{"id":102,"date":"2021-03-09T14:44:40","date_gmt":"2021-03-09T17:44:40","guid":{"rendered":"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/?page_id=102"},"modified":"2021-05-25T14:43:02","modified_gmt":"2021-05-25T17:43:02","slug":"glossario","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/glossario\/","title":{"rendered":"Gloss\u00e1rio"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"960\" height=\"540\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/05\/Glossario_CAPA_PORT.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3697\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/05\/Glossario_CAPA_PORT.jpg 960w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/05\/Glossario_CAPA_PORT-300x169.jpg 300w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/05\/Glossario_CAPA_PORT-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2>    <\/h2>\n\n\n\n<h2>                                                                                   Gloss\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>A boa narrativa<\/em><\/strong>: Nenhuma representa\u00e7\u00e3o visual que eu j\u00e1 tenha visto capturou a natureza da Provis\u00e3o Direta \u2013 o programa dos refugiados politicos da Irlanda \u2013, a verdade da descri\u00e7\u00e3o de pris\u00e3o aberta, a continuidade do sistema da Provis\u00e3o Direta dentro da hist\u00f3ria de encarceramento e institucionaliza\u00e7\u00e3o pelo Estado de popula\u00e7\u00f5es-alvo, como o&nbsp;<em>Asylum Archive&nbsp;<\/em>de Vuka\u0161in Nedeljkovi\u0107 conseguiu de forma t\u00e3o efetiva e direta. Como muitos cr\u00edticos e comentadores observaram, a aus\u00eancia de qualquer figura humana no relato fotogr\u00e1fico de&nbsp;<em>Asylum Archive&nbsp;<\/em>do sistema de Provis\u00e3o Direta e Dispers\u00e3o rejeita o que Charlotte McIvor descreve como \u201ca demanda por desempenho burocr\u00e1tico do refugiado\u201d, que se estende desde o labirinto jur\u00eddico do processo de solicita\u00e7\u00e3o de defesa da ONG at\u00e9 a pr\u00e1tica art\u00edstica e representa\u00e7\u00e3o.<sup>5<\/sup>&nbsp;A recusa de Nedeljkovi\u0107 em usar imagens ou narrativas pessoais de requerentes de asilo em&nbsp;<em>Asylum Archive<\/em>&nbsp;se baseia em sua cr\u00edtica \u00e0 convers\u00e3o de seres humanos em boas hist\u00f3rias para divulga\u00e7\u00e3o por ONGs, pela m\u00eddia e mesmo em pr\u00e1ticas art\u00edsticas criativas, sendo uma rejei\u00e7\u00e3o impl\u00edcita e por vezes expl\u00edcita ao uso simb\u00f3lico que \u00e9 feito, em certas ocasi\u00f5es, dos requerentes de asilo no terceiro setor. Em vez disso, como apontam os estudiosos McIvor e Ronit Lentin,&nbsp;<em>Asylum Archive&nbsp;<\/em>redireciona nosso olhar para a arquitetura sistem\u00e1tica de segrega\u00e7\u00e3o racializada, abandono e deportabilidade chamada Provis\u00e3o Direta. O desenvolvimento de uma pol\u00edtica de representa\u00e7\u00e3o, de uma est\u00e9tica e de uma narrativa (a boa hist\u00f3ria) radicalmente cr\u00edticas \u00e9 central para o projeto de Nedeljkovi\u0107 e para o trabalho pol\u00edtico e representacional de&nbsp;<em>Asylum Archive<\/em>.\u2013 <strong><em>Anne Mulhall e Vuka\u0161in Nedeljkovi\u0107<\/em><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Arbitraridade<\/em><\/strong>: O programa de refugiados pol\u00edticos na Irlanda, com muitas respostas institucionais e estaduais aos refugiados e migrantes no mundo inteiro, \u00e9 um sistema profundamente racista, cuja prioridade \u00e9 rejeitar o maior n\u00famero de pessoas poss\u00edvel, seja na fronteira ou no labirinto jur\u00eddico do processo de \u201cprote\u00e7\u00e3o\u201d. Assim, o sistema n\u00e3o foi projetado para auxiliar ao m\u00e1ximo poss\u00edvel aqueles que buscam prote\u00e7\u00e3o, mas para apanhar o maior n\u00famero poss\u00edvel de pessoas.<sup>7<\/sup>&nbsp;Parte da hostilidade que est\u00e1 inscrita no sistema de asilo \u00e9 sua temporalidade radicalmente incerta. A pessoa a quem o processo diz respeito n\u00e3o tem acesso a um cronograma de quando a entrevista ocorrer\u00e1 ou quando uma decis\u00e3o ser\u00e1 tomada sobre seu caso. Em vez de uma anistia claramente anunciada, uma arbitrariedade incerta mant\u00e9m as pessoas em um estado de paralisia entre a esperan\u00e7a e o medo, sem saber se ir\u00e3o obter resid\u00eancia, esperan\u00e7osas de que conseguir\u00e3o, mas temendo n\u00e3o conseguir. A arbitrariedade n\u00e3o \u00e9 um subproduto acidental da incompet\u00eancia sist\u00eamica, mas um mecanismo crucial de controle no cerne do regime de asilo e deporta\u00e7\u00e3o. Ela dirige aquele estado suspenso que as pessoas descrevem como uma esp\u00e9cie de morte em vida. \u2013 <strong><em>Anne Mulhall<\/em><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Clandestinidade:<\/em><\/strong> \u201ca ousadia de ser outro e ele mesmo\u201d<sup>1<\/sup>, um perder-se de si, para, no coletivo, voltar a existir. O clandestino, quando em encruzilhadas, escolhe se despir de si e deixa para tr\u00e1s seus afetos, objetos, mem\u00f3rias, que pode nunca reencontrar. Essa perda \u00e9 parte da escolha pela vida, n\u00e3o s\u00f3 sua, mas da possibilidade do bem comum. H\u00e1 uma singularidade da experi\u00eancia clandestina, como o nomadismo, a pouca bagagem, poucos objetos. Nada que pese e que n\u00e3o possa ser deixado pra tr\u00e1s. Um avesso aos ac\u00famulos, dedica-se ao mundo sem fronteiras, onde a nacionalidade se perde. Pode ser uma experi\u00eancia apenas, mas que marca um modo de ser e agir profundos, produzindo perman\u00eancias. A clandestinidade do artista produz a\u00e7\u00f5es na urg\u00eancia das manifesta\u00e7\u00f5es do tempo presente, a partir de uma l\u00f3gica pr\u00f3pria, produzindo subjetividades que s\u00f3 a experi\u00eancia clandestina possibilita, criando m\u00faltiplas marcas. Concebidas numa trama de rela\u00e7\u00f5es com o \u201coutro\u201d, o outro no sentido mais amplo, desde as outras pessoas com quem se convive at\u00e9 o ambiente em que interv\u00eam, o cotidiano, as mudan\u00e7as, as escolhas, prefer\u00eancias, as mem\u00f3rias produzidas. Ao relacionar percursos, que passam entre os lugares da mem\u00f3ria e do arquivo, procura-se movimentar o exerc\u00edcio de contar algo, criando din\u00e2micas diversas entre imagem e escrita, onde o testemunho tornou-se pe\u00e7a fundamental para a composi\u00e7\u00e3o dessa pr\u00e1tica. \u2013 <strong><em>Anita Sobar<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Democratizar a literatura: <\/em><\/strong>\u00c9 preciso buscar maneiras de pensar que tornem dif\u00edcil distinguir democracia e literatura. Nesse sentido, uma proposta da fil\u00f3sofa norte-americana Martha Nussbaum, segundo a qual uma educa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica precisa atuar contra comportamentos narcisistas e, portanto, preconceituosos, pode participar desse problema. Assim, para al\u00e9m de prover as condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de acesso \u00e0 literatura (alfabetiza\u00e7\u00e3o e letramento, bibliotecas p\u00fablicas e liberdade de express\u00e3o), a sua democratiza\u00e7\u00e3o implica a participa\u00e7\u00e3o em leituras coletivas nas quais as impress\u00f5es de leitura sejam mediadas em prol de afetos democr\u00e1ticos, na contram\u00e3o do narcisismo infantil que baseia as representa\u00e7\u00f5es totalit\u00e1rias. \u2013 <strong><em>Luiz Guilherme Ribeiro Barbosa<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Desesconder<\/em><\/strong>: Ato de tornar vis\u00edvel, percept\u00edvel, presente novamente; contr\u00e1rio de esconder. Sugere a ideia de algo que j\u00e1 esteve acess\u00edvel anteriormente e foi escondido e\/ou apenas invisibilizado. \u00c9 o evento que recupera novamente sua visibilidade, \u00e9 evidenciado, exposto e comentado. Desesconder algo \u00e9 apresentar em inst\u00e2ncias para al\u00e9m do \u00edntimo; \u00e9 promover intera\u00e7\u00f5es, conex\u00f5es e leituras na promo\u00e7\u00e3o do encontro, do olhar e de percep\u00e7\u00f5es.&nbsp;\u00c9 o que pode nunca ter estado escondido, mas que n\u00e3o se conjugava com a t\u00eanue linha de exist\u00eancia da a\u00e7\u00e3o comunicativa. Tem car\u00e1ter de novidade, mas pode ser apenas provoca\u00e7\u00e3o para a percep\u00e7\u00e3o. Desesconder pode ser sin\u00f4nimo de revelar, desvelar, aparecer, mostrar, apresentar, notabilizar, manifestar, transparecer, avultar; dentre outros termos, experi\u00eancia de exalta\u00e7\u00e3o e partilha. \u2013 <strong><em>Leandro Almeida<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Deslizar<\/em><\/strong><strong>:<\/strong> Uma esp\u00e9cie de falha. E \u2013 no instante da falha \u2013 o abandono da ideia de acerto, do tra\u00e7ado linear a ser percorrido, do caminho inteiri\u00e7o, do ponto de chegada, do ch\u00e3o firme. Deslizar \u00e9 uma esp\u00e9cie de exerc\u00edcio da falha, de vontade de falha, de desvelamento da falha. Deslizar \u00e9 trope\u00e7ar no meio da rua e gostar da forma como o corpo se revira no flagrante do ato. Deslizar \u00e9 se apaixonar pelo movimento, err\u00e1tico, f\u00edsico, fragmentado. Movimento. \u2013<strong><em>Cintya Ferreira e Mariana de Lima<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Desvelando o escondido: <\/em><\/strong>Apesar da abertura recente da sociedade irlandesa no sentido de adotar mudan\u00e7as sociais mais liberais, a Irlanda ainda est\u00e1 lutando em 2020 com uma hist\u00f3ria p\u00f3s-colonial muito complexa. Faz menos de cem anos que nos tornamos um Estado independente, e o \u00faltimo s\u00e9culo foi marcado por revolu\u00e7\u00e3o, independ\u00eancia, guerra civil, parti\u00e7\u00e3o, subdesenvolvimento econ\u00f4mico e emigra\u00e7\u00e3o. A vida social desse novo Estado independente foi moldada por uma estreita alian\u00e7a de uma classe pol\u00edtica conservadora e uma hierarquia cat\u00f3lica doutrin\u00e1ria igualmente conservadora. Essas for\u00e7as produziram efeitos em todos os aspectos da vida social, educacional e econ\u00f4mica. Apesar das mudan\u00e7as radicais que o eleitorado promoveu em referendos recentes (representados de forma mais clara pelo reconhecimento do direito das mulheres \u00e0 autonomia sobre seus corpos em 2018 e pela igualdade do casamento entre pessoas do mesmo sexo em 2015), ainda h\u00e1 um legado remanescente dos sistemas institucionais repressivos do in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Na Irlanda atual, muitos artistas socialmente engajados lutam com esse legado e seu respectivo impacto e chamam a aten\u00e7\u00e3o com seu trabalho para quest\u00f5es sociais e vozes anteriormente escondidas, trazendo-as \u00e0 luz. Nos \u00faltimos trinta anos, a pr\u00e1tica art\u00edstica socialmente engajada cresceu em sua complexidade para envolver, apoiar e defender a mudan\u00e7a.                                                                                    \u2013 <strong><em>Helen O\u2019Donoghue<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Eb\u00f3-Raps\u00f3dia<\/em><\/strong>: A pe\u00e7a-filme <em>Em busca de Judith<\/em>,com atriz J\u00e9ssica Barbosa e dire\u00e7\u00e3o de Pedro S\u00e1 Morais, parte da descoberta da interna\u00e7\u00e3o num manic\u00f4mio da av\u00f3 da J\u00e9ssica \u2013 Judith. Dos documentos, restou uma foto e uma carta enviada pela assistente social do hosp\u00edcio \u00e0 tia mais velha de J\u00e9ssica, revelando a morte de sua m\u00e3e. Uma frase conhecida de Walter Benjamin tornou-se uma esp\u00e9cie de norte: \u201cArticular historicamente o passado n\u00e3o significa conhec\u00ea-lo como ele de fato foi. Significa se apropriar de uma reminisc\u00eancia, tal como ela relampeja no momento de um perigo\u201d<sup>2<\/sup>. O sentido, portanto, n\u00f3s precisar\u00edamos fund\u00e1-lo, n\u00e3o no que foi, mas no que \u00e9. O resultado \u00e9 for\u00e7osamente fragment\u00e1rio. E achamos bom que seja assim. O te\u00f3rico franc\u00eas Jean-Pierre Sarrazac<sup>3<\/sup> prop\u00f5e para descrever o teatro contempor\u00e2neo o conceito de raps\u00f3dia. Segundo a etimologia da palavra, <em>rhaptein<\/em>, o rapsodo \u00e9 aquele que costura, que ajusta c\u00e2nticos, trechos, elementos d\u00edspares e heterog\u00eaneos. N\u00e3o h\u00e1 ilus\u00e3o de imparcialidade ou transpar\u00eancia, n\u00e3o se busca a absor\u00e7\u00e3o ou o encantamento absoluto, mas a reflex\u00e3o, o questionamento, a a\u00e7\u00e3o compartilhada. Como num ritual, n\u00e3o h\u00e1 plateia, todos s\u00e3o participantes. E J\u00e9ssica, depois de repetidos enfrentamentos, durante os ensaios, com o aspecto desestabilizante da presen\u00e7a de Judith e de tantas Judiths de ontem e hoje, chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que a \u00fanica forma vi\u00e1vel de empreender a travessia seria viv\u00ea-la como ritual. \u201c\u00c9 um Eb\u00f3\u201d, disse J\u00e9ssica. O que estamos fazendo \u00e9 uma oferenda para minha av\u00f3, para minha bisav\u00f3 Francisca, para todas as Judiths, \u00e9 um Eb\u00f3. Assim, descobrimos que <em>Em Busca de Judith<\/em> \u00e9 um Eb\u00f3. Um Eb\u00f3-Raps\u00f3dia. \u2013 <strong><em>J\u00e9ssica Barbosa e Pedro S\u00e1 Moraes<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Efeitos transgeracionais: <\/em><\/strong>O efeito transgeracional da viol\u00eancia do estado \u00e9 de dif\u00edcil produ\u00e7\u00e3o de sentido e ecoa escondido, por tratar-se de uma mem\u00f3ria fragmentada, soterrada, acometida pelo silenciamento e esquecimento. Compreende-se, a\u00ed, a efici\u00eancia da opress\u00e3o nos estados de exce\u00e7\u00e3o. \u00c9 quando a transfer\u00eancia da dor emocional, f\u00edsica e social sofrida por familiares afeta as novas gera\u00e7\u00f5es, para al\u00e9m de um simples comportamento aprendido. \u2013 <strong><em>Anita Sobar e K\u00eania Maia<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Encarceramento<\/em><\/strong>: Estar \u201cdentro\u201d \u00e9 o eufemismo para estar na pris\u00e3o. Os espa\u00e7os internos s\u00e3o em sua maioria pequenos, envoltos, \u00e0s vezes se empurram contra as paredes, outras vezes s\u00e3o um ref\u00fagio de tudo o que est\u00e1 fora. As palavras eloq\u00fcentes do Professor Ciar\u00e1n Benson refletem sobre os mundos interconectados e contidos da pris\u00e3o e da identidade privada, expressos em minha obra, criada em colabora\u00e7\u00e3o com prisioneiros do sistema carcer\u00e1rio irland\u00eas, intitulada <em>Altares do Encarceramento<\/em>. Meu trabalho se concentra em aumentar a visibilidade de um grupo desprivilegiado e escondido, ao mesmo tempo em que estimula o engajamento c\u00edvico e a inclus\u00e3o. Como artista, sinto isso como uma responsabilidade e tento responder apropriadamente por meio da plataforma das artes, a fim de afetar a mudan\u00e7a positiva e desafiar a suposi\u00e7\u00e3o estereotipada como negativa do prisioneiro. Contrariando o encarceramento e ao mesmo tempo reconhecendo suas realidades, fazer arte no contexto prisional \u00e9 uma ferramenta para o desenvolvimento humano e o encontro de si, ao mesmo tempo que fundamenta a comunidade prisional como parte integrante da comunidade mais ampla. \u2013 <strong><em>Bernie Masterson<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Esconderijo enquanto forma<\/em><\/strong>: Tem uma diferen\u00e7a primordial entre&nbsp;situa\u00e7\u00f5es ou pessoas escondidas, e esconderijos propriamente ditos. No nosso trabalho a gente lida com bastante gente que est\u00e1 em uma situa\u00e7\u00e3o marginal \u00e0 raz\u00e3o, e \u00e9 tratada como tal. Como, por exemplo, pacientes psiqui\u00e1tricos, que t\u00eam que tomar um monte de rem\u00e9dios, muitas vezes choques, muitas vezes tratados em isolamento. Essas pessoas n\u00e3o s\u00e3o um esconderijo. O hosp\u00edcio \u00e9 um esconderijo. A pr\u00f3pria psiquiatria, o conceito da psiquiatria, talvez seja um esconderijo, porque \u00e9 um lugar de separa\u00e7\u00e3o. Ela separa um certo grupo, ou certas quest\u00f5es do corpo social. No nosso trabalho, temos v\u00e1rias obras&nbsp;em&nbsp;que usamos o esconderijo (a separa\u00e7\u00e3o) como estrat\u00e9gia.&nbsp;N\u00e3o \u00e9 o ato de esconder, mas o de defender o esconderijo como uma poss\u00edvel exist\u00eancia. Isso eu acho que \u00e9 onde podemos chegar com o conceito de esconderijo no nosso trabalho. N\u00e3o \u00e9 que trabalhemos com pessoas escondidas ou formas escondidas de vida, n\u00e3o \u00e9 exatamente isso \u2013 trabalhamos com o esconderijo como uma forma de sobreviv\u00eancia, uma forma de intelig\u00eancia e uma forma de intera\u00e7\u00e3o social.&nbsp;\u2013 <strong><em>Mauricio Dias &amp; Walter Riedweg<\/em><\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Estar escondido, ser encontrado<\/em><\/strong>: \u201c\u00c9 uma alegria estar escondido, mas um desastre n\u00e3o ser encontrado&#8230;\u201d. Esta frase impactante de Winnicott mostra, em poucas palavras, a complexidade&nbsp;das opera\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas relacionadas a estar ou n\u00e3o ao alcance perceptivo do outro. Embora nos habituemos a ratificar a separa\u00e7\u00e3o relativamente est\u00e1vel entre nosso mundo interno e a realidade externa, \u00e9 num espa\u00e7o indeterminado, fluido, potencial e \u201cnem interno, nem externo\u201d, que vivemos nossas experi\u00eancias mais importantes. Termos direito de acesso a uma gama de sentimentos, afeta\u00e7\u00f5es, pensamentos e impulsos, os quais imaginamos estarem ao abrigo da percep\u00e7\u00e3o do outro, \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para nossa exist\u00eancia. Este abrigo, entretanto, corre o risco de se tornar uma pris\u00e3o, caso estes mesmos componentes sejam incapazes de encontrar formas de fluir para o mundo e serem reconhecidos. O trabalho com sujeitos em estado grave de sofrimento ps\u00edquico nos traz de modo agudo esta problem\u00e1tica. Tais sujeitos nos colocam diante de impasses para serem encontrados e n\u00e3o experimentam qualquer prazer em estarem escondidos. \u00c9 preciso uma insist\u00eancia n\u00e3o invasiva por parte do outro para que um encontro se d\u00ea. Foi exatamente este tipo de encontro que as obras de Dias &amp; Riedweg no contexto da sa\u00fade mental proporcionaram. \u2013 <strong><em>Julio Sergio Verztman<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Estigma<\/em><\/strong>: \u201cSinal de inaceitabilidade social: a vergonha ou desonra ligada a algo considerado socialmente inaceit\u00e1vel\u201d (Oxford English Dictionary).&nbsp;O tecido e o corpo humano t\u00eam uma materialidade muito similar: corta-se o tecido, corta-se a pele, costura-se o tecido, costura-se a pele, mancha-se o tecido e pode-se tamb\u00e9m manchar seres humanos. Uma mancha no tecido \u00e9 bem vis\u00edvel. Por\u00e9m, se considerarmos o estigma como uma mancha na sociedade, ele \u00e9 invis\u00edvel, n\u00e3o se pode ver o estigma. O estigma \u00e9 mais sentido do que visto. Onde estigma e vergonha operam, o sil\u00eancio se perpetua. Embora exclu\u00eddo do debate p\u00fablico, o suic\u00eddio est\u00e1 lamentavelmente presente. Estat\u00edsticas crescentes em todo o mundo, especialmente em rela\u00e7\u00e3o aos jovens, fazem com que esse assunto precise ser discutido com urg\u00eancia. No entanto, como abordar essas mem\u00f3rias dolorosas e conversas necess\u00e1rias em meio a estigmas sociais desafiadores?&nbsp;Em um processo de compartilhamento e respeito m\u00fatuo, sem julgamento, meu trabalho se esfor\u00e7a para tornar o estigma vis\u00edvel, criar contextos de escuta e conversa, reconhecer pessoas com problemas de sa\u00fade mental e o impacto nas suas fam\u00edlias e comunidades, e para tentar compreender a beleza e a pot\u00eancia dessa fragilidade. \u2013 <strong><em>Seamus McGuinness<\/em><\/strong><strong><em><\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Infantafobia \/ N\u00e3o tire as crian\u00e7as da sala!:<\/em><\/strong> O fato de n\u00e3o vivermos mais em comunidade (e isso \u00e9 algo relativamente recente na hist\u00f3ria da humanidade) faz com que muitas pessoas nunca tenham convivido na vida com crian\u00e7as. E isso gera avers\u00e3o irracional com a presen\u00e7a e o descontrole que gera uma crian\u00e7a. Tamb\u00e9m tendo a sua crian\u00e7a interna reprimida, \u00e9 comum n\u00e3o tolerar a presen\u00e7a de crian\u00e7as que se expressam plenamente como crian\u00e7as: fazendo bagun\u00e7a, gritando ou chorando. Infantofobia \u00e9 medo \u2018por\u2019 crian\u00e7as que se torna medo \u2018de\u2019 crian\u00e7as. \u00c9 a subestima\u00e7\u00e3o da sabedoria das crian\u00e7as, sua bondade, sua conex\u00e3o com a verdade e a incr\u00edvel profundidade de sua percep\u00e7\u00e3o. \u00c9 o medo da inf\u00e2ncia, o medo do que as crian\u00e7as podem revelar. Especialmente se elas podem correr livres o quanto quiserem ou precisam, e provarem a terra e experimentarem uns aos outros mais cedo. Mas a infantofobia n\u00e3o \u00e9 somente isso. Mas sim num sentido mais amplo onde a maternagem se torna um estorvo social, que atrapalha a hiperprodutividade do sistema capitalista. Pois \u00e9 conveniente para o sistema nos manter submissas e em situa\u00e7\u00e3o de precariedade para manter o sistema. Chamar aten\u00e7\u00e3o a esse trabalho escondido e \u00e0 infantofobia \u00e9 fundamental para uma vida mais comunit\u00e1ria. Isto significa criar redes de confian\u00e7a e apoio, que n\u00e3o marginalizem e isolem em nome da prote\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a, sa\u00fade \/ limpeza ou propriedade. Significa fazer escolhas cont\u00ednuas de respeito e conex\u00e3o com os ritmos da natureza humana e reconhecer nossa necessidade de tempo n\u00e3o observado e brincadeiras arriscadas. Tamb\u00e9m significa abra\u00e7ar a vida, a morte, os ferimentos, as defici\u00eancias e cultivar nossa admira\u00e7\u00e3o pela profundidade da experi\u00eancia humana. Significa uma tomada de decis\u00e3o mais humana no n\u00edvel da pol\u00edtica. Significa desfazer a separa\u00e7\u00e3o entre vida e trabalho. Como sugeriu o l\u00edder ind\u00edgena Alton Krenak, precisamos abra\u00e7ar o fluxo natural da vida e reaprender como n\u00e3o tirar as crian\u00e7as da sala. <strong>\u2013<\/strong>&nbsp;<strong><em>Chrystalleni Loizidou and L\u00edvia Moura<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Leitura em voz alta<\/em><\/strong>: O Relat\u00f3rio Figueiredo foi um documento escrito a partir da investiga\u00e7\u00e3o parlamentar em 1967 conduzida pelo procurador Jader Figueiredo Correia. Em suas quase 7000 p\u00e1ginas narra crimes praticados por funcion\u00e1rios do extinto Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o ao \u00cdndio (SPI) contra popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas. Para a [Leitura p\u00fablica do Relat\u00f3rio Figueiredo] \u2013 proposi\u00e7\u00e3o da Escola da Floresta (uma escola alternativa em S\u00e3o Paulo liderada pelo artista F\u00e1bio Tremonte) \u2013 se vale de dois elementos presentes no universo escolar: a narrativa hist\u00f3rica e a leitura em voz alta. Esses dois procedimentos s\u00e3o colocados em jogo no espa\u00e7o p\u00fablico de uma institui\u00e7\u00e3o cultural com o desejo de proporcionar uma outra rela\u00e7\u00e3o corp\u00f3rea-intelectual-afetiva com a hist\u00f3ria oficial, propondo a &#8220;escovar a hist\u00f3ria a contrapelo\u201d como diz Walter Benjamin.<sup>4<\/sup> Quando o participante decide ler no microfone o texto do relat\u00f3rio, ele n\u00e3o est\u00e1, apenas, participando de uma proposta art\u00edstica, encenando ou &#8220;performando&#8221;; est\u00e1, antes de tudo, emprestando sua voz para soltar no ar um texto de den\u00fancia. A leitura em voz alta \u00e9 mais um desdobramento de um tecido que se inicia com a investiga\u00e7\u00e3o dos funcion\u00e1rios do SPI, com a instaura\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o parlamentar do inqu\u00e9rito, a reda\u00e7\u00e3o do texto do documento, a digitaliza\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio e sua presen\u00e7a p\u00fablica na internet. Ler em voz alta \u00e9 dar um testemunho dessa parcela da hist\u00f3ria dos povos origin\u00e1rios e lembrar que assim tem sido desde a chegada do europeu nessa terra que \u00e9 chamada de Brasil. Como diz a pesquisadora Kamilla Nunes \u201cCome-se a fala. Engole-se a seco\u201d.<sup>5<\/sup> \u2013 <strong><em>F\u00e1bio Tremonte<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Leitura objetiva:<\/em><\/strong> Ler escondido participa da experi\u00eancia de forma\u00e7\u00e3o de muitos leitores, mas entre a leitura transgressora e a leitura coletiva n\u00e3o deve haver, em rela\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, a mera oposi\u00e7\u00e3o. Considerar a experi\u00eancia de leitura dos estudantes sob perspectiva comunit\u00e1ria, fomentando na turma a escuta de cada um, implica reconhecer subjetividades e trabalhar com elas (a hist\u00f3ria pessoal, os motivos de sofrimento, saberes familiares) \u2013 tensionando um lugar-comum segundo o qual \u201cprofessor n\u00e3o \u00e9 psic\u00f3logo\u201d. Mas n\u00e3o se trata de mudar profiss\u00f5es quando, ao lidar com leituras subjetivas em sala de aula, interessa aos professores compreender o potencial de leitura dos textos e objetiv\u00e1-lo, cuidando do que foi escrito ou falado por cada leitor presente. \u2013 <strong><em>Luiz Guilherme Ribeiro Barbosa<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>\u00c0 margem \/ \u201cThe Fringe\u201d:<\/em><\/strong> Historicamente, em todos os lugares da periferia voc\u00ea encontra pessoas que tiveram que fugir da opress\u00e3o e que desenvolveram um certo esp\u00edrito e criatividade para sobreviver. Quando mor\u00e1vamos \u201cna periferia\u201d em uma casa-barco na Holanda, conhecemos pessoas de todas as esferas da vida \u2013 pessoas maravilhosas, interessantes e criativas. Am\u00e1vamos a franja, e ainda amamos. Voc\u00ea pode aproveitar o que h\u00e1 de melhor nos dois lados de uma fronteira e construir uma ponte entre os mundos. Aqui na Ilha Achill, na costa oeste da Irlanda, a paisagem \u00e9 muito agreste, mas ao ser confrontada com sua beleza, abre possibilidades que voc\u00ea nunca sonhou em serem poss\u00edveis ou mesmo agrad\u00e1veis. Levando esse afastamento ainda mais longe, a pequena igreja com a qual estamos envolvidos fica na periferia da ilha e da comunidade maior. Est\u00e1 \u00e0 beira de desaparecer e talvez a luta para mant\u00ea-la funcionando seja a parte intrigante de viver \u00e0 margem. Gera uma autenticidade que cativa e torna as coisas poss\u00edveis. Assim, voc\u00ea \u00e9 capaz de superar e at\u00e9 valorizar os desafios. \u2013 <strong><em>Doutsje Nauta \/ Willem Van Goor<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Micro comunidade de destino<\/em><\/strong>: Para Edgar Morin, a \u201ccomunidade do destino\u201d<sup>6<\/sup> \u00e9 antes de tudo uma consci\u00eancia de pertencimento, que conecta cada ser uno ao m\u00faltiplo, ao todo, ao planeta Terra,&nbsp;vinculando&nbsp;seus destinos. Ao visibilizar micro a\u00e7\u00f5es e exemplos inicialmente de um ser s\u00e1bio, inventor, poeta e profeta \u2013 Seu Hernandes Jos\u00e9 da Silva (HJS) de 92 anos, morador da favela do Bumba, cuja casa constru\u00edda dos materiais reciclados e lixo e na sequ\u00eancia \u2013, ao ativar a\u00e7\u00f5es em rede de cuidado consigo, com o outro e com o ambiente ao redor, a Casa Museu Rancho Verde desvela e ilumina essa consci\u00eancia escondida, adormecida. Em uma pr\u00e1tica \u201ccelular\u201d sist\u00eamica esta \u00e9 a consci\u00eancia que alimenta e catalisa potencialidades existentes, inspirando pensamentos e atitudes para transi\u00e7\u00f5es \u2013 voltadas a pessoas comuns, em lugares comuns, em especial nas periferias, como \u00e9 nosso caso no Morro do Bumba em Niter\u00f3i, conformando uma micro comunidade de destino. \u2013 <strong><em>Ign\u00eas Albuquerque e Priscila Grimberg<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Mulheres resistentes<\/em><\/strong><strong>: <\/strong>Ativistas que reagem \u00e0s trevas do machismo ao iluminarem vidas de mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancias e dos problemas sociais. Para enfrentar coletivamente as desigualdades de g\u00eanero, se articulam a todo tempo tecendo reflex\u00f5es pertinentes, oferecendo a\u00e7\u00f5es de solidariedade e apresentando as demandas geradas pela opress\u00e3o da mulher. Para desesconder a viol\u00eancia dom\u00e9stica e social, organizam-se para reivindicar pol\u00edticas de enfrentamento, acolhimento e justi\u00e7a. A cidade de S\u00e3o Gon\u00e7alo no estado do Rio de Janeiro possui uma not\u00f3ria Rede de Atendimento \u00e0s Mulheres em Situa\u00e7\u00e3o de Viol\u00eancia, resultante da resist\u00eancia desses esfor\u00e7os. Pol\u00edticas p\u00fablicas conquistadas permanecem entre avan\u00e7os e retrocessos, e com o aprofundamento da luta, fica em evid\u00eancia o trato \u00e0s especificidades das mulheres pretas, que t\u00eam a realidade atenuada pelo racismo. Na disputa pelo poder das sobreviv\u00eancias e supera\u00e7\u00e3o das opress\u00f5es, um dos modos desta resist\u00eancia \u00e9 atrav\u00e9s das artes. Podemos ver-la expressa nos muros das cidades atrav\u00e9s de graffitis que transmitem subjetiva\u00e7\u00f5es, ang\u00fastias, gritos, necessidades, emerg\u00eancias, a caminho da harmonia, cura e autocura das arbitrariedades humanas. \u2013 <strong><em>Renata Bazilia<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>N\u00e3o-ser: <\/em><\/strong>Uma ambiguidade ontol\u00f3gica: ser e n\u00e3o ser. Entre a vida e a morte. Sem ser de todo (totalmente), o n\u00e3o-ser completo tamb\u00e9m se esvai. N\u00e3o se sabe se eles est\u00e3o vivos ou mortos. A morte, ent\u00e3o, n\u00e3o chega a se tornar realidade, \u00e9 apenas uma conjectura: n\u00e3o h\u00e1 provas, n\u00e3o h\u00e1 antecedentes, n\u00e3o h\u00e1 corpo. Os parentes \u201cnunca aceitar\u00e3o a morte; e se aceitarem, ser\u00e1 uma morte oculta, desconhecida, sem nada, sem cad\u00e1ver, sem restos, sem espa\u00e7os, sem data, sem tempo\u201d.<sup>32<\/sup>&nbsp;Esconder a morte \u00e9 permanecer na vida; ou melhor, permanecer na n\u00e3o-morte. A condi\u00e7\u00e3o ontol\u00f3gica dos desaparecidos \u00e9 o paradoxo: uma aus\u00eancia paradoxal. Os desaparecidos s\u00e3o e n\u00e3o s\u00e3o ao mesmo tempo e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mesma condi\u00e7\u00e3o: est\u00e3o e n\u00e3o est\u00e3o vivos, est\u00e3o e n\u00e3o est\u00e3o mortos. \u2013 <strong><em>Jos\u00e9 Santos<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>O anjo da casa: <\/em><\/strong>O curador Jan Verwoert comenta sobre a organiza\u00e7\u00e3o como pr\u00e1tica \u201cde bastidores\u201d que de mais em mais faz parte do trabalho de arte socialmente engajada no livro e catalogo da exposi\u00e7\u00e3o sobre hospitalidade na arte contempor\u00e2nea <em>Feast: Radical Hospitality in Contemporary Art.<\/em><sup>7<\/sup> No ensaio, Jan Verwoert descreve um \u201chorizonte temporal\u201d que \u00e9 um trabalho de \u201ccuidado constante\u201d que envolve \u201ccomunica\u00e7\u00e3o social prolongada, prepara\u00e7\u00e3o, administra\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o\u201d, que \u00e9 de longo prazo, cont\u00ednuo e nada espetacular. Ele usa a fic\u00e7\u00e3o de Virginia Woolf como um foco, descrevendo como, por meio da figura da Sra. Ramsey e em sua pr\u00f3pria escrita, a autora apresenta \u201cum cen\u00e1rio para uma hospitalidade exemplar\u201d em <em>Ao Farol<\/em>. Na fic\u00e7\u00e3o de Virginia Woolf, a Sra. Ramsey \u00e9 o anjo da casa que mant\u00e9m o pr\u00f3prio tecido social unido por meio de um \u201ctrabalho invis\u00edvel constante\u201d que \u201ctorna poss\u00edvel o conv\u00edvio agrad\u00e1vel\u201d.<sup>8<\/sup> O enredo revela um paradoxo significativo. Estando em toda parte, levando seu cuidado incessantemente a cada detalhe social, a Sra. Ramsey n\u00e3o est\u00e1 em lugar nenhum. A hospitalidade, ao que parece, \u00e9 como a anfitri\u00e3, invis\u00edvel para quem a recebe. Ausente por estar presente em todos os aspectos, engana, mascarando seu pr\u00f3prio trabalho na engenharia social para que a intera\u00e7\u00e3o pare\u00e7a f\u00e1cil. \u00c9 nesse aspecto, retratado como altru\u00edsmo abnegado, que Jan Verwoert percebe a ambival\u00eancia de Virginia Woolf, que reverencia o cora\u00e7\u00e3o pulsante da dona da casa, m\u00e3e e anfitri\u00e3, e ao mesmo tempo a trai, tornando vis\u00edvel seu trabalho. \u2013 <strong><em>Caroline Gausden<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Po\u00e9tica do resgate<\/em><\/strong>: Carecem de curadoria do cuidado para dar &#8220;cintil\u00e2ncia aos seres apagados&#8221;, como escreveu Manoel de Barros. O que resgatar, o que desapegar? Descartar ou transver o olhar e reencontrar o l\u00fadico criativo? Processo que flui em solid\u00e3o ou na coletividade? Diante da necessidade ou em op\u00e7\u00e3o consciente que jogar fora inexiste? Reciclagem de objetos ou de humanidades? Arte, desespero ou transcend\u00eancia? Certos seres e movimentos parecem inventados e habitam outras l\u00f3gicas e gestos de recria\u00e7\u00e3o de si e do meio. Exemplo primoroso da po\u00e9tica do resgate \u00e9 a &#8220;Casa Museu Rancho Verde&#8221;, de Hernandes Jos\u00e9 e todos os projetos que orbitam em torno do profeta do afeto. <strong><em>\u2013 Cris Seixas<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Prop\u00e1gulos<\/em><\/strong>: Am\u00e1lgama, fruto e semente. Agarrada no seio da \u201cm\u00e3e\u201d. A boca que suga o alimento para nutrir o adeus. P\u00e9s como poros, para fincar no ch\u00e3o e se alimentar do veio da terra. Perfure, caia de p\u00e9, encontre o ch\u00e3o. Germine, gere floresc\u00eancia no canto. O prolongamento do esperan\u00e7ar. S\u00e3o agentes do poss\u00edvel, que foram fertilizados em bando. Agem sobre realidades tidas como finitas e condenadas. Movidos por seus posicionamentos, entendem que crer e ter consci\u00eancia demanda articular responsabilidade, mas n\u00e3o com o peso da flecha apontada, pois assim n\u00e3o existe o esperan\u00e7ar (esperan\u00e7a que se faz verbo, para ser vivida), a alma carregada \u00e9 a de: Como incen(diar)tivar a a\u00e7\u00e3o? Como cuidar de uma luta? Sabia que existem futuros nas viv\u00eancias? S\u00e3o interessados nos cantos, nos territ\u00f3rios que espreitam por uma escuta e que anseiam por um ecoar de suas matrizes. \u2013 <strong><em>Gabriela Bandeira<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Quando os fragmentos s\u00e3o a unidade<\/em><\/strong>: <em>Eu sou Ulisses! Eu falo com o sol, com a natureza, com o oxig\u00eanio. Minhas pe\u00e7as n\u00e3o se misturam. S\u00e3o mat\u00e9ria minha que n\u00e3o copio, eu invento. Elas v\u00e3o embora com quem compra, mas eu vou junto. Elas falam comigo. Eu falo com elas aonde elas estiverem. Eu tenho a vis\u00e3o. <\/em>A primeira imagem que nos impressiona quando chegamos na casa do artista popular Ulisses Pereira Chaves \u00e9 uma cerca de madeira, que circunda e demarca a entrada do s\u00edtio onde vive<sup>9<\/sup>. No alto de cada mour\u00e3o, Ulisses colocou um resto de cabe\u00e7a espetado, uma metade de rosto quebrada, ou o peda\u00e7o de algum membro partido, \u201cestourado\u201d durante a queima da cer\u00e2mica. O conjunto comp\u00f5e um cen\u00e1rio de grande dramaticidade, algo sombrio. Seja pelos corpos partidos, seja por evocar, pela falta, algo que deixou de ser inteiro. Ou, ainda, por conduzir \u00e0s ideias de ru\u00edna e de deteriora\u00e7\u00e3o. Mas, n\u00e3o apenas. Elas tamb\u00e9m parecem trazer de volta para a natureza os cacos, num regime em que nada sobra. Em novo contexto \u00e9 como se as obras partidas recebessem algum tipo de restaura\u00e7\u00e3o. Ao exibir os peda\u00e7os numa nova configura\u00e7\u00e3o, Ulisses recria uma nova totalidade. E sublinha a inteireza de sua cria\u00e7\u00e3o, pouco importando se algo se quebrou ou n\u00e3o. Ali suas obras ganham novos significados, continuam ativas. Mat\u00e9ria sempre viva, cujo am\u00e1lgama n\u00e3o \u00e9 determinado apenas pela a\u00e7\u00e3o do fogo, mas tamb\u00e9m por sua natureza c\u00f3smica. \u2013 <strong><em>Angela Mascelani<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Re-escrever<\/em><\/strong><strong>: <\/strong>O ato de escrever novamente. Uma a\u00e7\u00e3o que tem dois componentes: a releitura e a reescrita.&nbsp;Fazer uma leitura atualizadora de um texto, equip\u00e1-lo para encontrar seu potencial metaf\u00f3rico atual. Modificar certos elementos para que todas as vidas, vis\u00edveis ou invis\u00edveis, no centro ou na periferia, possam encontrar sentido neles.&nbsp;Incluir, para acrescentar \u00e0s leituras que alimentaram nossa educa\u00e7\u00e3o \u2013 muitas vezes a partir de um background liter\u00e1rio &#8220;universal&#8221;, mas que \u00e9 principalmente particularista, branco, masculino e euro-americano \u2013, nossas vidas, nossas experi\u00eancias, daqui ou de outro lugar, vis\u00edveis ou invis\u00edveis, humanas ou n\u00e3o-humanas.&nbsp;\u00c9 tamb\u00e9m fabricar juntos, confabular, tornar porosos os limites entre fic\u00e7\u00e3o e realidade, construir uma escrita de mundos poss\u00edveis a partir dos escritos que nos constru\u00edram ou nos uniram.&nbsp;Sonhando, fabricando, escrevendo mundos poss\u00edveis. \u2013 <strong><em>Sandrine Teixeido<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Silencio insidioso<\/em><\/strong>: no que pode fazer sentido evocar uma mem\u00f3ria pessoal, trago como marca no corpo e no pensamento a lembran\u00e7a de uma sensa\u00e7\u00e3o de impedimento, um longo e forte n\u00e3o. Nasci em Lisboa e vivi at\u00e9 os 14 anos durante a ditadura derrubada em abril de 1974. No caso da minha fam\u00edlia, dos meus amigos e conhecidos, a ditadura n\u00e3o se manifestou por meio de repress\u00f5es pol\u00edticas e confinamentos, mas por um sil\u00eancio fundo e insidioso que se manifestava na sensa\u00e7\u00e3o de impossibilidade e aus\u00eancia de horizonte. Os destinos estavam desde cedo marcados, n\u00e3o havia o direito de escolher, de mudar, de querer. \u00c9 viva a lembran\u00e7a de um di\u00e1logo repetidamente escutado quando \u00e9ramos crian\u00e7as: eu quero! Tu queres? Mas tu n\u00e3o tens querer! Al\u00e9m das fam\u00edlias, a igreja e a escola eram os outros pilares essenciais na manuten\u00e7\u00e3o do controle e na propaga\u00e7\u00e3o de uma mentalidade fechada e culpabilizadora. A escola religiosa, ent\u00e3o, nem se fala. Quem ousasse ser diferente pagava um pre\u00e7o alto em culpa e solid\u00e3o. Esse estado de coisas matou, adoeceu e deprimiu pessoas pr\u00f3ximas de maneira irrevog\u00e1vel.&nbsp;Ser professora \u00e9 indissoci\u00e1vel dessa mem\u00f3ria. Sei como a sala de aula pode ser um espa\u00e7o fechado e repressor. E sei tamb\u00e9m como pode ser o oposto disso, um espa\u00e7o de escuta e abertura que pode gerar confian\u00e7a e mudar vidas.&nbsp;\u2013 <strong><em>Madalena Vaz Pinto<\/em><\/strong><strong><em><\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Trazer \u00e0 luz: <\/em><\/strong>Tanto no Chile como na Argentina a fotografia foi utilizada como forma de protesto pelos familiares dos desaparecidos. Estes exibiam os seus \/ as suas desaparecidos\/as em espa\u00e7os p\u00fablicos, levando imagens dos seus rostos no peito ou em cartazes. Antes, era uma forma de sustentar visualmente a identidade daqueles que tinham perdido tanto os seus direitos de cidadania como a sua exist\u00eancia. Diante a realidade do corpo ausente, a fotografia. Em v\u00e1rios casos, mesmo na fotografia da carteira de identidade: o rosto olhando de frente para a c\u00e2mera, com o nome completo e o n\u00famero de identifica\u00e7\u00e3o na parte inferior da borda do documento. A tr\u00edade do nome-rosto-n\u00famero \u00e9 uma garantia do seu ser, negada pela pr\u00e1tica nefasta do desaparecimento. A utiliza\u00e7\u00e3o performativa da fotografia nesses atos de den\u00fancia p\u00fablica testemunha e exp\u00f5e a aus\u00eancia do referente<sup>10<\/sup>. Os projetos recentes baseiam-se na pr\u00e1tica de protesto acima descrita, mas ao mesmo tempo a ressignificam. Atrav\u00e9s de fotomontagem, imagens compostas e proje\u00e7\u00f5es, a \u00eanfase nesses exerc\u00edcios est\u00e1 na sobreviv\u00eancia, no fato de que essas &#8220;vidas ocultas&#8221; \u2013 aquelas das v\u00edtimas e dos seus enlutados \u2013 continuem a existir. Assim, podemos ler o seu significado como um trazer \u00e0 luz, no sentido literal e figurado. A representa\u00e7\u00e3o \u00e9 utilizada n\u00e3o s\u00f3 como vest\u00edgio ou pegada daqueles que j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o presentes, mas como prova material da sua presen\u00e7a. \u2013 <strong><em>Carolina Pizarro Cort\u00e9s<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Testmunhar<\/em><\/strong>: O que se passa quando algu\u00e9m se apresenta como testemunha de uma pr\u00e1tica de tortura? O que acontece quando se torna p\u00fablico aquilo que se encontrava silenciado e permanecia sem inscri\u00e7\u00e3o social? Que movimentos s\u00e3o disparados em quem testemunha o testemunho, esse momento de expuls\u00e3o das for\u00e7as da morte que se apropriavam da energia vital da v\u00edtima de tortura, voltando-a contra si mesma<sup>11<\/sup>? O ato de publicizar tais acontecimentos desencadeia um processo capaz de transformar os ouvintes em testemunhas e de instaurar condi\u00e7\u00f5es para que a transmiss\u00e3o desse legado possa se dar n\u00e3o mais como marca traum\u00e1tica, mas como parte de uma luta. Nesse sentido, testemunhar n\u00e3o se limita \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o de um relato factual sobre a tortura. Entendendo o testemunho como um processo performativo que tanto ilumina o que se passou, como dispara novos processos de subjetiva\u00e7\u00e3o, a experi\u00eancia de devir testemunha<sup>12<\/sup>, ao acessar aquilo que ficara suspenso no tempo e sem lugar na hist\u00f3ria, implica tanto um tr\u00e2nsito do lugar de v\u00edtima para o de testemunha, como uma convoca\u00e7\u00e3o ao reposicionamento \u00e9tico dos que se tornaram testemunhas do testemunhado. Esses momentos, verdadeiramente autopoi\u00e9ticos, que impactam tanto o que \u00e9 poss\u00edvel ver e dizer, como a pr\u00f3pria pot\u00eancia de produ\u00e7\u00e3o de si, s\u00e3o momentos com um intenso potencial de irradia\u00e7\u00e3o, capazes de aumentar nossa possibilidade de agir coletivamente e de liberar a vida de sua pris\u00e3o subjetiva, atada ao terror do passado.\u2013 <strong><em>Tania Kolker<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Voc\u00ea est\u00e1 louca<\/em><\/strong>: Que mulher nunca ouviu essa frase?&nbsp;Atualmente existe um termo em ingl\u00eas para essa pr\u00e1tica:&nbsp;<em>gaslighting<\/em>.&nbsp;\u00c9 uma forma de abuso psicol\u00f3gico, dirigido \u00e0s mulheres, com o fim de&nbsp;manipular, controlar e distorcer a ponto de fazer a pr\u00f3pria pessoa duvidar de sua sanidade. Essa forma de abuso \u00e9 o prolongamento de pr\u00e1ticas muito frequentes&nbsp;num Brasil nada distante e ainda a espreita.&nbsp;At\u00e9 meados&nbsp;do s\u00e9culo passado, antes da Reforma&nbsp;Psiqui\u00e1trica, muitas mulheres foram chamadas de loucas e encerradas em hosp\u00edcios.&nbsp;Os asilos, que antes ficavam a cargo de ordens religiosas, passaram a ser institui\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas e orientadas pela ci\u00eancia.&nbsp;Todo um vocabul\u00e1rio cl\u00ednico&nbsp;foi criado com o fim de atribuir diagn\u00f3sticos \u00e0s quest\u00f5es de ordem moral e de regula\u00e7\u00e3o da conduta social.&nbsp;&nbsp;Em nome do progresso e da moderniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, as institui\u00e7\u00f5es \u2013 a come\u00e7ar pela institui\u00e7\u00e3o familiar patriarcal \u2013 deveriam investir seus poderes na disciplina da popula\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp;As mulheres que n\u00e3o se enquadravam nos pap\u00e9is&nbsp;socialmente&nbsp;determinados eram patologizadas.&nbsp;O manic\u00f4mio&nbsp;foi, portanto, parte fundamental do projeto&nbsp;patriarcal,&nbsp;eugenista e higienista que orientou o ideal de Brasil moderno do in\u00edcio do s\u00e9culo XX. A historiadora Maria Clementina da Cunha,<sup>13<\/sup> analisando casos de mulheres que foram internadas no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, aponta que, com frequ\u00eancia, alguns dos sintomas apresentados como indicadores de loucura coincidiam: independ\u00eancia, \u201chiperexcita\u00e7\u00e3o intelectual\u201d, dedica\u00e7\u00e3o extrema \u00e0s suas profiss\u00f5es em detrimento das \u201cinclina\u00e7\u00f5es naturais\u201d. Todavia, a autora sublinha ainda as diferen\u00e7as desses dispositivos de controle em rela\u00e7\u00e3o a marcadores como ra\u00e7a, classe social e sexualidade. As mulheres negras foram as mais afetadas em termos quantitativos pela institui\u00e7\u00e3o asilar e tamb\u00e9m em termos de \u201ctratamentos\u201d a elas destinados. Situa\u00e7\u00e3o que era fundamentada nas teorias da degener\u00eancia, muito em voga no pa\u00eds, estando as mulheres negras triplamente vulnerabilizadas. <strong><em>\u2013 Diana Kolker<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">***<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Anita Sobar<\/em><\/strong><br>Anita Sobar \u00e9 artista, pesquisadora e educadora. Graduada em Belas Artes pela EBA &#8211; UFRJ, com especializa\u00e7\u00e3o em Design Gr\u00e1fico pela Escola Brit\u00e2nica de Artes Criativas &#8211; SP e Mestra em Estudos Contemporaneos das Artes PPGCA &#8211; UFF.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Anne Mulhall<\/em><\/strong><br>Professora titular da Faculdade de Ingl\u00eas, Drama e Filme da University College Dublin e co-diretora do Centro de G\u00eanero, Feminismos e Sexualidades da UCD.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Bernie Masterson<\/em><\/strong><br>Nasceu em Ballymoney, Condado de Antrim, Irlanda do Norte. Mora e trabalha em Dublin. Ela concluiu com distin\u00e7\u00e3o o Mestrado de Belas Artes (MFA) na Faculdade Nacional de Arte e Design (NCAD). Tem uma vasta experi\u00eancia com servi\u00e7os educacionais para pris\u00f5es na Irlanda como professora e artista. Recebeu o Pr\u00eamio Janet Mullarney 2020 inaugural por seu trabalho em v\u00eddeo&nbsp;<em>Flight<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Carolina Pizarro Cort\u00e9s<\/em><\/strong><br>Licenciada em Literatura pela Universidad Cat\u00f3lica de Chile, Mestra em Literatura pela mesma universidade e Doutora em Filosofia pela Universidade de Konstanz, Alemanha. Fez um p\u00f3s-doutorado no Instituto de Estudos Avan\u00e7ados da Universidade de Santiago do Chile. Hoje trabalha como acad\u00eamica jornada completa naquela institui\u00e7\u00e3o. Entre as suas principais publica\u00e7\u00f5es est\u00e3o os livros&nbsp;<em>Nuevos cronistas de Indias. Historia y liberaci\u00f3n en la narrativa latinoamericana contempor\u00e1nea<\/em>&nbsp;(autor, Colecci\u00f3n IDEA, 2015),&nbsp;<em>Revisitar la cat\u00e1strofe: la prisi\u00f3n pol\u00edtica en el Chile dictatorial<\/em>&nbsp;(editor, Pehu\u00e9n editores, 2016) e&nbsp;<em>Nuevas formas del testimonio<\/em>&nbsp;(editor, Colecci\u00f3n IDEA \u2013 Editorial USACH, 2020, no prelo), assim como numerosos artigos em revistas acad\u00eamicas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Caroline Gausden<\/em><\/strong><br>\u00c9 escritora e curadora que vive em Glasgow, tem PhD em Manifestos Feministas e Pr\u00e1tica de Arte Social pela Gray\u2019s School of Art, Aberdeen, e atualmente trabalha como agente de desenvolvimento de programa\u00e7\u00e3o e curadoria na Biblioteca Feminina de Glasgow.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Chrystalleni Loizidou<\/em><\/strong><br>Buscou significado na pesquisa acad\u00eamica sobre a transforma\u00e7\u00e3o do conflito em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria da arte e da m\u00eddia, e esfor\u00e7os para recuperar os bens comuns (PhD Cultural Studies com o London Consortium). Trabalhou com uma s\u00e9rie de universidades, centros de arte e programas financiados internacionalmente, com foco crescente em tecnologia gratuita e de c\u00f3digo aberto, at\u00e9 que uma crian\u00e7a reativou sua conex\u00e3o com um c\u00edrculo de educadores art\u00edsticos dedicados no Brasil e ajudou a ver o que os Situacionistas significavam com a sua rejei\u00e7\u00e3o do trabalho alienado. Mapeou coletivamente as iniciativas de arte-educa\u00e7\u00e3o mais corajosas e significativas em todo o mundo, e tem se concentrado em manter um espa\u00e7o e uma comunidade para brincar gratuitamente, em dire\u00e7\u00e3o ao que Silvia Federici descreve como um reencantamento. neeii.info<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Cristiana Seixas<\/em><\/strong><br>Psic\u00f3loga, mestre em Educa\u00e7\u00e3o, biblioterapeuta, especialista em arteterapia, focalizadora de dan\u00e7as circulares, consteladora familiar sist\u00eamica. Autora do livro&nbsp;<em>Viv\u00eancias em biblioterapia: pr\u00e1ticas do cuidado atrav\u00e9s da literatura<\/em>, atua com linguagens sens\u00edveis para o cuidado sist\u00eamico. Para saber mais, acesse: www.crisseixas.com.br.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Cintya Ferreira<\/em><\/strong><br>De Tribob\u00f3 \u2013 S\u00e3o Gon\u00e7alo, graduanda de Cinema pela UFF. Se interessa por imagens de arquivo e experimenta\u00e7\u00f5es sonoras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Diana Kolker Carneiro da Cunha<\/em><\/strong><br>Diana Kolker \u00e9 curadora pedag\u00f3gica no Museu Bispo do Rosario Arte Contempor\u00e2nea, onde coordena o projeto art\u00edstico-pedag\u00f3gico da institui\u00e7\u00e3o,&nbsp;que inclui programas como a Casa B e o Atelier Gaia, al\u00e9m de compor a curadoria e a media\u00e7\u00e3o dos programas expositivos. Mestra em Estudos Contempor\u00e2neos das Artes (UFF), especialista em Pedagogia da Arte (UFRGS), bacharela&nbsp;e licenciada em Hist\u00f3ria (PUCRS).<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Dias &amp; Riedweg<\/em><\/strong><br>Desde 1993,&nbsp;<em>Maur\u00edcio Dias<\/em>&nbsp;(Rio de Janeiro, 1964) e <em>Walter Riedweg<\/em>&nbsp;(Lucerna, 1955) trabalham juntos em projetos em que investigam as maneiras como as psicologias privadas afetam, constroem e desconstroem o espa\u00e7o p\u00fablico, e vice-versa. Em projetos nos quais a alteridade e a percep\u00e7\u00e3o s\u00e3o quest\u00f5es centrais, Dias &amp; Riedweg frequentemente partem de processos interativos para produzir encontros e trocas em meio a grupos particulares da sociedade, que t\u00eam o seu enfoque na identidade e no envolvimento dos participantes. Dias &amp; Riedweg integraram importantes exposi\u00e7\u00f5es internacionais, como&nbsp;<em>Conversations at the Castle,<\/em>&nbsp;de Homi Bhabha e Mary Jane Jacob, nos Estados Unidos,&nbsp;<em>L\u2019\u00c9tat des Choses<\/em>&nbsp;de Catherine David na Kunst-Werke Berlim e a Documenta de Kassel de 2007. Participaram ainda na Bienal de Veneza 1999, curados por Harald Szeemann, e na 24\u00aa S.Paulo 1998, curados por Paulo Herkenhoff. Com&nbsp;obras em museus como o Centre Georges Pompidou de Paris, o MACBA de Barcelona, o KIASMA de Helsinki, Reina Sofia Madrid, no MAR, MNBA e no MAM do Rio, no MAM de S\u00e3o Paulo e da Bahia, no MFA Houston e no MUAC, Museu de Arte Contempor\u00e2nea de Mexico, a dupla recebeu ainda os pr\u00eamios do Video Brasil, da Guggenheim de Nova York, a Bolsa Vitae de S. Paulo e da Funda\u00e7\u00e3o Pro Helvetia. <a href=\"https:\/\/vimeo.com\/diasriedweg\">https:\/\/vimeo.com\/diasriedweg<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Doutsje Nauta<\/em><\/strong><br>Nasceu em uma noite tempestuosa em 31 de janeiro de 1953 em IJsbrechtum, Pa\u00edses Baixos, sendo o segundo beb\u00ea, mas a primeira menina.&nbsp;Revendo sua vida profissional, passou a maior parte do tempo organizando e escrevendo em institutos (semi)governamentais. A inova\u00e7\u00e3o tem sido o fio condutor do seu trabalho. Mora na Ilha Achill desde 1997, um lugar que, embora isolado dos grandes eventos mundiais, \u00e9 parte integrante deles. Esse posicionamento parece caracter\u00edstico de como ela se v\u00ea na sociedade. Faz parte h\u00e1 muito tempo do Grupo de Escritores de Achill e estuda violoncelo desde o outono de 2017.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>F\u00e1bio Tremonte<\/em><\/strong><br>Artista, educador, pesquisador e anarcotropicalista. Doutorando em artes visuais ECA|USP. Escolheu a arte pela possibilidade de n\u00e3o precisar se tornar um especialista. Cozinheiro de manh\u00e3, antrop\u00f3logo de tarde, DJ de noite. Junta gente para fazer junto na cozinha, na escola, na pista de dan\u00e7a, mas isso n\u00e3o \u00e9 tudo. Prefira escrever em portunhol. Em 2016, criou a Escola da Floresta, uma escola n\u00f4made e permeada por diversos saberes e formas de aprender e ensinar e de imagina\u00e7\u00e3o de outras poss\u00edveis pedagogias. Em 2017, foi curador pedag\u00f3gico da Trienal de Artes Frestas &#8211; Entre p\u00f3s-verdades e acontecimentos. Entre 2017 e 2018, atuou como curador da Residencia art\u00edstica Barda Del Desierto, na Patag\u00f4nia Argentina. Em 2020 foi curador pedag\u00f3gico do Valongo Festival da Imagem. Tamb\u00e9m j\u00e1 participou de exposi\u00e7\u00f5es no MAM-SP, MAR, Centro Cultural S\u00e3o Paulo, Pa\u00e7o das Artes, entre outras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Helen O\u2019Donoghue<\/em><\/strong><em>&nbsp;<\/em><br>Curadora S\u00eanior, Chefe de Engajamento e Aprendizagem no Museu Irland\u00eas de Arte Moderna desde 1991. Recebeu recentemente uma Bolsa Fulbright e passou tr\u00eas meses no MoMA. Artista Pl\u00e1stica de forma\u00e7\u00e3o, est\u00e1 comprometida com pr\u00e1ticas socialmente engajadas e pedagogia cr\u00edtica que embasam seu trabalho curatorial e de escrita.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>J\u00e9ssica&nbsp;Barbosa<\/em><\/strong><br>J\u00e9ssica Barbosa \u00e9 atriz baiana, formada em teatro pela Escola Martins Penna e em dan\u00e7a pela Faculdade Angel Vianna. Estreou profissionalmente com o filme<em> Besouro<\/em> (2009), ganhando o pr\u00eamio de atriz revela\u00e7\u00e3o no Festival de Cinema Negro de S\u00e3o Paulo. Tamb\u00e9m no cinema, participou de longas como <em>Na Quebrada<\/em>, <em>Morma\u00e7o<\/em> e <em>O Pai da Rita<\/em>. No teatro, trabalhou com grandes diretores como Aderbal Freire Filho e Marco Andr\u00e9 Nunes. Dirigiu ou co-dirigiu os curtas <em>Cicatriz<\/em> (2017), <em>A Namoradeira<\/em> (2019) e <em>(re)trato<\/em> (2020). Artista residente no Museu Bispo do Rosario desde 2018, prepara o solo <em>Em Busca de Judith<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Jos\u00e9 Santos Herceg<\/em><\/strong><br>Graduado em filosofia pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Chile e doutor em filosofia pela Universit\u00e4t Konstanz, Alemanha. Atualmente \u00e9 pesquisador do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados (IDEA) da Universidade de Santiago do Chile. \u00c9 autor dos livros:&nbsp;<em>Conflicto de Representaciones. Am\u00e9rica Latina como lugar para la filosof\u00eda<\/em>&nbsp;(2010),&nbsp;<em>Cartograf\u00eda Cr\u00edtica. El quehacer profesional de la filosof\u00eda en Chile<\/em>&nbsp;(2015),&nbsp;<em>Lugares espectrales. Topolog\u00eda testimonial de la prisi\u00f3n pol\u00edtica en Chile,<\/em>&nbsp;(2019),&nbsp;<em>La Tiran\u00eda del paper: de lamercantilizaci\u00f3n a la normalizaci\u00f3n de las textualidades.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Julio Sergio Verztman<\/em><\/strong><br>Psiquiatra, psicanalista, professor do programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em teoria psicanal\u00edtica (PPGTP-UFRJ) e do mestrado profissional em aten\u00e7\u00e3o psicossocial (MEPPSO-IPUB-UFRJ).<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>K\u00eania Maia<\/em><\/strong><br>K\u00eania Soares Maia \u00e9 professora do curso de psicologia da UFT &#8211; Universidade Federal do Tocantins. Tem mestrado em Psicologia Cl\u00ednica pela UFF &#8211; Universidade Federal Fluminense. Dra. em Psicologia Cl\u00ednica pela PUC &#8211; Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica &#8211; R.J.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Leandro Almeida<\/em><\/strong><br>Com forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o cultural, educa\u00e7\u00e3o, artes e produ\u00e7\u00e3o audiovisual, \u00e9 professor da Ong Bem Tv. Coordenou projetos sociais do Museu de Arte Contempor\u00e2nea de Niter\u00f3i mediando rela\u00e7\u00f5es entre arte, cultura e comunidade, e atuou como Arte-Educador; coordena o Cineclube do D\u00e9cimo na FCS\/Uerj. \u00c9 s\u00f3cio propriet\u00e1rio da produtora PROVIS\u00d3RIO PERMANETE PRODU\u00c7\u00d5ES CULTURAIS e Coordenador T\u00e9cnico do Laborat\u00f3rio de v\u00eddeo da FCS\/Uerj. Dentre outras produ\u00e7\u00f5es autorais, hoje conduz e dirige o processo de produ\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio&nbsp;<em>Assim Falou H.J.S<\/em>. \u00c9 carioca e pai presente dos incr\u00edveis Nuno de 10 anos e do Jonas de 2 anos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>L\u00edvia Moura<\/em><\/strong><br>Trabalha com diversas linguagens art\u00edsticas participando de importantes exposi\u00e7\u00f5es, galerias e feiras de arte contempor\u00e2nea do Brasil. \u00c9 autora do material did\u00e1tico Raiz do Afeto, voltado para a \u00e1rea de compet\u00eancias socioemocionais para o Ensino Fundamental I (2019, ed. Raiz Educa\u00e7\u00e3o). Em 2013 co-criou a VAV- Vendo A\u00e7\u00f5es Virtuosas, uma plataforma de arte contempor\u00e2nea que atua nas&nbsp;transbordas&nbsp;entre economia, pedagogia e engajamento social. Em 2020 a VAV desenvolveu a moeda social \u201cAfeto\u201d e a \u201cBolsa de Valores \u00c9ticos\u201d que ser\u00e3o lan\u00e7adas em 2021. Atualmente cursa o doutorado em Estudos Contempor\u00e2neos das Artes na Universidade Federal Fluminense, sob a orienta\u00e7\u00e3o do Luiz Guilherme Vergara.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Luiz Guilherme Ribeiro Barbosa<\/em><\/strong><br>Luiz Guilherme Barbosa \u00e9 professor de Portugu\u00eas e Literaturas no Col\u00e9gio Pedro II. Doutor em Teoria Liter\u00e1ria pela UFRJ, publicou o livro <em>A m\u00e3o, o olho<\/em>: Uma interpreta\u00e7\u00e3o da poesia contempor\u00e2nea (2014), e as plaquetes de poesia <em>Postagens e antipostagens <\/em>(2018) e <em>Pacote de maldades <\/em>(2019). Integra o grupo de pesquisa Litescola (CPII), sobre literatura e ensino.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Madalena Vaz Pinto<\/em><\/strong><br>\u00c9 portuguesa e mora no Brasil. Estudou Letras na PUC-Rio onde se doutorou com uma tese sobre os modernismos portugu\u00eas e brasileiro. \u00c9 professora adjunta da Uerj na FFP-Faculdade de Forma\u00e7\u00e3o de Professores de S. Gon\u00e7alo e dos Mestrados Acad\u00eamico e Profissional em Letras da mesma faculdade. Sua pesquisa concentra-se na literatura moderna e contempor\u00e2nea e na forma\u00e7\u00e3o de professores-leitores a partir de um trabalho conjunto de constru\u00e7\u00e3o de cenas de leitura e inven\u00e7\u00e3o de outros modos de ler. \u00c9 autora de textos publicados em livros e revistas da \u00e1rea. Organizou o livro&nbsp;<em>Gon\u00e7alo M. Tavares: ensaios, aproxima\u00e7\u00f5es, entrevista<\/em>&nbsp;publicado pela editora Oficina Raquel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Maria Ign\u00eas Albuquerque<\/em><\/strong><br>M\u00e3e de 4, Pedagoga, Designer em Sustentabilidade (Gaia Education), mulher 50+, h\u00e1 25 anos concebe e realiza curadorias educativas para Museus nacionais (Museu de Arte Contempor\u00e2nea de Niter\u00f3i \u2013 MAC, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro- MAM e Oi Futuro) e internacionais (Metropolitan Museun of Art no \u201cParent Child Workshop\u201d e no \u201cDoing Art Together\u201d da rede p\u00fablica de ensino de Nova Iorque). Junto ao N\u00facleo Experimental de Educa\u00e7\u00e3o e Arte do MAM, desenvolveu o programa Fam\u00edlia em Tr\u00e2nsito. H\u00e1 10 anos incorpora a tem\u00e1tica ambiental, sendo cofundadora e gestora do projeto Casa Museu Rancho Verde. \u00c9 artista\/ativista ambiental com foco em lixo marinho.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Mariana de Lima<\/em><\/strong><br>Estuda cinema na UFF. Experimenta exerc\u00edcios de montagem, fotografia e cr\u00edtica na estrada entre a Cidade de Goi\u00e1s e a cidade de Niter\u00f3i.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Pedro S\u00e1 Moraes Carvalho<\/em><\/strong><br>Vencedor do Pr\u00eamio Profissionais da M\u00fasica de 2016 na categoria Melhor Cantor Nacional, o ator e m\u00fasico tem quatro CDs lan\u00e7ados e dezenas de turn\u00eas internacionais no curr\u00edculo. Desde 2005, transita entre a m\u00fasica e as artes c\u00eanicas. Dirigido por Norberto Presta, estreou em 2018 o solo <em>A Paix\u00e3o de Brutus<\/em>, uma adapta\u00e7\u00e3o original do <em>Julius Caesar<\/em> de Shakespeare para a linguagem do teatro-can\u00e7\u00e3o. A pesquisa sobre essa linguagem segue se desdobrando atrav\u00e9s do espet\u00e1culo <em>Em Busca de Judith<\/em>, em que atua como dramaturgo e diretor, e numa pesquisa de doutorado em Artes da Cena na UNICAMP.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Priscila Grimberg<\/em><\/strong><br>Designer, mulher 50+, m\u00e3e, curiosa e interessada em tudo o que caminhe para sua melhor vers\u00e3o.&nbsp;Integra o laborat\u00f3rio de Justi\u00e7a Ambiental -UFF, o conselho de ONG\u00b4s, \u00e9 cofundadora da Casa Museu Rancho Verde e entusiasta da metamorfose para uma comunidade de destino, a partir da ampla a\u00e7\u00e3o coletiva de atores da sociedade como forma de viabilizar sua sobreviv\u00eancia no 3\u00ba mil\u00eanio. Mestre em Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (UFRJ), Doutoranda em Pol\u00edticas P\u00fablicas, Estrat\u00e9gia e Desenvolvimento (UFRJ), atua h\u00e1 mais de 15 anos como consultora na rela\u00e7\u00e3o entre neg\u00f3cios e sociedade, especialmente nos setores extrativos, de infraestrutura e habita\u00e7\u00e3o em periferias. Interesse especifico no enfoque territorial do desenvolvimento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Renata Bazilio da Silva<\/em><\/strong>&nbsp;<br>\u00c9 professora e ge\u00f3grafa formada pela UFF, especializada em G\u00eanero e Sexualidade pelo CLAM\/ IMS\/ UERJ, mestra em Cultura e Territorialidades pelo PPCULT\/ IACS\/ UFF. Na trajet\u00f3ria profissional, lecionou Geografia para o ensino Fundamental II e pr\u00e9 vestibular, e como ge\u00f3grafa atuou no MMSG, nos projetos NACA e NEACA; no IBASE, no projeto Indicadores da Cidadania. Como resultado da pesquisa de mestrado, se fortaleceu o exerc\u00edcio da curadoria em arte urbana, em que busca desenvolver e contribuir \u00e0 vis\u00e3o interdisciplinar das ci\u00eancias e das pr\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Sandrine Teixido<\/em><\/strong><br>Autora, artista e antrop\u00f3loga. Leciona antropologia na Universidade Jean Jaur\u00e8s de Toulouse (Fran\u00e7a). Criou o projeto \u201cUm conto como ferramenta\u201d com a artista su\u00ed\u00e7a Aur\u00e9lien Gamboni em 2011. Publicou uma reescrita ecofeminista do conto de Edgar Allan Poe com Cambourakis Editions (publica\u00e7\u00e3o de fevereiro de 2011).<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Tania Kolker<\/em><\/strong><br>Psicanalista, com gradua\u00e7\u00e3o em Medicina pela UFRJ e especializa\u00e7\u00e3o em psican\u00e1lise e an\u00e1lise institucional pelo Instituto Brasileiro de Psican\u00e1lise, Grupos e Institui\u00e7\u00f5es; mestranda do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia da Universidade Federal Fluminense; coordenadora do N\u00facleo de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial a Afetados pela Viol\u00eancia de Estado \u2013 NAPAVE;pesquisadora do Observat\u00f3rio Nacional de Sa\u00fade Mental, Justi\u00e7a e Direitos Humanos; coordenadora e terapeuta do Projeto Cl\u00ednicas do Testemunho (2016- 2017); supervisora do Centro de Estudos em Repara\u00e7\u00e3o Ps\u00edquica ISER-RJ; terapeuta do projeto cl\u00ednico do Grupo Tortura Nunca Mais\/RJ (at\u00e9 2010); consultora da Association for the Prevention of Torture no Brasil (2007-2013).<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Vuka\u0161in Nedeljkovi\u0107<\/em><\/strong><br>Artista visual e ativista radicado na Irlanda. Iniciou a plataforma multidisciplinar&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.asylumarchive.com\/\">Asylum Archive<\/a>&nbsp;como um recurso online, destacando criticamente relatos de ex\u00edlio, deslocamento, trauma e mem\u00f3ria, complementado pela plataforma de resist\u00eancia paralela recente.&nbsp;<em>Fortress Europe<\/em>&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.fortresseu.com\/\">https:\/\/www.fortresseu.com\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Willem van Goor<\/em><\/strong><br>Nasceu em 4 de novembro de 1948 em Zwolle, Pa\u00edses Baixos. Ap\u00f3s o ensino m\u00e9dio, estudou por cinco anos na Academia de Arte de Groningen e se especializou em pintura l\u00edrica abstrata. Desde ent\u00e3o, seu trabalho se desenvolveu e se tornou mais diversificado, abrangendo tanto a arte bot\u00e2nica quanto a pintura de paisagem.&nbsp;Seu trabalho bot\u00e2nico se baseia em um amor ao longo de toda a vida pela natureza. O trabalho paisag\u00edstico, com foco em estruturas ocultas, acompanha o ritmo e os acordes da m\u00fasica, outra paix\u00e3o que sempre existiu na sua vida, improvisando e tocando piano e \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><sup>1 <\/sup>ARANTES, M. A. A. C., A clandestinidade, uma op\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia, <em>Revista Princ\u00edpios<\/em>, Edi\u00e7\u00e3o 31, NOV\/DEZ\/JAN, 1993-1994, p. 65 &#8211; 69 <em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><sup>2 <\/sup>BENJAMIN, Walter. \u201cSobre o conceito de hist\u00f3ria\u201din<em> Obras escolhidas. Vol. 1. Magia e t\u00e9cnica, arte e pol\u00edtica<\/em> (S\u00e3o Paulo, Brasiliense, 1987), p. 224.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>3 <\/sup>SARRAZAC, Jean-Pierre et al., org. <em>L\u00e9xico do drama moderno e contempor\u00e2neo<\/em> (S\u00e3o Paulo: Cosac Naify, 2012) p. 126-130.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>4 <\/sup>BENJAMIN, Walter. \u201cSobre o conceito de hist\u00f3ria\u201din<em> Obras escolhidas. Vol. 1. Magia e t\u00e9cnica, arte e pol\u00edtica<\/em> (S\u00e3o Paulo, Brasiliense, 1987), p. 225<\/p>\n\n\n\n<p><sup>5 <\/sup>NUNES, Kamilla. \u201cEmbarca\u00e7\u00e3o\u201d, disserta\u00e7\u00e3o de mestrado em artes visuais pela UDESC (Universidade Estadual de Santa Catarina), 2017<\/p>\n\n\n\n<p><sup>6 <\/sup>MORIN, Edgar e KERN, Anne B. <em>Terra-P\u00e2tria<\/em>. Porto Alegre: Editora Sulina, 2003, p.178<\/p>\n\n\n\n<p><sup>7<\/sup> VERWOERT, Jan. <em>Feast: radical hospitality in Contemporary Art<\/em>. SMITH, Stephanie S. (Org.). Chicago: Smart Gallery Chicago: SMART Museum of Art \/ Universidade de Chicago: 2013. p. 361.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>8 <\/sup>Jan Verwoert citado na obra mencionada acima <em>Feast: radical hospitality in contemporary art.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><sup>9 <\/sup>MASCELANI, Angela. <em>Caminhos da Arte Popular: o vale do Jequitinhonha:<\/em> Museu Casa do Pontal. Rio de Janeiro. 2010.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>10 <\/sup>Ludmila da Silva explica o uso e significado destas fotografias utilizadas por familiares durante a ditadura argentina. No in\u00edcio, \u201cLa foto con el rostro del desaparecido pas\u00f3 a ser (\u2026) una herramienta de b\u00fasqueda, una esperanza frente a la incertidumbre. (\u2026) [E]ra una estrategia para individualizar al ser querido de cuyo destino nada se sab\u00eda\u201d. Depois, no contexto dos julgamentos, torna-se um recurso indicativo na busca da verdade. Finalmente, torna-se parte do protesto ativo no espa\u00e7o p\u00fablico: \u201cA medida que pasaron los a\u00f1os, la creaci\u00f3n de s\u00edmbolos y rituales acompa\u00f1aron esta nueva forma de hacer pol\u00edtica instituida por los familiares de desaparecidos y espec\u00edficamente por las Madres de la Plaza de Mayo\u201d. DA SILVA, Ludmila. \u201cRe-velar el horror. Fotograf\u00eda y memoria frente a la desaparici\u00f3n de personas\u201d. <em>Memorias, historia y derechos humanos<\/em>. Isabel Piper y Bel\u00e9n Rojas (eds.). Santiago de Chile: Universidad de Chile, 2012. pp. 160 e 162. Un recorrido an\u00e1logo es el que puede apreciarse en el caso de Chile.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>11 <\/sup>Recorro aqui a uma das defini\u00e7\u00f5es do verbo dizer que Laymert nos oferece em SANTOS, Laymert Garcia dos. Tempo de Ensaio. S\u00e3o Paulo: Companhi da Letras, 1989, p.13.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>12 <\/sup>LOSICER, Eduardo. Pot\u00eancia do testemunho: Reflex\u00f5es cl\u00ednico-pol\u00edticas. In CARDOSO, C., FELIPPE, M., VITAL BRASIL, V. Uma perspectiva cl\u00ednico-pol\u00edtica na repara\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica: Cl\u00ednica do Testemunho do Rio de Janeiro. Bras\u00edlia: Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, Comiss\u00e3o de Anistia; Rio de Janeiro: Instituto Projetos Terap\u00eauticos, 2015. P.31. ver em&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.justica.gov.br\/central-de-conteudo_legado1\/anistia\/anexos\/clinica-do-testemunho-rj-on-line.pdf\" target=\"_blank\">https:\/\/www.justica.gov.br\/central-de-conteudo_legado1\/anistia\/anexos\/clinica-do-testemunho-rj-on-line.pdf<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><sup>13<\/sup> PEREIRA CUNHA, Maria Clementina. \u201cLoucura, g\u00eanero feminino: As mulheres do Juquery na S\u00e3o Paulo do in\u00edcio do s\u00e9culo XX\u201d&nbsp;<em>Revista Brasileira de Hist\u00f3ria<\/em>&nbsp;(S\u00e3o Paulo, v.9, n\u00ba18, ago.\/set., 1989) 121 \u00e0 144.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gloss\u00e1rio A boa narrativa: Nenhuma representa\u00e7\u00e3o visual que eu j\u00e1 tenha visto capturou a natureza da Provis\u00e3o Direta \u2013 o programa dos refugiados politicos da Irlanda \u2013, a verdade da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/102"}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=102"}],"version-history":[{"count":16,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/102\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3768,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/102\/revisions\/3768"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/6\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=102"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}