o obtida atrav\u00e9s do Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade. O instituto \u00e9 uma autarquia em regime especial, \u00e9 vinculado ao Minist\u00e9rio do Meio Ambiente e integra o Sistema Nacional do Meio Ambiente &#8211; Sisnama. <a href=\"https:\/\/www.icmbio.gov.br\/\">https:\/\/www.icmbio.gov.br<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><sup>3<\/sup> O funcionamento da aten\u00e7\u00e3o durante um trabalho de campo, estudos acerca da cogni\u00e7\u00e3o, bem como a perspectiva de que n\u00e3o h\u00e1 uma coleta de dados, mas, desde o in\u00edcio, uma produ\u00e7\u00e3o de dados da pesquisa. Ver. KASTRUP, Virg\u00ednia. PASSOS, Eduardo. ESC\u00d3SSIA, Liliana da. Pista &#8211; O funcionamento da aten\u00e7\u00e3o no trabalho do cart\u00f3grafo<em>. <\/em>In. <em>Pistas do m\u00e9todo da cartografia: pesquisa &#8211; interven\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de subjetividade. <\/em>Porto Alegre: Sulina, 2015), p. 32-51. <em>&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><sup>4<\/sup> ADAMS, Cristina. As popula\u00e7\u00f5es cai\u00e7aras e o mito do bom selvagem, Revista de Antropologia, S\u00e3o Paulo, USP, 2000, V. 43 n\u00ba1 p. 146 e DIEGUES, Antonio Carlos S. Diversidade biol\u00f3gica e culturas tradicionais litor\u00e2neas: o caso das comunidades cai\u00e7aras, S\u00e3o Paulo, NUPAUB-USP, 1988. S\u00e9rie Documentos e Relat\u00f3rios de Pesquisa, n. 5. p. 9.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>5<\/sup> Ver. TEDESCO, Silvia Helena. SADE, Christian. CALIMAN, Luciana Vieira. (2016) <em>Pista da entrevista, a entrevista na pesquisa cartogr\u00e1fica: A experi\u00eancia do dizer. <\/em>In. <em>Pistas do m\u00e9todo da cartografia: a experi\u00eancia da pesquisa e o plano comum- volume 2.<\/em>KASTRUP, Virg\u00ednia. Org. PASSOS, Eduardo. TEDESCO, Silvia. Porto Alegre: Sulina, ps. 92-127.&nbsp; <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aten\u00e7\u00e3o \u00e0s redes de si Gabi Bandeira Ser artista em um mundo que atravessa v\u00e1rios colapsos, como o sentido na esfera ambiental, me tenciona repensar o meu lugar no mundo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","meta":[],"portfolio-tags":[],"portfolio-category":[27],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/780"}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/types\/portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=780"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=780"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio-tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio-tags?post=780"},{"taxonomy":"portfolio-category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio-category?post=780"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}