{"id":208,"date":"2013-12-16T13:16:49","date_gmt":"2013-12-16T13:16:49","guid":{"rendered":"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/?page_id=208"},"modified":"2016-01-18T17:00:55","modified_gmt":"2016-01-18T17:00:55","slug":"bienal-do-mercosul","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/bienal-do-mercosul\/","title":{"rendered":"Bienal do Mercosul"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-255\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/9.-Apresenta\u00e7\u00e3o-do-projeto-Coro-de-Queixas.jpg\" alt=\"Apresenta\u00e7\u00e3o do projeto Coro de Queixas\" width=\"590\" height=\"387\" \/><br \/>\n<span class=\"legenda\">Performance, <em>Coro de Queixas<\/em> na abertura da 8\u00aa Bienal do Mercosul, Porte Alegre, Brasil, 2011<\/span><\/p>\n<p><span class=\"titulo\">Uma coleta de m\u00faltiplas vozes: a pedagogia no campo ampliado na 8\u00aa Bienal do Mercosul<br \/>\n<\/span><span class=\"autor\">Jessica Gogan e\u00a0Luiz Guilherme Vergara<\/span><\/p>\n<blockquote><p>Bernard Tschumi dizia em <em>The Pleasure of Architecture<\/em>: se voc\u00ea quiser seguir a primeira regra da arquitetura, quebre-a. Algo parecido poderia ser dito da curadoria. N\u00e3o h\u00e1 par\u00e2metros aplic\u00e1veis a todos os casos, apenas inten\u00e7\u00f5es e anseios. \u00c9 melhor ser consequente com o desenvolvimento do projeto do que consistente com um hipot\u00e9tico dever ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Jos\u00e9 Roca, curador geral da 8\u00aa Bienal do Mercosul<sup>1<\/sup><\/p>\n<\/blockquote>\n<blockquote><p>[&#8230;] a Bienal prop\u00f5e a tentativa metaf\u00f3rica de \u201creterritorializar\u201d \u2013 termo utilizado por Deleuze e Guattari para indicar os processos pelo quais se desconstr\u00f3i uma velha ordem e se estabelece uma nova \u2013 o campo da pedagogia no \u00e2mbito das artes visuais. Da mesma forma, faz refer\u00eancia ao influente ensaio de Rosalind Krauss, <em>Sculpture in the Expanded Field <\/em>[<em>A escultura no campo expandido<\/em>], no qual \u00e9 articulada a necessidade da pr\u00e1tica art\u00edstica de quebrar os par\u00e2metros expositivos convencionais. V\u00e1rios anos depois, foi sugerido que esse campo expandido, \u201creterritorializado\u201d, da arte tivesse um car\u00e1ter social, no qual a pedagogia ocupasse um lugar central como instrumento de comunica\u00e7\u00e3o, reflex\u00e3o e, nos termos de Paulo Freire, conscientiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Pablo Helguera, curador pedag\u00f3gico da 8\u00aa Bienal do Mercosul<sup>2<\/sup><\/p>\n<\/blockquote>\n<blockquote><p>O registro da pr\u00e1tica \u00e9 o fio que vai tecendo a hist\u00f3ria do nosso processo. \u00c9 atrav\u00e9s dele que ficamos para os outros [\u2026] mas n\u00e3o basta registrar e guardar para si o que foi pensado, \u00e9 fundamental socializar os conte\u00fados da reflex\u00e3o de cada um para todos. \u00c9 fundamental a oferta do entendimento individual para a constru\u00e7\u00e3o do acervo coletivo. Como bem pontuava Paulo Freire, o registro da reflex\u00e3o e sua socializa\u00e7\u00e3o num grupo s\u00e3o \u2018fundadores da consci\u00eancia\u2019 [\u2026] e tamb\u00e9m instrumentos para a constru\u00e7\u00e3o de conhecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Madalena Freire<sup>3<\/sup><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Desde sua inaugura\u00e7\u00e3o e particularmente nas \u00faltimas edi\u00e7\u00f5es, a Bienal do Mercosul (em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil) provoca e questiona os formatos estabelecidos das bienais de arte contempor\u00e2nea. Ciente dos cr\u00edticos que estes grandes eventos e espet\u00e1culos sempre recebem, cada bienal em diversas realiza\u00e7\u00f5es busca experimentar <em>com <\/em>o lugar construindo algo diferenciado nascido no contexto de Porto Alegre como contraponto \u00fanico na hist\u00f3ria do internacionalismo da mais famosa Bienal de S\u00e3o Paulo. A curadoria da 8\u00aa Bienal em particular partiu da premissa conceitual de quebrar regras, explorar novos formatos e expandir no tempo e espa\u00e7o as diversas pr\u00e1ticas art\u00edsticas, curatoriais e pedag\u00f3gicas. Em v\u00e1rias destas experimenta\u00e7\u00f5es uma pergunta da curadoria reverberou: como ser consequente? Ent\u00e3o, como acompanhar uma curadoria que busca quebrar regras e expandir no tempo e espa\u00e7o as pr\u00e1ticas art\u00edsticas, curatoriais e pedag\u00f3gicas de uma forma org\u00e2nica e desenvolvida com o contexto? Como reconhecer processos de reterritorializa\u00e7\u00e3o da pedagogia no campo das artes visuais e de um imagin\u00e1rio art\u00edstico no campo da pedagogia?<\/p>\n<p>Como avaliar e documentar estes processos de hibrida\u00e7\u00e3o curatorial-pedag\u00f3gica, que tomam como base uma pr\u00e1tica \u201cimaginativa, criativa e flex\u00edvel de acordo com o mesmo dinamismo que oferece a arte de hoje\u201d<sup>4<\/sup>? Refletimos sobre estas perguntas respondendo ao convite do curador pedag\u00f3gico da 8\u00aa Bienal \u2013 o artista, educador e curador mexicano radicado em Nova York Pablo Helguera \u2013 e a coordenadora geral do projeto pedag\u00f3gico, M\u00f4nica Hoff, a desenvolver uma iniciativa de avalia\u00e7\u00e3o que poderia acompanhar este campo art\u00edstico-curatorial-pedag\u00f3gico.<\/p>\n<p>Acompanhar este campo \u201cemergente\u201d significou ent\u00e3o reconhecer processos h\u00edbridos que partem da vontade de amplia\u00e7\u00e3o da pedagogia no campo das artes visuais e, ent\u00e3o, retornam para a pr\u00f3pria Bienal como formas de reverbera\u00e7\u00f5es e resson\u00e2ncias da territorializa\u00e7\u00e3o de possibilidades expandidas para arte sob uma vis\u00e3o \u00e9tica e geopol\u00edtica da pedagogia. Ressalta-se na cumplicidade entre o projeto curatorial e pedag\u00f3gico uma natureza mutante de contamina\u00e7\u00f5es em processo \u2013 quando n\u00e3o apenas o acontecimento art\u00edstico transborda para uma dimens\u00e3o fenom\u00eanica pedag\u00f3gica, mas, na mesma medida, \u00e9 o fen\u00f4meno pedag\u00f3gico que se desdobra em acontecimento art\u00edstico, \u00e9tico e el\u00edptico (de transforma\u00e7\u00f5es m\u00fatuas entre sujeitos). Esta \u00e9 uma zona-limite cr\u00edtica que se observou na realiza\u00e7\u00e3o curatorial, art\u00edstica e pedag\u00f3gica do conceito de geopo\u00e9tica. Estas n\u00e3o seriam tamb\u00e9m as contribui\u00e7\u00f5es \u00e9ticas e est\u00e9ticas que emergem desta complexa conceitua\u00e7\u00e3o de uma pedagogia ampliada que se d\u00e1 como experi\u00eancia art\u00edstica geopo\u00e9tica (ou vice-versa) a serem projetadas como o legado geopol\u00edtico deixado pela 8\u00aa Bienal do Mercosul? Tais indaga\u00e7\u00f5es motivaram e mobilizaram a ideia de uma coleta de m\u00faltiplas vozes das pessoas envolvidas no campo expandido da pedagogia da 8\u00aa Bienal.<\/p>\n<p>Percebendo o potencial escopo de um projeto de coleta \u201cexpandida\u201d, junto com a equipe pedag\u00f3gica, selecionamos aproximadamente 40 pessoas a serem entrevistadas, entre elas curadores, educadores, produtores culturais, artistas, pessoas da comunidade e professores das redes de educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, parceiras cont\u00ednuas de v\u00e1rias edi\u00e7\u00f5es da Bienal. \u00c9 importante observar que, como precis\u00e1vamos estabelecer par\u00e2metros para esta avalia\u00e7\u00e3o, pensando especialmente na realiza\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica de entrevistas, decidimos junto com a equipe pedag\u00f3gica focar em quatro \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o do projeto pedag\u00f3gico: o projeto pedag\u00f3gico em geral; o curso de mediadores e as media\u00e7\u00f5es; Casa <em>M <\/em>(centro cultural de resid\u00eancias, cursos e programas estabelecidos que abriu quatro meses antes da abertura oficial da 8\u00aa Bienal); e dois projetos do <em>Cadernos de Viagem<\/em> (resid\u00eancias art\u00edsticas em diversas comunidades e cidades no Rio Grande do Sul).<\/p>\n<p><img class=\"alignnone size-full wp-image-232\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/1_BienalMercosul-e1387205408737.jpg\" alt=\"Oliver Kochta\" width=\"590\" \/><span class=\"legenda\">Oliver Kochta, artista, <em>Cadernos de Viagem: Coro de Queixas<\/em><\/span><\/p>\n<p><img class=\"alignnone size-full wp-image-227\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/6_BienalMercosul-e1387207894867.jpg\" alt=\"\" width=\"590\" \/><br \/>\n<span class=\"legenda\">Gabriel Bartz, mediador, <em>Casa M<\/em><\/span><\/p>\n<p>Certamente, para realizar uma avalia\u00e7\u00e3o que poderia ter a bordo as dimens\u00f5es do projeto pedag\u00f3gico em todas suas inten\u00e7\u00f5es expandidas, precisar\u00edamos tamb\u00e9m aumentar nosso escopo e dispositivos de registros e coletas de percep\u00e7\u00f5es dos participantes. No entanto optamos aprofundar em vez de horizontalizar. Cabe relembrar Espinosa: \u201c<em>(&#8230;) n\u00e3o basta se expor a novas experi\u00eancias sem ampliar sua capacidade de se afetar (&#8230;)<\/em>\u201d<sup>5<\/sup>. Em outras palavras, ao se propor experimentar o novo \u00e9 preciso tamb\u00e9m estar preparado para se afetar, refletir e se transformar. Para reconhecer esta transforma\u00e7\u00e3o e os novos paradigmas e premissas em jogo na rela\u00e7\u00e3o crescente de cumplicidade entre curadoria e projeto pedag\u00f3gico, \u00e9 preciso abrir espa\u00e7os para a escuta, para se afetar e para explorar os v\u00ednculos e trocas entre Bienal e sociedade realizados em Porto Alegre e a regi\u00e3o. Neste sentido, recomendamos para o futuro uma amplia\u00e7\u00e3o de escutas potencializando afetos m\u00fatuos de pertencimento e proximidades entre curadoria, arte, produ\u00e7\u00e3o e pedagogia, como tamb\u00e9m com os diversos p\u00fablicos. Ainda, esta avalia\u00e7\u00e3o sist\u00eamica sugerida deveria incorporar outras perspectivas e \u00e1reas mesmo n\u00e3o atuando pedagogicamente, mas que podem oferecer outro balan\u00e7o qualitativo de abordagens.<\/p>\n<p>Para 8\u00aa Bienal nossa escolha era maximizar as possibilidades de reflex\u00e3o de uma \u201cmicro\u201d coleta de vozes, adotando entrevistar as mesmas 40 pessoas em tr\u00eas distintos momentos ao longo dos seis meses na evolu\u00e7\u00e3o da Bienal. Em cada entrevista perguntamos as mesmas quest\u00f5es sobre as motiva\u00e7\u00f5es e riscos percebidas por cada entrevistado em seu envolvimento com a Bienal. Assim, optou-se pela avalia\u00e7\u00e3o do projeto pedag\u00f3gico em suas dimens\u00f5es po\u00e9ticas e pol\u00edticas, quebrando modelos positivistas de avalia\u00e7\u00e3o, com base no distanciamento, par\u00e2metros objetivos de metas e impactos quantitativos. Atrav\u00e9s do que se chamou de \u201cum convite \u00e0 reflex\u00e3o e coleta de vozes\u201d, adotou-se inversamente a proximidade como base para uma pesquisa-interven\u00e7\u00e3o. Assim, reconhecemos as contamina\u00e7\u00f5es m\u00fatuas entre os entrevistados e suas reflex\u00f5es descrevendo suas constru\u00e7\u00f5es de subjetividades. Propomos muito mais ouvir de dentro as vozes dos agentes dos processos pedag\u00f3gicos, do que olhar de fora uma exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pudemos constatar o quanto este invent\u00e1rio de vozes p\u00f4de refor\u00e7ar o cuidado com a produ\u00e7\u00e3o de subjetividades j\u00e1 colocada na pr\u00f3pria proposta simbi\u00f3tica entre arte, curadoria e pedagogia impl\u00edcita na natureza expandida do projeto pedag\u00f3gico. Observou-se um entendimento (e colabora\u00e7\u00e3o) da parte de todos os entrevistados de que o dispositivo de avalia\u00e7\u00e3o era tamb\u00e9m reflexivo, indissoci\u00e1vel do conceito de pesquisa-interven\u00e7\u00e3o no qual se assume a cumplicidade com sua ferramenta chave \u2013 ativando, refletindo e explorando as motiva\u00e7\u00f5es e preocupa\u00e7\u00f5es junto <em>com <\/em>as pessoas atuando no campo.<\/p>\n<p>Da\u00ed a proposta se desdobra em uma genealogia das motiva\u00e7\u00f5es, buscando onde e como a irradia\u00e7\u00e3o dessas vozes atingiu, ativou, constituiu um campo de territorializa\u00e7\u00f5es aut\u00f4nomas al\u00e9m dos galp\u00f5es da mostra, tanto nas escolas, na Casa <em>M <\/em>e nas interven\u00e7\u00f5es p\u00fablicas da Cidade n\u00e3o Vista, quanto no interior. Atrav\u00e9s dessas cartografias das enuncia\u00e7\u00f5es, o dispositivo de avalia\u00e7\u00e3o se integrou aos meios e fins do projeto pedag\u00f3gico ampliado, como um espa\u00e7o de escuta \u2013 de resson\u00e2ncias e reverbera\u00e7\u00f5es \u2013 registrando as vozes e processos de produ\u00e7\u00e3o de subjetividades em toda a sua perspectiva rizom\u00e1tica de microgeopo\u00e9tica e (re)territorializa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><img class=\"alignnone size-full wp-image-229\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/8_BienalMercosul-e1387206629396.jpg\" alt=\"M\u00f4nica Hoff\" width=\"590\" \/><br \/>\n<span class=\"legenda\">M\u00f4nica Hoff, coordenadora do Projeto Pedag\u00f3gico da 8\u00aa Bienal do Mercosul<\/span><\/p>\n<p><img class=\"alignnone size-full wp-image-233\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/2_BienalMercosul-e1387206440277.jpg\" alt=\"Pablo Helguera\" width=\"590\" \/><br \/>\n<span class=\"legenda\">Pablo Helguera, curador pedag\u00f3gico da 8\u00aa Bienal do Mercosul<\/span><\/p>\n<p>V\u00e1rios pesquisadores contempor\u00e2neos inspiraram nossa metodologia \u2013 um deles foi o trabalho do psic\u00f3logo h\u00fangaro Mihaly Csikzentmihalyi. Seu conceito de \u201cflow\u201d [fluxo] descreve a s\u00edntese da psicologia da experi\u00eancia \u201coptima\u201d, uma palavra e um estado de ser que os entrevistados sempre usaram para expressar a sensa\u00e7\u00e3o de estar plenamente engajados em uma imers\u00e3o \u201coptima\u201d realizando algo \u2013 seja fazendo arte, cozinhando, jogando xadrez ou escalando montanhas<sup>6<\/sup>. Na pesquisa sobre o \u201cflow\u201d, ele aponta caracter\u00edsticas importantes que precisam estar presentes para conciliar estas experi\u00eancias. Dentre elas, as mais importantes s\u00e3o a motiva\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca, constru\u00e7\u00f5es com conhecimentos pr\u00e9vios e autonomia, acompanhando organicamente os resultados (\u201cfeedback\u201d imediato).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-231\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/10.-Curso-de-media\u00e7\u00e3o-e1387206535519.jpeg\" alt=\"Curso de media\u00e7\u00e3o\" width=\"620\" height=\"450\" \/><br \/>\n<span class=\"legenda\">Mapa associando ideias e experi\u00eancias com a palavra media\u00e7\u00e3o<\/span><\/p>\n<p>Em termos conceituais esta pesquisa-interven\u00e7\u00e3o trouxe tamb\u00e9m como par\u00e2metro qualitativo a proposi\u00e7\u00e3o do pesquisador Fred Evans<sup>7<\/sup> de uma \u00e9tica dialogal que se faz por acontecimentos el\u00edpticos abertos (de m\u00fatuos afetos entre todas as partes de um processo), fundamental para uma era da diversidade. Este acontecimento el\u00edptico foi constru\u00eddo e reconhecido como tal, atrav\u00e9s do conjunto de depoimentos, em que as trocas de afetos e perceptos foram constituindo e alimentando a consci\u00eancia de uma vontade coletiva como corpo emergente de m\u00faltiplas vozes. Al\u00e9m disso, para refletir sobre o hibridismo entre pr\u00e1tica art\u00edstica e pedagogia ampliada, trazemos Hans-Georg Gadamer e sua abordagem sobre a arte como jogo, festa e simb\u00f3lico<sup>8<\/sup>.<\/p>\n<p>Do ponto de vista da metodologia avaliativa, uma outra pesquisa referencial \u00e9 o trabalho Project Zero, n\u00facleo de estudos sobre educa\u00e7\u00e3o nos EUA afiliado \u00e0 Universidade de Harvard, e um de seus projetos recentes que buscou identificar os indicadores chaves de qualidade nos programas de arte-educa\u00e7\u00e3o em todo o pa\u00eds<sup>9<\/sup>. Al\u00e9m de fatores importantes notados por eles, como aprendizagem participativa, ambiente e a qualidade dos materiais e profissionais, eles descobriram que o melhor indicador de qualidade \u00e9 a pr\u00f3pria busca por qualidade \u2013 sugerindo a import\u00e2ncia vital da vontade criativa, motiva\u00e7\u00e3o, cr\u00edtica construtiva e reflex\u00e3o s\u00e9ria sobre o processo. Em outras palavras, quanto mais se v\u00ea busca por qualidade, mais se encontra qualidade.<\/p>\n<p><img class=\"alignnone size-full wp-image-228\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/7_BienalMercosul-e1387207433495.jpg\" alt=\"Curso de media\u00e7\u00e3o \" width=\"590\" \/><br \/>\n<span class=\"legenda\">Curso de media\u00e7\u00e3o<\/span><\/p>\n<p><img class=\"alignnone size-full wp-image-235\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/4_BienalMercosul-e1387205676201.jpg\" alt=\"Casa M\" width=\"590\" \/><br \/>\n<span class=\"legenda\">Curso de professores na Casa M. Foto: L\u00edvia Stumpf\/indice.com<\/span><\/p>\n<p>Esta pesquisa, entre outras, influenciou nossa escolha de transformar o dispositivo avaliador em um convite \u00e0 reflex\u00e3o el\u00edptica por meio de uma ouvidoria geradora de afetos m\u00fatuos, instaurada como uma c\u00e2mera de resson\u00e2ncias dentro do pr\u00f3prio processo do projeto pedag\u00f3gico ampliado da Bienal. Dessa forma, pudemos dizer que conseguimos provocar e reunir enuncia\u00e7\u00f5es que refletem os modos pelos quais os indiv\u00edduos estariam se vendo, realimentando vontades, expectativas e preocupa\u00e7\u00f5es dos pr\u00f3prios sujeitos dos depoimentos. Esta coleta de exerc\u00edcios de fala e escuta revelou-se como um campo interno de constru\u00e7\u00e3o de subjetividades, trazendo \u00e0 tona uma camada subterr\u00e2nea formada por adensamento de outras temporalidades anteriores \u00e0 \u201cmostra\u201d, rica de contamina\u00e7\u00f5es e de motiva\u00e7\u00f5es. Assim, o pr\u00f3prio dispositivo de avalia\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se contaminou. N\u00f3s mesmos \u00e9ramos tanto participantes como ouvidores. A c\u00e2mera era um ve\u00edculo num processo construtivista e fenomenol\u00f3gico de individualiza\u00e7\u00f5es, de vozes que puderam expressar os rebatimentos entre conscientiza\u00e7\u00e3o, pertencimento e agenciamento. Observou-se neste processo que uma das \u00fanicas maneiras de capturar esta vida relacional e p\u00fablica da arte e suas possibilidades expandidas ou conseq\u00fcentes \u00e9 atrav\u00e9s de uma tal micro coleta de vozes \u2013 um processo que pode capturar uma po\u00e9tica e uma pol\u00edtica microgeogr\u00e1fica. De uma forma micro esta pesquisa-interven\u00e7\u00e3o realizada atrav\u00e9s da coleta de vozes possibilitou uma captura desta \u201cvida\u201d e campo expandido atrav\u00e9s de um registro de uma riqueza polif\u00f4nica que em si mesmo pode impulsionar a exterioriza\u00e7\u00e3o e o empoderamento desta vontade coletiva emergente, que inicialmente n\u00e3o estava plenamente consciente, mas em sua forma \u201ccoletada\u201d e registrada reflete as reverbera\u00e7\u00f5es e resson\u00e2ncias na produ\u00e7\u00e3o de subjetividades em sua dimens\u00e3o org\u00e2nica, relacional e \u00e9tica.<\/p>\n<p><img class=\"alignnone size-full wp-image-226\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/5_BienalMercosul-e1387208683846.jpg\" alt=\"Jos\u00e9 Roca e Alexia Tala \" width=\"590\" \/><br \/>\n<span class=\"legenda\">Jos\u00e9 Roca (curador geral) e Alexia Tala (curadora adjunta) da 8\u00aa Bienal do Mercosul<\/span><\/p>\n<p><img class=\"alignnone size-full wp-image-234\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/3_BienalMercosul-e1387206190832.jpg\" alt=\"Mateo L\u00f3pez\" width=\"590\" \/><br \/>\n<span class=\"legenda\">Mateo L\u00f3pez, artista,<em> Cadernos de Viagem: Notas do Campo<\/em><\/span><\/p>\n<p>Verificou-se na coleta de vozes muito mais que uma avalia\u00e7\u00e3o. Este convite \u00e0 reflex\u00e3o foi assumido por todos os participantes como um \u201cterceiro tempo e espa\u00e7o\u201d \u2013 um entrelugar de escutas das diferentes fases desta bienal. Assim, este acompanhamento-pesquisa-avalia\u00e7\u00e3o pode ser institu\u00eddo como dispositivo de reverbera\u00e7\u00e3o e resson\u00e2ncia das motiva\u00e7\u00f5es (intr\u00ednsecas e extr\u00ednsecas, assim como das frustra\u00e7\u00f5es e riscos), gra\u00e7as tamb\u00e9m \u00e0 confian\u00e7a e ao afeto de todos os que se disponibilizaram a colaborar conosco neste trabalho. Como resultado desta coleta cinco v\u00eddeos\/arquivos foram realizados, cada um explorando um aspecto diverso da atua\u00e7\u00e3o do programa pedag\u00f3gico. Na ocasi\u00e3o da publica\u00e7\u00e3o da primeira edi\u00e7\u00e3o da Revista MESA, junto com este ensaio, editaremos uma sele\u00e7\u00e3o destas vozes m\u00faltiplas em um v\u00eddeo de 15 minutos.<\/p>\n<p><iframe src=\"\/\/player.vimeo.com\/video\/82056173?title=0&amp;byline=0&amp;portrait=0\" width=\"590\" height=\"332\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><br \/>\n<span class=\"legenda\">Uma coleta de m\u00faltiplas vozes: encontros com a 8\u00aa Bienal do Mercosul.<\/span><\/p>\n<p>Al\u00e9m ainda de um convite \u00e0 reflex\u00e3o e uma coleta de vozes, o projeto como pesquisa-interven\u00e7\u00e3o pode mapear uma microgeografia de perspectivas e sugerir temas coletivos, rela\u00e7\u00f5es chaves, dificuldades e pr\u00e1ticas cr\u00edticas e po\u00e9ticas emergentes. Este engajamento profundo com o registro \u00e9 essencial para desenvolver um entendimento mais adensado, cr\u00edtico e complexo sobre a vida p\u00fablica da arte e o que poder\u00edamos chamar um trabalho \u201cconsequente\u201d. Como apontou Paulo Freire, \u201co registro da reflex\u00e3o e sua socializa\u00e7\u00e3o num grupo s\u00e3o \u2018fundadores da consci\u00eancia\u2019 [\u2026] e tamb\u00e9m instrumentos para a constru\u00e7\u00e3o de conhecimento\u201d.<\/p>\n<p>Agradecemos a participa\u00e7\u00e3o, abertura e afeto de todos nas entrevistas. Abaixo listamos os participantes dessas entrevistas por eixos e categorias de atua\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>1) Projeto Pedag\u00f3gico \u2013 equipe de curadoria, coordena\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o do projeto pedag\u00f3gico<\/p>\n<ul>\n<li>Andr\u00e9 da Rocha \u2013 forma\u00e7\u00e3o de professores<\/li>\n<li>Diana Kolker Carneiro da Cunha \u2013 educadora dos cursos para professores\/supervisora de mediadores<\/li>\n<li>Ethiene Nachtigall \u2013 coordenadora operacional da forma\u00e7\u00e3o de mediadores e equipe de media\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li>Gabriela Silva \u2013 coordenadora operacional do Projeto Pedag\u00f3gico da 8\u00aa Bienal do Mercosul<\/li>\n<li>Jos\u00e9 Roca \u2013 curador geral da 8\u00aa Bienal do Mercosul<\/li>\n<li>Liane Strapazzon \u2013 produtora do Projeto Pedag\u00f3gico da 8\u00aa Bienal do Mercosul<\/li>\n<li>M\u00f4nica Hoff \u2013 coordenadora geral do Projeto Pedag\u00f3gico \/ Funda\u00e7\u00e3o Bienal de Artes Visuais do Mercosul<\/li>\n<li>Pablo Helguera \u2013 curador pedag\u00f3gico da 8\u00aa Bienal do Mercosul<\/li>\n<li>Rafael Silveira \u2013 coordenador da modalidade EAD na forma\u00e7\u00e3o de mediadores\/supervisor de mediadores da Mostra Geopo\u00e9ticas<\/li>\n<\/ul>\n<p>2) Casa M (novo centro art\u00edstico e cultural inaugurado pela 8\u00aa Bienal na cidade do Porto Alegre quatro meses antes da abertura da \u201cmostra\u201d da Bienal)<\/p>\n<ul>\n<li>Fernanda Albuquerque \u2013 curadora assistente da 8\u00aa Bienal do Mercosul<\/li>\n<li>Fernanda Ott \u2013 coordenadora do N\u00facleo de Documenta\u00e7\u00e3o e Pesquisa da Funda\u00e7\u00e3o Bienal de Artes Visuais do Mercosul<\/li>\n<li>Paula Krause \u2013 gestora da Casa M<\/li>\n<li>Gabriel Bartz \u2013 mediador da Casa M<\/li>\n<li>Luiza Mendon\u00e7a \u2013 core\u00f3grafa e participante do Projeto Duetos, Casa M<\/li>\n<li>Michele Zgiet \u2013 professora de literatura e mediadora da Casa M<\/li>\n<li>Rodrigo Nunes \u2013 fil\u00f3sofo, vizinho<\/li>\n<li>Tatiana Rosa \u2013 bailarina e artista participante do Projeto Duetos, Casa M<\/li>\n<li>Tiago Giora \u2013 artista da primeira mostra da vitrine, Casa M<\/li>\n<\/ul>\n<p>3) Cadernos de Viagem (projeto de resid\u00eancias e iniciativas pedag\u00f3gicas no Rio Grande do Sul igualmente inaugurados nesse per\u00edodo antes da mostra)<\/p>\n<ul>\n<li>Alexia Tala \u2013 curadora adjunta da 8\u00aa Bienal do Mercosul e curadora do projeto Cadernos de Viagem<\/li>\n<li>Andr\u00e9 Vilmar Mers \u2013 participante do Coro de Queixas, morador de Lageado<\/li>\n<li>Lucas Brolese \u2013 m\u00fasico e compositor de Coro de queixas<\/li>\n<li>M\u00e1rcia Tomaseli \u2013 artista pl\u00e1stica e professora de artes de Il\u00f3polis<\/li>\n<li>Marlene Montagner \u2013 coordenadora pedag\u00f3gica da SME de Il\u00f3polis<\/li>\n<li>Marizangela Secco \u2013 coordenadora Museu de P\u00e3o, Il\u00f3polis<\/li>\n<li>Mateo Lopez \u2013 artista, Projeto Notas do Campo, Il\u00f3polis<\/li>\n<li>Oliver Kochta \u2013 artista, Projeto Coro de Queixas<\/li>\n<\/ul>\n<p>4) Mediadores (incluindo o curso da forma\u00e7\u00e3o) e professores<\/p>\n<ul>\n<li>Alissa Gottfried \u2013 oficineira do Espa\u00e7o Educativo Ykon Game \u2013 Geod\u00e9sica<\/li>\n<li>Andr\u00e9a Paiva Nunes \u2013 mediadora da 1\u00aa e da 8\u00aa Bienal do Mercosul<\/li>\n<li>Andressa Argenta \u2013 mediadora da Mostra Cidade n\u00e3o Vista<\/li>\n<li>Denis Fromer Nicola \u2013 mediador na 5\u00aa e na 7\u00aa Bienal<\/li>\n<li>Emanuel Silveira Alves \u2013 mediador da Mostra Cadernos de Viagens<\/li>\n<li>M\u00e1rcia Wander \u2013 professora de artes\/educa\u00e7\u00e3o especial, Escola Municipal Eliseu Paglioi<\/li>\n<li>Maria Aparecida Aliano Marques \u2013 assessora de Pol\u00edticas Culturais da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o de Porto Alegre<\/li>\n<li>Maria Helena Gaidzinski \u2013 coordenadora da A\u00e7\u00e3o Educativa Santander Cultural e supervisora de mediadores da Mostra Eugenio Dittborn<\/li>\n<li>Marilia Schmitt Fernandes \u2013 professora de arte da Escola EMEF Arthur Pereira e Vargas, em Canoas<\/li>\n<li>Paula Cristina Luersen \u2013 mediadora do Projeto Viv\u00eancias nas Escolas<\/li>\n<li>Roger Kichalowsky \u2013 supervisor do Espa\u00e7o Educativo Ykon Game \u2013 Geod\u00e9sica<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>_<br \/>\nUma vers\u00e3o deste material foi publicada em 2011 como \u201cEnsaios de m\u00faltiplas vozes: notas de campo: Avalia\u00e7\u00e3o do Projeto Pedag\u00f3gico da 8\u00aa Bienal do Mercosul Biennial\u201d in Pablo Helguera &amp; M\u00f4nica Hoff orgs. <em>Pedagogia no Campo Expandido<\/em>. (Porto Alegre: Funda\u00e7\u00e3o Bienal Mercosul, 2011) pp.125-139 e desenvolvido no relat\u00f3rio final do Instituto MESA \u201cUm relat\u00f3rio geopo\u00e9tico: reflex\u00f5es sobre o campo expandido do projeto pedag\u00f3gico da 8\u00aa Bienal do Mercosul\u201d, em 2012.<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>BIENAL DO MERCOSUL, 8, 2011, Porto Alegre. (duo)dec\u00e1logo. <em>Ensaios de geopo\u00e9tica<\/em>, p. 18. Cat\u00e1logo de exposi\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<sup>2<\/sup>BIENAL DO MERCOSUL, 8, 2011, Porto Alegre. Projeto Pedag\u00f3gico: o campo expandido da pedagogia. <em>Ensaios de geopo\u00e9tica<\/em>, p. 558. Cat\u00e1logo de exposi\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<sup>3<\/sup>FREIRE, Madalena. <em>Educador, Educador, Educador<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paz e Terra, 2008. p.55-60.<br \/>\n<sup>4<\/sup>Pablo Helguera. <em>Release <\/em>distribu\u00eddo no in\u00edcio do curso de forma\u00e7\u00e3o de mediadores. 8\u00aa Bienal do Mercosul, 2011.<br \/>\n<sup>5<\/sup>Fragmento de discurso de Ricardo Teixeira baseado na \u00c9tica de Espinosa (Afectologia Espinosana) apresentado por ocasi\u00e3o da defesa da disserta\u00e7\u00e3o de doutorado de Luiz Carlos Hubner Moreira (<em>Cl\u00ednica, cuidado e subjetividade: Uma an\u00e1lise da pr\u00e1tica m\u00e9dica no Programa M\u00e9dico de Fam\u00edlia de Niter\u00f3i a partir dos encontros no territ\u00f3rio<\/em>). Centro de Ci\u00eancias da Sa\u00fade. Faculdade de Medicina. P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Cl\u00ednica M\u00e9dica. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 13 de abril de 2012.<br \/>\n<sup>6<\/sup>CSIKZENTMIHALYI, Mihaly. <em>Flow and the psychology of optimal experience<\/em>. New York: Harper Perenial, 1990; CSIKZENTMIHALYI, Mihaly; HERMASON, Kim. Intrinsic motivation in museums: what makes a visitor want to learn? In: FALK, John; DIERKING, Lynn (orgs). <em>Public Institutions for Personal Learning: establishing a research agenda<\/em>. America Association of Museums: 1995; <em>Ted Talk<\/em>. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.ted.com\/talks\/lang\/por_br\/mihaly_csikszentmihalyi_on_flow.html.<br \/>\n<sup>7<\/sup>Fred Evans explora a ideia de acontecimento el\u00edptico que se desdobra em identidades el\u00edpticas \u2013 dialogais. Esta dimens\u00e3o el\u00edptica (figura geom\u00e9trica de dois centros) traduz a condi\u00e7\u00e3o dialogal inspirada tamb\u00e9m em Bakthin, em que o sujeito de uma enuncia\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m afetado pelo retorno do seu interlocutor. Evans tamb\u00e9m se refere \u00e0 territorializa\u00e7\u00e3o e reversibilidade de causalidades de Deleuze, o quanto os acontecimentos inauguram um estado de transforma\u00e7\u00e3o mutual e devir. Todo di\u00e1logo \u00e9 ent\u00e3o uma constru\u00e7\u00e3o relacional de m\u00fatuos afetos. Estar aberto para essa condi\u00e7\u00e3o el\u00edptica de identidade e acontecimento \u00e9 trazer o outro para a amplia\u00e7\u00e3o de si mesmo. Da\u00ed Evans tamb\u00e9m desenvolve uma proposi\u00e7\u00e3o \u00e9tica el\u00edptica do corpo de m\u00faltiplas vozes \u2013 do engajamento de solidariedade, heterogeneidade e fecundidade \u2013 utilizado neste dossi\u00ea como par\u00e2metro qualitativo tanto do projeto pedag\u00f3gico, quanto do processo de coleta de vozes. Estes pontos conceituais foram instrumentais ao se observarem as motiva\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias do projeto pedag\u00f3gico como indaga\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e \u00e9tica sobre a pr\u00f3pria raz\u00e3o de ser da Bienal. In. EVANS, Fred. <em>The Multivoiced Body. Society and communication in the age of diversity<\/em>. New York: Columbia University Press, 2009.<br \/>\n<sup>8<\/sup>GADAMER, Hans-Georg. <em>La actualidad de lo bello<\/em>. Barcelona: Ediciones Paid\u00f3s Ib\u00e9rica, 1991.<br \/>\n<sup>9<\/sup>SEIDEL, Steve <em>et. al.<\/em>\u00a0<i>The Qualities of Quality: Excellence in Arts Education<\/i>,\u00a0Project Zero. Harvard Graduate School of Education. p. 8.\u00a0Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.wallacefoundation.org\/knowledge-center\/arts-education\/arts-classroom-instruction\/Documents\/Understanding-Excellence-in-Arts-Education.pdf.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Performance, Coro de Queixas na abertura da 8\u00aa Bienal do Mercosul, Porte Alegre, Brasil, 2011 Uma coleta de m\u00faltiplas vozes: a pedagogia no campo ampliado na 8\u00aa Bienal do Mercosul [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/208"}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=208"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/208\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=208"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}