{"id":667,"date":"2021-03-20T20:12:54","date_gmt":"2021-03-20T23:12:54","guid":{"rendered":"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/?post_type=portfolio&#038;p=667"},"modified":"2021-05-17T00:07:15","modified_gmt":"2021-05-17T03:07:15","slug":"helen-odonoghue","status":"publish","type":"portfolio","link":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/portfolio\/helen-odonoghue\/","title":{"rendered":"Revelando o escondido:  a pr\u00e1tica art\u00edstica socialmente engajada na Irlanda"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-1_and-they-tell-me-2013_detail-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"2560\" height=\"1703\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-1_and-they-tell-me-2013_detail-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-668\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-1_and-they-tell-me-2013_detail-scaled.jpg 2560w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-1_and-they-tell-me-2013_detail-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/a><figcaption><em>And they tell me<\/em>\u2026, da exposi\u00e7\u00e3o Once is Too Much, 1998, Ailbhe Murphy e as mulheres do Family Resource Center, Inchicore, Dublin, Irlanda. Texto, prateleiras de vidro e l\u00edrios. Detalhe.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2>Revelando o escondido:&nbsp; a pr\u00e1tica art\u00edstica socialmente engajada na Irlanda<\/h2>\n\n\n\n<h4>Helen O\u2019Donoghue<\/h4>\n\n\n\n<p>Este ensaio explora o trabalho de tr\u00eas artistas diretamente envolvidos em hist\u00f3rias socialmente cr\u00edticas e as realidades contempor\u00e2neas da vida irlandesa, al\u00e9m de contextualizar brevemente a evolu\u00e7\u00e3o do que foi denominado, mais recentemente, pr\u00e1tica art\u00edstica socialmente engajada na Irlanda.&nbsp; Cada artista se debate com diferentes dimens\u00f5es do escondido: Bernie Masterson trabalha com prisioneiros no servi\u00e7o prisional irland\u00eas contando suas hist\u00f3rias de marginaliza\u00e7\u00e3o e revelando hist\u00f3rias de abuso institucional; Seamus McGuinness lan\u00e7a luz sobre estigmas sociais dolorosos atrav\u00e9s de suas colabora\u00e7\u00f5es com as fam\u00edlias de jovens v\u00edtimas de suic\u00eddio; e Vuka\u0161in Nedeljkovi\u0107 documenta a experi\u00eancia de refugiados e requerentes de asilo na Irlanda.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-2-BernieMasterson_Shrine_Video_Still3_2014_.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"662\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-2-BernieMasterson_Shrine_Video_Still3_2014_.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-670\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-2-BernieMasterson_Shrine_Video_Still3_2014_.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-2-BernieMasterson_Shrine_Video_Still3_2014_-300x166.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-2-BernieMasterson_Shrine_Video_Still3_2014_-1024x565.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-2-BernieMasterson_Shrine_Video_Still3_2014_-768x424.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption>Bernie Masterson, <em>Shrine<\/em>, 2014. Imagem de v\u00eddeo.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3>Os artistas: Bernie Masterson, Seamus McGuinness e Vuka\u0161in Nedeljkovi\u0107<\/h3>\n\n\n\n<p>Em 2014, Bernie Masterson me pediu para fazer uma visita ao ateli\u00ea para ver seu \u00faltimo trabalho e escrever sobre ele para sua pr\u00f3xima exposi\u00e7\u00e3o em Rua Red, em Tallaght, Dublin. Esse trabalho representou uma mudan\u00e7a significativa na sua pr\u00e1tica como artista. Ao ver os v\u00eddeos pela primeira vez, senti um calafrio, um calafrio g\u00e9lido, \u00famido e profundo; evocando meu pr\u00f3prio passado, nosso passado coletivo de segredo, conspira\u00e7\u00e3o e verdades n\u00e3o ditas.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pe\u00e7a em v\u00eddeo, <em>Shrine<\/em>, por exemplo, enfoca as v\u00e1rias marcas de riscos deixados por crian\u00e7as nas superf\u00edcies dos bancos da igreja. Inicialmente, parecem abstratos, mas logo em seguida conseguimos decifrar nomes, as tentativas das crian\u00e7as de deixar sua marca nesses locais de encarceramento. A trilha sonora \u00e9 amea\u00e7adoramente amb\u00edgua e perturbadora. Os sons n\u00e3o parecem pertencer aos tons de uma composi\u00e7\u00e3o musical ou ser os sons do ambiente de quando as riscas estavam sendo feitas, mas lutam em um duelo de desarmonias reais e constru\u00eddas refletindo as imagens de letras gravadas nos veios da madeira que tamb\u00e9m poderiam ser nota\u00e7\u00e3o musical ou livros antigos daquela \u00e9poca. Penso naquele grande verso \u201c[&#8230;] quando o ar inala voc\u00ea\u201d de M\u00e1ighr\u00e9ad Medbh, uma poetisa com quem Masterson veio a colaborar posteriormente.<sup>1<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>A imagina\u00e7\u00e3o de Masterson se dedica h\u00e1 muito tempo a reconstruir o que ela viu e ouviu. Desde 2014, ela explora hist\u00f3rias pessoais e experi\u00eancias de prisioneiros em uma sequ\u00eancia de trabalhos em v\u00eddeo que s\u00e3o ilustrados como parte da nossa conversa em outra se\u00e7\u00e3o desta publica\u00e7\u00e3o. Esse corpo de trabalho apresenta uma narrativa coerente, que nos move de um horror que fala aos destitu\u00eddos em todos n\u00f3s atrav\u00e9s de um processo de assimila\u00e7\u00e3o dessas experi\u00eancias para nos apresentar a possibilidade de transcend\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-3-21g-Making-Stigma-Visible.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1224\" height=\"816\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-3-21g-Making-Stigma-Visible.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-673\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-3-21g-Making-Stigma-Visible.jpg 1224w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-3-21g-Making-Stigma-Visible-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-3-21g-Making-Stigma-Visible-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-3-21g-Making-Stigma-Visible-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1224px) 100vw, 1224px\" \/><\/a><figcaption>Seamus McGuinness, 21g, 2003, instalado como parte de<em> Lived Lives<\/em> <em>&#8220;Making Stigma Visible&#8221;<\/em>, Centro Cultural Regional, Letterkenny, Condado de Donegal, nov. 2018. Foto: Robert Ellis.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Na instala\u00e7\u00e3o de Seamus McGuinness, <em>21g<\/em>, 2003, v\u00e1rios colarinhos de camisa constituem os elementos dessa obra de arte evocativa. O fasc\u00ednio dos tecidos flutuando no espa\u00e7o da galeria lembram uma murmura\u00e7\u00e3o. Colarinhos arrancados das camisas, com os fiapos pendendo ao ch\u00e3o; flutuando quase como seres et\u00e9reos separados do solo, na altura do pesco\u00e7o; colarinhos brancos fazendo sombras que atraem a aten\u00e7\u00e3o do espectador e que, em seguida, surpreendentemente nos lembram do que foi arrancado de suas fam\u00edlias \u2013 seus entes queridos levados pelo ato absoluto do suic\u00eddio. Como na obra de Masterson, h\u00e1 uma est\u00e9tica que faz refer\u00eancia ao ritual\u00edstico e ao et\u00e9reo, lembrando a est\u00e9tica teatral da Igreja Cat\u00f3lica, que envolve o espectador em seus mist\u00e9rios e n\u00e3o revela, mas esconde (talvez esconda ou proteja a verdade de forma consciente). Essa obra seminal est\u00e1 ao lado de recorda\u00e7\u00f5es que Seamus recebeu de centenas de fam\u00edlias que perderam seus filhos por suic\u00eddio. O uso de restos de tecido lembra a antiga tradi\u00e7\u00e3o irlandesa da <em>Rag Tree <\/em>[\u00c1rvore de Retalhos], segundo a qual retalhos s\u00e3o colocados nas \u00e1rvores por pessoas que acreditam que se uma pe\u00e7a de roupa de algu\u00e9m que est\u00e1 doente ou tem qualquer tipo de problema for pendurada na \u00e1rvore, o problema ou a doen\u00e7a v\u00e3o desaparecer \u00e0 medida que o retalho se deteriorar. Ao longo dos anos, McGuinness acumulou um acervo audiovisual cont\u00ednuo dos muitos encontros que ele criou para reunir fam\u00edlias para lamentar, relembrar e compartilhar suas experi\u00eancias traum\u00e1ticas comuns. Cada encontro que tive at\u00e9 hoje com o processo de trabalho de McGuinness foi uma experi\u00eancia comovente de um encontro relacional interpessoal dial\u00f3gico, em que a natureza emp\u00e1tica do artista coloca as fam\u00edlias que est\u00e3o de luto sob seus cuidados. O trabalho, portanto, atua como um catalisador para a comunh\u00e3o entre as pessoas de forma verbal e n\u00e3o verbal. \u00c0s vezes, o sil\u00eancio fala mais alto do que palavras ou declara\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/fig-4-Atlantic-View-Direct-Provision-Centre-Tramore.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"798\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/fig-4-Atlantic-View-Direct-Provision-Centre-Tramore.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-675\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/fig-4-Atlantic-View-Direct-Provision-Centre-Tramore.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/fig-4-Atlantic-View-Direct-Provision-Centre-Tramore-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/fig-4-Atlantic-View-Direct-Provision-Centre-Tramore-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/fig-4-Atlantic-View-Direct-Provision-Centre-Tramore-768x511.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption>Vuka\u0161in Nedeljkovi\u0107, <em>Atlantic View<\/em>, Centro de Provis\u00e3o Direta, Tramore, 2012, Asylum Archive.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Vuka\u0161in Nedeljkovi\u0107 faz parte de uma nova gera\u00e7\u00e3o de artistas que est\u00e1 surgindo na Irlanda e que vivenciou em primeira m\u00e3o a provis\u00e3o do Estado irland\u00eas para refugiados e requerentes de asilo. Ele, como outros, representa uma nova voz contempor\u00e2nea que fala a verdade ao poder. As fotografias de Nedeljkovi\u0107 usam o fotorrealismo para apresentar a dura realidade dos ambientes que foram atribu\u00eddos \u00e0queles que recentemente requereram asilo ao Estado irland\u00eas. Essas fotos n\u00e3o escondem o que est\u00e1 ali. Elas revelam ao espectador as duras realidades e ambientes f\u00edsicos reais dos Centros de Provis\u00e3o Direta. Essa estrutura foi estabelecida em 1999 e contou com 150 centros, alguns dos quais j\u00e1 est\u00e3o fechados, que estavam espalhados por todo o pa\u00eds, muitos em locais remotos nos limites das cidades, na periferia da sociedade irlandesa. Isso reduziu o potencial de integra\u00e7\u00e3o com as comunidades locais, transformando os centros em ambientes de gueto. As fotos s\u00e3o uma representa\u00e7\u00e3o comovente e chocante do abandono que os moradores que viviam l\u00e1 foram for\u00e7ados a suportar.<sup>2<\/sup> Nedeljkovi\u0107 afirma em seu site que:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>As fotografias do acervo s\u00e3o desprovidas de romantismo e esteticismo; apenas documentam a realidade cotidiana dos requerentes de asilo. Esse trabalho \u00e9 pol\u00edtico e socialmente engajado. Meu trabalho n\u00e3o se inspira tanto em fot\u00f3grafos e artistas contempor\u00e2neos ou hist\u00f3ricos, embora eu n\u00e3o negue a influ\u00eancia dos fot\u00f3grafos documentaristas americanos ou da Escola Alem\u00e3 de Fotografia, bem como de escritores como Primo Levi e Franz Fanon, ou de fil\u00f3sofos radicais como Walter Benjamin e Giorgio Agamben.<sup>3<\/sup><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<h3>A pr\u00e1tica art\u00edstica socialmente engajada na Irlanda: contexto<\/h3>\n\n\n\n<p>Apesar da abertura recente da sociedade irlandesa no sentido de adotar mudan\u00e7as sociais mais liberais, a Irlanda ainda est\u00e1 lutando em 2020 com uma hist\u00f3ria p\u00f3s-colonial muito complexa. Faz menos de cem anos que nos tornamos um Estado independente, e o \u00faltimo s\u00e9culo foi marcado pela revolu\u00e7\u00e3o, independ\u00eancia, guerra civil, parti\u00e7\u00e3o, subdesenvolvimento econ\u00f4mico e emigra\u00e7\u00e3o. A vida social desse novo Estado independente foi moldada por uma estreita alian\u00e7a de uma classe pol\u00edtica conservadora e uma hierarquia cat\u00f3lica doutrin\u00e1ria igualmente conservadora. Essas for\u00e7as produziram efeitos em todos os aspectos da vida social, educacional e econ\u00f4mica. Apesar das mudan\u00e7as radicais que o eleitorado promoveu em referendos recentes (representados de forma mais clara pelo reconhecimento do direito das mulheres \u00e0 autonomia sobre seus corpos em 2018 e pela igualdade do casamento entre pessoas do mesmo sexo em 2015), ainda h\u00e1 um legado remanescente dos sistemas institucionais repressivos do in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Na Irlanda atual, muitos artistas socialmente engajados lutam com esse legado e seu respectivo impacto e chamam a aten\u00e7\u00e3o com seu trabalho para quest\u00f5es sociais e vozes anteriormente escondidas, trazendo-as \u00e0 luz. Nos \u00faltimos trinta anos, a pr\u00e1tica art\u00edstica socialmente engajada cresceu em sua complexidade para envolver, apoiar e defender a mudan\u00e7a. Os tr\u00eas artistas que menciono neste texto representam essa pr\u00e1tica crescente na Irlanda que est\u00e1 ganhando for\u00e7a, rigor intelectual e acesso tanto \u00e0s institui\u00e7\u00f5es culturais quanto ao discurso art\u00edstico cr\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>Para tratar do trabalho desses tr\u00eas artistas, vou mencionar resumidamente o contexto em evolu\u00e7\u00e3o no qual os artistas irlandeses t\u00eam trabalhado desde os anos 1970, quando as artes comunit\u00e1rias \u2013 um percursor significativo da pr\u00e1tica socialmente engajada \u2013 emergiram como um movimento de raiz (movimento de base? em d\u00favida).<sup>4<\/sup> Como termo, artes comunit\u00e1rias n\u00e3o se originam das formas irlandesas de pensar sobre as artes e a sociedade<sup>5<\/sup>. Na pr\u00e1tica, significa literalmente artistas que trabalham em ambientes comunit\u00e1rios fora do contexto das artes tradicionais usando diversas formas de arte, como teatro, desfiles, murais e festivais.<sup>6<\/sup> Tendo aparecido pela primeira vez no contexto brit\u00e2nico, as artes comunit\u00e1rias se tornaram essenciais para os esfor\u00e7os vinculados \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o da cultura ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial como uma ferramenta para promover a democracia e o \u00edmpeto de mudan\u00e7a social dos anos 1960 e logo se tornaram um movimento pol\u00edtico marcado por uma preocupa\u00e7\u00e3o central com a democracia cultural. Na Irlanda, as artes comunit\u00e1rias come\u00e7aram a emergir de movimentos de base em uma \u00e9poca em que existiam poucas institui\u00e7\u00f5es culturais e mecanismos de apoio. Nesse contexto cultural, os artistas na Irlanda trabalharam criativamente dentro e fora do ateli\u00ea como professores, tutores e facilitadores e as pr\u00e1ticas multifacetadas atuais t\u00eam suas ra\u00edzes nos desafios que encontraram e nos impactos dos movimentos socioculturais e pol\u00edticos do per\u00edodo da contracultura e protestos (<em>Hippie<\/em>) do final dos anos 1960 \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, os Panteras Negras, a agita\u00e7\u00e3o contra a Guerra do Vietn\u00e3 e protestos estudantis globais. Al\u00e9m dessas influ\u00eancias, os ativistas da classe trabalhadora na Gr\u00e3-Bretanha p\u00f3s-industrial, vendo os elementos desses movimentos como um fen\u00f4meno predominantemente de classe m\u00e9dia que marginalizou ainda mais seus pr\u00f3prios interesses, lideraram sua pr\u00f3pria revolta. No final da d\u00e9cada de 1970, essas for\u00e7as cr\u00edticas e sociais se expressaram como um movimento art\u00edstico comunit\u00e1rio.<sup>7<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Desde os anos 1970, a compreens\u00e3o da pr\u00e1tica evoluiu das artes comunit\u00e1rias para incluir as terminologias em evolu\u00e7\u00e3o do participativo, colaborativo e socialmente engajado. Todas essas pr\u00e1ticas envolvem graus de participa\u00e7\u00e3o e colabora\u00e7\u00e3o tanto do p\u00fablico como do artista. A motiva\u00e7\u00e3o subjacente de artistas que desejam se engajar fora das estruturas hier\u00e1rquicas do mundo da arte hegem\u00f4nica os levou a adotar estrat\u00e9gias que inclu\u00edssem outras pessoas em sua pr\u00e1tica art\u00edstica e a questionar a no\u00e7\u00e3o de uma \u00fanica voz autoral, decis\u00f5es sobre quem pode participar na produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de obras de arte e estrat\u00e9gias acerca de como isso deve ser feito. Influenciados por diversas posi\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas p\u00f3s-modernas do final do s\u00e9culo XX e discursos cr\u00edticos em evolu\u00e7\u00e3o, como o feminismo, a pedagogia cr\u00edtica e a teoria e pr\u00e1tica decolonial, os artistas irlandeses testaram os par\u00e2metros dessas pr\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, a Irlanda passou por mudan\u00e7as sociopol\u00edticas significativas, principalmente quando, em 1991, a primeira candidata mulher, Mary Robinson, foi eleita presidente da Irlanda. Como pol\u00edtica de esquerda e advogada de direitos humanos, ela trouxe mudan\u00e7as radicais ao cargo e \u00e9 amplamente considerada uma figura transformadora da Irlanda e da presid\u00eancia irlandesa, tendo revitalizado e liberalizado um cargo pol\u00edtico anteriormente conservador e comedido. Seu mandato como presidente coincidiu com a elei\u00e7\u00e3o de um governo de coaliz\u00e3o que incluiu o primeiro Ministro da Cultura, o poeta e ativista de direitos humanos Michael D Higgins, atual presidente da Irlanda. A sociedade irlandesa come\u00e7ou a experimentar um per\u00edodo de abertura e mudan\u00e7a cultural na \u00faltima d\u00e9cada do s\u00e9culo XX, e uma nova onda de desenvolvimento na pr\u00e1tica art\u00edstica e na reflex\u00e3o cr\u00edtica emergiu. Um evento relevante nesse sentido foi a inaugura\u00e7\u00e3o do Museu Irland\u00eas de Arte Moderna (IMMA) em 1991.<sup>8<\/sup><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/fig-5-IMMA-Studio-1995-Rochelle-and-Rita.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"720\" height=\"500\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/fig-5-IMMA-Studio-1995-Rochelle-and-Rita.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-677\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/fig-5-IMMA-Studio-1995-Rochelle-and-Rita.jpg 720w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/fig-5-IMMA-Studio-1995-Rochelle-and-Rita-300x208.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><\/a><figcaption>A artista Rochelle Rubenstein e a ativista comunit\u00e1ria Rita Fagan nos est\u00fadios do IMMA, 1996.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica do diretor-fundador do IMMA, Declan McGonagle, era ampliar o acesso \u00e0s artes para todos e criar um espa\u00e7o para artistas e outras pessoas trabalharem juntos. Fui nomeada a primeira Curadora de Educa\u00e7\u00e3o e Comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos primeiros dez anos, uma pol\u00edtica radical de inclus\u00e3o foi incorporada nessa nova institui\u00e7\u00e3o, com artistas trabalhando diretamente com comunidades do entorno do museu, em especial \u2013 uma popula\u00e7\u00e3o predominantemente da classe trabalhadora que enfrentava altas taxas de desemprego e com uma grande propor\u00e7\u00e3o de pessoas que viviam em habita\u00e7\u00f5es populares mantidas pelo governo. Essa \u00e1rea corresponde ao c\u00f3digo postal Dublin 8 e fica ao sul do Rio Liffey, que separa a regi\u00e3o norte da regi\u00e3o sul da cidade. Kilmainham fica nessa \u00faltima e, no in\u00edcio dos anos 1990, era considerada muito longe do centro cultural da cidade. Portanto, estabelecer ali o primeiro museu do pa\u00eds dedicado \u00e0 arte moderna e contempor\u00e2nea foi algo fortemente criticado por muitos como sendo desaconselh\u00e1vel. O trabalho realizado reuniu pessoas que nunca haviam se envolvido com uma institui\u00e7\u00e3o cultural ou com a arte contempor\u00e2nea junto com artistas que estavam testando modelos de engajamento comunit\u00e1rio e ativismo pol\u00edtico.<sup>9<\/sup> Surgiram projetos que colocaram em primeiro plano a voz de pessoas mais velhas,<sup>10<\/sup> hist\u00f3rias de mulheres do centro da cidade, homens desempregados e crian\u00e7as e adolescentes e que exploraram quest\u00f5es como identidade pessoal e comunit\u00e1ria, viol\u00eancia contra as mulheres e amea\u00e7a \u00e0 habita\u00e7\u00e3o popular. Usando sua exposi\u00e7\u00e3o internacional e programas de Resid\u00eancia Art\u00edstica, o IMMA facilitou o relacionamento entre artistas nacionais e internacionais e essas comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma s\u00e9rie de projetos experimentais foram implementados em que artistas trabalharam em colabora\u00e7\u00e3o com diversos comunidades nas imedia\u00e7\u00f5es do museu em Kilmainham<sup>11<\/sup> e, posteriormente, a partir de 1995, em todo o pa\u00eds atrav\u00e9s do Programa Nacional do Museu. Foram desenvolvidas iniciativas de programa\u00e7\u00e3o de art\u00edstica centradas na participa\u00e7\u00e3o. Os resultados foram exibidos, e as percep\u00e7\u00f5es foram avaliadas e disseminadas por meio de publica\u00e7\u00f5es e confer\u00eancias p\u00fablicas. A exposi\u00e7\u00e3o, <em>Unspoken Truths<\/em>, apresentada no IMMA em 1992, marcou um novo ponto culminante no engajamento art\u00edstico comunit\u00e1rio, uma vez que estava instalada em uma institui\u00e7\u00e3o nacional, apoiada pelas estruturas de suporte do museu, e recebeu reconhecimento real quando foi formalmente inaugurada por Mary Robinson, Presidente da Irlanda. A exposi\u00e7\u00e3o circulou bastante at\u00e9 1996.<sup>12<\/sup><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"874\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/04\/fig6.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3156\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/04\/fig6.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/04\/fig6-300x219.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/04\/fig6-1024x746.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/04\/fig6-768x559.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption>Presidente Mary Robinson no evento de abertura de Unspoken Truths, no IMMA, 1992.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"548\" height=\"570\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/04\/fig7.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3159\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/04\/fig7.jpg 548w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/04\/fig7-288x300.jpg 288w\" sizes=\"(max-width: 548px) 100vw, 548px\" \/><figcaption>Maurice O\u2019Connell, <em>The Tribal Project<\/em>, IMMA.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Novas defini\u00e7\u00f5es de pr\u00e1tica de trabalho surgiram conforme os artistas se envolviam em debates internacionais. A artista e curadora americana Mary Jane Jacobs convidou Maurice O&#8217;Connell (que havia trabalhado no IMMA em <em>From Beyond the Pale<\/em>, 1994\/5, e no projeto comunit\u00e1rio do Wet Paint para jovens) a participar de sua iniciativa de exposi\u00e7\u00e3o\/projeto\/publica\u00e7\u00e3o <em>Conversations in the Castle<\/em>, dedicada ao tema da mudan\u00e7a de p\u00fablico contempor\u00e2neo como parte do Festival de Arte de Atlanta em 1996, realizado durante as Olimp\u00edadas de Atlanta naquele mesmo ano.<sup>13<\/sup> As ideias de Grant Kester, apresentadas aos artistas irlandeses em 1998 no evento <em>Littoral, <\/em>realizado no Instituto Dun Laoghaire de Arte, Design e Tecnologia (DLIADT), forneceram uma base te\u00f3rica para o exame da pr\u00e1tica participativa. O simp\u00f3sio DLIADT conectou artistas irlandeses \u00e0 rede internacional de artistas, cr\u00edticos e educadores interessados em novas abordagens das pr\u00e1ticas art\u00edsticas, pesquisa e pedagogia contempor\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p>Influenciados por esse contexto nas \u00faltimas d\u00e9cadas, surgiram v\u00e1rios artistas cuja pr\u00e1tica teve um impacto significativo nas artes e no desenvolvimento da comunidade. Ailbhe Murphy, que atraiu a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico pela primeira vez com <em>Unspoken Truths <\/em>em 1992, em colabora\u00e7\u00e3o com o Family Resource Center, St. Michael&#8217;s Estate, Inchicore e Lourdes Youth &amp; Community Services, Sean McDermott Street e IMMA, desenvolveu uma pr\u00e1tica cont\u00ednua embasada na \u00eanfase de Kester no di\u00e1logo e nas pr\u00e1ticas baseadas no tempo denominadas &#8220;est\u00e9tica dial\u00f3gica&#8221;.<sup>14<\/sup> O artista\/cineasta Joe Lee, cuja obra documenta a experi\u00eancia de mudan\u00e7as urbanas vividas pelos cidad\u00e3os de Dublin, trabalhou ao lado de Murphy, Rhona Henderson (escocesa) e Rochelle Rubenstein (canadense) em colabora\u00e7\u00e3o com um grupo de mulheres de Inchicore, Dublin, na exposi\u00e7\u00e3o <em>Once is Too Much <\/em>(IMMA, 1997). A obra de arte colaborativa de Lee intitulada <em>Open Season<\/em>, feita com o grupo de mulheres, foi adquirida para a Cole\u00e7\u00e3o do IMMA, tornando-a a primeira obra de arte participativa inclu\u00edda em uma cole\u00e7\u00e3o nacional. A artista Rhona Henderson radicada em Dublin entrela\u00e7ou &nbsp;a pr\u00e1tica e o posicionamento te\u00f3rico no contexto das tend\u00eancias internacionais e trabalhou em muitos programas comunit\u00e1rios no IMMA e em outros lugares.<sup>15<\/sup><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Unspoken Truths\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zVnTwOePnA0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption>Documenta\u00e7\u00e3o em v\u00eddeo, <em>Unspoken Truths<\/em>, 1994<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Outros projetos que surgiram incluem: <em>Mapping<\/em>;<sup>16<\/sup> <em>Dreams in the Dark<\/em>,<sup>17<\/sup> <em>Wiseways <\/em>e <em>Equivalence<\/em>.<sup>18<\/sup> As pr\u00e1ticas testadas no IMMA influenciaram a pol\u00edtica nacional e a provis\u00e3o, como o festival nacional de artes Bealtaine sobre criatividade no envelhecimento. O IMMA, ao longo dos \u00faltimos trinta anos, segue apoiando artistas, por meio de seu Programa de Resid\u00eancia, a se engajarem com as comunidades e tamb\u00e9m cria um local de exposi\u00e7\u00e3o para os trabalhos desenvolvidos no \u00e2mbito do programa.<sup>19<\/sup> Dois exemplos recentes s\u00e3o <em>A Village Plot<\/em>, de Deirdre O\u2019Mahony e Loy Foundation, 2016, uma obra de arte ecol\u00f3gica, e <em>Crocosmia<\/em>, de Clodagh Emoe, com refugiados e requerentes de asilo, 2018.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-large\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/fig-8-A-Village-Plot-Deirdre-OMahony-IMMA-2016-photo-Helen-ODonoghue.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/fig-8-A-Village-Plot-Deirdre-OMahony-IMMA-2016-photo-Helen-ODonoghue-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-683\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/fig-8-A-Village-Plot-Deirdre-OMahony-IMMA-2016-photo-Helen-ODonoghue-768x1024.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/fig-8-A-Village-Plot-Deirdre-OMahony-IMMA-2016-photo-Helen-ODonoghue-225x300.jpg 225w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/fig-8-A-Village-Plot-Deirdre-OMahony-IMMA-2016-photo-Helen-ODonoghue-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/fig-8-A-Village-Plot-Deirdre-OMahony-IMMA-2016-photo-Helen-ODonoghue.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/a><figcaption>Deirdre O\u2019Mahony e Loy Foundation, <em>A Village Plot<\/em>, 2016.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-9-Crocosmia-x-Group-Portrait-IMMA.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"2098\" height=\"1399\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-9-Crocosmia-x-Group-Portrait-IMMA.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-685\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-9-Crocosmia-x-Group-Portrait-IMMA.jpg 2098w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-9-Crocosmia-x-Group-Portrait-IMMA-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-9-Crocosmia-x-Group-Portrait-IMMA-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-9-Crocosmia-x-Group-Portrait-IMMA-768x512.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-9-Crocosmia-x-Group-Portrait-IMMA-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-9-Crocosmia-x-Group-Portrait-IMMA-2048x1366.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2098px) 100vw, 2098px\" \/><\/a><figcaption><em>Crocosmia \u00d7<\/em> , 2018. Lan\u00e7amento p\u00fablico no recinto do IMMA. Clodagh Emoe com Hallah Faran Dawood, Ragad Farhan Dawod, Papy Kahoya `Kasongo, Mahamad Fadaie e Romeo Kibambe Kitenge.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo per\u00edodo, a pr\u00e1tica cresceu exponencialmente em toda a Irlanda e o pensamento cr\u00edtico na \u00e1rea foi liderado por uma s\u00e9rie de artistas importantes, principalmente Ailbhe Murphy, artista que desenvolveu <em>Unspoken Truths <\/em>e \u00e9 atualmente diretora da CREATE, a ag\u00eancia nacional que apoia a pr\u00e1tica art\u00edstica colaborativa e socialmente engajada (https:\/\/www.create-ireland.ie\/aboutus\/people\/). Outros artistas que se envolvem com comunidades espec\u00edficas e empregam pr\u00e1ticas duradouras s\u00e3o:&nbsp; Marie Brett (https:\/\/mariebrett.ie\/);<sup>20<\/sup> o mencionado Clodagh Emoe (<a href=\"https:\/\/www.clodaghemoe.com\/crocosmia-x\/\">https:\/\/www.clodaghemoe.com\/crocosmia-x\/<\/a>) e Joe Lee (<a href=\"http:\/\/joelee.ie\/\">http:\/\/joelee.ie\/<\/a>); Brian Maguire (<a href=\"https:\/\/www.kerlingallery.com\/artists\/brian-maguire\">https:\/\/www.kerlingallery.com\/artists\/brian-maguire<\/a>) Seamus Nolan (https:\/\/imma.ie\/artists\/seamus-nolan\/); Terry O\u2019Farrell (<a href=\"http:\/\/www.artsandhealth.ie\/case-studies\/wise-ways\/\">http:\/\/www.artsandhealth.ie\/case-studies\/wise-ways\/<\/a>); Deirdre O\u2019Mahony (<a href=\"https:\/\/deirdre-omahony.ie\/\">https:\/\/deirdre-omahony.ie\/<\/a>) e Fiona Whelan (http:\/\/www.fionawhelan.com\/). Embora essa n\u00e3o seja uma lista completa de artistas, dar\u00e1 a um leitor internacional uma perspectiva sobre o alcance atual da pr\u00e1tica de arte social na Irlanda. Em que pese os artistas terem liderado a pr\u00e1tica no campo, as institui\u00e7\u00f5es de ensino superior deram continuidade e desenvolveram cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o para envolver os praticantes nos discursos intelectuais e paradigmas te\u00f3ricos que foram se desenvolvendo em todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>A documenta\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica art\u00edstica comunit\u00e1ria na Irlanda era insignificante at\u00e9 2004, quando um cons\u00f3rcio de tr\u00eas organiza\u00e7\u00f5es se reuniu (City Arts Centre, CREATE e Community Arts Forum) e publicou um primeiro comp\u00eandio intitulado <em>An Outburst of Frankness<\/em>, <em>Community Arts in Ireland \u2013&nbsp; A Reader<\/em>. Sandy Fitzgerald, seu editor, escreve no pref\u00e1cio: \u201cA Arte Comunit\u00e1ria apareceu pela primeira vez na Irlanda no final dos anos 1970, dando in\u00edcio a uma esp\u00e9cie de revolu\u00e7\u00e3o silenciosa, que desde ent\u00e3o se tornou um fen\u00f4meno cultural.\u201d Os colaboradores foram escolhidos n\u00e3o por serem escritores profissionais ou acad\u00eamicos, mas \u201cpor sua experi\u00eancia e percep\u00e7\u00e3o da vida cultural em geral e das artes comunit\u00e1rias em particular\u201d.<sup>21<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Cerca de dezesseis anos depois, fica claro que as pr\u00e1ticas art\u00edsticas anteriormente denominadas artes comunit\u00e1rias foram sendo questionadas intelectualmente e refletem movimentos semelhantes em todo o mundo. Ailbhe Murphy, artista e diretora da CREATE, ao escrever na publica\u00e7\u00e3o recente <em>Learning in Public<\/em>,<sup>22<\/sup> descreve a inten\u00e7\u00e3o dessa publica\u00e7\u00e3o da seguinte forma: \u201cquer\u00edamos refletir a natureza dial\u00f3gica do trabalho e levantar quest\u00f5es cr\u00edticas para a \u00e1rea das artes colaborativas e socialmente engajadas.\u201d Uma perspectiva que representa o rigor intelectual que ela e outros artistas trouxeram para essa pr\u00e1tica nos \u00faltimos trinta anos. Uma pr\u00e1tica irlandesa em evolu\u00e7\u00e3o agora se tornou parte de um discurso internacional e est\u00e1 influenciando uma compreens\u00e3o mais ampla desse campo emergente da pr\u00e1tica art\u00edstica em uma fertiliza\u00e7\u00e3o cruzada de ideias e debate cr\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-large\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-10-brian_maguire_untitled_favela_prudente_1998_3-DMF.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-10-brian_maguire_untitled_favela_prudente_1998_3-DMF-683x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-687\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-10-brian_maguire_untitled_favela_prudente_1998_3-DMF-683x1024.jpg 683w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-10-brian_maguire_untitled_favela_prudente_1998_3-DMF-200x300.jpg 200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-10-brian_maguire_untitled_favela_prudente_1998_3-DMF-768x1151.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-10-brian_maguire_untitled_favela_prudente_1998_3-DMF-1025x1536.jpg 1025w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-10-brian_maguire_untitled_favela_prudente_1998_3-DMF.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><\/a><figcaption>Brian Maguire, <em>Favela Vila Prudente<\/em>, 1998, cibachrome on aluminium, Acervo IMMA.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-11-Seamus-O-Nolan10th-President..jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"627\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-11-Seamus-O-Nolan10th-President..jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-689\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-11-Seamus-O-Nolan10th-President..jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-11-Seamus-O-Nolan10th-President.-300x157.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-11-Seamus-O-Nolan10th-President.-1024x535.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-11-Seamus-O-Nolan10th-President.-768x401.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption>Seamus Nolan, <em>The Inauguration of William Delaney as 10th President of Ireland an Unofficial Act of State<\/em>, maio 2013.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"Body\"><span class=\"Hyperlink3\"><span style=\"font-size: 11.0pt;line-height: 150%\" lang=\"PT\">Os praticantes irlandeses est\u00e3o conversando com seus colegas internacionais, e est\u00e1 surgindo um entendimento compartilhado da pr\u00e1tica socialmente engajada. As trocas entre a Irlanda e o exterior, entre Kester e Gregory Shollette, dos EUA, por exemplo, e os te\u00f3ricos irlandeses Mick Wilson e Paul O&#8217;Neill, ambos radicados na Su\u00e9cia atualmente, e colabora\u00e7\u00f5es europeias baseadas na pr\u00e1tica expandiram tanto a compreens\u00e3o quanto a dissemina\u00e7\u00e3o por meio de publica\u00e7\u00f5es e simp\u00f3sios que avaliam e questionam a pr\u00e1tica.<\/span><\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-12-Torpedo_By-Marie-Brett-John-McHarg_multi-media-installation-series_Photo-by-Venividi-photo.57.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"801\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-12-Torpedo_By-Marie-Brett-John-McHarg_multi-media-installation-series_Photo-by-Venividi-photo.57.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-691\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-12-Torpedo_By-Marie-Brett-John-McHarg_multi-media-installation-series_Photo-by-Venividi-photo.57.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-12-Torpedo_By-Marie-Brett-John-McHarg_multi-media-installation-series_Photo-by-Venividi-photo.57-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-12-Torpedo_By-Marie-Brett-John-McHarg_multi-media-installation-series_Photo-by-Venividi-photo.57-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-12-Torpedo_By-Marie-Brett-John-McHarg_multi-media-installation-series_Photo-by-Venividi-photo.57-768x513.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption>Marie Brett &amp; John McHarg, <em>Torpedo<\/em>, 2017, Multi-media installation series. Foto: Venividi.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-large\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-13-Wiseways_Helen-essay.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"819\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-13-Wiseways_Helen-essay-819x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-693\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-13-Wiseways_Helen-essay-819x1024.jpg 819w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-13-Wiseways_Helen-essay-240x300.jpg 240w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-13-Wiseways_Helen-essay-768x961.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-13-Wiseways_Helen-essay.jpg 960w\" sizes=\"(max-width: 819px) 100vw, 819px\" \/><\/a><figcaption>Terry Farrell,<em> Blackboard<\/em>, <em>Wiseways,<\/em> 2011, Foto: Terry O\u2019Farrell.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"Body\"><span class=\"Hyperlink3\"><span style=\"font-size: 11.0pt;line-height: 150%\" lang=\"PT\">Atualmente, a CREATE est\u00e1 liderando um processo colaborativo com v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e acad\u00eamicos para estabelecer um registro avaliativo do trabalho na \u00e1rea. Eles est\u00e3o tamb\u00e9m elaborando um comp\u00eandio sobre pr\u00e1ticas socialmente engajadas que ser\u00e1 a primeira publica\u00e7\u00e3o abrangente nessa \u00e1rea na Irlanda.<\/span><\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-14-Fiona-Whelan-What_Does_He_Need_300DPI-17.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"801\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-14-Fiona-Whelan-What_Does_He_Need_300DPI-17.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-695\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-14-Fiona-Whelan-What_Does_He_Need_300DPI-17.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-14-Fiona-Whelan-What_Does_He_Need_300DPI-17-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-14-Fiona-Whelan-What_Does_He_Need_300DPI-17-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-14-Fiona-Whelan-What_Does_He_Need_300DPI-17-768x513.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption><em>What Does He Need?<\/em>&nbsp;Projeto de cartazes p\u00fablicos. Fiona Whelan, Projeto Brokentalkers &amp; Rialto Youth, The LAB gallery Dublin, Dezembro 2020. Foto: Louis Haugh.&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/whatdoesheneed.com\/\" target=\"_blank\">whatdoesheneed.com<\/a>&nbsp;<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/fig-15-BernieMasterson_Shrine_Video_Still4._2014jpg.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"638\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/fig-15-BernieMasterson_Shrine_Video_Still4._2014jpg.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-697\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/fig-15-BernieMasterson_Shrine_Video_Still4._2014jpg.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/fig-15-BernieMasterson_Shrine_Video_Still4._2014jpg-300x160.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/fig-15-BernieMasterson_Shrine_Video_Still4._2014jpg-1024x544.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/fig-15-BernieMasterson_Shrine_Video_Still4._2014jpg-768x408.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption>Bernie Masterson, <em>Shrine<\/em>, 2014. Imagem de v\u00eddeo.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-16-21g-Making-Stigma-Visible-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1224\" height=\"816\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-16-21g-Making-Stigma-Visible-3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-699\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-16-21g-Making-Stigma-Visible-3.jpg 1224w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-16-21g-Making-Stigma-Visible-3-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-16-21g-Making-Stigma-Visible-3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-16-21g-Making-Stigma-Visible-3-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1224px) 100vw, 1224px\" \/><\/a><figcaption>Seamus McGuinness, 21g, <em>Lived Lives &#8220;Making Stigma Visible&#8221;<\/em>, Centro Cultural Regional, Letterkenny, Condado de Donegal, nov. 2018. Foto: Robert Ellis.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3>Despertando o escondido<\/h3>\n\n\n\n<p>Foi durante o per\u00edodo da \u201crevolu\u00e7\u00e3o silenciosa\u201d sugerida por Fitzgerald em sua revis\u00e3o da pr\u00e1tica das artes comunit\u00e1rias pr\u00e1ticas art\u00edsticas comunit\u00e1rias dos anos 1970 que McGuinness e Masterson come\u00e7aram seu ativismo, como professores e artistas. Em suas entrevistas, ambos descrevem como, no in\u00edcio de suas carreiras, eles estavam conscientes da separa\u00e7\u00e3o entre a pr\u00e1tica do ateli\u00ea e a colabora\u00e7\u00e3o que o ensino cria. Masterson, professora\/pedagoga e artista no sistema prisional irland\u00eas, aplica uma pedagogia cr\u00edtica em seu ensino. Ela desenvolveu sua pr\u00e1tica art\u00edstica, de forma muito lenta e gradativa, como uma artista socialmente engajada. Em sua entrevista, ela conta que suas experi\u00eancias formativas trabalhando em programas comunit\u00e1rios para jovens e, posteriormente, no servi\u00e7o prisional como professora de arte:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&#8230;embasaram meu pr\u00f3prio desenvolvimento pessoal como ser humano, educadora e artista em evolu\u00e7\u00e3o para uma pr\u00e1tica mais socialmente engajada.&nbsp; Esse processo surgiu gradativamente como forma de fundamentar a comunidade prisional, dar voz a perspectivas novas e diferentes, aumentar a visibilidade de um grupo marginalizado na sociedade e trabalhar em prol de uma maior visibilidade e inclusividade.<sup>23<\/sup><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>McGuinness, ao falar sobre sua evolu\u00e7\u00e3o de artista t\u00eaxtil ao engajamento social em rela\u00e7\u00e3o ao seu projeto <em>Lived Lives<\/em>, que homenageia a vida de sessenta e dois jovens que se suicidaram na Irlanda entre 2003 e 2008<sup>24<\/sup>, diz o seguinte: &#8220;com <em>Lived Lives <\/em>foi o impacto do processo de pesquisa que transformou minha pr\u00e1tica de uma que se centrava no objeto de arte f\u00edsico para uma que est\u00e1 profundamente enraizada na experi\u00eancia humana e agora opera no \u00e2mbito da pr\u00e1tica art\u00edstica socialmente engajada.&#8221; Ele prossegue descrevendo a natureza dial\u00f3gica de seu trabalho e suas preocupa\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>As obras de arte, o material f\u00edsico, n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o relevantes para mim, na verdade, mas se mostram relevantes por serem um catalisador e um espa\u00e7o de conversa. De alguma forma, sentar-se entre tecidos rasgados e fios faz com que a conversa flua com muito mais facilidade e seja muito mais significativa do que se sentar em torno de uma mesa. Eu vejo essa pr\u00e1tica como sendo dial\u00f3gica por natureza.<sup>25<\/sup><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Nedeljkovi\u0107, por outro lado, veio morar na Irlanda como requerente de asilo em 2007, tendo fugido de Belgrado, na antiga Iugosl\u00e1via, que estava sob o governo de Slobodan Milosevic, e usou sua habilidade como artista\/fot\u00f3grafo para documentar suas pr\u00f3prias experi\u00eancias e as de outros em rela\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o de Provis\u00e3o Direta do Estado. Sua pr\u00e1tica se desenvolveu paralelamente a uma onda de ativismo que clamava por mudan\u00e7as por parte de cidad\u00e3os preocupados e ativistas de direitos humanos. Ele afirma que seu projeto <em>Asylum Archive <\/em>nasceu de seus dois anos de viv\u00eancia na Provis\u00e3o Direta, per\u00edodo em que se manteve \u201cintacto ao capturar e me comunicar com o meio ambiente atrav\u00e9s de fotos e v\u00eddeos. O processo criativo me ajudou a superar o confinamento e o encarceramento.\u201d<sup>26<\/sup> Seu imperativo pessoal cresceu e se tornou um projeto coletivo e colaborativo: \u201cAnos depois, agora estou pesquisando um momento espec\u00edfico da hist\u00f3ria recente da Irlanda \u2013 desde o in\u00edcio da dispers\u00e3o da provis\u00e3o direta em 1999 at\u00e9 os dias atuais \u2013 e criando ao mesmo tempo um reposit\u00f3rio de experi\u00eancias de asilo e artefatos por meio do site do <em>Asylum Archive<\/em>.&#8221;<sup>27<\/sup><\/p>\n\n\n\n<h3>O tempo como tema \/ O tempo como forma<\/h3>\n\n\n\n<p>Todos os tr\u00eas artistas trabalham em pr\u00e1ticas que duram por um longo e est\u00e3o inseridas nas comunidades que seus trabalhos representam. McGuinness e Masterson, ambos irlandeses, t\u00eam muitos anos de experi\u00eancia como professores \u2013 em faculdades de arte irlandesas (McGuinness) e no servi\u00e7o de Educa\u00e7\u00e3o Prisional na Irlanda (Masterson) \u2013 e Nedeljkovi\u0107, um requerente de asilo recente na Irlanda, \u00e9 um artista\/ativista e fot\u00f3grafo. Todos compartilham uma pr\u00e1tica comum como artistas. Cada um assumiu pessoalmente a condi\u00e7\u00e3o de testemunha e criou um acervo de hist\u00f3rias\/experi\u00eancias de algumas das pessoas mais vulner\u00e1veis alguns dos indiv\u00edduos mais vulner\u00e1veis da sociedade irlandesa atual. Em 2015, Ailbhe Murphy falou em um dia de networking para a CREATE no IMMA em uma palestra intitulada \u201c<em>Situation Room:<\/em> <em>Critical Cartographies for Engaged Practice<\/em>\u201d<sup>28<\/sup>, oportunidade em que ela refletiu sobre sua pr\u00f3pria pr\u00e1tica destacando o trabalho de longa dura\u00e7\u00e3o e a import\u00e2ncia do tempo.&nbsp; Mais uma vez, isso foi fundamental para compartilhar a pr\u00e1tica, conforme evidenciado no projeto transeuropeu&nbsp; de 2018 documentado no texto de Susanne Bosch em <em>Learning in Public.<\/em><sup>29<\/sup> Segundo ela:&nbsp; \u201cO tempo \u00e9 o material invis\u00edvel do trabalho relacional. Os artistas muitas vezes relatam uma falta de tempo adequado de processo, na medida em que o pr\u00f3prio corpo, as finan\u00e7as e a fam\u00edlia s\u00e3o negligenciados por lealdade ao processo art\u00edstico.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O tempo gasto com a comunidade \u00e9 visto como um sinal de qualidade, cobrando dos artistas e curadores \u201cum cuidado pastoral com seu p\u00fablico\u201d.<sup>30<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>McGuinness observa que sua \u201c[\u2026] pr\u00e1tica \u00e9 dial\u00f3gica no sentido de que tece a import\u00e2ncia das conversas que fluem por ela, as linhas de tempo, a participa\u00e7\u00e3o ativa do p\u00fablico e os pr\u00f3prios participantes se tornam agentes de mudan\u00e7a\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho de McGuinness, Masterson e Nedeljkovi\u0107 \u00e9 uma prova do que<em> Learning in Public <\/em>chama a nossa aten\u00e7\u00e3o: leva tempo para construir tantos relacionamentos de confian\u00e7a. O trabalho reflete a profunda empatia que esses artistas t\u00eam pelas pessoas destitu\u00eddas e vulner\u00e1veis da sociedade. Todos os tr\u00eas artistas deixar\u00e3o como legado um trabalho de defesa por meio de seu compromisso implac\u00e1vel em falar a verdade ao poder. Em <em>Art as Experience<\/em>, o fil\u00f3sofo John Dewey escreve:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Tal plenitude de emo\u00e7\u00e3o e espontaneidade de express\u00e3o v\u00eam, no entanto, apenas para aqueles que mergulharam em experi\u00eancias de situa\u00e7\u00f5es objetivas; para aqueles que est\u00e3o h\u00e1 muito tempo absortos na observa\u00e7\u00e3o do material relativo e cuja imagina\u00e7\u00e3o h\u00e1 muito se ocupa em reconstruir o que veem e ouvem.<sup>31<\/sup><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A reflex\u00e3o de Dewey sobre estar &#8220;absorto na observa\u00e7\u00e3o&#8221; evoca as caracter\u00edsticas inerentes a essa pr\u00e1tica que chama a aten\u00e7\u00e3o para as injusti\u00e7as na sociedade do passado e do presente, e a necessidade de lembrar e ser lembrado.<\/p>\n\n\n\n<h3>Confian\u00e7a e empatia<\/h3>\n\n\n\n<p>McGuinness tamb\u00e9m se identifica com a necessidade de ser emp\u00e1tico em sua entrevista: &#8220;Empatia seria a palavra motriz do processo, eu acho, empatia em oposi\u00e7\u00e3o a simpatia. Simpatia \u00e9 quando voc\u00ea sente pena de outra pessoa; mas isso se refere \u00e0 empatia que \u00e9 quando voc\u00ea, realmente se coloca no lugar da outra pessoa, ouve essa pessoa e sente sem julgamento.\u201d<sup>32<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Ele tamb\u00e9m fala sobre a import\u00e2ncia da confian\u00e7a em todas as rela\u00e7\u00f5es interpessoais:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>A confian\u00e7a \u00e9 essencial, a confian\u00e7a entre os pesquisadores, uma grande confian\u00e7a com as fam\u00edlias de <em>Lived Lives<\/em>, muitas das quais me deram objetos preciosos da vida de seus filhos, bem como compartilharam comigo coisas muito \u00edntimas. Esse n\u00edvel de confian\u00e7a tamb\u00e9m se refere a uma abertura do processo de tomada de decis\u00e3o, criando as circunst\u00e2ncias para que as fam\u00edlias participantes de <em>Lived Lives<\/em> se tornassem coprodutores e cocuradores na transposi\u00e7\u00e3o de suas experi\u00eancias privadas de perda para a esfera p\u00fablica.<sup>33<\/sup><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Masterson em seu papel de pedagoga e professora cita como uma de suas influ\u00eancias a feministas\/ativista americana bell hooks, cujos escritos sobre a pr\u00e1tica embasaram seu trabalho. Ela tamb\u00e9m fala sobre a import\u00e2ncia do tempo para estabelecer uma confian\u00e7a em seu relacionamento com os alunos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/fig-17-Athlone-DP-Centre-Athlone-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"798\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/fig-17-Athlone-DP-Centre-Athlone-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-701\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/fig-17-Athlone-DP-Centre-Athlone-2.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/fig-17-Athlone-DP-Centre-Athlone-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/fig-17-Athlone-DP-Centre-Athlone-2-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/fig-17-Athlone-DP-Centre-Athlone-2-768x511.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption>Vuka\u0161in Nedeljkovi\u0107, <em>Asylum Archive<\/em>, Centro de Provis\u00e3o Direta Athlone, Athlone 2, 2013.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3>Mem\u00f3ria e acervo<\/h3>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>A mem\u00f3ria, para os migrantes, \u00e9 quase sempre a mem\u00f3ria da perda. Mas, uma vez que a maioria dos migrantes foi expulsa dos locais de mem\u00f3ria oficial\/nacional nas suas regi\u00f5es de origem, h\u00e1 certa ansiedade acerca do que se perdeu, j\u00e1 que a mem\u00f3ria da viagem para um novo lugar, a mem\u00f3ria da pr\u00f3pria vida e do mundo familiar no lugar antigo e a mem\u00f3ria oficial sobre a na\u00e7\u00e3o que se deixou devem ser recombinados em um novo local.<sup>34<\/sup><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"Body\"><span class=\"Hyperlink3\"><span style=\"font-size: 11.0pt;line-height: 150%\" lang=\"PT\">Todos os tr\u00eas artistas destacam a import\u00e2ncia de definir um senso de identidade pessoal e coletiva por meio do trabalho que realizam. Isso \u00e9 fundamental para o trabalho de Masterson com prisioneiros e para lidar com os efeitos do encarceramento de longo prazo sobre o esp\u00edrito humano, j\u00e1 que muitos dos homens com quem ela trabalha s\u00e3o sobreviventes de abusos institucionais. Seu trabalho \u00e9 uma resposta pessoal \u00e0 trai\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a deles. Ela afirmou que sua obra: <\/span><\/span><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>se concentra no passado por meio da consci\u00eancia coletiva de uma psique nacional reprimida, somos confrontados n\u00e3o apenas com nossa pr\u00f3pria realidade nacional visceral, mas com a realidade de outros que foram deslocados e destitu\u00eddos \u2013 o estigma profundo que permanece e a natureza confusa de identidade.<sup>35<\/sup><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"Body\"><span class=\"Hyperlink3\"><span style=\"font-size: 11.0pt;line-height: 150%\" lang=\"PT\">McGuiness fala sobre como trabalhar com a mem\u00f3ria de jovens que foram perdidos para o suic\u00eddio \u00e9 honrar sua mem\u00f3ria e reconstruir um sentido da identidade de cada pessoa por meio do entrela\u00e7amento de conversas e da cole\u00e7\u00e3o de objetos pessoais. <\/span><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"Body\"><span class=\"Hyperlink3\"><span style=\"font-size: 11.0pt;line-height: 150%\" lang=\"PT\">Segundo Nedeljkovi\u0107:<\/span><\/span><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u00c9 correr atr\u00e1s do acervo&#8230; \u00c9 desejar o acervo de forma compulsiva, repetitiva e nost\u00e1lgica, um desejo irreprim\u00edvel de retornar \u00e0 origem, uma saudade, uma nostalgia pelo retorno ao lugar mais arcaico do in\u00edcio absoluto.<sup>36<\/sup><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Sua pr\u00e1tica tamb\u00e9m \u00e9 colaborativa, e ele convida requerentes de asilo, artistas, acad\u00eamicos, artistas da sociedade civil, entre outros, a criarem &#8220;um recurso online de plataforma cruzada de document\u00e1rio interativo, que destaca de forma cr\u00edtica relatos de ex\u00edlio, deslocamento, trauma e mem\u00f3ria&#8221;. Seu objetivo \u00e9 incluir o maior n\u00famero poss\u00edvel de pessoas afetadas na cria\u00e7\u00e3o de um reposit\u00f3rio online da Provis\u00e3o Direta. Anne Mulhall, em seu ensaio, contextualiza o trabalho de Nedeljkovi\u0107 tanto como ativista quanto como artista no momento contempor\u00e2neo de turbul\u00eancia. Ela coloca a pr\u00e1tica da arte pr\u00e1ticas art\u00edsticas dele como parte da virada educacional no campo mais amplo da pr\u00e1tica art\u00edstica socialmente engajada, arte pol\u00edtica e arte-ativismo.<\/p>\n\n\n\n<p>McGuinness fala sobre como isso foi quase acidental ou tangencial ao seu processo de trabalho \u2013&nbsp; em vez de predeterminado \u2013 tal como com Nedeljkovi\u0107, que um acervo acabou por surgir. Ele diz que:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>como resultado do desenrolar do processo de <em>Lived Lives<\/em>, surgiu um acervo \u2013 tecidos, objetos, sons e hist\u00f3rias. Repito, isso n\u00e3o estava previsto. Foi feita uma sugest\u00e3o \u00e0s fam\u00edlias participantes, ap\u00f3s o consentimento informado, para que doassem ao projeto imagens, nomes e outros objetos de seu familiar falecido por suic\u00eddio.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Seu trabalho \u2013 sempre sens\u00edvel e colaborativo \u2013 tamb\u00e9m embasou seu pensamento sobre o sentido de um acervo. Segundo ele: &#8220;O acervo <em>Lived Lives <\/em>\u00e9 realmente um &#8216;acervo vivo&#8217;, que cresce conforme o trabalho e as conversas sobre o processo avan\u00e7am. Nunca foi feito para ser um acervo \u2018de luvas brancas\u2019. \u00c9 vivo, respira, vai sempre mudando de acordo com o contexto e se tornando, de v\u00e1rias formas, uma nova maneira de trabalhar para mim.&#8221;<sup>37<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Todos os tr\u00eas artistas reuniram acervos de grandes quantidades de material; testemunhos pessoais e familiares, pe\u00e7as de vestu\u00e1rio, recorda\u00e7\u00f5es pessoais, respostas \u00e0s oficinas de cada exposi\u00e7\u00e3o e grava\u00e7\u00f5es de \u00e1udio, na pr\u00e1tica de McGuinness; v\u00eddeos e desenhos feitos por prisioneiros e com eles, na pr\u00e1tica de Masterson; e as fotografias de Nedeljkovi\u0107, que &#8220;originalmente come\u00e7aram como um mecanismo de enfrentamento&#8221;, mas agora o <em>Asylum Archive <\/em>preserva a mem\u00f3ria e historiciza a Provis\u00e3o Direta ao continuar a chamar aten\u00e7\u00e3o para o tratamento terr\u00edvel dado \u00e0s pessoas que vieram \u00e0 Irlanda em busca de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3>Conclus\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p>Os tr\u00eas artistas atuam como interlocutores entre as pessoas cujas vidas representam e o resto da sociedade. Cada um deles lida com um passado e um presente escondido na sociedade irlandesa, revelando o que esteve\/est\u00e1 escondido \u2013 as hist\u00f3rias e legados contempor\u00e2neos de injusti\u00e7a e hist\u00f3rias cont\u00ednuas de vergonha e estigma social. Por meio de suas respectivas pr\u00e1ticas, assimila\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias, transforma\u00e7\u00e3o dessas experi\u00eancias em obras de arte e dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um acervo, cada um desses artistas d\u00e1 muito de si. A obra testemunha o medo e a fragilidade de crian\u00e7as inocentes que foram ignoradas por d\u00e9cadas e cujas hist\u00f3rias n\u00e3o foram ouvidas, a dor e ang\u00fastia das fam\u00edlias sobreviventes de jovens que se suicidaram e o tratamento vergonhoso e cont\u00ednuo dado \u00e0s pessoas que buscam ref\u00fagio na Irlanda. As entrevistas e o ensaio de Mulhall neste estudo de caso capturam o papel cr\u00edtico que esses tr\u00eas artistas desempenham e como cada um deles, pessoal e profissionalmente, tentou mapear, comparar, estruturar e capturar a experi\u00eancia humana do suic\u00eddio de jovens, o encarceramento e a recente busca por asilo na Irlanda.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses tr\u00eas artistas trabalham em pr\u00e1ticas de longo prazo, cada uma delas inserida em uma comunidade espec\u00edfica ou um conjunto de preocupa\u00e7\u00f5es que desafia as quest\u00f5es que afetam e suprimem essa comunidade e, por meio de seu trabalho, n\u00e3o apenas revelaram o que esteve, e continua estando, escondido na sociedade irlandesa, mas tamb\u00e9m constitu\u00edram uma pr\u00e1tica significativa de arquivar experi\u00eancias e hist\u00f3rias de vida de cidad\u00e3os do Estado irland\u00eas contempor\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-18-BernieMasterson_In_A_State_Of_Grace_Installation_Shot1_Invocation.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"810\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-18-BernieMasterson_In_A_State_Of_Grace_Installation_Shot1_Invocation.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-703\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-18-BernieMasterson_In_A_State_Of_Grace_Installation_Shot1_Invocation.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-18-BernieMasterson_In_A_State_Of_Grace_Installation_Shot1_Invocation-300x203.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-18-BernieMasterson_In_A_State_Of_Grace_Installation_Shot1_Invocation-1024x691.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-18-BernieMasterson_In_A_State_Of_Grace_Installation_Shot1_Invocation-768x518.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption>Bernie Masterson. <em>In<\/em> <em>A State of Grace<\/em>, Invocation (cena 2), instala\u00e7\u00e3o em Rua Red, Tallaght, Condado de Dublin, 2014.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Em geral, a Irlanda se beneficiaria muito se as pessoas se tornassem mais bondosas umas com as outras.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Melatu Uche Okorie<sup>38<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>A declara\u00e7\u00e3o de Melatu Uche Okorie, em sua simplicidade e crueza, \u00e9 surpreendente para essa escritora, pois encapsula em uma frase tudo o que a maioria dos irlandeses acredita que eles n\u00e3o s\u00e3o. Os irlandeses preferem ver a si mesmos como tendo uma reputa\u00e7\u00e3o mundial de uma na\u00e7\u00e3o acolhedora com o lema tur\u00edstico de ser uma \u201cilha de mil boas-vindas\u201d ou uma ra\u00e7a \u201ccaridosa\u201d, sendo doadores generosos para a caridade. Em sua publica\u00e7\u00e3o recente, que \u00e9 sua primeira cole\u00e7\u00e3o de contos de fic\u00e7\u00e3o, sobre suas experi\u00eancias como requerente de asilo, Melatu Uche Okorie desafia essa preconcep\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Artistas como Masterson, McGuinness e Nedeljkovi\u0107 captaram antecipadamente o apelo de Melatu Uche Okorie para que os irlandeses fossem mais cientes da \u201c&#8230;necessidade de ser bondoso\u201d. Eles e muitos outros artistas na Irlanda trabalham ao lado de ativistas que lutam por uma sociedade justa e igualit\u00e1ria e, ao fazer isso, suas obras carregam e \u00e0s vezes articulam a voz dos que n\u00e3o t\u00eam voz, evocando uma resson\u00e2ncia tang\u00edvel sentida em profundas emo\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias. Por meio do uso e cria\u00e7\u00e3o de acervos, as pr\u00e1ticas desses artistas tamb\u00e9m se alinham com o acervo internacional not\u00e1vel criado pela artista cubana, Tania Bruguera, <em>Arte util <\/em>[arte \u00fatil], que re\u00fane diversas pr\u00e1ticas socialmente engajadas que operam nas margens da pr\u00e1tica contempor\u00e2nea.<sup>39<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Para citar Masterson: \u201cA lembran\u00e7a do passado nos oferece a oportunidade de refletir, de considerar, de mudar; deve embasar o presente\u201d e chamar a aten\u00e7\u00e3o para \u201c[&#8230;] a realidade de outros que foram deslocados e destitu\u00eddos&#8221;. Nedeljkovi\u0107, que estava alojado em um centro da Provis\u00e3o Direta enquanto buscava asilo, descreveu assim sua percep\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia em sua documenta\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica como artista: \u201c[&#8230;] me ajudou a superar o confinamento e o encarceramento&#8221;. McGuinness tamb\u00e9m reconhece o poder de seu trabalho e como ele ritualiza e transcende a dor e o trauma para \u201clevar as pessoas para uma posi\u00e7\u00e3o emp\u00e1tica, criando as circunst\u00e2ncias para compreender, refletir e questionar a perda dos outros, em um espa\u00e7o seguro e digno&#8221;. McGuinness se posiciona incisivamente quando afirma que: &#8220;como artistas, trabalhamos muito na sociedade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">***<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Helen O\u2019Donoghue<\/strong>&nbsp;<br><\/em>Curadora S\u00eanior, Chefe de Engajamento e Aprendizagem no Museu Irland\u00eas de Arte Moderna desde 1991. Recebeu recentemente uma Bolsa Fulbright e passou tr\u00eas meses no MoMA. Artista Pl\u00e1stica de forma\u00e7\u00e3o, ela est\u00e1 comprometida com pr\u00e1ticas socialmente engajadas e pedagogia cr\u00edtica que embasam seu trabalho curatorial e de escrita.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><sup>1<\/sup> MEDBH, M\u00e1ighr\u00e9ad. \u201cWhen the air inhales you&#8221;. In: <em>Unified Field. <\/em>Dublin: Arlen Press, 2009. p.11<\/p>\n\n\n\n<p><sup>2<\/sup> NEDELJKOVI\u0106, Vuka\u0161in. (Ensaio visual); MULHALL, Anne. (Texto), \u201cOn Asylum Archive\u201d. In: Revista MESA n.\u00ba 6 \u201cVidas Escondidas\u201d, 2021 [Adicionar link]<\/p>\n\n\n\n<p><sup>3<\/sup>NEDELJKOVI\u0106, Vuka\u0161in. <em>Asyllum Archive <\/em>http:\/\/www.asylumarchive.com\/<\/p>\n\n\n\n<p><sup>4<\/sup> O\u2019DONOGHUE, Helen; MARSHALL, Catherine. &#8220;Participatory Arts\u201d. In: <em>Art and Architecture of Ireland. <\/em>Volume V, Royal Irish Academy, 2014. pp. 346-350<\/p>\n\n\n\n<p><sup>5<\/sup> BENSON, Ciar\u00e1n. &#8220;Art and the Ordinary&#8221;. In:<em>The ACE Report. <\/em>Concelho de Artes da Irlanda. pp. 13-32<\/p>\n\n\n\n<p><sup>6<\/sup> Ibid<\/p>\n\n\n\n<p><sup>7<\/sup> FITZGERALD, Sandy. (Org.) <em>An Outburst of Frankness: Community Arts in Ireland \u2013 A Reader. <\/em>Dublin: TASC, 2004. p.65<\/p>\n\n\n\n<p><sup>8<\/sup> MCGONAGLE, Declan. \u201cThe Necessary Museum\u201d. In: <em>Irish Arts Review Yearbook. <\/em>Dublin: Eton Enterprises, 1991-92. pp 61-64.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>9 <\/sup>O\u2019DONOGHUE, Helen. \u201cCome to the Edge: Artists, Art and Learning at the Irish Museum of Modern Art (IMMA) \u2013 A Philosophy of Access and Engagement\u201d. In: XANTHOUDAKi, Maria; TICKLE, Les; SEKULES, Veronica. (Orgs.)<em>Researching Visual Arts Education in Museums and Galleries. <\/em>Londres: Kluwer Acadamic Publishers, 2003. pp 77-89.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>10<\/sup> FLEMING, Ted; GALLAGHER, Anne. <em>Even Her Nudes Were Lovely: Toward Connected Self-Reliance At The Irish Museum Of Modern Art. <\/em>Dublin: Irish Museum of Modern Art 2000.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>11<\/sup> HANRAHAN, Si\u00fan. \u201cAn Alternative Place\u201d. In: DUKES, \u00d3rla; MARSHALL, Catherine. (Orgs.) <em>Celebrating a Decade. <\/em>Dublin: Irish Museum of Modern Art, 2001. pp. 75-81<\/p>\n\n\n\n<p><sup>12<\/sup> FAGAN, Rita; DOWNEY, Maureen; MURPHY, Ailbhe; O\u2019DONOGHUE, Helen. (Orgs.) <em>Unspoken Truths. <\/em>Dublin: Irish Museum of Modern Art, 1996.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>13<\/sup> JACOB, Mary Jane. (Org.) com BRENSON, Michael. <em>Conversations at the Castle, Changing Audiences and Contemporary Art. <\/em>Cambridge: Massachusetts Institute of Technology, 1998.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>14 <\/sup>KESTNER, Grant. <em>Conversations Pieces: Community and Communication in Modern Art. <\/em>Berkley: University of Chicago Press, 2003.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>15 <\/sup>HENDERSON, Rhona. <em>An Outburst of Frankness \u2013 A Reader<\/em>, Op. Cit. pp.159-178.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>16<\/sup> O\u2019NEILL, Charlie; MORAN, Lisa. \u201cMapping Lives Exploring Futures\u201d. <em>The Mapping Arts Project. <\/em>Dublin: Irish Museum of Modern Art, 2006.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><sup>17<\/sup> Para o trabalho de Joe Lee, ver link de v\u00eddeo <a href=\"https:\/\/imma.ie\/artists\/joe-lee\/#:~:text=1958,curation%2520of%2520public%2520art%2520projects\">https:\/\/imma.ie\/artists\/joe-lee\/#:~:text=1958,curation%20of%20public%20art%20projects<\/a> e http:\/\/joelee.ie\/work\/<\/p>\n\n\n\n<p><sup>18<\/sup> Para publica\u00e7\u00f5es sobre a obra de Terry O\u2019Farrell, ver <em>Wiseways, A Collection of Artwork in Clay with Memories from Older Generations of County Clare. <\/em>Condado de Clare, Raheen Hospital, 2011, e um projeto intergeracional https:\/\/imma.ie\/whats-on\/equivalence\/<\/p>\n\n\n\n<p><sup>19<\/sup> COLFORD, Anna. \u201cMaking Space Explicit\u201d. In: <em>Conference Report on IMMA Access All Areas. <\/em>(8 a 10 de novembro de 2006) 2007 Visual Artists Ireland. [http:\/\/www.visualartists.ie\/sfr_back_issue.html}<\/p>\n\n\n\n<p><sup>20<\/sup> O\u2019DONOGHUE, Helen; BRETT, Marie. \u201cNo it\u2019s not me\u2026that\u2019s not me\u2026\u201d <em>Engage <\/em>&nbsp;N.\u00ba 39, \u201cVisual Arts and Wellbeing\u201d, 2017 dispon\u00edvel online: <a href=\"http:\/\/www.engage.org\/engage39\">http:\/\/www.engage.org\/engage39<\/a>, 2017)<\/p>\n\n\n\n<p><sup>21 <\/sup>FITZGERALD, Sandy. <em>An Outburst of Frankness \u2013 A Reader. <\/em>Op. Cit., p. 3<\/p>\n\n\n\n<p><sup>22<\/sup> TURNEY, Eleanor. (Org.) <em>Learning in Public, TransEuropean Collaborations in Socially Engaged Art. <\/em>Dublin\/Londres: coeditores Create e The Live Art Development Agency, em nome da rede CAPP, 2018. p. 22<\/p>\n\n\n\n<p><sup>23<\/sup> MASTERSON, Bernie. \u201cAtr\u00e1s dos muros da pris\u00e3o: uma entrevista com Bernie Masterson\u201d. In: Revista MESA n.\u00ba 6 \u201cVidas Escondidas\u201d, 2021 [Adicionar link]<\/p>\n\n\n\n<p><sup>24<\/sup> A Irlanda tem a quarta taxa mais elevada da Europa quanto a homens de 15 a 24 anos. Os n\u00fameros mostram que 90 pessoas que morreram por suic\u00eddio em 2019 tinham entre 35 e 44 anos, 78 tinham entre 45 e 54 anos e 68 tinham entre 55 e 64 anos. &nbsp;Os n\u00fameros mostram ainda que 63 jovens, com menos de 25 anos, tamb\u00e9m perderam a vida dessa forma.&nbsp;George Lee, Correspondente de Ci\u00eancia e Meio Ambiente da RTE News, sexta-feira, 29 de maio de 2020<\/p>\n\n\n\n<p><sup>25<\/sup>&nbsp; MCGUINNES, Seamus. \u201c<em>Lived Lives<\/em>: Conversas e jornadas sobre suic\u00eddio de jovens irlandeses&#8221;. In: Revista MESA n.\u00ba 6 \u201cVidas Escondidas\u201d, 2021 [Adicionar link]<\/p>\n\n\n\n<p><sup>26 <\/sup>NEDELJKOVI\u0106, Vuka\u0161in. <em>Direct Provision Diary<\/em>. In: Create News, 24. Create Ireland, <a href=\"http:\/\/www.create-ireland.ie\">www.create-ireland.ie<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><sup>27<\/sup> NEDELJKOVI\u0106, Vuka\u0161in. <em>Asylum Archive<\/em>. https:\/\/asylumarchive.com<\/p>\n\n\n\n<p><sup>28<\/sup> https:\/\/vimeo.com\/59417703<\/p>\n\n\n\n<p><sup>29<\/sup> BOSCH, Susanne. \u201cWhere values emerge: an in-depth exploration of the Collaborative Arts Partnership Programme\u2019s process, discoveries and learning\u201d. In: <em>Learning in Public.<\/em> Op. Cit., pp. 60-81.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>30<\/sup> BEECH, David. \u201cThe Ideology of Duration in the Dematerialised Monument: Art, Sites, Publics and Time\u201d. In: DOHERTY, Claire; O\u2019NEILL, Paul. (Orgs.) <em>Locating the Producers: Durational Approaches to Public Art. <\/em>Amsterd\u00e3: Valiz, 2009), p. 318.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>31<\/sup> DEWEY, John. <em>Art as Experience<\/em>. Nova York: Penguin. p. 75<\/p>\n\n\n\n<p><sup>32<\/sup>&nbsp; MCGUINNES, Seamus. \u201c<em>Lived Lives<\/em>: Conversas e jornadas sobre suic\u00eddio de jovens irlandeses&#8221;. In: MESA, Op. Cit. n.\u00ba 6<\/p>\n\n\n\n<p><sup>33<\/sup>&nbsp; Ibid.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>34<\/sup> NEDELJKOVI\u0106, Vukasin. Site de Asylum Archive&nbsp; Op. Cit.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>35<\/sup>&nbsp; MASTERSON, Bernie; MEDBH, M\u00e1ighr\u00e9ad. <em>Bold Writing.<\/em> 2016 (7min 17 segs) Uma colabora\u00e7\u00e3o entre a artista e a poetisa. A obra \u00e9 uma resposta em poesia e artes visuais aos cadernos de Vere Foster. http:\/\/www.berniemasterson.com\/<\/p>\n\n\n\n<p><sup>36<\/sup> NEDELJKOVI\u0106, Vukasin. Site de Asylum Archive&nbsp; Op. Cit.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>37<\/sup>&nbsp; MCGUINNES, Seamus. \u201c<em>Lived Lives<\/em>&#8220;, Op. Cit.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>38<\/sup> OKORIE, Melatu Uche. <em>This Hostel Life. <\/em>Irlanda: Skein Press, 2018. p.x<\/p>\n\n\n\n<p><sup>39 <\/sup>Ver https:\/\/www.arte-util.org\/about\/activities\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revelando o escondido:&nbsp; a pr\u00e1tica art\u00edstica socialmente engajada na Irlanda Helen O\u2019Donoghue Este ensaio explora o trabalho de tr\u00eas artistas diretamente envolvidos em hist\u00f3rias socialmente cr\u00edticas e as realidades contempor\u00e2neas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","meta":[],"portfolio-tags":[],"portfolio-category":[23],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/667"}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/types\/portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=667"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=667"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio-tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio-tags?post=667"},{"taxonomy":"portfolio-category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio-category?post=667"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}