{"id":591,"date":"2021-03-13T19:23:26","date_gmt":"2021-03-13T22:23:26","guid":{"rendered":"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/?post_type=portfolio&#038;p=591"},"modified":"2021-04-28T18:29:00","modified_gmt":"2021-04-28T21:29:00","slug":"seamus-mcguiness","status":"publish","type":"portfolio","link":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/portfolio\/seamus-mcguiness\/","title":{"rendered":"Lived Lives: Conversas e jornadas sobre suic\u00eddio de jovens irlandeses"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-1_Title-image.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"2386\" height=\"1125\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-1_Title-image.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-592\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-1_Title-image.jpg 2386w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-1_Title-image-300x141.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-1_Title-image-1024x483.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-1_Title-image-768x362.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-1_Title-image-1536x724.jpg 1536w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-1_Title-image-2048x966.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2386px) 100vw, 2386px\" \/><\/a><figcaption>Seamus McGuinness. <em>21g<\/em>, instala\u00e7\u00e3o, 2003. Foto: Marcus Conunahan.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2><em>Lived Lives<\/em>: Conversas e jornadas sobre suic\u00eddio de jovens irlandeses. Entrevista com Seamus McGuinness<\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Estigma: \u201csinal de inaceitabilidade social: a vergonha ou desonra ligada a algo considerado socialmente inaceit\u00e1vel\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">(<em>Oxford English Dictionary<\/em>)<\/p>\n\n\n\n<p><em>Embora envolto em segredo, vergonha e exclu\u00eddo do debate p\u00fablico, o suic\u00eddio est\u00e1 lamentavelmente presente. Estat\u00edsticas crescentes em todo o mundo, especialmente em rela\u00e7\u00e3o aos jovens, fazem com que esse assunto precise ser discutido com urg\u00eancia. No entanto, como abordar essas mem\u00f3rias dolorosas e conversas necess\u00e1rias em meio a estigmas sociais desafiadores? Nesta entrevista, o artista Seamus McGuinness discute sua obra<\/em> Lived Lives<em> [N.T. Em portugu\u00eas, Vidas Vividas], um projeto de arte colaborativa em andamento que vai al\u00e9m das estat\u00edsticas para capturar hist\u00f3rias de jovens que perderam a vida por suic\u00eddio na Irlanda.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Lived Lives <em>come\u00e7ou como uma plataforma de pesquisa interdisciplinar em 2005 entre o artista e cientista Kevin Malone, professor de psiquiatria do Hospital Universit\u00e1rio de St. Vincent\/University College Dublin (UCD), e acabou por conferir a Seamus McGuinness um PhD em 2010 pela Faculdade de Medicina, UCD. Desenvolvida junto com a Pesquisa Suic\u00eddios na Irlanda, conduzida por Malone, Lived Lives se conectou a 104 fam\u00edlias irlandesas de luto devido a suic\u00eddio entre os anos de 2003 a 2008, ouvindo ativamente suas hist\u00f3rias, contadas \u00e0 mesa da cozinha de lares em toda a Irlanda. A exposi\u00e7\u00e3o resultante, com base em objetos doados e retratos de pessoas que se foram por suic\u00eddio, bem como obras de arte feitas por Seamus McGuinness passou por v\u00e1rios locais em todo o pa\u00eds, estimulando conversas, eventos e discuss\u00f5es na sociedade. Usando m\u00e9todos de pesquisa inovadores fundamentados em processos altamente colaborativos e abertos \u00e0 sociedade, o projeto usou a arte como um agente e\/afetivo para envolver fam\u00edlias de luto, coletividades alargadas e o p\u00fablico em geral em conversas a respeito de um assunto muito sens\u00edvel e estigmatizado.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Em entrevista perto de sua casa em Ballyvaughan, Burren, no Condado de Clare, na Irlanda, em 7 de julho de 2017, e recentemente por e-mail\/Skype para atualizar novas edi\u00e7\u00f5es do projeto para os fins desta publica\u00e7\u00e3o, Seamus discute sua jornada desde seu trabalho como artista t\u00eaxtil at\u00e9 \u00e0 pr\u00e1tica art\u00edstica socialmente engajada e de profunda complexidade de v\u00e1rios anos na qual ele agora est\u00e1 imerso e os paralelos valiosos entre sua atividade anterior com tecido e a atual de tecer conversas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Coeditores: <\/em><strong><em>Helen O\u2019Donoghue, Jessica Gogan e Luiz Guilherme Vergara<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Jessica Gogan<\/strong><\/em> &#8211; Voc\u00ea pode nos contar sobre sua jornada de artista t\u00eaxtil a seu trabalho de pr\u00e1tica social?<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Seamus McGuinness<\/strong><\/em> &#8211; Tecido n\u00e3o \u00e9 algo novo para mim; fez parte da minha inf\u00e2ncia. Fui criado na Pen\u00ednsula Inishowen, North Donegal, na Irlanda, em um vilarejo chamado Fahan. Era uma regi\u00e3o oper\u00e1ria perto da fronteira com Derry. Uma das principais ind\u00fastrias em North Donegal naquela \u00e9poca era a t\u00eaxtil, especialmente a fabrica\u00e7\u00e3o de camisas. Homens e mulheres trabalhavam no setor t\u00eaxtil. Os t\u00eaxteis estavam em todos os lugares. Fui para a faculdade de artes de 1982 a 1986 no GMIT (Instituto de Tecnologia Galway-Mayo), e meu treinamento inicial em artes para obter meu diploma principal foi em design t\u00eaxtil, que consiste na explora\u00e7\u00e3o da fabrica\u00e7\u00e3o de tecidos e sua aplica\u00e7\u00e3o ao mundo. Foi um treinamento muito t\u00e9cnico, com \u00eanfase na produ\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica de tecido. Ent\u00e3o, conheci de fato as possibilidades f\u00edsicas do tecido. Esse treinamento ainda \u00e9 evidente no meu trabalho. Mas agora penso no tecido tanto como um material f\u00edsico quanto como uma ferramenta conceitual e tenho muito interesse na capacidade do tecido de se comunicar com as pessoas e a sociedade em geral. O tecido e o corpo humano t\u00eam uma materialidade muito similar: corta-se o tecido, corta-se a pele, costura-se o tecido, costura-se a pele, mancha-se o tecido e pode-se tamb\u00e9m manchar seres humanos. Uma mancha no tecido \u00e9 bem vis\u00edvel. Por\u00e9m, se considerarmos o estigma como uma mancha na sociedade, ele \u00e9 invis\u00edvel, n\u00e3o se pode ver o estigma. O estigma \u00e9 mais sentido do que visto.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao me formar em 1986, como a maioria de meus contempor\u00e2neos na \u00e9poca, passei um ano em Nova York, depois voltei para casa e trabalhei como professor em Dublin. Ao me mudar para Burren, no Condado de Clare, no oeste da Irlanda, em 1991, com minha fam\u00edlia rec\u00e9m criada, fundei um est\u00fadio t\u00eaxtil e uma galeria aqui em Ballyvaughan. Naquela \u00e9poca, minha atividade era muito espec\u00edfica do local, atuando no mercado comercial. Trabalhei em colabora\u00e7\u00e3o com arquitetos produzindo pe\u00e7as t\u00eaxteis de parede em grandes dimens\u00f5es, concebidas e produzidas especificamente para edif\u00edcios p\u00fablicos e privados. Essas foram pe\u00e7as de cria\u00e7\u00e3o muito f\u00edsica. Um exemplo \u00e9 a obra <em>Rivers<\/em>, 1998, encomendada para a Sede da Avonmore Diaries, em Kilkenny.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-2-.-Rivers-Seamus-Mc-Guinness-copy.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"848\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-2-.-Rivers-Seamus-Mc-Guinness-copy.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-596\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-2-.-Rivers-Seamus-Mc-Guinness-copy.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-2-.-Rivers-Seamus-Mc-Guinness-copy-300x212.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-2-.-Rivers-Seamus-Mc-Guinness-copy-1024x724.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-2-.-Rivers-Seamus-Mc-Guinness-copy-768x543.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption>Seamus McGuinness. <em>Rivers<\/em>, 2,5 x 4,1 metros, 1998. Encomendado para a Sede da Avonmore Dairies, em Kilkenny, na Irlanda. Foto: Seamus McGuinness.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Minha nova casa na \u00e9poca, conhecida como Burren \u2013 o nome vem do irland\u00eas \u201c<em>boireann<\/em>\u201d, que significa \u201cgrande rocha\u201d \u2013 para aqueles que n\u00e3o est\u00e3o familiarizados com essa paisagem incomum, \u00e9 uma regi\u00e3o de grande interesse ambiental dominada por colinas de calc\u00e1rio da era glacial. (Para obter mais informa\u00e7\u00f5es, acesse https:\/\/www.burrennationalpark.ie\/).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-4_The-Burren.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"583\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-4_The-Burren.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-600\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-4_The-Burren.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-4_The-Burren-300x146.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-4_The-Burren-1024x497.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-4_The-Burren-768x373.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-3_The-Burren.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"583\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-3_The-Burren.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-598\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-3_The-Burren.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-3_The-Burren-300x146.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-3_The-Burren-1024x497.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-3_The-Burren-768x373.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption>A paisagem de Burren, 14 de julho de 2020. Fotos: Seamus McGuinness.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Inspirado por essa paisagem, fiz uma s\u00e9rie de obras em grande dimens\u00f5es feitas com milhares de pe\u00e7as de tecidos fr\u00e1geis pintados \u00e0 m\u00e3o. Para mim, essas obras se referiam \u00e0 conex\u00e3o simbi\u00f3tica entre a paisagem rural e a humanidade. Elas expressavam o contraste entre a vastid\u00e3o da paisagem de Burren e a pr\u00f3pria fragilidade dessa paisagem na vida contempor\u00e2nea. A s\u00e9rie tamb\u00e9m refletiu as hist\u00f3rias da fabrica\u00e7\u00e3o de tecidos. Elas foram costuradas umas \u00e0s outras de forma muito intensa; foram pe\u00e7as de cria\u00e7\u00e3o muito f\u00edsica. Eu queria explorar a materialidade do tecido e as hist\u00f3rias da fabrica\u00e7\u00e3o para investigar nossa rela\u00e7\u00e3o com a paisagem em que vivemos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-5-The-Big-Burren-copy.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"874\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-5-The-Big-Burren-copy.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-602\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-5-The-Big-Burren-copy.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-5-The-Big-Burren-copy-300x219.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-5-The-Big-Burren-copy-1024x746.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-5-The-Big-Burren-copy-768x559.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption>Seamus McGuinness. <em>The Big Burren<\/em>, 2,7 x 4,2 metros, 1993. Foto: Seamus McGuinness.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No final da d\u00e9cada de 1990, a morte de meus pais com intervalo de seis meses entre uma e outra abriu meus olhos para a minha pr\u00f3pria mortalidade. Foi minha primeira experi\u00eancia com a morte de um parente pr\u00f3ximo, e perd\u00ea-los me afetou profundamente. Nesse per\u00edodo, houve uma mudan\u00e7a marcante nas minhas pr\u00e1ticas art\u00edsticas. Essa experi\u00eancia alterou minha forma de pensar, deixando de lado preocupa\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e priorizando as mais ef\u00eameras. Isso me levou a questionar minha pr\u00e1tica e a me interessar por toda a quest\u00e3o de g\u00eanero na confec\u00e7\u00e3o de tecidos. Historicamente, o uso de tecidos na cria\u00e7\u00e3o de arte foi uma atividade muito feminina. A partir da d\u00e9cada de 1960, algumas das grandes artistas feministas usaram poderosamente roupas femininas para descrever quest\u00f5es femininas muito complexas de sua \u00e9poca. Ent\u00e3o, eu passei a procurar intencionalmente algo em que eu pudesse usar e subverter essa hist\u00f3ria e fui em busca de um assunto que preocupasse os jovens do sexo masculino da sociedade irlandesa contempor\u00e2nea. Relembrando as camisas brancas da minha inf\u00e2ncia, comecei a desconstruir a camisa masculina branca e, em especial, o colarinho da camisa, que \u00e9 um s\u00edmbolo da conformidade masculina. Foi nessa \u00e9poca em que me deparei pela primeira vez com as estat\u00edsticas de suic\u00eddio de homens jovens. Em 2003, por exemplo, de acordo com as estat\u00edsticas do governo, 92 jovens entre 18 e 25 anos morreram por suic\u00eddio na Irlanda. Fiz ent\u00e3o mais de 92 colarinhos de camisa, cada um pesando <em>21g<\/em>, o chamado peso m\u00edtico da alma. (Ver Figs. 1 e 4) Instalei mais de 92 porque na \u00e9poca eu suspeitava \u2013 e agora eu sei \u2013 que, devido ao estigma em torno do suic\u00eddio, outras mortes n\u00e3o teriam sido registradas como suic\u00eddio, mas como morte acidental.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Jessica<\/em> &#8211; <\/strong>O peso m\u00edtico da alma? De onde vem isso?<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Seamus<\/em><\/strong> &#8211; Em 1901, um americano, Dr. Donald MacDougall, de Massachusetts, queria provar que havia uma diferen\u00e7a de peso entre um corpo pesado vivo pouco antes de morrer e um corpo pesado logo ap\u00f3s a morte. Ele fez um estudo pesando corpos em uma m\u00e1quina acoplada \u00e0 cama do paciente logo antes e depois da morte. Aparentemente, havia uma diferen\u00e7a entre os dois pesos de \u201ctr\u00eas quartos de on\u00e7a\u201d ou \u201centre 19 e 21 gramas\u201d, que foi considerada como o peso da alma; suas descobertas foram publicadas em 1907. No entanto, apesar do entusiasmo dele em provar que essa massa corporal inexplic\u00e1vel era o peso da alma, os resultados s\u00e3o duvidosos. Nunca foi feita uma repeti\u00e7\u00e3o do experimento, mas a ideia rom\u00e2ntica de que a alma poderia ter peso permanece.<sup>1<\/sup> \u00c9 uma hist\u00f3ria um tanto m\u00edtica, mas como artista, fazer unidades repetidas para uma instala\u00e7\u00e3o art\u00edstica me deu uma esp\u00e9cie de estrutura arquitet\u00f4nica para fazer os fragmentos. Ent\u00e3o, esse trabalho virou a instala\u00e7\u00e3o <em>21g<\/em>, 2003. Com medida de cerca de 3 metros x 5 metros, os colarinhos foram instalados em alturas diferentes para indicar os diversos corpos ausentes. A instala\u00e7\u00e3o dos colarinhos de camisas \u00e9 reformulada e remodelada de acordo com cada local em que \u00e9 exibida. A realiza\u00e7\u00e3o de <em>21g <\/em>em 2003 coincidiu com o encerramento da \u00faltima f\u00e1brica de produ\u00e7\u00e3o de camisas em Donegal. Como disse, essas f\u00e1bricas eram grandes empregadoras, eram verdadeiras comunidades, onde trabalharam gera\u00e7\u00f5es, muitas vezes fam\u00edlias inteiras. Quando fecharam, comunidades inteiras perderam mais do que um emprego, pois era muitas vezes sua identidade coletiva, seu modo de vida.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-large\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-6_rev.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"725\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-6_rev-725x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-604\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-6_rev-725x1024.jpg 725w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-6_rev-212x300.jpg 212w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-6_rev-768x1085.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-6_rev-1087x1536.jpg 1087w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-6_rev.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 725px) 100vw, 725px\" \/><\/a><figcaption>Seamus McGuinness. <em>21g \u2013 Making Stigma Visible<\/em>, Centro Cultural Regional, Letterkenny, 2018. Foto: Robert Ellis.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Esse contexto de perdas e a experi\u00eancia de fazer <em>21g<\/em> motivaram a busca por outras refer\u00eancias. Mas, na verdade, n\u00e3o consegui encontrar muita coisa. O suic\u00eddio era na \u00e9poca \u2013 e ainda \u00e9 \u2013 muito estigmatizado. Os irlandeses n\u00e3o gostam de falar sobre isso. Adoramos n\u00e3o dar nomes \u00e0s coisas. C\u00e2ncer sempre foi o Grande C, como se n\u00e3o pud\u00e9ssemos falar a palavra. Ainda n\u00e3o dizemos a palavra \u201csuic\u00eddio\u201d por medo. Antes de tudo, o ato de se matar era um pecado na sociedade irlandesa. Em <em>Ulysses<\/em>, [James] Joyce escreve sobre o suic\u00eddio. As pessoas eram enterradas fora da igreja, as \u201cpobres almas\u201d, como diriam, e nos velhos tempos, costumava-se cravar estacas nos cora\u00e7\u00f5es das v\u00edtimas. Enfim, ao pesquisar, eu descobri uma confer\u00eancia em Dublin chamada \u201cNovas Dimens\u00f5es: Abordagens sobre o suic\u00eddio\u201d. Ent\u00e3o, decidi que iria l\u00e1 como parte de minha pesquisa, e foi onde conheci Kevin Malone, que \u00e9 professor de psiquiatria em University College Dublin e no Hospital Universit\u00e1rio de St. Vincent, em Dublin, e \u00e9 especializado em estudos sobre suic\u00eddio. Mostrei a ele algumas imagens de <em>21g<\/em>, e come\u00e7amos a conversar. Em seguida, fizemos algumas palestras p\u00fablicas juntos para sondar o terreno e tamb\u00e9m para falar. O Kevin havia iniciado a Pesquisa Suic\u00eddios na Irlanda, que deveria adotar uma abordagem psicobiogr\u00e1fica e tinha como objetivo entrevistar pessoas que haviam perdido parentes por suic\u00eddio, e eu me juntei a ele nessa pesquisa. A plataforma de pesquisa inicial que Kevin e eu estabelecemos atuava em torno de interesses comuns de pesquisa e foi situada inicialmente fora de qualquer estrutura institucional. Posteriormente, no entanto, foi inclu\u00edda dentro de um contexto institucional quando, em 2006, fui indicado como Acad\u00eamico Ad Astra em Estudos de Suic\u00eddio no Departamento de Psiquiatria e Pesquisa em Sa\u00fade Mental (UCD\/SVUH), [situando] exclusivamente o que se tornaria o projeto <em>Lived Lives <\/em>como um PhD de pr\u00e1tica art\u00edstica dentro de uma Faculdade de Medicina. Assim, a pr\u00e1tica art\u00edstica que surgiria seria aquela em que o tecido, tanto na sua forma material quanto conceitual, responderia e operaria pragmaticamente dentro desse contexto m\u00e9dico. Logicamente, \u00e9 incomum para uma faculdade de medicina fundamentada em abordagens e an\u00e1lises de imparcialidade objetiva, considerada universal e emp\u00edrica, receber um PhD conduzido por pr\u00e1tica art\u00edstica movida em geral por interesse pessoal e hermen\u00eautica experiencial. No caso, <em>Lived Lives <\/em>possibilitou pontos saud\u00e1veis de tens\u00e3o entre as abordagens art\u00edsticas e cient\u00edficas que, por sua vez, produziram novos espa\u00e7os de conhecimento e compreens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Entrevistamos 104 fam\u00edlias em toda a Irlanda ao longo de dois anos e, o que \u00e9 muito importante, \u00e0 mesa da cozinha de suas pr\u00f3prias casas. A ideia predominante na \u00e9poca era lev\u00e1-los para o hospital, mas eu tinha plena consci\u00eancia de que as institui\u00e7\u00f5es haviam frustrado muitas dessas pessoas e que elas ficariam mais confort\u00e1veis em suas casas. Ent\u00e3o, colocamos pequenos an\u00fancios nos jornais locais gratuitos de todo o pa\u00eds, simplesmente informando a natureza do estudo e pedindo \u00e0queles que haviam perdido algu\u00e9m recentemente por suic\u00eddio entre os anos de 2003 a 2008 para ligar para o escrit\u00f3rio de pesquisa se quisessem compartilhar sua perda e n\u00f3s ir\u00edamos ouvir sua hist\u00f3ria. Achamos que conseguir\u00edamos a participa\u00e7\u00e3o de 20 fam\u00edlias, mas conseguimos 104. Foram anos muito cansativos. Dirigimos muito. Foi uma pesquisa em toda a Irlanda e, por isso, viajamos por toda a ilha. Decidimos fazer uma entrevista por dia. Algumas duravam uma hora; outras, quatro ou cinco horas. Se algu\u00e9m chegou a pegar o telefone para nos ligar, sent\u00edamos que precis\u00e1vamos estar dispon\u00edvel para ajudar essa pessoa e acompanh\u00e1-la. Portanto, tom\u00e1vamos muito cuidado com o in\u00edcio da entrevista, mas sempre terminava quando as pr\u00f3prias fam\u00edlias a terminavam. Em seguida, ap\u00f3s a concord\u00e2ncia e a assinatura dos formul\u00e1rios oficiais de \u201cConsentimento Informado\u201d, que cientificavam os participantes sobre a natureza e os par\u00e2metros da pesquisa, eu dizia para as fam\u00edlias participantes doarem algo pertencente ao ente falecido. Muitas fam\u00edlias doaram objetos do quarto de seus filhos, mas a maior parte me deu o nome e uma fotografia, revelando a identidade. Isso gerou um problema na Faculdade de Medicina porque o anonimato e a confidencialidade s\u00e3o os pilares da pesquisa m\u00e9dica, e todo projeto que se origine de um hospital ou universidade precisa da aprova\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea de \u00c9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Criados na d\u00e9cada de 1960, os Comit\u00eas de \u00c9tica e M\u00e9dicos tinham o objetivo de proteger o bem-estar das pessoas que participavam de pesquisas m\u00e9dicas. Tivemos que submeter o projeto tr\u00eas vezes at\u00e9 conseguirmos a autoriza\u00e7\u00e3o. Como todos os projetos de pesquisa dentro da faculdade de medicina, <em>Lived Lives<\/em> estava no \u00e2mbito de compet\u00eancia desse \u00f3rg\u00e3o governamental. A autoriza\u00e7\u00e3o para incluir a identidade na pesquisa foi recusada duas vezes, principalmente devido a preocupa\u00e7\u00f5es com a ang\u00fastia da fam\u00edlia extensa ou distante causada pela exposi\u00e7\u00e3o da identidade do ente querido falecido em uma exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Em resposta, o processo de <em>Lived Lives<\/em> foi ajustado de forma a contemplar exposi\u00e7\u00f5es privadas e envolvimento da fam\u00edlia extensa ou distante no desenvolvimento do trabalho antes de qualquer exibi\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Foi estabelecido nos protocolos de trabalho que as fam\u00edlias participantes poderiam retirar qualquer coisa ou tudo em qualquer est\u00e1gio do processo sem julgamento ou censura. Uma voz importante nesse \u201coficialismo\u201d veio de uma integrante de uma das fam\u00edlias participantes que se dirigiu ao Comit\u00ea em nossa quarta tentativa de receber aprova\u00e7\u00e3o. Ela alegou seu direito de autorizar o uso das imagens e objetos de sua propriedade em nossa pesquisa e, basicamente, como os pr\u00f3prios sujeitos da pesquisa n\u00e3o se dirigem a esses comit\u00eas, foi dado a ela um caminho para se dirigir pessoalmente ao Comit\u00ea de \u00c9tica e Pesquisa M\u00e9dica. Foi ent\u00e3o autorizada a inclus\u00e3o de imagens e outros objetos que revelassem a identidade, se as fam\u00edlias assim desejassem. Uma s\u00e9rie de instala\u00e7\u00f5es de arte em andamento foi feita a partir dessas doa\u00e7\u00f5es, que foram inicialmente apresentadas \u00e0s fam\u00edlias para envolvimento privado, reflex\u00e3o e feedback. \u00c9 importante ressaltar que, como as fam\u00edlias estavam presentes e ativas nas obras de arte que surgiam, o ato de ouvir se tornou algo intr\u00ednseco ao projeto e a conversa que fluiu durante o processo criativo foi valorizada tanto quanto a realiza\u00e7\u00e3o e a apresenta\u00e7\u00e3o de obras f\u00edsicas. As instala\u00e7\u00f5es de arte em desenvolvimento foram apresentadas pela primeira vez \u00e0s fam\u00edlias em 2009. Demoramos quase duas semanas para garantir que cada fam\u00edlia pudesse ver em privado os trabalhos a serem apresentados, de acordo com o que ficou conhecido como os protocolos de <em>Lived Lives<\/em>.<\/p>\n\n\n<div id=\"metaslider-id-606\" style=\"width: 100%; margin: 0 auto;\" class=\"ml-slider-3-20-3 metaslider metaslider-flex metaslider-606 ml-slider\">\n    <div id=\"metaslider_container_606\">\n        <div id=\"metaslider_606\">\n            <ul aria-live=\"polite\" class=\"slides\">\n                <li style=\"display: block; width: 100%;\" class=\"slide-615 ms-image\"><img width=\"1224\" height=\"816\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-7_21g_Making-Stigma-Visible-Regional-Cultural-Centre-Letterkenny-2018.jpg\" class=\"slider-606 slide-615\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"Fig 7_21g_Making Stigma Visible, Regional Cultural Centre Letterkenny, 2018\" style=\"margin: 0 auto; width: 99.428571428571%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-7_21g_Making-Stigma-Visible-Regional-Cultural-Centre-Letterkenny-2018.jpg 1224w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-7_21g_Making-Stigma-Visible-Regional-Cultural-Centre-Letterkenny-2018-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-7_21g_Making-Stigma-Visible-Regional-Cultural-Centre-Letterkenny-2018-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-7_21g_Making-Stigma-Visible-Regional-Cultural-Centre-Letterkenny-2018-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1224px) 100vw, 1224px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\">Fam\u00edlias de <i>Lived Lives<\/i> Participa\u00e7\u00e3o Privada, Galway, 2009. Foto: Robert Ellis.<\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-616 ms-image\"><img width=\"2000\" height=\"1200\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-9_rev_slide-show-1-image-2.jpg\" class=\"slider-606 slide-616\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"FIG 9_rev_slide show 1 image 2\" style=\"margin-top: 3.1428571428571%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-9_rev_slide-show-1-image-2.jpg 2000w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-9_rev_slide-show-1-image-2-300x180.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-9_rev_slide-show-1-image-2-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-9_rev_slide-show-1-image-2-768x461.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-9_rev_slide-show-1-image-2-1536x922.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 2000px) 100vw, 2000px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\">Fam\u00edlias de <i>Lived Lives<\/i> Participa\u00e7\u00e3o Privada, Galway, 2009. Foto: Robert Ellis.<\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-617 ms-image\"><img width=\"1200\" height=\"803\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-8_rev_slide-show-1-image-1.jpg\" class=\"slider-606 slide-617\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"FIG-8_rev_slide-show-1-image-1\" style=\"margin: 0 auto; width: 99.057107276285%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-8_rev_slide-show-1-image-1.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-8_rev_slide-show-1-image-1-300x201.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-8_rev_slide-show-1-image-1-1024x685.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-8_rev_slide-show-1-image-1-768x514.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\">Fam\u00edlias de <i>Lived Lives<\/i> Participa\u00e7\u00e3o Privada, Galway, 2009. Foto: Robert Ellis.<\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-618 ms-image\"><img width=\"1200\" height=\"803\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-10_rev_slide-show-1-image-3.jpg\" class=\"slider-606 slide-618\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"FIG-10_rev_slide-show-1-image-3\" style=\"margin: 0 auto; width: 99.057107276285%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-10_rev_slide-show-1-image-3.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-10_rev_slide-show-1-image-3-300x201.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-10_rev_slide-show-1-image-3-1024x685.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-10_rev_slide-show-1-image-3-768x514.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\">Fam\u00edlias de <i>Lived Lives<\/i> Participa\u00e7\u00e3o Privada, Galway, 2009. Foto: Robert Ellis.<\/div><\/div><\/li>\n            <\/ul>\n        <\/div>\n        \n    <\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>Os trabalhos em curso foram instalados no Centro de M\u00eddia e Artes Criativas, GMIT, Galway. O pr\u00e9dio havia sido um antigo semin\u00e1rio para o treinamento de padres cat\u00f3licos, ent\u00e3o haviam quartos suficientes, todos exatamente do mesmo tamanho. Eles s\u00e3o usados atualmente como est\u00fadios para estudantes, mas eram antigas celas dos padres. O fato de os quartos serem do mesmo tamanho era importante para mim porque eu n\u00e3o queria privilegiar uma fam\u00edlia em detrimento de outra. Cada fam\u00edlia, cada obra tinha que ter o mesmo espa\u00e7o f\u00edsico; tudo era enfocado no participante. Quando fiz <em>21g<\/em> em 2003, fiz como um objeto de arte, para o p\u00fablico interpretar da forma que reagisse ou n\u00e3o. \u00c0s vezes sinto que, como artistas, n\u00e3o levamos em conta o p\u00fablico. Frequentemente, criamos as obras para outros artistas, ou institui\u00e7\u00f5es culturais, distantes da vida cotidiana. Passei a questionar por que fazia isso. Voltando \u00e0 sua pergunta original sobre minha jornada de artista t\u00eaxtil ao engajamento social, com <em>Lived Lives <\/em>foi o impacto do processo de pesquisa que transformou minha pr\u00e1tica de uma que se centrava no objeto f\u00edsico de arte para uma que est\u00e1 profundamente enraizada na experi\u00eancia humana e agora opera no \u00e2mbito da pr\u00e1tica art\u00edstica socialmente engajada.<\/p>\n\n\n<div id=\"metaslider-id-619\" style=\"width: 100%; margin: 0 auto;\" class=\"ml-slider-3-20-3 metaslider metaslider-flex metaslider-619 ml-slider\">\n    <div id=\"metaslider_container_619\">\n        <div id=\"metaslider_619\">\n            <ul aria-live=\"polite\" class=\"slides\">\n                <li style=\"display: block; width: 100%;\" class=\"slide-630 ms-image\"><img width=\"1200\" height=\"1793\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-11_rev_slide-show-1-image-4.jpg\" class=\"slider-619 slide-630\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"Fig-11_rev_slide-show-1-image-4\" style=\"margin: 0 auto; width: 44.362998964226%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-11_rev_slide-show-1-image-4.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-11_rev_slide-show-1-image-4-201x300.jpg 201w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-11_rev_slide-show-1-image-4-685x1024.jpg 685w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-11_rev_slide-show-1-image-4-768x1148.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-11_rev_slide-show-1-image-4-1028x1536.jpg 1028w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\"><i>Lived Lost Lives<\/i> RCC, Letterkenny, Condado de Donegal, 2013. Fotos: Robert Ellis.<\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-631 ms-image\"><img width=\"1200\" height=\"801\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-12_slide-show-2_-image-1.jpg\" class=\"slider-619 slide-631\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"FIG-12_slide-show-2_-image-1\" style=\"margin: 0 auto; width: 99.304440877475%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-12_slide-show-2_-image-1.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-12_slide-show-2_-image-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-12_slide-show-2_-image-1-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-12_slide-show-2_-image-1-768x513.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\"><i>Lived Lost Lives<\/i> RCC, Letterkenny, Condado de Donegal, 2013. Fotos: Robert Ellis.<\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-632 ms-image\"><img width=\"1200\" height=\"801\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-13_slide-show-2_image-2.jpg\" class=\"slider-619 slide-632\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"FIG-13_slide-show-2_image-2\" style=\"margin: 0 auto; width: 99.304440877475%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-13_slide-show-2_image-2.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-13_slide-show-2_image-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-13_slide-show-2_image-2-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-13_slide-show-2_image-2-768x513.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\"><i>Lived Lost Lives<\/i> RCC, Letterkenny, Condado de Donegal, 2013. Fotos: Robert Ellis.<\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-633 ms-image\"><img width=\"1200\" height=\"801\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-14_slide-show-2_image-3.jpg\" class=\"slider-619 slide-633\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"FIG-14_slide-show-2_image-3\" style=\"margin: 0 auto; width: 99.304440877475%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-14_slide-show-2_image-3.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-14_slide-show-2_image-3-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-14_slide-show-2_image-3-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-14_slide-show-2_image-3-768x513.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\"><i>Lived Lost Lives<\/i> RCC, Letterkenny, Condado de Donegal, 2013. Fotos: Robert Ellis.<\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-634 ms-image\"><img width=\"1200\" height=\"801\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-15_slide-show-2-image-4.jpg\" class=\"slider-619 slide-634\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"FIG-15_slide-show-2-image-4\" style=\"margin: 0 auto; width: 99.304440877475%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-15_slide-show-2-image-4.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-15_slide-show-2-image-4-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-15_slide-show-2-image-4-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-15_slide-show-2-image-4-768x513.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\"><i>Lived Lost Lives<\/i> RCC, Letterkenny, Condado de Donegal, 2013. Fotos: Robert Ellis.<\/div><\/div><\/li>\n            <\/ul>\n        <\/div>\n        \n    <\/div>\n<\/div>\n\n\n<div id=\"metaslider-id-635\" style=\"width: 100%; margin: 0 auto;\" class=\"ml-slider-3-20-3 metaslider metaslider-flex metaslider-635 ml-slider\">\n    <div id=\"metaslider_container_635\">\n        <div id=\"metaslider_635\">\n            <ul aria-live=\"polite\" class=\"slides\">\n                <li style=\"display: block; width: 100%;\" class=\"slide-644 ms-image\"><img width=\"1200\" height=\"801\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-16_slide-show-3_image-1.jpg\" class=\"slider-635 slide-644\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"FIG-16_slide-show-3_image-1\" style=\"margin: 0 auto; width: 99.304440877475%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-16_slide-show-3_image-1.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-16_slide-show-3_image-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-16_slide-show-3_image-1-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-16_slide-show-3_image-1-768x513.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\"><i>Lived Lives: A Pavee Perspective<\/i>, Dublin, 2015. Fotos: Robert Ellis.<\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-645 ms-image\"><img width=\"1200\" height=\"801\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-17_slide-show-3_image-2.jpg\" class=\"slider-635 slide-645\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"FIG-17_slide-show-3_image-2\" style=\"margin: 0 auto; width: 99.304440877475%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-17_slide-show-3_image-2.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-17_slide-show-3_image-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-17_slide-show-3_image-2-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-17_slide-show-3_image-2-768x513.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\"><i>Lived Lives: A Pavee Perspective<\/i>, Dublin, 2015. Fotos: Robert Ellis.<\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-646 ms-image\"><img width=\"1200\" height=\"801\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-18_slide-show-3_image-3.jpg\" class=\"slider-635 slide-646\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"FIG-18_slide-show-3_image-3\" style=\"margin: 0 auto; width: 99.304440877475%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-18_slide-show-3_image-3.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-18_slide-show-3_image-3-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-18_slide-show-3_image-3-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-18_slide-show-3_image-3-768x513.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\"><i>Lived Lives: A Pavee Perspective<\/i>, Dublin, 2015. Fotos: Robert Ellis.<\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-647 ms-image\"><img width=\"1200\" height=\"1798\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-19_slide-show-3_image-4.jpg\" class=\"slider-635 slide-647\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"FIG-19_slide-show-3_image-4\" style=\"margin: 0 auto; width: 44.239631336406%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-19_slide-show-3_image-4.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-19_slide-show-3_image-4-200x300.jpg 200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-19_slide-show-3_image-4-683x1024.jpg 683w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-19_slide-show-3_image-4-768x1151.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-19_slide-show-3_image-4-1025x1536.jpg 1025w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\"><i>Lived Lives: A Pavee Perspective<\/i>, Dublin, 2015. Fotos: Robert Ellis.<\/div><\/div><\/li>\n            <\/ul>\n        <\/div>\n        \n    <\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>O layout da exposi\u00e7\u00e3o e recep\u00e7\u00e3o muda de acordo com cada p\u00fablico e espa\u00e7o f\u00edsico. Essa mudan\u00e7a na minha pr\u00e1tica art\u00edstica n\u00e3o foi uma decis\u00e3o consciente minha. Foi s\u00f3 como as coisas se desenrolaram. Eu segui o processo. Desde a primeira exibi\u00e7\u00e3o de <em>Lived Lives<\/em>, continuamos a levar o projeto a diferentes contextos em todo o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Helen O\u2019Donoghue<\/em><\/strong> &#8211; Seamus, dada a forma como o processo tem \u201cse desenrolado\u201d, como voc\u00ea diz, e o amplo alcance em todo o pa\u00eds, esse trabalho deixar\u00e1 um legado poderoso. Voc\u00ea se tornou e \u00e9 o guardi\u00e3o das hist\u00f3rias e objetos que as fam\u00edlias doaram e est\u00e1 construindo aos poucos um grande acervo. Como voc\u00ea veria seu trabalho como um acervo? Diante do \u00edmpeto atual da sociedade em digitalizar acervos, voc\u00ea chegou a considerar isso? O que voc\u00ea pensa sobre o local onde o acervo deveria estar situado?<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Seamus<\/em><\/strong> &#8211; Como resultado do desenrolar do processo de <em>Lived Lives<\/em>, surgiu um acervo \u2013 tecidos, objetos, sons e hist\u00f3rias. Repito, isso n\u00e3o estava previsto. Foi feita uma sugest\u00e3o \u00e0s fam\u00edlias participantes, ap\u00f3s o consentimento informado, para que doassem ao projeto imagens, nomes e outros objetos de seu familiar falecido por suic\u00eddio. Essas doa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m inclu\u00edam narrativas do ente falecido. Elas se tornaram um acervo de trabalho, sendo constantemente ampliado, de forma semelhante ao que o estudioso Matthew Winzen chama de \u201cacervos vivos\u201d, que significa \u201cobras abertas, inacabadas e inacab\u00e1veis\u201d.<sup>2<\/sup> Quest\u00f5es como a guarda e manuten\u00e7\u00e3o do acervo precisam ser reexaminadas agora. O acervo <em>Lived Lives <\/em>\u00e9 realmente um \u201cacervo vivo\u201d, que cresce conforme o trabalho e as conversas sobre o processo avan\u00e7am. N\u00e3o foi feito para ser um acervo meticuloso. \u00c9 vivo, respira, vai sempre mudando de acordo com o contexto e se tornando, de v\u00e1rias formas, uma nova maneira de trabalhar para mim. Por meio do processo de sele\u00e7\u00e3o, instala\u00e7\u00e3o, toque e contempla\u00e7\u00e3o, os objetos s\u00e3o refeitos e representados em diferentes instala\u00e7\u00f5es e contextos a cada evento\/exibi\u00e7\u00e3o de <em>Lived Lives<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-20_Archive-Room-RCC-Letterkenny-2018.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1224\" height=\"816\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-20_Archive-Room-RCC-Letterkenny-2018.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-648\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-20_Archive-Room-RCC-Letterkenny-2018.jpg 1224w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-20_Archive-Room-RCC-Letterkenny-2018-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-20_Archive-Room-RCC-Letterkenny-2018-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-20_Archive-Room-RCC-Letterkenny-2018-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1224px) 100vw, 1224px\" \/><\/a><figcaption>Sala de Acervo, Centro Cultural Regional,<em> <\/em>Letterkenny, 2018. Foto: Robert Ellis.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-21-Archive-Room-Regional-Cultural-Centre-Letterkenny-2018-.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1224\" height=\"816\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-21-Archive-Room-Regional-Cultural-Centre-Letterkenny-2018-.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-650\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-21-Archive-Room-Regional-Cultural-Centre-Letterkenny-2018-.jpg 1224w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-21-Archive-Room-Regional-Cultural-Centre-Letterkenny-2018--300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-21-Archive-Room-Regional-Cultural-Centre-Letterkenny-2018--1024x683.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-21-Archive-Room-Regional-Cultural-Centre-Letterkenny-2018--768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1224px) 100vw, 1224px\" \/><\/a><figcaption>Sala de Acervo, Centro Cultural Regional, Letterkenny, 2018. Foto: Robert Ellis.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Sugere-se aos visitantes e convidados desses eventos que peguem e toquem nos objetos, e esse ato de tocar abre ao espectador um caminho para dentro. O ato de tocar \u00e9 importante. Tem por base a qualidade inata do tecido de ser comunicativo e de ser um ve\u00edculo para encontros est\u00e9ticos transformadores. Esses encontros, por sua vez, tamb\u00e9m se tornam parte do acervo por meio do processo de documenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-23.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1920\" height=\"1281\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-23.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-652\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-23.jpg 1920w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-23-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-23-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-23-768x512.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-23-1536x1025.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption>Acervo Toque, Centro Cultural Regional, Letterkenny, Condado de Donegal. Foto: Robert Ellis.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-24-Archive-Touch-Regional-Cultural-Centre-Letterkenny-Co-Donegal-.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1224\" height=\"816\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-24-Archive-Touch-Regional-Cultural-Centre-Letterkenny-Co-Donegal-.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-654\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-24-Archive-Touch-Regional-Cultural-Centre-Letterkenny-Co-Donegal-.jpg 1224w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-24-Archive-Touch-Regional-Cultural-Centre-Letterkenny-Co-Donegal--300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-24-Archive-Touch-Regional-Cultural-Centre-Letterkenny-Co-Donegal--1024x683.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-24-Archive-Touch-Regional-Cultural-Centre-Letterkenny-Co-Donegal--768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1224px) 100vw, 1224px\" \/><\/a><figcaption>Acervo Toque, Centro Cultural Regional,<em> <\/em>Letterkenny, Condado de Donegal. Foto: Robert Ellis.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-25.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1920\" height=\"1281\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-25.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-656\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-25.jpg 1920w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-25-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-25-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-25-768x512.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/FIG-25-1536x1025.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption>Acervo Toque, Centro Cultural Regional, Letterkenny, Condado de Donegal. Foto: Robert Ellis.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Atualmente eu guardo todas as doa\u00e7\u00f5es de acervo f\u00edsico e obras no meu est\u00fadio particular, pr\u00f3ximo \u00e0 minha casa, mantendo-os sob cust\u00f3dia. No entanto, n\u00e3o quero que esse acervo e obras futuras sejam consumidos por uma institui\u00e7\u00e3o: devem continuar sempre sendo de propriedade das pessoas cujas experi\u00eancias de perda eles tentam articular e tornar acess\u00edvel aos outros. Uma alternativa seria digitalizar todo o acervo, devolver as doa\u00e7\u00f5es \u00e0s fam\u00edlias e manter sua exist\u00eancia online. Por\u00e9m, nesse caso, ficaria faltando o ato do toque f\u00edsico. Assim, quest\u00f5es e dilemas em rela\u00e7\u00e3o ao acervo s\u00e3o preocupa\u00e7\u00f5es constantes nesse projeto.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Jessica<\/strong><\/em> &#8211; \u00c9 fascinante pensar sobre como o \u201cacervo vivo\u201d reflete uma Irlanda contempor\u00e2nea viva. Talvez voc\u00ea possa falar sobre os diferentes p\u00fablicos com os quais voc\u00ea trabalha a esse respeito.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Seamus<\/strong><\/em> &#8211; Nosso objetivo \u00e9 atingir p\u00fablicos variados: jovens, \u00e9 claro, e comunidades marginalizadas, muitas vezes desproporcionalmente afetadas pelo suic\u00eddio, bem como p\u00fablicos diversos, trabalhando em estreita colabora\u00e7\u00e3o com parceiros locais. Uma das itera\u00e7\u00f5es de<em> Lived Lives <\/em>ocorreu em Fort Dunree, Inishowen, uma \u00e1rea rural do Condado de Donegal, em 2017. O p\u00fablico com o qual trabalhamos ali tinha majoritariamente 16 anos. Nesse tipo de pesquisa, os pesquisadores n\u00e3o costumam interagir com menores de 18 anos sobre suic\u00eddio porque eles n\u00e3o s\u00e3o adultos e, ent\u00e3o, n\u00e3o seria algo aceit\u00e1vel socialmente. Mas, na verdade, jovens entre 16 e 18 anos fazem parte da popula\u00e7\u00e3o de alto risco. Na verdade, a pessoa mais jovem em nosso acervo <em>Lived Lives<\/em> \u00e9 Rebecca, ela tinha 14 anos quando morreu. Em uma de nossas conversas mediadas em Fort Dunree, uma garota questionou por que, se jovens de 14 anos est\u00e3o se matando, a voz deles n\u00e3o poderia fazer parte dessa conversa. Pensei comigo mesmo que aquilo fazia sentido e, ent\u00e3o, passamos a inclu\u00ed-los tamb\u00e9m, garantindo que a voz deles, que em geral n\u00e3o \u00e9 ouvida, fosse verbalizada em alto e bom som. Esse tipo de envolvimento precisa de uma estreita colabora\u00e7\u00e3o com as escolas. Visitamos as escolas com anteced\u00eancia para garantir que todos estivessem cientes da natureza do trabalho antes da visita dos alunos. Incluir diretamente esses jovens dessa forma parece ser um bom modelo de envolvimento. Eles conseguem se expressar em uma linguagem que jovens entre 14 e 16 anos entendem. Em rela\u00e7\u00e3o ao suic\u00eddio, tendemos a falar muito como adultos sobre isso, mas \u00e9 fundamental criar plataformas est\u00e9ticas e \u00e9ticas para que essas vozes jovens possam surgir.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Video 1_Dunree Fort - 21g Student&#039;s Reflections\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/521549947?dnt=1&amp;app_id=122963\" width=\"500\" height=\"281\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; fullscreen; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption><em>Dunree Fort-21g<\/em>.<em> <\/em>Reflex\u00e3o dos Alunos, Inishowen, Condado de Donegal, Irlanda, 2017.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos jovens, na Irlanda, outro grupo de risco desproporcionalmente alto s\u00e3o os \u201cviajantes\u201d [<em>Travellers<\/em>]. [\u201cViajantes\u201d se refere a comunidades que compartilham cultura e tradi\u00e7\u00f5es marcadas predominantemente por um modo de vida n\u00f4made].<sup>3<\/sup> Ent\u00e3o, em 2015, uma vers\u00e3o de <em>Lived Lives<\/em> foi apresentada no Centro de Recursos de Viajantes, Pavee Point, Dublin. A exposi\u00e7\u00e3o teve como objetivo conscientizar a respeito do desafio apresentado pelas taxas de suic\u00eddio elevadas na comunidade viajante. De forma similar ao que descrevi quanto a trabalhar com o p\u00fablico jovem, o processo de exposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m envolveu uma s\u00e9rie de visitas mediadas e discuss\u00f5es. (Ver <em>Pavee Perspective<\/em> em https:\/\/www.livedlivesproject.com\/)<\/p>\n\n\n\n<p>Tivemos a sorte de receber financiamento do Wellcome Trust para financiar a <em>Pavee Perspective <\/em>e logo em seguida receber uma segunda doa\u00e7\u00e3o em 2017 com o objetivo de, durante um per\u00edodo de doze meses, alcan\u00e7ar novas comunidades rurais e marginalizadas em cinco locais diferentes. \u00c9 importante ressaltar que n\u00e3o se tratava apenas de trabalhar com comunidades nas diferentes periferias da sociedade irlandesa, mas, de forma cr\u00edtica, nos esfor\u00e7amos para reunir esses grupos e criar di\u00e1logos entre esses grupos com representantes de diversas institui\u00e7\u00f5es. Aqui, perspectivas que podem ser vistas como geogr\u00e1fica e psicologicamente opostas s\u00e3o reunidas por suas experi\u00eancias comuns de suic\u00eddio, estigma e marginaliza\u00e7\u00e3o por exemplo: um socorrista ou<em> Garda Siochana<\/em> [o nome irland\u00eas para a pol\u00edcia] ao ser chamado e chegar na cena de um suic\u00eddio, jovens LGBTI e membros da comunidade, tamb\u00e9m afetados de forma desproporcional pelo suic\u00eddio, fam\u00edlias de luto, m\u00eddia local e profissionais de sa\u00fade mental. O di\u00e1logo aberto que n\u00e3o lamenta, cultua ou mostra os participantes como v\u00edtimas ou estat\u00edsticas pode fazer com que as pessoas assumam uma posi\u00e7\u00e3o emp\u00e1tica. O objetivo \u00e9 criar as circunst\u00e2ncias para ouvir diferentes hist\u00f3rias e compreender, refletir e questionar a perda sem julgamento. Nesse sentido, ao abrir espa\u00e7o para conversa, reflex\u00e3o e contempla\u00e7\u00e3o sobre interesses diferentes, o projeto <em>Lived Lives <\/em>foi especialmente comovente em sua itera\u00e7\u00e3o no hospital universit\u00e1rio psiqui\u00e1trico St. Patrick, em Dublin. Essa itera\u00e7\u00e3o ficou conhecida como <em>From Tory Island to<\/em> <em>Swift\u2019s Asylum<\/em>. Foram instaladas obras de arte em todo o hospital e organizamos tours mediados para o p\u00fablico. \u00c9 importante ressaltar que fizemos uma apresenta\u00e7\u00e3o na Confer\u00eancia do Dia dos Fundadores, na qual conseguimos reunir usu\u00e1rios de servi\u00e7os de sa\u00fade mental e prestadores e formuladores de pol\u00edticas \u2013 um evento raro, talvez at\u00e9 in\u00e9dito. Tamb\u00e9m promovemos conversas na Sala da Diretoria do Hospital e incentivamos reflex\u00f5es sobre <em>Lived Lives<\/em> por parte da equipe cl\u00ednica e avaliadores. \u00c9 muito comovente ver como essas exposi\u00e7\u00f5es\/eventos mediados t\u00eam o poder de envolver e ser relevante para diversos grupos.&nbsp;(Ver <em>From Tory Island to Swift\u2019s Asylum <\/em>em https:\/\/www.livedlivesproject.com\/)<\/p>\n\n\n\n<p>Mas acho que, para explicar nosso processo, \u00e9 \u00fatil voltar imediatamente aos envolvimentos e exibi\u00e7\u00f5es privadas para as fam\u00edlias durante a primeira instala\u00e7\u00e3o de <em>Lived Lives<\/em>, em Galway, 2009. Durante a primeira semana, cada fam\u00edlia foi guiada pelas obras em andamento. Foi um processo de conversas e jornadas. Nessa fase, as fam\u00edlias ainda n\u00e3o se conheciam. A ideia era fazer exibi\u00e7\u00f5es privadas para cada fam\u00edlia separadamente. Fomos extremamente cuidadosos com isso e criamos um cronograma para garantir que cada uma tivesse esse tempo privado. Cada jornada pelas obras durou cerca de duas horas. Gravamos todas as conversas, depois as transcrevemos e demos c\u00f3pias \u00e0s fam\u00edlias, pedindo a elas que exclu\u00edssem o que n\u00e3o quisessem tornar p\u00fablico, j\u00e1 que \u00e0s vezes, durante as conversas, as pessoas podem mencionar nomes e outras coisas e depois pensar que talvez n\u00e3o devessem ter dito isso ou aquilo. Eu queria que elas tivessem o controle de como suas experi\u00eancias particulares de perda entrariam na esfera p\u00fablica. Fomos sempre muito cuidadosos. Caminhamos muito lentamente pelo que significava muitas vezes reviver um luto muito tang\u00edvel. Foi um exerc\u00edcio de constru\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a. Isso \u00e9 um m\u00e9todo no meu processo e, ao refletir a respeito agora, eu diria que tem sido uma parte fundamental da pesquisa e continua a ser conforme trazemos as obras para o dom\u00ednio p\u00fablico. Todo o processo, as jornadas pelas instala\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, as convers\u00f5es reflexivas e as discuss\u00f5es, foi documentado por meio de imagens est\u00e1ticas e em movimento, o que abre um caminho para as fam\u00edlias se envolverem em seu luto de forma documentada e, no seu pr\u00f3prio tempo, editar o que \u00e9 mostrado para o grande p\u00fablico e, ao fazer isso, estender criticamente a conversa para al\u00e9m dos participantes imediatos. Em <em>Lived Lives<\/em>, tanto para as fam\u00edlias quanto para o p\u00fablico em geral, a experi\u00eancia conforme eles avan\u00e7am pelas obras tocando fisicamente e marcando as obras de arte \u00e9 fundamental para o processo e foi descrita muitas vezes como transformadora.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Jessica<\/strong><\/em> &#8211; Ouvindo voc\u00ea descrever esse processo incrivelmente \u00e9tico e cuidadoso, eu me lembro de um coment\u00e1rio em sua publica\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica recente observando que em muitas pr\u00e1ticas socialmente engajadas, embora bem intencionadas e\/ou impulsionadas por preocupa\u00e7\u00f5es sociais e comunit\u00e1rias, o artista, no entanto, permanece \u201csoberano\u201d<sup>4<\/sup>, o que \u00e9 muito diferente do seu processo.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Seamus<\/strong> &#8211;<\/em> Muitas vezes sinto que na arte contempor\u00e2nea as vozes do p\u00fablico e dos participantes n\u00e3o s\u00e3o ouvidas. Em vez disso, ouvimos as vozes de artistas, educadores, cr\u00edticos e curadores. Com frequ\u00eancia, na pr\u00e1tica socialmente engajada, os artistas que trabalham com as comunidades tentam representar essas comunidades. Mas, na verdade, muitas vezes n\u00e3o inclu\u00edmos essas mesmas comunidades nos processos de tomada de decis\u00e3o. Aqui as fam\u00edlias decidiram tudo, e continua sendo assim. No final daquela semana em Galway em 2009, onde exibimos <em>Lived Lives <\/em>pela primeira vez, reunimos todas as fam\u00edlias. O enfoque do meu PhD foi explorar como poder\u00edamos criar as circunst\u00e2ncias para liberar essas hist\u00f3rias privadas para a esfera p\u00fablica. Uma grande parte desse trabalho consistiu em perguntar \u00e0s pr\u00f3prias fam\u00edlias, n\u00e3o apenas se, mas tamb\u00e9m, como dever\u00edamos fazer isso. Ent\u00e3o, nessa reuni\u00e3o, que foi quando todos se conheceram, as fam\u00edlias decidiram que realmente queriam que as obras fossem abertas ao p\u00fablico e recomendaram quatro estrat\u00e9gias curatoriais (embora n\u00e3o tivessem dito curatoriais, mas \u00e9 o que eram) sobre como dever\u00edamos proceder para tornar as obras p\u00fablicas:<\/p>\n\n\n\n<ul><li>1\u00ba \u2013 haver sempre media\u00e7\u00e3o nos trabalhos;<\/li><li>2\u00ba \u2013 n\u00e3o privilegiar uma fam\u00edlia em detrimento de outra e, ent\u00e3o, cada vez que expomos as obras h\u00e1 pelo menos um objeto de cada fam\u00edlia;<\/li><li>3\u00ba \u2013 garantir que haja apoio dispon\u00edvel ao luto \u2013 portanto, sempre que h\u00e1 uma exposi\u00e7\u00e3o, temos orientadores especialistas em luto, pois nunca se sabe quem comparece \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o e como essa pessoa pode ser afetada;<\/li><li>4\u00ba \u2013 n\u00e3o permitir a presen\u00e7a de menores de 16 anos, a menos que estejam acompanhados por um adulto ou respons\u00e1vel.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Video 2_Should We Go Public-3\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/526987255?dnt=1&amp;app_id=122963\" width=\"500\" height=\"281\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; fullscreen; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption><em>Devemos ir a p\u00fablico<\/em>, 2009.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Uma vez que essas estrat\u00e9gias foram colocadas em pr\u00e1tica, e tendo continuado a trabalhar com elas o tempo todo, isso realmente moldou nossa forma de trabalho, mas torna qualquer exposi\u00e7\u00e3o um processo longo e lento. Quando exibimos as obras em p\u00fablico, geralmente fa\u00e7o um tour mediado que leva cerca de noventa minutos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Video 3_Pavee Perspective\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/521563112?dnt=1&amp;app_id=122963\" width=\"500\" height=\"281\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; fullscreen; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption><em>Lived Lives: A Pavee Perspective, <\/em>Dublin, 2016.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a jornada pelas obras, voltamos ao espa\u00e7o da exposi\u00e7\u00e3o e, sentados em meio \u00e0s obras, conversamos sobre o suic\u00eddio na Irlanda. As obras de arte, o material f\u00edsico, n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o relevantes para mim, na verdade, mas se mostram relevantes por serem um catalisador e um espa\u00e7o de conversa. De alguma forma, sentar-se entre tecidos e fios rasgados faz com que a conversa flua com muito mais facilidade e seja muito mais significativa do que se sentar em torno de uma mesa. Eu vejo essa pr\u00e1tica como tendo realmente uma natureza dial\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-26_Archive-Room-Regional-Cultural-Centre-Letterkenny-2018-.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1224\" height=\"816\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-26_Archive-Room-Regional-Cultural-Centre-Letterkenny-2018-.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-659\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-26_Archive-Room-Regional-Cultural-Centre-Letterkenny-2018-.jpg 1224w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-26_Archive-Room-Regional-Cultural-Centre-Letterkenny-2018--300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-26_Archive-Room-Regional-Cultural-Centre-Letterkenny-2018--1024x683.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-26_Archive-Room-Regional-Cultural-Centre-Letterkenny-2018--768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1224px) 100vw, 1224px\" \/><\/a><figcaption>Conversa sob <em>21g<\/em>, Centro Cultural Regional, Letterkenny, Condado de Donegal, 2018. Foto: Robert Ellis.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-27_Conversatiuon-beneath-21g-Regional-Cultural-Centre-Letterkenny.-Co.Donegal-2018-.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1224\" height=\"816\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-27_Conversatiuon-beneath-21g-Regional-Cultural-Centre-Letterkenny.-Co.Donegal-2018-.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-661\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-27_Conversatiuon-beneath-21g-Regional-Cultural-Centre-Letterkenny.-Co.Donegal-2018-.jpg 1224w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-27_Conversatiuon-beneath-21g-Regional-Cultural-Centre-Letterkenny.-Co.Donegal-2018--300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-27_Conversatiuon-beneath-21g-Regional-Cultural-Centre-Letterkenny.-Co.Donegal-2018--1024x683.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-27_Conversatiuon-beneath-21g-Regional-Cultural-Centre-Letterkenny.-Co.Donegal-2018--768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1224px) 100vw, 1224px\" \/><\/a><figcaption>Conversa sob <em>21g<\/em>, Centro Cultural Regional, Letterkenny, Condado de Donegal, 2018. Foto: Robert Ellis.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Outro aspecto importante do processo \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o. Sempre sugerimos ao p\u00fablico que se envolve com as obras que nos d\u00ea feedback por escrito. Temos milhares de formul\u00e1rios preenchidos, que se somam ao acervo, e at\u00e9 agora j\u00e1 exibimos em mais de vinte locais. Uma das perguntas que fazemos \u00e9 se a pessoa acha que isso romantiza ou glorifica o suic\u00eddio, que \u00e9 uma pergunta que voc\u00ea deve considerar sempre que voc\u00ea tem elementos est\u00e9ticos envolvidos, mas a resposta que recebemos \u00e9 n\u00e3o, de forma alguma, \u00e9 apenas real.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o h\u00e1 apenas feedback por escrito. Agora, sempre que organizamos exposi\u00e7\u00f5es e eventos, h\u00e1 avaliadores que s\u00e3o parte integrante e est\u00e3o l\u00e1 para observar. Buscamos sempre ter algu\u00e9m do mundo da arte e do mundo m\u00e9dico. Fazemos um esfor\u00e7o constante para ter esse equil\u00edbrio e, ao fazer isso, para haver tamb\u00e9m esse di\u00e1logo interdisciplinar entre arte e ci\u00eancia. Portanto, temos tr\u00eas lentes de avalia\u00e7\u00e3o \u2013 a arte, a ci\u00eancia e as comunidades com as quais trabalhamos. (Ver Parte III: <em>Lived Lives:<\/em> Avalia\u00e7\u00f5es independentes, feedback, entrevistas de r\u00e1dio e contagens culturais em https:\/\/www.livedlivesproject.com\/)<\/p>\n\n\n\n<p>Outra coisa que fizemos era solicitar, sempre que estiv\u00e9ssemos trabalhando com algu\u00e9m dos quadros burocr\u00e1ticos, qualquer pessoa de um contexto institucional, que deixassem sua postura institucional do lado de fora da porta e conhecessem as pessoas como pessoas. Frequentemente, as institui\u00e7\u00f5es suprimem a bondade das pessoas e elas tendem a falar de um ponto de vista institucional, em vez de humano. \u00c9 preciso mudar esse tom profissional para haver uma conversa sobre humanos entre humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Toda vez que fazemos uma exposi\u00e7\u00e3o, o primeiro dia ou dia de inaugura\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre reservado, ou seja, aberto apenas para as fam\u00edlias de <em>Lived Lives<\/em> e as fam\u00edlias de luto por suic\u00eddio daquela comunidade local. Ent\u00e3o, \u00e9 s\u00f3 para eles. As fam\u00edlias doadoras costumam se juntar a n\u00f3s nesse processo. \u00c9 sempre muito \u00edntimo, muito triste, eles sabem como \u00e9, todos eles passaram por isso, \u00e9 um processo terap\u00eautico, ou melhor, devo dizer que \u00e9 uma experi\u00eancia cat\u00e1rtica mais do que uma experi\u00eancia terap\u00eautica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Guilherme Vergara<\/em> <\/strong>&#8211; Esse processo incrivelmente cuidadoso e meticuloso me lembra o filme japon\u00eas <em>A Partida<\/em> (2008). Um violoncelista fracassado volta \u00e0 sua pequena cidade natal, e o \u00fanico emprego que consegue \u00e9 como um agente funer\u00e1rio do ritual tradicional japon\u00eas \u2013 uma esp\u00e9cie de embalsamamento. Ele sofre preconceito devido a v\u00e1rios tabus sociais fortes em rela\u00e7\u00e3o a pessoas que lidam com a morte, mas ele desempenha seu trabalho com tanto cuidado, aten\u00e7\u00e3o e amor, tal como ao tocar m\u00fasica, que acaba levando dignidade \u00e0 morte.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Seamus<\/em> <\/strong>&#8211; Sim, confian\u00e7a, cuidado, uma coisa que realmente me impressionou \u00e9 que essas 104 fam\u00edlias sofreram, possivelmente, a pior coisa que poderia ter acontecido na vida delas at\u00e9 agora, mas estavam dispostas a compartilhar suas hist\u00f3rias com algu\u00e9m que n\u00e3o havia passado por aquilo, e essa \u00e9 a ess\u00eancia da humanidade, do meu ponto de vista. Eu sempre tento ter muito cuidado com isso. Acho que quando voc\u00ea est\u00e1 trabalhando com comunidades e indiv\u00edduos, n\u00e3o faz sentido apenas exp\u00f4-los a um processo art\u00edstico, voc\u00ea realmente tem que coloc\u00e1-los dentro do processo, e a confian\u00e7a \u00e9 constru\u00edda a partir da\u00ed. Muitos projetos atraem as pessoas, mas n\u00e3o possibilita que elas tomem decis\u00f5es. Para n\u00f3s, as fam\u00edlias t\u00eam a \u00faltima palavra em tudo o que fazemos. O que \u00e9 interessante \u00e9 que, ao se abrir e abrir m\u00e3o do controle, elas sempre acabam acrescentando algo ao processo de maneiras inesperadas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Jessica<\/em> <\/strong>&#8211; Ent\u00e3o, o processo se torna agregador?<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Seamus<\/strong><\/em> &#8211; Sim. As primeiras fam\u00edlias com que falamos em 2006 ainda est\u00e3o envolvidas no processo. Muitas fam\u00edlias se tornaram amigas umas das outras e tamb\u00e9m de n\u00f3s. E nem tudo \u00e9 tristeza. Nossa proximidade e a confian\u00e7a que existe entre n\u00f3s resultaram em amizades \u00edntimas e respeito.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Jessica<\/strong><\/em> &#8211; Estou impressionada com os paralelos entre o seu trabalho com t\u00eaxteis e a sua pr\u00e1tica social. Todo o processo que voc\u00ea descreve me parece um processo de confec\u00e7\u00e3o de tecidos \u2013 uma trama de cuidados e conversas&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Seamus<\/em> <\/strong>&#8211; O tecido se comunica da forma mais silenciosa poss\u00edvel, estamos envoltos em tecido quando nascemos, quando morremos, para nos mantermos aquecidos, as pessoas entendem inatamente, \u00e9 um material que vai do ber\u00e7o ao t\u00famulo. O tecido \u00e9 algo muito \u00edntimo; tecido e pele, tecido como uma segunda pele. A diferen\u00e7a no meu trabalho nos \u00faltimos quinze anos \u00e9 uma mudan\u00e7a de uma pr\u00e1tica baseada em objetos para uma pr\u00e1tica baseada em conversa por meio do tecido. \u00c9 um apelo \u00e0 materialidade compartilhada entre tecidos e seres humanos. Refer\u00eancias como <em>The Whole Cloth<\/em> [Mildred Constantine e Laurel Reuter] documentam a hist\u00f3ria do tecido na arte e nos mostram como o tecido funciona no \u00e2mbito social, cl\u00ednico, pol\u00edtico e assim por diante. As caracter\u00edsticas intr\u00ednsecas e essenciais da materialidade do tecido e sua rela\u00e7\u00e3o com as pessoas desempenharam um papel central no desenvolvimento da linguagem cotidiana. As palavras texto e t\u00eaxtil t\u00eam da mesma raiz latina <em>textere <\/em>que significa tecer, fabricar. Termos t\u00eaxteis e met\u00e1foras referentes a tecido est\u00e3o profundamente enraizados na literatura e nas express\u00f5es cotidianas: o tecido social; comunidades descritas como muito entrela\u00e7adas; ou, no outro extremo, desemaranhar; tecemos e bordamos hist\u00f3rias; n\u00f3s desfiamos o ros\u00e1rio; floreamos e fabricamos a verdade; a vida \u00e9 frequentemente descrita como uma tape\u00e7aria; ao casar, n\u00f3s juntamos os trapinhos. Temos at\u00e9 t\u00f3picos [chamados <em>threads<\/em>, em ingl\u00eas, que significa fio] em sites ou grupos de not\u00edcias que podemos seguir ou acompanhar. Ainda me surpreende que esses termos ainda sejam usados na comunica\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea. N\u00f3s sempre conhecemos o tecido. Ele sempre nos conheceu.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Jessica<\/strong><\/em> &#8211; Essas met\u00e1foras e pr\u00e1ticas de fabrica\u00e7\u00e3o de tecidos oferecem maneiras verdadeiramente ricas e texturizadas de conectar a arte e a vida. Voc\u00ea descreveu as ind\u00fastrias t\u00eaxteis em sua comunidade como uma influ\u00eancia inicial importante, mas tamb\u00e9m estou curiosa para saber: o que foi que o levou \u00e0 arte?<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Seamus<\/strong><\/em> &#8211; Tive uma professora de arte muito boa no ensino m\u00e9dio em Buncrana, Condado de Donegal, uma freira, a Irm\u00e3 Enda. Embora se pudesse esperar que ser freira a tivesse tornado conservadora, ela era uma professora incr\u00edvel, na verdade. Eu era muito t\u00edmido na \u00e9poca. A sala de artes da escola secund\u00e1ria era meu santu\u00e1rio. Como disse antes, depois do ensino m\u00e9dio, quando eu tinha 18 anos, fui para o GMIT estudar t\u00eaxteis na escola de artes. Ent\u00e3o, realmente, arte \u00e9 tudo que eu sempre quis fazer.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Guilherme<\/strong><\/em> &#8211; Voltando ao projeto <em>Lived Lives<\/em>, o que voc\u00ea descobriu nesse processo, ou melhor, na \u00e9tica do processo? Uma \u00e9tica de amizade? Novos par\u00e2metros entre ci\u00eancia e arte? Um modelo de cuidado e confian\u00e7a?<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Seamus<\/strong><\/em> &#8211; Empatia seria a palavra motriz do processo, eu acho; empatia em oposi\u00e7\u00e3o a simpatia. Simpatia \u00e9 quando voc\u00ea sente pena de outra pessoa; j\u00e1 a empatia \u00e9 quando voc\u00ea realmente se coloca no lugar da outra pessoa, ouve e sente sem julgamento. A confian\u00e7a \u00e9 essencial, a confian\u00e7a entre os pesquisadores, uma grande confian\u00e7a com as fam\u00edlias de <em>Lived Lives<\/em>, muitas das quais me deram objetos preciosos da vida de seus filhos, bem como compartilharam comigo as coisas mais \u00edntimas e detalhes da vida de seus filhos. Esse n\u00edvel de confian\u00e7a tamb\u00e9m se refere a abrir o processo de tomada de decis\u00e3o, criando as circunst\u00e2ncias para que as fam\u00edlias participantes de <em>Lived Lives<\/em> se tornassem coprodutores e cocuradores na transposi\u00e7\u00e3o de suas experi\u00eancias privadas de perda para a esfera p\u00fablica. Al\u00e9m de ouvi-las e convid\u00e1-las a fazer parte do processo de tomada de decis\u00e3o, elas tamb\u00e9m fazem parte do processo de edi\u00e7\u00e3o curatorial. Por exemplo, depois de cada evento, produzimos pequenos v\u00eddeos document\u00e1rios. Em <em>Lived Lives <\/em>em Galway em 2009, filmamos as fam\u00edlias envolvidas no desenvolvimento do trabalho e, no processo de edi\u00e7\u00e3o, mostramos o material a elas, para que pudessem editar o que seria apresentado e ter voz e participa\u00e7\u00e3o nesse processo tamb\u00e9m. Essa rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima entre mim, como artista, e as fam\u00edlias, continua construindo a confian\u00e7a. \u00c9 um m\u00e9todo experimentado e testado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Video 4_Archive Room\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/521597059?dnt=1&amp;app_id=122963\" width=\"500\" height=\"281\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; fullscreen; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption>Salas de Acervo Participa\u00e7\u00e3o das Fam\u00edlias, Galway, 2009.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Sempre estive ciente do conte\u00fado altamente emocional de alguns desses pequenos trabalhos em v\u00eddeo. At\u00e9 agora, as pessoas raramente querem fazer alguma edi\u00e7\u00e3o. Eu me lembro que uma vez, nos est\u00e1gios iniciais, em que eu estava mostrando a uma pessoa um momento de luto muito intenso, ela estava muito emocionada e depois chegou a brincar sobre fazer um retoque em seu bra\u00e7o, mas n\u00e3o disse nada sobre o conte\u00fado emocional.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m um grande senso de cuidado. As fam\u00edlias cuidam umas das outras. Tamb\u00e9m entre n\u00f3s, como investigadores, sempre que instalamos a exposi\u00e7\u00e3o nos diferentes locais, cuidamos da equipe. Todos cuidam uns dos outros. Todos n\u00f3s compartilhamos acomoda\u00e7\u00e3o. Fazemos as refei\u00e7\u00f5es juntos, conversamos sobre os acontecimentos do dia. Esse esp\u00edrito \u00e9 muito importante; embora a equipe mais abrangente j\u00e1 esteja trabalhando nesse projeto h\u00e1 anos, h\u00e1 momentos em que tamb\u00e9m somos desafiados f\u00edsica e emocionalmente. \u00c9 muito importante cuidarmos uns dos outros.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Jessica<\/em> <\/strong>&#8211; E voc\u00ea? Imagino que todo esse processo deva ter sido intenso para voc\u00ea. O que voc\u00ea faz para se nutrir, para se cuidar?<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Seamus<\/strong><\/em> &#8211; Inicialmente, quando come\u00e7amos o processo de entrevistas, a cada seis entrevistas pass\u00e1vamos por acompanhamento psicol\u00f3gico. Minha esposa, Orla, \u00e9 psicoterapeuta e ela me incentivou muito a falar bastante sobre isso, escrever, entender e processar tudo isso.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0s vezes, era dif\u00edcil. \u00c9 claro que voc\u00ea sempre pensa que poderia ser seu filho. No come\u00e7o, eu voltava para casa depois das entrevistas, muitas vezes tarde da noite, e ia para o quarto dos meus filhos e tinha que ver que estavam respirando. \u00c9 muito comovente. Voc\u00ea entende que isso pode acontecer com qualquer um, inclusive seus pr\u00f3prios filhos.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Jessica<\/strong><\/em> &#8211; Imagino como isso deve ter sido comovente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Seamus<\/em> <\/strong>&#8211; Alguns dos momentos mais pungentes e dif\u00edceis nesse processo aconteceram quando eu estava junto com as fam\u00edlias nos quartos ou anexos das casas onde a morte ocorreu. Em geral, os locais da morte permaneceram inalterados, parados no tempo e congelados pela dor. Por estar presente, suas hist\u00f3rias tomaram conta de mim. Pessoalmente, foi desafiador, dif\u00edcil e \u00e0s vezes doloroso ficar sentado por horas enquanto um pai ou irm\u00e3o descrevia como seu filho(a) ou irm\u00e3o(\u00e3) se matou e suas lutas pessoais para aprender a viver com essa perda. Foi uma demonstra\u00e7\u00e3o de humildade eles terem se mostrado preparados, em v\u00e1rios est\u00e1gios do luto, para compartilhar suas hist\u00f3rias e me dar objetos preciosos pertencentes a seus entes falecidos. Em muitas dessas hist\u00f3rias e envolvimentos familiares, percebi a ess\u00eancia da humanidade. Com isso quero dizer que essas pessoas voluntariamente convidaram dois estranhos para suas casa e reviveram o momento horr\u00edvel em que seu parente se enforcou, atirou em si mesmo, se afogou ou teve uma overdose, alguns relataram ter entrado no quarto de seu filho e encontr\u00e1-lo morto. Essa \u00e9 a dura realidade em que <em>Lived Lives <\/em>transita. Em muitas delas, a beleza e a trag\u00e9dia da vida humana foram reveladas a mim. Esses momentos \u00fanicos de envolvimento interpessoal revelaram para mim a complexidade e fragilidade da exist\u00eancia humana e da comunica\u00e7\u00e3o. Foi um privil\u00e9gio estar presente e testemunhar essa ess\u00eancia da humanidade, a capacidade de superar a trag\u00e9dia pessoal para ajudar outras pessoas. O que me tornou humilde, e isso teve um efeito profundo na forma pela qual vejo o mundo, \u00e9 como essas pessoas, do fundo de sua perda, conseguiam pensar nos outros. Esse processo me transformou fundamentalmente no sentido de que aprendi a ouvir o outro sem julgar. Como resultado direto dessas experi\u00eancias, desenvolvi habilidades inesperadas que me permitem me relacionar de forma emp\u00e1tica com as pessoas, ouvir entre a realidade e a imagina\u00e7\u00e3o. Descobri em mim uma capacidade de estar inteiramente presente para os outros em suas tristezas e de guardar um espa\u00e7o seguro para que suas hist\u00f3rias surjam. Agora isso \u00e9 t\u00e3o importante na minha pr\u00e1tica art\u00edstica quanto a confec\u00e7\u00e3o de artefatos t\u00eaxteis. Desenvolvi dentro de mim a capacidade de encontrar cada um dos participantes \u2013 e a mim mesmo \u2013 onde est\u00e1vamos naquele momento da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas talvez seja importante perguntar: o que aprendemos com tudo isso e o que podemos fazer? Estamos em um contexto muito perigoso. Na Irlanda, temos uma cultura de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o suic\u00eddio, mas n\u00e3o avan\u00e7amos. Se n\u00e3o avan\u00e7armos de uma cultura de conscientiza\u00e7\u00e3o para uma cultura de conhecimento e a\u00e7\u00e3o, esse processo \u00e9 in\u00fatil em muitos aspectos. As taxas de suic\u00eddio ainda est\u00e3o aumentando, e a idade de alto risco \u00e9 entre 14 e 23 anos, sendo que as estat\u00edsticas internacionais apontam para 75% de homens e 25% de mulheres. Acho que precisamos ensinar nossos filhos a serem mais resilientes no sentido de que, apesar da sensa\u00e7\u00e3o do momento, podemos superar e, ainda, de que uma vez morto, n\u00e3o tem volta. Tamb\u00e9m precisamos tornar isso vis\u00edvel. Como podemos fazer isso usando o contexto do mundo da arte?<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-28_Finger-marking.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1500\" height=\"1000\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-28_Finger-marking.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-663\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-28_Finger-marking.jpg 1500w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-28_Finger-marking-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-28_Finger-marking-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-28_Finger-marking-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption><em>Making Stigma Visible<\/em>, Hospital St. Patricks, Dublin, 2016. Fotos: Robert Ellis.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-29-Shirt-marked.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1920\" height=\"1281\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-29-Shirt-marked.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-665\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-29-Shirt-marked.jpg 1920w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-29-Shirt-marked-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-29-Shirt-marked-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-29-Shirt-marked-768x512.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-29-Shirt-marked-1536x1025.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption><em>Making Stigma Visible<\/em>, Hospital St. Patricks, Dublin, 2016. Fotos: Robert Ellis.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Guilherme<\/strong><\/em> &#8211; Voc\u00ea acha que essa metodologia poderia ser aplicada a outras quest\u00f5es tamb\u00e9m? N\u00e3o apenas ao suic\u00eddio?<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Seamus<\/strong><\/em> &#8211; Acho que essa metodologia pode ser aplicada a qualquer situa\u00e7\u00e3o em que o estigma ou a vergonha atuem e perpetuem o sil\u00eancio. Ela cria um processo de compartilhamento e respeito m\u00fatuo, sem julgamento, especialmente entre grupos marginalizados que n\u00e3o t\u00eam voz. Acho que, se a metodologia n\u00e3o for transfer\u00edvel para outras \u00e1reas da vida humana, em que o estigma silencia a a\u00e7\u00e3o, eu teria que question\u00e1-la. Na Irlanda, temos um hist\u00f3rico ruim de reconhecimento de pessoas com problemas de sa\u00fade mental, elas n\u00e3o t\u00eam voz, houve poucas a\u00e7\u00f5es significativas para tentar compreender a beleza e o poder dessa fragilidade.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Lived Lives <\/em>\u00e9 uma exposi\u00e7\u00e3o sobre a morte, mas tamb\u00e9m sobre a vida, como as fam\u00edlias vivem depois dela. N\u00e3o gosto muito do termo exposi\u00e7\u00e3o, pois sugere algo passivo. O que fazemos s\u00e3o eventos; \u00e9 um processo de doa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o de consumo. Fazemos com que o p\u00fablico toque as obras, deixe sua marca, toque nas obras art\u00edsticas, ou\u00e7a e sinta as hist\u00f3rias, compartilhe essa experi\u00eancia conosco diante das c\u00e2meras, em p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Como artistas, trabalhamos muito na sociedade. Precisamos reformular nossas quest\u00f5es, como observa o cr\u00edtico Declan McGonagle, em termos n\u00e3o do que <em>s\u00e3o<\/em> obras de arte, mas sim do que as obras de arte podem <em>fazer<\/em> na sociedade. Parte disso tamb\u00e9m se refere ao desenvolvimento de uma linguagem que as pessoas de fora do mundo da arte possam entender. O mundo precisa de artistas. Mas precisamos abordar o elitismo especialmente com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 linguagem que usamos, j\u00e1 que uma linguagem muito complicada se desenvolveu em torno da nossa pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Jessica<\/strong><\/em> &#8211; Da ci\u00eancia tamb\u00e9m&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Guilherme<\/strong><\/em> &#8211; Sim, toda profiss\u00e3o tem sua linguagem&#8230; o conhecimento \u00e9 estruturado pela linguagem. Mas talvez atrav\u00e9s do seu h\u00edbrido arte\/ci\u00eancia, voc\u00ea possa negar o dom\u00ednio de cada um, para criar outro&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Seamus<\/em> <\/strong>&#8211; Acho que \u00e9 importante para os artistas e mesmo para os cientistas falar para fora de seu pr\u00f3prio setor\/\u00e1rea, falar al\u00e9m das fronteiras, serem ouvidos na sociedade em geral, bem como em sua pr\u00f3pria cultura. Eu me inclinaria para uma linguagem que seja significativa em outros setores da sociedade, mas que ainda articulasse o valor e o significado da pr\u00e1tica art\u00edstica. Quando Kevin e eu come\u00e7amos a trabalhar juntos, percebemos rapidamente que t\u00ednhamos uma \u00e1rea de pesquisa compartilhada, mas nossas linguagens e abordagens eram completamente diferentes. Ficamos imaginando se, caso sa\u00edssemos do conforto e familiaridade de nossas \u00e1reas e linguagem, poder\u00edamos criar uma linguagem alternativa para articular a atualidade terr\u00edvel do suic\u00eddio de jovens na Irlanda. Sab\u00edamos que t\u00ednhamos um assunto de pesquisa comum, ou seja, o suic\u00eddio de jovens do sexo masculino, mas lutamos para entender as linguagens oficiais da arte e da ci\u00eancia. Isso foi muito importante para n\u00f3s dois. A curadora Mary Jane Jacob, de Chicago, fala sobre ser uma pessoa alheia \u2013 trabalhar fora do convencional, mas trazendo o convencional e o n\u00e3o convencional para um di\u00e1logo ativo, com uma escuta emp\u00e1tica e sem julgamento, elaborando coletivamente um novo di\u00e1logo.<sup>5<\/sup> Eu diria que esse novo di\u00e1logo ou forma de comunica\u00e7\u00e3o em <em>Lived<\/em> <em>Lives<\/em> vem, em primeiro lugar, de uma tradi\u00e7\u00e3o est\u00e9tica; em segundo lugar, \u00e9 influenciado por m\u00e9todos cient\u00edficos\/emp\u00edricos; e, em terceiro lugar, est\u00e1 enraizado na \u201cvida\u201d que opera ao lado da teoria. N\u00e3o est\u00e1 contido na teoria, mas busca trazer \u00e0 tona conversas abafadas e conhecimento t\u00e1cito. Em seu ensaio <em>The Real Experiment Continues<\/em>, Jan Estep afirma: \u201cExistem dois eixos nos quais a arte se move: em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 arte e em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 vida\u201d.<sup>6<\/sup><em> Lived Lives<\/em> funciona entre esses dois eixos, ora tendendo para a arte, ora pendendo para as situa\u00e7\u00f5es da vida. Pressionar em uma dire\u00e7\u00e3o torna a arte um fen\u00f4meno rarefeito, separado da vida e com prop\u00f3sitos independentes. Pressionar na outra dire\u00e7\u00e3o, como observa Jan Estep, faz \u201ca arte confundir cada vez mais as fronteiras entre ela e a vida, desafiando nossa capacidade de distingui-las\u201d.<sup>7<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Minha pr\u00e1tica \u00e9 dial\u00f3gica no sentido de que tece a import\u00e2ncia das diferentes conversas que fluem por ela, as linhas de tempo, a participa\u00e7\u00e3o ativa do p\u00fablico e os pr\u00f3prios participantes se tornam agentes de mudan\u00e7a. Eu vejo meu trabalho como uma esp\u00e9cie de performance ritual. H\u00e1 uma jornada f\u00edsica ao percorrer e tocar a obra de arte \u2013 com come\u00e7o, meio e fim \u2013 e h\u00e1 uma jornada emocional \u2013 sentir em vez de pensar, ver o mundo de uma nova forma. As obras n\u00e3o est\u00e3o solidificadas como uma prova de conceito. Nem s\u00e3o cientificamente comprovadas. S\u00e3o momentos fluidos no tempo, um espa\u00e7o intermedi\u00e1rio onde as tens\u00f5es entre o material tang\u00edvel e o trabalho artesanal <em>e<\/em> o significado conceitual e simb\u00f3lico do tecido surgem. No entanto, o envolvimento pessoal e \u00e0s vezes visceral das fam\u00edlias com as obras pode ser descrito como uma esp\u00e9cie de agulha que perfura aquele momento ou o que Barthes chamaria de <em>punctum<\/em>, uma a\u00e7\u00e3o vivida \u2013 ou, nas palavras de Levinas, \u201ca agulha toca e perfura a vida\u201d.<sup>8<\/sup> \u00c9 o ponto em que te fura. Poderia ser qualquer coisa, mas depois de furado, um canal ou duto se abre e voc\u00ea deve process\u00e1-lo e agir a seu respeito. A experi\u00eancia est\u00e9tica de <em>Lived Lives<\/em> tem a qualidade de um ritual ou rel\u00edquia, mas sua qualidade principal \u00e9 a maneira pela qual \u00e9 comunicativa. A pr\u00e1tica pode levar as pessoas a uma posi\u00e7\u00e3o emp\u00e1tica, criando as circunst\u00e2ncias para compreender, refletir e questionar a perda dos outros, sem julgamento em um espa\u00e7o seguro e digno.<\/p>\n\n\n\n<p>Para mais informa\u00e7\u00f5es sobre o projeto <em>Lived Lives<\/em>, acesse: <a href=\"http:\/\/www.livedlivesproject.com\/\">www.livedlivesproject.com<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">***<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Seamus McGuinness<\/strong> <\/em><br>Artista, pesquisador e educador irland\u00eas. Ele vive e trabalha no Condado de Clare, na costa oeste da Irlanda, e d\u00e1 palestras sobre T\u00eaxteis Contempor\u00e2neos no Instituto de Tecnologia Galway-Mayo. Sua pr\u00e1tica est\u00e1 profundamente enraizada na vida e no tecido, englobando pesquisa transdisciplinar, interven\u00e7\u00e3o social duradoura, instala\u00e7\u00f5es interativas, conversas p\u00fablicas e atos democr\u00e1ticos coletivos. Em 2010, obteve o t\u00edtulo de PhD devido ao projeto <em>Lived Lives<\/em>, pela Faculdade de Medicina, University College Dublin. Recebeu duas bolsas do Wellcome Trust, em 2015 e 2018, para dar continuidade a essa pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Refer\u00eancias Adicionais:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>JEFFERIES, Janis. (Org.) <em>Reinventing Textiles: Gender and Identity. <\/em>V. 2. Winchester: Telos Publications, 2001.<\/p>\n\n\n\n<p>LIVINGSTONE, Joan; PLOOF, John. (Orgs.) <em>The Object of Labour: Art, Cloth, and Cultural Production. <\/em>Chicago: School of the Art Institute of Chicago Press, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p>MCGONAGLE, Declan. <em>\u201c<\/em>Passive to Active Citzenship: A Role for the Arts\u201d. In: Bologna in Context Conference, 2010.&nbsp; Dublin, Irlanda.<\/p>\n\n\n\n<p>PARKER, Rosaline. <em>The Subversive Stitch: Embroidery and the Making of the Feminine. <\/em>Londres: Women\u2019s Art Press, 1984<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><sup>1<\/sup> SAMPLE, Ian. \u201cIs there Lightness After Death?\u201d. <em>The Guardian.<\/em> 19 fev. 2004, <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/film\/2004\/feb\/19\/science.science\">https:\/\/www.theguardian.com\/film\/2004\u201d\/feb\/19\/science.science<\/a> [Acesso em 10 jul. 2020]<\/p>\n\n\n\n<p><sup>2<\/sup> WINZEN, Matthew. \u201cLiving Archives\u201d. In: WINZEN, Matthew; SCHAFFNER, Ingrid (Orgs.). <em>Deep Storage<\/em>. Munique: Prestel, 1999, p.44.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>3<\/sup> Na Irlanda, as comunidades que compartilham esse modo de vida n\u00f4made s\u00e3o conhecidas como comunidade cigana, composta por pessoas de v\u00e1rios pa\u00edses europeus e viajantes. Ambas as comunidades sofreram uma longa hist\u00f3ria de discrimina\u00e7\u00e3o m\u00faltipla e interseccional, incluindo pobreza, desemprego, falta de oportunidade educacional, expectativa de vida reduzida, preconceito cultural e estere\u00f3tipos sociais. Desde a sua funda\u00e7\u00e3o em 1985, o Centro Cigano e Viajante Pavee Point reconheceu a necessidade de solidariedade entre as comunidades ciganas e irlandesas com base nas suas experi\u00eancias partilhadas de racismo e exclus\u00e3o social. Para obter mais informa\u00e7\u00f5es: <a href=\"https:\/\/www.drugsandalcohol.ie\/31029\/1\/National_Traveller_and_Roma_Inclusion_Strategy_2017-2021.pdf\">https:\/\/www.drugsandalcohol.ie\/31029\/1\/National_Traveller_and_Roma_Inclusion_Strategy_2017-2021.pdf<\/a> [Acesso em ago. 2020]<\/p>\n\n\n\n<p><sup>4 <\/sup><em>Lived Lives: From Tory Island to Swift\u2019s Asylum (2017-201<\/em>9) Epub, 2020, p. 69 [Acesso ao site <em>Lived <\/em><a href=\"http:\/\/www.livedlivesproject.com\/\">www.livedlivesproject.com<\/a> em outubro 2020]<\/p>\n\n\n\n<p><sup>5<\/sup> Conversa entre Mary Jane Jacob e Seamus McGuinness. Para uma breve vis\u00e3o geral da pr\u00e1tica de Mary Jane, consulte MOLN\u00c1R, Monika; TRAMPE, Tanja. \u201cPublic Art: Consequences of a Gesture? An Interview with Mary Jane Jacob\u201d. In: <em>Oncurating: On Artistic and Curatorial Authorship. <\/em>Edi\u00e7\u00e3o 19, 2013 <a href=\"https:\/\/www.on-curating.org\/issue-19-reader\/public-art-consequences-of-a-gesture-an-interview-with-mary-jane-jacob.html#.XzrvE5NKiuW\">https:\/\/www.on-curating.org\/issue-19-reader\/public-art-consequences-of-a-gesture-an-interview-with-mary-jane-jacob.html#.XzrvE5NKiuW<\/a> [Acesso em ago. 2020]<\/p>\n\n\n\n<p><sup>6 <\/sup>ESTEP, Jan. \u201cThe Real Experiment Continues\u201d. In:<em> Breaking Ground: Art in the Life World Research Papers.<\/em> Dublin: Ballymun, 2008, p. 7.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>7<\/sup> Ibid.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>8 <\/sup>BARTHES, Roland. <em>Mythologies. <\/em>Trad. de A. Lavers. Londres: Vintage, 1993. p.23;<br>e LEVINAS, Emmanuel. <em>Outside the subject. <\/em>Trad. de M.B. Smith. Calif\u00f3rnia: Stanford University Press, 1994. p.38.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lived Lives: Conversas e jornadas sobre suic\u00eddio de jovens irlandeses. 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