{"id":1978,"date":"2021-03-19T09:46:42","date_gmt":"2021-03-19T12:46:42","guid":{"rendered":"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/?post_type=portfolio&#038;p=1978"},"modified":"2025-02-27T10:01:30","modified_gmt":"2025-02-27T13:01:30","slug":"bernie-masterson-helen-odonoghue","status":"publish","type":"portfolio","link":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/portfolio\/bernie-masterson-helen-odonoghue\/","title":{"rendered":"Atr\u00e1s dos muros da pris\u00e3o: Uma entrevista com Bernie Masterson"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"676\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Cover-Image_Flight_still.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1979\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Cover-Image_Flight_still.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Cover-Image_Flight_still-300x169.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Cover-Image_Flight_still-1024x577.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Cover-Image_Flight_still-768x433.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption>Bernie Masterson.<em> Flight<\/em>, 2020. Frame.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2>Atr\u00e1s dos muros da pris\u00e3o: Uma entrevista com Bernie Masterson<\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada de 1980, ouvi falar de uma professora de arte extraordin\u00e1ria que trabalhava no servi\u00e7o prisional. Desde ent\u00e3o, tive o privil\u00e9gio de conhecer Bernie Masterson e de escrever sobre sua pr\u00e1tica como educadora na exposi\u00e7\u00e3o <em>Lifelines <\/em>em 2004, seu trabalho art\u00edstico na exposi\u00e7\u00e3o <em>Invocation <\/em>em 2014 e sobre sua obra em v\u00eddeo <em>Flight<\/em>, que recebeu o Pr\u00eamio Janet Mullarney inaugural, da Highlanes Gallery, no Condado de Louth, em 2020.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Muito conhecida e admirada pelos pedagogos como artista\/educadora, sua pr\u00e1tica \u00e9 um exemplo do que o educador e proponente da pedagogia cr\u00edtica Henry A. Giroux descreve como \u201cpedagogia de fronteira\u201d.<sup>1 <\/sup>Como educadora de adultos na pr\u00e1tica art\u00edstica, o trabalho de Bernie no servi\u00e7o prisional \u00e9 conhecido por suas metodologias de alta qualidade. Muitas exibi\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do trabalho dos homens a quem ela ensinou deixam isso claro. Bernie faz parte de uma gera\u00e7\u00e3o de artistas\/poetas, incluindo Maggie Deignan, Mary Kelly, Brian Maguire, Paula Meehan e Mick O&#8217;Dea, que trabalham no servi\u00e7o prisional e cujo trabalho contribui para a humaniza\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos que a sociedade em geral rejeita e tira de vista.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"673\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-1_Flight-.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1981\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-1_Flight-.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-1_Flight--300x168.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-1_Flight--1024x574.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-1_Flight--768x431.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption>Bernie Masterson. <em>Flight<\/em>, 2020. Frame.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Bernie tem forma\u00e7\u00e3o em pintura e longa experi\u00eancia como professora de arte nos Servi\u00e7os Educacionais do Sistema Prisional Irland\u00eas. Nos \u00faltimos anos, seu trabalho se desenvolveu por meio da ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas socialmente engajadas. Elas s\u00e3o de natureza interdisciplinar, \u00e0s vezes colaborativa, e muitas vezes lidam com o tema desafiante do sistema prisional conforme vivenciado por ela em seu trabalho como professora. O texto e a entrevista abaixo abordam a transi\u00e7\u00e3o de Bernie de artista\/educadora a artista que envolve a pol\u00edtica de seu trabalho em sua pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta entrevista \u00e9 o resultado de conversas tidas ao longo de muitos anos entre mim, Helen O\u2019Donoghue, Curadora S\u00eanior, Chefe de Programas de Engajamento e Aprendizagem do Museu Irland\u00eas de Arte Moderna, e Bernie, organizadas de maneira mais formal como perguntas e respostas em agosto de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Helen O\u2019Donoghue:<\/em> Bernie, o tema desta revista \u00e9 \u201cVidas Escondidas\u201d, e eu selecionei voc\u00ea e seu trabalho porque sinto que o cerne da sua pr\u00e1tica est\u00e1 inserido em um sistema que fica inerentemente escondido da maior parte da sociedade \u2013 o sistema prisional e seus habitantes. Os prisioneiros s\u00e3o estigmatizados e mantidos longe da sociedade, mas voc\u00ea dedicou sua carreira e sua pr\u00e1tica de ateli\u00ea a trabalhar com prisioneiros como educadora art\u00edstica no sistema prisional e, nos \u00faltimos anos, come\u00e7ou a explorar temas como encarceramento e injusti\u00e7a em seu trabalho em v\u00eddeo, trazendo a empatia e o respeito pela humanidade para um sistema que muitas vezes desumaniza seus residentes.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Bernie Masterson.<\/em> Trabalhar e fazer parte dessa comunidade prisional traz suas pr\u00f3prias responsabilidades pessoais, todos que trabalham nessa \u00e1rea lidam com a realidade da vida na pris\u00e3o de maneiras diferentes. A minha tem sido elevar o status das artes criativas na educa\u00e7\u00e3o prisional e, subsequentemente, desenvolver projetos criativos que investiguem nosso papel como indiv\u00edduos e validem o prisioneiro como parte integrante da comunidade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"845\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-2_Mountjoy-Prison.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1983\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-2_Mountjoy-Prison.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-2_Mountjoy-Prison-300x211.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-2_Mountjoy-Prison-1024x721.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-2_Mountjoy-Prison-768x541.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption>McD<em>, Mountjoy Prison <\/em>2008, l\u00e1pis de colorir sobre papel. A Unidade de Treinamento da Pris\u00e3o &#8211; Pris\u00e3o Mountjoy.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><em>Helen<\/em>:<\/strong> A justi\u00e7a social motiva o seu trabalho?<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Bernie<\/em>: <\/strong>A justi\u00e7a social fala por aqueles indiv\u00edduos que n\u00e3o t\u00eam voz, como os prisioneiros e aqueles \u00e0 margem da sociedade que n\u00e3o s\u00e3o vistos nem ouvidos, trata de direitos humanos, dignidade, justi\u00e7a e respeito.<\/p>\n\n\n\n<p>Nick Stevenson, soci\u00f3logo e professor s\u00eanior da Universidade de Nottingham argumenta de forma convincente sobre a necessidade de um pensamento cuidadoso sobre como &#8220;promover uma cultura de direitos humanos por meio de formas mais esclarecidas de di\u00e1logo e interesse&#8221;.<sup>2 <\/sup>Esse di\u00e1logo pode oferecer padr\u00f5es e julgamentos cr\u00edticos que constranjam e questionem aqueles que t\u00eam poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico e pode ajudar a garantir que os padr\u00f5es de direitos humanos sejam respeitados<sup>.3<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Como artista, sinto essa responsabilidade e tento responder apropriadamente por meio da plataforma da arte, a fim de causar uma mudan\u00e7a positiva e desafiar a suposi\u00e7\u00e3o negativa estereotipada do prisioneiro. A justi\u00e7a social \u00e9 um direito de todos; ent\u00e3o, sim, \u00e9 uma caracter\u00edstica do meu trabalho.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"775\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-3_Cell-Door--775x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1985\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-3_Cell-Door--775x1024.jpg 775w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-3_Cell-Door--227x300.jpg 227w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-3_Cell-Door--768x1014.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-3_Cell-Door--1163x1536.jpg 1163w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-3_Cell-Door-.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 775px) 100vw, 775px\" \/><figcaption>EB, <em>Cell Door<\/em>, 2013, \u00f3leo sobre cart\u00e3o. A Unidade de Treinamento da Pris\u00e3o &#8211; Pris\u00e3o Mountjoy.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><em>Helen<\/em>:<\/strong> Voc\u00ea poderia descrever sua jornada como artista de pintora a educadora, passando pela pr\u00e1tica art\u00edstica socialmente engajada?<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Bernie<\/em>:<\/strong> Na \u00e9poca em que era estudante, em meados dos anos 1970 e in\u00edcio dos anos 1980, trabalhei como volunt\u00e1ria no projeto Neighbourhood Youth Project em South Hill, Limerick [na costa oeste da Irlanda], que era uma \u00e1rea muito desfavorecida na \u00e9poca e testemunhei em primeira m\u00e3o o benef\u00edcio das artes criativas na comunidade e no desenvolvimento social.<\/p>\n\n\n\n<p>Era muito dif\u00edcil conseguir qualquer tipo de emprego no in\u00edcio dos anos 1980, ent\u00e3o, depois da faculdade, fui a Dublin para uma entrevista para um cargo de professora em Col\u00e1iste Dh\u00falaigh (Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o Continuada) com o Diretor, John Burke. Ao ler minhas refer\u00eancias, ele me direcionou ao servi\u00e7o prisional, dizendo: \u201cEu sei exatamente onde voc\u00ea pode fazer a diferen\u00e7a\u201d. O coordenador de Educa\u00e7\u00e3o Prisional, Vincent Samon, procurava um professor de artes criativas. Naquela \u00e9poca, a educa\u00e7\u00e3o formal na pris\u00e3o existia h\u00e1 cerca de cinco anos, ent\u00e3o estava bem no in\u00edcio e era um momento empolgante para se envolver.&nbsp; Antes disso, a educa\u00e7\u00e3o na pris\u00e3o era <em>ad hoc <\/em>e ministrada por agentes prisionais bondosos. Ent\u00e3o, essa foi uma mudan\u00e7a muito bem-vinda. Eu consegui o emprego na Unidade de Treinamento, na Pris\u00e3o Mountjoy para homens, cargo que se tornou permanente em 1986.&nbsp; Naquela \u00e9poca, qualquer emprego permanente tinha que ser sancionado pelo Departamento das Finan\u00e7as, pois o pa\u00eds estava em uma recess\u00e3o grave. Ent\u00e3o, eu fiz parte da primeira gera\u00e7\u00e3o de educadores do Servi\u00e7o Prisional Irland\u00eas e trabalhava para o Departamento de Educa\u00e7\u00e3o. \u00c9ramos uma ag\u00eancia convidada no ambiente prisional e o progresso era lento, mas constante.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira coisa que notei foi uma falta extrema de artes na educa\u00e7\u00e3o prisional. A \u00eanfase principal estava nos tr\u00eas pilares: leitura, escrita e aritm\u00e9tica. Os n\u00edveis de alfabetiza\u00e7\u00e3o naquela \u00e9poca eram bem b\u00e1sicos, e muitos recursos foram alocados para resolver isso. No entanto, assumi como miss\u00e3o destacar a import\u00e2ncia da arte como base para todo o aprendizado e para lidar com o desequil\u00edbrio. A experi\u00eancia da cultura era inexistente naquele ambiente e, ent\u00e3o, eu me propus a montar um calend\u00e1rio de eventos art\u00edsticos e culturais para os alunos vivenciarem, como teatro, concertos de m\u00fasica cl\u00e1ssica, exposi\u00e7\u00f5es pertencentes ao Conselho de Artes etc., a fim de estimular o di\u00e1logo e levar essa experi\u00eancia para o maior n\u00famero de pessoas poss\u00edvel. Isso foi em 1986 e, desde ent\u00e3o, a maior parte das pris\u00f5es na Irlanda realizam at\u00e9 hoje uma semana ou um dia das artes dedicado \u00e0s artes criativas em que ocorrem atividades\/exposi\u00e7\u00f5es internas ou dentro da pris\u00e3o. Essa forma de atender \u00e0s necessidades educacionais evoluiu para outras \u00e1reas importantes, como sa\u00fade e bem-estar, que \u00e9 uma iniciativa da Cruz Vermelha Internacional. Conforme surgem as necessidades da popula\u00e7\u00e3o prisional estudantil, respostas educacionais s\u00e3o desenvolvidas e implementadas.<\/p>\n\n\n\n<p>A experi\u00eancia inicial no Neighbourhood Youth Project e os anos na educa\u00e7\u00e3o prisional foram inestim\u00e1veis e embasaram meu pr\u00f3prio desenvolvimento pessoal como ser humano, educadora e artista em evolu\u00e7\u00e3o para uma pr\u00e1tica mais socialmente engajada. Esse processo surgiu gradativamente como forma de substanciar a comunidade prisional, dar voz a perspectivas novas e diferentes, aumentar a visibilidade de um grupo marginalizado na sociedade e trabalhar em prol de uma maior visibilidade e inclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"812\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-4_D1-Landing-Mountjoy-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1989\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-4_D1-Landing-Mountjoy-1.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-4_D1-Landing-Mountjoy-1-300x203.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-4_D1-Landing-Mountjoy-1-1024x693.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-4_D1-Landing-Mountjoy-1-768x520.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption>DC-D1,<em> Landing Mountjoy<\/em>, 2012, acr\u00edlico sobre tela. A Unidade de Treinamento da Pris\u00e3o &#8211; Pris\u00e3o Mountjoy.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><em><strong>Helen:<\/strong><\/em> Como a mudan\u00e7a do meio da pintura para o v\u00eddeo contribuiu para o trabalho?<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Bernie<\/em>:<\/strong> Como diz o artista de instala\u00e7\u00f5es americano Robert Irwin: \u201cSer um artista n\u00e3o \u00e9 fazer pinturas ou objetos. Trata-se, na verdade, do nosso estado de consci\u00eancia e da forma de nossas percep\u00e7\u00f5es.\u201d<sup>4<\/sup>&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Acredito que para ser verdadeiro, ainda que de um ponto de vista subjetivo, \u00e9 preciso buscar m\u00faltiplas perspectivas e formas de express\u00e3o. Adicionar outra camada de metodologia \u00e0 minha pr\u00e1tica, como v\u00eddeo e filme, trouxe um novo conjunto de ferramentas para explorar e investigar quest\u00f5es com as quais me preocupo de uma maneira nova e diferente. Tamb\u00e9m pode levar o trabalho a um p\u00fablico muito mais amplo.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu me lembro de Maire Collins (que foi eleita pelo Papa Francisco para ser a representante irlandesa no Conselho Pontif\u00edcio para a Prote\u00e7\u00e3o de Menores em 2014) dizendo na abertura da minha exposi\u00e7\u00e3o <em>Invocation<\/em>, um projeto que explorou o abuso institucional da Igreja e do Estado, que essas causas precisam que os artistas deem continuidade \u00e0 conversa usando diferentes abordagens e perspectivas a fim de envolver a imagina\u00e7\u00e3o civil e abordar as quest\u00f5es de uma maneira hol\u00edstica e multifacetada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O feedback de um painel de discuss\u00e3o sobre a exposi\u00e7\u00e3o destacou o poder das imagens visuais e do uso de \u00e1udio para despertar a mem\u00f3ria de muitos dos painelistas, alguns dos quais haviam sido v\u00edtimas de abusos institucionais por parte da Igreja e do Estado. O painel de discuss\u00e3o girou em torno das respostas \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o. A discuss\u00e3o foi gravada, mas os painelistas sentiram que as divulga\u00e7\u00f5es pertenciam apenas ao grupo que estava ali naquele momento e naquele lugar. Foi um momento sagrado&#8230; compartilhado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Helen<\/em>:<\/strong> Sim, eu me lembro daquela noite, e foi um momento em que o poder transformador das artes ficou evidente. A conversa foi evoluindo aos poucos, inicialmente tratou do seu trabalho e, quando todos come\u00e7aram a falar sobre a resposta de cada um a ele, abriu-se naturalmente um espa\u00e7o seguro para compartilhar hist\u00f3rias e experi\u00eancias pessoais. A energia interpessoal na sala estava poderosa e muito emocional. Fiquei impressionada com a capacidade de pessoas que s\u00e3o sobreviventes de abusos institucionais sa\u00edrem desse lugar vulner\u00e1vel de v\u00edtima e compartilharem o poder de serem francas sobre sua experi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"655\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-5_Shrine-.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1991\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-5_Shrine-.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-5_Shrine--300x164.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-5_Shrine--1024x559.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-5_Shrine--768x419.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption>Bernie Masterson. <em>Shrine<\/em>, 2014. Frame.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"SHRINE\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/396132563?dnt=1&amp;app_id=122963\" width=\"500\" height=\"281\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write; encrypted-media\"><\/iframe>\n<\/div><figcaption>Bernie Masterson. <em>Shrine<\/em>, 2014.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><em><strong>Helen:<\/strong><\/em> Como voc\u00ea v\u00ea seu papel como professora?<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Bernie:<\/strong><\/em> Vejo o meu papel como o de uma facilitadora, ajudando os alunos a encontrarem a sua pr\u00f3pria forma \u00fanica de express\u00e3o. As artes d\u00e3o ao prisioneiro uma oportunidade direta e \u00edntima de autoencontro e reflex\u00e3o. Ao aprender habilidades associadas \u00e0s artes, os prisioneiros vivenciam aspectos de seu pr\u00f3prio potencial como pessoas criativas. Tendo vindo de um ambiente que pode ter sido um incentivo para que fossem hostis, eles se veem no ambiente humano da aula de artes da pris\u00e3o, que permite que sejam criativos. \u00c9 um mundo que pode refletir uma imagem deles mesmos que s\u00f3 eles podem ver, um mundo sobre o qual eles t\u00eam controle.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"912\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-6_Between-Two-Worlds-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1995\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-6_Between-Two-Worlds-1.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-6_Between-Two-Worlds-1-300x228.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-6_Between-Two-Worlds-1-1024x778.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-6_Between-Two-Worlds-1-768x584.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption>MOC,<em> Between Two Worlds<\/em>, 2010, \u00f3leo sobre tela. A Unidade de Treinamento da Pris\u00e3o &#8211; Pris\u00e3o Mountjoy.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><em><strong>Helen:<\/strong><\/em> Voc\u00ea se v\u00ea como defensora dos homens para quem trabalha\/com quem trabalha ou prefere se ver\/ver o seu trabalho como uma testemunha?<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Bernie:<\/strong><\/em> Ambos, na verdade, como testemunha e defensora. A rela\u00e7\u00e3o entre aluno e professor no ambiente prisional \u00e9 importante e se baseia no respeito e na civilidade. As salas de aula e a sala de artes em especial se tornam um espa\u00e7o \u00edntimo onde voc\u00ea aprende sobre seus alunos e consequentemente sobre a vida deles. Compartilham-se hist\u00f3rias de vida. Discutem-se traumas da vida e rela\u00e7\u00f5es familiares fragmentadas. Constr\u00f3i-se confian\u00e7a. Ouvir os homens \u00e9 importante nesse interc\u00e2mbio aluno-professor. \u00c0s vezes \u00e9 muito dif\u00edcil escutar, sendo ao mesmo tempo um privil\u00e9gio e um fardo. Meu trabalho se baseia nessa experi\u00eancia. Eu processo, rumino ideias e desenvolvo uma resposta pessoal quando estou pronta. A express\u00e3o resultante \u00e9 uma forma de assimilar todas essas informa\u00e7\u00f5es e, como defensora e testemunha, tentar apresent\u00e1-las de um ponto de vista compartilhado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Helen<\/em>:<\/strong> A pedagogia cr\u00edtica fundamenta o seu trabalho?<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Bernie:<\/strong><\/em> Escritores e fil\u00f3sofos como Paulo Freire, Hannah Arendt, bell hooks e Henry Giroux d\u00e3o uma estrutura a partir da qual se pode navegar pelas complexidades da condi\u00e7\u00e3o humana e dos oprimidos no contexto da sala de aula. &nbsp;A experi\u00eancia da sala de aula \u00e9 uma jornada que permite que alunos e professores avaliem o conhecimento, o poder e as experi\u00eancias que existem entre eles, o lugar e a comunidade. A aprendizagem \u00e9 bidirecional e constitui uma experi\u00eancia conjunta entre professor e aluno.<\/p>\n\n\n\n<p>A identidade e o eu s\u00e3o temas recorrentes no ambiente prisional. Paulo Freire define a pr\u00e1xis na <em>Pedagogia do Oprimido<\/em> como:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>[&#8230;] reflex\u00e3o e a\u00e7\u00e3o dirigidas \u00e0s estruturas a serem transformadas. Por meio da pr\u00e1xis, os oprimidos podem adquirir uma consci\u00eancia cr\u00edtica de sua pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o e, com professores-alunos e alunos-professores, lutar pela liberta\u00e7\u00e3o.<sup>5<\/sup><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>De acordo com Arendt, nossa capacidade de analisar ideias, lutar com elas e nos engajar na pr\u00e1xis ativa \u00e9 o que nos singulariza como humanos.<sup>6<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>A sala de arte da pris\u00e3o oferece aos alunos a oportunidade de refletir e desenvolver um meio de autoexplora\u00e7\u00e3o voltado para o desenvolvimento e a consci\u00eancia pessoal. Para mim, a analogia do poema vem \u00e0 mente. Paula Meehan, uma das precursoras dos esquemas de artistas na pris\u00e3o e, recentemente, Presidente da Poesia da Irlanda, expressa esse potencial de uma forma maravilhosa ao escrever o seguinte:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>H\u00e1 poemas que contam hist\u00f3rias, mas h\u00e1 tamb\u00e9m poemas que apenas nos d\u00e3o um momento de vis\u00e3o, de transcend\u00eancia ou at\u00e9 mesmo de cor, ou apenas uma imagem que voc\u00ea pode levar com voc\u00ea. Duas linhas. Duas linhas podem salvar uma vida, eu acredito.<sup>7<\/sup><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><em><strong>Helen:<\/strong><\/em> Al\u00e9m do enfoque nas necessidades dos prisioneiros, o que dizer quanto aos seus pr\u00f3prios interesses como artista?<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Bernie:<\/strong><\/em> Durante anos mantive minhas pr\u00f3prias necessidades como artista separadas. Mas nos \u00faltimos anos aconteceu uma mudan\u00e7a, sem querer, quando tirei um tempo para cuidar de minha m\u00e3e em seus \u00faltimos anos de vida. Isso levou a um projeto colaborativo entre minha m\u00e3e e eu chamado <em>Drawing on the Body,<\/em> apresentado pela Tallaght Community Arts e exibido em Rua Red em 2010. Foi uma experi\u00eancia muito emocionante. Quando me voltei em tempo integral para a educa\u00e7\u00e3o, meu novo trabalho art\u00edstico evoluiu como uma resposta pessoal a anos ouvindo sobre abusos institucionais de meus alunos, resultando na exposi\u00e7\u00e3o <em>Invocation<\/em> realizada em Rua Red, de 14 de novembro a 20 de dezembro de 2014. Isso foi essencial, tanto para meus alunos quanto para mim, possibilitando um processo pessoal que era fundamental para meu bem-estar. Ent\u00e3o, em resposta \u00e0 sua pergunta, \u00e0s vezes tanto os alunos quanto eu estamos entrela\u00e7ados em um processo criativo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"810\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-18-BernieMasterson_In_A_State_Of_Grace_Installation_Shot1_Invocation.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-703\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-18-BernieMasterson_In_A_State_Of_Grace_Installation_Shot1_Invocation.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-18-BernieMasterson_In_A_State_Of_Grace_Installation_Shot1_Invocation-300x203.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-18-BernieMasterson_In_A_State_Of_Grace_Installation_Shot1_Invocation-1024x691.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-18-BernieMasterson_In_A_State_Of_Grace_Installation_Shot1_Invocation-768x518.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption>Bernie Masterson. <em>In A State of Grace<\/em>, Invocation (cena 2), instala\u00e7\u00e3o em Rua Red, Tallaght, Condado de Dublin, 2014<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><em><strong>Helen:<\/strong><\/em> Voc\u00ea se v\u00ea criando um acervo a partir das hist\u00f3rias que ouviu e que foram contadas pelos homens com quem trabalha?<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Bernie:<\/strong><\/em> Eu documentei anteriormente uma s\u00e9rie de narrativas de prisioneiros em uma instala\u00e7\u00e3o chamada <em>Incarceration Altars<\/em> atrav\u00e9s do esquema de porcentagem da Grangegorman (campus da Universidade T\u00e9cnica (TUD)) para arte p\u00fablica. [O esquema <em>Per Cent&nbsp;for Art&nbsp;<\/em>\u00e9 uma iniciativa do governo, introduzida em 1978, pela qual 1% do custo de qualquer capital de financiamento p\u00fablico, desenvolvimento de infraestrutura e constru\u00e7\u00e3o pode ser alocado para o comissionamento de uma obra de arte.] Esse nova obra \u00e9 a reforma de um antigo Hospital de Sa\u00fade Mental, que traz consigo uma hist\u00f3ria de encarceramento de muitos pobres e doentes mentais.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse trabalho apresenta dez narrativas dos homens na Pris\u00e3o Mountjoy apresentadas em uma instala\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo de cinco canais. Investiga a rela\u00e7\u00e3o entre pessoa, lugar e objeto por meio de uma s\u00e9rie de imagens e narrativas de prisioneiros que buscam contextualizar os diferentes mundos da identidade prisional e da identidade privada. As palavras e os objetivos de Paul, um prisioneiro institucionalizado de longa data, v\u00eam \u00e0 mente ao refletir sobre seu objeto pessoal, seus talheres: \u201c&#8230; quando eu era jovem aprendi o que fazer em casa, ter seus pr\u00f3prios talheres, mant\u00ea-los sempre limpos\u2026\u201d Outros escolheram velas, aeromodelos e pinturas. Os objetos possibilitam uma conex\u00e3o com aquelas identidades e tamb\u00e9m s\u00e3o usados para refletir sobre outros temas, como luto e mem\u00f3ria, transi\u00e7\u00e3o e passagem, media\u00e7\u00e3o e nova vis\u00e3o, e como eles servem como marcadores em uma situa\u00e7\u00e3o de vida significativa, como o encarceramento.<\/p>\n\n\n\n<p>Meus parceiros no projeto foram o Servi\u00e7o Prisional Irland\u00eas (IPS) e o Conselho de Treinamento Educacional da Cidade de Dublin (CDETB), bem como a ag\u00eancia de Desenvolvimento de Grangegorman. A exposi\u00e7\u00e3o e os v\u00eddeos foram apresentados em centros de arte na Irlanda e no exterior e como parte de confer\u00eancias sobre educa\u00e7\u00e3o em pris\u00f5es. Acho que vale a pena fazer uma cita\u00e7\u00e3o do cat\u00e1logo aqui. Falando na abertura, o Professor Ciar\u00e1n Benson, Presidente do Grupo de Trabalho de Arte P\u00fablica de Grangegorman, falou com grande eloqu\u00eancia sobre os mundos interconectados e contidos da pris\u00e3o e da identidade privada:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Estar &#8220;dentro&#8221; \u00e9 o eufemismo para estar na pris\u00e3o. Os espa\u00e7os internos s\u00e3o em sua maioria pequenos, envoltos, \u00e0s vezes se empurram contra as paredes, outras vezes s\u00e3o um ref\u00fagio de tudo o que est\u00e1 fora. O que Bernie Masterson explora com tanta ast\u00facia, e com uma simpatia palp\u00e1vel e conten\u00e7\u00e3o habilidosa, em <em>Incarceration Altars<\/em> \u00e9 o quanto pessoas perturbadas \u2013 e \u00e0s vezes pertubadoras <strong>\u2013<\/strong> podem criar ilhas de significado \u00fanicas e profundamente pessoais, alimentadas pela mem\u00f3ria e imagina\u00e7\u00e3o, a partir dos pequenos espa\u00e7os a que foram confinadas. Neste projeto memor\u00e1vel e comovente, ela mostra como o eu no espa\u00e7o pode estender visivelmente a pessoa e criar um lugar humanizado, ainda que simples.&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"1001\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-8_Writing-from-the-Cell.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1999\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-8_Writing-from-the-Cell.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-8_Writing-from-the-Cell-300x250.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-8_Writing-from-the-Cell-1024x854.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-8_Writing-from-the-Cell-768x641.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption><em>Writing From the Cell<\/em>, 2013, \u00f3leo sobre tela. A Unidade de Treinamento da Pris\u00e3o &#8211; Pris\u00e3o Mountjoy.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"incarceration_altars #3\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/1030748335?dnt=1&amp;app_id=122963\" width=\"500\" height=\"281\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write; encrypted-media\"><\/iframe>\n<\/div><figcaption>Bernie Masterson, <em>Incarceration Altars<\/em> #3, 2014.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><em>Helen:<\/em> <\/strong>Como voc\u00ea posiciona o projeto de autorretrato em andamento na sua pr\u00e1tica?<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Bernie:<\/strong><\/em> A identidade tem sido uma caracter\u00edstica do meu trabalho h\u00e1 bastante tempo. Na pris\u00e3o, a verdadeira identidade pode se alterar para proteger a si mesmo, e os homens \u00e0s vezes desenvolvem uma masculinidade exacerbada que \u00e9 outra forma de m\u00e1scara. O objetivo de desenvolver essa m\u00e1scara da pris\u00e3o pode ser comparado \u00e0 descri\u00e7\u00e3o de Winnicott do Falso Eu, cuja fun\u00e7\u00e3o defensiva \u00e9 esconder e proteger o Verdadeiro Eu.<sup>8<\/sup> Os autorretratos d\u00e3o ao prisioneiro tempo para refletir e explorar sua identidade em um ambiente hostil desprovido de identidade pessoal. O projeto de autorretrato permite explorar as diferentes facetas de si mesmo e \u00e9 uma experi\u00eancia humanizadora no contexto da pris\u00e3o. \u00c9 um projeto cont\u00ednuo e uma pr\u00e1tica que comecei desde o in\u00edcio. Originalmente, era uma forma de entrar na aula, uma marca para dizer que voc\u00ea estava presente, como uma estrat\u00e9gia para quebrar o gelo, mas se desenvolveu muito ao longo dos anos e resultou em centenas de retratos. \u00c9 um corpo de trabalho ao qual pretendo voltar em um futuro n\u00e3o muito distante, espero. Em minha pr\u00f3pria pr\u00e1tica, a identidade sempre se manifestou de v\u00e1rias formas, desde a identidade cultural e nacional at\u00e9 a identidade pessoal, como meu projeto <em>Drawing on the Body <\/em>que explora a rela\u00e7\u00e3o entre m\u00e3e e filha. N\u00e3o somos apenas uma \u00fanica identidade, e explorar isso traz muitos insights sobre a condi\u00e7\u00e3o humana e o eu em evolu\u00e7\u00e3o. Meu trabalho atual tamb\u00e9m trata de explorar identidade, mas, nesse caso, \u00e9 sobre n\u00e3o deixar uma identidade nos definir.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"819\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-9_Fence-819x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2001\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-9_Fence-819x1024.jpg 819w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-9_Fence-240x300.jpg 240w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-9_Fence-768x960.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-9_Fence.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 819px) 100vw, 819px\" \/><figcaption><em>Anon, Fence<\/em> (Autorretrato), 2006, carv\u00e3o sobre papel. A Unidade de Treinamento da Pris\u00e3o &#8211; Pris\u00e3o Mountjoy.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><em>Helen<\/em>:<\/strong> Ao desenvolver seu trabalho com filme, voc\u00ea tamb\u00e9m usou materiais arquiv\u00edsticos dos acervos dos Servi\u00e7os Prisionais. Voc\u00ea pode falar um pouco sobre isso?<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Bernie<\/em>:<\/strong> De novo, \u00e9 um trabalho sobre identidade&#8230; a perda de identidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O Museu da Pris\u00e3o Mountjoy tem sido uma fonte de inspira\u00e7\u00e3o. Foi l\u00e1 que encontrei o caderno de caligrafia<em> Vere Foster Bold Writing or Civil Service <\/em>no final dos anos 1990. Esse caderno era usado para ensinar caligrafia usando prov\u00e9rbios como o texto a ser copiado. A \u00faltima tiragem foi em 1957, mas mesmo o caderno de caligrafia atual ainda tem alguns desses prov\u00e9rbios. Eu vi os prov\u00e9rbios como outra forma de controlar uma na\u00e7\u00e3o subjugada em termos de cultura, linguagem e moralidade. Esses cadernos foram enviados para todo o Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico, \u00cdndia, \u00c1frica etc. A poetisa irlandesa M\u00e1ighr\u00e9ad Medbh colaborou comigo no projeto e transformou os prov\u00e9rbios em anagramas dial\u00f3gicos. Juntas, apresentamos outra perspectiva. <em>Bold Writing <\/em>\u00e9 nossa resposta em poesia e arte visual a esse caderno e ao imperialismo. Conforme escrevemos em nossa declara\u00e7\u00e3o de artista, \u00e9 uma medita\u00e7\u00e3o &#8220;sobre subjuga\u00e7\u00e3o e expropria\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Helen<\/em>:<\/strong> Como voc\u00ea entende os paralelos entre hist\u00f3rias passadas e realidades presentes de injusti\u00e7a social, pol\u00edtica e cultural nesse trabalho?<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Bernie<\/em>:<\/strong> Relembrar o passado nos d\u00e1 a oportunidade de refletir, de considerar, de mudar; deve embasar o presente. Ao nos concentrarmos no passado por meio da consci\u00eancia coletiva de uma psique nacional reprimida, somos confrontados n\u00e3o apenas com nossa pr\u00f3pria realidade nacional visceral, mas com a realidade de outros que foram deslocados e destitu\u00eddos \u2013 o estigma profundo que permanece e a natureza confusa de identidade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"948\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-10_Bold-Writing-Copybook-Front.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2003\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-10_Bold-Writing-Copybook-Front.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-10_Bold-Writing-Copybook-Front-300x237.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-10_Bold-Writing-Copybook-Front-1024x809.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-10_Bold-Writing-Copybook-Front-768x607.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption>Capa do Caderno de Caligrafia Vere Foster.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"734\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-11_-123-images-from-the-book.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2005\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-11_-123-images-from-the-book.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-11_-123-images-from-the-book-300x184.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-11_-123-images-from-the-book-1024x626.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig-11_-123-images-from-the-book-768x470.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption>Caderno de Caligrafia Vere Foster.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Bold_Writing_Excerpt\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/189942204?dnt=1&amp;app_id=122963\" width=\"500\" height=\"281\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write; encrypted-media\"><\/iframe>\n<\/div><figcaption>Bernie Masterson, <em>Bold Writing<\/em>, 2016<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><em><strong>Helen:<\/strong><\/em> Voc\u00ea construiu uma confian\u00e7a extraordin\u00e1ria entre voc\u00ea e os homens com quem trabalha. O fato de eles estarem dispostos a compartilhar suas hist\u00f3rias \u00e9 uma prova dessa confian\u00e7a \u2013 uma ess\u00eancia da humanidade que as pr\u00e1ticas de arte socialmente engajadas podem possibilitar. O que levou voc\u00ea \u00e0 arte?<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Bernie:<\/strong><\/em> Quando eu era uma jovem estudante do primeiro ano no Convento Marista em Carrick, Shannon, ouvi um professor visitante, Professor Richard David Ingalls (1932-2016), da Universidade de Spokane, em Washington, falar sobre \u201co papel do artista na sociedade\u201d. Fiquei imediatamente impressionada com o poder daquela declara\u00e7\u00e3o e escutei com aten\u00e7\u00e3o! O poder da imagem visual da popularidade da televis\u00e3o e publicidade ao cinema teve um grande impacto quando eu tinha 13 anos.&nbsp; As imagens visuais eram outra linguagem, outra forma de se conectar com as pessoas, outra forma de dizer algo sem precisar falar. Em termos de educa\u00e7\u00e3o prisional, isso a torna extremamente importante como meio de conex\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o com os alunos sem a necessidade de usar palavras. Na aula de arte na pris\u00e3o, as hist\u00f3rias visuais v\u00eam primeiro, depois v\u00eam as palavras&#8230; \u00e9 mais f\u00e1cil assim para a maioria dos alunos, e por meio dessa experi\u00eancia e compartilhamento vem a confian\u00e7a. Eu gosto de citar a escritora e ativista bell hooks nesse aspecto:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Como uma comunidade de sala de aula, nossa capacidade de gerar entusiasmo \u00e9 profundamente afetada pelo nosso interesse uns pelos outros, em ouvir as vozes uns dos outros, em reconhecer a presen\u00e7a uns dos outros.<sup>9<\/sup><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong><em>Helen<\/em>:<\/strong> bell hooks tamb\u00e9m fala sobre a import\u00e2ncia do amor e do amor-pr\u00f3prio quando se est\u00e1 trabalhando como professora. E voc\u00ea? Imagino que todo esse processo deva ter sido intenso para voc\u00ea. O que voc\u00ea faz para se nutrir, para se cuidar?<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Bernie:<\/strong><\/em> Eu mergulho no meu pr\u00f3prio trabalho. Eu caminho, pinto e encontro conforto na paisagem.&nbsp; Gosto da vista aberta e, em especial, aprecio uma paisagem horizontal.&nbsp; As janelas da pris\u00e3o s\u00e3o faixas verticais (projetadas para oprimir), e acho isso muito desconcertante.&nbsp; Levei muito tempo para me acostumar com isso e, ent\u00e3o, eu fa\u00e7o caminhadas saud\u00e1veis e aprecio grandes vistas panor\u00e2micas. Tamb\u00e9m tenho a sorte de ter meu pr\u00f3prio ateli\u00ea e poder continuar desenvolvendo minha pr\u00e1tica e metodologias no meu pr\u00f3prio tempo. Meu ateli\u00ea \u00e9 meu santu\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"791\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig_12_Flood-Fields_Co.-Clare_Ireland.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2007\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig_12_Flood-Fields_Co.-Clare_Ireland.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig_12_Flood-Fields_Co.-Clare_Ireland-300x198.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig_12_Flood-Fields_Co.-Clare_Ireland-1024x675.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Bernie-Fig_12_Flood-Fields_Co.-Clare_Ireland-768x506.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption>Bernie Masterson, <em>Flood Fields <\/em>(Condado de Clare, Irlanda), 2014, \u00f3leo sobre cart\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Recursos sobre educa\u00e7\u00e3o em direitos humanos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.thersa.org\/discover\/publications-and-articles\/rsa-blogs\/2019\/03\/the-role-of-the-arts-in-promoting-a-culture-of-human-rights\">https:\/\/www.thersa.org\/discover\/publications-and-articles\/rsa-blogs\/2019\/03\/the-role-of-the-arts-in-promoting-a-culture-of-human-rights<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/abs\/10.1177\/1749975513494879?journalCode=cusa\">https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/abs\/10.1177\/1749975513494879?journalCode=cusa<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.thersa.org\/discover\/publications-and-articles\/rsa-blogs\/2019\/03\/the-role-of-the-arts-in-promoting-a-culture-of-human-rights\">O papel das artes na promo\u00e7\u00e3o de uma cultura de direitos humanos &#8211; RSA<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">***<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Bernie Masterson <\/em><\/strong><br>Nasceu em Ballymoney, Condado de Antrim, Irlanda do Norte. Mora e trabalha em Dublin. Ela concluiu com distin\u00e7\u00e3o o Mestrado de Belas Artes (MFA) na Faculdade Nacional de Arte e Design (NCAD). Tem uma vasta experi\u00eancia com servi\u00e7os educacionais para pris\u00f5es na Irlanda como professora e artista. Recebeu o Pr\u00eamio Janet Mullarney 2020 inaugural por seu trabalho em v\u00eddeo <em>Flight<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Helen O\u2019Donoghue<\/em><\/strong> <br>Curadora S\u00eanior, Chefe de Engajamento e Aprendizagem no Museu Irland\u00eas de Arte Moderna desde 1991. Recebeu recentemente uma Bolsa Fulbright e passou tr\u00eas meses no MoMA. Artista Pl\u00e1stica de forma\u00e7\u00e3o, ela est\u00e1 comprometida com pr\u00e1ticas socialmente engajadas e pedagogia cr\u00edtica que embasam seu trabalho curatorial e de escrita.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><sup>1<\/sup> Ver GIROUX, Henry A.; MCCLAREN, Peter (Orgs.) (1994) <em>Between Borders, Pedagogy and the Politics of Cultural Studies<\/em> (Nova York, Londres Routledge, 1994) e GIROUX, Henry A. \u201cTravelling Pedagogies -interview with Lech Witkowski\u201d. In: GIROUX, Henry A. (Org.). <em>Disturbing Pleasures<\/em>: <em>Learning Popular Culture<\/em> (Nova York, Routledge, 1994) pp. 153-171.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>2<\/sup> STEVENSON, Nick. \u201cHuman(e) Rights and the Cosmopolitan Imagination: Questions of Human Dignity and Cultural Identity\u201d. <em>SAGE Journals. <\/em>Vol. 8. Ed. 2, p. 193.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>3<\/sup> Ibid, p.182.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>4<\/sup> IRWIN, Robert. <em>The Museum of Modern Art, MoMA Highlights<\/em> (Nova York: MoMA, revisado em 2004, publicado originalmente em 1999) p. 269.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>5<\/sup> FREIRE, Paulo. <em>Pedagogy of the Oppressed<\/em> (? Cidade: Bloomsbury Academy, 1970) p. 126.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>6<\/sup> ARENDT, Hannah. <em>The Human Condition<\/em>. Chicago: University of Chicago Press, 1958.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>7 <\/sup>MEEHAN, Paula. \u201cI Believe that Two Lines of Poetry Can Save a Life\u201d. In: <em>Irish Independent. <\/em>6 mai. 2018.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>8<\/sup> WINNICOTT, Donald W. . <em>The Maturational Processes and the Facilitating Environment, Studies in the theories of emotional development<\/em>. (Madison, CY; International Universities Press, 1963) p.142.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>9<\/sup> hooks, bell. <em>Teaching to Transgress<\/em>&nbsp; (Londres e Nova York, Routledge, 1994) p.8.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atr\u00e1s dos muros da pris\u00e3o: Uma entrevista com Bernie Masterson Na d\u00e9cada de 1980, ouvi falar de uma professora de arte extraordin\u00e1ria que trabalhava no servi\u00e7o prisional. 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