{"id":181,"date":"2013-12-13T14:08:00","date_gmt":"2013-12-13T14:08:00","guid":{"rendered":"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/?page_id=181"},"modified":"2016-01-21T12:38:06","modified_gmt":"2016-01-21T12:38:06","slug":"editorial-territorios-e-praticas-em-processo","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/editorial-territorios-e-praticas-em-processo\/","title":{"rendered":"Editorial: Territ\u00f3rios e pr\u00e1ticas em processo"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-191\" alt=\"\" src=\"http:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/6_Anthony-Schrag_tug-of-war_editorial.png\" width=\"590\" height=\"393\" srcset=\"https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/6_Anthony-Schrag_tug-of-war_editorial.png 590w, https:\/\/institutomesa.org\/revistamesa\/edicoes\/1\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/6_Anthony-Schrag_tug-of-war_editorial-300x199.png 300w\" sizes=\"(max-width: 590px) 100vw, 590px\" \/><span class=\"legenda\">Anthony Schrag. <em>Um dia de pai perfeito? Cabo de Guerra<\/em>, 2011. Deveron Arts. Foto: Jan Holm.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"titulo\">Territ\u00f3rios e pr\u00e1ticas em processo<br \/>\n<\/span><span class=\"autor\">Jessica Gogan e Luiz Guilherme Vergara<\/span><\/p>\n<p>Presenciamos nas \u00faltimas d\u00e9cadas o que vem sendo chamado por cr\u00edticos europeus e americanos de \u201cviradas\u201d. Sejam etnogr\u00e1ficas, sociais e educacionais, estas viradas apontam para um desejo de escapar os valores do mercardo, por buscas de novas formas de criticalidade e converg\u00eancias entres as pr\u00e1ticas art\u00edsticas, curatoriais e pedag\u00f3gicas.\u00a0Mas, talvez, seja menos a quest\u00e3o de uma virada espec\u00edfica, que poderia implicar uma certeza com rela\u00e7\u00e3o ao seu direcionamento, e mais um indicativo de estado de mudan\u00e7a e questionamentos cont\u00ednuos que subvertem os pap\u00e9is e valores dos territ\u00f3rios e pr\u00e1ticas de produ\u00e7\u00e3o e recep\u00e7\u00e3o dos sentidos p\u00fablicos da arte. O famoso desenho\u00a0do artista uruguaio Torres Garcia,\u00a0<i>Mapa Invertido da Am\u00e9rica do Sul<\/i>, 1936, onde o norte est\u00e1 ao sul e o sul ao norte,\u00a0hoje poderia\u00a0ser inspirador\u00a0para uma cartografia de reversibilidades ou simultaneidades \u2013 centro\/periferia.\u00a0Outras dicotomias ou hierarquias de fronteiras entre cria\u00e7\u00e3o\u2013criadores \/ recep\u00e7\u00e3o\u2013espectadores igualmente estariam sendo <em>re-virada<\/em>s. Este estado de <em>re-virando <\/em>nas mudan\u00e7as do fazer art\u00edstico n\u00e3o implica apenas abrir processos art\u00edsticos para a coletividade, colabora\u00e7\u00e3o ou novas territorialidades, mas tamb\u00e9m a ativa\u00e7\u00e3o e atitude subversiva dos pr\u00f3prios lugares e situa\u00e7\u00f5es de recep\u00e7\u00e3o\/espectadores rejeitando fronteiras estabelecidas norte-sul ou centro-periferia para a produ\u00e7\u00e3o criativa e cr\u00edtica de imagin\u00e1rios simb\u00f3licos compartilhados.<\/p>\n<p>Neste cen\u00e1rio, as cidades e os espa\u00e7os p\u00fablicos ressurgem na \u00faltima d\u00e9cada como campo de pulsa\u00e7\u00e3o vital de inven\u00e7\u00f5es e negocia\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, est\u00e9ticas e \u00e9ticas. Sejam urbanas ou rurais, as cidades, as ruas e pra\u00e7as passam a ser contextos de lutas pol\u00edticas e sociais, como tamb\u00e9m de po\u00e9ticas de interven\u00e7\u00f5es cotidianas. Em meio \u00e0s graves crises de mobilidade, paradoxalmente as cidades v\u00eam retomando sua condi\u00e7\u00e3o de corpo coletivo de fluxos de intera\u00e7\u00f5es e cria\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplos imagin\u00e1rios simult\u00e2neos. Desta forma, muito mais do que um campo ampliado para um segmento art\u00edstico, a malha urbana \u00e9 um territ\u00f3rio vivo de polifonias. Nesses contextos e situa\u00e7\u00f5es em reviravoltas, justapondo coer\u00eancia sens\u00edvel de agenciamentos ou de rupturas, as pr\u00e1ticas e sentidos p\u00fablicos da arte est\u00e3o sendo desafiados e desafiantes como territ\u00f3rios de processos. \u00c9 para esta zona limite que dirigimos nossas lentes multifocadas \u2013 \u00e9 onde as pr\u00e1ticas art\u00edsticas, curatoriais e pedag\u00f3gicas se (re)constroem continuamente como pot\u00eancia pl\u00e1stica e cr\u00edtica de a\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o de suas pr\u00f3prias inst\u00e2ncias e instantes, institui\u00e7\u00f5es e interfaces, em formas e formatos de intera\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<h3>Dissemina\u00e7\u00e3o e dispers\u00e3o<\/h3>\n<p>A Revista MESA, publica\u00e7\u00e3o digital do Instituto MESA, prop\u00f5e explorar essas inst\u00e2ncias e instantes das intera\u00e7\u00f5es p\u00fablicas da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica contempor\u00e2nea em suas complexidades e densidades \u00e9ticas e est\u00e9ticas. Nesta edi\u00e7\u00e3o inaugural reunimos diferentes estudos de casos nacionais e internacionais, artigos, ensaios fotogr\u00e1ficos e entrevistas, buscando tornar <em>e-videntes<\/em> e <em>e-viventes<\/em> as singularidades das situa\u00e7\u00f5es e contextos da arte contempor\u00e2nea com novas lentes cr\u00edticas. Ressaltamos nesses territ\u00f3rios de processos as pr\u00e1ticas pautadas pela escuta, observa\u00e7\u00e3o, proximidade, cuidado, cumplicidade e testemunho. Tania Rivera, cr\u00edtica pesquisadora convidada para esta edi\u00e7\u00e3o, observa que a pot\u00eancia de contamina\u00e7\u00e3o po\u00e9tica e a resson\u00e2ncia transformadora da arte sobre o sujeito e o mundo dependem da dissemina\u00e7\u00e3o e dispers\u00e3o de seus sentidos e conceitos emergentes. Esperamos que o pr\u00f3prio papel da Revista MESA seja tamb\u00e9m um territ\u00f3rio desta pr\u00e1tica cr\u00edtica, criativa e dispersiva.<\/p>\n<h3>Proximidade, cumplicidade, cuidado e testemunho<\/h3>\n<p>Podemos dizer que os territ\u00f3rios s\u00e3o definidos pelas suas pr\u00e1ticas; as pr\u00e1ticas, por sua vez, s\u00e3o encarnadas em suas inst\u00e2ncias fixas e fluxos de ritualiza\u00e7\u00f5es pl\u00e1sticas e sociais. Por\u00e9m, o material reunido para esta primeira edi\u00e7\u00e3o, seja a pr\u00e1tica de pensar a cidade com o espa\u00e7o de acontecimentos de Deveron Arts ou o projeto <em>Makers\u2019 Meal<\/em>, que juntou artistas e artes\u00e3os do Scottish Sculpture Workshop (as duas no nordeste da Esc\u00f3cia), ou a vitalidade geopo\u00e9tica da 8\u00aa Bienal do Mercosul, no Sul do Brasil, ou ainda a mobilidade f\u00edsica e simb\u00f3lica do novo carioca apontado pelo Jailson de Souza e Silva, diretor do Observat\u00f3rio de Favelas no Rio de Janeiro, sugere que, ao inv\u00e9s de uma pr\u00e1tica de distanciamento cr\u00edtico, o trabalho nesses contextos \u00e9 proximal e de cumplicidade entre arte, artistas, indiv\u00edduos, sociedade e territ\u00f3rios. Parte deste processo tamb\u00e9m exige uma esp\u00e9cie de testemunho, uma documenta\u00e7\u00e3o que, por sua pr\u00f3pria interven\u00e7\u00e3o, como mostra o ensaio fotogr\u00e1fico de Leonardo Guelman da Casa dos Milagres no Nordeste do Brasil, infelizmente perdida num inc\u00eandio recentemente, torna vis\u00edvel o ef\u00eamero, o desapercebido e o vivenciado, transformando igualmente o sujeito e o testemunho.<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica criativa e cr\u00edtica nesses contextos \u00e9 fundamentalmente desafiada por esses terrenos complexos de proximidade e cumplicidade. Mas, ao mesmo tempo, \u00e9 dentro desta complexidade que as for\u00e7as pl\u00e1sticas emergentes est\u00e3o rompendo os limites e dist\u00e2ncias tradicionais entre a\u00e7\u00e3o e cr\u00edtica. Surgem novos horizontes de possibilidades pr\u00e1ticas como po\u00e9ticas do cuidar e curar, como mostra o processo do artista Jos\u00e9 Rufino com os pacientes de doen\u00e7a de Alzheimer. Da mesma forma, ressaltamos a aten\u00e7\u00e3o aguda com a experi\u00eancia que a arte inaugura, entendida como uma escultura de viv\u00eancias e um campo cr\u00edtico e criativo a ser cuidado, explorado aqui com a instala\u00e7\u00e3o suspensa <em>oBichoSusPensoNaPaisaGen<\/em>, do Ernesto Neto, que nominamos como \u201cbicho feito de n\u00f3s\u201d.<\/p>\n<p>Agradecemos a todos os contribuidores e colaboradores neste primeiro n\u00famero e em especial ao Pr\u00eamio Procultura de Est\u00edmulo \u00e0s Artes Visuais 2010 de Funarte, pela possibilidade de realiza\u00e7\u00e3o desta e de mais tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es da Revista MESA.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anthony Schrag. Um dia de pai perfeito? Cabo de Guerra, 2011. Deveron Arts. Foto: Jan Holm. 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