{"id":1793,"date":"2021-03-18T18:52:37","date_gmt":"2021-03-18T21:52:37","guid":{"rendered":"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/?post_type=portfolio&#038;p=1793"},"modified":"2021-04-08T21:41:39","modified_gmt":"2021-04-09T00:41:39","slug":"cristiana-seixas","status":"publish","type":"portfolio","link":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/portfolio\/cristiana-seixas\/","title":{"rendered":"A po\u00e9tica do resgate"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"800\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-1-capa-Cris-foto-M.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1795\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-1-capa-Cris-foto-M.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-1-capa-Cris-foto-M-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-1-capa-Cris-foto-M-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-1-capa-Cris-foto-M-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption>Rancho Verde. Foto: M. Ign\u00eas Albuquerque.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2>A po\u00e9tica do resgate<\/h2>\n\n\n\n<h4>Cristiana Seixas\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/h4>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u00c9 no \u00ednfimo que eu vejo a exuber\u00e2ncia.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Manoel de Barros<sup>1<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 um campo profundo e plural do inconsciente coletivo alcan\u00e7ado apenas por alguns seres, como poetas, crian\u00e7as, loucos, vision\u00e1rios, artistas, dentre outros raros. Nesse espa\u00e7o, o que ocorre \u00e9 a invers\u00e3o: o visitante n\u00e3o captura, \u00e9 capturado, \u00e9 tocado por dimens\u00f5es outras. O acesso a essa fonte misteriosa transborda as fronteiras pessoais e parece conectar leis maiores, c\u00f3smicas. Nesse campo s\u00e3o vivificadas mem\u00f3rias ancestrais, valores essenciais para sustenta\u00e7\u00e3o dos elos sagrados. Encontro na literatura resson\u00e2ncias do fen\u00f4meno. Sophia de Mello Breyner Andresen<sup>2<\/sup>, por exemplo, escreve:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cEscuto\u201d<br>Escuto mas n\u00e3o sei<br>Se o que ou\u00e7o \u00e9 sil\u00eancio ou deus<br>Escuto sem saber se estou ouvindo<br>O ressoar das plan\u00edcies do vazio<br>Ou a consci\u00eancia atenta<br>Que nos confins do universo<br>Me decifra e fita<br>Apenas sei que caminho como quem<br>\u00c9 olhado amado e conhecido<br>E por isso em cada gesto ponho<br>Solenidade e risco<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-2-Cris-foto-M.-Ignes-Albuquerque.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1797\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-2-Cris-foto-M.-Ignes-Albuquerque.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-2-Cris-foto-M.-Ignes-Albuquerque-300x169.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-2-Cris-foto-M.-Ignes-Albuquerque-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-2-Cris-foto-M.-Ignes-Albuquerque-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption>Foto: M. Ign\u00eas Albuquerque.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00c9 a consci\u00eancia que, nos confins do universo, a observa. Ela sabe que precisa estar atenta e dispon\u00edvel para suspeitar as for\u00e7as que nos rodeiam. Sophia revela que \u00e9 dif\u00edcil, talvez imposs\u00edvel, distinguir se o poema \u00e9 feito por ela, em zonas son\u00e2mbulas de si, ou se ela \u00e9 apenas instrumento para que o ele se manifeste. A escritora intui a condi\u00e7\u00e3o de acesso: \u201cSei que o nascer do poema s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel a partir daquela forma de ser, estar e viver que me torna sens\u00edvel \u2013 como uma pel\u00edcula ou um filme \u2013 ao ser e ao aparecer das coisas\u201d.<sup>3<\/sup>&nbsp; A arte \u00e9 c\u00edrculo tra\u00e7ado em volta de algo que, com a amplifica\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o ou com a transgress\u00e3o do olhar, se reinventa.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, outro exemplo \u00e9 o artista pl\u00e1stico Vidi Descaves, autor de <em>Tastequiet<\/em><sup>4<\/sup>, livro com 366 ilustra\u00e7\u00f5es, criadas diariamente no per\u00edodo de um ano. No decorrer do trabalho, sentiu necessidade de ficar mais atento ao entorno para produzir narrativas imag\u00e9ticas interessantes. Ele relata, ao falar do processo de cria\u00e7\u00e3o, que constatou ser pequeno fragmento de um todo. Percebeu que todos precisamos ser humildes e escutar mais, pois as ideias de uma pessoa n\u00e3o s\u00e3o originais, mas circulam no coletivo. Canais influenciando canais, continuamente.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cAs coisas n\u00e3o querem mais ser vistas por pessoas razo\u00e1veis\u201d afirma Manoel de Barros.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"800\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-3-cris-foto-Priscilla-Grimberg.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1799\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-3-cris-foto-Priscilla-Grimberg.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-3-cris-foto-Priscilla-Grimberg-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-3-cris-foto-Priscilla-Grimberg-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-3-cris-foto-Priscilla-Grimberg-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption>Foto: M. Ign\u00eas Albuquerque.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A cada vez que visito a Casa Museu Rancho Verde, desde o primeiro encontro, fico em estado de alumbramento e confesso que as palavras s\u00e3o insuficientes para abordar emo\u00e7\u00f5es e sentidos alcan\u00e7ados. \u00c9 um relic\u00e1rio do inconsciente coletivo, espa\u00e7o de acessar mem\u00f3rias afetivas longevas, de observar quantos descartes ao longo daexist\u00eancia (significativos e n\u00e3o), como nossas pr\u00f3prias hist\u00f3rias. O Rancho \u00e9 espa\u00e7o outro, deslocamo-nos da engrenagem moedora de gente do cotidiano e entramos em contato com um homem, que passou por situa\u00e7\u00e3o delicada, sofrido pela morte de sua companheira, pelas dificuldades desde menino, pelo desamparo circundante. Pois esse ser \u00e9 incomum: enxerga preciosidades no meio do lixo. Como genu\u00edno garimpeiro, resgata objetos, devolve-lhes a dignidade e o respeito, recupera-os. Assim, numa esp\u00e9cie de espelhamento, se sente igualmente olhado, escolhido, resgatado, cuidado, transformado, regenerado. Ele n\u00e3o apenas limpa e conserta, mas transv\u00ea sua utilidade: transforma latinhas em canecas, tampa de caixa d\u2019\u00e1gua em guarda-sol, espaldar de cama em porta utens\u00edlios de cozinha, geladeira em arm\u00e1rio, dentre tantas outras veredas de releituras no grande e \u00e1rido sert\u00e3o da realidade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"800\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-4-Cris-foto-M.-Ignes-Albuquerque.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1804\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-4-Cris-foto-M.-Ignes-Albuquerque.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-4-Cris-foto-M.-Ignes-Albuquerque-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-4-Cris-foto-M.-Ignes-Albuquerque-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-4-Cris-foto-M.-Ignes-Albuquerque-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption>Foto: M. Ign\u00eas Albuquerque.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"900\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-5-Cris-foto-M.-Ignes-Albuquerque.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1806\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-5-Cris-foto-M.-Ignes-Albuquerque.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-5-Cris-foto-M.-Ignes-Albuquerque-300x225.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-5-Cris-foto-M.-Ignes-Albuquerque-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-5-Cris-foto-M.-Ignes-Albuquerque-768x576.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-5-Cris-foto-M.-Ignes-Albuquerque-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption>Foto: M. Ign\u00eas Albuquerque.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Herdeiro da oralidade, generosamente partilha sabedorias sublimes: \u201csomos luzes, quando nos encontramos nos iluminamos\u201d. O dia em que conheci a Casa Museu Rancho Verde e pude ouvir o Sr. Hernandes fiquei transbordada de afeto e deslumbramento. Voltei outras vezes, s\u00f3 e acompanhada, em encontros propostos ou simplesmente sem compromisso, para abrir espa\u00e7o para conviver e apreender outra l\u00f3gica de ler e habitar o mundo. Dessa aproxima\u00e7\u00e3o, brotou fio de confian\u00e7a tecido pelas falas dos poetas que, aqui e ali, eu declamava em reverbera\u00e7\u00e3o por suas palavras prof\u00e9ticas e po\u00e9ticas. Sr. Hernandes ent\u00e3o me confiou seus escritos, verdadeiro tesouro, que acolhi como quem recebe pergaminho sagrado e sangrado, nas coragens e desamparos de crian\u00e7a em eterna busca de seus sonhos. Nas leituras e releituras, eram imediatas as correla\u00e7\u00f5es com os versos de Manoel de Barros, o que me impeliu a construir um di\u00e1logo entre os dois. \u201cH\u00e1 hist\u00f3rias reais que mais parecem inventadas\u201d<sup>5<\/sup> escreveu Manoel de Barros. \u00c9 verdade. Essa \u00e9 uma delas e merece ser guardada. \u00c9 o que faz esse projeto, feito de tantos seres e saberes, sens\u00edveis e resistentes, que ainda sustentam a po\u00e9tica de pausar a engrenagem equivocada, descobrir e iluminar o que tem valor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 maneira de \u201cGuardar\u201d, t\u00edtulo de poema de Antonio C\u00edcero<sup>6<\/sup>:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Guardar uma coisa n\u00e3o \u00e9 escond\u00ea-la ou tranc\u00e1-la.<br>Em cofre n\u00e3o se guarda coisa alguma.<br>Em cofre perde-se a coisa \u00e0 vista.<\/p><p>Guardar uma coisa \u00e9 olh\u00e1-la, fit\u00e1-la, mir\u00e1-la por<br>admir\u00e1-la, isto \u00e9, ilumin\u00e1-la ou ser por ela iluminado.<\/p><p>Guardar uma coisa \u00e9 vigi\u00e1-la, isto \u00e9, fazer vig\u00edlia por<br>ela, isto \u00e9, velar por ela, isto \u00e9, estar acordado por ela,<br>isto \u00e9, estar por ela ou ser por ela.<\/p><p>Por isso melhor se guarda o voo de um p\u00e1ssaro<br>Do que um p\u00e1ssaro sem voos.<\/p><p>Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,<br>por isso se declara e declama um poema:<br>Para guard\u00e1-lo:<br>Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:<br>Guarde o que quer que guarda um poema:<br>Por isso o lance do poema:<br>Por guardar-se o que se quer guardar.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A poesia \u00e9 linguagem que mais se aproxima do espa\u00e7o n\u00e3o alcan\u00e7ado pelas palavras, pois \u00e9 do campo do mist\u00e9rio e do inconsciente. \u201cAs coisas que n\u00e3o t\u00eam nome s\u00e3o mais pronunciadas por crian\u00e7as\u201d.<sup>7<\/sup><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"900\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-6-Cris-foto-Henrique-Viviani.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1810\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-6-Cris-foto-Henrique-Viviani.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-6-Cris-foto-Henrique-Viviani-300x225.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-6-Cris-foto-Henrique-Viviani-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-6-Cris-foto-Henrique-Viviani-768x576.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-6-Cris-foto-Henrique-Viviani-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption>Foto: Henrique Viviane.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"900\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-7-Cris-foto-M.-Ignes-Albuquerque.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1812\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-7-Cris-foto-M.-Ignes-Albuquerque.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-7-Cris-foto-M.-Ignes-Albuquerque-300x225.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-7-Cris-foto-M.-Ignes-Albuquerque-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-7-Cris-foto-M.-Ignes-Albuquerque-768x576.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-7-Cris-foto-M.-Ignes-Albuquerque-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption>Foto: Henrique Viviane.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>E \u00e9 Astrid Cabral<sup>8<\/sup> que menciona lucidamente que as crian\u00e7as inventam o mundo e que os poetas ressuscitam a inf\u00e2ncia. Como nomear e traduzir o fen\u00f4meno que faz tantas pessoas orbitarem em torno do Sr. Hernandes, atra\u00eddas por fio invis\u00edvel de encantamentos e possibilidades de recrea\u00e7\u00e3o e recria\u00e7\u00e3o? Visitar a Casa Museu provoca profunda reconfigura\u00e7\u00e3o de valores e possibilidades. Convida a prosear com vagar, com respiro, caf\u00e9 e bolo de fub\u00e1. O\u00e1sis no deserto da indiferen\u00e7a. S\u00e3o resgates de dimens\u00f5es essenciais perdidas.&nbsp; O jogado fora vira material para ser olhado e transmutado. Requer tempo e vasto repert\u00f3rio do imagin\u00e1rio. Assim sendo, al\u00e9m de participar de alguns dos muitos encontros promovidos, para fazer parte do mosaico de experi\u00eancias est\u00e9ticas plurais, desenvolvi a proposta da oficina \u201cA po\u00e9tica do resgate\u201d, atividade provocadora de fios entrela\u00e7ados entre a literatura e as artesanias do cuidado da Casa Museu Rancho Verde. Em quatro horas de dura\u00e7\u00e3o, o convite era percorrer o espa\u00e7o, acessar mem\u00f3rias e hist\u00f3rias e tecer resson\u00e2ncias com trechos da literatura, como por exemplo: Manoel de Barros, Ad\u00e9lia Prado, Lygia Fagundes Teles, Lygia Bojunga, dentre outros. Na sequ\u00eancia, a ideia era realizar a oficina para capturar algum verso ou frase inspiradora e pint\u00e1-la num peda\u00e7o de madeira descartada, renovando-a e utilizando-a como ve\u00edculo para avivar algo essencial. Preparamos todos os detalhes, separamos materiais, imaginamos a beleza da viv\u00eancia, mas, por motivos diversos, a oficina foi adiada muitas vezes e acabou n\u00e3o acontecendo. Ficou viva no avesso, na inten\u00e7\u00e3o e no desejo. Mas, desse preparo, nasceu o di\u00e1logo entre iluminuras de dois poetas: Manoel de Barros e Hernandes Jos\u00e9, que partilho com alegria de crian\u00e7a:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>O lixo me salvou de um trauma.<br>No lixo eu encontrei a terapia que eu precisava.<br>O lixo me transformou<br>e eu transformei o lixo<br>em objetos de admira\u00e7\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Hernandes Jos\u00e9 Silva<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-8-Cris-foto-M.-Ignes-Albuquerque-683x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1814\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-8-Cris-foto-M.-Ignes-Albuquerque-683x1024.jpg 683w, 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terra sem nascerem<br>em sua boca as ra\u00edzes da esc\u00f3ria<br>As coisas sem import\u00e2ncia s\u00e3o bens de poesia.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Manoel de Barros<sup>9<\/sup><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Eu agrade\u00e7o a transforma\u00e7\u00e3o<br>que o lixo fez na minha vida.<br>A minha vida tamb\u00e9m foi reciclada.<br>Da reciclagem foi constru\u00eddo o Rancho Verde.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Hernandes Jos\u00e9 Silva<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"800\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-9-Cris-foto-M.-Ignes-Albuquerque.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1817\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-9-Cris-foto-M.-Ignes-Albuquerque.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-9-Cris-foto-M.-Ignes-Albuquerque-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-9-Cris-foto-M.-Ignes-Albuquerque-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-9-Cris-foto-M.-Ignes-Albuquerque-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption>Foto: M.Ign\u00eas Albuquerque.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Quem atinge o valor do que n\u00e3o presta \u00e9, no m\u00ednimo,<br>um s\u00e1bio ou um poeta.<br>\u00c9 no m\u00ednimo algu\u00e9m que saiba dar cintil\u00e2ncia aos<br>seres apagados.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Manoel de Barros<sup>10<\/sup><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Na magia do infinito,<br>no verde da natureza,<br>um sonho verde<br>no imp\u00e9rio da imagina\u00e7\u00e3o,<br>no mundo da saudade,<br>no lixo que n\u00e3o vale nada.<br>Tudo que \u00e9 velho<br>pode ficar novo.<br>Mas tudo que \u00e9 novo,<br>um dia ser\u00e1 velho.<br>Restaura\u00e7\u00e3o ou imagina\u00e7\u00e3o?<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Hernandes Jos\u00e9 Silva<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"800\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-10-cris-foto-M.-Ignes-albuquerque.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1819\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-10-cris-foto-M.-Ignes-albuquerque.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-10-cris-foto-M.-Ignes-albuquerque-300x200.jpg 300w, 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escrevia.<br>Mas as pessoas queriam<br>conhecer as hist\u00f3rias.<br>Um poema n\u00e3o deixa a luz se apagar.<br>Mant\u00e9m aceso o clar\u00e3o<br>do nosso eterno amor.<br>Tu \u00e9s a flor que renasceu<br>uma luz no meu cora\u00e7\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Hernandes Jos\u00e9 Silva<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Fez-se um sil\u00eancio branco\u2026 E aquele<br>Que n\u00e3o morou nunca em seus pr\u00f3prios abismos<br>Nem andou em promiscuidade com os seus fantasmas<br>N\u00e3o foi marcado. N\u00e3o ser\u00e1 marcado. Nunca ser\u00e1 exposto<br>\u00c0s fraquezas, ao desalento, ao amor, ao poema.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Manoel de Barros<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"800\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-11-Cris-foto-thiago-cortes.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1821\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-11-Cris-foto-thiago-cortes.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-11-Cris-foto-thiago-cortes-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-11-Cris-foto-thiago-cortes-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/imagem-11-Cris-foto-thiago-cortes-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption>Foto: Thiago Cortes.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Sozinho eu n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00e3o de ter sobreviv\u00eancia.<br>A solid\u00e3o me fez adormecer<br>no mais profundo sonho.<br>Hoje sou feliz,<br>mas tenho um cora\u00e7\u00e3o vazio,<br>dentro dele a lembran\u00e7a<br>e a saudade de um amor<br>sem fim.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Hernandes Jos\u00e9 Silva<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Eu sou fraco,<br>mas quem est\u00e1 em mim<br>\u00e9 muito forte.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Hernandes Jos\u00e9 Silva<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">***<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Cristiana Seixas<\/em><\/strong><br>Psic\u00f3loga, mestre em Educa\u00e7\u00e3o, biblioterapeuta, especialista em arteterapia, focalizadora de dan\u00e7as circulares, consteladora familiar sist\u00eamica. Autora do livro <em>Viv\u00eancias em biblioterapia: pr\u00e1ticas do cuidado atrav\u00e9s da literatura<\/em>, atua com linguagens sens\u00edveis para o cuidado sist\u00eamico. Para saber mais, acesse: www.crisseixas.com.br.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><sup>1<\/sup> BARROS, Manoel de. <em>Livro sobre nada<\/em>. In Biblioteca Manoel de Barros [cole\u00e7\u00e3o]. S\u00e3o Paulo: LeYa, 2013, p. 36.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>2<\/sup> ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner. <em>Obra po\u00e9tica<\/em>. Rio de Janeiro: Tinta-da-china Brasil, 2018, p. 520.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>3<\/sup> Ibid, p. 901.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><sup>4<\/sup> DESCAVES, V. <em>Tastequiet<\/em><strong>.<\/strong> Rio de Janeiro: 2013.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><sup>5<\/sup> BARROS, Manoel de. <em>Poesia completa<\/em>. S\u00e3o Paulo: LeYa, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>6<\/sup> C\u00cdCERO, Antonio. <em>Poemas escolhidos<\/em>. Rio de Janeiro: Editora Record, 1996, p. 337.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>7<\/sup> BARROS, Manoel de. <em>Livro sobre nada<\/em>. In Biblioteca Manoel de Barros [cole\u00e7\u00e3o]. S\u00e3o Paulo: LeYa, 2013, p. 10.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>8<\/sup> CABRAL, Astrid<em>. Trasanteontem<\/em>. Rio de Janeiro: Editora Kd, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>9<\/sup> BARROS, Manoel de. <em>Poesia completa<\/em>. S\u00e3o Paulo: LeYa, 2010, p. 147-148.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>10<\/sup> Ibid, p. 387. <\/p>\n\n\n\n<p><sup>11<\/sup> BARROS, Manoel de<em>. Livro sobre nada<\/em>. In Biblioteca Manoel de Barros [cole\u00e7\u00e3o]. S\u00e3o Paulo: LeYa, 2013, p. 51.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A po\u00e9tica do resgate Cristiana Seixas\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 no \u00ednfimo que eu vejo a exuber\u00e2ncia. 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