{"id":442,"date":"2021-03-13T15:29:28","date_gmt":"2021-03-13T18:29:28","guid":{"rendered":"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/?post_type=portfolio&#038;p=442"},"modified":"2021-05-25T14:33:32","modified_gmt":"2021-05-25T17:33:32","slug":"esra-plumer-bardak-evanthia-tselika","status":"publish","type":"portfolio","link":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/portfolio\/esra-plumer-bardak-evanthia-tselika\/","title":{"rendered":"Editorial"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"804\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/cover-editorial.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-443\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/cover-editorial.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/cover-editorial-300x201.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/cover-editorial-1024x686.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/cover-editorial-768x515.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption>A zona tamp\u00e3o no interior de Nic\u00f3sia em 2009. No mesmo local, existe agora uma microcervejaria e um restaurante. <br>Photo: Evanthia (Evi) Tselika.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2>Conversando atrav\u00e9s da Zona Tamp\u00e3o cipriota: tornando vis\u00edvel o invis\u00edvel<\/h2>\n\n\n\n<h4>Editoras do estudo de caso: Esra Plumer-Bardak e Evanthia Tselika<\/h4>\n\n\n\n<p>As apresenta\u00e7\u00f5es ao Chipre, na maioria das vezes, se enquadram em duas categorias: uma enfoca as caracter\u00edsticas geogr\u00e1ficas da sua fisicalidade como uma pequena ilha e proximidade de outros pa\u00edses, e a outra se concentra no conflito pol\u00edtico n\u00e3o resolvido entre dois dos principais grupos \u00e9tnicos que l\u00e1 vivem, os cipriotas turcos e os cipriotas gregos. Esse \u00faltimo \u00e9 descrito pela artista Alev Adil, em um dos v\u00eddeos apresentados aqui, <em>A Small Forgotten War <\/em><em>[<\/em><em>Uma pequena guerra esquecida<\/em><em>]<\/em>, como um \u201cmau humor amargo prolongado\u201d, preso em um beco sem sa\u00edda h\u00e1 mais de meio s\u00e9culo.<\/p>\n\n\n\n<p>Somos duas historiadoras da arte, e cada uma vive em um dos lados da capital cipriota dividida, Nic\u00f3sia, dividida entre esses grupos \u00e9tnicos e suas respectivas jurisdi\u00e7\u00f5es nacionais. Este estudo de caso forma um terreno dial\u00f3gico para reconsiderarmos juntas a cicatriz dessa \u201clinha verde\u201d divis\u00f3ria, a materialidade da Zona Tamp\u00e3o e suas realidades imaginadas e vidas escondidas por meio de pr\u00e1ticas art\u00edsticas socialmente situadas e comumente ativadas.<sup>1<\/sup> O ponto central do nosso di\u00e1logo foi expandir essa discuss\u00e3o para incluir outros artistas, pesquisadores e ativistas. O que surgiu \u00e9 um estudo de caso polivocal do Chipre, apresentando um mapeamento de pr\u00e1ticas art\u00edsticas cr\u00edticas e socialmente situadas de organiza\u00e7\u00f5es e coletivos independentes que trabalham na Zona Tamp\u00e3o do Chipre e trabalhos de artistas que demonstram como a pr\u00e1tica art\u00edstica se relaciona com no\u00e7\u00f5es de ativismo. Essa conversa surge do nosso pr\u00f3prio envolvimento no desenvolvimento de projetos de arte que insistem em criar fluxos atrav\u00e9s da divis\u00e3o e em moldar ainda mais pontos em comum entre n\u00f3s. No momento em que escrevemos este editorial, \u00e9 a primeira vez desde 2003 (quando as restri\u00e7\u00f5es \u00e0 circula\u00e7\u00e3o foram suspensas) que se tornou dif\u00edcil cruzar a Zona Tamp\u00e3o, e n\u00e3o podemos nos encontrar facilmente devido \u00e0s restri\u00e7\u00f5es \u00e0 circula\u00e7\u00e3o impostas por cada um dos lados devido \u00e0 Covid-19. A terra de ningu\u00e9m, tamb\u00e9m chamada de Zona Tamp\u00e3o (com aproximadamente 180km de comprimento e com largura que varia de alguns metros a alguns quil\u00f4metros), se estende de Pyrgos Tyllirias aos arredores de Famagusta. Abriga a For\u00e7a de Manuten\u00e7\u00e3o da Paz das Na\u00e7\u00f5es Unidas no Chipre (UNFICYP), \u00e9 patrulhada por ela e \u00e9 cercada pelas tropas cipriotas turcas e gregas que d\u00e3o liberdade condicional \u00e0 linha de cessar-fogo. A Linha Verde f\u00edsica consiste em arame farpado, bloqueios de estradas, postos de controle, casas fortificadas e sacos de areia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"1018\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-2_men-with-guns-street-1024x1018.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-445\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-2_men-with-guns-street-1024x1018.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-2_men-with-guns-street-300x298.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-2_men-with-guns-street-150x150.jpg 150w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-2_men-with-guns-street-768x764.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-2_men-with-guns-street.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Homens armados na fronteira interna de Nic\u00f3sia em 1974. &nbsp;Gabinete de Informa\u00e7\u00e3o P\u00fablica do Chipre.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td>\u201cA Linha Verde\u201d <br><br>A linha de 1963 tra\u00e7ada com uma caneta verde no mapa cipriota pelo General Peter Young, que era o chefe das for\u00e7as coloniais brit\u00e2nicas, evoluiu para a terra de ningu\u00e9m cipriota contempor\u00e2nea. Arame farpado e blocos divis\u00f3rios foram montados durante os combates intercomunais do in\u00edcio dos anos 1960 pela for\u00e7a de manuten\u00e7\u00e3o da paz. Em 1974, a Linha Verde (basicamente a linha de demarca\u00e7\u00e3o onde a luta cessou) se tornou fixa e at\u00e9 hoje divide firmemente a ilha.<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria moderna resume a hist\u00f3ria dessa \u201clinha\u201d como tendo sido formada em 1964 e posteriormente endurecida a ponto de se tornar impenetr\u00e1vel em 1974. Desde ent\u00e3o, por\u00e9m, os esfor\u00e7os dos cipriotas de ambos os lados t\u00eam ido al\u00e9m dos esfor\u00e7os de mitiga\u00e7\u00e3o de representantes pol\u00edticos e das for\u00e7as de manuten\u00e7\u00e3o da paz.<sup>2 <\/sup>Para al\u00e9m da linha, existem indiv\u00edduos e grupos da sociedade civil que, em n\u00edvel pessoal e comunit\u00e1rio, t\u00eam trabalhado para criar maneiras de superar, conviver, envolver e confrontar lutas compartilhadas e assuntos dif\u00edceis. Ao fazer isso, eles constroem experi\u00eancias comuns enquanto mant\u00eam perspectivas \u00fanicas, a fim de evitar se esconder (permanecer) sob o pesado manto do trauma e do conflito enterrado nos anos de sil\u00eancio e dist\u00e2ncia.<sup>3<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>A Zona Tamp\u00e3o, pode ser vista como o culminar de duas caracter\u00edsticas definitivas, dividindo a fisicalidade da sua terra, sua gente, al\u00e9m de simbolizar seu impasse pol\u00edtico, empurrando ambos os lados para vis\u00f5es aparentemente opostas e seus hom\u00f3logos vizinhos. Ao longo dos anos, ap\u00f3s a constru\u00e7\u00e3o da fronteira, muitas pessoas, cujos movimentos j\u00e1 eram restritos anteriormente, foram for\u00e7adas a cruzar a Zona Tamp\u00e3o, tendo mais de 200.000 pessoas se deslocado entre os anos 1963-1975. A emigra\u00e7\u00e3o ocorreu n\u00e3o apenas atrav\u00e9s dessa fronteira, mas tamb\u00e9m al\u00e9m dela, com aproximadamente o mesmo n\u00famero de cipriotas tendo migrando para o exterior j\u00e1 na d\u00e9cada de 1950 para fugir da amea\u00e7a (tamb\u00e9m imposta dentro de suas pr\u00f3prias comunidades), e novamente na d\u00e9cada de 1960, em busca de perspectivas que a ilha n\u00e3o podia oferecer (como educa\u00e7\u00e3o, empregos, ind\u00fastria), na maioria das vezes sendo deslocados permanentemente de suas casas. As experi\u00eancias da di\u00e1spora cipriota s\u00e3o frequentemente abafadas, embora \u00e0s vezes sejam amplificadas em todo o mundo, como nas apresenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e na escrita de Alev Adil, que se mudou para Anamur, Turquia, quando crian\u00e7a, e depois para Reino Unido. Em seus poemas audiovisuais, as mem\u00f3rias de Adil de cruzar a linha narram essa jornada da perspectiva de uma crian\u00e7a, seus passos &#8220;rabiscando invisivelmente ao longo da cicatriz da linha verde&#8230;&#8221; Esse ato aparentemente l\u00fadico de cruzar e recruzar rapidamente se desintegra e se funde aos aspectos mais sinistros dessa experi\u00eancia com descri\u00e7\u00f5es visuais de lugares mortos, como a piscina em que ela nadava todos os dias do ver\u00e3o, agora cheia de sacos de areia. Em uma das apresenta\u00e7\u00f5es do estudo de caso, <em><strong>Architecture of Forgetting: Journeys into the Dead Zone<\/strong> (Arquitetura do esquecimento: Jornadas \u00e0s zonas mortas) <\/em>, vemos imagens tiradas por Adil entre 2006 e 2008, uma \u00e9poca em que os cipriotas ainda estavam anestesiados. Muito embora em alguns casos as pessoas dessa \u00e9poca tenham sido instigadas e motivadas a se tornarem mais compassivas pelo potencial da unifica\u00e7\u00e3o e pelas conversas ap\u00f3s a segrega\u00e7\u00e3o r\u00edgida de 29 anos que nos dividia ter sido alterada em 2003. Projetos contempor\u00e2neos que exploram novas maneiras de olhar para a Zona Tamp\u00e3o podem ser considerados exemplos disso.<sup>4<\/sup> <\/p>\n\n\n\n<p>A vida da Zona Tamp\u00e3o, que, como observa Anna Solder Grichting, \u00e9 um para\u00edso ecol\u00f3gico para a vida selvagem h\u00e1 quase 50 anos, tamb\u00e9m mudou desde que as restri\u00e7\u00f5es \u00e0 circula\u00e7\u00e3o Norte-Sul foram suspensas em 2003.<sup>5 <\/sup>Nos \u00faltimos dezessete anos, um total de nove postos de controle foram abertos para permitir fluxos controlados de circula\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da Zona Tamp\u00e3o. Essa circula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m transformou a vida desse espa\u00e7o intermedi\u00e1rio, \u00e0 medida que mais e mais edif\u00edcios foram sendo restaurados e mais pontos de contato foram sendo criados, com o caso ic\u00f4nico da Casa para Coopera\u00e7\u00e3o no Posto de Controle Ledra Palace abrindo as portas em 2011.<sup>6<\/sup> As ra\u00edzes da coopera\u00e7\u00e3o bicomunit\u00e1ria remontam ao Plano Diretor de Nic\u00f3sia, estabelecido em 1979 e liderado pelos ent\u00e3o prefeitos da cidade, Lellos Demetriades e Mustafa Akinci.<sup>7<\/sup> Desde o final dos anos 1980, vemos ativistas e artistas tentando colaborar juntos e criar pontes atrav\u00e9s da cultura superando a divis\u00e3o.<sup>8<\/sup> Um exemplo importante disso \u00e9 o caso do Teatro Satiriko e do Lefkosa Belediye Tiyatrosu [Teatro Municipal de Nic\u00f3sia], que trabalham juntos desde 1987.<sup>9<\/sup> Nas artes visuais, vemos a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica atrav\u00e9s da divis\u00e3o desde o in\u00edcio dos anos 1990, e isso tem sido muito discutido nos \u00faltimos anos. O artista e estudioso Haris Pelapaissiotis apresenta o conceito de arte da \u201cZona Tamp\u00e3o\u201d, tamb\u00e9m articulado por \u00d6zg\u00fcl Ezgin e Argyro Toumazou, duas mulheres que estiveram amplamente envolvidas na organiza\u00e7\u00e3o de iniciativas art\u00edsticas atrav\u00e9s da divis\u00e3o. Ezgin e Toumazou, em uma apresenta\u00e7\u00e3o em Nic\u00f3sia que fez parte do <a href=\"http:\/\/www.depoistanbul.net\/en\/event\/exhibition-bufferzone-checkpoint\/\">Bufferzone Art Project<\/a>, organizado pelo <em>Apartment Project<\/em>, Istambul, em mar\u00e7o de 2013, descreveram os v\u00e1rios projetos de arte bicomunit\u00e1rios em cuja organiza\u00e7\u00e3o elas estiveram envolvidas, observando como a arte contempor\u00e2nea tem sido usada desde a abertura das fronteiras em 2003 como um meio de compartilhar acontecimentos da vida cotidiana, contribuindo para aproximar as pessoas e ajudando na constru\u00e7\u00e3o da paz por meio do desenvolvimento de rela\u00e7\u00f5es interpessoais.<sup>10<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Desde os anos 1990, os esfor\u00e7os t\u00eam sido impulsionados por amizades e busca m\u00fatua pela paz. A abertura de v\u00e1rias travessias desde 2003 e o interesse crescente em micro-hist\u00f3rias t\u00eam aberto buracos no tecido aparentemente opaco da hist\u00f3ria, abrindo espa\u00e7os para uni\u00e3o e revelando semelhan\u00e7as. Semelhan\u00e7as ideol\u00f3gicas, pessoais e criativas entre as pessoas atrav\u00e9s da Zona Tamp\u00e3o agora ecoam as semelhan\u00e7as entre cipriotas que viveram juntos por gera\u00e7\u00f5es, foram educados juntos e \u00e0s vezes at\u00e9 lutaram juntos.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria pol\u00edtica do Chipre \u00e9 lembrada com frequ\u00eancia pelas rivalidades inflex\u00edveis de l\u00edderes pol\u00edticos e negocia\u00e7\u00f5es fracassadas, especialmente durante os anos 1980 entre Rauf Denktash e Glafkos Clerides. No entanto, o que \u00e9 menos conhecido \u00e9 a camaradagem entre os dois homens, seu relacionamento quando crian\u00e7a na mesma escola e o respeito m\u00fatuo enquanto colegas no curso de Direito na Inglaterra. As amizades nascidas de espa\u00e7os compartilhados s\u00e3o familiares para n\u00f3s no n\u00edvel pessoal. Por exemplo, antes da abertura das travessias, a primeira vez que encontramos cipriotas do outro lado da divis\u00e3o foi em nosso primeiro ano na universidade na Inglaterra. A import\u00e2ncia de ambientes compartilhados e do impacto duradouro sobre as pessoas \u00e9 significativa, demonstrada em pequena escala em relatos pessoais (incluindo v\u00e1rios entre Clerides e Denktash), bem como em maior escala nas atividades organizacionais de grupos da sociedade civil que t\u00eam trabalhado para criar espa\u00e7os de di\u00e1logo e atividade por meio da arte socialmente situada.<\/p>\n\n\n\n<p>Na se\u00e7\u00e3o <em><strong>Mapeamento<\/strong><\/em> deste estudo de caso, a aten\u00e7\u00e3o se volta para organiza\u00e7\u00f5es e coletivos art\u00edsticos cr\u00edticos e independentes, socialmente situados, e para as atividades que eles prop\u00f5em, com um enfoque especial no trabalho atrav\u00e9s e em torno da Zona Tamp\u00e3o. Contribu\u00edram para esse mapeamento, entre outras, as seguintes organiza\u00e7\u00f5es e iniciativas: AA&amp;U, Associa\u00e7\u00e3o Europeia de Arte Mediterr\u00e2nea (EMAA), Free School, Hands on Famagusta Initiative, NeMe, Pikadilly, Re Aphrodite, Rooftop Theatre Group, Sidestreets Culture, Studio 21, Urban Guerillas, Visual Voices e Xarkis. Elas prop\u00f5em uma variedade de metodologias e tipologias de a\u00e7\u00f5es, que variam entre metodologias educacionais\/de ensino, programas de resid\u00eancia, exposi\u00e7\u00f5es, pesquisas, a\u00e7\u00f5es no espa\u00e7o p\u00fablico, trabalho coletivo, espa\u00e7os conduzidos pela comunidade e muitos outros tipos de atividades socialmente situadas. Como organiza\u00e7\u00f5es, elas se concentram n\u00e3o apenas em quest\u00f5es relacionadas \u00e0s rela\u00e7\u00f5es inter\u00e9tnicas e transforma\u00e7\u00e3o de conflitos, mas tamb\u00e9m em quest\u00f5es universais de direitos humanos, plataformas feministas, LGBTQI e a\u00e7\u00e3o sindical, bem como na constru\u00e7\u00e3o do di\u00e1logo entre cipriotas e a segunda e terceira gera\u00e7\u00e3o de migrantes e outras comunidades que vivem no Chipre. Este n\u00e3o \u00e9 \u2013 de modo algum \u2013 um mapeamento exaustivo, e existem muitas outras organiza\u00e7\u00f5es e iniciativas envolvidas em pr\u00e1ticas art\u00edsticas socialmente situadas. No entanto, essas iniciativas t\u00eam sido ativas na forma\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e pesquisas que criam pontes atrav\u00e9s da Zona Tamp\u00e3o e pontos de contato, troca e di\u00e1logo. Por tr\u00e1s dessas organiza\u00e7\u00f5es e grupos da sociedade civil est\u00e3o pessoas que moldam projetos de arte e a\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias mais amplas que t\u00eam um impacto na vida de outras pessoas por meio do seu envolvimento nessas a\u00e7\u00f5es (desde empreendimentos de pequena escala at\u00e9 projetos financiados de grande escala).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante observar que o trabalho dessas pessoas e suas iniciativas na maioria das vezes acontecem debaixo da superf\u00edcie, al\u00e9m do que \u00e9 vis\u00edvel, por tr\u00e1s das c\u00e2meras e nas entrelinhas. Esse trabalho pode ser denominado <em>ativismo silencioso<\/em>. Aqui, as formas de media\u00e7\u00e3o por meio das artes implantam pr\u00e1ticas de conectar e cuidar para que a troca aconte\u00e7a e, ao faz\u00ea-lo, abrem precedentes que delineiam nossas fronteiras de maneiras male\u00e1veis. N\u00f3s duas, as editoras deste estudo de caso, estamos envolvidas no desenvolvimento de relacionamentos atrav\u00e9s da Zona Tamp\u00e3o por meio de pr\u00e1ticas art\u00edsticas e escrevendo sobre essas pr\u00e1ticas. Mesmo que n\u00e3o seja o primeiro a tentar mapear e refletir sobre tais pr\u00e1ticas,<sup>11<\/sup> \u00e9 a primeira vez que duas historiadoras da arte cipriotas que vivem cada uma em um lado da linha divis\u00f3ria re\u00fanem um n\u00famero t\u00e3o extenso de exemplos de pr\u00e1ticas de arte engajadas sociopoliticamente. Ao fazer isso em um momento em que dominam o notici\u00e1rio as <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/world\/2020\/sep\/11\/mediterranean-gas-greece-turkey-dispute-nato\">amea\u00e7as de guerra, san\u00e7\u00f5es e controv\u00e9rsias diplom\u00e1ticas<\/a> entre o Chipre, a Gr\u00e9cia e a Turquia a respeito da soberania do mar e das reivindica\u00e7\u00f5es sobre o g\u00e1s natural que jaz no fundo das \u00e1guas do Mediterr\u00e2neo Oriental, este estudo de caso talvez seja uma insist\u00eancia em tentar sonhar al\u00e9m da imagem popularizada de conflito e amea\u00e7a que domina nossas telas.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada pequeno passo \u00e9 uma marca de ativa\u00e7\u00e3o e ativismo e, quando considerados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pr\u00e1ticas art\u00edsticas ora discutidas, s\u00e3o vistos como um processo de ativa\u00e7\u00e3o, capacita\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia a narrativas hipervis\u00edveis dominantes de identidade \u00e9tnica e pertencimento. A pr\u00f3pria Zona Tamp\u00e3o \u00e9 um local de hipervisibilidade simult\u00e2nea na paisagem (devido \u00e0 sua presen\u00e7a imponente cortando a terra e o mar) e tamb\u00e9m de invisibilidade, pois restringe o contato entre grupos de pessoas por meio de restri\u00e7\u00f5es \u00e0 circula\u00e7\u00e3o militarmente controladas (com seis diferentes for\u00e7as armadas inspecionando suas terras). Os esfor\u00e7os cont\u00ednuos de artistas e ativistas para superar as restri\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem deixar de criar uma inter-rela\u00e7\u00e3o entre as ideias de arte e ativismo, em si um campo florescente de aten\u00e7\u00e3o em meio aos debates abrangentes de arte cr\u00edtica\/socialmente engajada.<sup>12<\/sup> A forma como a arte se relaciona com o ativismo pode ser distinguida tanto no trabalho paralelo de artistas como ativistas quanto no trabalho de artistas que trabalham no espa\u00e7o p\u00fablico e com as comunidades. Os trabalhos de Twenty Three e H\u00fcseyin \u00d6zinal s\u00e3o justapostos na se\u00e7\u00e3o <em><strong>Arte, Ativismo e Pol\u00edtica de Resist\u00eancia<\/strong><\/em>, a fim de extrair as experi\u00eancias comuns de como os artistas criam obras sobre \u2013 e com \u2013 aqueles que n\u00e3o s\u00e3o vistos e n\u00e3o s\u00e3o representados, transformando vozes ocultas em um reino de visibilidade. V\u00e3o desde a privacidade (intimidade) de uma p\u00e1gina em branco, o dom\u00ednio p\u00fablico das redes sociais, at\u00e9 o espa\u00e7o p\u00fablico das paredes e ruas da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Representa\u00e7\u00f5es de vidas escondidas e invis\u00edveis s\u00e3o tra\u00e7adas nos desenhos de H\u00fcseyin \u00d6zinal, com corpos agredidos e incompletos aparecendo no centro. Esses corpos solit\u00e1rios permanecem relutantes e resistentes a formar representa\u00e7\u00f5es ideais e, ao mesmo tempo, est\u00e3o desbotados e presentes em toda a sua fragilidade. Paralelamente a esses desenhos abstratos e figurativos, o artista desenvolveu uma pr\u00e1tica ativista com enfoque na homofobia e desigualdades relacionadas a experi\u00eancias pessoais e relatos hist\u00f3ricos observados, como a vida de <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=HtUSvP2dDDQ\">Behic Gokay<\/a>, um cipriota turco gay e um dos primeiros objetores de consci\u00eancia (recusa em entrar no servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio para homens, que \u00e9 lei no Chipre) na d\u00e9cada de 1960. Outras quest\u00f5es abordadas pelo artista incluem: trabalho infantil e abuso de drogas (quest\u00f5es especialmente proeminentes nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980 em Istambul, coincidindo com os anos de forma\u00e7\u00e3o de H\u00fcseyin como estudante de arte); quest\u00f5es mais abrangentes de abuso (especialmente o n\u00famero crescente de viol\u00eancia contra mulheres e feminic\u00eddio); bem como deteriora\u00e7\u00e3o f\u00edsica e dificuldades relacionadas ao envelhecimento e ao cuidado dos idosos.<\/p>\n\n\n\n<p>Twenty Three tamb\u00e9m torna vis\u00edvel o escondido e o invis\u00edvel, mas por meio de obras feitas e apresentadas no espa\u00e7o p\u00fablico: arte de rua que atua como uma declara\u00e7\u00e3o sociopol\u00edtica e envolve as comunidades. Esteja ele trabalhando na Zona Tamp\u00e3o ou atrav\u00e9s dela, em um conjunto de habita\u00e7\u00e3o social para refugiados ou em Chiapas, no M\u00e9xico, o trabalho de Twenty Three no espa\u00e7o p\u00fablico e com p\u00fablicos diversos tem um n\u00edtido tom cr\u00edtico das realidades sociopol\u00edticas da vida contempor\u00e2nea, em que imagens universais s\u00e3o combinadas com refer\u00eancias coloquiais \u00e0 identidade cipriota. Esses espa\u00e7os abertos s\u00e3o usados por Twenty Three como portais tempor\u00e1rios de engajamento e di\u00e1logo que potencialmente amplificam pontos de vista que muitas vezes podem permanecer minorit\u00e1rios entre popula\u00e7\u00f5es maiores.<\/p>\n\n\n\n<p>Como Stavros Karayiannis aponta em um artigo que discute uma reimagina\u00e7\u00e3o queer da Zona Tamp\u00e3o, &#8220;a Zona Morta&#8221; \u00e9 vista, &#8220;tanto interna quanto externamente, como subjugada pela mem\u00f3ria, mas, ao mesmo tempo, direcionando a lembran\u00e7a, um reposit\u00f3rio passivo, um catalisador ativo.\u201d<sup>13<\/sup> Para Karayiannis, uma &#8220;&#8216;reimagina\u00e7\u00e3o queer&#8217; implica uma explora\u00e7\u00e3o do potencial de um <em>topos <\/em>para inspirar emo\u00e7\u00f5es, pensamentos, possibilidades que v\u00e3o al\u00e9m das narrativas dominantes, s\u00e3o transversais e atravessam discursos nacionais essencialistas.&#8221;<sup>14 <\/sup>Apontando para a import\u00e2ncia dessa reimagina\u00e7\u00e3o como sendo n\u00e3o apenas subversiva ou desconstrutiva, ele se baseia no potencial que o &#8220;queer&#8221; e a teoria queer poderiam nos apresentar para penetrar \u201cprofundamente nos interst\u00edcios da hist\u00f3ria e da din\u00e2mica espacial\u201d, tornando \u201caud\u00edvel o sil\u00eancio\u201d, tornando \u201cinc\u00f4modo o essencialismo\u201d, resistindo politicamente e desafiando as \u201cpr\u00e1ticas regulat\u00f3rias do poder\u201d da nossa suposta terra de ningu\u00e9m.<sup>15<\/sup> Por esse prisma, a Zona Tamp\u00e3o pode ser entendida como o espa\u00e7o onde n\u00f3s, que almejamos desafiar e resistir \u00e0s pr\u00e1ticas regulat\u00f3rias de poder das narrativas \u00e9tnico-nacionais dominantes, residimos: tentando reimaginar vidas em comum. Atrav\u00e9s desse processo, a Zona Tamp\u00e3o est\u00e1 sendo continuamente repensada de maneiras criativas, astuciosamente redefinida, e \u00e9 cada vez mais considerada pelas gera\u00e7\u00f5es mais jovens como um &#8220;terceiro espa\u00e7o&#8221;, que simboliza a esperan\u00e7a, incita fasc\u00ednio e uni\u00e3o, bem como um futuro que pode ser remodelado (em oposi\u00e7\u00e3o a um monumento silencioso \u00e0 divis\u00e3o e becos sem sa\u00edda que causam medo e desespero). Enquanto escrevemos, mais uma vez n\u00e3o podemos nos encontrar livremente. Mas este espa\u00e7o, este estudo de caso tamb\u00e9m funciona como um \u201cterceiro espa\u00e7o\u201d e terreno comum para pr\u00e1ticas art\u00edsticas independentes que est\u00e3o socialmente situadas e que pretendem cultivar um terreno f\u00e9rtil para novas a\u00e7\u00f5es e di\u00e1logos que resistam \u00e0s divis\u00f5es militares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">***<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Esra Plumer-Bardak <\/em><\/strong><br>Historiadora da arte, pesquisadora e membra ativa de associa\u00e7\u00f5es art\u00edsticas sem fins lucrativos. Al\u00e9m do ensino e da escrita, ela atua em projetos colaborativos com enfoque social como mediadora, consultora e\/ou mentora. Esra obteve seu PhD em Hist\u00f3ria da Arte pela Universidade de Nottingham em 2012 e tamb\u00e9m concluiu p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Gest\u00e3o de Artes e Pol\u00edtica Cultural pela Universidade Queen&#8217;s, em Belfast. Ela est\u00e1 trabalhando atualmente como uma das consultoras de arte para o Projeto <em>Art for All <\/em>(2018-2021), da Associa\u00e7\u00e3o Europeia de Arte Mediterr\u00e2nea, financiado pela UE, e ocupa o cargo de Professora Assistente na Universidade Arkin de Artes Criativas e Design, no Chipre.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Evanthia Tselika<\/em><\/strong> <br>[PhD] \u00e9 professora assistente especializada em hist\u00f3ria e teoria da arte na Universidade de Nic\u00f3sia. Sua pesquisa se concentra em pr\u00e1ticas sociais e hist\u00f3rias da arte, com um enfoque especial nos bens comuns e na pol\u00edtica, bem como nas hist\u00f3rias culturais visuais. Ela colabora com centros de arte e museus locais e internacionais, e est\u00e1 envolvida na curadoria de programas financiados a n\u00edvel europeu, como o projeto Phygital Interreg Balkan Med (2017-2020).&nbsp;Seus artigos s\u00e3o publicados em peri\u00f3dicos como Visual Studies e Public Art Dialogue e encomendados por organiza\u00e7\u00f5es como o Peace Research Institute, Oslo. <a href=\"http:\/\/evanthiatselika.com\/\">http:\/\/evanthiatselika.com<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p><br><sup>1 <\/sup>Somos influenciadas neste texto pela literatura relativa a pr\u00e1ticas art\u00edsticas participativas, socialmente engajadas e situadas, como BISHOP, Claire.<em> Artificial Hells: Participatory Art and the Politics of Spectatorship<\/em> (Londres e Nova York: Verso Books, 2012); KESTER, Grant. <em>Conversation Pieces: Community and Communication in Modern Art<\/em> (Berkeley\/Londres: University of California Press, 2004) e <em>The One and the Many: Contemporary Collaborative Art in a Global Context<\/em> (Duke University Press: EUA, 2001); LACY, Suzanne. (Orgs.) <em>Mapping the Terrain: New Genre Public Art<\/em> (Seattle: Bay Press, 1995); LEESON, Loraine. <em>Art: Process: Change: Inside a Socially Situated Practice<\/em> (Abington: Routledge, 2017); SHOLETTE, Gregory. <em>Delirium and Resistance Activist Art and the Crisis of Capitalism <\/em>(Londres: Pluto Press, 2015).<\/p>\n\n\n\n<p><sup>2<\/sup> GRICHTING SOLDER, Anna. \u201cFrom a deep wound to a beautiful scar: The Cyprus Greenlinescapes Laboratory\u201d. In: GRICHTING SOLDER <em>et al. Stitching the Buffer Zone<\/em> (Nic\u00f3sia: Bookworm Publications, 2012)<\/p>\n\n\n\n<p><sup>3<\/sup> Ver PAPADAKIS, Yiannis. <em>et al.<\/em> (Orgs.) <em>Divided Cyprus: Modernity, History and an Island in<\/em> <em>Conflict <\/em>(Bloomington\/Indiana: Indiana University Press, 2006) e NAVARO-YASHIN, Yael. <em>The Make-Believe Space: Affective Geography in a Postwar Polity, <\/em>Duke University Press: EUA, 2012)<\/p>\n\n\n\n<p><sup>4<\/sup> Ver: GRICHTING, (2012); EZGIN, Ozgul.; TOUMAZOU, Argyro. \u201cBuffer Zone art presentation\u201d In: <em>Buffer Zone Apartment Project<\/em> 2013, <a href=\"http:\/\/bufferzonew.appspot.com\/static\/about.html%2525CB%252583\">http:\/\/bufferzonew.appspot.com\/static\/about.html\u02c3<\/a> [acesso em julho de 2020]; PELLAPAISIOTIS, Haris. \u201cThe Art of the Buffer Zone\u201d In: &nbsp;Wells <em>et al<\/em>, <em>Photography and Cyprus: Time, Place and Identity <\/em>(Londres: I.B. Tauris, 2014) e TSELIKA, Evanthia. \u201cConflict Transformation Art: Cultivating coexistence through the use of socially engaged artistic practices\u201d, 2019. <em>PRIO Cyprus Centre Report, <\/em>4. Nic\u00f3sia: PRIO Cyprus Center, 2019. [acesso em julho de 2020] <a href=\"https:\/\/www.prio.org\/utility\/DownloadFile.ashx?id=1942&amp;amp;type=publicationfile\">https:\/\/www.prio.org\/utility\/DownloadFile.ashx?id=1942&amp;type=publicationfile<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><sup>5<\/sup> GRICHTING, 2012.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>6<\/sup> O centro \u00e9 um espa\u00e7o intercomunit\u00e1rio compartilhado que visa desenvolver a coopera\u00e7\u00e3o e o di\u00e1logo entre todas as comunidades \u00e9tnicas cipriotas. Abriga uma s\u00e9rie de ONGs, salas de semin\u00e1rios e palestras e um caf\u00e9. \u00c9 financiado por v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es, incluindo Subven\u00e7\u00f5es do Espa\u00e7o Econ\u00f4mico Europeu e da Noruega, o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Ag\u00eancia dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID). \u00c9 um local onde s\u00e3o realizadas muitas a\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da paz e \u00e9 um espa\u00e7o indicativo de como a Zona Tamp\u00e3o pode ser transformada num terceiro espa\u00e7o, um local de coopera\u00e7\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.home4cooperation.info\/\">http:\/\/www.home4cooperation.info\/<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p><sup>7<\/sup> <em>Nicosia Master Plan Final Report<\/em>. PNUD, UNCHS [HABITAT]: Nic\u00f3sia, Chipre, 1984.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><sup>8<\/sup> Um encontro hist\u00f3rico ocorreu em Berlim entre os cipriotas em 1989: <a href=\"https:\/\/movementsarchive.org\/doku.php?id=el:magazines:entostonteixon:no_41:berlin\">https:\/\/movementsarchive.org\/doku.php?id=el:magazines:entostonteixon:no_41:berlin<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><sup>9<\/sup> TSELIKA, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>10<\/sup> EZGIN &amp; TOUMAZOU, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>11<\/sup> Ver PELAPAISSIOTIS, 2014 e TSELIKA 2019.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>12<\/sup> Ver FELSHIN, Nina. <em>But is it Art? The spirit of art as activism<\/em> (Seattle: Bay Press, 2015) e GROYS, Boris. \u201cOn Art Activism\u201d, Jornal e-flux N.\u00ba 56 &#8211; junho de 2014. <a href=\"http:\/\/worker01.e-flux.com\/pdf\/article_8984545.pdf\">http:\/\/worker01.e-flux.com\/pdf\/article_8984545.pdf<\/a> [acesso em julho de 2020]<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><sup>13<\/sup> KARAYIANNIS, Stavros, \u201cZone of Passions: A Queer Re-Imagining of Cyprus\u2019s No Man\u2019s Land\u201d, In: <em>Synthesis 10<\/em>, 2017 63\u201381, p. 67 <a href=\"https:\/\/ejournals.epublishing.\">https:\/\/ejournals.epublishing.ekt.gr\/index.php\/synthesis\/article\/view\/16244<\/a> [acesso em julho de 2020]<\/p>\n\n\n\n<p><sup>14<\/sup> Ibid, 66.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>15<\/sup> Ibid.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conversando atrav\u00e9s da Zona Tamp\u00e3o cipriota: tornando vis\u00edvel o invis\u00edvel Editoras do estudo de caso: Esra Plumer-Bardak e Evanthia Tselika As apresenta\u00e7\u00f5es ao Chipre, na maioria das vezes, se enquadram [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":[],"portfolio-tags":[],"portfolio-category":[19],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/442"}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/types\/portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=442"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=442"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio-tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio-tags?post=442"},{"taxonomy":"portfolio-category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio-category?post=442"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}