{"id":1374,"date":"2021-03-30T10:54:09","date_gmt":"2021-03-30T13:54:09","guid":{"rendered":"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/?post_type=portfolio&#038;p=1374"},"modified":"2021-04-12T12:48:02","modified_gmt":"2021-04-12T15:48:02","slug":"anita-sobar-kenia-maia","status":"publish","type":"portfolio","link":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/portfolio\/anita-sobar-kenia-maia\/","title":{"rendered":"O devir clandestino"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Capa-Anita.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"676\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Capa-Anita.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1375\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Capa-Anita.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Capa-Anita-300x169.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Capa-Anita-1024x577.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Capa-Anita-768x433.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption>Anita Sobar, Lambe &#8211; lambe na rua Moncorvo Filho &#8211; Centro, Rio de Janeiro, 2010. Foto: Anita Sobar.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2>O devir clandestino &lt;entre aproxima\u00e7\u00f5es e desvios&gt;<\/h2>\n\n\n\n<h4>Anita Sobar em colabora\u00e7\u00e3o com Kenia Maia<\/h4>\n\n\n\n<h3>Ponto de inflex\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p>O sil\u00eancio pode ser vivenciado como esquecimento. Como o silenciamento pode ser assimilado pelo esquecimento? No ponto em que o silenciamento produz esquecimento. Esta escrita afirma a dimens\u00e3o colaborativa da arte para transformar o segredo em mem\u00f3ria coletiva. Kenia Maia \u00e9 professora, psic\u00f3loga, ativista e amiga e \u00e9 a partir do nosso encontro no Coletivo Filhos e Netos<sup>1<\/sup> \u2013 um movimento social aut\u00f4nomo, suprapartid\u00e1rio, de Direitos Humanos, seguindo os rastros da viol\u00eancia cometida pela ditadura civil-militar \u2013 que o trabalho art\u00edstico apresentado nesse estudo de caso, abre-se para uma outra camada. Busca-se enunciar um pouco de como a transfer\u00eancia da dor emocional, f\u00edsica e social sofrida por familiares \u00e9 transmitida a novas gera\u00e7\u00f5es, para al\u00e9m de um simples comportamento aprendido.<\/p>\n\n\n\n<p>O efeito transgeracional da viol\u00eancia ecoa escondido, \u00e9 de dif\u00edcil produ\u00e7\u00e3o de sentido, por se tratar de uma mem\u00f3ria fragmentada, soterrada, acometida pelo silenciamento e esquecimento. Compreende-se a\u00ed a efici\u00eancia da opress\u00e3o nos estados de exce\u00e7\u00e3o. \u00c9 na constru\u00e7\u00e3o dessa escrita, que \u00e9 tamb\u00e9m percebida como multid\u00e3o, que se apreende a si a partir da presen\u00e7a do outro, para romper com as limita\u00e7\u00f5es e criar novas narrativas. Escrever foi uma dan\u00e7a de suportar\/com, resgatar mem\u00f3rias, sentir\/com e nos encontramos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-large\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-1-Anita.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"701\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-1-Anita-701x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1377\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-1-Anita-701x1024.jpg 701w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-1-Anita-205x300.jpg 205w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-1-Anita-768x1123.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-1-Anita-1051x1536.jpg 1051w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-1-Anita.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 701px) 100vw, 701px\" \/><\/a><figcaption>Anita Sobar, Ficha Criminal, MG &#8211; 1969\/2016.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Pouco antes de finalizarmos uma de nossas conversas, via whatsapp, Kenia encaminha a imagem de um cart\u00e3o\/ficha achado na arruma\u00e7\u00e3o de sua mudan\u00e7a. O cart\u00e3o, depois de anos, carregava o peso da lembran\u00e7a de uma de suas incessantes buscas pela hist\u00f3ria do per\u00edodo em que seu pai esteve preso. O acesso \u00e0 poss\u00edvel documenta\u00e7\u00e3o, no Arquivo Nacional do Rio do Janeiro, era a partir da vista do cart\u00e3o. O assunto de que buscava tratar, a pesquisa probat\u00f3ria, n\u00e3o se deu na ocasi\u00e3o. Restou guardar o &#8216;cart\u00e3o de acesso&#8217; como prova do impedimento aos documentos da pris\u00e3o pol\u00edtica do seu pai.<\/p>\n\n\n\n<p>Qual a rela\u00e7\u00e3o entre o sil\u00eancio e o esquecimento? O sil\u00eancio produz esquecimento atrav\u00e9s de processos de deixar sumir, desaparecer, de tornar irrelevante. O Estado tem essa expertise, de construir engrenagens de produ\u00e7\u00e3o do esquecimento, principalmente atrav\u00e9s da burocracia. Ao burocratizar a dor da viol\u00eancia, o Estado dilui a urg\u00eancia dos fatos em um fluxo cont\u00ednuo e lento de pap\u00e9is e formul\u00e1rios, de protocolos, que caminham entre reparti\u00e7\u00f5es e portarias, entre n\u00fameros e pastas intermin\u00e1veis. Esse aparelhamento do Estado nos silencia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-large\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-2-Anita.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"741\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-2-Anita-741x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1379\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-2-Anita-741x1024.jpg 741w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-2-Anita-217x300.jpg 217w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-2-Anita-768x1062.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-2-Anita.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 741px) 100vw, 741px\" \/><\/a><figcaption>Kenia Maia, Ficha\/cart\u00e3o &#8211; Arquivo Nacional, RJ.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Entendemos, nesse ponto, que este texto foi escrito em colabora\u00e7\u00e3o, um ajuntamento de ambas filhas. Quando, no texto, surge refer\u00eancia ao \u201cpai\u201d, est\u00e1 sendo contada a hist\u00f3ria do pai de Anita, por\u00e9m todos os filhos est\u00e3o inclu\u00eddos nela, inclusive o pai de Kenia.<\/p>\n\n\n\n<h3>Entre aproxima\u00e7\u00f5es e desvios<\/h3>\n\n\n\n<p>Este trabalho &lt;entre aproximac\u0327\u00f5es e desvios&gt; consiste em uma se\u0301rie de reflex\u00f5es a partir de ac\u0327\u00f5es est\u00e9tico-pol\u00edticas, realizadas nos centros e periferias urbanas das cidades do Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo e Belo Horizonte. Em um sentido amplo, se trata da cria\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o de dispositivos para produzir e compartilhar formas de envolvimentos coletivos, de estar juntos ou separados, fora ou dentro, face ou meio. Maneiras de reconfigurar um determinado espac\u0327o ou um determinado tempo para provocar experi\u00eancias de partilha do sensi\u0301vel. Abordando quest\u00f5es relacionadas a lugar, habitac\u0327\u00e3o e construc\u0327\u00e3o, que tambe\u0301m dizem respeito a trabalho e distribuic\u0327\u00e3o do espac\u0327o social, essa escrita \u00e9 uma cartografia do artista clandestino. Ela conta o processo que se encontra com o espa\u00e7o social, emocional, transgeracional, com a viol\u00eancia de Estado e as formas divergentes e desobedientes de produ\u00e7\u00e3o da arte.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-3-Anita-.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1370\" height=\"813\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-3-Anita-.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1381\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-3-Anita-.jpg 1370w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-3-Anita--300x178.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-3-Anita--1024x608.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-3-Anita--768x456.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1370px) 100vw, 1370px\" \/><\/a><figcaption>Anita Sobar, Lambe- lambe na rua do Riachuelo &#8211; Centro, Rio de Janeiro, 2010. Foto: Anita Sobar.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Entende-se por clandestinidade \u201ca ousadia de ser outro e ele mesmo\u201d<sup>2<\/sup>, um perder-se de si, para no coletivo voltar a existir. O clandestino, quando em encruzilhadas, escolhe se despir de si e deixa para tr\u00e1s seus afetos, objetos, mem\u00f3rias, que pode nunca reencontrar. Essa perda \u00e9 parte da escolha pela vida, n\u00e3o s\u00f3 sua, mas da possibilidade do bem comum. H\u00e1 uma singularidade da experi\u00eancia clandestina, como o nomadismo, a pouca bagagem, poucos objetos. Nada que pese e que n\u00e3o possa ser deixado pra tr\u00e1s. Um avesso aos ac\u00famulos, dedica-se ao mundo sem fronteiras, onde a nacionalidade se perde. Pode ser uma experi\u00eancia apenas, mas que marca um modo de ser e agir profundos, produzindo perman\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-4-Anita.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"960\" height=\"639\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-4-Anita.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1383\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-4-Anita.jpg 960w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-4-Anita-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-4-Anita-768x511.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><figcaption>Anita Sobar, festival ativista &#8216;Festival&#8217;, Rio de Janeiro, 2017. Foto: M\u00eddia Ninja.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-5-Anita.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"960\" height=\"639\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-5-Anita.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1385\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-5-Anita.jpg 960w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-5-Anita-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-5-Anita-768x511.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><figcaption>Anita Sobar, festival ativista &#8216;Festival&#8217;, Rio de Janeiro, 2017. Foto: M\u00eddia Ninja.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-6-Anita.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"960\" height=\"639\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-6-Anita.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1387\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-6-Anita.jpg 960w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-6-Anita-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-6-Anita-768x511.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><figcaption>Anita Sobar, festival ativista &#8216;Festival&#8217;, Rio de Janeiro, 2017. Foto: M\u00eddia Ninja.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-7-Anita.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"960\" height=\"639\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-7-Anita.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1389\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-7-Anita.jpg 960w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-7-Anita-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-7-Anita-768x511.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><figcaption>Anita Sobar, festival ativista &#8216;Festival&#8217;, Rio de Janeiro, 2017. Foto: M\u00eddia Ninja.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Entre investiga\u00e7\u00e3o e atua\u00e7\u00e3o, a clandestinidade do artista, aqui, produz a\u00e7\u00f5es na urg\u00eancia das manifesta\u00e7\u00f5es do tempo presente, a partir de uma lo\u0301gica pro\u0301pria, produzindo subjetividades, que so\u0301 a experi\u00eancia clandestina possibilita, criando m\u00faltiplas marcas. Concebidas numa trama de relac\u0327o\u0303es com o \u201coutro\u201d, o outro no sentido mais amplo, desde as outras pessoas com quem convive ate\u0301 o ambiente em que interv\u00eam o cotidiano, as mudanc\u0327as, as escolhas, prefere\u0302ncias, as memo\u0301rias produzidas. Ao relacionar percursos, que passam entre os lugares da memo\u0301ria e do arquivo, procura-se movimentar o exerc\u00edcio de contar algo, criando dina\u0302micas diversas entre imagem e escrita, onde o testemunho tornou-se pec\u0327a fundamental para a composi\u00e7\u00e3o dessa pr\u00e1tica. Essa iniciativa, que retorna a um passado presente, se comunica com uma mem\u00f3ria social e familiar, trazendo para uma cartografia de si a experi\u00eancia errante do artista em dissenso. O fazer art\u00edstico, que ser\u00e1 contado neste trabalho, \u00e9 atravessado por efeitos transgeracionais de viol\u00eancia de Estado, pela coletividade, por atos de resist\u00eancia e de vetores de for\u00e7as transeuntes e de transi\u00e7\u00e3o. Uma hist\u00f3ria ainda desaparecida em muitos aspectos \u00e9 contada em arte\/interven\u00e7\u00e3o e pelos modos clandestinos da subjetividade ativista.<\/p>\n\n\n\n<p>Este trabalho tem como ponto de partida um processo escavato\u0301rio. Escavando e recordando as camadas que apenas a explora\u00e7\u00e3o mais cuidadosa entrega aquilo que recompensa a escava\u00e7\u00e3o, informando tamb\u00e9m as camadas atravessadas e n\u00e3o s\u00f3 indicando a camada onde se originou o achado, fazendo assim o invent\u00e1rio dos achados. Envolvendo a memo\u0301ria como forma de conhecimento, atrave\u0301s da sistematizac\u0327a\u0303o de suas formas de registro, armazenamento e controle. O ato de escavar propo\u0303e uma ac\u0327a\u0303o de abertura de uma cavidade em determinada superfi\u0301cie, criando buracos e aberturas para descobertas. Nas fendas da superf\u00edcie revirada surge o questionamento sobre os limites simbo\u0301licos de pu\u0301blico e privado. Nesse lugar desenvolvem-se dina\u0302micas, gerando tenso\u0303es entre o tempo presente e as ressona\u0302ncias da memo\u0301ria, que cruzam diferentes temporalidades histo\u0301ricas e suas narrativas, atrave\u0301s de agenciamentos diversos.<\/p>\n\n\n\n<p>A erra\u0302ncia e a dispersa\u0303o fazem parte da cena que se pretende narrar. Certos lugares, acontecimentos, fazem surgir o sentimento de ang\u00fastia e euforia, que ocorrem quando h\u00e1 comprometimento com o risco.<\/p>\n\n\n\n<h3>Ponto de partida \u2013 O devir clandestino<\/h3>\n\n\n\n<p>Todo comec\u0327o e\u0301 um regresso, uma ac\u0327\u00e3o de retorno, de recuperac\u0327\u00e3o. Uma volta aos silenciados de um passado que, por sua vez, n\u00e3o cessa de se reconfigurar. Todo come\u00e7o e\u0301 um gesto tenso para uma desmesura do sentido. Em contraponto, trata-se de elaborar um gesto de <em>recuperar<\/em>, com aten\u00e7\u00e3o e cuidado, as estranhas ressurg\u00eancias, lacunares e hesitantes, do passado no presente, quando elas surgem como um clar\u00e3o num momento de perigo \u2013 assim \u00e9 a pr\u00e1tica art\u00edstica clandestina.<\/p>\n\n\n\n<p>A arte \u00e9 pol\u00edtica, quando n\u00e3o pode ser explicada em termos de efic\u00e1cia institucional ou das estruturas do pragmatismo ideol\u00f3gico. Ela ultrapassa as conven\u00e7\u00f5es, estabelece o nexo entre as formas de a\u00e7\u00f5es coletivas e a possibilidade da transforma\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de poder. Mais se aproxima das inven\u00e7\u00f5es cotidianas \u2013 artes de fazer \u2013 do que das estruturas organizativas e precedentes da velha pol\u00edtica em estrito senso. Associada a quest\u00f5es sociais (com frequ\u00eancia por elas inspirada), as quais incluem a participac\u0327\u00e3o colaborativa de grupos, de p\u00fablico para a conceitualiza\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o do trabalho. Trata-se de uma forma de penetrar a organizac\u0327\u00e3o sociopol\u00edtica da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>A dupla reflex\u00e3o que se joga ao artista como responsabilidade de lidar tanto com pol\u00edticas da arte como com arte pol\u00edtica, \u00e9 apresentada por Ranci\u00e8re: \u201cA arte n\u00e3o produz conhecimentos ou representac\u0327\u00f5es para a poli\u0301tica. Ela produz ficc\u0327\u00f5es ou dissensos, agenciamentos de relac\u0327\u00f5es de regimes heterog\u00eaneos do sensi\u0301vel\u201d.<sup>3<\/sup> Segundo ele, o trabalhador deve tambe\u0301m \u201csair de si\u201d<sup>4 <\/sup>para poder ver sensivelmente sua posic\u0327\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No regime est\u00e9tico das artes, conforme o autor, arte e pol\u00edtica encontram-se fundidas pela dina\u0302mica do dissenso, embaralhando e redistribuindo o \u201csenso\u0301rio partilhado\u201d.<sup>5<\/sup> Por sua vez, em Agamben,<sup>6<\/sup> arte e poli\u0301tica <em>seriam<\/em> inerentemente poli\u0301ticas, enquanto atividades humanas afetadas pela abertura de pot\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Como por exemplo, Nove de Tarnac, um grupo franc\u00eas de nove supostos sabotadores anarquistas: Mathieu Burnel, Julien Coupat , Bertrand Deveaux, Manon Glibert, Gabrielle Hallez, Elsa Hauck, Yildune Le\u0301vy, Benjamin Rosoux e Aria Thomas. Em 2008, o grupo foi acusado de \u201cassociac\u0327\u00e3o criminosa para fins de atividade terrorista\u201d, sob alega\u00e7\u00e3o de que eles teriam participado da sabotagem de linhas ele\u0301tricas ae\u0301reas nas ferrovias nacionais da Franc\u0327a. Em 12 de abril de 2018, apo\u0301s um longo e complexo processo judicial, o grupo foi absolvido das acusa\u00e7\u00f5es mais graves contra eles, incluindo sabotagem e conspirac\u0327\u00e3o, com alguns membros sendo condenados por acusac\u0327\u00f5es menores. Esse \u00e9 mais um evento em que as a\u00e7\u00f5es art\u00edsticas pol\u00edticas e clandestinas ainda s\u00e3o perseguidas e criminalizadas pelo Estado. O terrorismo, que esta arte apresenta \u00e9 a amea\u00e7a aos modos hegem\u00f4nicos que o Estado propaga e torna oficiais. A arte clandestina, terrorista e disruptiva aterroriza os discursos oficiais, por isso \u00e9 criminalizada e encarcerada.<\/p>\n\n\n\n<p>A intervenc\u0327\u00e3o arti\u0301stica lanc\u0327a m\u00e3o de meios t\u00e3o simples quanto prec\u00e1rios. Os cartazes de lambe-lambe, desenhos, fotografias, cartas, bilhetes e documentos s\u00e3o objetos em desuso impregnados de memo\u0301rias. A combina\u00e7\u00e3o desses objetos em contato com o p\u00fablico, cria um laborato\u0301rio urbano, envolvendo audi\u00eancias diversas na realizac\u0327\u00e3o de um projeto de arte. Este movimento \u00e9 detonador de processos cri\u0301ticos, que podem produzir esferas p\u00fablicas de discurso.<\/p>\n\n\n\n<p>Hanna Arendt<sup>7<\/sup> prop\u00f5e que o termo p\u00fablico adv\u00e9m de dois fen\u00f4menos intimamente correlatos: o que vem a p\u00fablico pode ser visto e ouvido por todos assim constituindo a realidade. As maiores for\u00e7as da vida \u00edntima \u2013 dos pensamentos da mente aos deleites dos sentidos \u2013 vivem uma esp\u00e9cie de exist\u00eancia obscura, at\u00e9 que sejam desprivatizadas, desindividualizadas, ate\u0301 se tornarem adequadas \u00e0 aparic\u0327\u00e3o p\u00fablica. A mais comum dessas transformac\u0327\u00f5es, ocorre na transposic\u0327\u00e3o arti\u0301stica de experi\u00eancias individuais.<\/p>\n\n\n\n<p>O conceito de dobra de Gilles Deleuze remete a esse aspecto coexistencial do dentro e do fora, bem como uma configurac\u0327\u00e3o entre os fluxos e as formas que tramam determinados planos histo\u0301ricos, pertencentes a\u0300 ordem do acontecimento. Tais considerac\u0327\u00f5es nos incitam a observar alguns desvios, que escapam aos contornos fixos, como o conceito de n\u00f4made.<sup>8<\/sup> O pensamento n\u00f4made considera o acontecimento como algo que provoca surpresa e produz a desacomodac\u0327\u00e3o, ou seja, se constitui na mobilidade do pro\u0301prio pensamento, como protesto.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Deleuze e Guattari<sup>9 <\/sup>o territ\u00f3rio \u00e9 composto por vetores lisos e estriados, em que, numa rela\u00e7\u00e3o de coengendramento, ocorre uma tradu\u00e7\u00e3o do liso em modos estriados. O liso \u00e9 uma dimens\u00e3o imanente dos modos de produ\u00e7\u00e3o de subjetividade no espa\u00e7o e o estriamento desses modos d\u00e3o forma, revelam e configuram esses vetores. Tal como os mapas das grandes navega\u00e7\u00f5es, no per\u00edodo moderno e colonialista, o estriamento das imensid\u00f5es atl\u00e2nticas foi o que possibilitou o manejo desse espa\u00e7o liso, que fez chegar aos novos continentes, a explor\u00e1-los e domin\u00e1-los. O estriamento \u00e9 um modo de dom\u00ednio, por\u00e9m ele \u00e9 constitutivo dos espa\u00e7os, assim como a lisura.<\/p>\n\n\n\n<p>Os autores ainda apresentam a din\u00e2mica de tecelagem dos territ\u00f3rios capital\u00edsticos, onde as linhas que comp\u00f5em os tecidos s\u00e3o limitadas e definidas em dimens\u00f5es pr\u00e9-estabelecidas de largura e comprimento. Na processualidade tecel\u00e3 h\u00e1 sempre a produ\u00e7\u00e3o dos avessos. Isto \u00e9, indissociado do direito, escondido e oculto, abriga a clandestinidade, aquece suas superf\u00edcies e a protege. O estriamento \u00e9 o lado direito da hist\u00f3ria, que organiza a lisura das subjetiva\u00e7\u00f5es e oculta os modos clandestinos de ser e agir, produzidos tamb\u00e9m pelas engrenagens violentas da m\u00e1quina tecel\u00e3 do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>O Estado produz clandestinidade em dois aspectos: quando persegue e criminaliza os modos de express\u00e3o divergentes e que denunciam sua face dura, fascista e desigual, e quando esconde seus \u201caparelhos\u201d de morte e tortura. O Estado tamb\u00e9m se utiliza da clandestinidade, s\u00f3 que para esconder a sua viol\u00eancia atrav\u00e9s da hist\u00f3ria oficial, um modo de n\u00e3o revelar.<\/p>\n\n\n\n<h3>Para al\u00e9m do ponto final \u2013 Os efeitos transgeracionais<\/h3>\n\n\n\n<p>A condi\u00e7\u00e3o de filha de ex-preso pol\u00edtico pela ditadura civil militar brasileira (1964-1985) permite carregar uma hist\u00f3ria de quatro anos de encarceramento, no extinto pres\u00eddio de Linhares, em Juiz de Fora, Minas Gerais. A primeira vez que o militante da Corrente Revolucion\u00e1ria pisou na pris\u00e3o mineira foi no fim do ano de 1969, quando tinha apenas vinte anos. No ano de 1973, ao sair, seu rosto n\u00e3o lembrava mais o jovem, de codinome &#8220;Play&#8221;. Era um homem barbudo e marcado pelo per\u00edodo da reclus\u00e3o. Muitas vezes, o que se pode viver enquanto filha \u00e9 ativar um processo escavat\u00f3rio, de uma experi\u00eancia traum\u00e1tica e dolorosa, velada e silenciosa, que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel desvelar atrav\u00e9s do plano do sens\u00edvel. Mem\u00f3rias, viv\u00eancias e experi\u00eancias pouco narradas, s\u00e3o percebidas por uma via n\u00e3o verbal e contadas como arte.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-8-Anita.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1416\" height=\"1027\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-8-Anita.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1391\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-8-Anita.jpg 1416w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-8-Anita-300x218.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-8-Anita-1024x743.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-8-Anita-768x557.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1416px) 100vw, 1416px\" \/><\/a><figcaption>Anita Sobar. Cartaz da Campanha para a Anistia, 1979\/2018.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Durante a inf\u00e2ncia, o conv\u00edvio com um cartaz pendurado na casa dos pais, produzia uma s\u00e9rie de afetos, em fun\u00e7\u00e3o da imagem conter um conjunto significativo de gestos. Tratava-se de uma fotografia utilizada para divulgac\u0327a\u0303o da campanha pela anistia pol\u00edtica brasileira no ano de 1979. Na foto, presos poli\u0301ticos posavam em um pa\u0301tio na sua terceira greve de fome. Ocorreu no Presi\u0301dio Poli\u0301tico Frei Caneca do complexo penitencia\u0301rio Milton Dias Moreira do Rio de Janeiro. Era uma galeria de re\u0301s-do-cha\u0303o que foi reformada e isolada, com entrada e pa\u0301tio interno destinados exclusivamente aos presos poli\u0301ticos. A greve aconteceu entre julho e agosto de 1979, durante o governo do general Joa\u0303o Batista Figueiredo, em resposta ao projeto de lei de Anistia enviado ao Congresso Nacional pelo presidente, que exclui\u0301a os presos poli\u0301ticos acusados de crime de sangue. A intenc\u0327a\u0303o era organizar uma greve de fome nacional pela anistia ampla, geral e irrestrita.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 na fotografia uma despreocupa\u00e7\u00e3o com o exterior, uma liberdade interior no exterior, uma esp\u00e9cie de zona de indetermina\u00e7\u00e3o entre atividade e passividade, entre pensamento e n\u00e3o pensamento. N\u00e3o se sup\u00f5e que a imagem pense, sup\u00f5e-se que ela \u00e9 objeto de pensamento. Pensamento n\u00e3o de quem v\u00ea, mas de quem objetifica e a transforma em mensagem do cartaz de campanha. Essa indetermina\u00e7\u00e3o dev\u00e9m da desterritorializa\u00e7\u00e3o, de uma vida no c\u00e1rcere a ser criada, formando estranhos devires. A indetermina\u00e7\u00e3o na imagem desloca a condi\u00e7\u00e3o de v\u00edtima que o cartaz propaga. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 saber se cabe ou n\u00e3o divulgar os horrores sofridos pela viol\u00eancia, mas na constru\u00e7\u00e3o da v\u00edtima como objeto do vis\u00edvel. O cartaz \u00e9 pol\u00edtico quando subverte a l\u00f3gica dominante e mostra o oculto, o discurso oculto, o efeito-vida, o motivo por serem livres e t\u00e3o presos.<\/p>\n\n\n\n<p>A pot\u00eancia da imagem desencadeia a s\u00e9rie <em>Na sua aus\u00eancia<\/em> que consiste em duas \u2018frentes\u2019 de montagem (t\u00e9cnica e apresenta\u00e7\u00e3o): uma referente a cartazes de lambe lambe, e a outra s\u00e3o pequenas colagens. As duas partem de modelos de formul\u00e1rios como suporte, ambas aut\u00f4nomas, mas coexistentes. A s\u00e9rie parte da pesquisa de materiais gr\u00e1ficos de funcionamento anal\u00f3gico de um escrit\u00f3rio, de uma reparti\u00e7\u00e3o p\u00fablica, de pr\u00e1ticas burocr\u00e1ticas como: contas, recibos, formul\u00e1rios, fichas, entre outros. Esses dispositivos de informa\u00e7\u00e3o tornam-se entulhos autorit\u00e1rios institucionais \u2013 entre os formul\u00e1rios, a ficha criminal do meu pai e o &#8216;cart\u00e3o de acesso&#8217; usado por Keina. Ambos abordam din\u00e2micas de informa\u00e7\u00e3o no desenvolvimento das l\u00f3gicas e valores voltados para o aperfeic\u0327oamento de ac\u0327o\u0303es institucionais, governamentais e poli\u0301ticas. Geridos nos espac\u0327os arquivi\u0301sticos, formulam discursos e projetos de subjetiva\u00e7\u00e3o por meio de a\u00e7\u00f5es documentais.<\/p>\n\n\n\n<p>A foto, sua pot\u00eancia, os documentos podem ser percebidos como uma rede rizom\u00e1tica de afetos, de mem\u00f3rias. Eles se conectam a partir da transmiss\u00e3o da mensagem, que as imagens cotidianas, impregnadas do sens\u00edvel carregam. \u201cNa sua aus\u00eancia\u201d, no seu sil\u00eancio, no silenciamento e na rotina dos dias, que eram atravessados pela resist\u00eancia ao autoritarismo de Estado, ao fascismo, \u00e0 tortura, \u00e0s desigualdades sociais e ao genoc\u00eddio, a mem\u00f3ria se construiu. Essa mem\u00f3ria n\u00e3o individualizada, apesar de familiar, se manifesta nas colagens e cartaz, trazendo o formul\u00e1rio, a burocracia, o anal\u00f3gico do aparelho estatal, enquanto forma de den\u00fancia da burocratiza\u00e7\u00e3o da morte e da aus\u00eancia de muitos militantes pol\u00edticos. Ela se torna presente em ato como efeito de transmiss\u00e3o de trauma, que se transforma em interven\u00e7\u00e3o art\u00edstica, e nela, se transforma em atividade clandestina, livre e protegida, potente e provocadora. Aos filhos e netos de presos e desaparecidos pol\u00edticos n\u00e3o escapou a den\u00fancia da viol\u00eancia do Estado brasileiro, e a proposi\u00e7\u00e3o art\u00edstica que expressa a burocratiza\u00e7\u00e3o da vida e a oculta\u00e7\u00e3o da morte e faz emergir a pot\u00eancia da transgeracionalidade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-large\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-9-Anita.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"716\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-9-Anita-716x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1393\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-9-Anita-716x1024.jpg 716w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-9-Anita-210x300.jpg 210w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-9-Anita-768x1098.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-9-Anita-1074x1536.jpg 1074w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-9-Anita-1433x2048.jpg 1433w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-9-Anita.jpg 1720w\" sizes=\"(max-width: 716px) 100vw, 716px\" \/><\/a><figcaption>Se\u0301rie <em>Na sua ause\u0302ncia<\/em>, colagem, 2018.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-10-Anita.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"322\" height=\"473\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-10-Anita.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1395\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-10-Anita.jpg 322w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-10-Anita-204x300.jpg 204w\" sizes=\"(max-width: 322px) 100vw, 322px\" \/><\/a><figcaption>Se\u0301rie <em>Na sua ause\u0302ncia<\/em>, colagem, 2018.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-large\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-11-Anita.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"819\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-11-Anita-819x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1397\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-11-Anita-819x1024.jpg 819w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-11-Anita-240x300.jpg 240w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-11-Anita-768x960.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-11-Anita.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 819px) 100vw, 819px\" \/><\/a><figcaption>Foto do cartaz de lambe na Rua das Laranjeiras, 2018.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-large\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-12-Anita.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"819\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-12-Anita-819x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1399\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-12-Anita-819x1024.jpg 819w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-12-Anita-240x300.jpg 240w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-12-Anita-768x960.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-12-Anita.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 819px) 100vw, 819px\" \/><\/a><figcaption>Foto do cartaz de lambe na Rua das Laranjeiras, 2018.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Muito se tem dito sobre os efeitos transgeracionais de Estado e outras formas de perman\u00eancia hist\u00f3rica da viol\u00eancia, como o racismo por exemplo, enquanto sofrimento, e de fato o s\u00e3o.<sup>10<\/sup> O que \u00e9 oferecido aqui \u00e9 a pot\u00eancia da arte na express\u00e3o dessa mem\u00f3ria transgeracional e da pot\u00eancia transformadora da obra. Afirma-se essa a\u00e7\u00e3o transgressora enquanto expositora do trauma, da dor coletiva que habita uma hist\u00f3ria familiar. A arte n\u00e3o cura o trauma, pois n\u00e3o h\u00e1 doen\u00e7a a ser curada. Ela exp\u00f5e o n\u00e3o dito, ela traduz uma l\u00edngua ocultada, uma experi\u00eancia omitida da sociedade pela hist\u00f3ria oficial.<\/p>\n\n\n\n<p>Os arquivos respondem a\u0300s relac\u0327\u00f5es de poder que regem uma cultura. Refletem a consci\u00eancia de que toda mat\u00e9ria assimilada \u00e9 um documento da m\u00e1quina de discursos, de visibilidades e de afetos do contexto do qual procedem. Isso significa algo simples, mas que constitui um ato pol\u00edtico, sua transfer\u00eancia contextual j\u00e1 configura uma leitura e prov\u00e9m de interesses que acarretam definic\u0327\u00f5es e\u0301ticas.<sup>11<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Isso \u00e9 pr\u00f3prio do arquivo: a sua natureza lacunar. Para uma arqueologia da imagem, temos que identificar o que dispomos com os efeitos e gestos de um mundo que nos entrega alguns resi\u0301duos. Nos encontramos, portanto, diante de um imenso e rizom\u00e1tico arquivo de imagens heterog\u00eaneas dif\u00edceis de dominar, de organizar e de entender, precisamente porque seu labirinto e\u0301 feito de intervalos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre tempos refeitos e contraditos desfeitos, a experimenta\u00e7\u00e3o art\u00edstica busca pensar a vida contempora\u0302nea e sua divis\u00e3o simbo\u0301lica entre p\u00fablico e privado. E, para dar pulso a\u0300 discuss\u00e3o artista\/arquivista, fazedor de mundos alheios, convoca-se a um protesto teimoso contra o ti\u0301pico e classific\u00e1vel. Walter Benjamin,<sup>12<\/sup> ao se referir \u00e0 ambiguidade de atitudes em relac\u0327\u00e3o ao passado, analisa a paix\u00e3o do colecionador. Ele n\u00e3o apenas foi um te\u00f3rico do colecionismo, como era sua motiva\u00e7\u00e3o central, que chamou de \u201cbibliomania\u201d \u2013 ele v\u00ea no ato de colecionar marcas da puls\u00e3o infantil. Para a crianc\u0327a as coisas ainda n\u00e3o s\u00e3o mercadorias, n\u00e3o s\u00e3o avaliadas segundo sua utilidade e, portanto, ela pode se permitir fazer do prazer desinteressado a transfigura\u00e7\u00e3o do objeto.<\/p>\n\n\n\n<p>O colecionador renova o mundo via uma pequena intervenc\u0327\u00e3o nos objetos \u2013 uma espe\u0301cie de renascimento das obras, como coloca Hannah Arendt.<sup>13 <\/sup>Benjamin poderia entender a paix\u00e3o do colecionador como uma atitude semelhante a\u0300 do revolucion\u00e1rio. Como o revolucion\u00e1rio, o colecionador sonha com seu caminho n\u00e3o so\u0301 para um mundo remoto ou passado, mas, ao mesmo tempo, para um mundo melhor, onde certamente as pessoas est\u00e3o desprovidas do que precisam no mundo ordin\u00e1rio, mas onde as coisas est\u00e3o liberadas do trabalho humilhante da utilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas ideias ajudam a pensar sobre o universo das pr\u00e1ticas art\u00edsticas contempor\u00e2neas. O mundo se abre e se renova a partir do gesto de rememora\u00e7\u00e3o e recole\u00e7\u00e3o de arquivos, como chaves para organizar o que se passa na promessa civilizat\u00f3ria. Isto ocorreu nos regimes totalitaristas e fascistas do se\u0301culo XX. Projetos megalomani\u0301acos de arquivamento tentaram submeter a sociedade e seus indivi\u0301duos reduzindo-os a\u0300 obedi\u00eancia. E e\u0301 assim que hoje surge cada vez mais, na era do \u201cmal de arquivo\u201d,<sup>14<\/sup> um modo de pensar e agir que desconfia do arquivo e, como um protesto teimoso, devolve o olhar a\u0300 nossa histo\u0301ria.<\/p>\n\n\n\n<p>As rela\u00e7\u00f5es de poder e as t\u00e1ticas de controle da subjetividade se fazem tanto em escala macropoli\u0301ticas como em escalas micropoli\u0301ticas. A viol\u00eancia dos golpes de estado amea\u00e7a \u201co \u2018direito\u2019 a\u0300 vida, ao corpo, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades&#8221;.<sup>15<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Outra a\u00e7\u00e3o art\u00edstica vivenciada nesta cartografia foi a instala\u00e7\u00e3o de cartazes de lambe junto a escrita de frases nos muros da cidade do Rio de Janeiro e no Museu de Arte Contempor\u00e2nea de Niter\u00f3i (MAC). O poema \u201cO Ch\u00e3o no Ar\u201d foi desmembrado em frases e escritos nas paredes da cidade e do MAC. Foram impregnadas as seguintes frases: \u201cComo produzir contracondutas?\u201d, \u201cPulso por toda parte&#8221;, \u201cO mundo \u00e9 grande, mas em n\u00f3s \u00e9 profundo como o mar\u201d, \u201cProcura-se uma utopia\u201d, \u201c O ch\u00e3o precisa de arte\u201d e \u201cA arte precisa de ch\u00e3o\u201d. Essas a\u00e7\u00f5es ocorreram no ano de 2017 e comp\u00f5em uma experi\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o entre os espa\u00e7os de poder e territ\u00f3rios de resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A resist\u00eancia se d\u00e1, necessariamente, onde h\u00e1 poder. Tanto a resist\u00eancia funda as relac\u0327\u00f5es de poder, quanto ela e\u0301 poder. Ela e\u0301 a possibilidade de criar espac\u0327os de luta e agenciar possibilidades de transformac\u0327\u00e3o segundo Foucault.<sup>16<\/sup> Nessa perspectiva a contraconduta e\u0301 uma forma de resist\u00eancia. As <em>contracondutas <\/em>correspondem a um tipo de governamentalidade a fim de definir novas modalidades de luta. \u00c9 importante pensar que forma ela adquire na crise atual. A palavra \u2013 \u201cconduta\u201d \u2013 se refere a dois modos: a atividade de conduzir, e tamb\u00e9m a maneira como uma pessoa se conduz, a maneira como se deixa conduzir; uma passiva e outra ativa.<\/p>\n\n\n\n<p>O museu e a rua ganham especificidades. O museu enquanto espa\u00e7o do Estado, p\u00fablico, e a rua como espa\u00e7o do escondido, an\u00f4nimo e provocador. Ambos receberam contracondutas e formas de reescrever os modos de fazer\/ser\/agir atrav\u00e9s das frases. Na ocupa\u00e7\u00e3o do museu, mesmo que por vias inusitadas, o artista saiu da clandestinidade para transgredir os muros do Estado e do privado. Na rua o artista se apropria da cidade e faz surgir o povo. Sem se identificar, sem autoria, o artista se desfaz em for\u00e7as, em linhas e vetores. No devir clandestino da artista, a arte se torna instrumento de contraconduta, transformando o que foi silenciado, escondido em ativismo e movimento.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-13-Anita.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"902\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-13-Anita.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1401\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-13-Anita.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-13-Anita-300x226.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-13-Anita-1024x770.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-13-Anita-768x577.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-13-Anita-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption>Instala\u00e7\u00e3o<em> O CHAO NO AR!<\/em>, MAC, Nitero\u0301i, 2017. Foto: Myllena Araujo.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-14-Anita.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"800\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-14-Anita.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1403\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-14-Anita.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-14-Anita-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-14-Anita-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-14-Anita-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption>Instala\u00e7\u00e3o <em>O CHAO NO AR!<\/em>, MAC, Nitero\u0301i, 2017. Foto: Myllena Araujo.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-15-Anita-.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"800\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-15-Anita-.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1405\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-15-Anita-.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-15-Anita--300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-15-Anita--1024x683.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-15-Anita--768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption>Instala\u00e7\u00e3o <em>O CHAO NO AR!<\/em>, MAC, Nitero\u0301i, 2017. Foto: Myllena Araujo.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-16-Anita.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"800\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-16-Anita.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1407\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-16-Anita.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-16-Anita-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-16-Anita-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-16-Anita-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption>Instala\u00e7\u00e3o <em>O CHAO NO AR!<\/em>, MAC, Nitero\u0301i, 2017. Foto: Myllena Araujo.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<h3>De volta ao ponto de partida \u2013 Agora que encontrei, posso procurar<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-medium\"><a href=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-17-Anita.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"281\" height=\"300\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-17-Anita-281x300.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1409\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-17-Anita-281x300.jpg 281w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-17-Anita-768x819.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-17-Anita.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 281px) 100vw, 281px\" \/><\/a><figcaption>Colagem &#8211; documentos de bolso &#8211; Se\u0301rie <em>Na Sua Ause\u0302ncia<\/em>, 2018.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No dia 15 de junho de 2017, chegaram pelo correio os pertences do meu pai que foram apreendidos em 1969, na ocasi\u00e3o da sua pris\u00e3o. Eram bilhetes, carteirinhas, um pequeno calend\u00e1rio, o que ele carregava no bolso da cal\u00e7a. Entre outras frivolidades, tinha um desenho do mapa de um banco, esbo\u00e7o de um plano de guerrilha. Os tais pertences ficaram detidos por quase quarenta anos. Uma sensac\u0327a\u0303o de estranheza e\u0301 evocada a partir dessa relac\u0327a\u0303o entre ause\u0302ncia e presenc\u0327a. Levando em considerac\u0327a\u0303o todas as dificuldades que pesam sobre a experie\u0302ncia de rememorac\u0327a\u0303o de um evento traum\u00e1tico, \u00e9 oportuno indagar: quais as perman\u00eancias da viol\u00eancia da ditadura? Quais as estrate\u0301gias de combate a tais permane\u0302ncias? Em confronto com a constru\u00e7\u00e3o de uma mem\u00f3ria contra o esquecimento, a resist\u00eancia como testemunho carrega o paradoxo do indiz\u00edvel. Refor\u00e7a-se o valor do testemunho, que se manifesta entre o diz\u00edvel e o indiz\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>No momento em que esses objetos chegam como testemunhos de um tempo subtra\u00eddo pelo Estado, devolvem as reminisc\u00eancias de uma vida. S\u00e3o desarranjos do tempo, que fazem emergir provas de um evento antigo. Essas reminisc\u00eancias se encontram com outras mem\u00f3rias, testemunhos, quando o artista coletiviza sua experi\u00eancia com outros filhos e netos de presos pol\u00edticos no Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>O coletivo Filhos e Netos por Mem\u00f3ria, Verdade e Justi\u00e7a formou-se no final do ano de 2013, no \u00e2mbito do Projeto Cl\u00ednicas do Testemunho do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, e teve como seu marco fundador a Audi\u00eancia P\u00fablica \u201cEfeitos transgeracionais da viol\u00eancia de Estado\u201d, realizada na UERJ em dezembro de 2014, junto \u00e0 Comiss\u00e3o Estadual da Verdade-Rio, ao Projeto Cl\u00ednicas do Testemunho e \u00e0 Comiss\u00e3o de Anistia. Esse coletivo promove, colabora e apoia campanhas, atos, manifesta\u00e7\u00f5es e projetos vinculados ao tema da Mem\u00f3ria, Verdade, Justi\u00e7a e Repara\u00e7\u00e3o \u2013 particularmente nos casos de viol\u00eancia de Estado de ontem e hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Criou-se ent\u00e3o, uma rede de parentes dos perseguidos pol\u00edticos. Atrav\u00e9s da atividade de pesquisa, foi elucidada a forte influ\u00eancia da participa\u00e7\u00e3o no coletivo, enquanto artista, o que faz voltar ao ponto de partida. Este entendimento \u00e9 relativo ao processo de construir a si e construir a si como artista. Todo come\u00e7o \u00e9 um regresso.<\/p>\n\n\n\n<p>As quest\u00f5es tornam-se fundamentais entre a \u201cconstruc\u0327a\u0303o de si\u201d e a \u201cconstruc\u0327a\u0303o de si como ativista\/artista\u201d. O encontro gerou a produ\u00e7\u00e3o de agenciamentos \u00e9tico-est\u00e9tico-pol\u00edticos junto ao coletivo Filhos e Netos por MVJ e ao Projeto Cl\u00ednicas do Testemunho &#8211; RJ. Em novembro de 2017, realizamos a mostra de arte e testemunhos como pr\u00e1tica po\u00e9tica DESTEMPOS, na Grande Cia Brasileira de Myst\u00e9rios e Novidades, Gamboa, Rio de Janeiro. A proposta foi possibilitar o testemunho de afetados pela viole\u0302ncia de Estado, o efeito em seus corpos, valendo-se de enuncia\u00e7\u00f5es coletivas criadoras. Convidando a\u0300 experimentac\u0327a\u0303o de outras linguagens, na\u0303o para ilustrar ou representar o horror e a dor, mas para ativar o legado dessa forc\u0327a de (re)existir. Fazer da arte possibilidade de converter a viole\u0302ncia e o trauma em pote\u0302ncia de agir, pensar e criar. Para tanto foi poss\u00edvel tornar pu\u0301blico os arquivos privados para uma verdadeira reinvenc\u0327a\u0303o da costura entre o pu\u0301blico e o privado, quebrando barreiras de sile\u0302ncio e potencializando a luta pela verdade, memo\u0301ria e justic\u0327a.<\/p>\n\n\n\n<p>O protesto \u00e9 a surpresa \u2013 para al\u00e9m do intenso trabalho de pensar com cada integrante do grupo sua \u2018apresenta\u00e7\u00e3o\u2019, o ato de abertura dos arquivos mais \u00edntimos e revelar suas po\u00e9ticas mais revolucion\u00e1rias, a surpresa ganha for\u00e7a de protesto no reencontro com esses aspectos da subjetividade, que at\u00e9 ent\u00e3o, estavam guardadas e reprimidas. Ao lan\u00e7ar m\u00e3o dos objetos, poemas, desenhos, entre tantos outros contos e encantos, o coletivo toma a forma de uma escultura social.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um contexto hist\u00f3rico de n\u00e3o reconhecimento p\u00fablico dos crimes de grave viola\u00e7\u00e3o de direitos e corpos, que foram praticados durante o regime de exce\u00e7\u00e3o brasileiro, os danos produzidos pelo terrorismo de Estado repercutem no tempo presente, e se atualizam nas gera\u00e7\u00f5es seguintes, produzindo efeitos transgeracionais. O fim dos regimes ditatoriais na Am\u00e9rica Latina n\u00e3o significou o fim dos danos produzidos pelo terror de Estado. Estes permanecem agindo e atuando no tecido social, sobretudo em contextos marcados por pol\u00edticas de esquecimento, silenciamento e impunidade. S\u00e3o eixos centrais das pol\u00edticas de Estado p\u00f3s-ditaduras na Am\u00e9rica Latina e mecanismos retraumatizadores por excel\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Os encontros de filhos e netos e as possibilidades de express\u00e3o, como ocorrido na mostra DESTEMPOS, s\u00e3o fundamentais para a desconstru\u00e7\u00e3o da solid\u00e3o de quem viveu as consequ\u00eancias da viol\u00eancia de Estado. O devir clandestino do artista se coletiviza e ganha corpo em processos criativos e expansivos. Pensar a arte como um eterno come\u00e7o \u00e9 agenci\u00e1-la ao regresso e tornar diz\u00edvel o indiz\u00edvel.<\/p>\n\n\n<div id=\"metaslider-id-1411\" style=\"width: 100%; margin: 0 auto;\" class=\"ml-slider-3-20-3 metaslider metaslider-flex metaslider-1411 ml-slider\">\n    <div id=\"metaslider_container_1411\">\n        <div id=\"metaslider_1411\">\n            <ul aria-live=\"polite\" class=\"slides\">\n                <li style=\"display: block; width: 100%;\" class=\"slide-1426 ms-image\"><img width=\"960\" height=\"720\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-19-Anita.jpg\" class=\"slider-1411 slide-1426\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"Fig 19 Anita\" style=\"margin: 0 auto; width: 88.380952380952%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-19-Anita.jpg 960w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-19-Anita-300x225.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-19-Anita-768x576.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-19-Anita-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\">Projeto Cl\u00ednicas do Testemunho - RJ. Mostra de artes Destempos, 2017.<\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-1427 ms-image\"><img width=\"960\" height=\"720\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-20-Anita.jpg\" class=\"slider-1411 slide-1427\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"Fig 20 Anita\" style=\"margin: 0 auto; width: 88.380952380952%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-20-Anita.jpg 960w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-20-Anita-300x225.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-20-Anita-768x576.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-20-Anita-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\">Projeto Cl\u00ednicas do Testemunho - RJ. Mostra de artes Destempos, 2017.<\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-1428 ms-image\"><img width=\"960\" height=\"720\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-21-Anita.jpg\" class=\"slider-1411 slide-1428\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"Fig 21 Anita\" style=\"margin: 0 auto; width: 88.380952380952%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-21-Anita.jpg 960w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-21-Anita-300x225.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-21-Anita-768x576.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-21-Anita-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\">Projeto Cl\u00ednicas do Testemunho - RJ. Mostra de artes Destempos, 2017.<\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-1429 ms-image\"><img width=\"960\" height=\"720\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-22-Anita.jpg\" class=\"slider-1411 slide-1429\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"Fig 22 Anita\" style=\"margin: 0 auto; width: 88.380952380952%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-22-Anita.jpg 960w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-22-Anita-300x225.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-22-Anita-768x576.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-22-Anita-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\">Projeto Cl\u00ednicas do Testemunho - RJ. Mostra de artes Destempos, 2017.<\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-1430 ms-image\"><img width=\"960\" height=\"720\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-23-Anita.jpg\" class=\"slider-1411 slide-1430\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"Fig 23 Anita\" style=\"margin: 0 auto; width: 88.380952380952%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-23-Anita.jpg 960w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-23-Anita-300x225.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-23-Anita-768x576.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-23-Anita-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\">Projeto Cl\u00ednicas do Testemunho - RJ. Mostra de artes Destempos, 2017.<\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-1431 ms-image\"><img width=\"960\" height=\"720\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-24-Anita.jpg\" class=\"slider-1411 slide-1431\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"Fig 24 Anita\" style=\"margin: 0 auto; width: 88.380952380952%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-24-Anita.jpg 960w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-24-Anita-300x225.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-24-Anita-768x576.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-24-Anita-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\">Projeto Cl\u00ednicas do Testemunho - RJ. Mostra de artes Destempos, 2017.<\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-1432 ms-image\"><img width=\"200\" height=\"200\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-25-Anita.jpg\" class=\"slider-1411 slide-1432\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"Fig 25 Anita\" style=\"margin: 0 auto; width: 66.285714285714%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-25-Anita.jpg 200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-25-Anita-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\">Projeto Cl\u00ednicas do Testemunho - RJ. Mostra de artes Destempos, 2017.<\/div><\/div><\/li>\n            <\/ul>\n        <\/div>\n        \n    <\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">***<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Anita Sobar<\/em><\/strong><br>Anita Sobar \u00e9 artista, pesquisadora e educadora. Graduada em Belas Artes pela EBA &#8211; UFRJ, com especializa\u00e7\u00e3o em Design Gr\u00e1fico pela Escola Brit\u00e2nica de Artes Criativas &#8211; SP e Mestra em Estudos Contemporaneos das Artes PPGCA &#8211; UFF.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Kenia Maia<\/em><\/strong><br>Kenia Soares Maia, Professora do curso de Psicologia da UFT &#8211; Universidade Federal do Tocantins. Ma em Psicologia Cl\u00ednica pela UFF &#8211; Universidade Federal Fluminense. Dra. em Psicologia Cl\u00ednica pela PUC &#8211; Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica &#8211; R.J.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><sup>1<\/sup> O Coletivo Filhos e Netos por MVJ \u00e9 um movimento social aut\u00f4nomo, suprapartid\u00e1rio de Direitos Humanos. Realiza atos p\u00fablicos, pesquisas e projetos ligados ao tema da mem\u00f3ria, verdade, justi\u00e7a e repara\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia estatal de ontem e hoje.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>2<\/sup> ARANTES, M. A. A. C., A clandestinidade, uma op\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia, <em>Revista Princ\u00edpios<\/em>, Edi\u00e7\u00e3o 31, NOV\/DEZ\/JAN, 1993-1994, pp. 65-69.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>3<\/sup> RANCI\u00c8RE, Jacques. <em>O espectador emancipado<\/em>. S\u00e3o Paulo, S P:Editora Martins fontes, 2014, p 59.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>4<\/sup> Ibid. p. 61.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>5<\/sup> Ibid. p. 50.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>6<\/sup> AGAMBEN, Giorgio. <em>Profana\u00e7\u00f5es<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>7<\/sup> ARENDT. Hannah<em>. A condi\u00e7\u00e3o humana<\/em>, tradu\u00e7\u00e3o Roberto Raposo, pref. Celso Lafer, 10\u00aa Ed., Rio de Janeiro: Forense Universit\u00e1ria, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>8<\/sup> DELEUZE, Gilles e GUATTARI, Felix. <em>Mil Plat\u00f4s: Capitalismo e Esquizofrenia<\/em> vol. 5, S\u00e3o Paulo: Ed. 34 Cole\u00e7\u00e3o Trans, 1997\/2012.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>9<\/sup> Ibid.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>10<\/sup> PER\u00c9Z, P. E. C., ACEITUNO, R. MATAMALA, F. FISHER J. Violencia de Estado y trasmisi\u00f3n entre las generaciones, <em>Pol\u00edtica &amp; Sociedad<\/em>(Madr.) 54(1) 2017: 209-228.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>11<\/sup> ROLNIK, Suely., <em>O Furor do Arquivo<\/em>, 2012.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>12<\/sup> BENJAMIN, Walter. <em>Obras Escolhidas vol I: Magia e t\u00e9cnica, arte e pol\u00edtica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1985.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>13 <\/sup><em>A condi\u00e7\u00e3o humana<\/em>, op.cit.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>14<\/sup> DERRIDA, Jacques. <em>Mal de arquivo: uma impress\u00e3o freudiana<\/em>. Rio de Janeiro: Relume Dumar\u00e1, 2001.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>15<\/sup> FOUCAULT, Michel.<em>Hist\u00f3ria da sexualidae I. La volont\u00e9 de savoir<\/em>. Paris: Gallimard, 1976.p. 190 -191.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>16<\/sup> FOUCAULT, Michel. <em>A ordem do discurso<\/em>. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Loyola, 2009.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O devir clandestino &lt;entre aproxima\u00e7\u00f5es e desvios&gt; Anita Sobar em colabora\u00e7\u00e3o com Kenia Maia Ponto de inflex\u00e3o O sil\u00eancio pode ser vivenciado como esquecimento. Como o silenciamento pode ser assimilado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","meta":[],"portfolio-tags":[],"portfolio-category":[45],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/1374"}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/types\/portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1374"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1374"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio-tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio-tags?post=1374"},{"taxonomy":"portfolio-category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio-category?post=1374"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}