{"id":257,"date":"2013-12-16T16:54:26","date_gmt":"2013-12-16T16:54:26","guid":{"rendered":"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/?page_id=257"},"modified":"2014-01-16T18:11:22","modified_gmt":"2014-01-16T18:11:22","slug":"makers-meal-e-a-producao-do-novo-common","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/makers-meal-e-a-producao-do-novo-common\/","title":{"rendered":"Makers\u2019 Meal  e a produ\u00e7\u00e3o do novo common"},"content":{"rendered":"<!-- slideviewer - place you images here -->\n\t <div id=\"gallery_slideviewer\" class=\"swv\">  \n\t\t<ul class=\"gallery_shortcode_slideviewer\">\n\t\t\t<li><img alt=\"K. Morris conversa sobre o Makers\u2019 Meal com funcion\u00e1rios da BP\" title=\"\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/22-670x450.png\" \/><\/li><li><img alt=\"N. Sacramento apresenta o Makers\u2019 Meal\" title=\"\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/21-670x450.png\" \/><\/li><li><img alt=\"M. Riggs fala sobre a comida do projeto Makers\u2019 Meal na Oakwood Cookery School\" title=\"\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/20-670x450.png\" \/><\/li><li><img alt=\"Salada\" title=\"\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/19-670x450.png\" \/><\/li><li><img alt=\"Salm\u00e3o inteiro com escamas de pepino\" title=\"\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/18-670x450.png\" \/><\/li><li><img alt=\"Talheres fundidos artesanalmente\" title=\"\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/17-670x450.png\" \/><\/li><li><img alt=\"S. Irvine e G. Smith \u00e0 frente. Ao fundo, bolo caseiro de abobrinha\" title=\"\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/16-670x450.png\" \/><\/li><li><img alt=\"Planejamento nos grupos de trabalho\" title=\"\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/15-670x450.png\" \/><\/li><li><img alt=\"As primeiras discuss\u00f5es e divis\u00e3o de tarefas do grupo\" title=\"\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/14-670x450.png\" \/><\/li><li><img alt=\"Testes de esmalte\" title=\"\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/13-670x450.png\" \/><\/li><li><img alt=\"Desenhos dos rios Bogie e Don, pr\u00f3ximos \u00e0 Scottish Sculpture Workshop\" title=\"\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/12-670x450.png\" \/><\/li><li><img alt=\"P. Harris e A. Watson, da Gray\u2019s School of Art, N. Sacramento e G. Beasley conversam sobre as mesas\" title=\"\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/11-670x450.png\" \/><\/li><li><img alt=\"B. Bidwell verifica o esmalte nos pratos de p\u00e3o\" title=\"\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/10-670x450.png\" \/><\/li><li><img alt=\"K. Mellard, G. Beasley e J. Rose trabalham nas mesas\" title=\"\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/09-670x450.png\" \/><\/li><li><img alt=\"Descansos de madeira triangulares e retangulares\" title=\"\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/08-670x450.png\" \/><\/li><li><img alt=\"R. Barker e E. Jolly fundindo os talheres\" title=\"\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/07-670x450.png\" \/><\/li><li><img alt=\"Torneando uma tigela de barro\" title=\"\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/06-670x450.png\" \/><\/li><li><img alt=\"O grupo conversa no jantar final\" title=\"\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/05-670x450.png\" \/><\/li><li><img alt=\"J. Rose, J. e G. Beasley e E. Jolly tomam um aperitivo\" title=\"\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/04-670x450.png\" \/><\/li><li><img alt=\"K. Morris, E. Ogilvie, K. Mellard e J. Rose ao redor da mesa antes do jantar\" title=\"\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/03-670x450.png\" \/><\/li><li><img alt=\"G. Beasley, K. Mellard e J. Rose com o desenho 1\/1 da mesa\" title=\"\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/02-670x450.png\" \/><\/li><li><img alt=\"Lou\u00e7a de barro no forno de testes\" title=\"\" src=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/01-670x450.png\" \/><\/li>\t\n\t\t\t<\/ul>\n\t\t<\/div>\n<div class=\"clear\"><\/div>\t\n<!-- slideviewer ends here -->\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"titulo\">Makers\u2019 Meal<sup>1<\/sup> e a produ\u00e7\u00e3o do novo common<br \/>\n<\/span><span class=\"autor\">Nuno Sacramento<\/span><\/p>\n<p>Neste exato momento, aquilo que chamamos de <i>the<\/i> <i>commons<\/i> em ingl\u00eas est\u00e1 encolhendo! Os<i> commons<\/i> v\u00eam sofrendo ataques implac\u00e1veis na tentativa de tir\u00e1-los do dom\u00ednio coletivo e pass\u00e1-los para o controle privado e corporativo. Somos levados a acreditar que n\u00e3o h\u00e1 nada que o dinheiro n\u00e3o possa comprar. No mundo todo ouvimos falar no desalojamento de tribos para dar lugar a projetos hidrel\u00e9tricos de grande escala, na privatiza\u00e7\u00e3o de companhias de \u00e1gua, correios, hospitais e educa\u00e7\u00e3o e no desmatamento da Floresta Amaz\u00f4nica. A heran\u00e7a deixada por nossos antepassados, que compartilhamos e temos a responsabilidade coletiva de cuidar e manter para as gera\u00e7\u00f5es futuras, est\u00e1 correndo risco de se perder. Mas, como veremos, os <i>commons<\/i> n\u00e3o s\u00e3o somente um recurso legado. Eles podem ser produzidos, dando origem \u00e0 arte e suas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em alguns contextos mais do que em outros, existe liberdade de escolha na forma como as institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o constru\u00eddas. As pessoas podem escolher como alocar e compartilhar recursos e como garantir sua sustentabilidade. \u00c9 uma tarefa de persist\u00eancia, que requer comprometimento, regras rigorosas, mecanismos de participa\u00e7\u00e3o, uma grande variedade de vozes e um mutualismo eficaz. O desafio com que nos deparamos agora \u00e9: como criar um novo <i>common<\/i>, ao mesmo tempo protegendo-o de ser privatizado ou anexado? Ainda \u00e9 poss\u00edvel termos institui\u00e7\u00f5es que sejam imunes \u00e0s for\u00e7as do mercado?<\/p>\n<p>No ingl\u00eas, <i>the commons <\/i>s\u00e3o recursos compartilhados que podem ser da terra (esgot\u00e1veis) ou imateriais (gerativos). Ou seja, pode ser um campo, o mar, a Floresta Amaz\u00f4nica, um conjunto de pr\u00e9dios, mas tamb\u00e9m a arte, a linguagem, dados, conhecimento, trabalho manual ou habilidade num of\u00edcio etc. De qualquer forma, eles existem para o bem da coletividade e s\u00e3o controlados e administrados coletivamente.<\/p>\n<p>Estudos sobre <i>the commons<\/i> constituem enorme campo de investiga\u00e7\u00e3o. Uma forma de come\u00e7ar a entrar nessa \u00e1rea \u00e9 consultar a defini\u00e7\u00e3o da palavra <i>common<\/i> no <i>Oxford English Dictionary<\/i>.<\/p>\n<blockquote><p>a) A common land or estate; the undivided land belonging to the members of a local community as a whole. Hence, often, the patch of unenclosed or \u2018waste\u2019 land which remains to represent that. Formerly often <em>commons<\/em> = Latin <em>comm\u016bnia.<br \/>\n<\/em>b) <em>Law.<\/em> (Also right of common, common right.) The profit which a man has in the land or waters of another; as that of pasturing cattle (common of pasture), of fishing (common of piscary), of digging turf (common of turbary), and of cutting wood for fire or repairs (common of estovers); = <span style=\"text-decoration: underline;\">commonage n.<\/span>, <span style=\"text-decoration: underline;\">commonty n.<\/span><br \/>\nc) The common body of the people of any place; the community or commonalty; <i>spec.<\/i> the body of free burgesses of a free town or burgh; sometimes, the commonwealth or state, as a collective entity. (Latin <i>commune<\/i>, Greek <i>\u03c4\u1f78<\/i><i> <\/i><i>\u03ba\u03bf\u03b9\u03bd\u03cc\u03bd<\/i>.)<\/p>\n<p>a)\u00a0 Terreno ou propriedade comum; terra n\u00e3o dividida que pertence aos membros de uma comunidade local como um todo. Portanto, frequentemente, terreno n\u00e3o cercado ou \u201cabandonado\u201d remanescente que representa isso. No passado frequentemente <i>commons <\/i>= do latim, <i>comm\u016bnia<\/i>.<br \/>\n<i>b)\u00a0 Direito.<\/i> (Tamb\u00e9m direito de bem comum.) O lucro que um homem tem com as terras ou \u00e1guas de outro; como o direito de pastagem (comp\u00e1scuo), de pesca, de cavar, de cortar madeira para fogo ou consertos = terra comum (<i>commonage<\/i> s., <i>commonty<\/i> s.).<br \/>\nc) O conjunto das pessoas de qualquer lugar; a comunidade ou grupo; <i>esp. <\/i>o conjunto de burgueses livres de uma cidade ou burgo livre; \u00e0s vezes, a sociedade (<i>commonwealth<\/i> ) ou estado como entidade coletiva. (Latim <i>commune<\/i>, grego <i>\u03c4\u1f78 \u03ba\u03bf\u03b9\u03bd\u03cc\u03bd<\/i>.)<\/p><\/blockquote>\n<p>Em termos de etimologia, a palavra vem do franc\u00eas <i>commune<\/i>, que, por sua vez, origina-se do latim medieval <i>comm\u016bna<\/i>.<em> <\/em>As palavras <i>commune <\/i>e <i>common<\/i> t\u00eam a mesma raiz, mas desenvolveram significados diferentes.<\/p>\n<p><i>Common<\/i> vem do protoindo-europeu:<\/p>\n<blockquote><p>*ko-moin-i- \u201cter em comum\u201d, adjetivo composto formado por *ko- &#8220;junto&#8221; + *moi-n-, forma sufixada da ra\u00edz *mei- \u201cmudar, trocar\u201d, logo, literalmente, \u201ccompartilhado por todos\u201d.<em><\/em><sup>2<\/sup><\/p><\/blockquote>\n<p>Assim, podemos concluir que, tradicionalmente, (a) um <i>common<\/i> \u00e9 um peda\u00e7o de terra que \u201cpertence\u201d a uma comunidade; (b) existe um direito legal de acesso e uso do <i>common<\/i>; (c) um <i>common<\/i> \u00e9 uma entidade coletiva ou grupo de pessoas.<\/p>\n<p>A palavra <i>common<\/i> em ingl\u00eas est\u00e1 associada a uma pr\u00e1tica cultural de recursos da terra compartilhados, conferindo o direito legal de acesso e uso a uma entidade coletiva. Ou seja, uma comunidade tem acesso a um recurso segundo leis rigorosas de acesso e uso, que garantem sua sustentabilidade.<\/p>\n<p>Existem muitas pesquisas e literatura em ingl\u00eas sobre os<i> commons<\/i>.<em> <\/em>Acad\u00eamicos e escritores como Peter Linebaugh, David Harvey, Tine de Moor e Charlotte Hess nos apresentaram ideias que compreendem desde aspectos sociopol\u00edticos at\u00e9 tentativas de mapear as pr\u00e1ticas e discursos, tanto os tradicionais como os novos, sobre os<i> commons<\/i>.<sup>3<\/sup><\/p>\n<p>Distinguir entre os<i> commons<\/i> culturais tradicionais e os novos <i>commons<\/i> \u00e9 importante aqui.<em> <\/em>Se deixarmos de lado a no\u00e7\u00e3o de recurso tradicional da terra e nos concentrarmos na possibilidade de produ\u00e7\u00e3o do <i>common<\/i>, talvez possamos desenvolver um entendimento dos dois.<\/p>\n<p>Em pequeno texto sobre a produ\u00e7\u00e3o do<i> common, <\/i>Michael Hardt afirma que \u201choje, no entanto, n\u00e3o podemos mais considerar o common como quase natural ou legado.<em> <\/em>O <i>common<\/i> \u00e9 din\u00e2mico e artificial, produzido por meio de uma grande variedade de circuitos e encontros sociais\u201d, propondo uma mudan\u00e7a no modo de pensar que ultrapasse a \u201cterra, \u00e1gua, combust\u00edvel [&#8230;] e os lucros obtidos com outros recursos, como petr\u00f3leo ou diamantes&#8221;.<sup>4<\/sup><\/p>\n<p>A tentativa de produzir um <i>common<\/i> por meio de um projeto art\u00edstico talvez possa nos dar as ferramentas necess\u00e1rias para repens\u00e1-lo de forma mais geral.<em> <\/em>Como uma mesa e uma refei\u00e7\u00e3o \u2013 ou, na verdade, qualquer outra ideia que possamos ter \u2013 poderia nos ajudar nessa tarefa?<em> <\/em>Uma institui\u00e7\u00e3o art\u00edstica pode ser considerada um tipo de <i>common<\/i>?<\/p>\n<p>No livro <i>A conveni\u00eancia da cultura<\/i>, George Y\u00fadice prop\u00f5e a ideia de \u201ccultura como recurso\u201d.<sup>5<\/sup> A express\u00e3o enfatiza os poss\u00edveis <i>usos <\/i>da cultura por diferentes grupos de interesse, como pol\u00edticos, filantropos, os artistas ou o p\u00fablico. O autor tra\u00e7a um paralelo com a \u201cnatureza como recurso\u201d. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar a mente capitalista \u2013 depois de praticamente esgotar a capacidade da natureza de prover nossa subsist\u00eancia \u2013 voltando-se para a cultura como a pr\u00f3xima \u00e1rea a ser explorada, comercializada e privatizada. A criatividade \u00e9 uma imensa \u00e1rea n\u00e3o explorada da qual o capitalismo neoliberal, se permitirmos, extrair\u00e1 grandes fortunas com a privatiza\u00e7\u00e3o e a prote\u00e7\u00e3o pelo direito autoral da mesma forma como vem agindo com rela\u00e7\u00e3o ao meio ambiente natural. Somente mantendo a cultura como <i>common<\/i> \u2013 acionando seu significado e pr\u00e1tica como uso coletivo compartilhado \u2013 \u00e9 que podemos evitar que ela seja anexada, privatizada e expropriada. N\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil, j\u00e1 que o oportunismo e a competitividade s\u00e3o largamente aceitos praticamente como atitudes naturais<sup>6<\/sup>. Produzir e manter o <i>common<\/i> \u00e9 dific\u00edlimo, pois requer c\u00f3digos rigorosos, mas n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel, como demonstram muitos exemplos, inclusive a comunidade de software <i>open-source<\/i>.<\/p>\n<p>Outro exemplo que eu gostaria de propor demonstra como a arte pode atuar para se tornar um tipo de <i>common<\/i> de habilidades, de conhecimento e de educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 um exemplo que se baseia na minha experi\u00eancia profissional atual e visa investigar como uma pequena organiza\u00e7\u00e3o de artes da zona rural pode contribuir para um senso coletivo de cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, oferecendo, ao mesmo tempo, uma estrutura para o <i>common<\/i> cultural. Esse projeto foi realizado em 2012 no vilarejo de Lumsden, na Esc\u00f3cia, bem distante dos centros pol\u00edticos, econ\u00f4micos e culturais de Edimburgo e Glasgow, onde a Scottish Sculpture Workshop \u2013 Oficina Escocesa de Escultura (SSW) est\u00e1 situada. Embora pequena e rural, a SSW recebe apoio do governo central e atua nas esferas local, regional e internacional. Fundada pelo escultor Fred Busche em 1979, a organiza\u00e7\u00e3o, como o nome indica, \u00e9 uma oficina de escultura no sentido amplo. Artistas, artes\u00e3os, estudantes, estagi\u00e1rios, alunos de escolas etc. usam as instala\u00e7\u00f5es para aprender novas t\u00e9cnicas e criar. No que tem de melhor, \u00e9 um lugar bastante agitado, com pessoas trabalhando com cer\u00e2mica, bronze e madeira, escrevendo ensaios, editando filmes, cozinhando ou at\u00e9 fazendo programa\u00e7\u00e3o de computadores.<\/p>\n<p>Embora a maioria dos artistas trabalhe em projetos individuais, existe um senso de coletividade na preserva\u00e7\u00e3o e sustentabilidade da SSW como recurso. A localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica da SSW e consequente sensa\u00e7\u00e3o de isolamento talvez contribuam para essa sensibilidade coletiva, mas seria ingenuidade afirmar que nunca existem problemas. A SSW, apesar de t\u00e3o aberta, n\u00e3o funciona para todo mundo. Contudo, acredito que o forte sentimento de coletividade n\u00e3o se deve apenas \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, mas tamb\u00e9m em grande parte ao fato de que o lugar n\u00e3o \u00e9 controlado por um \u00fanico grupo de interesse. Existe uma negocia\u00e7\u00e3o constante entre todos os p\u00fablicos: artistas, a diretoria, os funcion\u00e1rios e at\u00e9 as comunidades locais, em menor propor\u00e7\u00e3o. O importante \u00e9 que o recurso existe h\u00e1 35 anos para ser usado por artistas e comunidades e deve continuar existindo por pelo menos mais 35 anos, permanecendo como espa\u00e7o de trocas aberto e acess\u00edvel. O papel do governo no apoio a uma organiza\u00e7\u00e3o desse tipo \u00e9 crucial, pois canaliza recursos p\u00fablicos para a cria\u00e7\u00e3o de arte contempor\u00e2nea p\u00fablica produzida na zona rural de Aberdeenshire, mas tamb\u00e9m exibida nas esferas nacional e internacional.<\/p>\n<p>In\u00fameras atividades da SSW s\u00e3o comuns a outras organiza\u00e7\u00f5es de arte contempor\u00e2neas, como resid\u00eancias, eventos especiais, exposi\u00e7\u00f5es e at\u00e9 simp\u00f3sios. Entretanto, o pequeno projeto que ancora meu argumento chama-se <i>Makers\u2019 Meal<\/i>. Foi o primeiro de quatro jantares que comp\u00f5em uma a\u00e7\u00e3o maior, chamada <i>Slow Prototypes <\/i>(Prot\u00f3tipos lentos), no qual colaboraram a artista\/artes\u00e3 local escocesa Merlyn Riggs e o artista\/cr\u00edtico Mick Wilson no ver\u00e3o de 2012.<sup>7<\/sup> Mick e Merlyn encontraram-se diversas vezes para discutir projetos de culin\u00e1ria como forma de gerar conviv\u00eancia e pensamento cr\u00edtico. As pr\u00e1ticas dos dois envolviam eventos culin\u00e1rios em Dublin e Lumsden.<\/p>\n<p>O projeto <i>Makers\u2019 Meal <\/i>reuniu um grupo de 18 a 20 pessoas que costumam frequentar a SSW, desde artistas de renome at\u00e9 professores universit\u00e1rios, estagi\u00e1rios, um arquiteto, artes\u00e3os, funcion\u00e1rios, um escritor, um membro da diretoria, eu pr\u00f3prio e um aluno adolescente. No lan\u00e7amento do projeto, propusemos preparar e comer uma refei\u00e7\u00e3o juntos. Para isso, por\u00e9m, criar\u00edamos as mesas, a lou\u00e7a, os talheres, os pratos de servir etc. Tudo foi produzido coletivamente do zero, usando os meios dispon\u00edveis na SSW. Neste sentido, a organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 vista como recurso f\u00edsico (com est\u00fadios, oficinas, acomoda\u00e7\u00f5es e uma cozinha), com acesso a materiais, mas tamb\u00e9m como uma coletividade que compartilha ideias, habilidades e conhecimento de trabalho artesanal.<\/p>\n<p>A ideia do projeto era incluir pessoas que costumam usar as oficinas em v\u00e1rias capacidades \u2013 para fins individuais, como recurso de aprendizado etc. \u2013 em um projeto coletivo. Elas ficariam respons\u00e1veis por obter os materiais, definir os grupos de trabalho, criar os projetos de design e desenvolver tudo. Seriam respons\u00e1veis coletivamente pelo formato do projeto e como ele poderia ser utilizado. Inicialmente, isso gerou desconforto em algumas pessoas, cujo trabalho n\u00e3o poderia, em hip\u00f3tese alguma, ser visto junto ao trabalho de outros. Mas isso logo se dissipou. Os participantes se organizaram em grupos e come\u00e7aram a trabalhar. Os recursos financeiros eram poucos e o tempo, curto, o que ajudou as pessoas a se concentrarem. Cont\u00e1vamos com o uso das instala\u00e7\u00f5es, acesso a materiais, um enorme n\u00famero de habilidades e grande motiva\u00e7\u00e3o. A motiva\u00e7\u00e3o, as instala\u00e7\u00f5es e as habilidades foram compartilhadas abertamente e a falta de recursos financeiros e tempo logo foi superada. Ap\u00f3s algumas semanas, realizamos o jantar, com alimentos produzidos localmente e espumante caseiro de amora e mirtilo feito pelos participantes. O jantar foi uma oportunidade de se discutir o processo do fazer coletivo, o que gerou ideias interessantes, mas tamb\u00e9m de refletir sobre os momentos dif\u00edceis e estranhos do projeto.<sup>8<\/sup><\/p>\n<p>Mas vamos parar por um instante e pensar sobre uma mesa. Pode uma simples mesa fornecer a estrutura para aprendermos como fazer juntos, para aprendermos uns com os outros? Enquanto houver lugares \u00e0 mesa, mais pessoas podem participar. Elas podem dizer o que querem aprender e, se houver algu\u00e9m \u00e0 mesa com aquele conhecimento\/habilidade, podem come\u00e7ar imediatamente. Se n\u00e3o for poss\u00edvel encontrar a habilidade ali, ent\u00e3o elas podem procur\u00e1-la. Se decidirem que isso n\u00e3o tem a ver com elas, podem ir embora. A mesa \u00e9 a escola, a universidade at\u00e9. Assim, as mesas podem ser distribu\u00eddas em diferentes lugares, para que as pessoas possam andar entre elas, aprendendo e ensinando umas \u00e0s outras.<\/p>\n<p>Algumas das perguntas b\u00e1sicas que surgiram durante <i>Makers\u2019 Meal<\/i> (o projeto espec\u00edfico sobre a mesa) podem ser feitas de modo geral com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o de um <i>common<\/i> cultural:<\/p>\n<p>&#8211; Quem somos? Quem faz parte da nossa \u201ccomunidade\u201d? Quem est\u00e1 exclu\u00eddo dela? Como distinguimos entre n\u00f3s e eles? Como \u00e9 feita essa distin\u00e7\u00e3o?<br \/>\n&#8211; Que habilidades temos como grupo? De que espa\u00e7os, ferramentas, materiais e formas de energia e de trabalho precisamos?<br \/>\n&#8211; Como disponibilizaremos nossas habilidades para os outros e como nos beneficiaremos das habilidades deles?<br \/>\n&#8211; O que \u00e9 uma mesa, um garfo, um prato?<br \/>\n&#8211; O que significa comer juntos? O que estamos comendo? Quem est\u00e1 \u00e0 mesa?<\/p>\n<p>Como este texto tenta levantar quest\u00f5es sobre o <i>common<\/i> no contexto brasileiro, tenho de mencionar que, numa pesquisa preliminar, n\u00e3o consegui encontrar uma defini\u00e7\u00e3o consensual para \u201c<i>the commons<\/i>\u201d em Portugal e no Brasil; uma tradu\u00e7\u00e3o que descrevesse a terra como recurso comum e indicasse tamb\u00e9m um <i>common<\/i> cultural.<\/p>\n<p>Em conversas com colegas brasileiros, quando propus \u201cbaldio\u201d como tradu\u00e7\u00e3o para <i>common<\/i>, parecia ter me deparado com uma parede. \u201cNo Brasil, baldio significa \u00e1rido, abandonado, sem uso. N\u00e3o pode significar o mesmo que <i>common<\/i> em ingl\u00eas\u201d, escutei repetidas vezes. Como provoca\u00e7\u00e3o e talvez desejando recuperar os \u201cterrenos baldios\u201d da minha inf\u00e2ncia, insisti no termo \u201cbaldios\u201d como equivalente para <i>the<\/i> <i>commons<\/i>.<\/p>\n<p>Cresci na periferia de Lisboa, conforme a cidade se expandia para o campo para atender \u00e0 necessidade de acomodar o fluxo de migrantes p\u00f3s-coloniais e os moradores da zona rural. Havia uma \u00e1rea urbanizada, onde ficavam nossos pr\u00e9dios, escolas e lojas, cercada por propriedades rurais e campos. Alguns desses campos com vegeta\u00e7\u00e3o malcuidada eram chamados de baldios<sup>9<\/sup>. Longe de serem terrenos abandonados e sem uso, eles eram usados para construir casas e vilarejos inteiros, chamados de bairros da lata (favelas), para plantar alimentos e como \u00e1rea de recrea\u00e7\u00e3o por grupos de crian\u00e7as e adolescentes das \u00e1reas adjacentes. Inclusive por mim. O baldio como terreno para moradia, produ\u00e7\u00e3o de alimentos e, mais importante ainda para n\u00f3s, como lugar para brincar traz boas lembran\u00e7as de possibilidade, liberdade e descobrimento. O baldio era um lugar aberto, onde aprendemos sobre o selvagem e o domesticado.<\/p>\n<p>Como iniciei este ensaio com a defini\u00e7\u00e3o de <i>common<\/i> do <i>Oxford English Dictionary<\/i>, parece-me apropriado come\u00e7ar a explorar o significado de \u201cbaldios\u201d por meio de um dicion\u00e1rio portugu\u00eas e deixar um espa\u00e7o em aberto para que, posteriormente, meus colegas escritores, artistas e pensadores do Brasil possam estabelecer uma defini\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O dicion\u00e1rio portugu\u00eas <i>Novo Dicion\u00e1rio Lello da L\u00edngua Portuguesa<\/i> define a palavra como:<\/p>\n<blockquote><p>a. <span style=\"text-decoration: underline;\">Baldio<\/span>: Que n\u00e3o est\u00e1 cultivado; terreno que, pertencendo a uma comunidade local, \u00e9 usado coletivamente.<sup>10<\/sup><\/p><\/blockquote>\n<p>Uma das etimologias propostas para baldio \u00e9 a palavra \u00e1rabe \u201cbaladi\u201d, que significa \u00e1rido e n\u00e3o cultivado. Isso pode explicar a conota\u00e7\u00e3o que a palavra adquiriu com o tempo, abrindo uma discuss\u00e3o interessante sobre a historicidade do baldio durante a presen\u00e7a \u00e1rabe na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica.<\/p>\n<p>Embora a conota\u00e7\u00e3o da palavra tenha mudado, sua denota\u00e7\u00e3o est\u00e1 preservada no dicion\u00e1rio portugu\u00eas. Ela tamb\u00e9m figura claramente na lei portuguesa, descrita em detalhes no Di\u00e1rio da Rep\u00fablica em termos de defini\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m como forma de gest\u00e3o. Segundo o Artigo 1\u00ba da Lei n\u00ba 68\/93 de 4 de setembro<sup>11<\/sup>:<\/p>\n<blockquote><p>1 \u2013 S\u00e3o baldios os terrenos possu\u00eddos e geridos por comunidades locais.<br \/>\n2 \u2013 Para os efeitos da presente lei, comunidade local \u00e9 o universo dos compartes.<br \/>\n3 \u2013 S\u00e3o compartes os moradores de uma ou mais freguesias ou parte delas que, segundo os usos e costumes, t\u00eam direito a frui\u00e7\u00e3o do baldio.<\/p><\/blockquote>\n<p>A defini\u00e7\u00e3o legal de baldio, seguida aqui pelos termos e condi\u00e7\u00f5es de uso e gest\u00e3o do recurso, n\u00e3o faz qualquer refer\u00eancia \u00e0s ideias de \u00e1rido e n\u00e3o cultivado mencionadas acima. Essas conota\u00e7\u00f5es possivelmente se desenvolveram mais tarde, com o \u00eaxodo do campo para a cidade e durante a transi\u00e7\u00e3o da agricultura para a ind\u00fastria.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a descri\u00e7\u00e3o de baldio na lei portuguesa contempla n\u00e3o s\u00f3 o bem comum da terra e os direitos de pastagem, de pesca, de cavar e de cortar madeira, mas, mais importante para este argumento, refere-se tamb\u00e9m a equipamentos comunit\u00e1rios. Segundo o Artigo 2\u00ba da mesma lei:<\/p>\n<blockquote><p>O disposto na presente lei aplica-se, com as necess\u00e1rias adapta\u00e7\u00f5es, e em termos a regulamentar, a equipamentos comunit\u00e1rios, designadamente eiras, fornos, moinhos e azenhas, usados, fru\u00eddos e geridos por comunidade local.<\/p><\/blockquote>\n<p>Essa descri\u00e7\u00e3o de baldio em Portugal condiz em grande medida com o ingl\u00eas <i>common<\/i>.<em> <\/em>No Brasil, baldio passou a significar terreno sem uso ou \u201cabandonado\u201d. Naturalmente, as palavras e significados mudam e evoluem com o tempo, mas n\u00e3o seria justo questionar se essa amn\u00e9sia n\u00e3o teria sido cuidadosamente forjada por aqueles que desejavam anexar tais terras, dar-lhes um &#8220;bom&#8221; uso? Impotentes, as pessoas observam enquanto esses recursos lhes s\u00e3o tirados. No norte da Europa e nos Estados Unidos, um grande n\u00famero de pesquisas hist\u00f3ricas sobre o baldio evitou essa amn\u00e9sia e, posteriormente, a anexa\u00e7\u00e3o \u201csilenciosa\u201d. O que estamos fazendo em outros contextos para evitar que as dimens\u00f5es coletivas e compartilhadas do baldio se percam?<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 interessante verificar que a lei portuguesa inclui os equipamentos comunit\u00e1rios como bens coletivos.<em> <\/em>Devemos nos perguntar se os recursos culturais poderiam ser inclu\u00eddos na estrutura mais ampla de recursos da comunidade.<em> <\/em><em><\/em><\/p>\n<p>Ainda assim, o abandono generalizado do terreno baldio como pr\u00e1tica na maioria dos contextos \u00e9 preocupante.<em> <\/em>Houve quatro momentos em que ele foi tratado legalmente em Portugal e, excetuando o Decreto-Lei n\u00ba <em>39\/76 <\/em><sup>12<\/sup>, todos conseguiram tirar o terreno baldio do uso e posse coletivos.<\/p>\n<blockquote><p>\u00c9 com grande expectativa que espero progredir na pesquisa sobre o baldio no Brasil, examinar uma poss\u00edvel defini\u00e7\u00e3o e artigos da lei. Nesse meio tempo, gostaria de propor uma forma poss\u00edvel de desenvolver essa discuss\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n<p>Poder\u00edamos tentar, agora no Brasil, produzir coletivamente uma refei\u00e7\u00e3o, uma mesa e seus utens\u00edlios, de forma semelhante ao que aconteceu na Esc\u00f3cia em 2012? Poder\u00edamos fazer isso envolvendo artistas, equipes de museus, professores e alunos universit\u00e1rios, agricultores urbanos, comunidades, crian\u00e7as, carpinteiros e ceramistas (e quem mais desejar participar)?<\/p>\n<p>Quer fa\u00e7amos o projeto <i>Makers\u2019 Meal <\/i>exatamente como na Esc\u00f3cia ou procuremos um esquema inteiramente novo para a cria\u00e7\u00e3o coletiva, devemos sempre nos lembrar da import\u00e2ncia da cultura como recurso livremente dispon\u00edvel, amplamente acess\u00edvel e compartilhado. Em paralelo ao projeto, far\u00edamos uma documenta\u00e7\u00e3o detalhada, prestando aten\u00e7\u00e3o especial aos seguintes pontos: qual \u00e9 o tamanho ideal do grupo? Qual o mecanismo para entrar e sair do grupo? Quais s\u00e3o as regras do jogo? O que acontece com quem n\u00e3o as cumpre? O que acontece se alguns se recusarem a colaborar? Como decidiremos o formato das mesas, lou\u00e7as e talheres? Onde vamos obter os alimentos? Como vamos prepar\u00e1-los? Seguindo qual receita?<\/p>\n<p>At\u00e9 o final desse evento, mesmo se n\u00e3o conseguirmos encontrar uma palavra adequada que seja equivalente a <i>the commons<\/i> em portugu\u00eas do Brasil, teremos levantado algumas das quest\u00f5es mais importantes sobre o compartilhamento coletivo de um recurso e sua posterior sustentabilidade.<\/p>\n<p>Lista de participantes do <i>Makers\u2019 Meal<\/i> na Scottish Sculpture Workshop:<\/p>\n<p>Jennifer Argo, Rachel Barker, George Beasley, Judy Beasley, Beth Bidwell, Emily Wyndham Gray, Sera James Irvine, Eden Jolly, Euan Ogilvie, Gavin Smith, Michael Marriott, Keith Mellard, Kevin Andrew Morris, Christine Muller, Sofia Oliveira, Merlyn Riggs, Jonathan Rose, Nuno Sacramento, Dane Sutherland e Rosy Wood.<br \/>\n<em><\/em><br \/>\n_<br \/>\n<sup>1<\/sup>Uma poss\u00edvel tradu\u00e7\u00e3o para a express\u00e3o <i>makers\u2019 meal<\/i> seria <i>\u201drefei\u00e7\u00e3o dos art\u00edfices\u201d<\/i>.<br \/>\n<sup>2<\/sup><i>Online Etymology Dictionary<\/i>. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.etymonline.com\/index.php?allowed_in_frame=0&amp;search=common&amp;searchmode=none\">http:\/\/www.etymonline.com\/index.php?allowed_in_frame=0&amp;search=common&amp;searchmode=none<\/a> Acesso em: 5 out. 2013.<br \/>\n<sup>3<\/sup>LINEBAUGH, Peter. <i>The Magna Carta Manifesto<\/i>:<i> <\/i>liberties and commons for all. Berkeley: University of \u00a0California Press, 2008; HARVEY, David. <i>Rebel cities: <\/i>from the right to the city to the urban revolution. London: Verso, 2012; DE MOOR, Tine. What do we have in common? A comparative framework for old and new literature on the commons. <i>International Review of\u00a0 Social History<\/i>., n. 57, p. 269-290, 2012; HESS, Charlotte. <i>Mapping the New Commons<\/i>, 2008. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/ssrn.com\/abstract=1356835\">http:\/\/ssrn.com\/abstract=1356835<\/a> ou <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.2139\/ssrn.1356835\">http:\/\/dx.doi.org\/10.2139\/ssrn.1356835<\/a>. Acesso em: 5 out. 2013.<br \/>\n<sup>4<\/sup>HARDT, Michael. Production and distribution of the common: a few questions for the artist. <i>Open<\/i> <i>Cahier on Art and the Public Domain<\/i>, n. 16, p. 20-28, 2009.<br \/>\n<sup>5<\/sup>Y\u00daDICE, George<i>. <\/i><i>The expediency of culture: uses of culture in the global era.<\/i> Durham NC\/London: Duke University Press, 2004, p.9-39 (Edi\u00e7\u00e3o brasileira: <i>A conveni\u00eancia da cultura: <\/i>usos da cultura na era global. Belo Horizonte, Editora UFMG, 2006).<br \/>\n<sup>6<\/sup>HARDIN, Garret The tragedy of the commons. <i>Science<\/i>, <i>New Series<\/i>, vol. 162, n. 3859, p 1243-1248, dez, 1968.<br \/>\n<sup>7<\/sup><i>Slow Prototypes<\/i>, projeto realizado pela Scottish Sculpture Workshop em 2012, introduziu tr\u00eas artistas contempor\u00e2neos internacionais na zonal rural do nordeste da Esc\u00f3cia por meio de colabora\u00e7\u00f5es com artistas-artes\u00e3os que se tornaram seus anfitri\u00f5es. Para que sa\u00edssem de suas posi\u00e7\u00f5es caracter\u00edsticas \u2013 de artista dando as ideias e o artes\u00e3o, o trabalho manual \u2013 o esquema de curadoria introduziu um obst\u00e1culo: o artista n\u00e3o poderia pedir que o artes\u00e3o fizesse seu trabalho e vice-versa. Com esse nivelamento, as duas partes encontraram novas posi\u00e7\u00f5es e formas de negocia\u00e7\u00e3o para produzir o trabalho conjuntamente.<br \/>\n<sup>8<\/sup>A SSW lan\u00e7ar\u00e1 uma publica\u00e7\u00e3o sobre o projeto <i>Makers\u2019 Meal<\/i> (previsto para 2013).<br \/>\n<sup>9<\/sup>N.T.: Em portugu\u00eas de Portugal, \u00e9 poss\u00edvel utilizar \u201cbaldio\u201d como substantivo e n\u00e3o apenas como adjetivo.<br \/>\n<sup>10<\/sup>NOVO DICION\u00c1RIO LELLO DA L\u00cdNGUA PORTUGUESA. Porto: Lello Editora, 1996 e 1999.<br \/>\n<sup>11<\/sup>Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/dre.pt\/pdf1sdip\/1993\/09\/208a00\/46664673.PDF\">http:\/\/dre.pt\/pdf1sdip\/1993\/09\/208a00\/46664673.PDF<\/a>. Acesso em: 5 out. 2013.<br \/>\n<sup>12<\/sup>Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.igf.min-financas.pt\/inflegal\/bd_igf\/bd_legis_geral\/Leg_geral_docs\/DL_039_76.htm\">http:\/\/www.igf.min-financas.pt\/inflegal\/bd_igf\/bd_legis_geral\/Leg_geral_docs\/DL_039_76.htm<\/a>. Acesso em: 5 out. 2013.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Makers\u2019 Meal1 e a produ\u00e7\u00e3o do novo common Nuno Sacramento Neste exato momento, aquilo que chamamos de the commons em ingl\u00eas est\u00e1 encolhendo! 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