{"id":826,"date":"2021-03-15T15:41:12","date_gmt":"2021-03-15T18:41:12","guid":{"rendered":"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/?page_id=826"},"modified":"2021-04-16T17:50:15","modified_gmt":"2021-04-16T20:50:15","slug":"diego-zelota-izabela-pucu-thiago-haule-sandro-rodrigues","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/diego-zelota-izabela-pucu-thiago-haule-sandro-rodrigues\/","title":{"rendered":"Vidas escondidas que revelam vidas escondidas na Pequena \u00c1frica: um di\u00e1logo entre Diego Zelota, Izabela Pucu, Thiago Haule e Sandro Rodrigues[1]"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"750\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Capa_Pequena-Africa_1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-827\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Capa_Pequena-Africa_1.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Capa_Pequena-Africa_1-300x188.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Capa_Pequena-Africa_1-1024x640.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Capa_Pequena-Africa_1-768x480.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption>Printscreen do encontro de Diego Zelota, Izabela Pucu, Thiago Haule e Sandro Rodrigues no zoom, agosto de 2020.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2>Vidas escondidas que revelam vidas escondidas na Pequena \u00c1frica: um di\u00e1logo entre Diego Zelota, Izabela Pucu, Thiago Haule e Sandro Rodrigues<sup>1<\/sup><\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Sandro Rodrigues<\/em><\/strong> \u2013 Estou falando aqui do alto da colina, do pitoresco bairro do Santo Cristo, zona portu\u00e1ria do Rio de Janeiro. Santo o qu\u00ea? S\u00e3o Cristov\u00e3o? N\u00e3o, Santo Cristo! E onde fica isso? \u00c9 at\u00e9 vizinho de S\u00e3o Cristov\u00e3o, mas s\u00e3o bairros totalmente diferentes. Pra n\u00e3o ter erro, Santo Cristo \u00e9 onde est\u00e1 a rodovi\u00e1ria Novo Rio, conhece? Toda essa regi\u00e3o do entorno at\u00e9 o viaduto da Apoteose do samba, inclu\u00edda a\u00ed a colina onde estou, fazem parte do bairro. A prop\u00f3sito, a colina tem nome: Morro do Pinto. Lugar &#8220;onde a natureza se torna mais bela&#8221;, de acordo com um samba local.<sup>2<\/sup> Essa confus\u00e3o quanto \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o \u00e9 recorrente quando tratamos sobre o bairro, porque, apesar ser um dos bairros que comp\u00f5em a chamada Pequena \u00c1frica, este peda\u00e7o da regi\u00e3o foi esquecido, n\u00e3o foi contemplado com as prometidas melhorias que viriam com a revitaliza\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o portu\u00e1ria. Assim quase nunca se ouve falar, poucos sabem da exist\u00eancia do Santo Cristo. Por\u00e9m, olhando por outro \u00e2ngulo, at\u00e9 que este anonimato tem algo de positivo. De certo modo, ele preserva certas caracter\u00edsticas e aspectos locais com os quais somente aqueles que estiverem dispostos a encarar a jornada rumo ao conhecimento de sua cidade ser\u00e3o premiados&#8230;Afinal, existe uma cidade viva e pulsante do lado de c\u00e1 dos t\u00faneis, um mundo que permanece oculto para boa parte dos cariocas. Para isso, basta o m\u00ednimo de empatia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Izabela Pucu<\/em><\/strong> \u2013 Pois \u00e9, eu tive o privil\u00e9gio de ser levada por voc\u00ea e pela sua filha Marina para um passeio a p\u00e9 no Morro do Pinto, de conhecer um pouquinho desse bairro incr\u00edvel, de ver \u00e2ngulos que bagun\u00e7aram minha orienta\u00e7\u00e3o da cidade, de olhar de perto o lugar que eu s\u00f3 conhecia de nome, pelo relato de voc\u00eas, pelas suas fotos\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Sandro<\/em><\/strong> \u2013 E, sem d\u00favida, a melhor forma de conhecer um lugar \u00e9 a p\u00e9. Quem s\u00f3 anda de carro n\u00e3o v\u00ea a vida que acontece do outro lado do vidro, no m\u00e1ximo enxerga uns flashes. \u00c9 verdade que sou suspeito pra falar desse assunto, afinal s\u00e3o 41 anos engrossando as pernas subindo e descendo ladeiras. Mas \u00e9 este sobe e desce, esse contato pr\u00f3ximo e \u00edntimo com a cidade que permite o estreitamento dos la\u00e7os afetivos e o fortalecimento do sentimento de pertencimento ao lugar, seja ele qual for. Caminhar no morro \u00e9 reencontrar uma cidade que vem desaparecendo aos poucos, engolida por novos e controversos modelos de habita\u00e7\u00e3o. \u00c9 encontrar algu\u00e9m com sua cadeira sentado na cal\u00e7ada lendo o jornal ou s\u00f3 &#8220;vendo a moda passar&#8221; mesmo. \u00c9 apreciar os azulejos com os santos de devo\u00e7\u00e3o estampados nas casas. \u00c9 dar bom dia &#8220;tia&#8221; ou, e a\u00ed meu &#8220;primo&#8221;, como se fossem todos parte de uma grande fam\u00edlia! Problemas existem \u00e9 claro, como em qualquer grande cidade do pa\u00eds, principalmente em seus bairros populares e perif\u00e9ricos. Apesar disso, seguimos em frente, sem esquecer o passado, que nos legou tudo o que somos e o que queremos ser. Diz um antigo rap que &#8220;o melhor lugar do centro de fato \u00e9 o Morro do Pinto\u201d.<sup>3 <\/sup>Concordo e assino embaixo! Ah, e n\u00e3o confundam Santo Cristo com S\u00e3o Cristov\u00e3o, ok?&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Izabela<\/em><\/strong> \u2013 Sim&#8230;Morro do Pinto \u00e9 no Santo Cristo e isso n\u00e3o se pode esquecer&#8230;\u00e9 interessante, porque voc\u00eas tr\u00eas, cada a seu tempo e do seu jeito, tiveram um encontro ou buscaram o encontro com a arte. Voc\u00eas acham que esse encontro com a arte determina, marca uma diferen\u00e7a ou mudou a rela\u00e7\u00e3o de voc\u00eas com o territ\u00f3rio em que vivem?<\/p>\n\n\n\n<div class=\"alignnormal\"><div id=\"metaslider-id-831\" style=\"width: 100%; margin: 0 auto;\" class=\"ml-slider-3-20-3 metaslider metaslider-flex metaslider-831 ml-slider\">\n    <div id=\"metaslider_container_831\">\n        <div id=\"metaslider_831\">\n            <ul aria-live=\"polite\" class=\"slides\">\n                <li style=\"display: block; width: 100%;\" class=\"slide-848 ms-image\"><img width=\"880\" height=\"687\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/1-9.jpg\" class=\"slider-831 slide-848\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"1\" style=\"margin: 0 auto; width: 84.907465169474%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/1-9.jpg 880w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/1-9-300x234.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/1-9-768x600.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 880px) 100vw, 880px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\">Sandro Rodrigues, <i>Fachadas do casario no Morro do Pinto<\/i>, Gamboa, Rio de Janeiro, 2018.<\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; 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Eu ando muito pela regi\u00e3o, Sa\u00fade, Gamboa, Morro do Pinto e sempre me chamou aten\u00e7\u00e3o esse casario, esse ar provincial, de sub\u00farbio que tem aqui. Sempre me chamou aten\u00e7\u00e3o a arquitetura, as ladeiras que aqui est\u00e3o por todo o lado. Quando me formei em hist\u00f3ria em 2009 eu busquei um meio de aliar o conhecimento hist\u00f3rico com esse meu conhecimento pessoal visual, que estava dentro de mim desde sempre. Com 41 anos de morro, eu conhe\u00e7o cada paralelep\u00edpedo desse bairro e isso faz parte de mim, na verdade&#8230; os gradis das sacadas, o casario, os santinhos nas fachadas, tudo isso influencia muito o meu fazer art\u00edstico, que \u00e9 a fotografia. Boa parte do que eu produzo \u00e9 por conta dessa viv\u00eancia no territ\u00f3rio. Isso \u00e9 o que me move, me afeta mesmo. Desde pequeno eu gostava de desenhar, de tocar flauta, vira e mexe eu toco&#8230; eu j\u00e1 fotografava com uma c\u00e2mera bem simples, mas em 2014 consegui comprar meu primeiro equipamento relativamente melhor. Ent\u00e3o eu pensei que podia fazer algo com toda aquela bagagem visual que eu tinha da regi\u00e3o, junto com a minha forma\u00e7\u00e3o, ao unir hist\u00f3ria e fotografia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Izabela<\/em><\/strong> \u2013 E como come\u00e7ou esse desejo de escrever sobre o territ\u00f3rio?<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Sandro<\/em><\/strong> \u2013 Como conhecedor da regi\u00e3o eu me dei conta de que o Morro do Pinto onde moro e nasci \u00e9 um morro que na regi\u00e3o portu\u00e1ria quase ningu\u00e9m conhece. A gente conhece a hist\u00f3ria do morro da Concei\u00e7\u00e3o e da Provid\u00eancia, mas sobre o morro do Pinto n\u00e3o tem nada. Eu j\u00e1 catei e n\u00e3o tem. Ent\u00e3o eu comecei a escrever, n\u00e3o uma hist\u00f3ria geral, cronol\u00f3gica, o que eu pretendo fazer em algum momento, mas eu preferi escrever a hist\u00f3ria do morro do Pinto a partir de alguns marcos, de lugares que eu conhe\u00e7o&#8230;Foi esse olhar para o territ\u00f3rio que me levou \u00e0 fotografia, e a partir da fotografia eu comecei a escrever sobre a hist\u00f3ria do morro do Pinto. Eu sempre acreditei muito no que a gente chama de micro-hist\u00f3ria, da hist\u00f3ria contada a partir de certos locais e de pessoas desconhecidas, porque isso casava muito bem como o ambiente em que eu vivo. E normalmente os livros de hist\u00f3ria n\u00e3o se interessam pelos fatos que n\u00e3o t\u00eam import\u00e2ncia no cen\u00e1rio nacional e mundial. Mas como morador do local eu decidi me aprofundar justamente nessas pequenas coisas do bairro, nas hist\u00f3rias que a gente descobre conversando com moradores aqui e acol\u00e1. Pode n\u00e3o ter grande valor para a hist\u00f3ria oficial, mas para a hist\u00f3ria do territ\u00f3rio eu acredito que tem grande valor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Izabela<\/em><\/strong> \u2013 \u00c9 t\u00e3o lindo esse seu gesto&#8230; tem gente que passa por esses mesmos casarios e n\u00e3o v\u00ea nada de mais, ou s\u00f3 v\u00ea coisas negativas, at\u00e9 porque existe um processo de deprecia\u00e7\u00e3o da favela, de apagamento da riqueza cultural dos morros sendo feito todos os dias nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, pelas pessoas em lugares de poder, e n\u00e3o deve ser f\u00e1cil resistir a isso&#8230; ter esse olhar aberto para ver a poesia das pessoas e das coisas \u00e9 mesmo algo muito representativo do que \u00e9 ser artista, a meu ver&#8230; esse olhar que muda o valor das coisas e tamb\u00e9m essa disponibilidade para realizar um projeto pelo simples desejo de faz\u00ea-lo, por reconhecer a import\u00e2ncia de colocar no mundo outras narrativas, de revelar o que n\u00e3o \u00e9 visto normalmente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Sandro<\/em><\/strong> \u2013 \u00c9 mesmo uma vontade pessoal, mas tamb\u00e9m tem a ver com a minha forma\u00e7\u00e3o. Talvez porque a Provid\u00eancia seja a primeira favela se tenha querido contar a hist\u00f3ria dela, mas o Morro do Pinto \u00e9 esquecido, mesmo sendo parte da Pequena \u00c1frica. Grandes nomes do samba viveram aqui, as rodas de samba fervilhavam aqui nos anos 1970, os blocos do morro ganharam pr\u00eamios na d\u00e9cada de 1980 e n\u00e3o tem nada oficial sobre isso, est\u00e1 apenas na cabe\u00e7a e na viv\u00eancia das pessoas daqui. Ent\u00e3o eu pensei que eu precisava buscar isso antes que as pessoas n\u00e3o estivessem mais aqui e tudo se perdesse. Por exemplo, foi a p\u00e9 que numa grata surpresa descobri o que restou da funda\u00e7\u00e3o da antiga Ponte dos Amores<sup>4<\/sup>, que desde o tempo do imp\u00e9rio ligava o Morro do Pinto ao da Provid\u00eancia. Caminhando mais alguns metros, surpresa! Voc\u00ea chega \u00e0 Passarela do Samba! Poucos sabem, mas este peda\u00e7o de rua que fica do outro lado da estrada de ferro \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o da famosa Marqu\u00eas de Sapuca\u00ed. N\u00e3o menos importante \u00e9 saber que nas imedia\u00e7\u00f5es nasceu o mestre Ernesto Nazareth, o Rei do Tango Brasileiro. Pedacinho importante esse hein? Foi tamb\u00e9m ali perto que morou o comerciante Ant\u00f4nio Pinto Ferreira Morado, propriet\u00e1rio de terras nessa regi\u00e3o, respons\u00e1vel pela abertura das primeiras ruas do morro ainda no s\u00e9culo XIX e que, por consequ\u00eancia, deu o nome ao morro. Subindo a ladeira do Pinto, teste pra atleta nenhum botar defeito, a cidade se revela em \u00e2ngulos que poucos j\u00e1 viram, um senhor pr\u00eamio \u00e0queles que chegarem l\u00e1 em cima.&nbsp; J\u00e1 pensou ter no mesmo quadro o Samb\u00f3dromo, o P\u00e3o de A\u00e7\u00facar e o Cristo Redentor? Ou, girando 180 graus, Maracan\u00e3, Igreja da Penha e Ponte Rio-Niter\u00f3i? L\u00e1 do alto isso \u00e9 poss\u00edvel. At\u00e9 que um jornal que encontrei em minhas pesquisas, de 1978, tinha certa raz\u00e3o quando dizia que o morro poderia ser uma nova &#8220;atra\u00e7\u00e3o tur\u00edstica&#8221; com a inaugura\u00e7\u00e3o deste espa\u00e7o, considerado um parque-mirante. Faltou apenas avisar aos turistas. E se quiser &#8220;molhar a palavra&#8221; ap\u00f3s apreciar a paisagem, que tal um daqueles botecos que ainda guardam em sua fachada o ano de sua \u00faltima reforma? \u00c9 bem prov\u00e1vel encontrar algu\u00e9m que vai te contar uma boa hist\u00f3ria, daquelas que fazem os lugares serem especiais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"834\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-9_Sandro-834x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-887\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-9_Sandro-834x1024.jpg 834w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-9_Sandro-244x300.jpg 244w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-9_Sandro-768x943.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-9_Sandro.jpg 922w\" sizes=\"(max-width: 834px) 100vw, 834px\" \/><figcaption>Sandro Rodrigues, <em>Fachada e sino da Capela da igreja de Nossa Senhora do Montserrat<\/em>, Morro do Pinto, Gamboa, Rio de Janeiro, 2018.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"834\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-10_Sandro-834x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-889\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-10_Sandro-834x1024.jpg 834w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-10_Sandro-244x300.jpg 244w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-10_Sandro-768x943.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-10_Sandro.jpg 922w\" sizes=\"(max-width: 834px) 100vw, 834px\" \/><figcaption>Sandro Rodrigues, <em>Fachada e sino da Capela da igreja de Nossa Senhora do Montserrat<\/em>, Morro do Pinto, Gamboa, Rio de Janeiro, 2018.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><em>Izabela<\/em><\/strong> \u2013 E \u00e9 muito importante que se reconhe\u00e7a que cada um de voc\u00eas fez e faz o seu trabalho \u00e0 revelia de ter uma forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para artistas, se \u00e9 que ainda se pode falar nesse sentido&#8230; de ter inclusive garantidas as condi\u00e7\u00f5es de vida que te permitissem destinar o seu tempo a isso, ter entrada no sistema hegem\u00f4nico das artes&#8230;eu vejo esse gesto em voc\u00eas tr\u00eas, a escolha pela arte como esse gesto po\u00e9tico afirmativo, de emancipa\u00e7\u00e3o existencial em rela\u00e7\u00e3o aos estere\u00f3tipos sobre o lugar em que vivem, sobre o que voc\u00eas podem ser ou fazer. Pelo que voc\u00ea conta, Sandro, a vida do Morro do Pinto \u00e9 ela mesmo uma vida escondida que voc\u00ea est\u00e1 buscando revelar. A hist\u00f3ria que voc\u00ea conta tem apagamentos, tem viol\u00eancia, mas tem valor, poesia e beleza, tem produ\u00e7\u00e3o cultural. Acho que isso tamb\u00e9m est\u00e1 no gesto de Diego e Thiago de inscrever seus trabalhos diretamente no territ\u00f3rio, nas paredes desse territ\u00f3rio, em di\u00e1logo com s\u00edtios hist\u00f3ricos, como a Pedra do Sal, gesto que atualiza a simbologia desses marcos em meio \u00e0 vida que acontece hoje na Pequena \u00c1frica. Uma afirma\u00e7\u00e3o frente aos investimentos governamentais mais desastrosos que historicamente e hoje n\u00e3o levam em conta as vidas desses locais, pessoas, movimentos, tudo \u00e9 feito de l\u00e1 dos gabinetes sem contato real com o territ\u00f3rio\u2026eu sempre vejo as pessoas se deslocando a p\u00e9 no viaduto que sai do t\u00fanel Santa B\u00e1rbara e passa entre os dois morros, mesmo correndo risco de atropelamento. Ou seja, as pessoas precisaram no passado e ainda precisam usar esse caminho que as leva mais diretamente \u00e0 regi\u00e3o da Pra\u00e7a 11, ao metr\u00f4. E o viaduto tamb\u00e9m precarizou a liga\u00e7\u00e3o entre os morros do Pinto e da Provid\u00eancia. Me parece ser algo simb\u00f3lico dessa cis\u00e3o que relegou o Morro do Pinto ao esquecimento na hist\u00f3ria oficial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Sandro<\/em><\/strong> \u2013 Sim, \u00e9 verdade. Esse caminho entre os dois morros \u00e9 bastante antigo, se n\u00e3o me engano se chamava caminho do Saco do Alferes, que era o nome daquela regi\u00e3o onde fica a Igreja do Santo Cristo. Eu vi em uma gravura do s\u00e9culo XVIII esse caminho. Quando escrevi sobre a Ponte dos amores, que ligava os dois morros, Provid\u00eancia e Pinto, eu identifiquei tamb\u00e9m outros aspectos que contribu\u00edram para essa separa\u00e7\u00e3o. Muitos moradores da regi\u00e3o acham que o morro do Pinto \u00e9 lugar de gente que tem grana e tem preconceito com as pessoas daqui, porque a sua constitui\u00e7\u00e3o foi mesmo diferentes da dos outros morros. Diferente das outras favelas da regi\u00e3o \u2013 que cresceram segundo essa imagem que se tem das favelas, uma imagem de desordenadamento, porque as pessoas foram construindo e se instalando como puderam \u2013 o morro do Pinto tem ruas de cima a baixo, como eu disse anteriormente. \u00c9 uma diferen\u00e7a geogr\u00e1fica, mas aqui \u00e9 uma \u00e1rea de ocupa\u00e7\u00e3o popular como as outras. Muita gente fala que aqui \u00e9 como Santa Teresa, que tamb\u00e9m tem lado a lado ocupa\u00e7\u00f5es populares e gente rica&#8230; mas sabe que em algum momento das minhas pesquisas eu vi um documento, um mapa antigo onde consta justamente que aqui foi chamado de Santa Teresa no s\u00e9culo XVIII? \u00c9 uma hist\u00f3ria na qual eu preciso me aprofundar, esse documento est\u00e1 em Portugal, mas tem mesmo alguma liga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1280\" height=\"689\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-11_Diego.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-891\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-11_Diego.jpeg 1280w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-11_Diego-300x161.jpeg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-11_Diego-1024x551.jpeg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-11_Diego-768x413.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><figcaption>Diego Zelota, <em>Vista do Morro da Provid\u00eancia<\/em>, s\/d. Fotografias de longa exposi\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"965\" height=\"631\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-12_Diego.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-893\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-12_Diego.jpeg 965w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-12_Diego-300x196.jpeg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-12_Diego-768x502.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 965px) 100vw, 965px\" \/><figcaption>Diego Zelota, <em>Vista do Morro da Provid\u00eancia<\/em>, s\/d. Fotografias de longa exposi\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><em><strong>Izabela<\/strong> <\/em>\u2013 E voc\u00ea Diego? Como \u00e9 que voc\u00ea v\u00ea esse encontro com a arte como algo que transforma ou define a sua rela\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio? Desde os seus primeiros trabalhos at\u00e9 esse mur\u00e3o do Rua Walls<sup>5<\/sup> que voc\u00ea e Thiago est\u00e3o pintando, como foi esse caminho?<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Diego Zelota<\/em><\/strong> \u2013 Eu estudei no Adro, que \u00e9 um col\u00e9gio p\u00fablico franciscano aqui da regi\u00e3o, que \u00e9 mais dif\u00edcil de entrar, mas eu fui parar l\u00e1 porque a minha m\u00e3e queria. Eu queria ter estudado no Lic\u00ednio Cardoso, onde estava a nata de regi\u00e3o, todo o mundo que conhecia, a galera que est\u00e1 por a\u00ed, que eu conhe\u00e7o e convivo. L\u00e1 era uma doutrina\u00e7\u00e3o diferente, tinha que cantar o hino, formar para entrar, n\u00e3o tinha aquela farra das outras escolas. Mas o que me apegava \u00e0quele col\u00e9gio era a quest\u00e3o da arte. Eu tive um professor muito bacana de arte, at\u00e9 hoje eu tenho contato com ele, o Eduardo, mas eu sempre chamava ele de querid\u00e3o. Ele casou com uma aluna, mora aqui na regi\u00e3o, sempre passa pra me dar um abra\u00e7o. Ele me incentivou muito. Ele era um cara super bacana e acho que ele jamais ia imaginar que Diego de Deus da Concei\u00e7\u00e3o, o trombadinha da turma, que tocava o terror, ia se envolver tanto com arte como eu acabei me envolvendo.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Izabela<\/strong> <\/em>\u2013 Pois \u00e9, de novo o exerc\u00edcio da arte como essa ferramenta de quebrar esses limites, esses estere\u00f3tipos\u2026 a arte como forma de educa\u00e7\u00e3o que emancipa&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Diego<\/em><\/strong> \u2013 \u00c9, de se sentir dono do territ\u00f3rio&#8230;Existem outras pessoas que me incentivaram, entre elas o Eron, que talvez seja a mais importante refer\u00eancia que eu tenho. Eron al\u00e9m de professor \u00e9 meu amigo, foi meu explicador por muito tempo e \u00e9 o zelador da Capela principal aqui do Morro da Provid\u00eancia. Ele \u00e9 um grande, um grande papeador, gosta muito de conversar e eu gosto muito de ouvir o Eron porque ele tem uma viv\u00eancia muito grande da Provid\u00eancia, onde ele sempre morou, muito maior do que a minha. O Eron \u00e9 uma grande enciclop\u00e9dia de hist\u00f3ria, Sandro tamb\u00e9m j\u00e1 esteve pr\u00f3ximo a ele. Ele me colocou uma vez como um sucessor dele, um griot<sup>6<\/sup>, um gri\u00f4, como ele fala. Com Eron eu aprendi muito sobre a provid\u00eancia, sobre as divis\u00f5es nesse territ\u00f3rio, sobre a Pedra Lisa que muita gente nem sabe que \u00e9 uma parte dentro da Provid\u00eancia, sobre como as pessoas dos diferentes morros se relacionavam, sobre os conflitos, porque o morro n\u00e3o era de uma galera s\u00f3&#8230; ele sem d\u00favida foi algu\u00e9m que muito me envolveu com a quest\u00e3o da arte, com esse desejo de estudar, de conhecer, de querer saber mais sobre o meu territ\u00f3rio, de fazer um levantamento. Isso tem muito a ver com mural que eu vou fazer no Rua Walls. Eu vou reverenciar duas pessoas: um grande l\u00edder da resist\u00eancia do Sindicato dos arrumadores, o estivador e sambista Aniceto, que muito estivadores n\u00e3o conhecem, Cl\u00e1udio Camunguelo, sambista e estivador que passou por aqui quando o samba fervilhava nessa \u00e1rea (foi o Thiago que me apresentou a hist\u00f3ria dele), e o Candeia, que \u00e9 mais conhecido. Eu sou filho de um estivador. A maior parte dos trabalhadores da estiva vive aqui na Provid\u00eancia e n\u00e3o conhece esses caras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Izabela<\/em><\/strong> \u2013 Sim, e a hist\u00f3ria deles relaciona a estiva e a regi\u00e3o portu\u00e1ria com a hist\u00f3ria do samba&#8230; sabe o que \u00e9 lindo de perceber na fala de voc\u00eas? \u00c9 que voc\u00eas s\u00e3o, de certa forma, vidas escondidas, cada vez mais ganhando visibilidade, ocupadas, sobretudo, em revelar as vidas e hist\u00f3rias escondidas no seu territ\u00f3rio. Vidas escondidas que revelam vidas escondidas na Pequena \u00c1frica. Voc\u00eas poderiam fazer qualquer coisa, mas escolheram fazer isso das suas vidas e por meio do seu trabalho de arte.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Diego<\/em><\/strong> \u2013 Acho que isso tem a ver com ser artista, eu sempre me senti dono desse territ\u00f3rio. Eu venho da pixa\u00e7\u00e3o e no in\u00edcio era isso mesmo, de se afirmar, de dizer \u2013 eu estou aqui, essa \u00e9 a minha assinatura, minha forma de express\u00e3o. Depois eu cresci e mudei um pouco esse vi\u00e9s, mas sem perder essa perspectiva, sem deixar de trazer a hist\u00f3ria do meu territ\u00f3rio, a hist\u00f3ria que a gente tem que contar se n\u00e3o a gente fica invis\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Izabela<\/em><\/strong> \u2013 Tem um jogo entre pixa\u00e7\u00e3o e grafite, um jogo de visibilidade e invisibilidade no qual voc\u00ea desloca a sua posi\u00e7\u00e3o nesse territ\u00f3rio, voc\u00ea e Thiago, que n\u00e3o foi pixador propriamente, mas que tamb\u00e9m flertou com a picha\u00e7\u00e3o quando era garoto, e de certa forma tamb\u00e9m o Sandro, quando as pesquisas dele come\u00e7am a ganhar outros espa\u00e7os. Porque mesmo que o pixo seja uma assinatura, o entendimento dessa assinatura se restringe a uma comunidade de pixadores que, de certa forma, se dirigem uns aos outros. Ent\u00e3o mesmo que seja uma assinatura, \u00e9 mais an\u00f4nima, se perde mais no fluxo da cidade. No grafite parece que \u00e9 diferente, \u00e9 mais p\u00fablico, quer falar com todos que passam pelos muros grafitados, tem uma assinatura, uma marca reconhec\u00edvel, muitas vezes est\u00e1 associado a projetos de revitaliza\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea que tem institui\u00e7\u00f5es envolvidas, enfim, um estatuto que n\u00e3o \u00e9 o da pixa\u00e7\u00e3o. E voc\u00eas hoje pintam em telas, fotografam&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1280\" height=\"720\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-13_Diego_0.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-895\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-13_Diego_0.jpeg 1280w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-13_Diego_0-300x169.jpeg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-13_Diego_0-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-13_Diego_0-768x432.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><figcaption> Diego Zelota, <em>Crespo \u00e9 lindo. Feio \u00e9 o seu preconceito<\/em>. St\u00eancil na Pedra do Sal, Centro, Rio de Janeiro, s\/d.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><em>Diego<\/em><\/strong> \u2013 Eu nunca me envolvi muito com grupos de pixadores, de arte urbana. Quando eu pichava era sozinho, o que me empolgava era pixar em lugares altos. Foi complicado chegar ali e eu cheguei e deixei minha marca, isso era o que me empolgava. Pode ser que isso venha desse passado de pixador, mas mesmo quando eu comecei a grafitar eu queria me manter opaco. Eu n\u00e3o assino nada na rua, Thiago sabe. Eu tenho um trabalho que fiz na parede de um bar na Pedra do Sal que ningu\u00e9m sabe que \u00e9 meu e se tornou um trabalho emblem\u00e1tico de l\u00e1. Geral se fotografa na frente do trabalho que s\u00e3o tr\u00eas mulheres com o cabelo black com a frase &#8220;crespo \u00e9 lindo, feio \u00e9 o seu preconceito&#8221;. Era uma s\u00e9rie de imagens com mulheres de express\u00e3o forte, usando cabelo crespo. Quando eu fiz ningu\u00e9m queria usar cabelo black, geral alisava o cabelo. Agora o trabalho est\u00e1 sendo lido por outro vi\u00e9s, do empoderamento das mulheres pretas e passou a representar a resist\u00eancia daquele lugar. Outro dia eu vi um document\u00e1rio que come\u00e7ava com a imagem do meu trabalho. Geral falou que eu tinha que pedir direito autoral&#8230; mas eu fiquei satisfeito porque isso quer dizer que ele funcionou.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu conheci o grafite de verdade em uma exposi\u00e7\u00e3o no CCBB chamada &#8220;Fabulosas desordens&#8221;, em 2007, s\u00f3 o nome j\u00e1 me encantou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Izabela<\/em><\/strong> \u2013 Isso \u00e9 curioso, voc\u00ea conhecer o grafite em uma exposi\u00e7\u00e3o e n\u00e3o na rua&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Diego<\/em><\/strong> \u2013 Eu j\u00e1 havia visto, claro, mas me dei conta de que grafite era uma forma de express\u00e3o, de arte, e da\u00ed eu comecei a me envolver mais com o grafite, a conhecer as linguagens. Pra falar a verdade, l\u00e1 no in\u00edcio de tudo eu tinha muito preconceito em rela\u00e7\u00e3o ao grafite, e tamb\u00e9m foram preconceituosos comigo \u2013 Grafite, isso n\u00e3o \u00e9 coisa para um cara de favela!<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Sandro<\/em><\/strong> \u2013 Era coisa de playboy! Te chamaram de playboy?<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Izabela<\/strong> <\/em>\u2013 Que curioso, porque, de modo geral, ou a partir do meu lugar cultural e social, melhor dizendo, grafite \u00e9 um trabalho muito associado \u00e0s periferias, \u00e0 favela.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Diego<\/em><\/strong> \u2013 Mas na favela n\u00e3o, significa que voc\u00ea quer se destacar de uma outra forma. Mas aquilo est\u00e1 em voc\u00ea, voc\u00ea n\u00e3o faz para se destacar. \u00c0s vezes andar na contram\u00e3o te leva a se perguntar o que h\u00e1 de errado com voc\u00ea&#8230; mas tamb\u00e9m te faz enxergar certas coisas como os outros n\u00e3o as v\u00eaem.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Thiago Haule<\/strong> <\/em>\u2013 Eu acho que at\u00e9 mesmo por quest\u00f5es econ\u00f4micas, o material de arte \u00e9 caro, \u00e9 caro vc manter a arte, seja como hobbie ou profiss\u00e3o. Se voc\u00ea comprar 4 latas de tinta voc\u00ea j\u00e1 gasta R$100,00 e isso j\u00e1 te destaca. \u00c9 verdade que a origem do grafite \u00e9 underground, marginal at\u00e9, vem do Brooklyn, vem dos metr\u00f4s, Nova York&#8230; mas aqui no Brasil \u00e9 uma coisa que ganhou o mainstream quando foi feita por gente que veio das escolas de arte, por designers, gente branca, gente de classe m\u00e9dia ou gente rica, formada em universidade&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Izabela<\/em><\/strong> \u2013 Ah, sim, entendi.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Diego<\/em><\/strong> \u2013 E assim eu escolhi o st\u00eancil que \u00e9 mais r\u00e1pido, mais pr\u00e1tico. Nem sempre a gente pode estar parado ali na rua por muito tempo, quando a gente n\u00e3o tem tanto dinheiro pra comprar materiais o est\u00eancil te d\u00e1 a possibilidade de ativar o que voc\u00ea quer passar mais r\u00e1pido. E isso me apaixonou. Eu acho que viver no centro da cidade me deu isso, aqui eu conheci muita gente, muita gente bacana passou por aqui e me ensinou muita coisa. Eu e Thiago fizemos dois workshops na Casa Amarela, um espa\u00e7o de arte localizado no alto do morro, em frente \u00e0 Igreja, que na \u00e9poca era coordenada por um artista aqui da Provid\u00eancia, o Maur\u00edcio Hora, que \u00e9 uma influ\u00eancia forte pra mim. Um dos workshops foi com a M\u00f4nica Nador, que \u00e9 uma artista que trabalha muito bem com st\u00eancil, e a gente aprendeu muito com ela. E depois com o Vhils, um artista portugu\u00eas, um cara muito maneiro que \u00e9 refer\u00eancia na <em>street art<\/em>, que tamb\u00e9m foi importante para o nosso trabalho. Eu sou um fantasma da Casa Amarela, eu fiquei l\u00e1 um tempo, eu me sentia dono daquele lugar&#8230; eu sempre senti que a comunidade precisava de um espa\u00e7o de arte, onde as crian\u00e7as pudessem ter contato com a cultura &#8220;maker&#8221;, com pintura livre, com o est\u00eancil\u2026 e eu fui muito feliz no tempo em que estive l\u00e1. O que eu fazia era trazer a galerinha, as crian\u00e7as, as pessoas que me conhecem, e de certa forma me veem como um ser diferente, que se identificam com meu lifestyle, com minha mania de bike e com o grafismo&#8230;acho que quando essas pessoas me v\u00eaem eles pensam: isso \u00e9 pra mim tamb\u00e9m!<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Sandro<\/em><\/strong> \u2013 Muitos artistas daqui fizeram esses cursos na Casa Amarela, mas s\u00f3 Thiago e Diego seguiram. Eu mesmo fiz, de n\u00f3s eu fui o precursor, o primeiro a me inscrever no curso mas n\u00e3o dei continuidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Thiago<\/em><\/strong> \u2013 E tudo isso, essa forma\u00e7\u00e3o foi via favela, nada a ver com o governo, com a revitaliza\u00e7\u00e3o do porto maravilha&#8230; a forma\u00e7\u00e3o que a gente teve foi especialmente via favela, pelos nosso pr\u00f3prio meios.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"512\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-14_Thiago-5-512x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-897\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-14_Thiago-5-512x1024.jpg 512w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-14_Thiago-5-150x300.jpg 150w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-14_Thiago-5-768x1536.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-14_Thiago-5-1024x2048.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-14_Thiago-5.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><figcaption>Thiago Haule e Diego Zelota, St\u00eancil retratando Tia L\u00facia e Ti\u00e3o, moradores do Morro do Pinto e da Provid\u00eancia, respectivamente, vizinhos dos artistas. Rua Pedro Ernesto, Gamboa, Rio de Janeiro, 2018.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"478\" height=\"720\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-15_Thiago_6.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-899\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-15_Thiago_6.jpg 478w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-15_Thiago_6-199x300.jpg 199w\" sizes=\"(max-width: 478px) 100vw, 478px\" \/><figcaption>Thiago Haule e Diego Zelota, St\u00eancil retratando Tia L\u00facia e Ti\u00e3o, moradores do Morro do Pinto e da Provid\u00eancia, respectivamente, vizinhos dos artistas. Rua Pedro Ernesto, Gamboa, Rio de Janeiro, 2018.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><em>Izabela<\/em> <\/strong>\u2013 E voc\u00eas tem um trabalho bastante virtuoso, \u00e9 um est\u00eancil bem complexo o que voc\u00eas fazem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Thiago<\/em><\/strong> \u2013 Nada! Tem artistas do est\u00eancil que s\u00e3o muito feras&#8230; a gente tem ainda muito papel para comer\u201d! O que acontece \u00e9 que a gente faz as coisas quando pode, no intervalo da correria\u2026 e todo&nbsp; trabalho precisa de tempo pra chegar \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o. Se a gente tivesse suporte e tempo n\u00e3o haveria limite. Esse trabalho que estamos fazendo no Rua Walls \u00e9 um grande desafio t\u00e9cnico tamb\u00e9m, n\u00e3o apenas pela escala, que \u00e9 gigante. Na parede em geral eu trabalho at\u00e9 o tamanho real das pessoas, \u00e0s vezes um pouco maior, como no retrato da Tia L\u00facia<sup>7<\/sup>, que era s\u00f3 o rosto grand\u00e3o. Mas tamb\u00e9m porque pra cobrir toda aquela \u00e1rea em halftone, que \u00e9 uma t\u00e9cnica em que o desenho \u00e9 todo composto por linhas, \u00e9 doloroso, o movimento de bra\u00e7o \u00e9 muito intenso&#8230; mas est\u00e1 sendo tamb\u00e9m muito prazeroso! O que eu penso \u00e9 que eu n\u00e3o posso fazer um trabalho s\u00f3 pautado pela t\u00e9cnica. Tem muito artista embelezando a cidade com imagens lindas, com trabalhos muito interessantes e que eu respeito muito; mas eu n\u00e3o quero fazer isso, n\u00e3o quero apenas isso. Eu quero colocar coisas em quest\u00e3o com o meu trabalho. Por isso eu pinto a f\u00faria dos guerreiros negros,&nbsp; o rosto dos povos ind\u00edgenas, a bandeira do pan africanismo, como estou fazendo no muro do Rua Walls. Eu preciso colocar pela cidade os conflitos ligados \u00e0 minha origem, declarar o amor pelo Morro de onde eu vim, eu trabalho pra colocar isso tudo em debate no fluxo e na correria da cidade. A imagem \u00e9 a maneira que eu encontro pra traduzir o meu pensar cr\u00edtico, assim como Sandro encontrou a fotografia e a escrita.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"alignnormal\"><div id=\"metaslider-id-857\" style=\"width: 100%; margin: 0 auto;\" class=\"ml-slider-3-20-3 metaslider metaslider-flex metaslider-857 ml-slider\">\n    <div id=\"metaslider_container_857\">\n        <div id=\"metaslider_857\">\n            <ul aria-live=\"polite\" class=\"slides\">\n                <li style=\"display: block; width: 100%;\" class=\"slide-870 ms-image\"><img width=\"1200\" height=\"798\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/muro-0.jpg\" class=\"slider-857 slide-870\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"muro-0\" style=\"margin: 0 auto; width: 99.677765843179%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/muro-0.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/muro-0-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/muro-0-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/muro-0-768x511.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\">Thiago Haule, Muro pintado na Avenida Rodrigues Alves, regi\u00e3o portu\u00e1ria do Rio de Janeiro, dentro do projeto Rua Walls, 2020. <\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; 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isso foi a base, mas v\u00eam tamb\u00e9m de pesquisas sobre a o reino de Kemet, que \u00e9 outra forma de nomear e compreender o Egito Antigo, uma recusa dessa ideia do Egito constru\u00edda pelos gregos e que tem a ver com as origens da di\u00e1spora africana. Vem dessas pesquisas sobre os povos ind\u00edgenas e sobre o Pan Africanismo. Minha principal refer\u00eancia de pesquisa, na verdade, \u00e9 o meu irm\u00e3o. Quando ele se formou em hist\u00f3ria eu acompanhei tudo, ele me ensinou como se fazia para pesquisar mais profundamente um tema que estava me interessando. Meu irm\u00e3o \u00e9 minha principal refer\u00eancia de pesquisa, na verdade para muitas coisas. E basicamente eu pensei em fazer arte porque desde moleque eu gostava muito de ver um programa chamado &#8220;O Mundo da Arte&#8221;.<sup>8<\/sup> Aquele sistema, aquele modo de pensar a vida, de cria\u00e7\u00e3o, seja pintando, esculpindo ,aquilo me fascinava. L\u00e1 vi muita coisa, conheci artistas como Am\u00edlcar de Castro, Carlos Fajardo e muitos outros.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Izabela<\/em><\/strong> \u2013 A fala de voc\u00eas confirma uma invers\u00e3o radical, a meu ver, que venho de uma educa\u00e7\u00e3o mais formal, sobre os modos como se produz conhecimento, sobre outras maneiras de se fazer cultura e compreender os processo de forma\u00e7\u00e3o na atualidade, em especial nos contextos perif\u00e9ricos, nas favelas. Outro dia assisti uma live com o Raul Santiago, um empreendedor e ativista por direitos do Complexo do Alem\u00e3o, e fiquei de cara quando ele percorreu ao vivo os caminhos que o levaram at\u00e9 onde ele est\u00e1 hoje, at\u00e9 a sua emancipa\u00e7\u00e3o. Ele disse que tudo come\u00e7ou com um grupos de amigos que frequentavam uma lan house, que era o principal espa\u00e7o de informa\u00e7\u00e3o, lazer e sociabilidade pra eles e que ia acabar por motivos econ\u00f4micos. Para que n\u00e3o se perdesse aquele espa\u00e7o, eles fizeram uma festa, a &#8220;orkut fest&#8221;. O processo de inven\u00e7\u00e3o da festa e a festa mesmo foram um sucesso! Dali em diante aquele movimento foi se desdobrando em uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es, cada vez mais com cunho social, que consequentemente resultaram em muitos aprendizados, fizeram acontecer o que eles queriam no territ\u00f3rio deles, como as a\u00e7\u00f5es mobilizadas por voc\u00eas, e os formaram para que depois pudessem seguir seus caminhos de trabalho e vida. Nesse grupo, al\u00e9m de Raul, estava gente como Ren\u00e9 Silva, do Voz das Favelas, e Tamira T\u00e2mara, do Gato M\u00eddia. Isso colocou como central no seu processo de forma\u00e7\u00e3o e emancipa\u00e7\u00e3o o que foi aprendido com as pessoas como ele, seus ancestrais e seus companheiros, e o desejo de transforma\u00e7\u00e3o da realidade \u00e0 sua volta. O cara \u00e9 um cientista social, um gestor absolutamente sagaz, est\u00e1 inventando junto com seus companheiros tecnologias sociais de ponta, de comunica\u00e7\u00e3o, de gest\u00e3o, ensinando isso pra muita gente, e em nenhum momento ele fala em universidade e em livros, no m\u00e1ximo de TEDx. Nessa gera\u00e7\u00e3o de pessoas como voc\u00eas \u2013 que diante da exclus\u00e3o se auto incluiram, que compreendem o valor da sua cultura e do seu modo de vida, que fazem por voc\u00eas mesmos \u2013 \u00e9 que est\u00e3o as maiores pot\u00eancias transformadoras das sociedades em que vivemos. Isso est\u00e1 cada vez mais claro!<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Diego<\/em><\/strong> \u2013 \u00c9 verdade, eu trago refer\u00eancia de fora, mas a maioria das coisas eu aprendi aqui, tudo come\u00e7ou aqui. At\u00e9 o grafite, sabe, porque eu busquei refer\u00eancias de fora, mas o meu primo Paulinho, por exemplo, quando chegava \u00e9poca de copa do mundo ele grafitava toda a rua! Aqui sempre teve uma galera que pintava coisas no muro. Isso tamb\u00e9m poderia ser considerado grafite.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Izabela<\/em><\/strong> \u2013 \u00c9 verdade! Eu nunca fiz essa associa\u00e7\u00e3o, dessas pinturas com o grafite&#8230; na rua em que eu vivi a minha inf\u00e2ncia isso tamb\u00e9m era feito direto, e a gente se habituou a conviver com aqueles desenhos mesmo depois da copa. Essa era uma pr\u00e1tica bem comum at\u00e9 os anos 1990, que hoje j\u00e1 n\u00e3o se v\u00ea tanto&#8230; era um grafite horizontal muitas vezes, feito no asfalto.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1280\" height=\"853\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-23_Diego_7.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-903\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-23_Diego_7.jpeg 1280w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-23_Diego_7-300x200.jpeg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-23_Diego_7-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-23_Diego_7-768x512.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><figcaption>Diego Zelota, Roda Cultural Central, Esta\u00e7\u00e3o Central do Brasil, Rio de Janeiro, s\/d.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1280\" height=\"853\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-24_Diego_10.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-901\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-24_Diego_10.jpeg 1280w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-24_Diego_10-300x200.jpeg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-24_Diego_10-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-24_Diego_10-768x512.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><figcaption>Diego Zelota, Roda Cultural Central, Esta\u00e7\u00e3o Central do Brasil, Rio de Janeiro, s\/d.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><em>Diego<\/em><\/strong> \u2013 Sim, s\u00e3o influ\u00eancias daqui do morro, de um passado que a gente vai juntando. Ter trabalhado no Museu de Arte do Rio tamb\u00e9m me deu uma sacudida. Mesmo que meu trabalho l\u00e1 fosse administrativo, ter estado l\u00e1 me deu a dimens\u00e3o de um campo profissional, sobre o que fazer com minha arte, de que se podia viver de arte. Eu fazia por hobby, para passar uma ideia, para estar com as pessoas com quem eu me identificava&#8230; para sair da Provid\u00eancia e ir trabalhar com esses caras no Morro do Pinto, que estavam envolvidos num movimento cultural, social, o coletivo I \u2665 MP&#8230; esse tipo de organiza\u00e7\u00e3o eu n\u00e3o tinha contato aqui na Provid\u00eancia ent\u00e3o eu comecei a trazer tudo o que eu conhecia de fora para dentro da favela, e alguns caras daqui come\u00e7aram a me procurar, como pessoal da Roda Cultural Central,<sup>9<\/sup> que tinham visto a Roda Cultural do Morro do Pinto e adoraram.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Izabela<\/em><\/strong> \u2013 Eu vi no seu Instagram as fotos que voc\u00ea fez da Roda Cultural da Central, gostei muito, a gente trocou at\u00e9 algumas mensagens \u00e0 \u00e9poca. Como foi que voc\u00ea come\u00e7ou a fotografar?<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Diego<\/em><\/strong> \u2013 Eu ainda n\u00e3o apresentei minha fotografia para o mundo, eu mostro poucos cliques&#8230;talvez tudo isso s\u00f3 tenha valor quando eu ficar bem velho&#8230; mas o que eu fotografo s\u00e3o coisas que est\u00e3o em constante movimento. Eu fotografo hoje e amanh\u00e3 j\u00e1 \u00e9 outra coisa, e, de certa maneira, a fotografia \u00e9 uma forma de acompanhar a mudan\u00e7a nesse cen\u00e1rio, uma \u201cfotografia futurista\u201d. E tem muita coisa que est\u00e1 desaparecendo, como a cultura do carrinho de rolim\u00e3&#8230; as festas juninas&#8230; aqui na Provid\u00eancia tinha uma cultura muito forte de festa junina, era algo que mobilizou geral por muito tempo, eu fotografei isso&#8230; e agora n\u00e3o est\u00e1 mais acontecendo. Eu comecei a fotografar com o Maur\u00edcio Hora, eu n\u00e3o entendia nada. E tudo \u00e9 quest\u00e3o de entendimento. E vi um cara no meio da noite, sem luz nenhuma, em cima de uma escada fotografando. Voc\u00ea \u00e9 maluco? N\u00e3o tem luz nenhuma a\u00ed, o que voc\u00ea est\u00e1 fazendo? Eu perguntei, e ele me disse que estava fazendo uma fotografia de longa exposi\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o tipo de fotografia que eu gosto de fazer. Eu gosto muito de trabalhar uma longa exposi\u00e7\u00e3o, sentar no cen\u00e1rio e esperar pra ver at\u00e9 quando aquelas coisas ao redor v\u00e3o se unir e dar aquele boom de imagem.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1280\" height=\"853\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-25_Diego_4.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-905\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-25_Diego_4.jpeg 1280w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-25_Diego_4-300x200.jpeg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-25_Diego_4-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-25_Diego_4-768x512.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><figcaption>Diego Zelota, Festa Junina na pra\u00e7a do Morro da Provid\u00eancia, Rio de Janeiro, s\/d.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1280\" height=\"853\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-26_Diego_5.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-907\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-26_Diego_5.jpeg 1280w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-26_Diego_5-300x200.jpeg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-26_Diego_5-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-26_Diego_5-768x512.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><figcaption>Diego Zelota, Festa Junina na pra\u00e7a do Morro da Provid\u00eancia, Rio de Janeiro, s\/d.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><em>Izabela<\/em><\/strong> \u2013 Thiago, Sandro, e como surgiu o I &nbsp;\u2665 MP?<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Sandro<\/em><\/strong> \u2013 A primeira a\u00e7\u00e3o foi feita pelo Thiago, em 2011.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Thiago<\/em><\/strong> \u2013 O coletivo I \u2665 MPcome\u00e7ou em 2011, mas eu vou ainda mais longe, nos prim\u00f3rdios, no coletivo Topinheco 07, que come\u00e7ou em 2007. Topin \u00e9 Pinto com as s\u00edlabas ao contr\u00e1rio e Nheco era um dos antigos nomes do Morro do Pinto, Morro do Nheco. Essa j\u00e1 era uma movimenta\u00e7\u00e3o dos amigos, n\u00f3s ocup\u00e1vamos a quadra de um bloco carnavalesco o Independentes do Morro do Pinto, no alto do morro. N\u00f3s \u00e9ramos mais jovens, cada um j\u00e1 iniciando a sua correria, tentando se encontrar em si mesmo, achar seus caminhos, mas n\u00f3s procur\u00e1vamos fazer uma reestrutura\u00e7\u00e3o do local e criar a\u00e7\u00f5es culturais. Isso foi esfriando e com o tempo acabou. O nome do coletivo I \u2665 MP \u00e9 uma par\u00f3dia com essa marca \u201cI \u2665 NY\u201d, que a gente via em todos os lugares, em bon\u00e9s, adesivos, e n\u00e3o tinha nada a ver com a gente. Eu depois conheci Nova York e gostei bastante, mas na \u00e9poca eu nem conhecia. A primeira a\u00e7\u00e3o do I \u2665 MP em 2011 foi a pintura da frase I \u2665 MP em um muro na Rua Santo Cristo, de frente para a Rua Sara, perto da antiga f\u00e1brica de chocolates Behing. Eu pintei e n\u00e3o falei para ningu\u00e9m. Ent\u00e3o a galera come\u00e7ou a falar: \u201cVoc\u00ea viu o que pintaram l\u00e1 em baixo? Caramba, maneiro, I \u2665 MP!\u201d Quando chegou nos amigos mais pr\u00f3ximos eu disse que tinha feito o trabalho e ent\u00e3o as ideias come\u00e7aram a fervilhar. E dali em diante a gente come\u00e7ou a se movimentar como grupo em prol de atividades culturais. Eram grandes amigos, e outras pessoas foram se agregando, como o Diego, cada um com suas especificidades, querendo somar e realizar os trabalhos que a gente sempre tinha pensado em fazer.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"alignnormal\"><div id=\"metaslider-id-876\" style=\"width: 100%; margin: 0 auto;\" class=\"ml-slider-3-20-3 metaslider metaslider-flex metaslider-876 ml-slider\">\n    <div id=\"metaslider_container_876\">\n        <div id=\"metaslider_876\">\n            <ul aria-live=\"polite\" class=\"slides\">\n                <li style=\"display: block; width: 100%;\" class=\"slide-883 ms-image\"><img width=\"400\" height=\"225\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/1.1.jpg\" class=\"slider-876 slide-883\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"1.1\" style=\"margin-top: 5.0178571428571%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/1.1.jpg 400w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/1.1-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\">Inscri\u00e7\u00f5es do coletivo I \u2665MP nos muros da Regi\u00e3o Portu\u00e1ria, s\/d.<\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-884 ms-image\"><img width=\"612\" height=\"612\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/1.2.jpg\" class=\"slider-876 slide-884\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"1.2\" style=\"margin: 0 auto; width: 66.285714285714%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/1.2.jpg 612w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/1.2-300x300.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/1.2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 612px) 100vw, 612px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\">Inscri\u00e7\u00f5es do coletivo I \u2665MP nos muros da Regi\u00e3o Portu\u00e1ria, s\/d.<\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-885 ms-image\"><img width=\"1339\" height=\"1405\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/1-10-rotated.jpg\" class=\"slider-876 slide-885\" alt=\"\" loading=\"lazy\" rel=\"\" title=\"1\" style=\"margin: 0 auto; width: 63.171936959837%\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/1-10-rotated.jpg 1339w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/1-10-286x300.jpg 286w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/1-10-976x1024.jpg 976w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/1-10-768x806.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1339px) 100vw, 1339px\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\">Inscri\u00e7\u00f5es do coletivo I \u2665MP nos muros da Regi\u00e3o Portu\u00e1ria, s\/d.<\/div><\/div><\/li>\n            <\/ul>\n        <\/div>\n        \n    <\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><strong><em>Sandro<\/em><\/strong> \u2013 E foi tamb\u00e9m uma resposta \u00e0 revitaliza\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o portu\u00e1ria que estava come\u00e7ando a acontecer. Essa revitaliza\u00e7\u00e3o nunca chegou pra n\u00f3s, ent\u00e3o a gente pensou: se a revitaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o chega aqui a gente vai come\u00e7ar a agir, vamos fazer a nossa pr\u00f3pria revitaliza\u00e7\u00e3o. E isso motivou a gente a criar e fazer, a sair pintando, a colocar m\u00fasica na rua&#8230;a gente se deu conta, e at\u00e9 hoje \u00e9 assim, que essa revitaliza\u00e7\u00e3o chegava at\u00e9 a pra\u00e7a Mau\u00e1, no m\u00e1ximo, ao in\u00edcio da Rua Sacadura Cabral, e que ela n\u00e3o ia chegar aqui. Como nunca chegou, n\u00f3s resolvemos fazer por n\u00f3s mesmos. Ent\u00e3o fizemos roda de rima no alto do morro, colocamos m\u00fasica na rua, realizamos pinturas de muros, oficinas, e tudo por conta pr\u00f3pria, com o dinheiro do bolso de cada um, a gente arrumava uma lata de tinta aqui, outra coisa l\u00e1\u2026 e assim seguimos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"600\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-30_Thiago_10.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-909\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-30_Thiago_10.jpg 1200w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-30_Thiago_10-300x150.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-30_Thiago_10-1024x512.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-30_Thiago_10-768x384.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption>Thiago Haule, St\u00eancil sobre portas de madeira, s\/d.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"512\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-31_Thiago_11-512x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-911\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-31_Thiago_11-512x1024.jpg 512w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-31_Thiago_11-150x300.jpg 150w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-31_Thiago_11-768x1536.jpg 768w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-31_Thiago_11-1024x2048.jpg 1024w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/03\/Fig-31_Thiago_11.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><figcaption>Thiago Haule, St\u00eancil sobre portas de madeira, s\/d.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><em>Thiago<\/em><\/strong> \u2013 \u00c9&#8230; a gente fazia uma caixinha, ficava uns meses sem fazer nada para juntar dinheiro, pegava cerveja consignada, vendia cerveja, fazia adesivo pra vender e assim arrumava dinheiro pra realizar os eventos, as pinturas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Sandro<\/em><\/strong> \u2013 Nessa conhecemos Diego, ele chegou junto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Izabela<\/em><\/strong> \u2013 Gente, \u00e9 mesmo impressionante a maneira como ser artista para voc\u00eas surge colado a esse sentimento de querer fazer algo pelo seu territ\u00f3rio. \u00c9 dif\u00edcil at\u00e9 de identificar o que vem primeiro, porque do mesmo jeito que a arte foi algo que serviu para despertar o olhar para a pot\u00eancia e a beleza da origem e do lugar de voc\u00eas, viver nesse lugar tamb\u00e9m formou voc\u00eas para a arte. \u00c9 t\u00e3o bonito&#8230; isso d\u00e1 tanto sentido para o lugar do artista na sociedade&#8230; \u00e9 uma outra perspectiva, ou ainda \u00e9 um resgate cr\u00edtico de uma perspectiva que est\u00e1 na origem da arte, que \u00e9 pr\u00e9-moderna, que n\u00e3o tem nada a ver com a ideia de uma arte cuja autonomia estaria em se retirar do cotidiano e se colocar sobre um pedestal, na moldura dos museus. No caso do trabalho de voc\u00eas, ser artista envolve n\u00e3o apenas fazer um trabalho de arte, mas sim assumir diferentes pap\u00e9is como um agente cultural cuja a\u00e7\u00e3o \u00e9 mais complexa e situada. Envolve tamb\u00e9m criar as estruturas por onde o seu trabalho e o de outros vai circular, criar as condi\u00e7\u00f5es para que outras pessoas tamb\u00e9m possam ser artistas ou ter o contato com a arte e, ent\u00e3o, a partir disso, mudar sua rela\u00e7\u00e3o com o seu lugar e com a sua origem. Isso d\u00e1 outro sentido pra ideia de artista, de arte, isso coloca a arte como uma manifesta\u00e7\u00e3o da ordem da pol\u00edtica, muito mais fortemente do que simplesmente abordar, ou representar um tema ou uma quest\u00e3o pol\u00edtica. Voc\u00eas s\u00e3o demais\u2026! E como voc\u00ea ficou sabendo deles Diego?<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Diego<\/em><\/strong> \u2013 A gente j\u00e1 dividia algumas ideias, e eu, de certa forma, tava sempre procurando gente desse rol\u00e9 de arte, uma galera que queria fazer e acontecer onde a gente mora, despertar esse amor pelo local. Eu sinceramente gosto de morar no Morro da Provid\u00eancia, mesmo que eu tenha crescido com aquele pensamento de que sua vida s\u00f3 melhora depois que voc\u00ea sai do morro. Eu perdi meu pai muito cedo, e minha m\u00e3e \u00e9 muito diferente de mim, ela sempre teve muito medo, sempre quis me prender em casa por causa dessa imagem ruim da favela, dos tiroteios. Ela demorou pra entender o meu <em>lifestyle<\/em>. Eu sou feliz de poder cuidar do meu filho aqui. Eu posso sair da minha casa e deixar a porta aberta e ningu\u00e9m vai roubar nada. Eu gosto daqui, tenho prazer e agrade\u00e7o pelas experi\u00eancias que eu tive aqui. A arte, a fotografia, me ajudou a ver o lado bonito de tudo. E eu quero devolver isso.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Sandro<\/strong> <\/em>\u2013 E eu acho que essas a\u00e7\u00f5es que a gente fez na guerrilha deram fruto, e d\u00e3o at\u00e9 hoje. A gente v\u00ea no Morro do Pinto em alguns lugares a inscri\u00e7\u00e3o&nbsp; I \u2665 MP e muitas delas n\u00e3o fomos n\u00f3s que fizemos. Essas pessoas est\u00e3o declarando o seu amor pelo morro do Pinto! A gente tocou essa galera. Tanto \u00e9 que quando a gente fazia as a\u00e7\u00f5es sempre vinha algu\u00e9m e falava: \u201cpinta l\u00e1 em casa, que trabalho maneiro! Foram voc\u00eas que fizeram?\u201d Despertava o desejo das pessoas de ter um contato mais pr\u00f3ximo com a arte, de ver um trabalho legal no seu muro. E isso foi criando nelas um sentimento de pertencimento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Diego<\/em> <\/strong>\u2013 Tinha gente que perguntava se a gente ensinava isso, que dizia \u201cmeu filho tem vontade de aprender isso\u201d, que queria saber aonde a gente estava\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Sandro<\/em><\/strong> \u2013 A gente chegou a fazer uma aula de grafite e veio a maior crian\u00e7ada. Era uma forma de afirmar que tinham muitas coisas aqui, se voc\u00eas acham que \u00e9 favela e que por isso n\u00e3o vai ter nada est\u00e3o enganados. Tem gente aqui que pode criar algo mirabolante, sensacional!<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Izabela<\/em> <\/strong>\u2013 A favela tem sido historicamente um lugar de pot\u00eancia e voc\u00eas est\u00e3o afirmando isso dentro da favela com o trabalho e modo de vida de voc\u00eas. Com isso voc\u00eas est\u00e3o, ao mesmo tempo, afirmando a sua pot\u00eancia e abrindo a possibilidade para que as pessoas mudem as suas concep\u00e7\u00f5es sobre seu lugar de origem, sobre elas mesmas. Isso \u00e9 fazer da arte uma contra narrativa, um instrumento de emancipa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Sandro<\/em><\/strong> \u2013 A gente nunca ganhou muito dinheiro com isso, na verdade muitas vezes eu gastei dinheiro. Ent\u00e3o \u00e9 mesmo um desejo genu\u00edno\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Diego<\/em><\/strong> \u2013 Eu aprendo muito com o Thiago&#8230; e ele sempre fala que eu n\u00e3o sei dar pre\u00e7o no meu trabalho, que eu n\u00e3o me valorizo como artista. Eu entendo o que ele est\u00e1 dizendo e estou amadurecendo nesse sentido. Mas eu fico feliz quando eu vendo alguma coisa pra algu\u00e9m que vive onde eu moro. Que tem as mesmas viv\u00eancias que eu tenho. E vender barato me d\u00e1 essa possibilidade de vender um trabalho para algu\u00e9m igual a mim, algu\u00e9m do meu territ\u00f3rio. Eu quero reverenciar gente igual a mim, gente do meu territ\u00f3rio. Isso me deixa feliz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">***<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Diego Zelota<\/em><\/strong> <br>Artista visual e fot\u00f3grafo. Inquieto, transita por toda a cidade, por diferentes mundos e traz refer\u00eancias de muitos lugares para o seu trabalho sem deixar de se afirmar como cria do Morro da Provid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Izabela Pucu<\/em><\/strong> <br>Curadora, pesquisadora, professora, editora e gestora cultural. Doutora em Hist\u00f3ria e Cr\u00edtica de Arte (PPGAV\/EBA\/UFRJ). Organizou diversos livros, realizou curadorias, pesquisas, entre outros projetos, de forma independente e no campo institucional. Vencedora do pr\u00eamio Jabuti 2020.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Sandro Rodrigues<\/em><\/strong> <br>Licenciado em Hist\u00f3ria e fot\u00f3grafo autodidata. Transita sempre entre as duas \u00e1reas, imprimindo um car\u00e1ter documental \u00e0 sua fotografia. Vem desde 2017 registrando o bairro do Santo Cristo, na zona portu\u00e1ria do Rio de Janeiro, suas tradi\u00e7\u00f5es e sua gente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Thiago &#8220;Haule&#8221; Rodrigues<\/em><\/strong> <br>Fot\u00f3grafo popular, artista visual autodidata. Constr\u00f3i narrativas a partir da inser\u00e7\u00e3o de imagens e interfer\u00eancias no seu territ\u00f3rio, articulando refer\u00eancia como o Pan Africanismo e a luta dos povos ind\u00edgenas,&nbsp; para tratar das desigualdade do nosso tempo.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><sup>1<\/sup> Di\u00e1logo produzido a partir de um encontro virtual na plataforma <em>zoom<\/em>, no dia 26 de agosto de 2020, durante a pandemia da Covid-19. A conversa durou cerca de 2 horas e meia e foi transcrita e editada por Izabela Pucu, que tamb\u00e9m introduziu as notas. Sandro Rodrigues produziu diretamente por escrito alguns par\u00e1grafos atribu\u00eddos a ele, em especial as passagens mais po\u00e9ticas sobre o Morro do Pinto, e Thiago Haule complementou algumas quest\u00f5es por mensagem de \u00e1udio no whatsapp em 15 de setembro de 2020, que foram introduzidas no texto final.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>2 <\/sup>N\u00e3o se sabe bem de quem \u00e9 o samba, e o restante da letra, mas a frase ficou na cabe\u00e7a de Sandro\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><sup>3<\/sup> Trecho do rap &#8220;Barroso e Morro do Pinto&#8221;, de Adal e Pica Pau, dispon\u00edvel no youtube &nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=-cz9fdz0C6c\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=-cz9fdz0C6c<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>4<\/sup> Ver texto &#8220;A ponte dos amores&#8221;, escrito por Sandro Rodrigues e publicado em 28\/03\/2019 na p\u00e1gina do Coletivo I &lt;3 MP no facebook. Dispon\u00edvel no link https:\/\/www.facebook.com\/notes\/coletivo-mp\/a-ponte-dos-amores\/2127664477326172<\/p>\n\n\n\n<p><sup>5 <\/sup>Rua Walls \u00e9 um projeto que envolve diversas a\u00e7\u00f5es, entre elas a ocupa\u00e7\u00e3o com grafites de grande formato dos muros dos antigos armaz\u00e9ns da avenida Rodrigues Alves, na Regi\u00e3o Portu\u00e1ria do Rio de Janeiro. Participam do projeto os artistas Agrade Cam\u00eds, Amorinha, Bruno Lyfe, C\u00e9lio, Chica Capeto, Diego Zelota, Doloroes Esos, Flora, Yumi, Igor SRC, Leandro Assis, Luna Bastos, Mari\u00ea Balbinot, Marlon Muk, Miguel Afa, Paula Cruz, Thiago Haule, Vinicius Mesquita e Ziza. O projeto envolve ainda uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es sociais e culturais na regi\u00e3o. Sobre o projeto ver o site https:\/\/www.ruawalls.com\/<\/p>\n\n\n\n<p><sup>6<\/sup> Griot (tamb\u00e9m grafado gri\u00f4; com a forma feminina griote), jali ou jeli (djeli ou <em>dj\u00e9li<\/em> na ortografia francesa), \u00e9 o indiv\u00edduo que na \u00c1frica Ocidental tem por voca\u00e7\u00e3o preservar e transmitir as hist\u00f3rias, conhecimentos, can\u00e7\u00f5es e mitos do seu povo. Existem griots m\u00fasicos e griots contadores de hist\u00f3rias. Fonte wikipedia.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>7 <\/sup>Lucia Maria dos Santos, a Tia L\u00facia, moradora do Morro do Pinto, \u00edcone da regi\u00e3o Portu\u00e1ria, falecida em setembro de 2018.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>8<\/sup> Programa &#8220;O Mundo da Arte&#8221;, exibido pela STV, a antiga Rede Sesc\/Senac de Televis\u00e3o (hoje SescTV), no ano 2000. Entre 2005 e 2007, tamb\u00e9m foi exibido pela TVE Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>9<\/sup> Roda Cultural Central \u00e9 uma roda de rima em que poetas e rappers se enfrentam no formato de batalha de sangue.&nbsp; Mobilizada por jovens do Morro da Provid\u00eancia, acontece \u00e0s quartas feiras \u00e0 noite atr\u00e1s da esta\u00e7\u00e3o Central do Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vidas escondidas que revelam vidas escondidas na Pequena \u00c1frica: um di\u00e1logo entre Diego Zelota, Izabela Pucu, Thiago Haule e Sandro Rodrigues1 Sandro Rodrigues \u2013 Estou falando aqui do alto da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/826"}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=826"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/826\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3445,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/826\/revisions\/3445"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=826"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}